10.01- Huberto Rohden

A Era da Verdade
28 de fevereiro de 2020 Pamam

Huberto Rohden encarnou em São Ludgero, Santa Catarina, no Brasil, no ano de 1893, e desencarnou em São Paulo, no Brasil, em 1981, tendo sido um veritólogo notável, educador e teólogo brasileiro, mas que em sua teologia ele mostrava os sinais do verdadeiro Deus. Foi um dos precursores do espiritualismo universalista, escreveu mais de 100 obras, que ao final da vida foram condensadas em sessenta e cinco livros, onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Veritologia, Pedagogia e ciência, enfatizando o autoconhecimento, a autoeducação e a autorrealização. Foi também o propositor da filosofia univérsica — em que o Universo é dividido em duas partes o uno, a causa primária, e o verso, a manifestação do uno —, por meio da qual defendia a harmonia cósmica e a cosmocracia: autogoverno pelas leis éticas universais, conexão do ser humano com a consciência coletiva do Universo e o florescimento da essência divina do indivíduo, reconhecendo que deve assumir as consequências dos seus atos e buscar a reforma íntima, sem atribuir à autoridade eclesiástica o poder de eliminar os débitos morais do fiel.

Foi um padre jesuíta durante o início da sua carreira literária, tendo se graduado em Filosofia, Teologia e ciências pelas universidades de Innsbruck, na Áustria, Valkenburg, na Holanda, e Nápoles, na Itália. Em 1952, foi o fundador da Instituição Cultural e Beneficente, tendo lecionado na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, American University, de Washington D. C., nos Estados Unidos, e na Universidade Mackenzie, em São Paulo, no Brasil, tendo ainda proferido palestras nos Estados Unidos, Índia e Portugal. Foi o tradutor do Novo Testamento, da Bhagavad Gita e do Tao Te Ching, tendo se preocupado em editar essas obras a preços populares, de modo que facilitasse a democratização do conhecimento.

Um dos traços marcantes do sentimento de Huberto Rohden na saperologia, ou filosofia, brasileira do século XX é a acentuada preocupação com controvérsias no campo da moral e da pedagogia, próprias da sociedade moderna, assim como o estudo da metafísica fundamentado na análise comparativa de credos e filosofias espiritualistas do Ocidente e do Oriente.

Nos meados do século XX, Huberto Rohden já abordava em suas obras temas que só a partir do final daquele século começariam a se tornar recorrentes na literatura espiritualista brasileira, tratando de temas como a cidadania e a consciência cósmicas, enfatizando a autoeducação como principal meio de autoiluminação, tratou também da cosmocracia, o autogoverno de acordo com a moral universal, da felicidade via exercício contínuo do autoconhecimento e da autorrealização, assim como também da espiritualidade de cunho laico, temporal, ecumênico e universalista.

Em suas obras ele prega uma mensagem para tornar o homem consciente de sua condição de ser inteligente, espiritual e integral em rumo da sua evolução. A sua filosofia tem um viés de uma reforma interior em que o ser para encontrar a sua paz e felicidade necessita conscientizar os seus eus crístico e cósmico, teses essas geradas pela filosofia univérsica, a qual dirigiu por muitos anos.

Tendo sido um veritólogo que trabalhava mais com o seu criptoscópio, foi o principal precursor brasileiro do espiritualismo universalista e de ter obras com distribuição a preços populares, mas mesmo assim ainda é pouco conhecido e divulgado na comunidade espiritualista do Brasil, por isso muitos ignoram o seu papel pioneiro no âmbito do espiritualismo universalista.

Huberto Rohden era dono de uma premonição invulgar, pois que ele antecipou os acontecimentos que estão por vir lastreados pelo Racionalismo Cristão, referindo-se aos tempos atuais marcados por uma sórdida vilania, afirmando que tempos bonançosos virão, mas que se torna necessário que haja uma demolição ideológica, para que se possa construir um novo tempo para a nossa humanidade, pois que não se demole simplesmente para demolir, mas sim para construir. Ele preconizou os meus escritos sobre o verdadeiro Deus, vide o capítulo 11- A REALIDADE DE DEUS DE ACORDO COM A RAZÃO, inserido em Prolegômenos, afirmando que estudantes seriam afastados de um falso deus, mas não do verdadeiro Deus, quando diz:

Deve o estudante de Filosofia se revestir de uma frígida objetividade, de uma couraça de racionalidade serena, calma, imparcial, na certeza de que as folhas de outono que violentas rajadas lhe arrancarem passarão a ser substituídas, na primavera, por folhas novas e mais belas, precursoras de flores e frutos abundantes. É necessário que se realize essa impiedosa demolição ideológica, para que um edifício mais sólido e belo possa surgir, aos poucos, no meio das ruínas. Não se esqueça ele, todavia, que não se demole para demolir, mas sim para construir. A demolição não é um fim em si, mas um meio para outro fim superior. Toda evolução é precedida de uma espécie de revolução. Se nunca ninguém dissesse senão aquilo que outros disseram, nenhum progresso seria possível, e a humanidade marcaria passo, eternamente, no mesmo plano horizontal.

É possível que a Filosofia afaste um estudante do seu Deus — mas não de Deus; esse seu Deus não passa, talvez, de um pseudoDeus, que tem de ser destronado para que o Deus verdadeiro, o Deus da verdade absoluta, possa lhe tomar o lugar”.

O mundo vive em um mar de intranquilidade e infelicidade, porque os seres humanos ainda se encontram na fase da imaginação, vivendo a irrealidade da vida. Jesus, o Cristo, afirmou que “Somente a verdade poderá libertar a humanidade das garras da ignorância e levá-la ao cumprimento do dever”. O Racionalismo Cristão já transmitiu a verdade ao mundo, mas para segui-la o ser humano tem que ser dotado de moral, algo que falta à maioria, por isso muitos consideram a verdade muito dura, então fogem para o sobrenatural, vivendo em devaneio, mas não se pode ser feliz sem moral e muito menos sem a realidade que ela proporciona. Sendo um veritólogo, portanto, um seguidor da verdade, Huberto Rohden a respeito diz o seguinte:

“… só a verdade é que pode nos libertar e tornar solidamente felizes. Pensam muitos que a verdade seja austera e amarga; dizem que o homem necessita de certa dose de ilusões para suavizar e embelezar a sua vida, que seria aliás insuportável. Engano fatal! A mais austera das verdades é infinitamente mais bela e consoladora do que as mais blandiciosas das mentiras e ilusões tradicionais. Ou melhor, a verdade é a única coisa realmente bela e o único fator capaz de tornar o homem profundamente tranquilo, calmo e feliz. Quem vive de ilusões, embora se sinta feliz, está sempre em véspera de novas infelicidades, porque faz depender a sua chamada felicidade de algo que não depende dele — e isto é o avesso de toda a verdadeira Filosofia. Quem vive na luz da verdade integral atingiu a última fronteira da realidade, e nunca mais pode perder a felicidade que possui, porque não faz depender a sua felicidade de algo que não dependa dele”.

Como os veritólogos são em maior número do que os saperólogos, a Veritologia passa a ser confundida com a Filosofia, por isso Huberto Rohden considera que esta última tenha como meta a conquista da verdade. Mas ele preconiza que não pode haver conflito entre a Filosofia, entendendo-se a esta como Veritologia, e a Religião, colocada assim no singular e em maiúsculo, pois que para ele as religiões são credos e não trazem a verdade, já que a Filosofia, entendendo-se a esta como Veritologia, repito, assim como a religião, tem por fim a verdade. De fato, a Veritologia tem como fim os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, sendo ela a fonte da Saperologia, que tem como fim as experiências físicas acerca da sabedoria, que unidas, irmanadas, congregadas, dão como resultado a Ratiologia. Enquanto que as religiões têm como fim os conhecimentos metafísicos acerca da verdade relativos às parcelas do Saber, sendo filhas legítimas da Veritologia, sendo elas as fontes das ciências, que têm como fim as experiências físicas acerca da sabedoria relativas às parcelas do Saber, sendo elas filhas legítimas da Saperologia, que unidas, irmanadas, congregadas, dão como resultado as religiociências. A visão de Huberto Rohden a respeito, é a seguinte:

Na realidade, a Filosofia é exatamente o oposto de quaisquer ilusionismos nefelibatas ou sectarismos teológicos. Ela é eminentemente realista e universal. Tem… a conquista da verdade — da ‘Verdade Libertadora’, no dizer do maior dos filósofos que a humanidade conhece, do superfilósofo e profeta de Nazaré: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”.

É esta a razão por que não é possível se traçar nítida linha divisória, nem haver conflito real entre a Filosofia e a Religião — note-se bem: a Filosofia e a Religião, ambas no singular e com maiúscula; porquanto, é claro que pode haver e há grandes divergências e positivos conflitos entre as filosofias e as religiões, quando tomadas no plural. A Filosofia tem… a conquista da verdade absoluta — e é precisamente este o fim da religião; uma e outra consistem num conhecimento intuitivo ou espiritual da Realidade como tal (:Deus) e na perfeita sintonização da vida ética com essa verdade metafísica.

… a Filosofia-Religião, ultrapassando… causas individuais, levada a intuição superior, demanda a Causa Última, Única, Universal, de… todas as causas individuais”.

Alguns eruditos estudam as várias doutrinas filosóficas, ou mesmo completam o curso de Filosofia, e por isso se julgam filósofos, sem os serem. Pitágoras se dizia amigo da sabedoria, portanto, filósofo, porque na realidade era um veritólogo e não um sábio. Não se pode ser aquilo que não se compreende, pois que filósofo, ou seja, amigo da sabedoria, somente os veritólogos, aqueles que buscam a verdade, e sem adentrar no âmbito da espiritualidade, sem levar o espírito em consideração, não se pode chegar nunca à verdade, mas parece que todos têm medo de adentrar no âmbito da espiritualidade, com receio de serem criticados por aqueles que se dizem cientistas, que muitas vezes são religiosos sem que venham a saber. Huberto Rohden tinha a noção de tudo isso, já que ele assim se expressa:

Ser filósofo não quer, pois, dizer decorar uma série de sistemas de pensamento humano horizontalmente alinhados e analiticamente justapostos, esse erro e método fastidioso tem afastado muitos homens da verdadeira Filosofia. Ser filósofo quer dizer descobrir as linhas-mestras através de desconcertante e, por vezes, caótica, multiplicidade de sistemas e correntes; enxergar essas linhas como torrentes convergentes do mesmo pensamento; ver o simbolizado através dos símbolos, a unidade através da multiplicidade; penetrar os invólucros opacos da letra e descobrir por detrás, ou antes, dentro dessas paredes opacas, feitas transparentes, a luz do espírito; ver a luz branca ou incolor como causa única de todas as cores do prisma solar. Ser filósofo genuíno e integral quer dizer, antes de tudo, tornar a verdade eterna, absoluta e única, como norma de sua vida individual e social”.

É certo que a Filosofia abrangia a todos os estudos mais elevados antes do Racionalismo Cristão fazer vir à tona a Veritologia, a Saperologia e a Ratiologia, que estudam os universais, realizando o casamento entre as religiões e as ciência, fazendo vir à tona as religiociências, que estudam as parcelas do Saber. Quando todos os seres humanos forem cientes dessa realidade, o mundo será outro, quando todos estiverem esclarecidos acerca da espiritualidade, pois que a verdade levará a todos para o cumprimento do dever, tendo por base a sabedoria. Embora não fosse ainda esclarecido, Huberto Rohden tinha uma boa noção acerca da espiritualidade, tanto que assim se expressa:

A Filosofia não é, pois, como se vê, uma ciência particular, como, por exemplo, a física e a química; mas é a ciência universal, a ciência especificamente humana, a atividade humana por excelência.

Donde se segue logicamente que o homem é tanto mais perfeito quanto mais filósofo. É experiência de todos os verdadeiros filósofos, de todos os tempos e países, que a intuição profunda e permanente da essencial unidade do universo da grande harmonia cósmica, confere ao homem uma tranquilidade, serenidade e paz interior imperturbáveis. A percepção nítida da realidade objetiva do universo não pode deixar de se refletir na vida subjetiva do homem realmente filósofo. O conhecimento do seu ser afeta necessariamente o seu agir, porquanto o agir segue ao ser. O homem que realmente sabe o que ele é agirá em conformidade com o seu dever. A sua ética assumirá as cores da sua metafísica.

Não é possível que um homem profundamente compenetrado da verdade da absoluta e suprema unidade do cosmos, do qual ele mesmo é parte integrante, continue por muito tempo a viver como se essa unidade não existisse, como se ele fosse um indivíduo isolado, uma partícula segregada do todo, um átomo humano divorciado do Universo.

A noção intuitiva da suprema e indestrutível unidade e harmonia do cosmos tira ao verdadeiro filósofo todo e qualquer sentimento de temor e ódio, esses dois inimigos mortais da felicidade humana. O filósofo sabe por experiência imediata que nada há no universo que lhe possa fazer mal (exceto ele mesmo), como nada há que mereça ser odiado. Essa definitiva abolição do temor e do ódio não é, para o genuíno filósofo, o resultado cruciante de tais ou quais exercícios éticos ou ascéticos, alguma espécie de ‘virtude’ que ele tenha adquirido através de torturantes manobras, não; ele sabe disto pela intuição da verdade, da eterna realidade que se descortinou aos seus olhos”.

Como se pode claramente constatar, estamos diante de um veritólogo altamente espiritualizado, embora não tivesse ousado penetrar mais profundamente no âmbito da Espiritologia, mas ele era detentor de uma rara inteligência, que lhe proporcionou prever que a nossa humanidade iria adentrar na fase da razão, no espírito, pois que somente a razão pode apresentar o verdadeiro Deus à nossa humanidade, quando ele assim diz:

“… a Filosofia, embora comece com a inteligência, culmina na razão (grifo meu), ou seja, no espírito, no Logos, que ultrapassa todas as fronteiras da inteligência unilateral, abrangendo, numa visão onilateral, a universalidade dos fenômenos individuais radicados no Númeno universal.

A Filosofia nasceu com o despontar da inteligência individual, mas atingirá a sua maturidade e plena evolução com a vitória final da razão universal (grifo meu), ou seja, a consciência cósmica”.

É sabido que Deus é formado de Substâncias, que se dividem em Essência e Propriedades. A Essência é o Ser Total, do qual são provenientes todos os seres, do átomo ao ser humano. As Propriedades são a Força, a Energia e a Luz, através das quais todos os seres evoluem, formando as suas almas. Huberto Rohden tinha a noção dessa realidade, quando assim disse:

Uma vez que a suprema e única Realidade, Deus é a essência e o íntimo de todas as coisas, segue-se que essas coisas não podiam começar nem continuar a sua existência fenomenal, sem que a eterna Realidade lhes desse e conservasse essa existência individual, graças à permanente imanência da Divindade em todos os seres.

A essência… de Deus está… em todos os seres, e é do grau dessa manifestação da presença divina que depende a perfeição de cada indivíduo.  

A essência de cada indivíduo é Deus, mas a sua existência, ou manifestação não é igual a Deus. Como essência, Deus está integralmente contido em cada indivíduo, ou melhor, não está contido, mas Deus é cada indivíduo sob o ponto de vista da essência desse indivíduo; porque vigora perfeita identidade entre a essência de Deus e a essência de qualquer indivíduo.

Negar a identidade da essência entre o Criador e a criatura, é grosseiro dualismo; afirmar a identidade da essência do Criador e da existência da criatura, é absurdo panteísmo.

A alma humana é Deus mesmo, em forma individualizada. A alma é, pois, eterna em sua essência divina, embora seja temporal na sua individualidade corpórea.

A existência do homem é anterior à sua encarnação — como também será posterior à sua desencarnação.

Caso um ser humano morra antes que os sentidos tenham podido lhe despertar as ideias latentes, terá essa alma ensejo para atualizar as suas ideias embrionárias numa outra existência corpórea (reencarnação).

Embora a mais deslumbrante encarnação do divino Logos se tenha realizado em Jesus de Nazaré, a encarnação do eterno Logos é um processo constante e ininterrupto no cenário do universo fenomenal; todos os dias e a cada instante, o eterno espírito de Deus se encarna ou revela em milhares de formas individuais; a gênese do universo não é um fato consumado, mas um processo continuado; não uma ação do passado, mas um ato permanente no presente, e o presente é a eternidade”.

É esse conhecimento acerca de Deus que faz com que nós venhamos a nos conhecer, já que somos a Sua Essência, e evoluímos por intermédio das Suas Propriedades. Sem que venhamos a nos conhecer a nós mesmos, nós não podemos adentrar no âmbito da razão, portanto, da realidade da vida, já que a imaginação não passa de um devaneio. É nos conhecendo a nós mesmos que nós podemos também conhecer o mundo em que vivemos, assim como também a outros mundos que seguimos e a outros que nos seguem na esteira do Universo, notadamente porque somos um universo em miniatura. Huberto Rohden a respeito diz o seguinte:

Na fachada do templo de Delfos, o mais famoso santuário da antiguidade, estavam gravadas as palavras lapidares: conhece-te a ti mesmo! Sintetizava essa legenda, brevíssima e imensa, a alma de toda filosofia e religião. Não pode o homem conhecer o mundo ao redor dele (kosmos), nem o mundo acima dele (Theos), sem primeiro conhecer o mundo dentro dele (ânthropos), uma vez que o instrumento-chave que ele emprega para qualquer conhecimento é o seu próprio Eu”.

Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que traduzem a realidade da vida, não podem ser demonstrados em laboratório. Como demonstrar em laboratório a realidade da reencarnação? Como demonstrar em laboratório que somos partículas individualizadas da Essência de Deus? Como demonstrar em laboratório que evoluímos adquirindo as Propriedades de Deus? Como demonstrar em laboratório a existência do criptoscópio, do intelecto e da consciência, que são os nossos órgãos mentais? A nossa inteligência pode ser capaz de inspecionar o Universo, mas também necessitamos da intuição espiritual, algo já sabido de Huberto Rohden, quando ele afirma o seguinte:

A ciência física demonstrará, um dia, o que a intuição metafísica sabia desde tempos antiquíssimos. Uma coisa é saber, outra coisa é demonstrar. As verdades mais profundas podem ser sabidas com absoluta certeza, sem serem experimentalmente demonstráveis. Em última análise, a certeza não vem de provas de laboratório, mas da intuição espiritual”.

Este nosso mundo-escola pertence aos seres hidrogênios, e para ele vêm os demais seres para que possam evoluir, inclusive nós, que somos espíritos. A atmosfera terrena é a aura do planeta, onde nela se encontra toda a sorte de sentimentos e pensamentos humanos, então nela não pode haver qualquer conhecimento ou experiência que extrapolem a este mundo. O que temos que fazer então? Transcender a este mundo é o imperativo que se nos apresenta, em busca dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, cujo repositório é o Espaço Superior, e em busca das experiências físicas acerca da sabedoria, cujo campo é o Tempo Futuro, em que a verdade unida, irmanada, congregada, com a sabedoria, dá como resultado a razão, através da qual nós podemos encontrar o verdadeiro Deus. Huberto Rohden era ciente desse imperativo, tanto que assim se expressa:

“… o homem, para encontrar o Criador, deve transcender… não pode encontrar a Deus dentro do mundo, mas somente fora ou além do mundo. Fugir do mundo é, neste caso, o imperativo categórico de todo homem espiritual. Neste caso, na razão direta que o homem se distancia do mundo, de Deus se aproxima… porque Deus e o mundo são dois polos opostos, antagônicos, incompatíveis um com o outro. Querer possuir a Deus e o mundo é, segundo os transcendentalistas… tão impossível como conciliar a luz e as trevas, a vida e a morte, o bem e o mal, o sim e o não”.

É certo que todos os seres vêm da Essência de Deus, que é o Ser Total, de forma individualizada, para que possam se realizar como espíritos. Então Deus é a Fonte de todos os seres. Após se realizarem como espíritos, estando cumprida a jornada evolutiva, estando todos cumprido com as suas obrigações e os seus deveres, torna-se óbvio que todos retornam para a sua Fonte. Huberto Rohden era ciente dessa realidade, tanto que assim afirma:

“… todo ser, consciente e livre, ou não, veio da mesma fonte e tende… a… essa fonte, voltando para uma harmonia com ela… Além disso, é da íntima natureza de cada ser querer ser feliz; mas essa felicidade não é outra coisa senão a voz da verdade, isto é, da harmonia do indivíduo com o Universal, o Absoluto, o Eterno. Dessa premissa se deriva logicamente a impossibilidade de uma aberração (pecado) eterno e irrevogável. Só um ser que não tivesse brotado da Fonte Divina poderia, para sempre, ficar longe dessa Fonte; mas, como tal ser não existe, nem pode existir, segue-se que nenhum ser, por mais consciente e livre, pode, para sempre, ficar longe da sua origem. Cedo ou tarde, embora esse lapso de tempo abranja séculos, milênios, bilênios e incontáveis éons e eternidades, todo ser, vindo de Deus, regressará a Deus… que o universo é, de fato, um cosmos, e não um caos”.

 

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