11.02.01.02- As propriedades

Prolegômenos
3 de junho de 2018 Pamam

De um modo geral, as propriedades podem ser definidas como sendo todas e quaisquer substâncias secundárias do conjunto que forma a natureza própria das coisas. São aquelas cujas funções proporcionam as condições absolutamente necessárias para a finalidade da existência da essência de cada coisa, quer dizer, do ser, mas sem que elas sejam consideradas como sendo as substâncias principais, o que as tornam as menos puras, as menos belas e as de menor valor em relação à substância essencial, sendo, pois, as ordinariamente escolhidas, por serem aptas apenas para uso em função da essência, uma vez que elas não podem representar a Divindade com exatidão, já que não possuem a faculdade de exprimir, de revelar, de evidenciar por si mesmas o propósito de poder e de ação, portanto, da vida, cuja existência é eterna e universal. No entanto, elas também não podem deixar de ser belas.

Daí a denominação correta das expressões espírito e espiritualidade, quando queremos nos referir à nossa existência, já que ninguém utiliza as expressões alma e almalidade, nas ocasiões em que se refere à nossa existência, quando, na realidade, esta segunda expressão almalidade sequer existe, pois que não consta dos compêndios, embora possa ser criada para a utilização em certas ocasiões adequadas ao seu uso. Por isso, sempre que nos referimos à alma, nós o fazemos através da seguinte expressão: “a minha alma”, ou então, “a nossa alma”; quer dizer, nós, como essências que somos, evoluímos através das propriedades da Força, da Energia e da Luz, formando a nossa própria alma, que assim passa a ser a nossa única propriedade. Assim, você é um espírito, o qual determina a sua existência eterna e universal, e a sua alma é a sua propriedade, o que também vale para mim e para todos os demais seres humanos, aliás, para todos os seres, quer tenham o corpo de luz, quer não.

Pode-se também explanar o significado de uma substância que está a representar o papel de uma propriedade, por intermédio da própria linguagem forense, quando esta trata do direito de propriedade, que, adaptada ao assunto em pauta, pode ser considerada como sendo a faculdade que a substância essencial tem de aplicar à conservação da sua existência e ao melhoramento dessas suas condições de existência todas as demais substâncias que para esse fim lícita e legitimamente adquiriu e de que delas pode dispor livremente, o que se dá por intermédio da evolução.

Eis aqui a razão da evolução!

Nós ingressamos no Universo como sendo os seres mais imperfeitos que existem, evoluindo constantemente no âmbito da imperfeição, como simples coisas, passando assim por todas as transformações, até que alcançamos a condição de espíritos, onde nessa imperfeição o mal emerge de todas as maneiras, possíveis e imaginárias, mas, de qualquer maneira, estamos a caminho da perfeição, em demanda do Criador, ou de Deus. E como a imperfeição é finita, o mal que ela contém também é finito, então ao final desta Grande Era deverá ser decretada essa extinção de todo o mal que existe em nossa humanidade. É por isso que os espíritos de luz, em suas comunicações, vêm afirmar que os tempos são chegados, e, realmente, eles agora são chegados. E não somente através das comunicações dos espíritos de luz, mas também através dos autores das obras doutrinárias do Racionalismo Cristão.

Ora, se na qualidade de seres nós somos partículas do Ser Total, portanto, a substância essencial, à medida que vamos evoluindo, ou seja, adquirindo cada vez mais as parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, é que vamos aplicando à conservação da nossa existência e ao melhoramento das nossas condições de vida todas as demais substâncias que para esse fim lícita e legitimamente adquirimos e de que podemos dispor livremente, inclusive em favor do mal, mas que em breve essa livre disposição deve ser utilizada em favor do bem, com a progressiva extinção do mal.

Fácil é agora compreender que a evolução do ser, como essência, consiste justamente em adquirir as propriedades da Força, da Energia e da Luz, para que com elas possa formar um conjunto próprio de interseção ascendente com o conjunto do Ser Total, que possui a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, assemelhando-se assim, progressivamente, ao Criador, por conseguinte, sendo inteligência, assemelhando-se progressivamente à Inteligência Universal. Como se pode claramente constatar, nós não somos, jamais, partículas das propriedades da Força, como os militantes da doutrina racionalista cristã afirmam, e nem tampouco da Energia ou da Luz, somos sim, partículas da Essência, portanto, do Ser Total.

À medida que os seres vão adquirindo as parcelas das propriedades de Deus, evidentemente eles também vão entrando na posse das mesmas, não cabendo aqui nenhum tipo de renúncia, uma vez que elas se tornam próprias deles. E tudo aquilo que passa a ser próprio dos seres passa a fazer parte integrante da sua natureza, uma vez que foi adquirido com legitimidade, com honra, com um esforço inaudito, portanto, com o mais puro e autêntico merecimento. Assim, e somente assim, faz-se valer a utilização dos pronomes possessivos meu, teu, seu, dele, nosso, vosso ou deles, os que se referem às pessoas do discurso, relacionando-as ao que lhes cabe ou pertence, como no caso das propriedades, e que antes são adjetivos, porque sempre se lhes pode juntar o nome. Desta maneira, pode-se compreender, então, que a renúncia sobre algo cabe apenas aos bens materiais, próprios deste mundo, pois que quem renuncia aos bens materiais renuncia a coisas alheias, mas renunciar aos bens próprios, como as propriedades adquiridas, que formam a alma, é impossível, pois que não existe a involução.

Mas, infelizmente, quando os seres humanos tentam de todas as maneiras tornar próprios os bens ditos materiais, que lhes são alheios, esquecendo-se que próprios deles são os bens de outra natureza, que são as suas propriedades adquiridas com legitimidade no decorrer do processo da evolução, eles passam a inverter a ordem natural da natureza. E nessa ânsia incontida e extremamente egoísta pela conquista dos bens ditos materiais, eles terminam por renunciar aos seus próprios atributos morais e éticos, por conseguinte, educacionais, sem saberem que a conquista maior deve ser em prol da amizade espiritual, que faz emergir dos seus espíritos a solidariedade fraternal, que por sua vez faz emergir a liberalidade, a magnanimidade e outros atributos individuais superiores e relacionais positivos mais, e não em prol do egoísmo, da avareza, da ganância e outros atributos individuais inferiores e relacionais negativos mais.

Para que se possa inverter de todo a esse processo penoso que evidencia a existência de todo o mal que existe em nossa humanidade, por demais perverso e danoso à evolução do espírito, basta apenas que os seres humanos adquiram a consciência de que os bens materiais são todos alheios, e que por isso jamais poderão lhes pertencer definitivamente. E isto é fácil até demais de se compreender, não precisando nem ao menos racionar, bastando apenas observar que por ocasião da desencarnação, nada se leva deste mundo, apenas as propriedades que foram adquiridas com legitimidade por intermédio da evolução espiritual, que são a Força, a Energia e a Luz, que não devem ser postas em dúvida.

No entanto, apesar de serem alheios todos os bens ditos materiais, eles podem ser temporariamente emprestados pela Providência Divina, pelo tempo equivalente ao de uma encarnação, com a condição de que o seu uso seja compartilhado por todos, na proporção de quem melhor uso deles fizer. Caso contrário, serão chamados para a devida prestação de contas perante a Consciência Universal aqueles que mal uso fizerem do alheio que para si tomaram emprestado, levando-se em consideração tanto a maneira pela qual tomaram o empréstimo como a sua quantidade indevida.

Na realidade, as únicas propriedades que devem interessar aos seres humanos são as propriedades que eles podem adquirir com legitimidade, e com legitimidade somente Deus as pode ofertar, pois Ele, somente Ele, e mais ninguém, as possui natural e legitimamente in totum. Força, Energia e Luz, eis, portanto, as únicas propriedades que devemos e podemos adquirir com legitimidade, posto que por merecimento, através do esforço desprendido e da luta constante e ininterrupta por evoluir espiritualmente.

As obras doutrinárias do Racionalismo Cristão nos apresentam apenas uma leve noção especulativa sobre a origem dos seres, fazendo-o um tanto através da imaginação, que jamais pode transmitir a realidade da vida. Podemos constatar essa leve noção especulativa proveniente da imaginação em Fernando Faria, através da sua obra A Chave da Sabedoria, as páginas 144 a 147, quando sobre o assunto ele diz o seguinte:

A Força, ou melhor, a Inteligência Universal, pode ser imaginada (grifo meu) se fazendo analogia com um grande clarão, tal qual enorme foco de luz, onde o Universo está mergulhado, como se esse clarão fosse um grande oceano de luz. Desse enorme clarão saltam pequenos pontos de luz em busca da própria individualização. Esses pontos de luz desprendidos do Grande Foco são partículas da Inteligência Universal, as quais, simples e ignorantes, possuem um potencial fantástico, latente. Essas partículas de luz (grifo meu), para conquistar a consciência, mergulham nos mundos materiais em busca da construção da individualidade.

Quanto ao nascimento da Partícula Inteligente, até o nosso presente estado evolutivo, não temos ainda discernimento suficiente para responder com precisão se nascemos no momento em que saltamos do grande clarão. Contudo, podemos dizer que a Partícula Inteligente, simples e ignorante, ainda não individualizada, está contida no âmago da Força (grifo meu) e será forçada pela lei natural a saltar do seio materno, quando estiver preparada, quando estiver madura para iniciar, por conta própria, a sua autoconstrução, em busca de se realizar como espírito. Precisa inicialmente do caminho oferecido pela Matéria para chegar ao objetivo de ser Espírito. Atingida essa etapa, como nós nos encontramos agora, o objetivo será, então, livrarmo-nos do instinto da adoração, dos atrativos da vida material, e iniciarmos um profundo estudo para aprendermos a viver no mundo espiritual.

Podemos deduzir que a Partícula da Inteligência Universal sempre existiu no seio do Grande Foco, sendo, portanto, inascível. Sempre fez parte da essência da Força Criadora (grifo meu). Consequentemente, sempre foi imortal, imperecível”.

Eu devo aqui, então, desde logo confirmar, que a nossa humanidade ainda se encontra na fase da imaginação, representando as coisas, os fatos e os fenômenos universais através de imagens que são reproduzidas em seu corpo mental. Todas as imagens são falsas, pois que são decorrentes das observações provenientes dos sentidos, principalmente dos olhos da cara, os quais são formados com as mesmas coisas que são observadas através deles, que traduzem a ilusão da matéria, por isso não podem, jamais, representar a realidade. A nossa humanidade, então, tem que passar da fase da imaginação para a fase da concepção, através da qual se podem formular as ideias verdadeiras a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, observando a tudo com os olhos da verdade e da sabedoria, que unidas, irmanadas, congregadas, formam a razão, que transmite a realidade da existência eterna e universal por intermédio da visão da luz astral, e não da visão dos olhos da cara, ou mesmo através de aparelhos, que retratam as imagens da irrealidade. Por isso, a nossa humanidade ainda não possui a mínima ideia do que quer que seja, pois que ela raciocina combinando as imagens, e não associando as ideias.

Como se pode facilmente constatar, o autor afirma que a Inteligência Universal pode ser “imaginada se fazendo analogia com um grande clarão”. Deus, a Inteligência Universal, não pode jamais ser imaginado, pois que a imaginação é representada por imagens, e Ele não possui qualquer imagem que venha a limitá-Lo a um simples ser, e também muito menos através de qualquer analogia, seja ela qual for, pois que Ele é Tudo, ou o Todo, não sendo passível de qualquer analogia, já que não existe similaridade em relação ao Tudo, ou ao Todo, uma vez que não existe outro Tudo, ou outro Todo.

Assim, em primeiro lugar, o autor se equivoca quando afirma que o ser é luz, ao saltar de um enorme clarão. Posteriormente, equivoca-se novamente quando afirma que o ser, ou a partícula inteligente, está contido no âmago da Força, ou que sempre fez parte da essência da Força Criadora, devendo-se ressaltar que esta propriedade nada tem a ver com o poder criador, pois que este faz parte diretamente da propriedade da Energia. Ora, já é sabido que tanto a Luz como a Força são Propriedades de Deus. Então o ser é uma substância, a essência, assim como a Força, a Energia e a Luz também são substâncias, só que propriedades. Foi por isso que antes eu separei com clareza as substâncias umas das outras, para que assim o querido leitor consiga compreender com mais facilidade todo o teor das revelações acerca da razão, que coordena a verdade e a sabedoria por intermédio da luz astral.

A propriedade da Força contém o espaço e o magnetismo, encontrando-se parcelada em nossa alma. A propriedade da Energia contém o tempo e a eletricidade, encontrando-se também parcelada em nossa alma. As propriedades da Força e da Energia se combinam em inúmeros e inúmeros estágios, formando as estrelas, formando e fornecendo as coordenadas do Universo, em que dessas combinações vêm o eletromagnetismo, ressaltando-se aqui que das estrelas vêm também o magnetismo e a eletricidade. A propriedade da Luz penetra em todas as coordenadas universais, por isso a nossa consciência coordena o criptoscópio e o intelecto.

Em sendo assim, quando o autor mais acima citado, em sua especulação imaginativa, dispõe-se a fazer uma analogia entre Deus e um Grande Clarão ou um enorme Foco de Luz, passa a confundi-Lo com uma das Suas Propriedades, o que, evidentemente, não deixa de estar correto, mas apenas em parte, já que o Ser Total é a Essência.

Em consequência, continua a se equivocar quando diz que o Universo se encontra mergulhado nesse Foco de Luz, uma vez que a propriedade da Força contém o espaço, a propriedade da Energia contém o tempo, dando origem às estrelas, que formam o Universo, fornecendo as suas coordenadas, que assim o Universo é composto pelas propriedades da Força e da Energia, em que a propriedade da Luz penetra em todas essas coordenadas, justamente para que através das três propriedades, que vão adquirindo parceladamente, os seres que habitam o Universo possam ir adquirindo os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria relativos às duas primeiras propriedades, respectivamente, até alcançarem a condição de espírito, quando, enfim, alcançam a faculdade do raciocínio, e adquirem o livre arbítrio, por conseguinte, partem em busca do Saber, por excelência, por intermédio da sua luz astral relativa à última propriedade adquirida, universalizando-se.

No entanto, já na condição de espíritos, após milhões e milhões de anos evoluindo, e evoluindo sempre, é que eles conseguem adquirir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que se encontram no Espaço Superior, e as experiências físicas acerca da sabedoria, que se encontram no Tempo Futuro, passando a coordenar as propriedades da Força e da Energia, ao haverem adquirido uma imensa parcela da propriedade da Luz, que penetra todas as coordenadas do Universo, que são fornecidas pelas estrelas. E como os espíritos são os executores da vontade de Deus, ao agirem no sentido de fazer valer as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, é por intermédio desses divinos executores que a propriedade da Luz vai penetrando todo o Universo.

Posso concluir, então, que uma propriedade não pode estar mergulhada em outra, e que nem a propriedade da Força e nem tampouco a propriedade da Energia, podem estar mergulhadas na propriedade da Luz, pois caso assim fosse, nem uma das três propriedades poderia subsistir por si mesma, e, em decorrência, não poderiam elas ser consideradas como sendo substâncias, principalmente as Substâncias de Deus.

Forçado eu sou agora pela lógica a também concluir que da propriedade da Luz, ou desse enorme clarão, como a ela se refere o autor, não podem saltar pequenos pontos em busca da própria individualização, já que nós, os seres, figurados pelo autor como tais pontos, não viemos das propriedades de Deus, mas sim da sua própria Essência, do Ser Total. Além do mais, o Dr. Pinheiro Guedes, que foi um grande veritólogo, em sua obra Ciência Espírita, afirma que o espírito é ávido por luz. Ora, caso tivesse o espírito vindo da Luz e desta fosse apenas uma partícula, como poderia então ele ser ávido por aquilo do qual é proveniente e do qual é formado? Poderia ele ser ávido por si próprio? A evolução posta assim desta maneira perde totalmente o seu sentido, já que o ser se veria obrigado a evoluir em si mesmo, ou então a sugar a luz dos outros espíritos, tal qual uma sanguessuga.

No entanto, o autor está absolutamente correto quando diz que as partículas da Inteligência Universal, ou de Deus, simples e ignorantes, possuem um potencial fantástico latente, mas como essências, e que para conquistar a consciência, mergulham nos mundos materiais em busca da individualidade, já que eles mesmos, interagindo uns com os outros, dão a imagem da ilusão da matéria. Porém, não da maneira como o autor se expressou, como partículas da Luz, e nem mesmo como partículas da Força, ou da Energia, que são propriedades, mas sim como partículas da Essência, ou seja, partículas do Ser Total.

Continuando em sua especulação imaginativa acerca da verdade, o próprio autor afirma que ainda não tem discernimento suficiente para saber se nascemos no momento em que saltamos do grande clarão, por isso essa sua sinceridade, ocasionada pela sua honestidade, justifica plenamente o equívoco imaginativo dessa sua expressão, já que ele deveria ter dito “no momento em que saltamos da Essência, do Ser Total”. Mas se ele não tem esse discernimento, isto não significa que outros seres humanos não possam tê-lo, já que este explanador do Racionalismo Cristão o tem, em seu inteiro teor, como estou comprovando devidamente e como também vou demonstrar mais ainda, justamente por isso eu sou o explanador.

Desse equívoco, ele passa automaticamente a outro, quando diz, contraditoriamente ao dito sobre a Luz, que a partícula inteligente, simples e ignorante, ainda não individualizada, está contida no âmago da Força, quando deveria também dizer “no âmago da Essência, que é o Ser Total”. Aqui, como se pode constatar, a confusão, a mistura, é patenteada, pois, segundo ele, a partícula de Luz está contida no âmago da Força. Neste caso seríamos, ao mesmo tempo, partículas de Luz e de Força? Claro que não, pois não somos partículas nem de uma e nem de outra, mas sim do Ser Total, conforme dito reiteradas vezes. No entanto, ele afirma com precisão quando diz que a partícula é forçada pela lei natural a saltar do seio materno, que, na realidade, é paterno, quando preparada, quando madura, para iniciar, por conta própria, a sua autoconstrução, em busca de se realizar como espírito.

E agora principia a se fazer toda a lógica quando ele diz que ela precisa, inicialmente, do caminho oferecido pela matéria para chegar ao objetivo de ser espírito, ou seja, ao objetivo de alcançar a propriedade da Luz. Aqui sim, a partir deste ponto, passa a ser realmente como ele diz em sua obra, pois alcançada esta etapa, como nós nos encontramos agora, o objetivo será nos livrarmos do instinto de adoração, dos atrativos da vida material e iniciarmos um profundo estudo para aprendermos a viver nos mundos espirituais, que são os Mundos de Luz, já que temos a obrigação de transformar este mundo-escola, formado originalmente por seres hidrogênios, em um Mundo de Luz, para que ele possa ser habitado por uma outra humanidade, que no futuro deverá se formar por intermédio do processo da evolução de todos os seres. Por fim, o autor é absolutamente preciso em sua conclusão, quando deduz que a partícula de Deus sempre existiu em seu seio, mas sempre existiu em sua Essência, diga-se de passagem, por isso sempre foi imortal, imperecível, sendo, portanto, inascível.

Cabe aqui agora fazer uma pequena ressalva. A evolução das criaturas, ou dos seres, inicia-se praticamente com o ser hidrogênio, percorrendo toda a cadeia dos seres atômicos, até se tornarem seres moleculares, continuando as suas evoluções, passando por muitos outros estágios, até alcançarem a condição de espíritos. Então não existe a matéria, como ela aqui neste mundo é considerada em si mesma, com ela assim sendo considerada algo diferente e paralelo à criação dos seres, mas sim como seres infra-humanos. Neste caso, sim, pode-se utilizar o termo matéria, para que então as expressões materialismo, materializado, materialização e outras correlatas possam ser utilizadas e compreendidas.

Já o Dr. Pinheiro Guedes, por sua vez, em sua obra Ciência Espírita, a qual serve de lastro para todas as demais obras doutrinárias do Racionalismo Cristão, sendo ele, pois, um dos precursores da doutrina racionalista cristã, a doutrina da verdade, incorreu no mesmo erro, daí a razão do erro de Fernando Faria e dos demais, quando a página 167, diz o seguinte:

A evolução da alma humana em uma encarnação termina com a volta da Força ao Grande Foco, da qual é uma partícula em ação neste e noutros planetas, porque a Força parcelada parte de um ponto e volta a esse mesmo ponto — o Grande Foco“.

Ora, já está claro que não é a propriedade da Força que é parcelada individualmente, mas sim a Essência, que é o Ser Total, que se individualiza nos seres, daí a utilização do termo partícula. Vou, portanto, simplificar esta minha explanação para o meu amado leitor, companheiro de humanidade, expressando o dizer do autor da seguinte maneira:

A evolução dos seres se inicia quando eles se individualizam, tal como se estivessem desprendendo do Ser Total, ou do Criador, como se estivessem Dele se desligando, mas que absolutamente não estão, porque continuam a integrá-Lo, como sendo as Suas partículas, já que são as suas criaturas, para assim poderem ingressar no Universo, como seres que são em poder e ação, portanto, em vida, por isso a existência de todos os seres é eterna e universal, em que este e outros mundos por eles são formados.

Como o Universo é formado pelas propriedades da Força e da Energia, que dão as suas coordenadas, através das estrelas, essas coordenadas são penetradas pela propriedade da Luz, cujas propriedades os seres individualizados têm que adquirir em suas quase plenitudes, a fim de que delas possam se utilizar em suas evoluções rumo à perfeição, ao infinito, embora essa perfeição infinita não tenha um fim ao alcance da nossa compreensão, mas que assim mesmo eles tendem às seguintes finalidades:

Na propriedade da Força, a onipotência; na propriedade da Energia, a onipresença; e na propriedade da Luz, a onisciência. Em sendo o Criador Onipotente, Onipresente e Onisciente, é óbvio que Ele concede às suas criaturas os mesmos atributos, pois que diferente não poderia ser, como assim determina a lógica racional e universal.

A evolução dos seres, então, tende a percorrer toda a imperfeição finita, onde na ignorância se encontra todo o mal e na espiritualização se encontra todo o bem, com a prática da amizade espiritual, em que o mal vai aos poucos se extinguindo, com os seres partindo céleres em busca da perfeição infinita, praticando sempre o bem, até que se inicia a prática do amor espiritual, que se situa acima do bem e do mal, quando por fim conseguem abandonar o âmbito da imperfeição, em sua finitude, e adentrar no âmbito da perfeição, em sua infinitude, ao poderem contemplar a extensão da perfeição infinita que lhes cabe, quando então eles procedem aos seus retornos ao seio do Criador, ou de Deus.

Conclusão: para os seres, o Universo se inicia como se eles estivessem se desprendendo de Deus, iniciando as suas jornadas evolutivas no âmbito da imperfeição finita, onde se encontram as finitudes do bem e do mal, com este sendo o fruto da ignorância e aquele sendo o fruto do esclarecimento espiritual, tendo por base a amizade espiritual, com esta jornada se findando quando eles alcançam o âmbito da perfeição infinita, onde se encontra a infinitude da produção do amor espiritual, entregando a Deus esses seus acervos de imperfeições, e se reintegrando a Ele, passando Dele a adquirir o acervo da Sua Perfeição e do Amor Total.

Afirmo, então, repisando o assunto, para torná-lo ainda mais visível e saliente perante o corpo mental do estimado leitor, em conjunto com a minha divina fonte, a doutrina da verdade, que os seres, as partículas da Essência, do Ser Total, saltam para o Universo e nele ficam presos, ao mergulharem nos mundos materiais em busca das suas próprias individualizações, para desenvolver os seus órgãos mentais e os seus atributos, para que assim possam apreender o Saber, por excelência. Em relação aos órgãos mentais, primeiramente os desenvolvimentos tanto do criptoscópio como do intelecto, a fim de que possam chegar ao objetivo de serem espíritos, quando então passam a desenvolver também a consciência, que coordena aos dois outros órgãos mentais. E em relação ao atributos, primeiramente os mais ínfimos, depois os atributos instintivos, e como espíritos os atributos individuais inferiores e relacionais negativos, depois os individuais superiores e os relacionais positivos, em que os atributos individuais vão formar a sua moral e os atributos relacionais vão formar a sua ética, tornando-se verdadeiramente educados, para que ao final possam produzir os sentimentos superiores, através da propriedade da Força, os pensamentos positivos, através da propriedade da Energia, e, enfim, a produção da amizade espiritual e depois a produção do amor espiritual, através da propriedade da Luz. E temos como o exemplo maior de tudo isso o próprio Jesus, o Cristo, o nosso Redentor, que simboliza o amor universal.

É assim que eles passam a habitar o Universo, dele fazendo parte integrante, estando presos a ele, pelo menos até ao ponto em que, como espíritos, ainda não tenham evoluído o bastante, ou não tenham adquirido a luz necessária que lhes dê a consciência universal, e assim possam proceder as suas marchas aceleradas em retorno definitivo ao Criador, para que assim, tal como Jesus, o Cristo, possam denominar, muito propriamente, a Deus de Pai.

E em relação ao Universo, estando ele contido em Deus, que o mantém constituído na base da Veritologia, onde se encontram todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, na base da Saperologia, onde se encontram todas as experiências físicas acerca da sabedoria, e na base da Ratiologia, que coordena a ambos os tratados, e que por isso contém o Saber, por excelência, todos os seres que o habitam ocupam as suas posições próprias, definidas e insubstituíveis, também na sua constituição religiosa e científica, que são coordenadas pela religiociência, posições essas que ascendem aos píncaros quando eles alcançam a máxima condição espiritual, em que os seus sentimentos superiores e os seus pensamentos positivos se coordenam e passam a produzir a amizade espiritual, posteriormente o amor espiritual, os quais produzem as ligações harmônicas com o Todo Universal, ou seja, com Deus, com o Criador, com a Inteligência Universal.

Esta é a realidade de Deus como sendo o nosso Criador, como sendo a Coisa Total, como sendo a Inteligência Universal, com base na minha sabedoria, tendo como a minha legítima fonte a verdade, em que procedo a união, a irmanação, a congregação, entre ambas, alcançando finalmente a razão e a estabelecendo no seio da nossa humanidade, para que assim, através da minha luz astral, eu possa apresentá-Lo em uma maior amplitude, organizando-O nos corpos mentais de todos os seres humanos, evidenciando a finalidade dos nossos retornos para Ele, em conformidade com a realidade universal.

Mas para que eu possa apresentá-Lo e organizá-Lo em uma maior amplitude, faz-se preciso que o caro e estimado leitor tenha a consciência plena de que tudo o que lhe for sendo apresentado nesta minha explanação de A Filosofia da Administração, neste capítulo em que estou procedendo a organização de Deus perante a nossa humanidade, portanto, da Inteligência Universal, do Criador, eu vou tirar de mim mesmo, já que, estando em marcha acelerada em retorno para Ele, eu vou apreendendo em mim mesmo cada vez mais parcelas das Suas Propriedades, já que a minha inteligência tende para a Inteligência Universal, porque a minha tendência, assim como a sua, querido leitor, e também a tendência de todos os seres, é se confundir com a própria Inteligência Universal, pois que partimos de uma mesma origem e temos que retornar para essa mesma origem, levando toda a bagagem que adquirimos no decorrer do processo da evolução.

Estando assim perfeitamente compreendido o que sejam realmente as substâncias, que se dividem em essência e propriedades, eu posso agora passar para o tópico seguinte, seguindo sempre uma ordem lógica para a devida compreensão acerca da realidade da existência de Deus, de acordo com a razão.

 

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