08- O IDEALISMO

A Era da Verdade
29 de janeiro de 2020 Pamam

O idealismo é a propensão de idealizar a realidade universal, formando uma ideia realmente precisa a respeito do Universo, quando então o espírito pode se deixar guiar pelos seus ideais, idealizando a vida neste mundo de modo harmônico, pacífico e progressivo, em conformidade com as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, tomando por base a espiritualidade, já que todos nós somos espíritos. Para tanto, torna-se absolutamente necessário que se compreenda o que seja realmente a ideia, que se associam umas com as outras, pois que se parte da ideia para o idealismo.

Na concepção, as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais se associam umas com as outras, não havendo combinações, pois que estas representam a imaginação, que combina imagens, mas sim associação, compondo uma interseção de conjuntos, com cada um deles assumindo uma cor que lhe é própria, em conformidade com o padrão de cor de cada uma das coordenadas do Universo, para que assim eles possam se encontrar ordenados em conformidade com esses padrões de cores, em que as coisas, os fatos e os fenômenos que assumiram as cores mais próximas de cada padrão de cor ficam gravitando ao seu redor, estando dispostos segundo uma ordem decrescente de tonalidade, que parte do núcleo identificador do padrão de cor, formando a primeira orbital, até a sua periferia, formando a última orbital, com esta fazendo fronteira com a ideia que assumiu a cor mais próxima de si, mas que pertence a outro padrão de cor de outra coordenada universal, e assim sucessivamente em todo o conjunto do Universo, para que não haja qualquer conflito, o que levaria fatalmente a uma contradição das ideias universais.

Esse conjunto de cores forma todo o esplendor do Universo. Todos os astrônomos sabem que no Universo as estrelas formam os seus sistemas planetários, em que os planetas e os seus satélites gravitam ao seu redor. Cada estrela tem uma cor que lhe é própria, em virtude delas serem formadas pelas propriedades da Força e da Energia, que se combinam em inúmeros e inúmeros estágios diferentes. Mas ignorando isto, os astrônomos se confundem com a parecença das cores observadas com os olhos da cara, como são exemplos os Diagramas de Hertzsprung-Russell, que representam um gráfico de distribuição que mostra a relação entre a magnitude absoluta, ou a luminosidade, versus o tipo espectral, ou a classificação estelar, e a temperatura efetiva. Os Diagramas de Hertzsprung-Russell não são quadros ou mapas de localização das estrelas, pois diferentemente eles colocam cada estrela em um gráfico indicando a sua magnitude absoluta ou o brilho contra a sua temperatura e cor. Eles foram criados por volta de 1910, por Einar Hertzsprung e Henrv Norris Russell, tendo sido considerados como sendo um passo importante em direção ao entendimento da evolução estelar. Mas o fato é que não existe a evolução estelar, já que todas as estrelas são formadas pelas propriedades da Força e da Energia, pois somente os seres evoluem por intermédio das propriedades da Força, da Energia e da Luz, e mais nada se inclui no processo da evolução em todo o Universo.

O espírito somente pode apreender em seu corpo mental a concepção acerca do Universo, caso ele consiga formular as ideias precisas a respeito das propriedades da Força e da Energia, uma vez que estas propriedades é quem verdadeiramente formam o Universo, em suas inúmeras e inúmeras combinações estelares, em que as estrelas dão como resultado as coordenadas universais e os seus respectivos fluidos, por isso o Universo é todo fluídico. Ora, como o espírito evolui por intermédio destas duas propriedades, com elas passando a compor o seu corpo fluídico, ou perispírito, é óbvio que o próprio Universo passa a estar contido em si mesmo, pelo menos até o estágio evolutivo em que ele se encontra. E como o espírito evolui também por intermédio da propriedade da Luz, é por intermédio da sua luz astral que ele passa a percorrer o universo que se encontra contido em si mesmo, em conformidade com o seu estágio evolutivo. Daí a extrema necessidade dos seres humanos, na condição de espíritos que são, na realidade, transcenderem a este mundo para que assim possam se universalizar, e então adquirir a consciência plena do universo que se encontra contido em si mesmos, cujo universo, em conformidade com o estágio evolutivo de cada um, deve ser comum a todos eles, daí a impossibilidade de haver quaisquer conflitos ou divergências entre as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais.

A propriedade da Força contém o espaço, em que no Espaço Superior estão contidos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que são as causas. A propriedade da Energia contém o tempo, em que no Tempo Futuro podem ser criadas as experiências físicas correspondentes acerca da sabedoria, que são os efeitos. O espaço e o tempo formam o Universo, fornecendo as suas coordenadas. A propriedade da Luz penetra em cada uma dessas coordenadas. É justamente por isso, que apenas com a sua luz astral o espírito pode apreender os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e criar as correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, alcançando assim a razão, que coordena a verdade e a sabedoria, portanto, as causas e os seus correspondentes efeitos.

Desta maneira, o espírito consegue apreender em seu corpo mental uma concepção acerca do Universo, por conseguinte, ele consegue formular também as ideias em relação às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais. Em cada uma das coordenadas universais, as coisas, os fatos e os fenômenos se apresentam de uma determinada maneira, que deve ser comum a todos os espíritos, sem que haja qualquer divergência, por isso as ideias têm que ser convergentes, sem que jamais possam entrar em conflito, já que as causas se encontram associadas diretamente aos seus respectivos efeitos.

No entanto, quanto mais o espírito vai evoluindo e se elevando ao Espaço Superior e se transportando ao Tempo Futuro, concomitantemente, tanto mais ele vai penetrando as coordenadas do Universo que se encontram mais distantes deste mundo, em que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade vão se tornando cada vez mais complexos, por conseguinte, as criações das experiências físicas acerca da sabedoria na mesma proporção de complexidade. Mas o fato é que em cada uma das coordenadas universais, as ideias a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos são convergentes umas com as outras, como não poderia jamais ser diferente.

Isto se explica pelo fato dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade serem absolutos, imutáveis, ontológicos, incriáveis, por isso eles formam um todo que diz respeito a cada uma das coordenadas universais, sendo, pois, os mesmos para todas as demais coordenadas, sem que haja qualquer variação, apenas com eles se estendendo cada vez mais, à medida que as coordenadas vão se elevando para os pontos mais distantes do Universo. Isto implica em dizer que todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, tendo as suas correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, possibilitam adentrar na fase da concepção, em que nela se formulam ideias que se associam umas com as outras. E como as ideias se associam umas com as outras, é óbvio que a verdade e a sabedoria, coordenadas pela razão, ficam assim associadas, pois que adredemente ligadas uma com a outra.

Há também o fato dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade estarem ligados diretamente às leis espaciais, pelo fato destas serem também absolutas, naturais e imutáveis, pois que são provenientes da propriedade da Força. E o fato das experiências físicas acerca da sabedoria estarem ligadas diretamente aos princípios temporais, pelo fato destes serem relativos, naturais e mutáveis, pois que são provenientes da propriedade da Energia. Assim, em cada uma das coordenadas do Universo, as suas leis têm os seus correspondentes princípios. E como as leis formam um todo estando ligadas aos princípios, pois que ambos coordenados estabelecem as regras que normatizam as condutas dos espíritos em cada uma das coordenadas universais, é óbvio que todas as regras se associam em todas as coordenadas universais, juntamente com os preceitos universais. É a legislação que deve viger por todo o Universo.

E aqui se encaixa perfeitamente o fato de como cada uma das coordenadas do Universo assume uma cor que lhe é própria, para que assim elas possam se encontrar associadas em conformidade com os padrões de cores, em que as coisas que formam os mundos vão assumindo as cores mais próximas de cada padrão de cor, ficando gravitando ao seu redor, estando dispostas segundo uma ordem decrescente de tonalidade, que parte do núcleo identificador do padrão de cor, formando a primeira orbital, até a sua periferia, formando a última orbital, com esta fazendo fronteira com aquela que assumiu uma outra cor mais próxima de si, mas que pertence a outro padrão de cor, a fim de que possa haver a associação, e assim sucessivamente em todo o conjunto universal, para que não haja qualquer conflito ou discordância, o que levaria fatalmente a uma contradição de ideias.

Tomemos como o exemplo mais próximo deste mundo o Sol. É sabido que o Sol é formado pelas propriedades da Força e da Energia, que por sua vez formam o Universo e fornecem as suas coordenadas. Então o Sol representa uma das coordenadas universais, por isso ele possui um padrão exclusivo e característico da sua própria cor padrão. Assim, tudo aquilo que se encontra sob a sua dependência vai assumindo um padrão de cor característico à cor padrão que ele representa. Note-se, porém, que a cor padrão do Sol diz respeito diretamente à nossa luz astral, e não aos olhos da cara, pois que estes não conseguem discernir a parecença das nuances das diversas cores padrões universais.

Essa combinação entre as propriedades da Força e da Energia que forma o Sol, forma também os fluidos, através dos quais os seres infra-humanos mais atrasados, que se encontram nos primeiros estágios evolutivos, vindos dos seus mundos que lhes são próprios para interagir uns com os outros e com os seres hidrogênios que formam este planeta, que são os seres mais atrasados que existem, vão assim se transformando e evoluindo por intermédio destas duas propriedades. Os fluidos provenientes do Sol contêm o magnetismo, a eletricidade e o eletromagnetismo, por onde podem ser identificados as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, respectivamente. Os preceitos são as regras de procedimento que determinam a conduta desses seres infra-humanos mais atrasados, quer dizer, são os ensinamentos que eles devem receber e as regras que eles devem seguir para que possam evoluir rigorosamente com ordem dentro das leis espaciais e dos princípios temporais, minuciosamente em suas particularidades interativas, em conformidade com as instruções desses preceitos, já que eles evoluem somente por intermédio das propriedades da Força e da Energia, e ainda não por intermédio da propriedade da Luz, daí a razão desse preceituário nessa coordenada universal.

No entanto, há que se considerar neste mundo as presenças dos seres humanos, que produzem sentimentos e pensamentos. As produções dos sentimentos inferiores e superiores emitem vibrações magnéticas. As produções dos pensamentos negativos e positivos emitem radiações elétricas. E as produções dessas combinações emitem radiovibrações eletromagnéticas. Essas vibrações, radiações e radiovibrações são transportadas pelos fluidos produzidos pelo Sol e que envolvem este planeta, que vão alterar profundamente a atmosfera terrena, por conseguinte, as transformações dos seres infra-humanos mais atrasados que são os seus formadores. Daí a existência dos diversos tipos de ventos, inclusive das tempestades, dos furacões, dos tufões e dos ciclones tropicais, assim como também dos micro-organismos microscópicos que causam os mais diversos tipos de doenças e dos inúmeros tipos de insetos que são maléficos aos seres humanos e aos demais viventes, causados pelo astral inferior. A conclusão que se pode tirar disso tudo é que a natureza trabalha naturalmente em prol dos seres humanos, mas em face da ignorância os seres humanos trabalham contra si mesmos, quando vibram sentimentos inferiores, radiam pensamentos negativos e radiovibram as suas combinações.

Então, em nossa concepção, devemos formular uma ideia geral de que o Sol possui a sua própria cor padrão, com esta ideia geral estabelecendo um princípio de onde devem partir todas as demais ideias. Sabemos que o Sol é formado pelas propriedades da Força e da Energia, que formam o Universo, então o Sol representa uma das suas coordenadas que tem a sua própria cor padrão. Neste caso, como sendo uma das coordenadas do Universo, o Sol contém o espaço, onde no Espaço Superior estão contidos todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que lhe dizem respeito, e contém o tempo, onde no Tempo Futuro podem ser criadas todas as experiências físicas que lhe dizem respeito, com ambas sendo coordenadas pela razão, por onde se pode formular as ideias a respeito de todo o Saber que lhe corresponde. Partindo da ideia geral de que o Sol possui a sua própria cor padrão, estas ideias formuladas se associam no mesmo padrão de cores, para que assim não haja qualquer conflito ou qualquer discordância entre elas, pois no âmbito das ideias não ocorrem as contradições. Como visto, isto decorre do fato de que a concepção é formada pelos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e pelas experiências físicas correspondentes acerca da sabedoria, que assim vão associando os mesmos padrões de cores, os quais têm que ser coordenados pela razão.

Em outras coordenadas mais distantes do Universo, que tanto podem se situar abaixo ou acima desta coordenada fornecida pelo Sol, na esteira evolutiva universal, as propriedades da Força e da Energia também se encontram combinadas em diversos outros estágios, formando outras estrelas, cada uma com o seu próprio padrão de cor, em que a concepção também permite as formulações de ideias associadas umas às outras e com as demais coordenadas universais. Note-se que partindo de uma determinada coordenada universal que tem a sua própria cor padrão, que é a sua ideia geral, as demais cores vão se formando em gradações sutis para todas as suas nuanças, que representam cada uma das diversas cores matizes, em suas inúmeras tonalidades, mas sem cambiantes em furta-cor, que apresenta cor diversa segundo a luz projetada, pois que no Universo não existem cores indistintas ou indecisas, que representam as demais ideias que são associadas à ideia geral.

E assim, como a partir de uma determinada coordenada do Universo, que possui a sua própria cor padrão, em que as suas demais cores vão se formando em gradações sutis, também nas demais coordenadas do Universo que possuem as suas cores padrões, todas se associam umas às outras, como se fosse um gigantesco calidoscópio, permitindo uma concepção universal, em que todas as ideias universais se associam umas com as outras.

E assim se explica a existência do associacionismo, que em Saperologia é o sistema pelo qual os conhecimentos metafísicos acerca da verdade não são provenientes dos espíritos, não são deles derivados, mas que foram por eles percebidos e captados do Espaço Superior, em virtude dos conhecimentos verdadeiros não serem criados, não serem inventados pelos espíritos, uma vez que sempre existiram, sendo, portanto, absolutos, ontológicos, imutáveis, perenes, não estando sujeitos a falhas ou a quaisquer deficiências decorrentes da imperfeição humana, ou mesmo dos espíritos. E são eles, juntamente com as correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, que irão formar as nossa concepção, de onde são formuladas todas as ideias a respeito do Universo. Daí a minha afirmativa de que verdade + sabedoria = razão.

As ideias que são formuladas por intermédio da nossa concepção não ficam estanques em nosso corpo mental, pois que elas fazem parte do nosso acervo espiritual, sendo os frutos da nossa inteligência, que se desenvolvendo cada vez mais através do raciocínio produz todos os mecanismos que sejam necessários para que possamos perscrutar o Universo, a fim de que possamos contemplar a natureza em todo o seu esplendor, em completa conformidade com a realidade universal, para que assim possamos pautar a nossa existência eterna em pleno acordo com ela, já que dela fazemos parte integrante, daí a razão pela qual a nossa existência não pode jamais se extinguir com a desencarnação.

Então as ideias passam a formar uma espécie de banco de dados, para que assim o raciocínio possa utilizá-lo segundo o seu grau de desenvolvimento. Em conformidade com as minhas observações relativas aos corpos mentais dos seres humanos mais destacados nos estudos transcendentais, o mais alto grau de desenvolvimento do raciocínio que eu pude constatar em relação ao banco de dados das ideias é o que eles denominam de associacionismo. Mas como o grau de desenvolvimento desse raciocínio ainda não é elevado o suficiente para se trabalhar com o banco de dados das ideias, eu então sou obrigado a primeiro explanar a descrição do associacionismo, para somente depois então explanar como se deve realmente trabalhar com ele, através do raciocínio, para que assim se possa formar a sinopse do conjunto.

Segundo o que se encontra posto nos compêndios, o associacionismo é uma doutrina que procura explicar a forma como se realizam os conhecimentos por associação de ideias, ou ainda, a explicação dos fenômenos psicológicos pela associação de ideias. Note-se que o termo associar assume a conotação de agregar, juntar, unir, irmanar, congregar, e não combinar, pois que a combinação faz parte da imaginação, que combina as imagens que foram reunidas em uma certa disposição, postas em certa ordem, mas que à medida que elas vão se alterando mudam constantemente a essas combinações, o que implica em dizer que a imaginação vai se transformando com o decorrer do tempo. É por isso que a comunidade científica afirma que os seus conhecimentos científicos não são definitivos, sendo passíveis de alterações, e assim realmente é de fato, porque todos os conhecimentos científicos são provenientes da imaginação, decorrentes das combinações de imagens, que foram reunidas em certa disposição, postas em certas ordem, que vão se alterando quando mudam as suas combinações.

No entanto, não é bem assim, pois que no associacionismo não se realizam conhecimentos. Na realidade, no associacionismo se tem a concepção dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que formam um todo, e das experiências físicas acerca da sabedoria, que se correspondem com esse todo, havendo uma coordenação por parte da consciência, o que possibilita a formação das ideias, por isso elas se associam, já que se harmonizam, integrando-se umas com as outras.

E como o termo associar se refere à união, à irmanação, à congregação, é a associação das ideias que vai estabelecer uma correspondência unívoca que se aplica às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais de maneira absolutamente idêntica, ou seja, sem contradições, que só comporta uma forma de interpretação, sendo por isso que as ideias interagem umas com as outras em entendimentos recíprocos, o que enseja a que elas se interliguem em total e plena harmonia, pois que se encontram ligadas em qualquer conjunto que se queira representar isoladamente, ou mesmo se encontrando ligadas em conjuntos diversos.

Agora eu vou discorrer um pouco sobre o que os homens mais destacados nos estudos transcendentais entendem sobre o que seja o associacionismo. Embora eles não tenham conseguido chegar ao seu verdadeiro entendimento, as suas tentativas por descrever todo o mecanismo da associação de ideias é válido, e serviu como pioneirismo acerca do assunto.

Os saperólogos ou os ratiólogos são obrigados a investigar e a pesquisar tudo aquilo que os veritólogos transmitem, pois que são os verdadeiros explanadores da verdade. E foi cumprindo com as suas obrigações de saperólogo que Farias Brito investigou e pesquisou praticamente todos os veritólogos, e apesar de não haver logrado se encontrar com a verdade, pois que não se deparou com a doutrina do Racionalismo Cristão, mesmo assim deixou os seus próprios comentários racionais sobre o que muitos veritólogos transmitiram.

Nesses seus comentários racionais, o notável e erudito saperólogo cearense, orgulho da nossa terra natal e de toda a nação brasileira, afirma que a associação das ideias, que é a base da escola experimental inglesa, tinha sido já afirmada por Hume, mesmo com este tendo também afirmado acertadamente que o universo em que se encontra toda a nossa humanidade é o universo da imaginação, declarando ao mesmo tempo que nem ele e nem a nossa própria humanidade possui qualquer ideia daquilo que seja produzido fora desse universo imaginativo. E essa afirmação de Farias Brito, nós vamos encontrar em sua obra Finalidade do Mundo – 2º Volume, as páginas 121 e 122, quando ele assim se expressa:

… as nossas ideias… estão subordinadas ao princípio da associação. Sem que para isso concorramos por nossa atividade, sem que mesmo tenhamos disto consciência, as nossas ideias se associam, ligam-se por uma espécie de encadeamento indissolúvel (grifo meu); e é por este modo que se formam todas as nossas ideias, tanto dos fenômenos da natureza, como dos fenômenos do espírito… Vê-se por aí que a teoria da associação das ideias, que é a base da atual escola experimental inglesa, era já conhecida e sustentada em seus fundamentos por Hume”.

Meu Deus! Eu fico por demais encantado, deveras maravilhado com os corpos mentais altamente desenvolvidos desses grandes vultos da nossa humanidade, em que os seus atributos individuais superiores e relacionais positivos emergem à tona para destacar a grandeza das suas intenções em ajudar a esclarecer aos seres humanos. Como isso me traz felicidade!

Farias Brito, o ilustre saperólogo cearense, vem me poupar de desprender ainda maiores esforços para me certificar sobre o que entendem os grandes homens acerca do associacionismo, apesar de todos eles ainda serem cativos da imaginação, mas mesmo assim o que eles transmitem têm as suas grandes utilidades. Então, muito alegre, bastante satisfeito, realmente contente, eu vou reproduzir literalmente alguns trechos essenciais daquilo que ele escreveu acerca do assunto, conforme consta em sua obra Finalidade do Mundo – 2º Volume, as páginas 247 a 296, de acordo com o seguinte:

“‘Quando um homem vendo, ouvindo ou por qualquer outro dos seus sentidos percebendo uma coisa, não somente conhece o objeto que por tal modo percebe, mas ao mesmo tempo é levado a pensar em outro que depende da mesma maneira de conhecer, não é razoável dizer que esse homem se lembra do objeto que lhe veio ao espírito?’. A pergunta é de Platão. Fazê-la é já ter um pressentimento, senão uma intuição mais ou menos geral da lei da associação das ideias. E Platão deve ser com efeito considerado como um dos precursores da moderna concepção filosófica que elevou esta lei à categoria de uma grande doutrina. Nada fez, é verdade, de modo a concorrer para as soluções contemporâneas; mas cabe a ele a glória de ter sido o primeiro a formular o problema, sendo de notar que chegou mesmo a distinguir dois casos particulares de associação: aquele em que, tendo-se percebido ao mesmo tempo dois objetos, a ideia de um evoca a do outro (lei de contiguidade no tempo); e aquele em que se tem a reminiscência do objeto, partindo, ora de coisas semelhantes, ora de coisas dissemelhantes (lei de similaridade), conforme a tecnologia moderna.

Foi Aristóteles o primeiro que chegou a ter consciência clara e distinta da verdadeira significação da doutrina. Platão pressentiu de certo modo o seu elevado alcance; mas Aristóteles foi mais longe e fez abertamente da associação de ideias a base da reminiscência. Entrou mais fundo na observação dos fenômenos, dando mais uma vez uma prova do seu admirável espírito. É assim que Hamilton o considera como tendo sido o verdadeiro criador das grandes leis da associação. É certo que a autoridade de Hamilton não pode ser aqui invocada, sendo que esse eminente pensador não entrou senão incidentemente no exame desta teoria, devendo portanto ser excluído do célebre grupo de pensadores a que se poderia dar o nome de ‘tradição associacionista inglesa’. Mas a sua afirmação é, sobre este ponto, confirmada por Bain e por Stuart Mill.

A lei da associação das ideias foi também conhecida e proclamada pelos epicuristas e pelos estoicos que chegaram a fazer dela a base do conhecimento; mas é só a Aristóteles que se pode atribuir a sua verdadeira compreensão psicológica; isto desde a antiguidade até a filosofia moderna que, como se sabe, pelos órgãos dos representantes da escola experimental inglesa, elevou essa lei à altura de princípio fundamental da psicologia.

Descartes fê-la dependente da união da alma e do corpo, envolvendo-a por esse modo na velha questão que constitui o interminável conflito do espiritualismo. E foi daí que partiu para o estabelecimento de uma teoria fisiológica muito imperfeita e confusa a que deram maior desenvolvimento Malebranche e Spinoza.

É com Hobbes que verdadeiramente começa a progressão crescente da teoria associacionista, que submetendo a variedade infinita da fenomenalidade mental a um número limitado de leis, termina por se elevar à categoria de princípio exclusivo da vida do espírito. A série de fenômenos psíquicos (discursus mentalis) se reduz a uma série de movimentos físicos que se encadeiam. O pensamento é uma combinação de imagens (aqui os estudiosos que Farias Brito analisa demonstram claramente que não distinguem a imaginação da concepção, digo eu); estas dependem das sensações e as sensações por sua vez são um resultado do movimento (excitação), sendo que a ordem das ideias, reprodução da ordem das sensações (não existem ideias pelas sensações, digo eu), prende-se em última análise aos movimentos do cérebro. Tudo se explica por um processo uniforme e harmônico de que resulta a unidade na multiplicidade. É assim que cada pensamento que aparece, é segundo Hobbes, em virtude da coesão da matéria em movimento, acompanhado dos pensamentos que domina, anteriormente adquiridos. Mesmo a indagação do desconhecido se reduz a uma série de investigações que vão do antecedente ao consequente e do consequente ao antecedente; e as relações de semelhança e diferença, de tempo e de espaço, de meio e de fim, de causa e de efeito.

A Hobbes se segue Locke; a Locke se segue Berkeley. Em Hobbes a teoria associacionista se prende ao materialismo. É o que não se pode chamar um simples acidente. Pelo contrário, esta inclinação da teoria da associação para o materialismo é o que resulta, por assim dizer, de uma predisposição natural do método empírico. Todavia, Locke e mais acentuadamente Berkeley seguem direções diferentes. Locke admite certos princípios que são igualmente sustentados por Hobbes; fala também neste mesmo discursus mentalis de Hobbes, que deve ter o seu substratum no cérebro; mas recusa em absoluto qualquer semelhança entre as ideias e o movimento, ou mais precisamente entre o espírito e a matéria. Reconhece, porém, a elevada significação da lei de associação; e se bem que não se ocupe em parte alguma da dupla relação a que hoje se dá o nome de associação separável e associação inseparável, não é senão a esta mesma relação que se prende mais ou menos diretamente a distinção por ele feita entre as qualidades primárias e as qualidades secundárias da matéria.

Berkeley ainda está mais longe do materialismo que Locke. Não se ignora que um dos caracteres essenciais do seu sistema é a negação mesma da matéria. Mas ainda debaixo deste pondo de vista reconhece também a influência da associação. O nosso espírito recebendo as ideias é passivo; mas as ideias mesmas sendo percebidas (leia-se compreendidas, digo eu) têm a propriedade de se reunir formando grupos. Estes estão sujeitos a relações que só podem ser conhecidos pela frequência da sua coexistência e sucessão. Daí a influência do hábito e a necessidade da experiência que é o único guia capaz de nos habilitar para perceber (leia-se compreender, digo eu) as inúmeras distinções que se estabelecem na conformidade da maior ou menor constância com que se dá a coexistência ou sucessão das ideias.

Locke e Berkeley pressentem, pois, já o grande papel que havia de representar na psicologia inglesa, a lei da associação das ideias. Mas os verdadeiros fundadores da doutrina associacionista, os que compreenderam toda a sua extensão e a prepararam para o desenvolvimento extraordinário a que finalmente chegou, foram David Hume e David Hartley.

Quanto ao primeiro já tivemos de ver que a associação das ideias é, segundo ele, a lei fundamental do espírito humano (grifo meu). Desnecessário é, pois, insistir. Todavia, é bom observar que foi ele quem abriu caminho a Stuart Mill. E foi deste modo que o maior representante moderno do ceticismo teve a glória imortal de ligar o seu nome às duas grandes correntes da metafísica moderna: o associacionismo britânico e o idealismo transcendental alemão. Hume foi ao mesmo tempo o precursor de Kant e o pai espiritual de Stuart Mill.

Hartley teve sobre Hume a vantagem de fazer da lei de asssociação das ideias o objeto particular das suas cogitações. ‘Examinando o poder da associação’, diz ele em seu livro Observações Sobre o Homem, ‘fui levado a estudar as suas consequências em moral e religião, como suas causas físicas… Reuni aqui sobre este assunto todos os meus escritos, dando-lhes a ordem que se me afigurou mais natural, e acrescentando o que me pareceu necessário para deles fazer um todo completo e sistemático’. A teoria das vibrações que lhe foi sugerida por Newton corresponde a teoria das ideias, tal como lhe foi transmitida por Locke. As ideias como as vibrações se associam (assim como as radiações e as radiovibrações, digo eu); e tratando de submeter a exame os fenômenos do espírito, submete-os a uma longa análise, terminando por assegurar que tudo se reduz na vida mental a relações de coexistência e sucessão.

Continuada por Zanoti, Joseph Priestley e Erasmo Darwin, antepassado e precursor do grande Darwin, fundador da teoria da seleção natural, foi afinal a doutrina da associação definitivamente restaurada por James Mill, ao qual se seguem imediatamente os representantes atuais: Alexandre Bain, Stuart Mill, Herbert Spencer. Costuma-se mesmo dizer: Hartley foi o primeiro e James Mill o segundo pai do associacionismo. James, entretanto, não fez senão seguir uma direção que já antes fôra prevista e indicada por Thomas Brown.

Hoje, a associação das ideias já não é simplesmente uma lei psicológica, porém uma filosofia. POR ELA SE EXPLICAM AS OPERAÇÕES MAIS SIMPLES, COMO AS MAIS ELEVADAS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO (grifo e realce meus). Os grandes processos mentais, a inteligência, a razão, o conhecimento, são encadeamentos de associação; todas estas operações têm por base as manifestações fundamentais da sensibilidade, e a sensação por sua vez resulta de uma combinação de elementos nervosos inconscientes. A associação é, pois, o fato último a que tudo se reduz e pelo qual tudo se pode explicar. ‘O que a lei da gravitação é para a Astronomia, o que as propriedades elementares dos tecidos são para a fisiologia, as leis da associação das ideias o são para a psicologia’, afirma-o Stuart Mill.

Estamos, pois, em face de uma grande e poderosa doutrina QUE TERÁ DE ENTRAR COM VALIOSO CONTINGENTE PARA A CONSTITUIÇÃO DA CIÊNCIA DO FUTURO (grifo e realce meus). Com certeza a teoria ainda não se acha definitivamente estabelecida e terá que passar por modificações talvez radicais (através do Racionalismo Cristão, digo eu); mas o gérmen de grandes verdades se acha ali depositado.

A lei do mundo subjetivo foi descoberta, acreditam; resta aplicá-la com a devida perseverança na explicação dos fenômenos manifestados pela atividade psíquica. Desfez-se a obscuridade profunda das velhas indagações metafísicas. A alma deixou de ser uma entidade fantástica (grifo meu), passando a ser explicada como uma simples generalização do encadeamento dos fenômenos psíquicos, realizada em conformidade com as leis da associação das ideias. Foi assim introduzida a unidade no caos e, como por um novo prodígio, a luz se fez, não já em virtude do poder mágico da palavra divina, mas em consequência dos esforços do homem. O mundo objetivo e o mundo subjetivo passaram a ser compreendidos como duas correntes paralelas de manifestações naturais, nascidas ambas de uma fonte comum: as revelações da consciência (grifo meu). E no mundo objetivo tudo se reduz a movimento e tudo se explica por transformações do movimento; no mundo subjetivo tudo se reduz a representações e tudo se explica por combinações das representações (de imagens, complemento eu).

Hume havia reduzido todos os fatos da vida mental a estas três coisas: a impressão, a ideia e a ligação das ideias. Esta concepção, aceita por James Mill, interpretada e desenvolvida pelos modernos psicologistas, constitui ainda hoje a base da psicologia. A fórmula de James Mill é a mesma, havendo apenas mudanças de palavras: tudo se reduz a sensações, ideias e associações de ideias. A sensação é o fato primordial; a ideia uma cópia da sensação (a ideia não se liga à sensação, digo eu); e a associação das ideias, a lei que tudo regula e da qual se originam todas as operações do espírito. Eis em essência a teoria associacionista”.

É óbvio que o grande saperólogo cearense não chegou a apreender em seu fabuloso intelecto a realidade da concepção, de onde são formuladas as ideias, mas ele conseguiu conceber que as ideias se associam para a formulação de novas ideias, com todas elas estando interligadas e interagindo umas com as outras, que no caso aqui em questão não se trata de um raciocínio silogístico, mas sim sinóptico. Mas antes de eu adentrar na sinopse do conjunto se faz necessária a repetição de alguns esclarecimentos, pois que como já é mais do que sabido, eu sempre vou me utilizar da força da repetição para a explanação de A Filosofia da Administração.

Eu devo aqui evidenciar através da repetição, que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade não são obtidos pela associação de ideias, como todos julgam que assim seja, mas que não é, como jamais poderia ser. Note-se que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são captados do Espaço Superior por intermédio da percepção oriunda do órgão mental denominado de criptoscópio, portanto eles não são criados, pois que sempre existiram, por serem absolutos, imutáveis, ontológicos, daí a razão pela qual eles também são obtidos pelo método da dedução. No entanto, como eles não se encontram associados uns aos outros pelas ideias, passam a formar um todo. Enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria são criadas do Tempo Futuro por intermédio da compreensão oriunda do órgão mental denominado de intelecto, portanto elas são criadas, pois que nunca existiram, por serem relativas, mutáveis, empíricas, para que então possam ser aperfeiçoadas, daí a razão pela qual elas também são obtidas pelo método da indução. No entanto, como elas não se encontram associadas diretamente umas com as outras, passam a se ligar diretamente aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, justamente por isso a verdade e a sabedoria são coordenadas pela razão, por intermédio da consciência, que coordena o criptoscópio e o intelecto.

Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria são unidas, irmanadas, congregadas, por intermédio da coordenação oriunda do órgão mental denominado de consciência, de onde surge a concepção acerca do Universo, sendo através da concepção que se formulam as ideias universais. Então são as ideias que se associam, pois que elas têm com fontes os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, em que toda a parte metafísica do Universo se encontra formando um todo, com a sabedoria criando as experiências físicas correspondentes, portanto, definindo e explicando tudo, fornecendo o rumo a ser seguido por todas as coisas. Assim, por todo o Universo, a parte metafísica, que representa as causas, vai se correspondendo diretamente com a parte física, que representa os efeitos.

Como se pode facilmente constatar, há uma relação direta entre o criptoscópio e o intelecto, entre a verdade e a sabedoria, entre o conhecimento e a experiência, entre o captado e o criado, entre o poder e a ação, entre o metafísico e o físico, entre a causa e o efeito, entre o absoluto e o relativo, entre o ontológico e o empírico. E todas essas relações diretas se encontram em cada uma das coordenadas do Universo, para que através da concepção possamos formar uma ideia universal a respeito das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais para cada uma dessas coordenadas, e como as ideias se associam, podemos conceber uma ideia a respeito de todas as suas coordenadas, portanto, acerca do Universo.

Nós evoluímos por intermédio da propriedade da Força, que contém o espaço, e por intermédio da propriedade da Energia, que contém o tempo. Ambas as propriedades se encontram combinadas em inúmeros e inúmeros estágios, formando as estrelas, que fornecem todas as coordenadas do Universo, assim como também formando os fluidos, ou o éter, que delas são provenientes. Então o Universo se encontra contido em nossa alma, mais propriamente em nosso corpo fluídico, ou perispírito, consoante o nosso estágio evolutivo, portanto, em maior ou menor proporção. Em sendo assim, como realmente é assim, e como não poderia jamais ser diferente, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, obviamente que também se encontram contidos em nossas almas, para que se possa comprovar esta realidade, basta apenas transcendermos a este mundo e passarmos a nos conhecer a nós mesmos, como Jesus, o Cristo, assim nos ensinou.

Nós evoluímos também por intermédio da propriedade da Luz, através da qual nós formamos o nosso corpo de luz, de onde vem a nossa luz astral para perscrutarmos o Universo e desenvolvermos o nosso órgão mental denominado de consciência. É a nossa consciência que coordena o criptoscópio, o grande responsável por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e o intelecto, o grande responsável por compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes à verdade, por onde se alcança a razão, quando então nós abandonamos a fase da imaginação, deixando de raciocinar através das representações de imagens, combinando-as, e adentramos na fase da concepção, passando a raciocinar através das formulações de ideias, associando-as, com base na verdade e na sabedoria, apreendendo em nosso corpo mental o Saber, por excelência, em que a realidade do Universo se encontra em nós mesmos, pois que somos originários dos nossos Mundos de Luz, e tudo aquilo que se situa abaixo deles faz parte da nossa alma, sendo justamente por isso que a doutrina do Racionalismo Cristão vem afirmar que somos um universo em miniatura.

Como o criptoscópio diz respeito aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e o intelecto diz respeito às suas correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria, formando o Saber, por excelência, estando tudo isso apreendido em nosso corpo fluídico, ou perispírito, como sendo o próprio universo que nos diz respeito diretamente, que evidentemente é proporcional ao nosso estágio evolutivo, então a consciência coordena a tudo isso, em que com a nossa luz astral perscrutamos e percorremos toda essa parte do Universo que nos diz respeito diretamente, quando então podemos formular as ideias acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos universais. Todas essas ideias que foram formuladas se encontram em nós mesmos, com todas elas estando associadas umas às outras, interagindo entre si, formando um conjunto integrado e totalmente harmônico, compondo a nossa consciência.

Como se pode claramente constatar, estando os seres humanos ainda cativos da fase da imaginação, os seus corpos mentais representam tudo através de imagens, que eles vão combinando em conformidade com a profundidade dos seus raciocínios, formando os seus próprios universos pessoais, com todos eles sendo diferentes uns dos outros. E como essas imagens vão se alterando constantemente, em conformidade com o que elas passam a representar em suas combinações com as novas imagens que vão se apresentando constantemente, todos esses universos pessoais vão igualmente se alterando. Assim, como os seres humanos interagem apenas com o meio ambiente, ou seja, com a atmosfera terrena, para eles tudo é matéria, com tudo isso sendo apenas ilusão, mas como se tudo fosse concreto, quando eles não descambam direto para o sobrenatural, com tudo isso sendo apenas devaneio, o que impossiblita totalmente a convergência sobre os conceitos abstratos, fazendo surgir então o psitacismo, razão pela qual ninguém se entende neste mundo, vindo daí as divergências em formas de conflitos, de desentendimentos, de desavenças, e tudo o mais do gênero, pois que todos raciocinam apenas em conformidade com os seus próprios universos pessoais, havendo a convergência apenas naquilo que julgam seja a matéria ou o sobrenatural, mas mesmo assim com as opiniões sendo divergentes umas das outras.

Quando os seres humanos saírem da fase da imaginação em que ainda se encontram, que demonstra claramente o âmbito da irrealidade, e adentrarem na fase da concepção, que demonstra claramente o âmbito da realidade, esclarecendo-se acerca dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, portanto, espiritualizando-se, poderão assim abandonar gradativamente os seus universos pessoais e passar então a compartilhar do Universo. Na fase da concepção, os espíritos mais evoluídos, que são os espíritos de luz, passarão a ter a consciência do universo comum que existe em todos nós, e que está contido em nós mesmos, que por isso deve ser compartilhado com as mesmas ideias em comum. Assim, em conformidade com as coordenadas universais que consigam compartilhar entre si, todas as ideias serão convergentes, pois que dizem respeito aos mesmos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às mesmas experiências físicas acerca da sabedoria que lhes correspondem, sendo diretamente proporcionais as suas relações de causa e efeito. Mas aqueles que se encontrarem em coordenadas universais mais distantes possuirão ideias diferentes, o que é óbvio, uma vez que os seus conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as suas experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes são bem mais complexos, por isso as relações de causa e efeito são menos imperfeitas.

E aqui se explica novamente a razão pela qual os seres humanos menos evoluídos, mas que tenham se espiritualizado, depositem as suas fés nos seres humanos mais evoluídos, e estes, por sua vez, depositem as suas convicções naqueles, desde, é óbvio, que ambos tenham a plena consciência da proporção do Universo que existe em cada um, pois que tudo tem que ser realizado com base na consciência, portanto, na razão. Neste caso, sabendo-se que o Universo se encontra contido em Deus, então todos os espíritos de luz que aqui se encontram encarnados e que contêm as maiores proporções do Universo contidas em suas almas, serão os representantes de Deus para os menos evoluídos. É assim, e somente assim, que se pode estabelecer uma hierarquia espiritual neste mundo Terra, assim como existe essa hierarquia nos Mundos de Luz, daí a razão pela qual os espíritos mais evoluídos formam uma plêiade que compõe e identifica o Astral Superior.

E serão esses espíritos que se encontram encarnados e que contêm as maiores proporções do Universo contidas em suas almas, sendo, pois, os representantes de Deus para os menos evoluídos, aqueles que farão parte do rol dos poucos escolhidos, dos muitos que serão chamados, em obediência ao que foi determinado por Jesus, o Cristo. Dos muitos chamados os poucos que deverão escolhidos, assim o serão por intermédio do site pamam.com.br, em que nele todos os chamados serão devidamente avaliados, em inteira conformidade com os graus das suas evoluções espirituais.

Luiz de Mattos afirma que para provar inteligência não precisa de memória, no que está absolutamente correto. A explicação para isso é que a memória se torna bem mais exigida quando o ser humano se encontra na fase da imaginação, pois que raciocinando somente através das representações de imagens, combinando-as, a memória passa a ser exigida constantemente, para que desta maneira elas se façam representar no seu corpo mental, e assim é porque as imagens não são definitivas, alterando-se constantemente, em virtude das suas combinações. Além do mais, após a desencarnação, todas as imagens se apagam da memória do espírito, haja visto que elas fazem parte da ilusão, ou então do devaneio, deixando como benefício somente a extensão do raciocínio que foi utilizado para as suas combinações. Daí a razão do raciocínio silogístico.

Já na concepção a sistemática é completamente diferente, pois os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se encontram coordenados com as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, por intermédio da consciência, formando um conjunto, ou seja, um universo que é comum aos espíritos que se encontram na mesma coordenada do Universo. Esse universo que é comum aos espíritos se encontra contido nas almas de todos eles. Assim, esse conjunto possibilita a formulação das mesmas ideias acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos que se encontram sob a égide de uma mesma coordenada universal. Todas essas ideias se encontram associadas umas às outras.

Com todas essas ideias estando associadas e formando um conjunto, o espírito então com um golpe de vista lançado com a sua luz astral pode localizar quaisquer dessas ideias que em si mesmo se encontram contidas. No entanto, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são absolutos, imutáveis, ontológicos, enquanto que as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes são relativas, mutáveis, empíricas. Assim, à medida que o espírito vai evoluindo cada vez mais, ele vai aperfeiçoando constantemente as suas experiências físicas acerca da sabedoria em relação a determinados assuntos, o que implica em dizer que determinadas ideias vão também evoluindo, pois que a nossa meta é a busca da perfeição.

Eu quero com isso dizer que neste estágio evolutivo o raciocínio não é mais silogístico, mas sim sinóptico, pois que cada ideia que vai se aperfeiçoando, ou mesmo vai se alterando, através do aprendizado que se processa com o evoluir constante, quando então o espírito, com um golpe de vista lançado com a sua luz astral, modifica todas as demais ideias que se encontravam associadas a essa ideia que foi aperfeiçoada ou alterada, formando uma nova ideia geral sobre o universo que lhe compete, consoante o seu estágio evolutivo.

Há também o fato do espírito apreender em seu corpo mental um novo conhecimento metafísico acerca da verdade, criando uma experiência física acerca da sabedoria correspondente em relação a esse conhecimento, que pode modificar todas as ideias que se encontravam associadas a esta nova ideia. Assim como também o espírito pode ter criado algumas experiências físicas acerca da sabedoria que não condiziam exatamente com os conhecimentos metafísicos acerca da verdade que ele julgava serem correspondentes, retificando a essas ideias, quando então as ideias que se encontravam associadas são também retificadas, por conseguinte, a ideia geral relativa à coordenada universal.

Note-se que todas as ideias que são formuladas pelo espírito, dizem respeito diretamente aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, que se encontram contidos em sua alma, formando o seu saber, por isso não representam um resumo, um sumário, uma síntese, mas sim um conjunto total em que todas elas se associam, interagindo e se integrando umas com as outras em plena harmonia, pois se não fosse assim não poderia haver a existência do raciocínio sinóptico.

Tomemos o exemplo da ideia acerca da reencarnação. Todas as ideias que se associam com a ideias acerca da reencarnação podem ser transmitidas pelo espírito de uma maneira geral, e caso alguém venha a lhe expor uma ideia daquilo que já se encontra contido em sua alma, por exemplo, que o espírito reencarna vindo diretamente do seu Mundo de Luz, em nada vai alterar o conjunto das ideias que nele se encontram contidas.

No entanto, caso alguém venha a lhe expor uma ideia diferente daquilo que já se encontra contido em sua alma, por exemplo, que o espírito pode ser capaz de saber quem havia sido na encarnação passada, caso ele seja detentor de um raciocínio sinóptico, ele dá uma espécie de zom, do inglês zoom, em que com a sua luz astral ele consegue focar todas as ideias que nele se encontram contidas e que podem se associar com essa nova ideia, sem que perca o foco de nenhuma delas. Assim, caso ele considere que essa nova ideia possa se associar com lógica às suas demais ideias, ele a apreende e a incorpora ao seu conjunto, caso contrário, ele a apreende e a deixa em separado das suas demais ideias, até que posteriormente um conhecimento novo ou novas ideias surjam, quando então ele compara e a associa definitivamente ao seu conjunto, ou então a rejeita de vez.

E aqui se explica com lógica e racionalidade que os espíritos possuem as suas formações geométricas, as suas cores e os seus aromas, que vão se aperfeiçoando cada vez mais, isto pelo menos por enquanto, para não aprofundar muito aqui o assunto, pois eles também possuem outras características, como os sons e outros. Pelas seguintes razões:

  • Formações geométricas:
    • Em cada um dos Mundos de Luz existe uma verdadeira associação entre os espíritos que o habitam, com todos estando interligados entre si, em que as suas formações geométricas associadas formam um único conjunto, que por sua vez forma uma geometria única, cuja forma vai se aperfeiçoando cada vez mais, à medida que eles vão ascendendo aos páramos da espiritualidade. Estas formas geométricas são os formatos dos Mundos de Luz. As figuras geométricas que eles formam tendem a se harmonizar quando um deles se desloca do seu Mundo de Luz para outros Mundos de Luz menos evoluídos, engendrando fluidos, em que todos os espíritos habitantes destes Mundos de Luz menos evoluídos se reúnem em torno dele para que assim possam formar uma única corrente, em que as vibrações dos seus sentimentos, as radiações dos seus pensamentos, as radiovibrações das suas combinações e as raiações das suas luzes formam as mais espetaculares e exuberantes figuras geométricas.
  • Cores:
    • Os Mundos de Luz se situam no Universo segundo as coordenadas universais em que eles se encontram, as quais são fornecidas pelas propriedades da Força, que contém o espaço, e da Energia, que contém o tempo, que em suas inúmeras e inúmeras combinações formam as estrelas, de onde provêm os fluidos, que nos Mundos de Luz são diáfanos e nos mais adiantados já são translúcidos. E como cada uma das estrelas representa uma das coordenadas do Universo com o seu respectivo padrão de cor universal, é óbvio que os Mundos de Luz que se encontram sob a sua égide possuem o mesmo padrão de cor, por conseguinte os espíritos que os habitam.
  • Aromas:
    • O Universo não é inodoro, cada uma das suas coordenadas possui um aroma que lhe é característico. Assim, os Mundos de Luz que se localizam nas coordenadas universais que lhes são próprias possuem os seus próprios aromas, por conseguinte, os espíritos que os habitam adquirem os aromas dos Mundos de Luz que habitam. Note-se que no próprio ambiente geral terreno cada um dos seus ambientes específicos tem o seu próprio aroma, tais como os aromas do mar, das florestas, dos rios, das cidades, das ruas, dos lares, entre outros, e até dos lixões, em que os aromas destes são bastante desagradáveis. O corpo humano tem também os seus aromas característicos, e como que arremedando aos aromas dos espíritos, os seres humanos sempre procuram aromatizar aos seus corpos carnais, tornando-os agradáveis tanto para si mesmos como também para os seus próprios semelhantes, o que comprova sobejamente a existência da espiritualidade.

Já o idealismo exposto na literatura mundial, considera a ideia como sendo o princípio ou só do conhecimento, ou do conhecimento e do ser, o que leva esses idealistas a considerarem somente como certas as ideias do “eu”, avaliando em mera aparência a existência do mundo corpóreo, caracterizando uma das razões pelas quais os seres humanos ainda não fazem a mínima ideia do que venha a ser a própria ideia.

Mas o fato é que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são percebidos e captados do Espaço Superior, através do criptoscópio, e as experiências físicas acerca da sabedoria são compreendidas e criadas no Tempo Futuro, através do intelecto, com estas devendo ser correspondentes àqueles, quando então a consciência coordena aos dois outros órgãos mentais e possibilita formar uma concepção acerca do Universo, formulando as ideias universais, sendo este o verdadeiro idealismo. Neste caso, a ideia universal é que os seres são partículas de Deus, que evoluem por intermédio das propriedades da Força e da Energia, formando os seus corpos fluídicos, ou as suas almas, partindo do ser atômico até ao ser humano, quando neste estágio evolutivo o seu corpo fluídico pode ser denominado de perispírito, pelo fato do ser haver alcançado a espiritualidade, ocasião em que passa também a evoluir por intermédio da propriedade da Luz, formando o seu corpo de luz, que se agrega à sua alma, coordenando a força e a energia que existe em seu corpo fluídico ou perispírito.

Ignorando a tudo isso, aqueles que se denominam idealistas se situam em plena e total oposição aos materialistas, em que estes negam a existência do espírito e da alma, e aqueles negam a existência da matéria, no que estes estão absolutamente corretos, apesar do seu idealismo não ser compreendido em conformidade com a realidade. Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 1° volume, a página 270, sobre este antagonismo, afirma o seguinte:

Para o materialista não há espírito e o que se chama espírito é apenas um modo da matéria; para o idealista não há matéria e o que se chama matéria é apenas um modo do espírito. Nisto está a verdadeira distinção que deve ser estabelecida entre estes dois sistemas opostos de interpretação universal: o materialismo e o idealismo”.

E para comprovar de vez que o idealismo não é compreendido em conformidade com a realidade universal, consoante a realidade das ideias, vem Farias Brito em sua obra Finalidade do Mundo – 2° Volume, a página 117, afirmar o seguinte:

É visível o antagonismo em que está a doutrina do idealismo para com a doutrina do materialismo.

Locke estabelecera como ponto de partida de todo e qualquer sistema de investigação o seguinte: — nós só conhecemos o que nos é transmitido pelos sentidos. Partindo daí, os materialistas poderão argumentar deste modo: nós só percebemos pelos sentidos fenômenos materiais, sendo que tudo o que se sente, tudo o que se vê, ouve e apalpa, etc., é corpo ocupando o espaço; logo, tudo é matéria. Mas Berkeley, partindo do mesmo ponto, poderia também dizer por seu lado, e em sentido contrário; nós só percebemos pelos sentidos ideias, sendo que o que adquirimos de tudo o que se sente, de tudo o que se vê, ouve e apalpa, etc., são somente ideias. Ora, ideias são fenômenos de natureza puramente subjetiva, fenômenos de natureza puramente espiritual. Logo, tudo é espírito; e o que se chama matéria é, de fato, uma mera ilusão dos sentidos”.

A confusão instalada nas mentes dos estudiosos, principalmente nas mentes dos veritólogos que se esforçavam por encontrar a verdade, antes do advento da doutrina do Racionalismo Cristão, é por demais gritante, pois que todos eles empregavam um grande esforço para concluir a respeito da origem dos conhecimentos, mas sem que estivessem ao menos próximos de alcançar a esse desiderato. Partindo do princípio de que a alma seja no começo uma tabula rasa, vazia de todos os caracteres, sem uma ideia qualquer, eles mesmos indagam: como ela vem a conceber as ideias? Por que meio adquire a essa prodigiosa quantidade de concepções que a imaginação do homem sempre ativa e sem limites lhe apresenta em variedade infinita? De onde se tira esses materiais que são como a riqueza de todos os seus raciocínios e de todos os seus conhecimentos? A todas estas indagações, mesmo sendo um veritólogo e não um saperólogo, Locke responde com apenas uma palavra: da experiência! E aqui se pode constatar a real confusão instalada nas mentes desses grandes homens, pois que desta imaginação, e não concepção, em que se antagonizam o materialismo e o idealismo, surge uma forma de ceticismo. Farias Brito, em sua obra A Base Física do Espírito, as páginas 117 e 118, descreve a toda essa confusão mental da seguinte maneira:

Desta concepção (da experiência respondida por Locke, que é imaginação e não concepção, digo eu) resultaram imediatamente: por um lado, o materialismo, com La Mettrie, Diderot, Helvetius, d’Holbach; por outro lado, o idealismo, com Berkeley.

Os materialistas argumentam assim: todo o conhecimento deriva da sensação. Ora, a sensação só pode ser impressionada por corpos e só nos representa corpos. Logo, tudo é corpo, tudo é matéria.

A isto responde Berkeley: todo o conhecimento deriva da sensação. Mas pela sensação só percebemos ideias. Logo, tudo é ideia, tudo é espírito.

O materialismo nega o espírito, o idealismo nega a matéria. Veio, porém, Hume e negou ao mesmo tempo a matéria e o espírito. Era ser coerente até o fim e tirar a consequência, não parcial, mas total, das premissas de que partiam o materialismo e o idealismo. O materialismo diz: tudo é matéria; logo não há espírito. O idealismo diz: tudo é espírito, logo não há matéria. Hume aceita de ambos a negação e, fazendo a síntese, afirma: não há matéria, nem espírito; mas somente impressões sensíveis, fenômenos da sensibilidade. O ceticismo vem, pois, como uma síntese das duas negações em que se fundam aqueles dois sistemas opostos”.

Todos os seres humanos têm o direito de pensar aquilo que queiram pensar, sendo por isso que existe o livre arbítrio. E se esses pensamentos são totalmente materializados, o direito de assim pensar permanece inalterado. O que é de se lamentar é que os materialistas procuram definir a vida de todas as maneiras possíveis e imaginárias, considerando que ela depende do carbono e outros seres infra-humanos mais, sem atentarem para o fato de que os seres humanos não podem jamais depender da matéria para que possam viver, dada a sua superioridade inteligencial. Assim, os materialistas não se dão conta das suas próprias existências, pois que desta maneira a vida se extingue na sepultura, que por sua vez é um procedimento errado, quando o certo é a cremação. E se assim a vida se extingue na sepultura, sendo ela efêmera, então não vale a pena viver, neste caso não se deve perder tempo em defini-la. Para quê? Se ela é vivida por brevíssimo tempo? E aqui os devaneios da imaginação se fazem realmente presentes, pois tanto os materialistas como os demais seres humanos vivem no âmbito da irrealidade, iludidos com a aparência que o ambiente terreno proporciona. Somente se pode definir a vida partindo do conhecimento primordial acerca da existência de Deus, que é o Criador, o Todo, a Inteligência Universal. Huberto Rohden, em sua obra O Pensamento Filosófico da Antiguidade, a página 244, tratando acerca do assunto, revela a sua alta espiritualidade, quando afirma o seguinte:

O homem que ignora tanto o Deus transcendente como o Deus imanente, isto é, o agnóstico integral, toma os fenômenos do mundo visíveis pela realidade eterna, tornando-se assim um cultor das aparências, ou seja, um materialista.

O materialista é vítima da ilusão”.

Os estudiosos costumam dividir as teorias do idealismo em dois grupos, o idealismo subjetivo, que toma como ponto de partida o fato dado à consciência humana de ver o mundo existente como uma combinação de sensações, e o idealismo objetivo, que postula a existência de uma consciência objetiva que existe antes e, em certo sentido, independentemente da humana.

Em sentido sociológico, o idealismo enfatiza como as ideias humanas, especialmente crenças e valores, moldam a sociedade. Como doutrina ontológica, o idealismo vai além, afirmando que todas as entidades são compostas de mente ou espírito. Desta maneira, o idealismo rejeita as teorias fisicalistas e dualistas que não atribuem prioridade à mente.

Como se pode claramente constatar, o Idealismo é um termo com vários significados relacionados. Alguns entendem que os idealistas representam o mundo como poderia ou deveria ser, diferentemente dos pragmáticos, que se concentram no mundo como ele é atualmente. Mas, de qualquer maneira, qualquer doutrina que atribua uma importância relevante ao reino ideal ou espiritual em sua descrição da existência humana pode ser denominada de idealista. Vejamos alguns tipos de idealismo, segundo a literatura mundial:

  • Idealismo imaterialista: é o idealismo defendido por Berkeley, que partindo de uma perspectiva empirista, na qual a realidade se confunde com aquilo que dela se percebe, conclui que os objetos materiais se reduzem a ideias na mente de Deus e dos seres humanos;
  • Idealismo dogmático: é o idealismo que se caracteriza por negar a existência dos objetos exteriores à subjetividade humana, termo cunhado pelo veritólogo alemão Kant, para designar uma orientação idealista com a qual não concorda, em que o seu oposto é o idealismo transcendental;
  • Idealismo pluralista: é o idealismo que considera que existem muitas mentes individuais, que juntas sustentam a existência do mundo observado e possibilitam a existência do universo físico. A forma do idealismo de Leibniz, conhecida como pampsiquismo, vê as mônadas como os verdadeiros átomos do Universo e como entidades que têm percepção. As mônadas são formas individuais de ser, elementares, individuais, sujeitas às suas próprias leis, sem interação, cada uma refletindo o universo inteiro, sendo centros de força, que é substância, enquanto espaço, matéria e movimento, são fenomenais e a sua forma e existência dependem das mônadas simples e imateriais. Existe uma harmonia pré-estabelecida por Deus, a mônada central, entre o mundo nas mentes das mônadas e o mundo externo dos objetos;
  • Idealismo transcendental: é o idealismo da doutrina kantiana, segundo a qual os fenômenos da realidade objetiva, por serem incapazes de se mostrar aos homens exatamente tais como são, não aparecem como coisas em si, mas como representações subjetivas, construídas pelas faculdades humanas de cognição. O seu oposto seria o idealismo dogmático.
  • Idealismo absoluto: é o idealismo inerente ao hegelianismo, doutrina caracterizada pela suposição de que a única realidade plena e concreta é de natureza espiritual, sendo a compreensão materialística ou sensível dos objetos um estágio pouco evoluído e superável no paulatino desenvolvimento cognitivo da subjetividade humana.

 

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