08.01- Fichte

A Era da Verdade
30 de janeiro de 2020 Pamam

Johann Gottlieb Fichte encarnou em Rammenau, na Saxônia, no ano de 1762, e desencarnou em Berlim, no ano de 1814, tendo sido um veritólogo alemão e o primeiro dos grandes idealistas. Era um dos dez filhos de um modesto artesão. Desde menino já sobressaía por sua capacidade em resumir precisamente o sermão dominical do pastor, quando então um nobre da região decidiu cuidar da sua educação, na escola principesca de Pforta, onde passou seis anos muito difíceis, sofrendo com a rigidez da hierarquia escolar, tentando por vezes até fugir. Nesse mesmo período, o veritólogo começou a se atualizar nas discussões mais importantes que estavam acontecendo nos meios veritológicos, ocupando-se principalmente da controvérsia entre Lessing e o teólogo Goeze, pastor principal de Hamburgo, sobre a relação entre o Iluminismo e a Teologia.

Em 1780, não se sabe se por influência dos seus pais, ou se por vontade própria, Fichte passa a estudar Teologia em Jena. No embate que existia entre a liberdade e o determinismo ele se manifestava a favor do determinismo.

Em 1784, em função da necessidade financeira e sem haver concluído os seus estudos, o veritólogo passa a trabalhar como preceptor, primeiramente em Leipzig, depois em Zurique, onde conhece Johana Rahn, uma sobrinha do poeta Klopstock, que mais tarde será a sua esposa.

Fichte decidiu dedicar a sua vida à Veritologia, depois de ler as três Críticas de Kant, publicadas em 1781, 1788 e 1790. Em 1790, ele volta para Leipzig, onde um dos seus pupilos solicita para ter lições sobre a saperologia kantiana. Apesar de mal conhecer as obras de Kant, o veritólogo aceita a solicitação e passa a estudar com afinco as obras de Kant, tendo conseguido apreender as três Críticas em poucas semanas. A leitura das Críticas foi de suma importância para que Fichte viesse a superar o determinismo, fazendo com que se evidenciasse que o “novo mundo” é o mundo da liberdade, que se evidenciava como a chave para entender toda a estrutura da razão, como se a razão pudesse ser entendida sem a verdade e a sabedoria. Em carta a Johana Rahn, o próprio Fichte diz que “a vontade humana é livre, e a felicidade não é o fim do nosso ser, mas a dignidade de ser feliz”. São essas convicções advindas de Kant, que tornam Fichte um veritólogo aos vinte e oito anos de idade.

A sua investigação de uma crítica de toda a revelação obteve a aprovação de Kant, que pediu ao seu próprio editor para publicar o manuscrito, cujo livro surgiu em 1792, sem o nome e nem o prefácio do autor, tendo sido saudado amplamente como sendo uma nova obra kantista. Quando Kant esclareceu o equívoco, Fichte se tornou famoso da noite para o dia e foi convidado a lecionar na Universidade de Jena, mas acusado de ateísmo perdeu o emprego e se mudou para Berlim.

A sua obra é considerada pelos estudiosos do assunto como sendo uma ponte entre os sentimentos de Kant e os de Hegel, e assim como Descartes e Kant, interessou-se pelo problema da subjetividade e da consciência, escrevendo também trabalhos sobre a saperologia política, tendo sido um dos fundadores do nacionalismo germânico, no contexto do expansionismo napoleônico, o que fez com que fosse frequentemente vinculado ao pangermanismo, uma forma de nacionalismo étnico ideológico cujo movimento visava agrupar em um mesmo Estado os povos de origem germânica, que no final do século XIX assumiria um caráter abertamente etnocêntrico, tendo afinal se tornado um dos pilares da política externa de regresso ao reich, adotada pela Alemanha nazista a partir do ano de 1938.

Fichte exerceu uma forte influência sobre os representantes do idealismo alemão, assim como sobre as teorias saperológicas de Friedrich Schelling e George Hegel. As suas obras principais são a Doutrina da Ciência, Doutrina do Direito e os Discursos à Nação Alemã, tendo pronunciado os seus Discursos em plena ocupação militar do seu país pelos exércitos napoleônicos, conclamando o povo a construir a nação, superar a dominação estrangeira e as estruturas feudais ainda predominantes no país e que impediam a sua unificação, uma processo que somente seria concluído muito mais tarde, em 1871.

Para Fichte, o homem só será moralmente completo ao se relacionar com outras pessoas, e como são diversos os homens, diversas são também as aspirações, com elas podendo entrar em oposição. Para gerir as diversas oposições das aspirações humanas é que surge o Estado e o Direito. O “eu” é livre, mas na convivência com os outros seres livres ele deve limitar a sua liberdade, ou seja, cada ser livre deve demarcar a sua liberdade para que cada um possa praticar a sua própria liberdade.

O veritólogo se preocupa com a educação, em especial com a educação pública, considerando que a educação tem que ser pública e, neste sentido, encontrar a fundamentação em um Estado de direito, encontrando a sua normatividade em uma ordenação jurídica. Por outro lado, a educação tem um caráter humano e pessoal, ou seja, ela deve ser guiada por uma vontade humana de autorrealizar a sua liberdade. Essa educação para a liberdade exige a instauração das condições materiais necessárias para a sua realização, mas ela é também um projeto social e exige uma realização enquanto coletividade.

 

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