08.02- Hegel

A Era da Verdade
6 de fevereiro de 2020 Pamam

Georg Wilhelm Friedrich Hegel encarnou em Stuttgard, na Alemanha, em 1770, e desencarnou em Berlim, Alemanha, em 1831, tendo sido um veritólogo germânico que pode ser incluído no que se chamou de idealismo alemão. Ainda no seminário de Tübingen, juntamente com Schelling e Hölderlin, Hegel escreveu o que chamaram de o mais antigo programa de sistema do idealismo alemão, tendo posteriormente desenvolvido uma sistema saperológico que denominou de Idealismo Absoluto, uma saperologia considerada capaz de compreender discursivamente o absoluto, de atingir um saber do absoluto, saber cuja possibilidade fôra, de modo geral, negada pela crítica de Kant à metafísica.

Hegel descreve a sua concepção filosófica no prefácio de uma de suas mais célebres obras, a Fenomenologia do Espírito, da seguinte forma:

Segundo a minha concepção — que só deve ser justificada pela apresentação do próprio sistema — tudo decorre de entender e exprimir o verdadeiro não como substância, mas também, precisamente, como sujeito. Ao mesmo tempo, deve-se observar que a substancialidade inclui em si não só o universal ou a imediatez para o saber… A substância viva é o ser, que na verdade é o sujeito, ou — o que significa o mesmo — que é na verdade efetivo, mas só na medida em que é o movimento de se pôr a si mesmo, ou a mediação consigo mesmo de se tornar outro. Como sujeito, é a negatividade pura e simples, e justamente por isso é o fracionamento do simples ou a duplicação oponente, que é de novo a negação dessa diversidade indiferente e do seu oposto. Só essa igualdade se reinstaurando, ou só a reflexão em si mesmo no seu ser-outro, é que são o verdadeiro, e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir a ser de si mesmo, o círculo que pressupõe o seu fim como a sua meta, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante a sua atualização e o seu fim”.

Hegel estudou no seminário de Tübingen com o poeta Friedrich Hölderlin e o veritólogo Schelling, com os três estando atentos, embora muitas vezes discordassem, ao desenvolvimento da Revolução Francesa, e colaboraram em uma crítica das saperologias idealistas de Kant e do seu seguidor Johann Fichte.

Depois de ter se tornado tutor em Berna e em Frankfurt, Hegel começou a lecionar na Universidade de Jena, onde permaneceu pelo período de 1801 a 1806. Após a vitória de Napoleão Bonaparte, ele abandonou a Universidade de Jena e se tornou professor das ciências preparatórias do Ginásio de Nuremberg, em 1808, passando a ser o seu reitor em 1809. Em 1816, ocupou uma cátedra na Universidade de Heidelberg. Em 1818, sucedeu a Fichte como professor de Filosofia na Universidade de Berlim, posto que ocupou até a sua desencarnação.

A primeira e a mais importante das obras maiores de Hegel é a sua Fenomenologia do Espírito. Quando ainda em vida, ele viu publicada a Enciclopédia das Ciências Filosóficas, a Ciência da Lógica e os Princípios da Filosofia do Direito. Várias outras obras sobre a filosofia da história, credo, sob a denominação de religião, estética e história da filosofia foram compiladas a partir de anotações feitas por seus estudantes, tendo sido publicadas postumamente.

As obras de Hegel possuem a fama de serem difíceis, dizem que devido à amplitude dos temas que pretende abarcar. Diz a tradição que quando saiu a tradução francesa da Fenomenologia do Espírito, muitos estudiosos alemães foram tentar estudar a obra pela tradução francesa, com o intento de entenderem melhor o árido texto hegeliano. A razão das suas obras serem de difícil compreensão se prende ao fato de que os veritólogos são perceptivos, e não compreensivos, por isso eles escrevem com base nas suas percepções, já que as suas compreensões não são assim tão relevantes. Os estudiosos do assunto reconhecem que a sua filosofia é realmente difícil, mas consideram que isso não se deva necessariamente a uma confusão na escrita, embora realmente haja confusão, pois, afinal, Hegel era crítico das filosofias claras e distintas, uma vez que para ele o negativo era constitutivo da ontologia, assim, neste sentido, a clareza não seria adequada para conceituar o objeto, mas introduziu um sistema para compreender a história da filosofia e do mundo mesmo, chamado geralmente de dialética, uma progressão na qual cada movimento sucessivo surge como solução das contradições inerentes ao movimento anterior.

Hegel é considerado como sendo o filósofo da totalidade, do saber absoluto, quando, na realidade, o Saber absoluto só se encontra na Inteligência Universal, embora nós humanos tenhamos acesso ao Saber, por excelência, que são os conhecimentos metafísicos acerca da verdade em união, irmanação, congregação, com as experiências físicas acerca da sabedoria.

Assim como do fim da história, cuja especulação sustenta, como o próprio nome sugere, o fim dos processos históricos caracterizados como sendo processos de mudança, indica que para o veritólogo, isso iria acontecer no momento em que a nossa humanidade alcançasse o equilíbrio, representado pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica, mas com prazo indeterminado para ocorrer. Essa especulação foi retomada no final do século XX, adquirindo o caráter de situação já ocorrida, pois segundo alguns estudiosos a História terminou no episódio da queda do muro de Berlim, quando naquele momento os antagonismos teriam terminado, pelo fato de a partir de então haver apenas uma única potência, os Estados Unidos da América, e, consequentemente, uma total estabilidade.

Para Hegel, o fim da história era a parusia do espírito, com o desenvolvimento histórico podendo ser equiparado ao desenvolvimento de um organismo, cujos componentes têm funções definidas, sendo que enquanto trabalham, afetam os restantes. Assim, o veritólogo acredita em uma norma divina, fulcrada no princípio de que em tudo se encontra a volição de Deus, que é conduzir o homem para a liberdade, sendo então considerado como um panteísta. Justifica a desgraça histórica, todo o sangue e a dor, a pobreza e as guerras, como constituintes do preço necessário a ser pago para se alcançar a liberdade da nossa humanidade.

Vale aqui salientar que a História narra apenas os fatos ocorridos, quando, na realidade, ela tem que ser interpretada a partir de 4.000 anos atrás, com o início de A Era da Sabedoria, com a encarnação de Hermes, a primeira encarnação de Jesus, o Cristo, neste nosso mundo-escola, em conformidade com o plano de espiritualização da nossa humanidade, formulado pelo próprio Jesus, o Cristo, quando ainda na condição do Antecristo, ocasião em que se deslocou da sua humanidade para a nossa com o fim de nos espiritualizar e estabelecer em nossa humanidade o instituto do Cristo. No tocante ao equilíbrio da nossa humanidade, este somente será alcançado quando for estabelecido um Estado Mundial, mas, antes disso, muito em breve, muitas mudanças deverão ocorrer, tal como a separação do joio do trigo, como Jesus, o Cristo, assim determinou, pois que devemos adentrar na A Era da Razão, pondo um final na A Era da Verdade.

A dialética é uma das muitas partes do sistema hegeliano que não foi compreendida ao longo do tempo. De fato, ao expor os seus sentimentos com base em seu criptoscópio, ele não logrou ser compreendido, uma vez que não tinha o intelecto desenvolvido o suficiente para expor as suas teorias “a priori” com a inserção de experiências físicas acerca da sabedoria, para que assim pudesse fazer eco na compreensão. A dialética é própria dos intelectuais, mais propriamente dos saperólogos, como podemos observar em Platão, nos processos de diálogos, cujos interlocutores eram comprometidos com a verdade, que estando transportados ao Tempo Futuro, criando a sabedoria, elevavam as suas almas ao Espaço Superior, afastando-se das aparências sensíveis e adentrando nas realidades inteligíveis, formulando ideias; e como podemos observar em Aristóteles, que tendo compilado os conhecimentos dos veritólogos pré-socráticos e se baseando nelas, através de um raciocínio lógico, coerente com o seu encadeamento, fundamentou-se em ideias apenas prováveis, por esta razão traz em seu âmago a possibilidade de ser refutado.

Hegel afirma que tudo o que é real, é também racional, e, em corolário, tudo o que é racional, é também real, no que se encontra redondamente enganado, pois que a nossa humanidade ainda vive na fase da imaginação, portanto, na mais absoluta irrealidade, mas nem por isso deixam os seres humanos de serem racionais.

Para Hegel, tudo é inteligível para o ser, que idêntico no seu fundo com o espírito ou a ideia infinita, manifesta-se no Universo concreto graças ao movimento dialético: tese, antítese e síntese. De fato, Deus, ou a Inteligência Universal, não tem segredos para com as suas partículas, mas é preciso que se evolua, e evolua muito, para que o espírito possa desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, o que o faz por intermédio dos seus órgãos mentais, que são o criptoscópio, responsável por perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, tendo por base a moral, para que possa se elevar ao Espaço Superior, o repositório da verdade; o intelecto, responsável por compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, tendo por base a ética, para que possa se transportar ao Tempo Futuro, o campo da sabedoria; e a consciência, responsável por coordenar o criptoscópio e o intelecto, em decorrência, a verdade e a sabedoria, por onde se alcança a razão. Quanto ao movimento dialético, isto não passa de imaginação por parte de Hegel.

Ressalte-se que Hegel considerou acertadamente como ponto de partida o ser, que é a noção mais simples e mais abstrata, já que todos os seres são provenientes do Ser Total, por isso é a luz inteligível que ilumina todas as ideias.

 

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