06- O ILUMINISMO

A Era da Verdade
4 de dezembro de 2019 Pamam

O Iluminismo é um movimento intelectual europeu que os historiadores mais recentes afirmam haver iniciado no período da década de 1620, mas que os historiadores franceses afirmam haver iniciado no ano de 1715, ano em que Luiz XIV desencarnou, tendo se encerrado em 1789, com o início da Revolução Francesa, cuja denominação deriva da tentativa de iluminar com a razão o obscurantismo da tradição em que valia mais a utilização do criptoscópio, para que assim ela pudesse levar a nossa humanidade para uma condição mais civilizada, mais humanística, sintetizando diversas tradições veritológicas, sociais, políticas e atitudes credulárias.

Em sendo um movimento intelectual, o Iluminismo não busca o conhecimento, por isso representa um comportamento direcionado para o pensamento e para a ação, com os iluministas admitindo que os seres humanos se encontram em condições de tornar este mundo um lugar melhor para se viver, mediante o livre exercício das capacidades humanas e o engajamento político-social.

Mesmo ignorando que a razão somente pode ser alcançada quando os conhecimentos metafísicos acerca da verdade forem unidos, irmanados, congregados, com as experiências físicas acerca da sabedoria, como agora estão sendo, desvendando os segredos da vida e os enigmas do Universo, quando então as causas poderão se ligar aos seus correspondentes efeitos, mesmo assim o Iluminismo incluiu uma série de pensamentos centrados na razão como sendo a principal fonte de autoridade e legitimidade, defendendo os pensamentos de liberdade, progresso, tolerância, fraternidade, governo constitucional e a separação da Igreja do Estado, tanto que na França os sistemas centrais dos seus intelectuais iluministas eram a liberdade individual e a tolerância credulária, em oposição a uma monarquia absoluta e aos dogmas fixos da Igreja, tendo sido marcado por uma ênfase no método científico e no reducionismo — redução do todo em suas partes mais simples para poder explicá-los —, juntamente com o crescente questionamento da ortodoxia credulária, uma atitude representada pela seguinte frase: atreva-se a conhecer. Assim, os pensamentos dos iluministas proporcionaram a redução da autoridade da monarquia e da Igreja, preparando o caminho para as revoluções políticas dos séculos XVIII e XIX, em que uma variedade de movimentos do século XIX, incluindo o Liberalismo e o Neoclassicismo, rastreiam a sua herança intelectual ao Iluminismo.

Os intelectuais iluministas tinham como ideal a extensão dos princípios do conhecimento crítico a todos os campos da seara humana, supondo assim poderem contribuir para o progresso da nossa humanidade e para a superação dos resíduos de tirania e superstição que creditavam ao legado da Idade Média, em que a maior parte dos iluministas associava ainda o ideal de conhecimento crítico à tarefa do melhoramento do Estado e da sociedade.

Embora esses iluministas estivessem imbuídos dos mais elevados ideais, fornecendo uma certa contribuição para a melhoria do estado calamitoso em que se encontrava a nossa humanidade, e que ainda se encontra, com o estado calamitoso estando ainda mais agravado, esse estado calamitoso somente poderá ser superado quando todos os seres humanos estiverem esclarecidos acerca dos segredos da vida e dos enigmas do Universo, com todos estando espiritualizados, tornando-se antecristãos, quando então poderão superar a fase da imaginação em que ainda se encontram e adentrar na fase da razão.

Toda a estrutura política e social do absolutismo — teoria política que defende que alguém deve deter o poder absoluto, independentemente de outro órgão — foi violentamente atacada pelo movimento intelectual do Iluminismo, com o mercantilismo — caracterizado como sendo uma forte intervenção do Estado na economia — sendo também condenado, surgindo novas propostas mais condizentes com a nova realidade do capitalismo.

Os primeiros contestadores do mercantilismo foram os fisiocratas, sabendo-se que a fisiocracia é uma teoria econômica desenvolvida por um grupo de economistas franceses do século XVIII, que acreditavam que a riqueza das nações era derivada unicamente do valor de terras agrícolas, ou do desenvolvimento da terra, e que os produtos agrícolas deveriam ter preços elevados, já que para eles a agricultura tinha um grande valor.

Para os fisiocratas, a riqueza deveria vir da natureza, como na agricultura, mineração e pecuária, com o comércio sendo considerado uma atividade estéril, já que não passava de uma troca de riquezas. Outro aspecto da fisiocracia que contrariava o mercantilismo, era que os fisiocratas eram contrários à intervenção do Estado na economia, que deveria ser regida por leis naturais, que deveriam agir livremente, cuja frase que melhor a define seria deixai fazer, deixai passar. A fisiocracia influenciou grandes mentalidades, como Adam Smith, considerado como sendo o pai da economia clássica. O pensamento econômico era fruto do trabalho assistemático dos intelectuais, que se interessavam pelo problema.

O Iluminismo exerceu uma vasta influência sobre a intelectualidade e a vida política da maior parte dos países ocidentais, marcada por transformações políticas tais como a criação e a consolidação de Estados-nação, a expansão dos direitos civis e a redução da influência das instituições hierárquicas, como a nobreza e a Igreja.

Foi também o Iluminismo que forneceu boa parte da evolução intelectual dos eventos políticos que se revelariam de extrema importância para a constituição do mundo moderno, tais como a Revolução Francesa, a Constituição polaca de 1791, a Revolução Dezembrista na Rússia em 1825, o movimento de independência na Grécia e nos Balcãs, bem como os diversos movimentos de emancipação nacional ocorridos no continente americano a partir de 1776.

Os estudiosos do assunto associam ao ideário iluminista o surgimento das principais correntes de pensamento que iriam caracterizar o século XIX, tais como o liberalismo, o socialismo e a socialdemocracia.

O ILUMINISMO NA FRANÇA

A França é considerada pelos estudiosos como sendo a nação que liderou intelectualmente o iluminismo europeu, pois durante o século XVIII os intelectuais franceses foram os primeiros a promover os valores iluministas, eles não eram saperólogos, embora fossem conhecidos como filósofos, mas sim grandes intelectuais, como Voltaire, Rousseau, Diderot e Montesquieu, que tiveram um papel fundamental na cultura francesa, mesmo vivendo em uma época em que a França ainda era um Estado católico, mantido sob a autoridade de Roma, que assim se transformaram em mártires do Iluminismo, em função da luta contra a censura e a intolerância credulárias, por isso sendo considerados inimigos do cristianismo, do falso cristianismo, diga-se de passagem.

Sendo a França uma nação de tradição católica, embora as correntes protestantes desempenhassem um papel relevante, notadamente os huguenotes, havia uma tensão crescente entre as estruturas políticas conservadoras e os intelectuais iluministas. O conflito entre a sociedade feudal católica e as novas forças de âmbito protestante e mercantil iriam culminar na Revolução Francesa.

O ILUMINISMO NA INGLATERRA

Em 1688, na Inglaterra, a influência da Igreja havia sido definitivamente afastada do poder político através da Revolução Gloriosa, um evento político, pois que a Inglaterra era um reino protestante que tinha como monarca Jaime II, da dinastia Stuart, um rei católico que adotou políticas em favor do seu credo, em detrimento do protestantismo, quando então Guilherme II, príncipe de Orange, juntamente com sete lordes ingleses, sob o pretexto de combater a ameaça representada por Jaime II, arquitetou uma invasão à Inglaterra.

A partir de então, nenhum católico voltaria a subir no trono, embora a Igreja da Inglaterra, também denominada de Igreja Anglicana, tenha permanecido bastante próxima do catolicismo em termos doutrinários e de organização interna. Sem o controle que a Igreja Católica exercia em outras nações, como a espanhola e a portuguesa, foi no Reino Unido que grandes mentalidades como John Locke e Edward Gibbon puderam dispor da liberdade de expressão necessária ao desenvolvimento dos seus ideais.

O ILUMINISMO NA ALEMANHA

No ambiente cultural em que se encontrava a Alemanha, um dos traços distintivos do Iluminismo é a inexistência da posição anticlerical, diferentemente do iluminismo francês, uma vez que os iluministas alemães, de um modo geral, possuíam um profundo interesse no âmbito credulário, mas almejavam uma reformulação das formas credulárias. O nome mais conhecido do iluminismo alemão foi Kant, um veritólogo, que teve ainda outros importantes expoentes, tais como Johann Gottfried von Herder, Gotthold Ephraim Lessing, Moses Mendelssohn, entre outros.

O ILUMINISMO NA ESCÓCIA

Mesmo sendo um dos países mais pobres e remotos da Europa Ocidental no século XVIII, a Escócia pode ser considerada como um dos mais importantes ambientes culturais de pensamentos ligados ao Iluminismo, em que o Empirismo e o Pragmatismo podem também ser considerados as tendências mais marcantes do iluminismo escocês, que entre os seus mais importantes expoentes se destacam Adam Ferguson, David Hume, Francis Hutcheson, Thomas Reid, Adam Smith, entre outros.

O ILUMINISMO NOS ESTADOS UNIDOS

Nas colônias britânicas que formariam os futuros Estados Unidos da América, os ideais iluministas chegaram por importação da metrópole, mas tenderam a ser redesenhados com contornos credulários e politicamente mais radicais, exercendo uma enorme influência sobre o pensamento e a prática política dos chamados pais fundadores dos Estados Unidos, que entre eles se destacam John Adams, Samuel Adams, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Alexander Hamilton e James Madison.

A ebulição política nas colônias norte-americanas ocorria no contexto do Iluminismo, o movimento de transformação intelectual que se espalhou por toda a Europa e pelo Novo Mundo, em que a Declaração de Independência foi inspirada nos ideais iluministas, servindo também para lhes dar forma. Thomas Jefferson e Benjamin Franklin são considerados os principais expoentes desse pensamento, em que a Declaração é um dos seus textos canônicos. Os iluministas americanos ficaram famosos por criticarem a concentração de renda e o voto censitário, em que um dos seus pilares foi o pacifismo.

O ILUMINISMO EM PORTUGAL

Em Portugal, destaca-se como figura marcante desta época o Marquês de Pombal, que tinha sido embaixador em Londres durante sete anos, período de 1738 a 1745, que como primeiro-ministro de Portugal teria ali recolhido as referências que marcaram a sua orientação como sendo o primeiro responsável político em sua nação, tendo sido considerado como um marco na história portuguesa, contrariando o legado histórico feudal e tentando por todos os meios aproximar Portugal do modelo da sociedade inglesa, mas a nação portuguesa se mostrava hostil à influência daqueles que eram denominados de estrangeirados, que eram os intelectuais portugueses que no final do século XVII e particularmente no século XVIII, após terem tido contato com os progressos da revolução científica e a filosofia das luzes no estrangeiro, retornavam ao país, fato esse relacionado com a influência católica.

OS PRINCIPAIS ILUMINISTAS

Como a França é considerada pelos estudiosos como sendo a nação que liderou intelectualmente o iluminismo europeu, pois durante o século XVIII os intelectuais franceses foram os primeiros a promover os valores iluministas, devemos destacar apenas Voltaire como sendo um dos seus principais expoentes, para que a explanação não venha a se tornar muito longa.

 

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