09- A ÍNDIA

A Era da Sabedoria
21 de setembro de 2018 Pamam

A Índia deve ser concebida como um continente tão populoso e variado de línguas como a Europa, e quase tão variado em climas e raças, em literatura e arte, tendo se destacado tanto na Veritologia como na Saperologia. Lá, como em qualquer outra parte do mundo, os primórdios da civilização se acham soterrados, sem que a Arqueologia jamais consiga desenterrá-los. Mas, mesmo assim, Sir John Marshall anunciou ao mundo que os seus colaboradores haviam encontrado em Mohenjo-daro, resquícios de uma civilização ainda mais antiga do que todas dadas a conhecer até agora aos historiadores. Lá e em Harapa, algumas centenas de quilômetros ao norte, cinco cidades superpostas foram descobertas, com centenas de casas solidamente construídas com tijolos, sendo algumas de vários andares, distribuídas em avenidas largas e ruas estreitas. O próprio Sir John Marshall sobre esse achado, assim se expressa:

Esses achados estabelecem a existência, em Sind, extremo norte da presidência de Bombaim, e no Pujab, durante o quarto e o terceiro milênios a.C., de uma cidade altamente desenvolvida, e a presença, em muitas casas, de paredes, poços e banheiros, bem como de um cuidadoso sistema de drenagem, sugere uma condição social pelos menos igual à encontrada na Suméria e superior à que naquele tempo existia na Babilônia e no Egito… Mesmo em Ur as casas não se comparavam na construção às de Mohenjo-daro”.

Alguns dos utensílios relativos a esses achados eram de pedra, outros de cobre e outros de bronze, demonstrando assim que a cultura hindu já provinha da Idade Calcolítica, período compreendido entre o Neolítico e a Idade do Bronze, ratificando assim a existências das várias civilizações que antes existiram e que foram obliteradas da face da Terra, e o início desta nossa civilização atual.

Quando a Índia Védica, período de 2.000 a 1.000 a.C., entrou na Idade Heroica, período de 1.000 a 500 a.C., ou seja, quando a Índia passou da cultura descrita nos Vedas para a descrita no Mahabharata e no Ramayana, as ocupações se tornaram especializadas e hereditárias, com as divisões de casta se acentuando. No alto ficavam os xátrias, ou guerreiros, que tinham como pecado o morrer na cama. As cerimônias credulárias eram nesse tempo realizadas pelos chefes ou reis, com os brâmanes ou sacerdotes não passando de meros assistentes nos sacrifícios. No Ramayana vemos um xátria protestando veementemente contra a união de uma orgulhosa noiva da raça guerreira com um sacerdote brâmane. Os livros Jain aceitam como certa a liderança dos xátrias, mas a literatura budista combate e denomina aos brâmanes de “malnascidos”.

Mas como o credo crescesse em importância e complexidade de rituais, requerendo hábeis intermediários entre os homens e os deuses, ou os espíritos obsessores quedados no astral inferior, os brâmanes foram subindo gradativamente de número, de riqueza e de poder. Posicionados maquiavelicamente como educadores da infância e transmissores orais da história da raça, da literatura e das leis, tais como os sacerdotes de hoje em dia, tornava-se-lhes possível remodelar o passado e preparar o futuro segundo as suas sórdidas conveniências, adaptando cada nova geração na alta reverência ao sacerdócio e construindo para a classe um prestígio que iria lhes proporcionar a situação suprema na sociedade indiana.

Já na época de Buda, em 563 a.C., os brâmanes tinham começado a desafiar a supremacia dos xátrias, apresentando-os como sendo inferiores, exatamente como estes haviam feito para com eles, com Buda admitindo que muito poderia ser dito de ambos os pontos de vista. Mas mesmo no tempo de Buda, os xátrias não aceitavam a liderança mental dos brâmanes, e o próprio movimento budista criado por um nobre xátria contestou por mil anos a hegemonia dos brâmanes na Índia.

 

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