11.02.01.01- A essência

Prolegômenos
3 de junho de 2018 Pamam

A essência, de um modo geral, pode ser definida como sendo a substância principal do conjunto que forma a natureza própria das coisas, aquela cuja função é considerada como sendo a finalidade da sua existência, o que a torna a mais pura, a mais bela e a de maior valor em relação a todas as demais substâncias componentes do conjunto, sendo, pois, a particularmente escolhida, por ser a única apta para o uso principal da criação, uma vez que ela, e somente ela, pode representar o seu conjunto com maior exatidão, já que possui a faculdade de exprimir, de revelar, de evidenciar, por si, todo o propósito do poder e da ação, portanto, da vida, cuja existência é eterna e universal.

É a essência que faz com que os seres humanos percebam, através do criptoscópio, e compreendam, através do intelecto, tendo a consciência de que todas as coisas — os seres e as suas propriedades adquiridas — são provenientes de Deus, uma vez que ela, exprimindo, revelando e evidenciando os seus propósitos de poder e de ação, que representam a vida, cuja existência é eterna e universal, é a substância indispensável para que elas existam tais como existem, uma vez que a existência eterna e universal somente pode ser evidenciada através da consciência.

Em sendo assim, a essência pode ser considerada também como sendo a razão primordial da existência de cada coisa, além da sua natureza íntima, o seu modo diferente de existir, a sua intenção, a sua significação especial, de acordo com o estágio evolutivo em que se encontra em relação aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, portanto, ao Saber, por excelência, em relação às parcelas das propriedades que adquiriu no decorrer do processo da evolução. Em virtude desses caracteres distintivos que possui em relação às outras substâncias, a essência representa a ideia primeira das coisas, enquanto que as demais substâncias representam as ideias secundárias.

Por ignorarem completamente a esta realidade universal, tanto os seguidores da verdade como todos os demais seres humanos, confundem, geralmente, a ideia principal de uma coisa, que é representada apenas pela sua essência, com as suas ideias secundárias, que são representadas apenas pelas suas propriedades. Além disso, os seres humanos ainda não conseguem apreender a ideia geral de uma coisa, que é representada pela sua essência e pelas suas propriedades, com estas compondo o restante do conjunto que forma a sua natureza íntima e que lhe é própria.

O Ser Total, portanto, é a Essência de Deus, e a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Propriedades de Deus. E nós, os seres, somos partículas da Essência de Deus, quer dizer, somos partículas do Ser Total, que evoluímos adquirindo as Suas Propriedades, primeiramente adquirindo parcelas da propriedade da Força, formando e desenvolvendo o órgão mental denominado de criptoscópio e os atributos individuais precursores da formação da moral, além de outros predicados correlatos; e adquirindo parcelas da propriedade da Energia, formando e desenvolvendo o órgão mental denominado de intelecto e os atributos relacionais precursores da formação da ética, além de outros predicados correlatos; até que enfim adentramos no âmbito da espiritualidade, tornando-nos seres humanos, passando de primata irracional para primata racional, quando então passamos a adquirir também parcelas da propriedade da Luz, com a aquisição do raciocínio e do livre arbítrio, passando então a formar e a desenvolver o órgão mental denominado de consciência, com o abandono progressivo dos atributos instintivos que foram adquiridos na irracionalidade, com a formação dos atributos individuais superiores e dos atributos relacionais positivos que formam a nossa moral e a nossa ética, respectivamente, para que assim possamos adquiri-los a todos, quando então nos tornamos verdadeiramente educados, estando aptos para que possamos nos universalizar, abandonando aos poucos o âmbito da imperfeição, em que preponderam os atributos individuais inferiores e os atributos relacionais negativos, em que medra a ignorância acerca da espiritualidade, onde se encontra todo o mal deste mundo, e adentrando aos poucos no âmbito da perfeição, praticando sempre o bem.

Mas como ainda nos encontramos em um mundo ainda extremamente materializado, essa ilusão acerca da existência da matéria, desprezando-se aqui o devaneio do sobrenatural, faz com que tendamos a supor, de imediato, que pelo fato de sermos partículas da Essência de Deus, ou partículas do Ser Total, somos como que partes dessa Essência que se parte ao infinito, gerando infinitos seres. Assim, torna-se difícil a compreensão de como Deus pode ser o Todo e, ao mesmo tempo, uma quantidade incalculável de seres. Acontece que, na espiritualidade, a compreensão não pode se limitar às palavras terrenas. Quando mais adiante os seres humanos estiverem mais espiritualizados, e estiverem todos falando e escrevendo o Esperanto, pode ser que novas palavras deem uma compreensão ainda mais satisfatória em relação a esta realidade.

No entanto, mesmo assim, à minha maneira, eu vou tentar explanar de um modo que se torne mais acessível à compreensão humana, a razão pela qual nós, os seres, somos partículas do Ser Total, portanto, essências da Essência de Deus, por sermos uma parte ou uma partícula da Essência Total, portanto, somos as criaturas do Criador. E, também, mais adiante, em outro tópico, eu vou completar ainda mais a esta linha de raciocínio.

Eu devo aqui, então, de imediato, antes de mais nada, efetuar ao querido leitor a seguinte indagação: Deus é Perfeito ou Imperfeito? Que o querido leitor não realize qualquer esforço para responder, deixe que eu mesmo lhe respondo:

Deus é Perfeito ao Infinito. E Deus é Imperfeito ao Finito. Então Deus é Perfeito e, ao mesmo tempo, Imperfeito. Deus é Infinito e, ao mesmo tempo, Finito. Deus é Completo e, ao mesmo tempo, Incompleto. E até posso afirmar: Deus é o Bem e o Mal. Deus é Tudo, pois que Deus é o Todo.

Ao contrário daquilo que todos pensam, caso a imperfeição e a finitude, portanto o bem e o mal, não existissem em Deus, Ele fatalmente deixaria de ser Completo e Incompleto, pois que com determinada lógica não se pode conceber em Deus a ignorância do que quer que seja na existência, muito menos acerca da imperfeição, da finitude, da limitação, e do bem e do mal, embora Ele realmente contenha em Si a ignorância, através das suas partículas. Mas que fazendo uso de toda a lógica Ele pode ser também Ignorante, em função da imperfeição, da finitude, da incompletude e do fato Dele conter o bem e o mal, embora a priori venha a parecer absurdo. O assunto é um tanto complexo, eu bem o sei, mas passível de ser apreendido por quem possui um corpo mental em média extensão.

Porém, caso Ele fosse Perfeito ao Infinito e, também, Imperfeito ao Infinito haveriam duas extensões exatamente iguais, ambas Infinitas em Deus. Tal igualdade seria passível de um ponto central, situado exatamente no meio das duas igualdades Infinitas, já que a Perfeição seria igual à Imperfeição, aonde nesse ponto central seria possível um posto de observação para se contemplar a ambas as extensões, mesmo em suas Infinitudes.

Esse posto de observação poderia ser considerado como sendo a fronteira do Universo, onde de lá se poderia contemplar as extensões Infinitas da Perfeição e da Imperfeição em Deus, mas sem que jamais essa contemplação pudesse alcançar ao seu fim, o que seria totalmente destituído de lógica, principalmente porque partiria de um princípio. Em sendo assim, Deus, como é a Inteligência Universal, não pode permitir que exista um posto de observação entre essas tais duas extensões, pois observar de um determinado posto de observação cada uma dessas duas extensões Infinitas seria incongruente, pois que nenhum espírito jamais conseguiria contemplar o final de cada uma delas. Assim, tornar-se-ia impossível o acesso total a cada uma delas. Neste caso, seria preferível permanecer para sempre nesse posto de observação, não sendo imperfeito e nem perfeito, quer dizer, não vindo para cá e nem indo para lá, pois seria em vão, sem sentido. Por que seguir um caminho que não se possa determinar uma finalidade para ele? Sem a determinação de uma finalidade para a nossa existência eterna e universal, cairiam por terra também a doutrina, o método e o sistema.

Justamente por isso, o Ser Total se individualiza em partículas, dando origem aos seres individuais, quer dizer, o Criador gera as suas criaturas através de Si mesmo, por intermédio dessas individualizações. Então esses seres individualizados, essas criaturas do Criador, ou essas partículas do Ser Total, iniciam as suas trajetórias evolutivas pelo Universo. Note-se que essa individualização se inicia por intermédio dos seres atômicos, mais especificamente pelos seres hidrogênios, os mais imperfeitos de todos os seres, que possuem a essência mais as menores parcelas das propriedades da Força e da Energia, mas mesmo assim já possuindo os seus corpos fluídicos, já que as combinações dessas duas propriedades dão como resultado os fluidos, ou o éter, como assim denominam os estudiosos.

Em suas trajetórias evolutivas, a partir dos seres hidrogênios, até alcançarem a condição de espíritos, encarnando como seres humanos, quando assim obviamente ingressam na espiritualidade, passando a adquirir também parcelas da propriedade da Luz, esses seres vão percorrendo toda uma extensão no âmbito da imperfeição, até que toda ela seja totalmente percorrida naquilo que lhes cabem, quando então abandonam o âmbito da imperfeição e ingressam no âmbito da perfeição, levando todos esses acervos de imperfeições, inclusive o bem e o mal, que estão contidos em suas trajetórias evolutivas, para Deus.

Então, quando ingressam no âmbito da perfeição, assim como Jesus, o Cristo, ingressou, o espírito pode contemplar toda a extensão da Imperfeição existente no acervo de Deus, cujo acervo foi depositado pelos seres individualizados, por conseguinte, pode também contemplar toda a extensão da perfeição a ser por ele percorrida. É exatamente aqui, neste posto de observação, que nós, que somos os seres individualizados do Ser Total, as criaturas do Criador, as coisas da Coisa Total, podemos contemplar a imensidão da Imperfeição do Criador, e, em contrapartida, a imensidão da Sua Perfeição. Note-se, porém, que tais extensões podem ser contempladas pelas criaturas, o que implica em dizer que elas não conseguem contemplar toda a extensão da Perfeição do Criador, apenas esta extensão que corresponde diretamente à Sua imperfeição, que Lhe foi entregue por todas as Suas criaturas. Mas com a sua reintegração ao Todo, tudo deve mudar, o que não sei dizer com precisão, pois que não sou dado a imaginar.

Ao alcançar a esse posto de observação, em que o espírito consegue contemplar toda a extensão da Imperfeição do Criador, por conseguinte, a extensão da Perfeição correspondente, ele deve ficar deslumbrado com ambas as extensões. A partir daí ele também pode contemplar a extensão da Imperfeição ir se estendendo cada vez mais, pois a criação é constante e intermitente, por conseguinte, podendo contemplar cada vez mais a extensão da perfeição.

Essa extensão da Imperfeição vem se estendendo desde a eternidade, pois que não tem começo e nem meio, não tendo meio justamente porque não tem começo, mas tem um fim, quero dizer, um fim que vai se estendendo cada vez mais, de modo constante e ininterrupto, e continuará se estendendo por todo o sempre, e nunca, mas nunca mesmo, a extensão da Imperfeição conseguirá alcançar a extensão da Perfeição de Deus, pois que não se pode comparar o Finito com o Infinito. Por aqui é possível a compreensão da Infinitude da Perfeição de Deus. No entanto, que ninguém pense que a Imperfeição é limitada apenas ao acervo de tudo quanto o Criador já recebeu de todas as Suas criaturas, pois somente Ele pode contemplá-la em toda a sua extensão, já que é por Seu intermédio que ela irá se estender por todo o sempre.

A conclusão a que se chega é a seguinte: ao alcançar o limite da imperfeição, o espírito pode contemplar toda a sua extensão, por conseguinte, toda a extensão da perfeição que corresponde à extensão da imperfeição. Ora, em sendo assim, Deus pode contemplar toda a extensão da Imperfeição correspondente à extensão da Sua Perfeição. Assim, somente Deus pode ter a visão da extensão da imperfeição, pois que com o processo da criação e da evolução, ela vai se estendendo cada vez mais, por todo o sempre. E se estendendo até onde? Somente Deus pode contemplar a toda essa extensão. No entanto, na prática, quer dizer, por intermédio das experiências físicas das suas partículas, ou dos seres, ou das criaturas, a imperfeição é finita, contendo a ignorância até um determinado ponto, justamente por isso a ignorância contém o mal, que por sua vez é também é finito, tendendo a se extinguir, dando lugar ao bem.

Como se pode facilmente constatar, é o próprio Criador, através das suas criaturas, que são provenientes da Sua própria Essência, do Ser Total, quem ingressa no âmbito da imperfeição e a esta vai estendendo cada vez mais. Em razão disso, que ninguém se queixe das suas dores provenientes dos conflitos pessoais e interpessoais decorrentes da imperfeição, onde se encontram todo o mal e todo o bem que existem neste mundo, já que ambos são finitos, com o mal cedendo o lugar para o bem, por intermédio da amizade espiritual, que faz emergir a solidariedade fraternal, pois que no futuro virá a devida recompensa, com o ingresso na perfeição, por onde começa a se revelar toda a expressão da produção do amor espiritual que existe em sua infinitude, que se situa acima do bem e do mal.

Como dito mais acima, esta explanação de A Filosofia da Administração será bem mais compreendida quando mais adiante eu apresentar a Deus em maiores detalhes, sendo esta apresentação com base mais aprofundada na razão, quando então o querido leitor poderá ter uma visão do imenso esforço desprendido pelos grandes homens, os grandes vultos da nossa história, para compreender e organizar a Deus perante a nossa humanidade. E não sendo ainda suficiente a visão de Deus com base na razão, eu vou ainda proceder à elaboração de uma teoria fundamental, para que através dela mesma se possa compreender realmente a existência de Deus, ficando Ele assim totalmente organizado perante toda a nossa humanidade, com as visões da verdade e da sabedoria, com base na luz astral da razão. Aqui, em conformidade com a razão, a contemplação de Deus se refere diretamente à criação, e, no final, ao nosso retorno para Ele.

Saiba o querido leitor que, experimentalmente, eu afirmei para um grupo de pessoas que em Deus se encontrava tanto a Perfeição como a Imperfeição, tanto o Infinito como o Finito, portanto, tanto o Bem como o Mal, e algumas delas que ouviram ficaram atordoadas, espantadas, deveras horrorizadas, e assim se retiraram imediatamente, imensamente revoltadas, dizendo que eu estava blasfemando, que eu era um demônio seguidor de Satanás, pois que ignoravam completamente que este ser sobrenatural não existe.

Ora, Deus é a Inteligência Universal, portanto, o Tudo, ou o Todo.

Partindo-se deste princípio, pode-se facilmente concluir que na prática do mal se encontra toda a imperfeição humana, que aflora com toda a sua potência em função da ignorância em que medram os seres humanos, e que na prática do bem se encontra o caminho da perfeição, ou, então, em quem vai se encaminhando acelerado para ela, estando já esclarecido acerca da espiritualidade, sendo, pois, finitos tanto o bem como o mal. E aqueles que teimam em permanecer andando pelo caminho do mal, sem se esforçarem por caminhar pelo caminho do bem, serão forçados a abandoná-lo.

Assim, a cota da nossa humanidade destinada à imperfeição, portanto, em proceder às suas ações através do mal, está chegando ao fim, que em breve deverá se encerrar por completo, para que então todos os seres humanos possam evoluir em demanda da perfeição, em retorno para Deus, para que assim possam proceder às suas ações unicamente através do bem, até que consigam produzir a amizade espiritual. É por isso que os tempos são chegados.

Na categoria A Cristologia, quando da explanação de um dos ensinamentos de Jesus, o Cristo, mais especificamente no ensinamento que diz “Não queiras para os outros aquilo que não queres para ti”, o amado leitor poderá compreender com mais rigor os âmbitos da imperfeição e da perfeição, do finito e do infinito, para que assim possa também compreender a realidade do surgimento da Matemática, da sua geometria, dos cálculos integral e diferencial, como também a função do zero, já que nenhum ser humano sabe como surgiram os números, as adições e as subtrações, e nem ao menos o que seja na realidade um átomo, embora as ciências manejem e transformem os seres atômicos e moleculares como podem. Mas as noções do bem e do mal nós veremos mais adiante, em seu tópico específico.

 

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