11.01.02- Os fatos

Prolegômenos
3 de junho de 2018 Pamam

Os fatos representam os casos ou os acontecimentos decorrentes das relações de trocas de conhecimentos, de experiências e de atributos, portanto, de acervos, que existem entre as coisas mais evoluídas que se cruzam direta e temporariamente, mas sem que ocorram quaisquer modificações das imagens para elas criadas, por conseguinte, da ilusão da matéria que elas apresentam, embora elas se utilizem dessas imagens para poder gerá-los. Por isso, não existem nos fatos quaisquer trocas de elementos tidos como se fossem materiais entre as coisas mais evoluídas, mas apenas as influências dos elementos de produção do ser no exercício da sua atividade básica, que no caso dos seres humanos são as produções das sensibilidades ou dos sentimentos, que são provenientes da propriedade da Força, as produções dos sentidos ou dos pensamentos, que são provenientes da propriedade da Energia, e as produções da amizade ou do amor espirituais, que são provenientes da propriedade da Luz. Assim, tanto as suas causas como os seus efeitos são expressões decorrentes dos estados ou das ações praticadas por que passam as coisas em suas relações mútuas com as outras coisas, quer dizer, são expressões adjetivas, pois que os atributos individuais se comunicam uns com os outros, ou expressões verbais, pois que os atributos relacionais também se comunicam uns com os outros.

Deste modo, todos os fatos são passíveis de um juízo concreto ao seu respeito, desde que os mesmos sejam devidamente ligados aos estados ou às ações das coisas que os geraram, em suas relações mútuas entre si, que por sua vez representam as suas respectivas causas e efeitos. Consequentemente, todo e qualquer fato pode se tornar acessível, embora apenas em parte, à percepção e a compreensão humanas. E digo apenas em parte porque apesar de todos os fatos pertencerem à ordem da realidade, nem mesmo os seres humanos mais evoluídos possuem a consciência desenvolvida o suficiente para esgotar o âmbito dos seus juízos objetivos, mesmo que os investiguem, pesquisem-nos, analisem-nos, exponham-nos e os critiquem aplicando supremo esforço para afastar quaisquer sentimentos ou pensamentos subjetivos. Por outro lado, eles se tornam completamente inacessíveis à percepção e a compreensão humanas, sempre quando os seres humanos enveredam pelos caminhos do subjetivismo, com todos investigando, pesquisando, analisando, expondo e criticando os fatos passados, presentes e futuros, exclusivamente com base em seus próprios sentimentos e pensamentos pessoais, por intermédio da imaginação.

Mas a realidade dos fatos, mesmo em parte, somente pode ser conhecida por quem detém elevada inteligência, quer dizer, as capacidades do seu criptoscópio, do seu intelecto e da sua consciência desenvolvidas o suficiente para percebê-las pelas suas causas e compreendê-las pelos seus efeitos, com ambas sendo coordenadas, não importando se ela pertence à ordem racional da irrealidade imaginativa humana dirigida para o bem, ou se ela pertence à ordem da irrealidade imaginativa humana dirigida para o mal. Entendendo-se como bem todos os fatos que representam os estados ou as ações gerados por sentimentos superiores e por pensamentos positivos que estejam de acordo com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais. E se entendendo como mal todos os fatos que representam os estados ou as ações gerados por sentimentos inferiores e por pensamentos negativos que estejam em desacordo com a boa conduta regida pelas leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais. O bem, com a devida consciência dos fatos, é uma luz divinal. O mal, com a devida consciência dos fatos, é um negrume medonho. O bem, mesmo com a ignorância dos fatos, não deixa de ser sublime. O mal, mesmo com a ignorância dos fatos, não deixa de ser terrível. De qualquer maneira, quer os fatos estejam colocados ao lado do bem, quer estejam colocados ao lado do mau, são sempre regidos por leis espaciais, por princípios temporais e por preceitos universais, do mesmo modo como todas as coisas e todos os fenômenos que existem.

Quando os fatos são gerados para o bem, eles são regidos por leis espaciais, por princípios temporais e por preceitos universais, que sempre nos premiam com a recompensa do progresso da evolução, fazendo com que ascendamos ainda mais para Deus. Quando os fatos são gerados para o mal, eles são sempre regidos por leis espaciais e por princípios temporais situados no âmbito pessoal, portanto, em desacordo com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, com esse desacordo nos castigando com a estagnação do nosso progresso evolutivo, fazendo com que sejamos submetidos ao Código Penal do Universo, onde leis, princípios e preceitos de outra natureza, que englobam todos os casos, obrigam-nos a reparar aos danos provocados e a encontrar os meios para nos corrigirmos. Como se pode constatar, o Código Penal do Universo não tem como escopo simplesmente a punição de quem quer que seja, embora exista a lei do retorno, para que o espírito venha a sentir em si mesmo o mal praticado, pois que a punicão em si é carente de sentido e de finalidade, apenas o reparo do erro e o meio da correção, já que o castigo maior é a própria estagnação do processo evolutivo.

De qualquer maneira, tanto em um caso como em outro, os fatos têm que ser rigorosamente conhecidos, mais especifica e detalhadamente pelo beneficiado ou pelo réu, para que assim ambos possam ser submetidos conscientemente aos ditames da Providência Divina, na ocasião em que esta procede com a devida aplicação da recompensa que irá beneficiar a prática do bem, ou, então, na ocasião em que procede a devida aplicação da pena que irá resgatar a prática do mal e corrigir o infrator, ambas com a perfeita equidade, que somente existe na suprema justiça.

E como tudo que existe é regido por leis espaciais, por princípios temporais e por preceitos universais, eu posso ratificar, com lógica, que todos os fatos são gerados para serem rigorosamente conhecidos, pois que todos eles são expressões decorrentes dos estados e das ações praticadas por que passam as coisas em suas relações mútuas com as outras, as quais são as responsáveis diretas pelas relações de causa e efeito. Devemos, pois, necessária e obrigatoriamente, que perceber e compreender as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, para que então possamos analisar os fatos com a devida consciência.

Podemos nós, seres humanos, mediante determinadas consequências expostas pela realidade, até chegarmos a afirmar, peremptoriamente, que não conhecemos os fatos relativos a elas, que os ignoramos. Ou podemos chegar, até mesmo, a imaginar, equivocadamente, fatos ilusórios relativos a elas, consoante os nossos sentimentos e pensamentos pessoais. Mas não podemos nunca, uma vez estando os fatos expostos pela própria realidade universal, negar a existência das suas causas e dos seus efeitos, pois qualquer afirmativa neste sentido irá trazer, em consequência, outras afirmativas em outros sentidos. E a principal delas é a de que as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais não possuem a finalidade das suas existências, já que os mesmos estariam impossibilitados de serem aplicados às causas e aos efeitos de tais fatos, mesmo com eles estando expostos perante os nossos próprios olhos, quer sejam os olhos da cara, quer sejam os nossos olhos que nos dão visão da realidade do Universo, através da nossa luz astral.

Mas o mais interessante de tudo isso é que, mesmo na hipótese dos fatos não estarem devidamente expostos pela realidade do Universo, portanto, não estarem sendo regidos por leis espaciais, por princípios temporais e por preceitos universais, os mesmos jamais poderiam ser ao léu, ao acaso, como que por coincidência, que não existem, e não poderiam sê-los nem supostamente, já que eles, neste caso, passam a ser regidos por leis e por princípios pessoais, em que geralmente se imperam as leis e os princípios dos mais fortes, mas dos mais fortes materialmente falando, já que, assim, é muito fácil ser rei, uma vez que é justamente deste modo, como não poderia ser de outro, onde predominam as forças e as energias estúpidas, grosseiras e covardes dos mais poderosos nas matérias deste mundo.

E afirmo isto, porque os estúpidos, os grosseiros e os covardes adoram fazer valer as suas próprias leis e os seus próprios princípios, que são criados por eles mesmos, em benefício próprio, segundo os seus interesses pessoais, para que assim possam dar vazão aos seus egoísmos, aos seus instintos, às suas ambições desmedidas. Mas essas leis e esses princípios, de modo algum, nem por hipótese, podem fazer parte das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, os quais são estatuídos pelos espíritos superiores, mas convergentes de Deus.

Deus, portanto, dá-nos a inteira e total liberdade para podermos criar e estabelecer leis espaciais, princípios temporais e preceitos universais. E isto é um fato, uma vez que a parcela do Saber denominada de Direito se encontra aqui neste mundo justamente para isto provar. Mas quem possui as reais condições para estabelecer leis espaciais, princípios temporais e preceitos universais que estejam voltados para o bem comum e de acordo com os padrões do Saber, por excelência? Ora, alheios ao bem comum e em desacordo ao Saber, por excelência, as leis e os princípios humanos jamais poderão ser seguidos pelo povo, que sempre buscará e jamais deixará de encontrar inúmeras maneiras de não cumpri-los, sem que isto pese na sua consciência, pois, em seu favor, falarão mais alto, normalmente, as suas próprias condições de sobrevivência e bem-estar. Por isso, posso afirmar o que se segue: enquanto as leis e os princípios criados e estabelecidos pelos seres humanos não se encontrarem em plena conformidade com a sabedoria popular, ou seja, enquanto a massa humana não percebê-los e compreendê-los a contento, não concordará com eles, que assim jamais serão seguidos de maneira voluntária, mas apenas de maneira coercitiva. É por isso que se diz que o Direito é proveniente das normas de conduta humana impostas coercitivamente pela sociedade. Porém, tudo isso tem que mudar, como realmente vai mudar.

Mas tudo que é belo é difícil. Esta é uma condição imposta pelas leis espaciais, pelos princípios temporais e pelos preceitos universais, para que assim as coisas mais evoluídas venham a ter o seu real valor reconhecido, pois o real valor que uma coisa possui, geralmente, nunca é reconhecido neste mundo. Mas isto ocorre pela extrema ignorância contida na massa humana, que só passa a reconhecer o real valor de uma coisa quando a perde. Os maiores exemplos disso são as desencarnações prematuras de Jesus, o Cristo, de Sócrates, e de tantas outras coisas de grande valor que, como seres humanos, por aqui estiveram para alavancar o progresso da nossa humanidade. Como também a quase desencarnação ainda mais prematura de Luiz de Mattos, através do atentado a bala de que foi vítima a mando do cardeal Arcoverde. Recomendo, então, que a massa humana passe a reconhecer desde logo que todas as coisas possuem o seu real valor, umas mais, outras menos, e que de logo passe a respeitar e a colaborar com aquelas mais evoluídas, que se destacam pelo imenso valor que adquiriram, o que o fizeram por intermédio do próprio esforço e sacrifício, e não por intermédio de dádivas, bênçãos, presentes ou oferendas, e muito menos por indicação de outros, não as maltratando e lhes dando as condições adequadas para que possam desenvolver adequadamente as suas ações e a suportar com menos pesares os estados que por aqui passam, porque se elas aqui se encontram é para fazer com que a própria massa humana evolua, e isto elas o fazem com todo o amor e dedicação com que são capazes, já que a maior dor que elas sentem decorre do fato de não poderem fazer ainda mais, face às suas próprias limitações como encarnadas.

E mais belo e difícil ainda é ser rei — poderoso e acionador — seguindo a justiça contida nas imparciais leis espaciais, nos sábios princípios temporais e nos divinos preceitos universais, assim como foi rei Jesus, o Cristo, pois, pelo menos, rei do amor ele o foi, e como foi. As leis, em suas próprias naturezas, são naturais, imutáveis, ontológicas, pois que se aplicam no espaço de modo absoluto em qualquer lugar do Universo. Os princípios, em suas próprias naturezas, são convencionais, mutáveis, empíricos, pois que vão se aplicando no tempo de modo relativo apenas nos locais do Universo em que estamos a habitar. Os preceitos, em suas próprias naturezas, representam uma espécie de combinação entre as leis e os princípio, pois que se aplicam em todo o Universo, englobando o espaço e o tempo.

Pode-se compreender melhor se fazendo a seguinte analogia: o espaço contém o magnetismo, como se as leis fossem magnéticas; o tempo contém a eletricidade, como se os princípios fossem elétricos; e como o espaço e o tempo formam o Universo, este contém o eletromagnetismo, como se os preceitos fossem eletromagnéticos.

No entanto, as leis, os princípios e os preceitos são convergentes de Deus, já que Ele se encontra contido em nós mesmos, em conformidade com o estágio evolutivo em que nos encontramos. Por isso, os reis de verdade, os verdadeiramente poderosos e acionadores, são os que, seguindo rigorosamente as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, apoiam em seus ombros largos, fortes e calejados a frágil massa humana formada pelos fracos, que ainda os ignominiam e os repelem, fazendo-os, às vezes, até ir às lágrimas, não por estes fatos em si, pois que eles são de menos importância, mas pelos próprios fracos, que ainda mais se submetem às dores e aos sofrimentos quando assim reagem contra o estabelecimento da harmonia universal, embora inconscientemente. Em sua época, ninguém conseguia ver Jesus, o Cristo, sorrindo, mas muitos conseguiam vê-lo chorar.

Há, neste ponto, um profundo respeito pelo livre arbítrio de cada um, pois que essas lágrimas que rolam pelas faces dos reis de verdade, dos verdadeiramente poderosos e acionadores, quando no recolhimento solitário a que são obrigados os seus espíritos, face ao ambiente hostil contraposto aos seus estágios evolutivos, representam a legítima demonstração da prova da muita amizade e do muito amor espirituais que dedicam ao próximo. É esse o pranto dos reis! O choro dos fortes! O lamento dos poderosos e acionadores!

Vejamos agora um exemplo teórico a respeito da concepção de um fato:

Todo ser humano representa um ser, que é uma partícula do Ser Total. Ele então pode ser considerado como sendo uma coisa, que também é uma partícula da Coisa Total. Em sendo o homem uma coisa, ele então é formado de substâncias. A sua substância principal, que constitui a sua essência, é o próprio ser, em sua individualidade, o espírito. As suas substâncias secundárias, que constituem as suas propriedades, são as parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz que ele adquiriu ao longo da sua evolução, que as duas primeiras combinadas em harmonia lhe formam o corpo fluídico ou o perispírito, e que a partir de um determinado estágio, passa a ser coordenado por intermédio da terceira, que forma o corpo de luz. Essa partícula do Ser Total é denominada de espírito, pelo fato de todo ser humano possuir raciocínio, em decorrência, ser detentor da faculdade do livre arbítrio.

Assim, quando ele passa por um determinado estado ou pratica uma determinada ação em suas relações mútuas com as outras coisas, em que não ocorre mudança física, dá sempre origem a um fato, que foi gerado por uma causa e que ocasionou um efeito, os quais são decorrentes desse estado por que passou ou dessa ação que ele praticou. Conforme vimos, esse fato é passível de um juízo concreto ao seu respeito, desde que a sua causa seja devidamente ligada ao seu respectivo efeito. Ambos, porém, devem ser devidamente ligados à natureza dos sentimentos e dos pensamentos geradores dessa ação ou desse estado, os quais foram comandados pelos seus atributos, com tudo isso devendo ser ligado a outros fatos anteriores, os quais foram decorrentes de outros estados por que passou e de outras ações que praticou no pretérito, que são os precursores das circunstâncias que geraram o estado por que está a passar e da a ação que está a praticar. Como se vê, qualquer fato é acessível à percepção e a compreensão humanas, mas a sua concepção somente pode ser apreendida por quem elevou a inteligência o suficiente para tanto.

As religiociências dos fatos, então, são aquelas que têm como finalidade os casos ou os acontecimentos decorrentes das relações de trocas de conhecimentos, de experiências e de atributos, portanto, de acervos, que ocorrem entre as coisas mais evoluídas que se cruzam direta e temporariamente, mas sem que jamais ocorram quaisquer modificações tidas como sendo materiais nas mesmas. Por isso, elas são diferentes das religiociências das coisas e dos fenômenos. As religiociências das coisas são aquelas que têm como finalidade precípua o ser, que vai adquirindo parcelas das propriedades da Força e da Energia, através das quais o pensamento vai criando imagens, por conseguinte, a ilusão da matéria, até que ele inicie a adquirir tais parcelas adquirindo também parcelas da propriedade da Luz, quando então ingressa no âmbito da espiritualidade. E as religiociências dos fenômenos são aquelas que têm como finalidade as modificações tidas como sendo materiais operadas nas coisas que se ligam direta e temporariamente, com a interveniência das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais, tanto físicos como químicos, provenientes das propriedades da Força e da Energia, com tais modificações sendo controladas pelas ações dos pensamentos conscientes advindos da propriedade da Energia, mas iluminados pela propriedade da Luz.

 

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