09.01- Krishna

A Era da Sabedoria
21 de setembro de 2018 Pamam

Após encarnar como Hermes, no Egito, esse espírito vindo da humanidade a qual seguimos na esteira evolutiva do Universo, com o propósito de nos espiritualizar e nos esclarecer sobre a vida fora da matéria, formulando um plano para a nossa espiritualização, encarna como Krishna, na Índia. Nesta nação, ele surge como uma figura central do pensamento hindu, por promover todas as suas tradições veritológicas e saperológicas, apesar das mesmas serem ainda muito primitivas no seio da nossa humanidade, sendo então retratado em várias perspectivas, como um deus do panteão hindu, a encarnação de Vixnu e até como a forma original e suprema de Deus, tal como iriam retratá-lo posteriormente quando encarnaria como sendo Jesus, o Cristo.

Krishna seria a maior encarnação de Vixnu, o deus do amor, que repetidamente se faz homem com o objetivo de ajudar a nossa humanidade. Ao que tudo indica, os hindus tinham alguma noção acerca da encarnação pretérita desse espírito que ainda se encontrava na condição do Antecristo. Para os hindus haviam três principais processos na vida universal, que eram os seguintes: a criação, a preservação e a destruição. Por isso, tal como fizeram posteriormente de maneira similar os católicos, as divindades tomam as três formas seguintes: Brama, o Criador; Vixnu, o Preservador; e Siva, o Destruidor. Estas formas constituem o Trimurti, ou Três Formas, a que todos os hindus adoram, com a exceção dos jainas.

A devoção popular se encontra dividida entre o vixnuísmo, o credo de Vixnu, e o sivaísmo, o credo de Siva. Os dois cultos vivem em pacífica vizinhança e muitas vezes os sacrifícios se fazem nos mesmos templos, com os matreiros brâmanes, sempre seguidos pela maioria dos fiéis, prestando iguais honras a ambos os deuses. Os adoradores de Vixnu pintam a cada manhã, na testa, com giz vermelho, o tridente simbólico do deus; enquanto que os adoradores de Siva, também na testa, traçam linhas horizontais com cinzas de excremento de vaca, ou usam o linga, que é o símbolo do órgão masculino, amarrado ao braço ou pendente no pescoço.

Apesar de existirem muitas diferenças e contradições na identidade de Krishna e nos detalhes da sua biografia, alguns aspectos básicos são compartilhados por todas as tradições, em que nestes se incluem um nascimento milagroso, quando, na verdade, ele encarnou como todos os outros seres humanos, tendo uma infância e uma juventude pastoris, e uma vida como príncipe, amante, guerreiro e mestre em ideais espirituais. Este último, como que uma réplica da sua última encarnação em sua humanidade, na condição do seu Antecristo.

As principais escrituras que tratam da história de Krishna são o Mahabharata, o Bhagavata Purana e o Vixnu Purana.

O Mahabharata é um dos maiores épicos clássicos da Índia. A sua autoria é atribuída a Krishna Dvapayana Vyasa. O texto é muito extenso, com mais de 74.000 versos em sânscrito e mais de 1,8 milhões de palavras. Se considerarmos o Harivamsa como sendo um anexo e parte da obra, alcança-se um total de 90.000 versos, compondo o maior volume de texto em uma única obra humana. É considerado por alguns autores como o texto sagrado de maior importância no hinduísmo, por conter um manual evolutivo do ser humano. A obra discute o tri-varga, ou as três metas da vida humana, que são: o Kama, ou desfrute sensorial; o Artha, ou o desenvolvimento econômico; e o Dharma, a credulária mundana que se resume a códigos de conduta moral e a rituais. Além disso, o Mahabharata ainda trata de moksha, ou a liberação do ciclo tri-varga e a saída do samsara, ou o ciclo dos nascimentos.

É uma obra que procura conhecer a natureza do ser humano e a sua relação eterna com a criação e aquilo que transcende a ela, procurando também estabelecer os métodos do desenvolvimento espiritual conhecidos como karma, jnana e bhakti, adotados pelo hinduísmo moderno. O título pode ser traduzido como A Grande Índia, mas literalmente é A Grande Dinastia de Bárata, com o seu sentido verdadeiro sendo o de elucidar o grande projeto percorrido pelo “eu”, o atman, em toda a criação material e fora dela.

É a obra considerada pelos hindus como sendo uma narrativa real, e parte do Itihasa, que significa literalmente “aquilo que aconteceu”, juntamente com o Ramaiana e alguns textos dos Puranas. Assim como todos os demais textos sagrados hindus, a obra possui um aspecto externo mitológico, como o de uma simples lenda mitológica sobre reis e príncipes, deuses e demônios, sábios e santos, guerra e paz. O Mahabharata anuncia logo na primeira seção o seu caráter excepcional, quando diz o seguinte:

“O que for encontrado aqui pode ser encontrado em qualquer outro lugar, mas o que não for encontrado aqui jamais será encontrado em outro lugar”.

Essa obra inspirou o filme do mesmo nome de Peter Brook, em 1989, onde os atores eram de nacionalidades e raças variadas, para indicar a universalidade dos temas tratados; bem como a novela televisiva de B. R. Chopra, uma das obras de Hollywood, com um grande êxito televisivo em quase todo o Oriente.

O Bhagavata Purana apresenta Krishna como sendo uma forma original de Deus, superior a todas as outras manifestações divinas, já que todas emanam dele. Então Krishna é um ser eterno, sem nascimento e sem morte, que adotou uma manifestação temporária na Terra para poder agraciar aos seus devotos e aniquilar aos demônios, mas que simultaneamente está presente em seu planeta espiritual eternamente.

O Vixnu Purana é considerado um dos Puranas mais importantes. Ele é apresentado na forma de um diálogo entre Parasara e o seu discípulo Maitreya, estando dividido em seis livros. O primeiro trata da Criação original, ou cosmogonia. O segundo trata da Criação secundária, ou a destruição e renovação dos mundos, inclusive a cronologia. O terceiro trata da genealogia dos deuses e dos patriarcas. O quarto trata dos reinados dos Manus, ou períodos denominados de Manwantaras. O quinto trata da história, ou dos pormenores como foram preservados os príncipes das raças solares e lunares, bem como os seus descendentes até aos tempos modernos. O sexto trata de uma descrição da era Kali e de um relato da dissolução do mundo, em seus cataclismos maiores e menores, com os pormenores do fim de todas as coisas através do fogo e da água, como também do princípio da sua renovação perpétua.

O culto a Krishna pode ser observado até os meados do século IV a.C., mas a sua adoração como Svayam Bhagavan, ou o Ser Supremo, surgiu na Idade Média, no contexto do movimento de bhakti. A partir do século X, Krishna se torna o assunto favorito em artes cênicas e se desenvolvem as tradições regionais de devoção, como Jagannatha, em Orissa, Vithoba, em Maharashtra, e Shrinathji, no Rajastão.

Desde a década de 1960, a adoração a Krishna se espalha também no Ocidente, em grande parte devido ao trabalho missionário de Bhaktivedanta Swami Prabhupada e a sua Sociedade Internacional Para a Consciência de Krishna.

Krishna é um nome de Deus que significa o Todo Atraente, a Verdade Absoluta. A palavra krish é a característica atrativa da existência divina, e não significa prazer espiritual. Quando o verbo krish é adicionado ao termo na, esse grande espírito se torna Krishna, que indica a Suprema Verdade Absoluta.

Ele é conhecido também por diversos nomes, epítetos e títulos, os quais refletem as suas múltiplas qualidades e atividades. Entre os mais conhecidos estão Hari, aquele que tira os pecados, ou que afasta samsara, o ciclo de nascimentos e mortes; Govinda, aquele que dá prazer às vacas, à Terra e aos sentidos; e Gopala, aquele que protege as vacas, ou mais precisamente, aquele que protege a vida.

Além de ser facilmente reconhecido por suas representações artísticas, Krishna tem a sua pele retratada na cor preta ou azul-escura, conforme descrito nas Escrituras, embora em representações pictóricas modernas ele seja mostrado geralmente com a pele azul. Aparece sempre usando um dhoti de seda amarelo e uma coroa de penas de pavão. Representações comuns o mostram como um bebê, um menino ou um jovem. Geralmente aparece com uma perna dobrada na frente da outra, levando uma flauta aos lábios, esboçando um sorriso enigmático e acompanhado por vacas.

A cena no campo de batalha de Kurukshetra, nomeadamente quando se dirige a Arjuna, talvez primo, grande amigo e discípulo, no Bhagavad Gita, que encerra os conselhos dados por Krishna a Arjuna, antes do início do combate, é outro tema comum para a sua representação. Nessas cenas, ele é mostrado como um homem comum de dois braços atuando como cocheiro, ou com as típicas características da arte religiosa hindu, tais como braços ou cabeças múltiplas, e com os atributos de Vixnu, como o chakra.

Todos esses traços a respeito de Krishna dizem respeito à cultura hindu, que foram baseados no Mahabharata, no Bhagavata Purana e no Vixnu Purana. No entanto, há muitas controvérsias sobre ele, com a exceção de que foi uma das encarnações de Jesus, o Cristo.

Uma das tradições diz que ele nasceu na prisão, realizou muitas maravilhas de heroísmo e romance, curou cegos e mudos, amenizou os sofrimentos dos leprosos e, assim como Jesus, o Cristo, ressuscitou até mortos. Teve um discípulo amado em Arjuna, antes de ser transfigurado. Segundo uma lenda, morreu por intermédio de uma flechada, segundo outra, crucificado em uma árvore. Desceu ao inferno, subiu ao céu e voltará no último dia para julgar os vivos e os mortos, cuja lenda ainda hoje é cultivada pelos católicos, protestantes e outros, em relação ao Nazareno.

Outra tradição, constante do Bhagavata Purana, diz que Krishna nasceu sem uma união sexual, por meio da “transmissão mental” ióguica, advinda da mente de Vasudeva, no ventre de Devaki. Ora, os falsos cristão também dizem que Jesus, o Cristo, nasceu por obra e graça do Espírito Santo, sem a união carnal entre José e Maria, jurando por todos os santos que ela era a Virgem Imaculada, como se o sexo estabelecido pela Providência Divina pudesse tirar a sua pureza, que se encontra em seu espírito, e não na sua matéria carnal, simples invólucro provisório neste mundo, que por isso dura apenas uma encarnação. E, também, eles juram por todos os santos, inclusive nos dias de hoje, que o deus bíblico fez o primeiro homem de barro, soprou-lhe as narinas e assim lhe deu a vida. Então, nada de espanto com tanta ignorância, pois parece que ela teima em não se extinguir da mente humana, daí o aforismo de Cristo de que “A ignorância é o grande mal da humanidade”.

O mais interessante de tudo isso é a conjectura que fazem em relação à data da encarnação de Krishna. Ela é baseada em dados das escrituras e cálculos astrológicos, cujo resultado é o dia 18 de julho de 3.228 a.C., quando já se sabe que ele antes encarnou como Hermes há 4.000 anos atrás, no Egito, portanto 2.000 a.C., então a data é totalmente equivocada. Como a sua encarnação posterior como Confúcio se deu em 552 a.C., aproximadamente, deve-se estimar a sua encarnação entre 1.000 e 1.500 a.C., pois embora o intervalo seja um tanto quanto longo, leva-se em consideração a sua grande atividade em plano astral, como sendo o grande chefe da nossa humanidade, a organizar a distribuição dos seres humanos a encarnar para a formação dos diversos povos que iriam constituir esta nossa civilização, até as formações das nações que hoje se encontram espalhadas em seus respectivos territórios, além de determinar quem encarna com qual sexo.

Existem vários trabalhos que contribuíram para a difusão da devoção a Krishna. Dentre eles se destaca o Gita Govinda, escrito por Jayadeva Goswani, na Índia oriental, no século XII, o qual trata a respeito da relação íntima de Krishna com Radharani, uma gopi, que no Mahabharata teve um papel secundário.

Entre as derivações posteriores das primeiras tradições de devoção a Krishna, vale ressaltar a que foi promovida pelo considerado santo Bengali Caitanya Mahaprabu, no século XVI, em que os seus seguidores o consideram a reencarnação de Krishna e Radharani em um só corpo, como se fosse possível tal aberração. Vários movimentos pertencem a esta tradição, entre eles o Movimento Hare Krishna, fundado em New York pelo guru indiano Bhaktivedanta Swami Prabhupada, em 1966, o principal responsável pela disseminação contemporânea da encarnação de Krishna no Ocidente.

 

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