09.04- Mahavira

A Era da Sabedoria
23 de setembro de 2018 Pamam

Em meados do século VI a.C., encarnou como filho de pais pobres, na tribo Lichchavi, em um subúrbio da cidade de Vaishali, um espírito altamente evoluído. Apesar de serem nobres, os seus pais pertenciam a uma esdrúxula seita que considerava a lei da encarnação como o maior dos males, e o suicídio como algo abençoado. Em estrita obediência à crença dessa seita, quando Mahavira se tornou moço, os seus pais puseram fim à vida pela inanição. Vejam aqui daquilo que o astral inferior pode ser capaz de fazer com o seres humanos que sejam fracos e tenham a sua mediunidade desenvolvida.

Quando Mahavira completou 31 anos, resolveu se recolher a si mesmo, renunciou à vida mundana, despiu-se de todas as roupas e adentrou nos ermos de Bengala, locais descampados em que se encontrava a solidão, também consagrados às orações, adotando um viver ascético, em busca da verdade. Depois de treze anos de sentimento solitário e privação de tudo foi aclamado por um grupo de discípulos como Jina, o Conquistador, ou seja, um dos grandes espíritos que a Providência Divina fazia encarnar a intervalos na Índia para a iluminação do povo.

Deram o nome de Mahavira, ou Grande Herói, ao novo mestre e para si tomaram a denominação de jains. Mahavira organizou um clero celibatário e uma ordem de freiras, e quando desencarnou, com 72 anos de idade, deixou na Terra 15.000 seguidores, aproximadamente.

Os ensinamentos de Mahavira proporcionaram a que os jains gradualmente desenvolvessem um dos mais originais corpos de doutrina de toda a história que conhecemos dos credos. Começaram com uma lógica que não aceitava o absoluto, em que o conhecimento se limitava ao relativo e temporal. Então para eles nada era verdade, exceto sob um ponto de vista, pois sob outro ponto de vista certamente essa mesma verdade seria provavelmente falsa.

Em razão de tal lógica, os jains frequentemente narravam a estória dos seis cegos que puseram as mãos em diferentes partes de um elefante. O que apalpou as orelhas disse que o elefante era um grande abanador. O que apalpou a perna declarou que se tratava de uma grande coluna roliça. E assim por diante. Assim, todos os juízos são limitados e condicionais, estando a verdade absoluta somente ao alcance dos periódicos redentores, ou jinas. Então nem os Vedas são capazes de captar a verdade, pois eles não são inspirados por Deus, pela simples razão de não existir Deus. Os jains diziam que não há necessidade de se admitir um Criador, ou Causa Primeira, pois qualquer criança pode refutar a essa admissão, mostrando que um Criador não criado, ou uma Causa não causada, é algo tão difícil de compreender como um mundo não criado ou não causado. Sendo mais lógico admitir que o Universo eternamente existiu e que as suas infinitas mudanças e revoluções são devidas aos inerentes poderes da natureza, antes que à intervenção de deidades.

Mas o certo é que o ambiente místico da Índia não favorecia a uma saperologia considerada como sendo naturalista. Após demolir com a existência de deuses no céu, os jains resolveram povoá-lo com os santos deificados da história e das lendas das suas crenças. Mas apesar desses santos serem adorados com devoção e cerimônias, estavam também sujeitos à transmigração e a decadência, não sendo de nenhum modo considerados como criadores ou diretores do mundo.

No entanto, os jains não eram materialistas, já que aceitavam a dualística divisão da natureza em matéria e espírito. E foram ainda mais adiante, pois consideravam que em todas as coisas, mesmo na matéria inorgânica, havia uma alma. Como se pode constatar claramente, a ignorância era imensa, mas, apesar disso, haviam também relampejos de conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

Mas a alma do ser humano que conseguia levar uma vida sem manchas, tornava-se um Paramatman, ou seja, uma alma suprema, e assim se libertava da reencarnação. Porém, quando as manchas se igualavam aos méritos, voltava novamente a reencarnar. Somente os espíritos mais evoluídos podiam alcançar a completa redenção neste mundo, os quais eram denominados de Arhats, sendo considerados os senhores supremos que viviam como divindades em um paraíso distante das sombras, o que denota que eles tinham alguma noção acerca da existência dos Mundos de Luz. Mas consideravam os Arhats impotentes para influir na vida humana, embora estivessem livres da obrigação da reencarnação, o que demonstra que eles ignoravam o respeito que o Astral Superior tem em relação ao livre arbítrio dos seres humanos, no entanto ele influi constantemente naquilo que pode influir, em conformidade com o ambiente fluídico formado pelos sentimentos e pelos sentimentos dos seres humanos.

Seguindo um caminho diverso ao ensinado por Buda, os jains consideravam que o caminho da redenção deveria ser seguido pela penitência, pelo ascetismo e pela ahimsa, a completa abstenção de fazer mal a qualquer ser vivo. Nesse caminho, os jains eram obrigados a cumprir cinco votos, que são os seguintes:

  1. Não matar nenhum ser vivo;
  2. Não mentir;
  3. Não tomar o alheio;
  4. Guardar a castidade;
  5. Renunciar aos prazeres mundanos.

Para os jains sentir qualquer prazer era sempre um pecado. Para eles, o ideal consistia na indiferença ao prazer ou a dor, na renúncia a todos os confortos da vida. A agricultura lhes era proibida, porque no trato da terra o homem esmaga insetos e vermes. Não se alimentavam de mel, porque ele é a vida das abelhas. Filtravam a água para dela separar qualquer ser vivo, para que assim não pudessem bebê-lo junto com a água. Cuidavam de zelar pela boca, com receio de aspirar e matar organismos impalpáveis que flutuassem no ar. Resguardavam a luz das lâmpadas para que nela não morressem as mariposas. Varriam o chão antes de dar um passo para não pisarem nos seres minúsculos. Então os jains nunca matavam ou sacrificavam um animal. E como extremados que eram na preservação da vida dos animais, erguiam hospitais e asilos para os animais doentes, velhos e cansados.

No entanto, de maneira absurdamente contrária, eles podiam destruir as suas próprias vidas, pois a doutrina dos jains aprovava o suicídio, especialmente pela inanição, pois que esta forma era a maior vitória do espírito sobre a pecaminosa forma de viver. Muitos jains se suicidaram desta maneira, e aqueles que continuaram a seguir posteriormente tal doutrina somente morreram pela inanição.

Uma doutrina com todos esses ensinamentos ascéticos, transformada em um credo, baseada em tão profunda dúvida e negação da vida, conseguiu ainda encontrar algum apoio popular em uma nação em que a vida sempre se mostrou dura e difícil, mas, mesmo assim, esse extremo ascetismo chegava a chocar o povo. Por isso, os jains formaram uma pequena minoria, e embora Yuan Chwang os encontrasse, no século VII, bastante numerosos e até poderosos, já estavam em declínio. Por volta dos anos 70 um grande cisma os dividiu quanto à nudez do corpo. A partir daí os jains ou eram do credo Shwetambara, os vestidos de branco, ou do credo Digambaras, os nus. Esses dois credos, posteriormente, dividiram-se em muitas facções.

O próprio Gandhi foi profundamente influenciado pela doutrina dos jains, já que aceitou a ahimsa, como base da sua política e da sua vida, contentando-se com uma tanga e uma alimentação que o foi levando à inanição. Salientando-se que o ahimsa é uma deturpação dos princípios éticos, os quais são adotados pelo jainismo e se encontram presentes no hinduísmo e no budismo, que consiste em não cometer violência contra outros seres, tendo por base a premissa de que todos os seres vivos possuem uma centelha de energia espiritual divina, em decorrência, ferir alguém é ferir a si próprio. O ahimsa se relaciona também com o pensamento de que qualquer violência possui consequências cármicas.

Deve-se ressaltar que nesse período se destacam as reencarnações de espíritos altamente evoluídos na história desta civilização, tais como: Buda e Mahavira na Índia, Confúcio e Lao-tze na China, os veritólogos que os estudiosos denominam de filósofos pré-socráticos na Grécia. Essa simultaneidade de espíritos evoluídos denota toda a revolução espiritual que estava sendo promovida por Jesus, o Cristo, ainda na condição de Antecristo.

 

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