10.01- A apreensão e o juízo

Prolegômenos
2 de junho de 2018 Pamam

A apreensão é o efeito de tomar posse, que no caso aqui em questão é a apropriação legal e devida de tudo quanto se encontra explanado, incorporando a todo este acervo da realidade ao patrimônio espiritual, para que dele se possa fazer uso segundo os ditames da própria consciência relativo ao campo da razão, sem se deixar escorregar para trás e reingressar no campo da imaginação. Assim, sem permitir que a apreensão seja redirigida impropriamente para o campo da imaginação, por não ser o campo recomendado, o ser humano não correrá o risco de relacionar as novas ideias postas à sua frente, que são reais, portanto, lógicas e racionais, com as lembranças das representações imaginativas antigas, que são irreais e ilusórias, refutando, silenciosa e automaticamente, a todas estas por intermédio do início da formação da sua concepção, ainda virgem e não adaptada com desenvoltura à verdadeira realidade, já que é do próprio poder imaginativo que vem o desassossego do espírito, proveniente da incerteza do futuro, ocasionando o receio, o temor e a desconfiança, ocasionados pelo medo ao desconhecido, o qual deve ser enfrentado com coragem e com bravura, sem qualquer receio em relação a ele. Todos devem partir do seguinte princípio: o desconhecido é para se tornar conhecido, e não para ser temido.

Ao apreender, o ser humano apanha algo que se encontra à frente, tomando-o para si e dele legalmente se apropriando, incorporando-o ao acervo eterno do seu patrimônio espiritual. Esta apreensão, do ponto de vista lógico, pode ser considerada como sendo algo que o espírito adquiriu e que com ele pode formular uma ideia racional, mesmo que neste início da concepção ainda não reúna as condições necessárias para que possa afirmar ou negar a respeito daquilo que apreendeu. A apreensão, então, difere do juízo e o antecede, pois que este consiste em afirmar ou negar uma ideia da outra. Assim, fica bastante claro que primeiro temos que apreender, para que depois então possamos formar o juízo, e então emitir o parecer a respeito. E isto eu já fazia na minha encarnação passada como Ruy Barbosa, na condição de advogado, mesmo sem estar espiritualizado, sendo ainda cativo do ambiente terreno.

Para que se possa formar um juízo racional e lógico a respeito da minha explanação acerca do Racionalismo Cristão, onde se encontra a realidade universal, que se situa fora do âmbito da imaginação, o ser humano primeiro tem que apreendê-la, passando a formar a sua concepção, que é a fonte das formulações das ideias, depois deve reunir a capacidade adquirida pelos órgãos mentais formadores da inteligência do espírito, que são o criptoscópio, cuja função é a percepção e cuja finalidade é a captação; o intelecto, cuja função é a compreensão e cuja finalidade é a criação; e a consciência, cuja função é a coordenação e cuja finalidade é a união, a irmanação, a congregação, entre o criptoscópio e o intelecto; para que assim, e somente assim, seja detentor da faculdade de julgar, ou seja, de ajuizar, o que lhe permite depois emitir o parecer do seu julgamento ou do seu juízo em relação àquilo que apreendeu em sua alma, desde que seja detentor dos principais atributos individuais superiores que formam a moral e dos principais atributos relacionais positivos que formam a ética, tendo ainda a coragem desenvolvida em determinada extensão que lhe permita fazer prevalecer a justiça, independentemente de todo e qualquer obstáculo que venha a lhe obscurecer a consciência, inclusive em detrimento da própria vida, caso seja realmente necessário. Todos devem partir do seguinte princípio: torna-se revestido de honra aquele que decide morrer em prol da justiça, e de desonra aquele que decide viver por obscurecê-la.

Tendo adquirido a faculdade de julgar ou de ajuizar algo que já se encontra apreendido em seu corpo mental, o ser humano pode ser capaz de praticar o ato subsequente, que é justamente a ação do espírito emitir o seu parecer sobre tudo quanto em seu corpo mental se encontra apreendido, distinguindo com base na concepção as ideias da sabedoria, tendo como fonte a verdade, por onde com ambas se alcança a razão. Outrossim, com base exclusivamente na imaginação, onde de um lado preponderam as representações imaginativas alusivas à ilusão da matéria, e de outro lado as representações imaginativas alusivas ao devaneio do sobrenatural, tudo é confuso, embaralhado, desentendido, conflitante, pelo fato de se situar fora do âmbito da realidade. Assim, utilizando-se do seu livre arbítrio, ele pode decidir onde se encontra a realidade da nossa existência eterna e universal, sendo ele o único responsável pela decisão que tomar em relação à sua própria vida, estando encarnado neste mundo-escola.

Tomemos os brevíssimos dois exemplos seguintes para a formação de um juízo:

Deus é formado de Substâncias que se dividem em Essência e Propriedades, com o Ser Total sendo a Essência, e a Força, a Energia e a Luz sendo as Suas Propriedades, onde se encontra a perfeição. Do Ser Total vem as suas partículas, os seres, que ingressam no Universo para que possam evoluir adquirindo parceladamente as Suas Propriedades, com todos sendo imperfeitos, onde se encontram tanto o bem como o mal, mas que evoluem para que se tornem perfeitos, produzindo a amizade espiritual, até que conseguem ir abandonando o âmbito da imperfeição, deixando de produzir a amizade espiritual, e ingressando aos poucos no âmbito da perfeição, passando a produzir o amor espiritual, com a finalidade de levar todo esse acervo da imperfeição para o Criador, reintegrando-se a Ele, para que assim Deus não possa ser um ignorante da imperfeição e nem do bem e do mal, e possa ser Tudo, ou o Todo.

Ou, então, Jeová, o deus bíblico, é o criador do Céu e da Terra, tendo criado o homem do barro, como se Ele igualmente tivesse vindo do barro, por ter feito o homem à sua imagem e semelhança, sendo por isso também de carne e osso, o que implica em ter que fazer as suas necessidades fisiológicas, tais como urinar e defecar, mas sem que o seu pênis possa ser utilizado para as relações sexuais, uma vez que ele não pode procriar, já que não existe uma deusa bíblica para que ele possa com ela coabitar, tendo soprado nas narinas do homem para lhe dar uma alma, sendo a alma humana feita de vento, e depois o adormecido, para dele retirar uma costela e fazer a mulher, que assim tem uma origem distinta da do homem, embora ambos sejam seres humanos, com o dois tendo pecado simplesmente por haverem coabitado, de onde veio a morte e os sofrimentos dolorosos, e, por fim, o estabelecimento para a finalidade das suas vidas e dos seus descendentes, que é conseguir a salvação, com os adoradores portadores da fé credulária sendo salvos e os considerados ímpios sendo extintos ou queimados para sempre no fogo do inferno.

No primeiro exemplo, o Racionalismo Cristão afirma ser o único detentor dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que se encontram no espaço, mais especificamente no Espaço Superior, que está contido na propriedade da Força; e das experiências físicas acerca da sabedoria, que se encontram no tempo, mais especificamente no Tempo Futuro, que está contido na propriedade da Energia; com o espaço e o tempo fornecendo as coordenadas do Universo, através das estrelas, que são formadas de ambas as propriedades, tendo ingressado com a verdade e a sabedoria no âmbito da razão, que está contida na propriedade da Luz, que coordena as propriedades da Força e da Energia, e por isso penetra todo o Universo, sendo tudo isso apreendido pelos órgãos mentais altamente desenvolvidos dos espíritos que a este mundo vieram encarnar, em obediência ao processo da evolução, para acelerarem os seus retornos definitivos ao Criador, ao verdadeiro Deus, que também pode ser chamado de Inteligência Universal.

No segundo exemplo, os milhares e milhares de credos e seitas espalhados por esse mundo afora afirmam ser os únicos detentores da verdade, que foi revelada pelo deus bíblico, por intermédio da inspiração de profetas, os quais escreveram as suas palavras em seus livros sagrados, sendo os integrantes da classe sacerdotal considerados como sendo os ministros desse deus bíblico, cujos ministérios têm que ser amplamente remunerados, consoante as palavras desse deus contidas nos livros sagrados, que em suas igrejas pregam essas palavras, sendo a Terra o único local habitado em relação à quase infinitude do Universo, onde o céu ocupa um local especial e o inferno outro, impossibilitando a onipresença de quem quer que seja.

Tudo isso se encontra atualmente bem apreendido pelos corpos mentais dos seres humanos, que agora podem fazer um Juízo Final em relação à realidade universal; posicionando-se ao lado do Racionalismo Cristão, para que possam militar em suas casas racionalistas cristãs, no intuito de conseguirem em suas sessões cada vez mais esclarecimentos acerca da vida espiritual, obtendo mais luz para as suas almas, com a finalidade de evoluir cada vez mais aos seus espíritos; ou então se posicionar ao lado dos credos e das suas seitas, para que então possam frequentar as suas igrejas, no intuito de adorar e glorificar em suas missas ou em seus cultos, obtendo graças, bênçãos, perdões e outros afins, com a finalidade da salvação para as suas almas.

 

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