10.01- Lao-Tsé – o “Tao”

A Era da Sabedoria
23 de setembro de 2018 Pamam

Todos os estudiosos consideram Lao-Tsé como sendo um saperólogo, quando, na realidade, ele era um grande veritólogo que encarnou com a missão de preparar o ambiente para a encarnação de Confúcio, uma das encarnações anteriores de Jesus, o Cristo, através da transmissão dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade. Os estudiosos também não têm a certeza da sua real existência, mas ele existiu sim, como será provado quando adentrarmos aos ensinamentos confucianos.

De acordo com Szuma Chiem, Lao-Tsé se encontrava um tanto quanto revoltado com a patifaria dos políticos e, também, um tanto quanto estafado de ser curador da Biblioteca Real de Chou, por isso resolveu deixar a China e buscar a solidão em um refúgio distante. Ao alcançar a fronteira, o chefe Yin Hsi lhe pediu para que escrevesse um livro para ele. Atendendo ao pedido, Lao-Tsé escreveu um livro dividido em duas partes, uma denominada de Tao e a outra de Te. Depois partiu e ninguém sabe onde ele desencarnou. Mas a tradição, que tudo sabe e que de tudo dá notícia, o dá como tendo vivido 87 anos. Assim, tudo quanto dele sabemos realmente é o seu nome e o seu livro.

Apesar dos estudiosos duvidarem da autenticidade do seu livro, todos concordam que Tao-te-Ching, isto é, O Livro do Caminho e da Virtude, é o mais importante texto da saperologia taoista existente antes de Lao-Tsé.

Tao quer dizer Caminho. Em seu texto indica às vezes o Caminho da Natureza e às vezes o Caminho Taoista do sábio viver. Mas como Lao-Tsé é um veritólogo, que por isso se utiliza mais do seu criptoscópio do que do seu intelecto, por conseguinte, utiliza-se mais do seu sentimento do que do seu pensamento, indica basicamente o Caminho do fugir ao pensar, porque na concepção dos taoistas pensamento é algo superficial, somente útil por ocasião das argumentações, sendo mais nocivo do que benéfico à vida. Assim, o Caminho é encontrado por meio da rejeição do intelecto e de tudo aquilo que ele produz, e com a adoção de uma vida modesta de retiro, de simplicidade e de calma contemplação da natureza.

Para aqueles que são mais céticos, ou mesmo para aqueles que são os piores cegos, que teimam em não enxergar a realidade posta para si, isto vem evidenciar claramente também a existência dos órgãos mentais: o criptoscópio, o intelecto e a consciência.

Ignorando que o conhecimento metafísico é percebido e captado pelo criptoscópio, no trato com a Veritologia, ou mesmo com as religiões, e que a experiência física é compreendida e criada pelo intelecto, no trato com a Saperologia, ou mesmo com as ciências, e que os saperólogos, na qualidade de sábios, conduzem os rumos da vida com base na sabedoria adquirida, Lao-Tsé faz uma verdadeira confusão com relação a esses fatos, quando diz que o conhecimento saperológico, que no caso é experiência física, não é virtude, porque nada está tão distante do sábio como do intelectual. E arremata quando diz que o pior governo concebido será aquele formado por saperólogos, pois estes substituiriam todos os processos naturais por teorias, já que as suas habilidades em fazer discursos e multiplicar ideias é exatamente o sinal de sua incapacidade de ação. Ora, é justamente o contrário, pois enquanto o conhecimento e o poder fazem parte da Veritologia, a experiência e a ação fazem parte da Saperologia.

Então ele diz que o intelectual é um verdadeiro perigo para o Estado, pelo fato de querer legislar sobre tudo e a tudo regulamentar, como se um Estado pudesse ser governado sem uma legislação que estatue as leis, os princípios e os preceitos reguladores da conduta e das relações humanas. No que complementa, quando diz que a ideia do intelectual é construir uma sociedade geométrica, sem perceber que essa geometrização destrói a liberdade e o vigor dos componentes sociais. Mas o que ele quer dizer com a expressão “sociedade geométrica”? A lógica nos diz que essa expressão só nos pode fazer compreender que se trata unicamente de uma representação das formações exteriores das sociedades, realizada através da concepção de uma ideia, por meio de construções artificiais.

É por isso que ele diz que o homem mais simples, que sabe por experiência própria o prazer e a eficácia do trabalho concebido e levado por diante em liberdade, constitui um perigo menor quando está no poder, porque não é necessário lhe ensinar que a lei é algo perigoso, que acarreta mais o mal do que o bem. Que assim, tal governante legisla o menos possível, se guia a nação, afasta-se de todo artifício e complexidade e deixa a vida seguir os sábios caminhos da rotina da natureza. Que não embaraçados pela regulamentação do governo, os espontâneos impulsos econômicos do povo, bem como os seus anseios por pão e amor, movem as rodas da vida em movimentos sadios e simples. Que será bom que haja poucas invenções, pois que estas só aumentam a riqueza do rico e o poder dos fortes, então não haverá livros, nem advogados, nem industriais, só o comércio singelo das aldeias.

Estabelecendo uma distinção entre a civilização e a natureza, Lao-Tsé considera a esta última como sendo a atividade natural, o silencioso fluir dos acontecimentos tradicionais, a majestosa ordem das estações e do céu, sendo, pois, o Tao, ou o Caminho, corporificado e exemplificado em cada fonte, rocha, ou estrela, de maneira impessoal e imparcial, com a racional lei das coisas, com a qual a lei da conduta humana tem que se conformar, caso o ser humano deseje viver em sabedoria e paz. Essa lei das coisas é o Tao ou o caminho do Universo, do mesmo modo que a lei da conduta é o Tao ou o caminho da vida. Para Lao-Tsé os dois Taos são um só, e a vida humana, em seus ritmos essenciais e normais, faz parte do ritmo do Universo.

Lao-Tsé diz que nos tempos antigos a natureza fez o homem e a vida simples e pacífica, sendo o mundo feliz. Mas quando os homens adquiriram conhecimentos, complicaram logo a vida com invenções, perderam a inocência mental e moral, mudaram-se dos campos para as cidades e começaram a escrever livros, daí provieram todas as misérias do homem e as lágrimas dos saperólogos, com ele denotando uma verdadeira aversão pelas ciências. O homem de sabedoria — como se ele fosse realmente um sábio — fugirá a essa complexidade urbana, a essa corruptora acumulação de leis e de civilização, e se acolherá ao colo da natureza, longe de qualquer cidade, ou de livros, ou de funcionários venais, ou de vaidosos reformadores. O segredo da sabedoria e do contentamento, que constitui a única felicidade duradoura do homem, está na estoica obediência à natureza, no abandono de todo artifício e intelecto, na confiante aceitação dos imperativos naturais dos instintos e sentimentos e na modéstia imitação dos silenciosos caminhos da natureza.

O estar em sossego, sem promover maiores ações em relação à vida, a recusa em interferir com o natural curso das coisas, dos fatos e dos fenômenos da natureza, mais de acordo com a Veritologia e totalmente contrários à Saperologia, constituem para Lao-Tsé a marca do homem sábio em todos os campos. Assim, para ele, se o Estado está em desordem, o que se deve fazer é não reformá-lo, mas levar cada um uma vida ordenada; se encontramos resistência, o que há de sabedoria a fazer não é lutar, promover guerra, mas nos retirarmos silenciosamente e vencer pela paciência, pois a passividade conta mais vitórias do que a ação.

Mas apesar dessa fuga ao intelecto e a ação, Lao-Tsé também ensina algo profundo e útil, que deve ter sido muito benéfico a Confúcio, posto que a apreensão de tais ensinamentos lhe foi muito proveitoso ao encarnar na condição do Cristo, vejamos um trecho:

Se não aceitas luta, ninguém no mundo lutará contigo… Recompensa a injúria com a bondade… Para os que são bons, eu sou bom; e para os que não são bons, eu também sou bom; assim tudo será bom… Para os que são sinceros, sou sincero, e para os que não são sinceros, eu também sou sincero; e assim todos temos de ser sinceros… A coisa mais macia do mundo bate contra e suplanta a mais dura… Nada no mundo mais macio e fraco que a água, e, no entanto, vence a pedra dura”.

Lao-Tsé é tradicionalmente considerado o fundador do credo denominado de taoismo, que muitos consideram como sendo também um movimento com vertentes saperológicas, sendo por isso designado por diferentes nomes em chinês, com Tao Chiao sendo o termo que se refere ao taoismo considerado como sendo credulário, e com Tao Chia sendo o termo que se refere ao taoismo considerado como sendo saperológico. Juntamente com o confucionismo e o budismo, o taoismo integra os fundamentos da tradição espiritual da China. No credo taoista Lao-Tsé recebe a consideração de uma divindade, a qual é reverenciada em diversos templos e cerimônias.

Bertolt Brecht escreveu um interessante conto sobre o importante papel desse espírito na transmissão desse legado para a humanidade, o qual foi escrito em 1938 e inserido na terceira parte do volume Poemas de Svendborg, publicado em Copenhague, em 1939, em que a conclusão do texto é a seguinte:

Mas não celebremos apenas o sábio,

Cujo nome resplandece no livro!

Pois primeiro é preciso arrancar do sábio a sua sabedoria.

Por isso, agradecimento também se deve ao aduaneiro,

Pois ele a extraiu daquele”.

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Era da Sabedoria

10.02- Confúcio

A penúltima encarnação do espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa com o fim precípuo de nos espiritualizar, formulando um plano para a nossa espiritualização, antes...

Leia mais »
A Era da Sabedoria

10.03- Mêncio

Mêncio, que seria quase tão famoso quanto Confúcio, pertencia à antiga família Mang, tendo encarnado em 370 e desencarnado em 289 a.C. O seu nome era Mang Co, sendo...

Leia mais »
Romae