07- A JUDEIA

A Era da Sabedoria
21 de setembro de 2018 Pamam

Situada entre as capitais do Nilo e as do Tigre e do Eufrates, esta circunstância trouxe à Judeia tanto o comércio como a guerra, pois de tempos em tempos os judeus eram obrigados a tomar partido nas guerras entre os impérios que se digladiavam entre si, ou então a pagarem tributos para não serem atacados.

Como que a confirmar que Hermes era instrumento do Astral Superior, enquanto Abraão era instrumento do astral inferior, com tudo isso representando a primeira parte do plano de espiritualização da nossa humanidade, correspondente à Era da Sabedoria, os judeus acreditavam que o povo de Abraão, todos instrumentos de Jeová, o deus bíblico, tinha vindo de Ur, na Suméria, e havia se estabelecido na Palestina mil anos ou mais antes de Moisés, e que a conquista dos canaanitas consistiu apenas na ocupação da terra prometida por Jeová. O Amrafael, mencionado no Gênesis como o rei de Shinar, naqueles dias, era Amarpal, pai de Hamurabi e o seu predecessor no trono da Babilônia.

A encarnação de Salomão fez o país passar rapidamente do estágio agrícola para o industrial. Mas os impostos empregados em seus empreendimentos eram muito pesados para o povo, por isso, depois de concluídas as obras e de vinte anos de indústria, o proletariado formado em Jerusalém, por falta de emprego, debandou para o facciosismo político e para a corrupção, esta praga que ainda hoje se conserva atuante e que assola os dias de hoje.

A crescente separação entre os necessitados e os ricos, como também a agravação dos conflitos entre a cidade e o campo, provenientes da industrialização, influíram na divisão da Palestina em dois reinos hostis, depois da morte de Salomão. Um reino ao norte, Efraim, cuja capital era Samaria; e um reino ao sul, Judá, cuja capital era Jerusalém. A partir daí os judeus se enfraqueceram, em virtude do ódio fraterno, tendo muitas vezes travado cruéis batalhas.

Logo depois da morte de Salomão, Jerusalém foi capturada por Sheshonk, faraó do Egito, então para apaziguar o ânimo dos vencedores, os judeus lhes entregaram quase todo o ouro que Salomão havia armazenado em seu tempo.

Foi nesse ambiente de desastre político, de guerras fratricidas e de degeneração credulária que os profetas apareceram. Os homens a quem a palavra profeta primeiro se aplicou não eram do caráter que a nossa reverência associa a Amoz e a Isaías. Alguns não passavam de adivinhos, que por dinheiro liam os segredos do passado e do presente, assim como previam o futuro. Outros eram fanáticos que se entregavam com frenesi a estranhas danças e a bebidas, e quando em transe pronunciavam palavras inspiradas. Todos eram obsedados pelos espíritos do astral inferior. Por isso, Jeremias assim disse: “Cada homem que é louco faz de si um profeta”.

Amoz descreveu a si próprio não como profeta, mas como um simples pastor. Havendo deixado o seu rebanho para visitar Bet-El, horrorizou-se com a complexidade da vida urbana, a desigualdade das fortunas, a ferocidade da competição e a crueldade da exploração humana, então resolveu chicotear aos ricos desprovidos de consciência. O idealismo de Amoz o fez pôr na boca de um deus — espírito quedado no astral inferior — várias ameaças, cuja severidade e excesso levaram alguns a simpatizar com os bebedores de vinho e os ouvintes de música.

Foi durante o assédio de Jerusalém pela Assíria que o profeta Isaías se tornou uma das maiores figuras da história judaica. Diferentemente de Amoz, o seu perfil era o de um estadista, pois convencido de que a pequena Judá não resistiria ao poder da Assíria, ainda que com a ajuda do Egito, convenceu ao rei Ahaz, e depois ao rei Ezequias, para que ficassem neutros na guerra entre a Assíria e Efraim. E assim como Amoz e Oseias, ele previu a queda de Samaria e o fim do reino do Norte, mas para isso não precisava ser profeta, bastava apenas prever os acontecimentos em circunstância do presente.

Quando os assírios assediaram Jerusalém, Isaías aconselhou ao rei a não ceder. A súbita retirada dos exércitos de Senaquerib veio justificar o seu conselho ao rei, fazendo com que a sua reputação aumentasse no conceito do rei e do povo. Muito entusiasmado e sendo completamente místico, Isaías achava que todo o resto ficaria a cargo de Jeová, o deus bíblico, o qual poderia utilizar a Assíria como o seu instrumento, mas que no fim também a destruiria, em face da belicosidade desse deus. E não somente a Assíria, mas também todas as nações que eram suas conhecidas estavam destinadas a serem destruídas por Jeová, tais como Moab, Síria, Etiópia, Egito, Babilônia e Tiro, dizendo ele que “cada uma chorará”. Essa ânsia demonstrada pela destruição de outras nações, essa ladainha de maldições, enche o livro de Isaías, como o faz também a toda a literatura profética da mentirosa, perigosa e nociva Bíblia. Como um ser humano raciocinante pode seguir com ardor a tanta estupidez!

Não esquecendo aqui a primeira parte do plano de espiritualização da nossa humanidade, em que o espírito vindo da humanidade a qual seguimos na esteira evolutiva do Universo, encarnou como Hermes, no Egito, como Krishna, na Índia, como Confúcio, na China, como Platão, na Grécia, e, finalmente, como Jesus, o Cristo, ainda encarnaria na Palestina para se encontrar com os descendentes de Abraão, que era o povo judeu, dando origem então ao falso cristianismo, uma vez que o endeusaram, ao invés de considerá-lo como sendo um espírito de elevadíssima categoria, na época o chefe da nossa humanidade, quando então, após a desencarnação de Luiz de Mattos, nomeou-o nosso chefe.

Pode-se dizer que foi justamente sobre o judaísmo posterior aos tempos do Exílio que os profetas realmente se fizeram valer, pois em Amoz e em Isaías podemos observar o começo do dito cristianismo, posteriormente ainda mais deturpado, em que o falso cristianismo prepondera até aos dias de hoje, quando esses dois profetas se constituem na fonte da primitiva concepção judaica do Messias, embora erroneamente, já que eles previam que o Cristo se asseguraria do governo, restabeleceria o poder temporal dos judeus e inauguraria a ditadura do proletariado.

Uma das mais perniciosas ações dos judeus foi a composição da Bíblia. Como os sacerdotes estavam preocupados com a derivação do povo da adoração de Jeová para a de deuses de fora, todos espíritos obsessores quedados no astral inferior, eles consideraram uma última alternativa contra essa desintegração da fé nacional. Então agindo tal e qual os profetas, que atribuíam a Jeová uma paixão ardente das suas próprias almas, resolveram dar ao povo uma comunicação desse deus em pessoa, pela qual revigorasse alguma moral na vida da nação e, ao mesmo tempo, atraísse o apoio dos profetas por meio da inserção dos seus pensamentos menos extremados. Conquistaram de imediato para essa última alternativa a colaboração do rei Josias, e no 18º ano do seu governo o sacerdote Hilkiah anunciou que havia “encontrado” nos arquivos secretos do Templo um maravilhoso rolo no qual o próprio Moisés, sob o ditado direto de Jeová, regulara, de modo definitivo, todos os problemas que eram debatidos. Sob o ambiente de grande sensação acerca do “achado”, o rei Josias reuniu no Templo os mais velhos de Judá e lhes deu o “Livro da Lei”, na presença de um grande público, e jurou solenemente que dali por diante respeitaria as leis “encontradas”, fazendo com que toda a assistência se conformasse com aquilo.

Tal ação impetrada por parte dos judeus proporcionou a que os sacerdotes, desde esse tempo até aos tempos atuais, pudessem montar uma verdadeira fábrica de cretinos, os quais procuram seguir rigorosamente as maluquices contidas nesse livro. E mais: seguem rigorosamente aos sacerdotes que se julgam os grandes interpretadores dos seus textos, os quais podem ser interpretados ao bel prazer de cada um, uma vez serem, praticamente, todos sem pé e sem cabeça, tomando-se como paradigma a razão.

Jeremias foi um profeta que denunciou os governantes de Judá como teimosos e loucos, aconselhando a completa submissão a Nabucodonosor, ao ponto de levantar suspeitas entre os estudiosos da modernidade se ele havia sido realmente um agente pago pela Babilônia, pois o deus de Jeremias diz o seguinte:

Eu fiz a Terra, o homem e os animais, e agora entreguei todas estas terras nas mãos do meu servo Nabucodonosor, o rei da Babilônia… E todas as nações o servirão. A nação ou o reino que não servir a Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não submeter o pescoço ao jugo, a essa nação eu punirei com a espada e com a fome e com a peste, até que a tenha consumido pelas mãos dele”.

Por aqui se pode compreender o porquê de Nabucodonosor, depois de longo reinado e constante prosperidade, haver sido contraído da mais estranha loucura, e nesta enfermidade, considerando-se um animal irracional, andava como se tivesse quatro patas, percorrendo os campos e comento ervas.

De tão perturbado que era mentalmente, em virtude das ações praticadas pelos espíritos obsessores, Jeremias passou a andar com uma canga de madeira presa ao pescoço, pregando a todos que Judá tinha que se submeter ao jugo da Babilônia, e quanto mais pacificamente melhor. Quando Ananias lhe arrancou aquela canga, ele clamou que Jeová iria fazer cangas de ferro para todos os judeus. Quanta obsessão! Os sacerdotes tentaram fazê-lo calar, prendendo-o a um tronco, mas, mesmo assim, com o pescoço preso, continuou a denunciá-los e a clamar por Jeová. Os sacerdotes então o conduziram ao Templo com a nítida intenção de matá-lo, mas com a ajuda dos amigos o profeta conseguiu fugir. Depois os príncipes o prenderam e o desceram por meio de cordas a um calabouço cheio de lama, mas Zedekiah o transferiu para uma prisão menos infecta, no seu próprio palácio. Lá, os babilônios o encontraram, quando invadiram a cidade. Por ordem de Nabucodonosor o trataram com cortesia e o isentaram das obrigações do exílio geral. Mas foi na velhice que Jeremias escreveu as Lamentações, cujo livro se encontra no Velho Testamento. Nas Lamentações ele chorava a realização das suas profecias e clamava aos céus as irrespondíveis questões de Jó. Quanta perturbação mental!

E ainda dizem por aí que esses profetas perturbados foram inspirados por Deus, quando, na realidade, eles foram inspirados sim, mas por um espírito obsessor quedado no astral inferior metido a ser um deus e pelos seus anjos negros, tendo sido todos joguetes desses espíritos obsessores, que os intuíam para que eles falassem as suas baboseiras relativas ao futuro.

Enquanto isso, Ezequiel, outro pregador, agora na Babilônia, tomava para si a tarefa profetizante. Ele pertencia a uma família sacerdotal que fôra lançada ao cativeiro. Começou as suas prédicas ao modo de Isaías e Jeremias, denunciando a idolatria e a corrupção em Jerusalém. Comparava Jerusalém a uma prostituta, porque vendia os seus favores aos deuses de fora, outros espíritos obsessores da laia de Jeová, e, também, comparava Samaria e Jerusalém como duas prostitutas, só que gêmeas, com a palavra prostituta sendo frequente em suas pregações. Ezequiel elaborou uma lista com os pecados de Jerusalém e a condenou à captura e a destruição. Assim como Isaías, mas não tão amargo como Jeremias, condenava as nações que conhecia, e anunciou a queda de Moab, Tiro, Egito, Assíria e até o misterioso reino de Magog. Em seu delírio, declarou que Jeová salvaria aos remanescentes dos judeus e previu a ressurreição da cidade. Descreveu em visão o novo Templo que lá seria construído e concebeu utopicamente uma organização em que os sacerdotes seriam os supremos e Jeová moraria com o seu povo.

Logo após, um autor desconhecido resolveu completar o livro de Isaías, despertando o credo que já era efêmero na alma das novas gerações, e o fez a levantando ao nível mais alto jamais conseguido por qualquer outro credo estabelecido no Oriente Próximo. Este segundo Isaías anunciou aos exilados judeus a primeira revelação nitidamente clara do monoteísmo, e lhes ofereceu um novo deus mais detentor da capacidade do amor e mais acessível a uma inexistente misericórdia do que o amargo, iracundo e vingativo Jeová do primeiro Isaías. Em palavras que um futuro evangelho iria dar como saídas de Jesus, este segundo Isaías, bem mais compenetrado que os demais profetas, mas também perturbado, como veremos logo adiante em suas palavras, anunciou a sua missão, que consistia em não mais amaldiçoar o povo pelos seus pecados, mas sim enchê-lo de esperanças, ao dizer o seguinte:

O espírito do Senhor está em mim, porque o Senhor me ungiu para pregar a boa nova entre os pequeninos, enviou-me para soldar os corações partidos, para acenar com a liberdade a todos os cativos, para abrir a prisão a todos os encarcerados”.

Esse segundo Isaías, pelo menos, pregou que Jeová não era o deus da guerra e da vingança, mas um pai amoroso, o que o encheu de felicidade e lhe inspirou cânticos em homenagem a esse deus reformulado, cuja reformulação o fez predizer o advento de um novo deus que viria salvar ao povo. Quanta ignorância!

E esse astuto segundo Isaías, percebendo a potência da Pérsia, que iria sujeitar todas as nações do Oriente Próximo a uma unidade imperial, prediz que ela será o instrumento da libertação dos judeus, ao dizer que Ciro é invencível e que tomará a Babilônia e os libertará do cativeiro, que eles voltarão a Jerusalém e construirão um novo Templo, uma nova cidade, um novo paraíso, sem atentar para o instinto dos animais irracionais, próprio dos seres que se encontram nesse estágio evolutivo, ao pregar a maluquice seguinte:

O lobo e o cordeiro comerão juntos, e o leão se alimentará de palha, como o boi, e o pó será a comida da serpente; ninguém ferirá nem destruirá, em toda a minha montanha sagrada, diz o Senhor”.

E isso como se houvesse algum lugar sagrado, sendo monte, montanha ou não, inclusive templos e igrejas, e nestas os seus esdrúxulos altares, como muitos ignorantes estúpidos julgam existir, notadamente que encabrestados pela classe sacerdotal.

No entanto, o deus desse segundo Isaías, logicamente com este último sendo inspirado por espíritos obsessores quedados no astral inferior, já não diz ciumentamente como o deus Jeová de Moisés: “Eu sou o Senhor teu deus… tu não terás deuses estranhos diante de mim”; pois o modo de falar agora é outro, embora ainda ciumentamente, quando diz: “Eu sou o Senhor, e não há nenhum outro deus além de mim”. Esse ser humano nos apresentado como sendo um segundo Isaías, considerado pelos ignorantes seguidores bíblicos como sendo um grande profeta, como sendo um porta-voz do seu deus, não se sabendo qual deles, pelas diferentes manifestações mediúnicas desses profetas, sempre sujeitos às manifestações dos espíritos do astral inferior, vem agora descrever esse deus maluco com palavras que se tornaram uma das grandes passagens desse livro também maluco denominado de Bíblia, em que um deus ensina a outro deus e compara as nações com baldes de água e os seus habitantes com gafanhotos. Vejamos só as suas maluquices:

Quem mediu as águas com o côncavo de sua mão e repartiu os céus a palmos? Quem pôs numa medida o pó da terra e pesou os montes em pratos de balança e as colinas em balanças? Quem dirigiu o espírito de Jeová, ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho? Quem o instruiu e lhe ensinou a vereda do juízo? Quem lhe ensinou o conhecimento e lhe mostrou o caminho do entendimento? Atendei, as nações são como gotas d’água em um balde, e como o pó fino nas balanças. Ele toma as ilhas como coisas de nada. Todas as nações diante dele são como nada, são contadas como menos de nada, vaidades. A que, pois, podeis assemelhar a Deus? Ou a que figura podeis compará-lo? É ele que senta sobre o círculo da terra e tem os seus habitantes em redor como gafanhotos; que estende os céus como uma cortina e os desenrola como uma tenda para neles habitar. Levantai os olhos e vede quem criou estas coisas”.

A Judeia não possuía as mínimas condições para estabelecer a sua militarização, pois não possuía a riqueza e nem o pessoal necessário para tanto. Então, sem poder deixar de reconhecer a soberania da Pérsia, necessitava de uma ordem social para dar aos judeus uma unidade nacional. Os sacerdotes então, sempre eles, empreenderam a formação de um governo teocrático, assim como o do rei Josias, baseado nas tradições sacerdotais e nas leis estabelecidas como advindas dos céus. E assim foi feito. Por volta de 444 a.C., um sacerdote relativamente culto, chamado de Ezra, reuniu os judeus em assembleia e deu início a uma leitura do Livro da Lei de Moisés, cuja leitura durou sete dias. Ao fim da leitura, os sacerdotes e os chefes se comprometeram a aceitar aquele corpo de legislação como sendo a constituição e a consciência do país, jurando sempre lhe obedecer. E desde aqueles tempos até hoje essa Lei se tornou o principal fato da vida judaica, com a lealdade dos judeus a essa Lei, assim como as tribulações por que passaram, constituindo-se em algo que impressiona pela ignorância e pela estupidez demonstradas.

Mas qual era esse Livro da Lei de Moisés? Não era mais o mesmo livro que o rei Josias havia lido, pois o mesmo podia ser lido duas vezes no mesmo dia, enquanto que esse novo necessitava de toda uma semana. Então podemos supor que esses compridos rolos continham uma grande parte do Velho Testamento, que os judeus denominavam de Tora, ou a Lei, e outros que denominaram de Pentateuco. Esta questão deu origem a 50 mil volumes de debates, cujo resultado cabe no parágrafo abaixo.

Os eruditos chegaram ao consenso em admitir que os mais velhos elementos da Bíblia sejam as lendas do Gênesis chamadas de “J” e “E”, respectivamente, porque uma fala do Criador como Jeová e a outra se refere a ele como Elohim. A primeira foi escrita em Judá e a segunda em Efraim, sendo que as duas estórias trangalhadanças se entrelaçaram após a queda da Samaria. Um terceiro elemento, conhecido como “D”, e corporificando o Código Deuteronômio, provém de um autor ou de um grupo de autores diferentes. Um quarto elemento, conhecido como “P”, compõe-se de seções mais tarde inseridas pelos astuciosos sacerdotes. Este Código Sacerdotal forma a substância do Livro da Lei promulgado por Ezra. A quarta composição tomou forma mais ou menos em 300 a.C.

Os bíblicos deveriam ser cientes de que essas estúpidas histórias da Criação, da Tentação e do Dilúvio, apesar desta última ser verdadeira, mas não como narrada na Bíblia, foram copiadas das lendas da Mesopotâmia, as quais remontam a 3.000 a.C., tendo sido apropriadas pelos judeus durante o cativeiro, sendo elas também comuns nas antigas fontes semíticas e sumerianas, por isso predominavam em todo o Oriente Próximo. As formas persas e talmúdicas do mito da Criação representam um deus fazendo um ser humano de sexo duplo, portanto, hermafrodita, macho e fêmea ao mesmo tempo, reunido pelas costas, como os irmãos siameses, depois os dividindo por achar mais conveniente, ou seja, corrigindo o seu próprio erro. Está escrito no Livro de Gênesis o seguinte:

E Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea o criou”.

Então se esta é a imagem do deus bíblico, há que se indagar: para que serve o pênis e a vagina do deus bíblico? Com tanta patifaria praticada pelos sacerdotes, ao que tudo indica esse seu deus mantém relações sexuais consigo mesmo, já que é macho e fêmea ao mesmo tempo.

Do mesmo modo, a lenda do Éden aparece em quase todos os folclores, como no Egito, na Índia, no Tibet, na Babilônia, na Pérsia, na Grécia, na Polinésia e até no México. Muitos desses jardins do Éden possuem árvores proibidas e serpentes ou dragões que roubam a imortalidade do homem, ou envenenam o paraíso. Tanto a serpente como o figo, ou a maçã, foram símbolos fálicos, pois atrás do mito está a opinião de que o sexo e a ciência destroem a inocência e a felicidade, sendo então a origem do mal, quando encontramos esta mesma ideia no Eclesiastes. Na maior parte dessas histórias a mulher era sempre a dócil vítima da cobra ou do diabo, como queiram, seja ela Eva ou Pandora, ou mesmo Poo See, da lenda chinesa.

Com relação aos Dez Mandamentos, era algo usual a divindade dos códigos. As leis do Egito foram dadas pelo deus Thoth e as leis de Hamurabi pelo deus Shamash. Do mesmo modo a deidade deu ao rei Minos, sobre o monte Dicta, as leis de Creta. Os gregos representavam Dionísio, o Legislador, com duas tábuas de pedra em que as leis estavam escritas. E os persas nos contam como, um dia, estando Zoroastro a orar na montanha, Ahura-Mazda lhe apareceu em um trovão e lhe entregou O Livro da Lei. Com relação a isso, Deodoro diz o seguinte:

Eles todos faziam assim, porque acreditavam que uma concepção capaz de ajudar a humanidade só podia ser divina; ou porque achavam que desse modo as leis seriam mais respeitadas”.

Os Dez Mandamentos foram lançados de uma maneira tal que se propagaram por quase todo o mundo, sendo ainda utilizados nos dias de hoje pelos seres humanos ignorantes que ainda não conseguiram se desapegar do instinto da adoração e ignoram por completo as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais.

O primeiro mandamento, contido em Êxodo 20:3, diz o seguinte:

Não terá outros deuses diante de mim”.

Lançando os fundamentos da nova comunidade teocrática, que não iria levar em consideração qualquer lei civil, calcando-se sobre a ideia de um deus, de um deus finito de carne e osso que aparecia ditando as leis e que impunha as penas, daí a denominação de Israel dado ao povo, que queria dizer Defensores de Deus. No entanto, vemos em Mateus 4:10 uma mentiralha acerca de Jesus, segundo a qual ele disse que “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”; quando, na realidade, Jesus, o Cristo, nunca foi um espírito adorador, pois era ciente de que os seres humanos evoluem para adquirir em escala ascendente as propriedades da Força, da Energia e da Luz, e assim poderem conhecer cada vez mais ao verdadeiro Deus, que se encontra em si mesmos, e nunca, jamais, para servir a qualquer deus, seja ele bíblico ou proveniente de qualquer um dos credos que campeiam por esse mundo afora.

O segundo mandamento, contido em Êxodo 20:4, diz o seguinte:

Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima do céu, nem embaixo da terra, nem nas águas debaixo da terra”.

Apesar das qualidades humanas de Jeová descritas no Pentateuco, este mandamento procurava conceber um deus livre de forma e imagem. Mas como tal concepção, se a própria Bíblia afirma ter esse deus criado o homem à sua própria imagem e semelhança?

O terceiro mandamento, contido em Êxodo 20:7, diz o seguinte:

Não tomarás o nome do Senhor em vão”.

Este mandamento simboliza a intensa devoção dos judeus a esse deus por eles inventado, que não passa de um espírito obsessor. No entanto, em todos os tempos, notadamente nos tempos atuais, os sacerdotes se utilizam do nome desse deus bíblico para dizer aquilo que ele é e aquilo que ele não é, para dizer aquilo que ele quer e aquilo que ele não quer, bem como para dizer tudo aquilo que ele pode fazer pela vida das pessoas, sempre no intuito de prender os arrebanhados para os seus cultos e enchê-los de esperanças sobre as melhoras de vida, com o fim de arrecadar dízimos, esmolas, ofertas, doações, mensalidades e tudo o mais que eles maquinam para explorar ao povo.

O quarto mandamento, contido em Êxodo 20:8-10, diz o seguinte:

Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”.

Este mandamento santificou o sábado como o dia de descanso, em que o deus bíblico ficou cansado após criar os céus e a terra, então no sétimo dia ele descansou. Quanta ignorância! Na realidade, o costume de guardar os sábados veio da Babilônia, onde a palavra shabattu se aplicava aos dias de abstinência e propiciação. Em Marcos 2:27-28 vamos encontrar outra invenção sobre Jesus, o Cristo, posto que assim esteja escrito:

O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Pelo que o Filho do Homem até do sábado é Senhor”.

O quinto mandamento, contido em Êxodo 20:12, diz o seguinte:

Honra ao teu pai e a tua mãe”.

Apesar da estrutura familiar judaica se situar ainda abaixo do Templo, a sua família patriarcal era uma unidade econômica e política, composta do chefe, as suas mulheres, os filhos solteiros e os casados, com as suas esposas e filhos, às vezes com alguns escravos. Há que se ressaltar que a mulher perfeita era aquela que trabalhava constantemente dentro do lar e que somente tinha pensamentos para o marido e os filhos, ao contrário das mulheres de hoje, que estão se tornando mundanas, ou melhor, estão querendo viver para o mundo tal qual os homens. No entanto, vamos encontrar em Mateus 10:37, um deus vaidoso e ciumento, que assim diz:

Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim”.

O sexto mandamento, contido em Êxodo 20:13, diz o seguinte:

Não matarás”.

No entanto, nunca se viu tanta chacina neste mundo como no Velho Testamento, já que os seus capítulos oscilam entre matanças e compensatórias fecundidades. O próprio Jeová, o deus bíblico, quis matar a todos os que estavam adorando o bezerro de ouro, tendo Moisés que lhe chamar a atenção com firmeza, dando-lhe uma sonora reprimenda. Os profetas não eram pacifistas, e os sacerdotes, segundo aquilo que põem na boca do seu deus Jeová, tanto gostavam de fazer guerra como de dar sermões. Dos dezenove reis de Israel, oito foram assassinados. As cidades tomadas eram sempre destruídas, com os homens sendo mortos pela espada. Além do mais, quem pode ser proibido de matar, se age em legítima defesa própria ou de terceiros, no estrito cumprimento do dever, para se salvar a si próprio em detrimento de terceiros, ou mesmo na guerra?

O sétimo mandamento, contido em Êxodo 20:14, diz o seguinte:

Não adulterarás”.

Nada mais óbvio do que tal abstenção, pois qualquer um é capaz de reconhecer o matrimônio como sendo a base da família, com a família sendo a base da sociedade, conforme consta do quinto mandamento. No entanto, é omisso quanto às relações sexuais antes do casamento, mas outras regulações impunham à noiva a prova da virgindade no ato da união, sob pena de apedrejamento. Se o homem era rico, podia praticar a poligamia, mas a mulher era proibida. Se a mulher era estéril, como Sara, podia animar ao marido a tomar uma concubina. E Raquel e Lia, após terem dado ao esposo os filhos que podiam dar, ofereceram a ele as suas servas, para que assim pudesse ter mais filhos.

O oitavo mandamento, contido em Êxodo 20:15, diz o seguinte:

Não roubarás”.

Nada mais óbvio também do que tal abstenção, pois qualquer um é capaz de reconhecer a existência da propriedade privada e a falta grave que comete ao se apropriar dela indevidamente. Teoricamente a terra pertencia a Jeová, já que as propriedades eram quase todas em terras, então os judeus a tinham, juntamente com a família e o credo, como as três bases da sua sociedade.

O nono mandamento, contido em Êxodo 20:16, diz o seguinte:

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.

Isso se explica em virtude de o juramento ser uma cerimônia credulária, por isso o falso testemunho recebia no Código a punição correspondente ao mal que o falsário quis trazer para a vítima. Como a lei credulária era a única lei de Israel, os sacerdotes se faziam de juízes e cortes, e os que se recusavam a aceitar as suas decisões recebiam a pena de morte, em “estrita obediência” ao sexto mandamento.

O décimo mandamento, contido em Êxodo 20:17, diz o seguinte:

Não cobiçarás”.

Este mandamento inclui notadamente a mulher entre os bens da propriedade privada, segundo os seguintes dizeres:

Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, não cobiçarás o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

É lógico que os Dez Mandamentos se referem aos pecados do homem, e estes obviamente não existem. O que existe são as imperfeições humanas, que aos poucos vão sendo abolidas com o decorrer do processo evolutivo. Em todo o caso, os próprios seres humanos são capazes de elaborar leis que reprimam o mal e que estabeleçam a regulação social entre eles. Muitos estudiosos reclamam que o contido em Levítico, que diz “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, deveria fazer parte dos Dez Mandamentos. Mas a produção do amor ao semelhante só se manifesta ao final da evolução humana, quando o ser humano não mais precisa encarnar neste mundo para evoluir, cujo exemplo maior iremos encontrar em Jesus, Cristo, e cujo exemplo de mentira iremos encontrar nos sacerdotes e em seus arrebanhados, pois ambos não evoluíram ainda o suficiente para produzir a sublimidade do amor, por isso o que encontramos neles é muito fanatismo, adoração e submissão aos seus deuses e santos, que eles confundem com o amor.

 

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