10- A REALIDADE

Prolegômenos
2 de junho de 2018 Pamam

A realidade é a qualidade do que é real, pois que determina a verdadeira existência das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, e jamais as suas existências simplesmente imaginárias, que são todas ilusórias, fictícias, portanto, irreais, uma vez que é a realidade quem evidencia tudo o que existe realmente na natureza, originariamente, com autenticidade, em virtude de a existência revelar uma única origem para todos os seres, que deve ser verdadeira, objetiva, tendo por base, única e exclusivamente, a verdade, e nada mais, devo assim reforçar, que é a fonte da sabedoria, por onde se alcança a razão comprovadora de toda a existência.

Todos os seres humanos — com a exceção dos militantes do Racionalismo Cristão, que devem se esclarecer ainda mais profundamente, pois que vivem com base apenas em uma doutrina veritológica, tendo obrigatoriamente que pautar as suas ações com base em um sistema saperológico, o qual irá determinar as suas finalidades da existência com base na luz astral da razão, estabelecida pela sabedoria, e não unicamente na verdade, que é a fonte de tudo — vivem em mundos imaginários, ilusórios, devaneadores, fictícios, irreais, haja visto que as suas supostas realidades são todas determinadas pela ilusão da matéria ou então pelo devaneio do sobrenatural, que são frutos das suas imaginações.

No primeiro caso, o da ilusão da matéria, que é mais específico da comunidade científica, já que o número da tola classe de ateus é praticamente irrelevante, os seus integrantes ficam empolgados com as descobertas e as invenções que realizam, já que conseguem manipular e transformar quase que ao bel-prazer tudo aquilo que pesquisam em seus laboratórios, notadamente as coisas, que eles não possuem a mínima noção do que sejam na realidade, por isso as consideram como se fossem simples matérias, vivendo nessa ilusão imaginativa. Em decorrência, não podem também possuir a mínima ideia do que sejam os fatos e os fenômenos, já que todos eles são provenientes das coisas, que estão sujeitas às leis provenientes da propriedade da Força, que contém o espaço, aos princípios provenientes da propriedade da Energia, que contém o tempo, cujas combinações de ambas as propriedades dão origens às estrelas, que formam o Universo e fornecem as suas coordenadas, de onde provêm os preceitos universais. E grande parte dos seus integrantes, demonstrando em seus espíritos uma quase que total falta de ética, se não a sua total ausência, que deveria ser a qualidade maior de cada um deles que são experimentadores, e não religiosos, sendo instrumentos do astral inferior, que mantém em suas hostes espíritos da mesma categoria espiritual, dana-se a criar todos os tipos de armamentos bélicos, dos mais simples aos mais sofisticados, inclusive as armas químicas e biológicas, tendo a consciência plena de que eles deverão servir para as desencarnações dos seus próprios semelhantes, com alguns deles provocando a desencarnação em massa, tornando-se eles grandes criminosos, por contribuírem com a prática do genocídio, já que o único intuito é destruir, total ou parcialmente, grupos de seres humanos de qualquer natureza.

No segundo caso, o do devaneio do sobrenatural, este fato é agravado em virtude dos seres humanos serem conduzidos desde a infância para os antros perniciosos das igrejas, em que os próprios pais ou outros parentes, ou até mesmo os conhecidos, tomam a iniciativa de ingressá-los no campo sobrenatural, facilitando os seus arrebanhamentos por parte da classe sacerdotal, que em suas igrejas, e agora pelos diversos meios de comunicação — que ela adquire ou aluga os espaços a preços exorbitantes, que nem se importa em pagar, pois que assim aumenta substancialmente as suas arrecadações — completa as suas doutrinações, para que elas sirvam de cargas aos já arrebanhados, tendo ela ainda o extremo cuidado de não se esquecer da utilização das cabremas, para que as cargas não se desprendam dos lombos dos rebanhos, e para que a seguir possa encabrestá-los, com o intuito de conduzi-los com muita facilidade, impedindo a ousadia da manifestação de qualquer representação imaginativa de recusa obstinada contrária aos seus interesses, tornando-os bem mansinhos, à moda dos animais de carga, em outras palavras, tornando-os uns verdadeiros cretinos.

É certo que a verdade é a única capaz de estabelecer a realidade no seio da nossa humanidade. Mas ela sozinha não é capaz de trazer para o campo da realidade da vida essa massa compacta de infelizes que se encontra a viver nos campos da irrealidade, quer seja no âmbito da ilusão da matéria, quer seja no âmbito do devaneio do sobrenatural, uma vez que ambos os campos se encontram profundamente instalados em suas mentes, provocando uma situação vexatória que produz tanta resistência à instalação da realidade em suas mentes, que a sua própria mecânica se torna pivotante.

Daí a razão pela qual o Racionalismo Cristão, ainda estabelecido em seu papel de doutrina da verdade, jamais procurou arrebanhar a quem quer que seja, pois que era ciente de que estaria malhando em ferro frio, como diz o ditado popular, pois o que a maior parte da massa humana almeja principalmente é o retorno material para a fé credulária que julga possuir, o qual diz respeito às benesses das “graças e das bênçãos advindas dos céus”, que pseudamente pode proporcionar os progressos material e espiritual, mesmo com a doutrina da verdade se recusando a aceitar quaisquer contribuições monetárias por parte dos seus militantes, sejam elas em formas de dízimos, ofertas, mensalidades, donativos, ou outros tipos quaisquer de contribuições, que fazem a alegria da classe sacerdotal, por isso esta as tem como a sua finalidade principal.

Assim, o que o Racionalismo Cristão tinha que fazer era demolir com os edifícios sociais que haviam sido construídos com base na ilusão da matéria e no devaneio do sobrenatural, em que toda a nossa humanidade estava habitando, com cada um dos seus integrantes fazendo do seu local de moradia o próprio universo pessoal, com base no seu poder de imaginação. Todavia, o Racionalismo Cristão teria que deixar a verdade estabelecida neste mundo, para que aqueles de boa vontade pudessem adentrar em suas casas, cumprindo assim com as suas obrigações e os seus deveres assumidos em plano astral, com os quais estavam comprometidos antes de encarnarem. Daí a razão da pouca quantidade daqueles que militam pela nossa Grande Causa, já que o objetivo inicial não era a quantidade, mas sim a qualidade, já que todos deveriam primar, sobremaneira, pela moral, adotando uma conduta sã e escorreita de vida, para que assim, e somente assim, a doutrina da verdade não pudesse ser confundida com as patifarias, os engodos e os crimes de todos os tipos cometidos pelos credos e as suas seitas, em que se sobressai a prática do estelionato. E isso nem de longe.

Então qual deveria ser o procedimento principal que deveria ser adotado pelo Racionalismo Cristão, em relação aos seres humanos, nessa sua condição inicial de doutrina da verdade? Como foi dito no início destes prolegômenos que a repetição tem o seu grande e inestimável valor, eu devo aqui repetir o que disse Luiz de Mattos, em sua obra Pela Verdade, a página 207, quando o seu próprio fundador fornece claramente a resposta alusiva à pergunta, quando assim se expressa:

Destruídos, arrasados os penedos científico-oficiais pelo broquear ininterrupto do Racionalismo Cristão e a dinamite da Verdade, reduzidos a alvenaria e a brita esses penedos que por egoísmo e pretensão atravancaram os largos mares do progresso dos seres e das coisas deste mundo, dever é agora, o nosso, dar novo rumo a estas Notas, que podemos considerar modernas caravelas pilotadas pela Verdade (grifo meu) neste tormentoso mar de mentiras convencionais, empolado pelo irracionalismo de tal grei científico-oficial, e navegar, à larga, para os mares calmos, bonançosos, da sabedoria real, verdadeira (grifo meu), até podermos chegar, com vento de feição, com essa larga constante, ao porto do destino, que é o progresso real da ciência e da humanidade (grifo meu)”.

Fica inteiramente comprovado, então, que cabe à sabedoria real e verdadeira, receber a verdade em seus mares calmos e bonançosos, para que com ela possa aportar no porto de destino previamente almejado, que é justamente a razão, a arma superior de todas as vitórias, de natureza não bélica, mas sim da produção da amizade e do amor espirituais, a única arma que possibilita a entrada da nossa humanidade no âmbito da realidade.

O conjunto formado pelos conhecimentos metafísicos acerca da verdade estabelece uma doutrina, possibilitando a posse do poder espiritual. O conjunto formado pelas experiências físicas acerca da sabedoria estabelece um sistema, tendo como fonte a doutrina da verdade, possibilitando as posses do poder e da ação espirituais. O poder e a ação espirituais permitem o ingresso no âmbito da razão, possibilitando a posse da existência, que é eterna e universal, o que torna possível o estabelecimento de uma grande finalidade a ser alcançada nos próximos 4.000 anos, que é justamente a formação de um único Estado Mundial na Terra, com a produção da amizade espiritual, que possibilita as ações relativas à solidariedade fraternal, já que, indiscutivelmente, somos todos irmãos em essência, portanto, por natureza, com este sendo o primeiro e o grande passo para que depois se possa produzir o amor espiritual, ocasião em que a nossa humanidade poderá ter o seu próprio Cristo em seu seio, tornando-se verdadeiramente cristã, o que atualmente ainda não o é, embora muitos se julguem cristãos, quando, na realidade, são todos anticristãos.

A isto eu denomino de a Grande Causa da nossa humanidade, que se encontra representada pelo Racionalismo Cristão, no tribunal da vida neste mundo, para a qual eu fui legalmente habilitado pelo Astral Superior para ser o seu legítimo patrono e o seu explanador, pelo fato de aqui mesmo na minha encarnação passada como Ruy Barbosa haver revelado o meu talento de máximo defensor da justiça, na condição de advogado, sendo considerado o patrono dos advogados brasileiros; haver revelado o meu talento de escritor, na condição de autor de várias obras; haver revelado o meu talento de jornalista, na condição de editor de vários jornais; e haver revelado o meu talento de verdadeiro político, o legítimo transformador da ordem social pública, nas condições de senador e de ministro de Estado, e até mesmo como candidato à presidência da República, quando então Luiz de Mattos me disse que eu nunca seria presidente da República, lançando a candidatura de Epitácio Pessoa, o qual foi eleito, para a minha própria felicidade, pois quanto menos encargos pesarem sobre os meus ombros melhor para mim, embora eu jamais fuja às minhas responsabilidades, como estou comprovando nestas minhas obras explanatórias do Racionalismo Cristão, e como demonstrarei em outras. Tudo isso revelado de uma única vez, quando na minha encarnação passada como Ruy Barbosa, como se encontra amplamente exposto nos anais da História do Brasil, à disposição dos estudiosos e de todos aqueles que queiram realmente se instruir.

Não estou procedendo aqui a esses registros por vaidade ou por qualquer pretensão descabida de propagar a existência dos meus talentos ou de algo equivalente que possa ter a mesma conotação, por hipótese alguma, mas sim por pura obrigação, em função da minha sinceridade, cuja obrigação é imposta pela necessidade da realidade dos fatos, os quais são todos decorrentes do plano de espiritualização da nossa humanidade, cujo resultado final deverá ser obviamente a sua espiritualização, fazendo com que todos abandonem o âmbito da irrealidade em que vivem, na fase da imaginação, e ingressem ou adentrem no âmbito da realidade, na fase da concepção, onde se encontram a verdade, a sabedoria e a razão, para que assim possam reconstruir em conjunto um novo edifício social para este mundo, que deverá servir de morada a todos os seres humanos que aqui se encontram temporariamente a habitar, e outros que aqui também deverão habitar temporariamente, com o planeta Terra sendo integrado de vez ao Universo, uma vez que o desfecho desse fabuloso plano se encontra no Racionalismo Cristão, o qual tem por obrigação demonstrar toda a lógica que existe na espiritualidade, notadamente das nossas ações praticadas em encarnações pretéritas, como nos casos de Jesus, o Cristo, de Luiz de Matos e de outros grandes vultos da história desta nossa civilização, em que naturalmente eu estou também incluído.

Eu vim novamente a este mundo, mesmo reencarnando nas piores condições impostas pelo ambiente terreno, no intuito de realizar todas as experiências científicas necessárias ao meu acervo espiritual, pelo fato delas serem fundamentais para que eu pudesse alcançar a uma grande finalidade, pois que havia trazido cá comigo do meu Mundo de Luz os mais elevados ideais destinados à nossa humanidade — os quais alguém neste mundo jamais poderia ser capaz de conceber, mas que pode ser capaz de prever —, em função das falsas realidades existentes neste mundo, que estavam atravancando o progresso evolutivo dos seres humanos, os nossos amados semelhantes, os que atualmente se encontram mais próximos a mim em uma mesma humanidade a que pertenço, uma vez que existem outras humanidades, pois que vou fazer sair do eixo essas falsas realidades, extinguindo com as sórdidas vilanias que estão sendo praticadas pelos renitentes, os que teimam em se conservar na prática do mal, e estabelecer a verdadeira realidade, com base na verdade, na sabedoria e na razão, para que depois então possa fixar os meus ideais neste ambiente terreno.

Eu sei perfeitamente que se me conservar estritamente no contexto dos preparativos que foram cuidadosamente registrados nas obras doutrinárias racionalistas cristãs para o meu retorno a este mundo, embora todo ele seja revestido da mais pura lógica espiritualista, difícil até de aceitação na mente imaginativa de quem quer que seja, pela sua extrema realidade, os céticos de ofício ainda poderão lançar as suas dúvidas improcedentes sobre este contexto, argumentando que tudo se encontra apenas no Racionalismo Cristão, e nada fora dele, o que deveria reforçar ainda mais as suas convicções na verdade e na reencarnação. Mas que eles saibam que eu vim preparado para tudo, inclusive para eles, e até para algo mais, seja lá o que for, caso venha a surgir como obstáculo pela minha frente.

Pois bem, então eu vou primeiro me reportar às obras doutrinárias do Racionalismo Cristão em seus dizeres preparativos para o meu retorno a este mundo, e depois vou lançar mão de outros autores não militantes da doutrina da verdade, em virtude de todos eles serem homens de bem e virtuosos, detentores do grande predicado da preocupação com o futuro da nossa humanidade. Ressaltando apenas o seguinte: o que se segue abaixo é apenas uma pequena amostra de tudo quanto virá no decorrer das minhas obras explanatórias do Racionalismo Cristão, e até em outras.

Desta maneira, eu vou dar início aos dizeres preparativos ao meu retorno novamente ao planeta Terra, por intermédio de Luiz de Souza, que sentindo a extrema necessidade da minha presença neste mundo, evidenciando que um, e apenas um espírito poderia ser capaz de alcançar a uma grande finalidade tendo por base a verdade, a sabedoria e a razão, em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, as páginas 291 e 292, assim se manifestou:

Neste século XX, com a circulação que se verifica, em altas proporções, dos valores materiais, com a cobiça que esses valores despertam nas mentes menos acauteladas, com a falta de segurança que se manifesta pela fraqueza dos conhecimentos psíquicos, correm, a todo o instante, um grande risco — risco de rolarem pelos abismos situados à beira da estrada da vida — massas compactas de infelizes.

Nunca se fez, por isso, tão necessária como agora, A INFILTRAÇÃO NA HUMANIDADE DO ESPÍRITO REVELADOR DA VERDADE (grifo e realce meus), para que aqueles que estiverem amadurecidos para receber a sua luz, possam, imediatamente, dar novo curso aos seus pensamentos e atos, sem perderem mais tempo.

Os que não se mostrarem capazes de se ajustar a um novo viver pautado por princípios de espiritualidade, vão se distanciar, com o correr do tempo, daqueles outros que aceitarem a iluminação, resultando daí a impossibilidade de se conservarem no mesmo agrupamento (grifo meu)”.

Para aqueles que são detentores de um raciocínio um tanto mais profundo, podem agora compreender que essa impossibilidade dos renitentes se conservarem no mesmo agrupamento daqueles de boa vontade é justamente a separação entre o joio e o trigo, que foi anunciada por Jesus, o Cristo. Mas a explanação do Racionalismo Cristão em si, ainda não é o suficiente para fornecer um Norte para a nossa humanidade. Tudo bem, a irrealidade se extingue, já está estabelecida a doutrina da verdade, ficam estabelecidos o método e o sistema da sabedoria, com base na doutrina da verdade, fazendo surgir e se estabelecer a realidade universal, e fica ainda estabelecida uma grande finalidade por intermédio da razão. E agora é de se indagar: quais são os meios determinantes para que se possa alcançar a essa finalidade estabelecida? O que a nossa humanidade vai inferir da vida? A resposta para estas indagações é apenas uma, sendo ela a seguinte: o estabelecimento dos meus ideais no seio da nossa humanidade. Se não forem fixados os meus ideais na face da Terra, os seres humanos jamais poderão saber os meios que irão determinar o Norte a ser seguido, ficando perdidos na estrada da vida.

Vejamos o que diz sobre o assunto a grande Maria Cottas, que foi a valorosa companheira de Antônio Cottas, o consolidador do Racionalismo Cristão, em sua obra Discursos de Maria Cottas, por ocasião do seu discurso proferido por ocasião do aniversário da desencarnação de Luiz de Mattos, em 15 de janeiro de 1941, a página 21, quando ela na Casa Chefe assim se pronunciou para os presentes na plateia:

Desenganemo-nos: sem o farol da verdade, quantas sombras nos envolvem e tantas dores nos atenazam, a vida é quase impossível. O nosso espírito irrequieto se debate, estonteado, contra os limites que o cercam, como a ave prisioneira contra as grades do seu cárcere. E se entre tantas coisas insondáveis, tantas energias dispersas e tantas forças ocultas NÃO ALIMENTARMOS UM IDEAL, estaremos perdidos (grifo e realce meus)”.

Esse ambiente trevoso e insano em que vive a nossa humanidade, não é real e nem pode jamais exprimir a realidade, não passando de uma tremenda ilusão e de um tremendo devaneio, mas todos consideram como se os seus cotidianos representassem a realidade da vida, daí a expressão comumente utilizada por todos os seres humanos, que geralmente quando querem exprimir as suas próprias realidades para alguém, cujas realidades julgam existir, dizem, ilusoriamente, o seguinte: “o fato é o seguinte, na realidade…”; apesar de não saberem o que seja um fato e dessa realidade continuamente expressada não ser baseada na verdade.

Mas eu retornei a este mundo também para decretar o final de uma Grande Era, que ora se finda, e determinar o início de uma nova Grande Era, tendo com isso que demonstrar para toda a nossa humanidade, experimentalmente, com base na ciência, o preceito da reencarnação, em que uns afirmam a sua existência, enquanto outros a negam, provando concretamente de maneira científica e irrefutável que eu fui realmente Ruy Barbosa na encarnação passada, e aproveitando o ensejo para demonstrar experimentalmente também, com base na ciência, a aquisição completa da moral, pelo fato dela ser individual, portanto, passível de demonstração científica. Juntemos agora os assuntos e vejamos o que Lange, que não era militante da doutrina racionalista cristã, expressou a respeito, quando em sua obra História do Materialismo, volume II, parte IV, capítulo IV, afirmou o seguinte:

Quando uma nova era deve começar e uma era antiga desaparecer (grifo meu), é preciso que duas grandes coisas se combinem: uma ideia moral capaz de inflamar o mundo e uma direção social bastante poderosa para elevar de um grau considerável as massas oprimidas. Isto não se opera com o frio entendimento, com sistemas artificiais. A vitória sobre o egoísmo que quebra e isola, e sobre o gelo dos corações que mata, não será alcançada senão POR UM GRANDE IDEAL que aparecerá como um ‘estrangeiro vindo de outro mundo’, o qual, exigindo o impossível, fará sair a realidade fora dos seus eixos (grifo e realce meu)”.

Aquele que realmente sabe pensar, aquele que realmente desenvolveu o seu intelecto em patamares bastante elevados em relação aos demais, ao observar o quadro social neste mundo estabelecido com base na irrealidade oriunda da ilusão da matéria e do devaneio do sobrenatural, pode ser capaz de compreender a ausência da moral e da ética no seio da nossa humanidade, assim como também as ausências das doutrinas religiosas que sirvam de fontes para os sistemas científicos, que o pensador ainda pode confundir com os credos e as suas seitas, concebendo a extrema necessidade de uma reforma social em todos os setores da vida.

Preenchendo a esses requisitos de pensador e de intelectual, na condição de saperólogo, um dos maiores da nossa humanidade, Farias Brito, que também não era racionalista cristão, em sua obra Finalidade do Mundo – 2°Volume, as páginas 42 a 49, vem afirmar tudo isso, quando magistralmente assim se expressa:

… com o desaparecimento do sentimento moral… chegando a própria religião a se transformar em mercantilismo grosseiro e insaciável… nas diferentes religiões, o exercício do próprio culto, tudo é regulado exclusivamente pelo interesse. Uma divisão fundamental logo se estabelece na sociedade entre grandes e pequenos, entre poderosos e miseráveis. Uns, em pequeno número, dispõem de tudo, acumularam fortunas colossais, fizeram, por assim dizer, o monopólio da natureza, e não precisam de trabalhar para viver. Outros, são reduzidos a trabalhar como máquinas, para poderem sustentar a si e aos seus, e neste trabalho insano a que são obrigados na indústria dos capitalistas, nem sequer dispõem de tempo para se extasiar também diante das maravilhas da natureza. Tornam-se por fim insensíveis aos gozos da arte e à inspiração da ciência e voltam à condição de brutos. Outros nem sequer encontram em que trabalhar e se fazem ladrões ou morrem de fome. Entretanto, o que é natural é que todos possam viver, e para isto o que, antes de tudo, é preciso que cada um tenha o que comer. UMA REFORMA, POIS, SE FAZ NECESSÁRIA, sendo constituída a sociedade de modo a ser assegurada a cada um… a fácil conquista do pão; mas isto é o que só deve e só pode ser feito EM NOME DE UM GRANDE PRINCÍPIO, EM NOME DE UMA GRANDE IDEIA MORAL CAPAZ DE REGENERAR O MUNDO (grifo e realce meus).

… a sociedade deve ser reformada. Sim, a sociedade deve ser reformada, e a paz e a fraternidade, que são o sonho de todos, deve-se estabelecer entre os homens (grifo meu), assegurando-se a cada um, na comunhão social, o pão de cada dia; mas isto não pela luta e pelo ódio, e que em si mesmo envolve uma contradição nos termos, mas pela convicção e o amor (leia-se amizade espiritual, digo eu).

falta, pois, o elemento reconstrutor, UM IDEAL PODEROSO E FECUNDO, CAPAZ DE FAZER, POR SUA INFLUÊNCIA RENOVADORA, DE TODA A HUMANIDADE UM SÓ CORPO (grifo e realce meus).

… é preciso que sejam, antes de qualquer outra coisa, reabilitadas as condições morais da humanidade.

… com efeito, o interesse não une, separa. SÓ UMA IDEIA PODEROSA E FECUNDA, SÓ UMA GRANDE IDEIA MORAL É QUE PODE SERVIR DE PRINCÍPIO DE UNIÃO ENTRE OS HOMENS (grifo e realce meus). Todas as lutas, todas as divisões, todas as misérias da vida resultam de interesses.

… na luta dos interesses vence naturalmente quem dispõe de mais força; ou a força se manifeste pelo poder da musculatura nas lutas individuais em combate corpo a corpo, ou pela voz do canhão ou o estrondear da fuzilaria nas guerras internacionais ou civis; ou ainda se manifeste como astúcia no maquiavelismo elegante dos exploradores políticos e industriais; ou nas manobras e infâmias dos partidários do lucro a todo o transe, em disputa gananciosa e sórdida. Por isto, ao lado do interesse como princípio, logo se coloca a força como instrumento; e da combinação destes dois elementos como forças motoras da sociedade, o resultado não podia deixar de ser isto mesmo que, ao presente, por toda a parte se vê: a sociedade transformada em jogo perpétuo de explorações desumanas, com cada um se esforçando por enganar a todos os outros, e todos se sentindo mal, profundamente mal na coletividade; a virtude rebaixada à condição de simples convencionalismo tradicional;… a sinceridade tida na conta de teimosia banal ou carrancismo atávico; a honestidade considerada como efeito da timidez ou inépcia; a astúcia, a velhacaria, a deslealdade, apontadas como prova de habilidade ou sabedoria. E nesta atmosfera asfixiante em que a civilização, com a corrupção que vai fundo lavrando por toda a parte, mistura o ruído da indústria e as maravilhas das ciências, os leprosos, os mendigos, os miseráveis de toda a sorte estão constantemente a clamar, a clamar desesperadamente contra a fatalidade do destino. E de par com tudo isto, a luta continua feroz, desesperada, brutal, sendo cada vez mais violento o choque dos interesses opostos, sendo cada vez mais nula a influência do sentimento moral, transformando-se verdadeiramente o homem em lobo do homem.

São graves, gravíssimas as condições atuais da humanidade; e para a solução de uma situação tão angustiosa e terrível, indispensável se faz a reforma da sociedade (grifo meu). Mas esta só poderá ser definitiva e completa, só poderá ser verdadeiramente eficaz, pelo estabelecimento de uma RELIGIÃO NOVA EM CONFORMIDADE COM AS ASPIRAÇÕES DA CIÊNCIA e que seja de natureza a poder satisfazer a todas as necessidades (grifo e realce meus).

O meu ponto de vista é: a questão social deve ser resolvida religiosamente, em nome de uma ideia (grifo meu).

Uma grande ideia, um grande princípio moral — eis, pois, qual deve ser o ponto de partida para a reforma das sociedades, reforma sobretudo nos caracteres, reforma sobretudo moral. Onde é, porém, que deve ser procurado esse princípio? A resposta só pode ser esta: NA FILOSOFIA. E efetivamente é só pela FILOSOFIA que poderão ser resolvidas as dificuldades da civilização contemporânea (grifo e realce meus). Foi o que eu compreendi; e foi porque esta compreensão terminou por transformar em convicção profunda e insuperável que tomei a resolução de escrever esta obra, concorrendo assim também com a minha pedra para a construção do edifício do futuro (grifo meu)”.

Por enquanto, isto se torna mais do que suficiente para que os seres humanos possam fazer um juízo adequado de tudo quanto tem que ser reconstruído neste mundo de meu Deus. O novo edifício social a ser construído em nossa humanidade tem que contar com a participação de cada um dos integrantes da nossa humanidade, notadamente os de boa vontade, consoante o compromisso assumido em plano astral para a consecução desse desiderato. Lançando mão da verdade, que se encontra posta na doutrina do Racionalismo Cristão, eu sou capaz de proceder à explanação por inteiro desse instituto do Cristo, adotando um método já conhecido e inspirador das ciências para me tornar um saperólogo, que os cientistas ainda ignoram a sua natureza, criando um sistema e estabelecendo uma grande finalidade, ao mesmo tempo demonstrando experimentalmente a aquisição da moral. E como tudo isso ainda não me satisfaz, pois que é da minha natureza fazer sempre o serviço completo, sem deixar qualquer lacuna a ser preenchida por outros, deixo também fixados neste mundo os meus ideais, para que eles forneçam o meio para o Norte de vida para todos os seres humanos.

Em 16 de agosto de 1992, quando eu ainda estava realizando as minhas experiências científicas no ambiente terreno acerca da baixa espiritualidade, com os objetivos de certificá-la e de sentir todo o mal em minha alma, a fim de combatê-lo e resolver os problemas do mundo, inclusive de demonstrar experimentalmente através da ciência a aquisição da moral, portanto, quando era ainda praticamente uma tabula rasa, os meus ideais já começavam a aflorar em meu espírito. Mas eu não tinha ainda o conhecimento adequado acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais, aliás, eu não sabia nem exatamente o que era isso, tendo apenas algumas poucas noções a respeito da doutrina do Racionalismo Cristão, que afirmava as mudanças que por certo viriam. Sendo considerado como doido pelos que me rodeavam, tal como se fosse um louco varrido, como assim se diz vulgarmente, e assim, como sendo um mero perturbado, um doente mental, um obsedado, e tantos outros adjetivos mais, mantinha-me sempre na solidão, pois não tinha com quem conversar a respeito dos meus ideais, e muito menos sobre a minha missão na Terra, que eu já sentia emergir em todo o meu ser.

Eu já sabia que teria que escrever sobre o Racionalismo Cristão, mas ainda não sabia que seria o seu explanador. Estava, pois, quase que desesperado em relação ao estado precário em que se encontrava a nossa humanidade, na ânsia por me esclarecer para que depois pudesse esclarecê-la, mostrando toda a realidade da vida. Mas não vendo ao meu redor uma única inteligência superior que fosse capaz dessa proeza de natureza esclarecedora em relação a mim, eu resolvi então me dirigir diretamente a Deus, partindo do princípio de que eu era realmente inteligente, a fim de que pudesse constatar através de mim mesmo se realmente existia uma inteligência superior pela qual eu tanto ansiava, para que assim através dela eu pudesse mensurar em mim mesmo a existência da Inteligência Universal, petulante e atrevidamente como se estivesse medindo forças com ela, através de um diálogo, para que assim pudesse constatar realmente a existência de uma inteligência superior, no intuito de posteriormente escrever um livro a respeito deste diálogo, tendo por base os seguintes princípios básicos, os quais se encontram levemente alterados, muito de leve mesmo, devo acrescentar, para que assim possam estar fidedignamente adaptados à realidade atual:

  1. Eu existo. Sou essência, força, energia e luz, tenho pensamento e poder criador;
  2. Eu estou ligado temporariamente a um corpo carnal, à ilusão da matéria, etc.;
  3. Encontro-me atualmente em um planeta em que predomina quase que totalmente a ilusão da matéria com os seus quase infinitos efeitos, e que o meu espírito só olhava para esses efeitos, os quais satisfaziam temporariamente aos meus desejos intemperados;
  4. Hoje procuro me desassociar deste corpo carnal para que possa racionar mais ou menos livre dos seus desejos intemperados e dos seus atributos individuais inferiores;
  5. Junto a mim, e interagindo comigo, encontram-se os demais seres humanos que ainda não sabem se desassociar dos seus corpos carnais para que possam pensar livremente, em virtude dos seus pensamentos estarem ligados à ilusão da matéria, como ainda aos sentimentos inferiores e aos pensamentos negativos, por isso não reúnem as condições necessárias para raciocinar com clareza, sendo, portanto, ignorantes e inconfiáveis;
  6. Para esclarecer a esses seres humanos, cuidando deles e zelando por eles, deve haver algo superior, uma Inteligência Universal, para justificar a existência das leis espaciais, dos princípios temporais e dos preceitos universais que determinem as suas evoluções de maneira compulsória, permitindo o progresso da minha humanidade;
  7. Neste ponto, eu devo “admitir” que os ignorantes já se encontram bem mais “adiantados” do que eu, pois já conceberam a existência de Deus e isto já me disseram, só que não concordo com o que eles me disseram, pois afirmavam que Deus era de uma determinada forma e me deram todas as suas características, o que não corresponde em nada com o que espero conceber acerca da Inteligência Universal;
  8. Perguntando e respondendo, respondendo e perguntando, Deus deve me esclarecer que é totalmente diferente daquilo que os ignorantes pensam ao Seu respeito;
  9. Deve me mostrar a razão de tudo quanto existe no mundo e no Universo;
  10. Devo esperar que Ele me diga que, assim como os meus semelhantes, eu sou apenas uma das Suas partículas em evolução, mas que não tente compreendê-Lo, pois jamais conseguiria, apenas que me esforce o máximo possível para tentar compreender a vida neste minúsculo planeta, para que todos deixem de ser ignorantes e possam viver em harmonia entre si, raciocinando como seres inteligentes que são, e não como matéria, que procedendo assim poderia identificar com mais detalhes as Suas Substâncias, que são as mesmas substâncias dos seres humanos;
  11. Após conseguir tudo isso, eu estaria mais apto a conhecê-Lo melhor, em uma “conversa” reservada em um ambiente adequado, o meu Mundo de Luz, e não neste ambiente depurador repleto de angústias e de sofrimentos dolorosos. Que aqui Ele poderia até ser compreendido como sendo o conjunto que forma o Ser Total, a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, porém que somente lá no meu Mundo de Luz eu poderia senti-Lo melhor. Mas que aqui eu trabalhasse muito para isso;
  12. Neste diálogo, verificar se é possível a revelação dos acontecimentos que deverão marcar o fim do milênio.

Em 1° de janeiro de 1993, abandonando a ideia de escrever um livro sobre este diálogo, resolvi logo escrevê-lo, mas com muita brevidade, adotando como método a exposição das minhas dúvidas e as tentativas das respostas, seguindo sempre uma ordem, para que a nossa humanidade pudesse ter acesso a todo o entendimento possível, desfazendo-se da imaginação acerca do irrealismo em que ainda vive, para que assim pudesse ingressar na realidade. Sabendo-se que este diálogo foi com o Astral Superior, eu o fiz da seguinte maneira:

CIENTISTA — Deus, eu tenho por obrigação tentar descrevê-Lo para os demais seres humanos, assim como também o Universo, a fim de que todos possam ter uma noção daquilo que Tu representas na realidade, em conformidade com as limitações inerentes a este mundo.

DEUS — E de que forma pretendes fazê-lo?

CIENTISTA — Recorrendo também à imaginação.

DEUS — Não achas contraditório, o espírito que pretende ser o conhecedor da razão, voltar atrás ou retroagir ao estado passado para explicar algo real?

CIENTISTA — Mas se todos os seres humanos ainda vivem na fase da imaginação, se somente o saperólogo pode ser o detentor da razão, como posso explicar um fato me limitando à própria razão, portanto, fora da compreensão deles?

DEUS — Deves atentar para o fato de que a humanidade se encontra a um passo da Era da Razão e que podes, limitando-se a essa zona de fronteira, conduzir o raciocínio de toda ela.

CIENTISTA — Queres dizer, então, que eu devo usar um pouco da imaginação e com ela adentrar no campo da razão, como que conduzindo as pessoas pelas mãos?

DEUS — Compreendeste bem a minha sugestão. Mas se analisares melhor, algo ainda está imperfeito.

CIENTISTA — É claro! A Era da Razão não permite que um espírito fique segurando as mãos dos outros. Não temos, é lógico, mãos. Assim, o que devo fazer?

DEUS — Por que não procuras a resposta, ao invés de me perguntar?

CIENTISTA — Desculpe-me, mas eu creio que se lhe soltar as mãos a humanidade retornará mais do que depressa à fase da imaginação. E caso isso aconteça, que deverei fazer?

DEUS — Tu achas coerente alguém adentrar na Era da Razão para retornar imediatamente à fase da imaginação?

CIENTISTA — É claro que não! E agora eu já sei o que devo fazer. Se eu lhe largar as mãos a humanidade foge mais do que depressa para a fase da imaginação, mas se, e somente se, eu permitir. Assim, creio, deverei lhe barrar a passagem de volta, pois aqui, na Era da Razão, ela aprenderá, por si, a conhecê-Lo. Que tal?

DEUS — Concordo. Agora me respondes, de que forma pretendes fazê-lo?

CIENTISTA — Primeiro eu vou recorrer à fase da imaginação e dizer que no começo tudo era somente formado de fluidos. Era, pois, tudo fluídico. Toda a sabedoria, todo o amor e todos os demais atributos estavam contidos nos fluidos, eram a Força e a Energia um Todo só, ou una a própria Inteligência Universal. Tudo era belo! Tudo era esplendor! A Luz se fazia presente em tudo. Era apenas Tu. Deus!

DEUS — Continuas.

CIENTISTA — Posteriormente, Tu resolveste se dividir em uma quantidade praticamente infinita de partículas.

DEUS — Não vais imaginar por que resolvi Me dividir?

CIENTISTA — Imagino que estavas cansado de viver só, de sempre haver existido, de nunca haver sofrido. E não suportando mais estar principalmente parado, resolveste criar a Lei da Evolução, a primeira das tuas Leis, a mais sábia, a mais importante e a qual todas as demais Leis criadas posteriormente se subordinam.

DEUS — Está bem. Porém, aconselho-te a parar por aí, senão vais passar o restante da tua vida a imaginar apenas isso.

CIENTISTA — Certo. Imaginarei agora outra coisa. Imaginarei que cada uma das Tuas partículas, por ser parte integrante de Ti, ou o Teu próprio filho, como muitos dizem, com base em Jesus, o Cristo, necessitaria, inicialmente, de um universo próprio, de um mundo que fosse apenas seu, próprio da partícula. Assim, Tu criaste a ilusão da matéria, fazendo com que cada partícula iniciasse nessa matéria a sua independência na forma mais simples, ao agir sobre ela, com a denominação de átomo.

DEUS — Imaginaste por que resolvi Me dividir, mas esqueceste a finalidade.

CIENTISTA — Bem lembrado. Imagino que o objetivo foi para que os fluidos formassem o Universo que serviria de morada para as Tuas partículas como se elas fossem independentes, que por sua vez iriam compor um novo Todo, onde a harmonia fosse a tônica e onde cada uma das partículas desempenhasse uma função própria e específica.

DEUS — Para que não saias da rota da tua imaginação, deixar-te-ei prosseguir, mas fica aqui registrada e cabível uma pergunta importante.

CIENTISTA — Me interpeles, então, posteriormente, com relação à mesma.

DEUS — Assim o farei no momento oportuno. Mas continuas.

CIENTISTA — Pois bem. Uma grande quantidade dessas partículas se uniria em torno de uma finalidade: livrar-se da ilusão da matéria e se apresentar novamente a Ti, livre de qualquer impureza que a impedisse de contemplá-Lo.

DEUS — Mas sendo cada partícula individualizada, parte integrante de Mim, não teria ela todos os meus atributos?

CIENTISTA — Em teoria, sim. Na prática, não. Pois dando um universo a cada uma dessas partículas proporcionaste a que ela fosse a dona do seu próprio mundo, pensando e agindo da forma que mais lhe agradasse, adquirindo assim o raciocínio e o livre arbítrio, com este último sendo outra das Tuas Leis. E assim, à medida que a partícula fosse assumindo a sua função própria e específica no Universo, ela iria atendendo à Tua vontade, e, portanto, evoluindo. E à medida que ela fosse subindo na escala evolutiva universal, mais dos Teus atributos ela iria adquirindo, e mais extensos eles iriam se tornando. Porém, se deste os Teus atributos para que os mesmos fossem compartilhados com todas as partículas, pelo menos um deixaste reservado unicamente para Ti: a Sabedoria Total. E não deixaste que o mesmo fosse totalmente compartilhado com as Tuas partículas, apenas em parte, mas não diversamente.

DEUS — Por que dizes que não?

CIENTISTA — Porque seria totalmente ilógico uma partícula desenvolver uma sabedoria diversa da Tua. Caso isso ocorresse, haveria um conflito da parte em relação ao Todo, uma desarmonia incognoscível. Por outro lado, na busca da verdadeira sabedoria, estando dela desprovida, cada partícula encontraria com mais facilidade a vontade e o pensamento adequado para se alçar em direção a Ti.

DEUS — Bem respondido.

CIENTISTA — Pois bem, retornando ao ponto em que parei anteriormente, aquelas partículas unidas em torno de um objetivo formariam um mundo. Vou me ater inicialmente apenas ao mundo-escola, sem a formação de sóis, estrelas e galáxias, para não complicar.

DEUS — Sem oposição.

CIENTISTA — Posteriormente, outro mundo seria criado através da utilização dos fluidos soltados em sua direção pelo primeiro. E nestes fluidos estariam contidos todos os pensamentos e experiências já vividos pelas partículas habitantes do primeiro mundo. Depois, outro mundo seria criado, que por sua vez receberia as impressões do segundo mundo, que ainda receberia outras impressões do primeiro mundo. Ainda depois, um quarto mundo seria criado, e assim sucessivamente.

Desta forma, eu vou imaginar que o primeiro mundo é o mais evoluído de todos, que ao chegar a certo estágio de evolução a ilusão da matéria aí já não mais existiria, por já haver descido para outros mundos. Que cada partícula deste mundo já evoluiu para a categoria de espírito, e que já possui a capacidade de adquirir por seus próprios meios, diretamente de Ti, uma parcela da Sabedoria, integrando-a ao seu acervo espiritual.

DEUS — Continuas.

CIENTISTA — Assim, infinitos mundos seriam criados. Infinitos seriam de luz. Infinitos seriam da ilusão da matéria. Isto permitiria que a partícula denominada de espírito, através do próprio esforço, pudesse se alçar a outros mundos mais evoluídos. Também, uma plêiade de espíritos de luz, já bastante evoluídos, na tentativa de acelerar o processo da evolução universal, e reunidos em prol de um único ideal, agiria no sentido de fazer evoluir um determinado mundo material, ou mundo-escola, e também aos espíritos que ainda se sentiam ligados aos atrativos físicos desse mundo material, embora pertencessem a mundos muito mais evoluídos.

No caso do planeta Terra, como agora nela eu estou vivendo temporariamente, denomina-se de humanidade o grupo de todos os espíritos que aqui vêm ou vieram fazer a sua evolução neste mundo, e de Astral Superior o local onde os Espíritos Superiores superintendem a evolução deste mundo.

DEUS — O teu poder de imaginação está indo muito além da conta, procuras ingressar logo na fase da razão.

CIENTISTA — A minha razão me diz que todo o Universo é composto de Força e Energia. Que as partículas provenientes de Ti iniciam as suas evoluções a partir do átomo, passando do reino mineral para o reino vegetal, e depois passando deste para o reino animal. Aqui, alcançam a denominação de espírito quando encarnam como seres humanos, ao adquirirem o raciocínio e o livre arbítrio, denominação esta que permanece até eles se confundirem com o Todo.

Assim, existem os mundos espirituais, aqueles formados e habitados especificamente por espíritos, que são de uma única e mesma categoria: a luz; os mundos não espirituais, aqueles formados pelos seres infra-humanos; os mundos físicos, aqueles formados pela ilusão da matéria, em seu estado bruto, que são formados e habitados pelos seres menos evoluídos, e para eles vão os seres mais evoluídos, para transformá-los em mundos não espirituais e depois espirituais; e, por fim, os mundos em formação.

DEUS — E o que fazem nesses mundos físicos os seres humanos que se denominam espíritos?

CIENTISTA — Conforme disse anteriormente, mas de forma não muito clara, mesmo nos seus mundos espirituais, ou de luz, os espíritos conservam desejos e maus hábitos adquiridos quando ainda idealizavam os seus próprios universos presos à ilusão da matéria, na fase da imaginação. Assim, eles vêm dos seus próprios mundos para, em contato direto com a ilusão da matéria, desfazerem-se das suas próprias ilusões e, em corolário, evoluindo e fazendo evoluir aos mundos físicos em que irão habitar temporariamente.

DEUS — Quem sou Eu, então, conforme a razão?

CIENTISTA — A Sabedoria Total.

DEUS — O que pretendes fazer para impedir que a humanidade retorne à fase da imaginação?

CIENTISTA — Afirmar que tudo quanto se refere à existência da ilusão da matéria e ao devaneio do sobrenatural são falsos.

DEUS — E como a humanidade deve fazer para Me contemplar?

CIENTISTA — Raciocinar como espírito e não como matéria ou corpo físico, ou seja, não deixar que os sentidos físicos interfiram no próprio raciocínio, e não considerá-Lo como pertencente ao campo do sobrenatural.

DEUS — Achas suficiente?

CIENTISTA — Por enquanto, sim. Ainda não estou escrevendo a obra, apenas esboçando alguns rascunhos e pensamentos.

Hoje em dia, eu jamais me disporia a manter um diálogo com Deus, uma vez que Ele se encontra em cada um de nós, em conformidade com o estágio evolutivo em que nos encontramos, e nem sequer com o próprio Astral Superior, pois que agora eu sou ciente de que tudo aquilo que preciso para a realização das minhas aspirações será prontamente atendido, sem sequer me ater ao trabalho de pesquisar a respeito da sua razão, pois o próprio Racionalismo Cristão, em sua forma de doutrina, esclareceu-me prontamente acerca do assunto, por intermédio de Luiz de Souza, eu devo aqui repetir, que em sua obra A Morte Não Interrompe a Vida, as páginas 207 a 213, com grande maestria e sensatez, ensina-nos o seguinte:

As aspirações fazem parte dos projetos que todos alimentam. Basta que cada ser humano se considere uma partícula de Deus, como realmente o é, para que o intelecto trabalhe com o fim de transformar, embelezar, progredir (grifo meu). Toda atividade que no mundo se registra é, em regra geral, um derivativo dessa ânsia de realizar projetos que antes passaram pela fase das aspirações.

Para se atingir a um objetivo de alto mérito aspirado, é necessário entrar no campo do pensamento elevado, onde se modelam as formas de obtê-lo, com o concurso da espiritualidade.

A sequência dos empreendimentos segue a seguinte ordem: aspiração, projeto e materialização (leia-se concretização, que é física, digo eu). Quando se vai da aspiração para o projeto, já se deverá ter, em pensamento, a imagem (leia-se ideia, digo eu), relativamente perfeita, da realização aspirada.

Muitas aspirações ficam no ar e não se concretizam, não obstante a sua esplêndida recomendação, por lhes faltar fixidez, imagens (leia-se ideias, digo eu) límpidas e irradiações de pensamentos fortes, realizadores, decididos e saturados de energia (por isso as produções dos pensamentos são de natureza física, posto que eles são desenvolvidos por intermédio da propriedade da Energia, digo eu).

As correntes construtivas que operam no espaço, apanham toda forma desejada que sintonize com elas, e, assim, as aspirações que visem a felicidade, a alegria, a abundância, o progresso, a saúde e a paz, entrosam com o sistema evolutivo, e recebem o reforço daquele sistema, que atua sempre no sentido das realizações.

Não se deve esquecer que o pensamento representa uma grande energia (o que comprova realmente que eles são provenientes da propriedade da Energia, digo eu e grifo). No plano astral, as criações, ou melhor, as transformações são feitas pela ação direta do pensamento (grifo meu). As aspirações representam anseios que o pensamento define. Uma vez que o pensamento entra em ação, as aspirações ficam acionadas por uma energia que é capaz de levá-las à realização.

… todos precisam modelar as suas aspirações… elas devem se mostrar esteadas em argumentos lógicos, em razões bem fundamentadas, para que a sua segurança não sofra abalos desmoronantes.

A base da evolução está assentada no poder de criarem aspirações progressistas, que conduzam o ser por caminhos ascensionais da ordem espiritual.

Se todos soubessem que o melhor caminho a ser seguido para alcançar as suas aspirações é o da espiritualidade (grifo meu), ninguém perderia um só instante de espera vã, quando se tem ao seu alcance os meios adequados e as ferramentas próprias para a consecução do fim em vista, por onde se vê que o que falta à humanidade, para ser feliz, é a orientação espiritual, a educação de princípios, o esclarecimento e um maior conhecimento da verdade.

Vale a pena manter aceso o fogo que alimenta as aspirações, e cultivá-las de maneira a se apresentarem com as formas mais recomendáveis.

O mundo exige que as conquistas sejam feitas através de grande esforço, por ser esse esforço que abre as portas da oportunidade. É ele que fortalece o espírito, faz trabalhar o raciocínio e anula a obscuridade. Alguns seres dão tamanhos exemplos desse esforço, que se revelam heróis. Todos podem ser heróis, cada qual no seu campo de ação, pois não há criaturas privilegiadas. As oportunidades são oferecidas a todos, e se não as alcançam, de igual modo, é porque nem todos são igualmente esforçados. Aqueles que praticam atos de heroísmo, são movidos pelo impulso de um ideal situado na área das aspirações.

As aspirações sadias enlevam a alma e revelam A ENERGIA ESPIRITUAL que faz ascender os indivíduos a planos mais altos, na luta pelo próprio desenvolvimento, pela expansão das suas qualidades e pela necessária revelação do seu potencial (grifo e realce meus).

Os seres que se encontram espiritualmente educados e desenvolvidos, estão aptos a exercer a sua influência de forma eficiente e construtiva, levando ao seu semelhante as mais proveitosas lições da vida, oferecendo-lhe os exemplos mais edificantes e DANDO DEMONSTRAÇÕES REAIS E PLENAS DA SUPERIORIDADE DO ESPÍRITO (grifo e realce meus).

Os estudantes do espiritualismo estão voltados para o nascente de onde, simbolicamente, veem a luz que banha a todos por igual. Uns, recebem-na com a alma esfuziante, de maneira a absorver os seus luminosos e fortificantes raios, enquanto outros a olham com o entendimento obscurecido. Para os primeiros, as influências diretas de aquele raiar luminoso produzem resplendentes efeitos, ao passo que, para os segundos, para os que não compreendem ainda a linguagem da natureza eterna, aquele esplendor não se revela com a verdadeira imagem”.

Estando agora a nossa querida humanidade de posse da realidade, tendo-a apreendido sem tanto esforço em seus espíritos, apenas com a leitura, cabe-me agora colocar um pouco de juízo em seu meio, naqueles que trazem consigo a boa vontade, iniciando a sua extensão e tentando alargá-la cada vez mais, pois que é sempre salutar estendê-la sempre mais, pois que o juízo ainda se encontra ausente nos espíritos dos nossos amados semelhantes e companheiros de jornada neste mundo-escola denominado de Terra, para que de posse dele, utilizando-se do raciocínio, possam todos eles ingressar na fase da concepção, onde se encontram a verdade, a sabedoria e a razão, sem qualquer possibilidade de retornar à fase da imaginação.

Mas antes da formação do juízo propriamente dito acerca da realidade universal, o que obviamente inclui a realidade deste nosso mundo-escola, faz-se necessário que todos consigam apreender tudo quanto se encontra posto, para que somente depois de todo o seu contexto ser apreendido possam formar um juízo satisfatório a respeito de tudo quanto nelas se encontra explanado, sem que prosperem quaisquer dúvidas a respeito dos assuntos que foram abordados.

 

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