11.01- Allan Kardec

A Era da Verdade
10 de março de 2020 Pamam

Hippolyte Léon Denizard Rivail, que utilizava o pseudônimo de Allan Kardec, encarnou em Lyon, na França, no ano de 1804, e desencarnou em Paris, na França, no ano de 1869, tendo sido um influente educador, autor e tradutor francês, que se notabilizou por haver codificado a doutrina espírita, a qual ele denominou de Espiritismo. Foi discípulo do reformador educacional Johann Heinrich Pestalozzi, tendo sido um dos pioneiros na pesquisa sobre fenômenos paranormais — sabendo-se que a paranormalidade não existe, uma vez que tudo se encaixa no âmbito da normalidade —, mais notadamente no que se refere à mediunidade, cujos assuntos a investigação costumava ser inadequada.

ESCLARECIMENTOS

Antes de darmos continuidade à obra de Allan Kardec, faz-se necessário que todos sejam sabedores que várias foram as obras escritas por ele, mas todas foram escritas sob a ação de espíritos obsessores, mais propriamente sob a ação de espíritos que haviam sido jesuítas quando encarnados, por isso se pode afirmar que ele era um médium e que os seus livros foram psicografados, daí a razão da influência do misticismo credulário nos seus escritos, os quais não se pode negar sejam de boa moral, mas que são nocivos aos espíritos fracos. Vejamos o que Antônio Cottas, o consolidador do Racionalismo Cristão, em sua obra Cartas Doutrinárias de 1971 e 1972, as páginas 44 e 45, diz sobre Allan Kardec:

Allan Kardec encarnou, realmente, com a missão de divulgar os princípios que o Racionalismo Cristão ora difunde. Era, como Luiz de Mattos, um espírito altamente intuitivo. Ao receber as intuições da constituição do Universo, deixou-se influenciar por multisseculares crendices, e acrescentou aos princípios Força e Matéria (a matéria não existe, digo eu) a excrescência Deus (o deus bíblico, digo eu). Daí a embarafustar pelo terreno sinuoso da Bíblia, foi, apenas, um passo, já que a essa altura, sem o saber, estava inteiramente influenciado por sagazes obsessores bíblicos. No terreno das ideias, não há dúvida, prestou um desserviço imenso à causa do esclarecimento humano, contribuindo para aumentar o ambiente de confusão a respeito da vida fora da matéria e para a formação desse indimensionável oceano de confabulação e de mistificação em que o mundo parece viver submerso.

Fracassando Kardec, tomou o espírito evoluidíssimo de Luiz de Mattos a resolução de encarnar, para dar cumprimento à missão em que falhara esse espírito, e na qual quase também fracassara, pois só aos cinquenta anos de vida física, nos quais se conduzira com exemplar dignidade, como livre pensador, se pôde deixar influenciar por seus companheiros astrais que se serviram de todos os recursos intuitivos de que dispunham para fazê-lo dar os primeiros passos na larga caminhada que, com seu admirável companheiro Luiz Alves Thomaz, fez para deixar fincados na Terra, de maneira definitiva, os sólidos alicerces que servem de suporte ao Racionalismo Cristão”.

É certo que Luiz de Mattos observou alguma moral na doutrina codificada por Allan Kardec, pois pela primeira vez no mundo o Espiritismo estava sendo posto ao alcance dos seres humanos, mas não podia concordar que o Espiritismo fosse empregado como sendo um credo, praticado no baixo espiritismo, que influenciava a crendice humana, ainda mais sendo dominado pelas falanges obsessores que se encontravam decaídas no astral inferior, então procurou os dirigentes espíritas para que estes se agregassem ao alto espiritismo, mas não foi compreendido, posto que esses dirigentes se encontravam profundamente obsedados. Vejamos o que Antônio Cottas, em sua obra Cartas Doutrinárias – 1986, as páginas 117 a 119, diz sobre essa tentativa que foi adotada por Luiz de Mattos:

O Mestre Luiz de Mattos tentou, realmente, unir, sob uma só bandeira, o mundo espírita. Com essa missão veio à Terra, como também Allan Kardec havia vindo e falhado.

Espírito profundamente investigador, analisou os prós e os contras do Kardecismo. Observou que a base de Allan Kardec foi principalmente a Bíblia — uma Bíblia repleta de contradições, de absurdos e de escabrosidades do sexo.

À agudez do seu espírito altamente evoluído, nenhum detalhe escapou, depois de terminada a dissecação dessa obra, para cujo trabalho se servira, acima de tudo, do bisturi do raciocínio.

Do espaço superior, recebia também intuições, que lhe eram enviadas pelos grandes amigos que lá deixara, quando veio à Terra, à frente dos quais se encontrava o Padre Antônio Vieira.

Cheio de esperança, viajou de Santos para esta cidade, onde procurou avistar-se com os maiorais do espiritismo Kardecista, inclusive os dirigentes da Federação Espírita Brasileira, a quem expôs o resultado das suas observações e estudos, propondo que o espiritismo passasse a ser encarado como ciência séria, devotada à pesquisa, a ciência das ciências, e não como mais uma religião (leia-se credo, digo eu), a viver parasitariamente, à sombra da árvore frondosa da crendice, substituindo os santos e deuses milagreiros das seitas, por entidades também milagreiras do espiritismo.

O estudo de Luiz de Mattos foi recebido com fingido entusiasmo. Acordos foram estabelecidos para a adoção dos Princípios que norteiam o Racionalismo Cristão. Tudo, da parte dos elementos procurados, não passou, porém, de fogo de artifício. Eles nada queriam com a Verdade. A ideia de um Universo regido por leis naturais e imutáveis, absolutamente iguais para todos, positivamente não os seduzia.

O ser humano dirigir-se por si mesmo, sem as muletas mentais dos ‘guias protetores’? Não, nada disso. E continuaram com os seus peditórios e rogatórios aos espíritos que invocavam para acudir aos necessitados de orientação, inclusive para os negócios materiais, não raro nada lícitos, dos ‘irmãos’ que os procuravam.

Convencido, portanto, que os kardecistas em sua maioria nada queriam com o movimento que se esboçava para restaurar a Verdade com Luiz de Mattos e Luiz Alves Thomaz à frente, ordenou o Astral Superior a Luiz de Mattos que se transferisse para a antiga capital do país (o Rio de Janeiro, digo eu) e desse imediatamente início à ampla campanha no sentido de divulgar o Racionalismo Cristão.

A luta que teve de enfrentar para o esclarecimento do povo, fazendo conferências que se tornaram célebres e até fundando um jornal diário de grande circulação na época — ‘A Razão’, é por demais conhecida.

Só nos alongamos neste assunto, por sentirmos que o senhor é um jovem estudioso que deseja enveredar por caminhos certos. O que nos admira é que tendo lido as obras que menciona, editadas pelo Centro Redentor, não tenha compreendido a impossibilidade de serem misturadas doutrinas que mutuamente se repelem.

Como pode admitir, por exemplo, que espíritos do Astral Superior desçam à Terra para produzirem romances, poesias e coisas que tais? Não lhe ocorrem atividades que são provenientes de intelectuais que estagiam, quase materializados, na atmosfera da Terra, mistificando, com relação aos nomes que adotam, para se fazerem passar por esses conhecidos espíritos?

Como aceitar que um Guerra Junqueira, por exemplo, cujos poemas escritos quando encarnado, de extraordinária beleza, o tornaram célebre em todo o mundo, passasse a fazer versos tão medíocres depois de desencarnado?

Medite bem sobre o que lhe dizemos, para se colocar em situação de poder separar o joio do trigo, não permitindo que a verdade possa ser confundida com a impostura”.

A VIDA DE ALLAN KARDEC

Allan Kardec encarnou em uma antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, mas desde cedo manifestou propensão para o estudo da Filosofia e das ciências, tendo feito os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Yverdon, em Yverdon-les-Bains, na Suíça, um país protestante, tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador do seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos. Aos dezoito anos, bacharelou-se em Ciências e Letras.

Tendo concluído os seus estudos, Allan Kardec retornou ao seu país de origem como sendo um profundo conhecedor da língua alemã, traduzindo para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava uma particular atenção. Conhecia também os idiomas inglês e neerlandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol.

Era membro de diversas sociedades acadêmicas, entre as quais o Instituto Histórico de Paris e a Academia Real de Arras, esta última lhe premiou uma memória com o tema Qual o Sistema de Estudos mais se Harmoniza com as Necessidades da Época, em concurso promovido em 1831. Em 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet.

Tendo retornado para Paris em 1824, publicou um plano para o aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, tendo se tornado membro da Real Academia de Ciências naturais. Como pedagogo, Allan Kardec se dedicou à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, situada à Rua de Sèvres, cursos gratuitos de Matemática, Química, Física, Astronomia, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês, matérias que ele lecionava, além de Astronomia. Nesse período, preocupado com a didática, elaborou um manual de Aritmética, que foi adotado por décadas nas escolas francesas, e um quadro mnemônico da história da França, que visou a facilitar ao estudante a memorização das datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.

DAS MESAS GIGANTES À CODIFICAÇÃO

Em conformidade com o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que Allan Kardec ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das mesas gigantes, que era bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Nesse momento, sem dar muita atenção ao relato, pois que o atribuía ao chamado magnetismo animal, do qual era um estudioso. Foi apenas em maio de 1855 que a sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas gigantes, quanto então começou a frequentar tais reuniões, como se pode claramente constatar ele já estava influenciado por sagazes obsessores.

Durante esse período, tomou também conhecimento da psicografia, quando então teve contato com um espírito dito familiar, que passou a orientar os seus trabalhos, desde então ele já teria passado a ser influenciado por sagazes espíritos obsessores que haviam sido jesuítas quando encarnados. O pseudônimo Allan Kardec foi escolhido porque um dos espíritos obsessores teria revelado que ambos haviam vivido juntos entre os druidas, do povo celta, na região da Gália, atual França, em uma vida passada, o que é uma grande mentira, pois estando quedado no astral inferior os espíritos não têm acesso às vidas passadas. Ele assim se expressa:

A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual nos aparece na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação”.

Ignorando completamente que um espírito superior não desce à Terra para balançar mesas, descendo apenas quando se forma uma forte corrente nas sessões realizadas no Racionalismo Cristão para um motivo superior, e que esse balançar de mesas é próprio dos espíritos inferiores, Allan Kardec passou a se dedicar à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos filosóficos, científicos e moral, negligenciando inteiramente da Veritologia, que era a finalidade da sua missão aqui na Terra, quando então tendo se negligenciado da verdade, enveredou pelo caminho do Espiritismo, enchafurdando-se com espíritos obsessores quedados no astral inferior, notadamente aqueles que havia sido jesuítas quando encarnados, que o ajudaram a escrever as suas obras espíritas. Sendo atuado pelos espíritos jesuítas, ele assim se expressa:

Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato se dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que os seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas”.

Sendo atuado pelos espíritos que haviam sido jesuítas quando encarnados, Allan Kardec iniciou a publicação das obras de codificação da doutrina espírita em 1857, quando veio a publicação da obra O Livro dos Espíritos, considerado como sendo o marco de fundação do Espiritismo, e após veio o lançamento da Revista Espírita, em 1858, tendo ele fundado, neste mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, que recebeu a denominação de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Ele assim se expressa:

O Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do espírito são eternos. Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a Legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecerem essa anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje”.

ÚLTIMOS ANOS DE VIDA

Allan Kardec passou os últimos anos de sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes e a defendê-lo dos opositores, através da Revista Espírita. Contando com cerca de oito milhões de seguidores, desencarnou em Paris, em 31 de março de 1869, aos sessenta e quatro anos de idade, em decorrência de um aneurisma, quando trabalhava em uma obra sobre as relações entre o Espiritismo e o magnetismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Acima da tumba está escrito em francês o seu lema, traduzido em “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”.

AS PRINCIPAIS OBRAS ESPÍRITAS

Allan Kardec deixou várias obras espíritas, todas sob a atuação de sagazes obsessores que quando encarnados haviam sido jesuítas, cujas obras abaixo relacionadas se encontram comentadas no capítulo 11- O KARDECISMO:

  1. O Livro dos Espíritos;
  2. O Livro dos Médiuns;
  3. O Evangelho Segundo o Espiritismo;
  4. O Céu e o Inferno;
  5. A Gênese.

OBRAS COMPLEMENTARES

  1. O Que é o Espiritismo;
  2. Revista Espírita;
  3. Obras Póstumas.

 

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