06.26- Amai ao próximo como a ti mesmo

A Cristologia
2 de novembro de 2018 Pamam

Já é sabido de todos que o amor familiar é apenas um arremedo do verdadeiro amor, uma vez que este é de natureza puramente espiritual, enquanto que aquele é de natureza mais carnal, mas que tem uma grande função como sendo o grande prenúncio do amor espiritual, uma vez que ele foi estabelecido pela Sabedoria Universal com essa finalidade. Para que todos aqueles que sejam detentores de pelo menos um médio intelecto, possam compreender a contento a esta realidade, basta apenas estabelecer as diferenças gritantes que existem entre eles. Então devemos, logo de início, tirá-lo do singular e passá-lo para o plural, para que assim possamos denominá-lo de amores familiares, uma vez que eles são das mais diversas espécies, enquanto que o amor espiritual deve permanecer no singular, uma vez que ele é apenas um, e somente um, por ser o real, o verdadeiro, o autêntico, pelo fato de sermos todos espíritos, por natureza, portanto, imateriais, eternos e universais, e não simples seres carnais, materiais, efêmeros, por onde se perpetua a nossa espécie humana, e por onde se constitui a família, cujos laços amorosos se fazem valer neste mundo, para que através deles todos possam adquirir alguma noção do amor espiritual, o qual, por ser único, varia apenas de intensidade, em conformidade com o estágio evolutivo apresentado pelo espírito que realmente ama.

Dentre as espécies dos amores familiares que existem, aquele que é considerado como sendo o mais sublime de todos é o amor de mãe, pelo fato do espírito, antes de encarnar com o sexo feminino, prepará-lo adredemente em seu Mundo de Luz, para que aqui possa produzi-lo por inteiro, quando constituir a família e através dela poder gerar a sua prole, que virá através das suas próprias entranhas, devendo assumir, obrigatoriamente, a sua posição de rainha do lar, o qual deverá se constituir no seu universo neste mundo, onde nele tem o dever assumido em plano astral de educar àqueles que gerou, às vezes até ao próprio marido, contribuindo assim com a sua parte para fazer evoluir tanto aos seus como a este mundo.

Comparado à sublimidade do amor de mãe, somente o amor do pai, pelo fato do espírito, antes de encarnar com o sexo masculino, também prepará-lo cuidadosamente em seu Mundo de Luz, para aqui produzi-lo por inteiro, quando constituir família e poder gerar a sua prole, que virá através das suas próprias sementes plantadas nas entranhas da sua fiel companheira, devendo assumir, obrigatoriamente, a sua posição de rei do mundo, mas relativamente à posição que deverá ocupar em seu meio, o qual deverá se constituir no seu universo neste planeta, onde nele tem o dever assumido em plano astral de prover materialmente tanto àqueles que provieram das suas sementes como à sua esposa e companheira, dando o bom exemplo de conduta, para que possa ser seguido tanto pelos seus familiares como por aqueles que o rodeiam, além de proteger o seu lar, caso preciso com a própria vida, contribuindo com a sua parte para fazer evoluir tanto aos seus semelhantes como a este mundo.

Essas duas espécies de amores familiares são provenientes dos nossos instintos, que foram em nós despertados quando ainda éramos irracionais, portanto, antes de adquirirmos o raciocínio e o livre arbítrio, passando a ser hominídeos, ao evoluirmos por intermédio da propriedade da Luz, além de continuarmos a evoluir por intermédio das propriedades da Força e da Energia, tornando completa a nossa alma, através do corpo fluídico, ou perispírito, e do corpo de luz. Em função disso, todos são testemunhas da ferocidade dos irracionais quando em defesa dos seus filhotes, a qual se revela principalmente por intermédio da imensa ferocidade demonstrada pela mãe, cujo amor instintivo podemos citar como um simples exemplo a indefesa galinha, que ataca sem qualquer receio a quem se atrever a ameaçar aos seus pintinhos, mas que foge receosa quando está sozinha ou mesmo em bando, ante a aproximação de qualquer ser a quem ela tenha receio, até do próprio ser humano, com quem ela tem o hábito da companhia.

Paralelo às sublimidades dessas duas espécies de amores familiares, vem o prodigioso amor entre marido e mulher, o qual deveria se perpetuar por toda a encarnação, geralmente tendo o seu começo no início da fase adulta, ou um pouco antes, quando o rapaz e a moça iniciam as trocas de olhares com os seus eleitos, com quem simpatizam e se sentem atraídos, para logo após iniciarem o romance, passando ambos a se conhecerem mais intimamente, e assim, caso se acertem definitivamente, tendo ambos já se conhecidos mais profundamente, possam contrair matrimônio, certos de haverem tomado a decisão acertada, e, juntos, formarem uma família, que jamais alguém deve se cansar de repetir: é a célula da humanidade. Esse amor entre marido e mulher deveria ser realmente prodigioso na época atual, sendo posto em prática por todos os seres humanos, por isso deveria ter sido, inclusive, o primeiro a ser abordado, uma vez que foi criado para unir perpetuamente dois seres humanos, da juventude à velhice, devendo perdurar até ao advento da desencarnação, fazendo assim emergir o mais notável tipo de companheirismo, que origina a mais pura cumplicidade, ambos necessários às ações de ajuda mútua entre ambos, já que o casal deverá passar por muitas e muitas vicissitudes em suas vidas em conjunto, cujas vicissitudes devem ser ultrapassadas com o estreitamento da união e com o alargamento desse prodigioso amor, e jamais com conflitos e desentendimentos.

Os laços matrimoniais são previamente acertados em plano astral por todos os seres humanos que aqui neste mundo encarnam, por serem todos os que fazem parte da nossa humanidade obrigados a ele, e quando são devidamente cumpridos todos os seus encargos, os espíritos retornam para os seus Mundos de Luz renovados, por haverem cumprido integralmente com a maior de todas as obrigações, ascendendo a outros Mundos de Luz mais evoluídos, por haverem sabido proceder às evoluções dos seus espíritos quando encarnados.

Mas, infelizmente, muitos e muitos seres humanos não estão cumprindo a contento com essa máxima obrigação, deixando-se levar pelos atrativos proporcionados pela ilusória matéria, notadamente pelos prazeres carnais, com a prática desenfreada e indiscriminada do sexo avulso, ou, quando não, descumprindo com aquilo a que haviam se comprometido em plano astral com os seus futuros consortes, perdendo a oportunidade de praticarem o grande companheirismo e de aprenderem a não desfazer com os pés os laços que os prendem a uma verdadeira união, os quais foram enlaçados com as próprias mãos, como as próprias alianças nos dedos assim o comprovam, para nunca se desfazerem.

Os homens são os senhores do mundo, os reis do planeta, por isso as suas naturezas masculinas permitem a que eles sejam ainda um tanto quanto libertos em relação à vida sexual e a outros prazeres mundanos, dada a época atual em que vivemos, mas, no futuro, que esperamos esteja muito próximo, todos os homens deverão se concentrar em restringir o sexo apenas ao âmbito familiar, desfrutando os demais prazeres nas companhias da família e dos amigos. Caso contrário, este mundo lhes dará lições tão duras que os obrigarão a aprendê-las com o passar do tempo e as terem na ponta da língua, fazendo repeti-las de cor e salteado, como se diz comumente, sempre quando questionadas, seja de uma maneira, seja de outra, pois que a elas todos estão obrigados ao aprendizado.

As mulheres são as senhoras da casa, as rainhas do lar, do sagrado lar, por isso as suas naturezas femininas não permitem, por hipótese alguma, a que elas tomem maiores liberdades em relação à vida sexual e a outros prazeres mundanos, tais como se fossem homens, os quais, no futuro próximo deverão adotar o mesmo procedimento, mas sem se conservarem restritos ao lar, posto que têm que desbravar o mundo, tornando-o tão sagrado como os próprios lares.

Com relação à vida sexual feminina, todos são cientes de que a natureza é perfeita em si mesma, já que não existe nada em excesso e nem de menos em todos os seus setores, sejam eles quais forem, o que inclui logicamente a contextura da formação do corpo humano, no caso a contextura da formação do corpo feminino. Então é o caso de se indagar o seguinte: para que serve a membrana que ordinariamente tapa em parte o orifício da vagina? Para enfeite não deve ser, sendo tal suposição totalmente fora de cogitação, posto que o hímen se situa em local oculto, encoberto pelos grandes lábios, que são os bordos da vulva, pelos pequenos lábios, que são as duas pregas membranosas situadas na parte posterior da vulva, encoberto por pelos, pelas pernas e pelo vestuário, assim em local bem oculto, completamente fora da visão de quem quer que seja, por ser íntimo e próprio da mulher, apenas ao alcance da visão do médico, em razão da necessidade do exame clínico periódico. Em complemento, como se não bastasse tanto arrimo, deve ainda estar ocultado pela maior de todas as proteções, que é de natureza espiritual, e não material, qual seja: o pudor; o qual sempre se manifesta por intermédio do grande acanhamento e pela imensa timidez produzidos pelas coisas que não sejam contrárias à decência, ao recato, à compostura, ao decoro e a honestidade.

É sabido, pois, que o hímen não serve para enfeite. Então é o caso de se indagar: para que serve então? Qual é a sua verdadeira utilidade? As respostas são relativamente simples, podendo ser unificadas em apenas uma só.

Todos os homens que se prezam, que são decentes, que são honestos e que primam pelas suas honras, são cientes da grande importância que tem o pudor na vida dos seres humanos, principalmente na vida das mulheres, as quais devem manifestá-lo intensamente nas ocasiões propícias, em cada caso que se lhes apresente na vida, daí a grande importância da educação ministrada pelos pais aos filhos, em relação à vida sexual. Esses tipos de homem, que assim devem ser denominados verdadeiramente de homem, evitam ao máximo as companhias das mulheres despudoradas, fúteis, frívolas, levianas, libertinas, que se entregam a qualquer um que lhes agradem fisicamente, ao que passam a agir pulando de galho em galho, em analogia aos macacos, como que a retroagir na escala da sua classe primata, a não ser que eles pretendam, ocasionalmente, breves divertimentos, que sejam passageiros, uma vez que são totalmente libertos, já que nasceram para o mundo, apesar de não ser recomendável essa conduta, embora ainda seja tolerável, pois não se pode exigir que eles deem um salto espetacular rumo ao Tempo Futuro, tais como se fossem atletas na arte de evoluir.

Mas, infelizmente, na época atual, as mulheres querem ser iguais aos homens, querendo fazer tudo o que eles fazem no mundo, esquecendo-se que nasceram para o lar, considerando, equivocada e ignorantemente, que mundanidade e depravação são sinônimos de liberdade, e que a mulher é ou deve ser igual ao homem, quando, na realidade, nunca o foi, não o é, e não o será jamais, enquanto assim diferenciadas sexualmente neste mundo encarnarem. É certo que em espírito todos são iguais, mas quando resolvem encarnar com o sexo feminino, aqui se diferenciam totalmente dos que resolvem encarnar com o sexo masculino, com cada um tendo os seus direitos e as suas obrigações específicos, inerentes a cada sexo, os quais são previamente estabelecidos em plano astral, para aqui serem devidamente seguidos, sob pena de não evoluírem e de repetirem as encarnações quantas vezes forem necessárias, até que aprendam a se comportar consoante a natureza do sexo com o qual resolveram encarnar, sempre com sofrimentos acompanhados de muitas dores, pois para cada mal há um remédio específico, e tão amargo quanto a necessidade exigida para a cura.

Em relação às verdadeiras mulheres nós devemos ficar tranquilos, aliás, bastante tranquilos, pois elas conseguem compreender a mensagem e se compenetrar em procurar exercer o seu relevante papel neste mundo.

Mas que não nos venham as mulheres ditas feministas, sendo todas metidas a avançadas, levantando a bandeira dos tempos contemporâneos, dizer-nos que estamos equivocados em nossos pensamentos e que estamos bastante atrasados em relação ao tempo, ou que nele permanecemos estagnados, presos ao passado.

Quanta ignorância! Quanta loucura! Quanto atraso evolutivo!

Para essas temos a dizer que, inversamente ao que elas pensam e fazem, nós não estamos atrasados e muito menos estagnados no tempo, por hipótese alguma, muito pelo contrário, pois conhecemos mais do que ninguém os tempos passado, presente e futuro da nossa humanidade, e nos encontramos tão adiantados no próprio tempo que, geralmente, não nos referimos a ele simplesmente como tempo, mas sim como Tempo Futuro, pois conseguimos nos transportar a ele, já que estamos conduzindo toda a nossa humanidade em sua direção, ou seja, para a glória eterna e universal.

Mas elas, infelizmente, para o nosso grande desgosto, tristeza e pesar, estão caminhando de marcha ré, em sentido totalmente oposto ao que deveriam caminhar, rumo aos nossos tempos já bem passados, que foram ingloriosos para a nossa humanidade, quando a banalização do sexo ocasionou todas as depravações e degenerações possíveis, descambando para as orgias imagináveis apenas para os devassos, as quais estão ressurgindo com vigor nesta época atual, e que também estão originando os mesmos bacanais, os quais são provenientes dos tempos remotos, ocasionados pela total falta de pudor, pois que era tamanho o apego à carne, aos gozos e prazeres proporcionados pela ilusória matéria, que muitas civilizações foram extintas, obliteradas da face da Terra, pelo astral inferior, em razão da absoluta impossibilidade de se recuperarem, de poderem se soerguer da lama em que se encontravam, e, consequentemente, poderem se espiritualizar, sendo a nossa humanidade obrigada a iniciar várias vezes uma nova civilização.

E vocês, mulheres, ditas feministas, metidas a avançadas, que levantam a bandeira dos tempos modernos, adeptas da mais ignóbil libertinagem, agindo ignorante e loucamente como se fossem adeptas da liberdade, querem que nós ajamos tais como os homens efeminados que são os seus parceiros e defensores das mesmas causas inúteis e já tantas vezes fracassadas nos tempos remotos, nós que somos espíritos evoluídos, integrantes da plêiade do Astral Superior, e que por isso não perderemos jamais a nossa masculinidade e a nossa honra?

Nunca, mas nunca mesmo, iremos compartilhar com tal tipo de conduta humana, pelo contrário, iremos combatê-la em todos os sentidos, até sairmos vencedores, para tanto não nos cansamos, não hesitamos, não vacilamos, por isso não daremos trégua, pois que da nossa vitória depende os rumos gloriosos da nossa humanidade, para que no futuro muito breve ela possa se tornar antecristã, que será o seu grande passo para se tornar verdadeiramente cristã, quando tiver o seu próprio Cristo em seio.

Esse argumento fútil e pueril de que o hímen não passa de um pequeno pedaço de carne e que não tem o mínimo valor, então no mesmo caso os olhos também não passam de pequenos pedaços de carne, que no caso também não deveriam ter qualquer valor. Acontece que no caso do hímen, ele serve para que através dele a mulher ainda moça possa enxergar o pudor e a honra em seu corpo, e no caso dos olhos para que através deles a mulher possa enxergar a natureza, que é perfeita em seu labor. E tanto o hímen como os olhos fazem parte da natureza. Ou as feministas e tidas como sendo libertas discordam da perfeição da natureza, em seu labor na criação das coisas?

Mas eu não estou me atendo somente à ilusão da matéria, como assim as menos raciocinadoras possam tender a pensar, já que deveriam saber que os pensamentos antecedem às nossas ações, portanto, tudo aquilo quanto fazemos com o nosso corpo é proveniente dos nossos pensamentos, pois que eles antecedem as nossas ações. Assim, quando as mulheres se dispõem a praticar o sexo pela primeira vez, sem estarem casadas, sem que seja com o seu companheiro, elas logicamente pensam antecipadamente naquilo que vão praticar avulsamente, com esses pensamentos estando concentrados em seus himens, nas perdas das suas virgindades, mas que banalizam a sua importância, pouco ou nada dando valor à ação que vão praticar. São esses pensamentos que irão manchar as suas almas, impregnando-as de manchas escuras, de nódoas indeléveis, que a muito custo serão encobertas por outros pensamentos de outras naturezas, os quais serão refletidos em outras ações. Agora todas podem comparar as naturezas dos seus pensamentos antes da prática do sexo, quando com os seus maridos, e quando com outros.

Os tempos atuais, nós sabemos, e como sabemos, são caracterizados pela mais sórdida vilania, da maior das depravações, da maior das degenerações, com muitas de vocês estando totalmente apegadas à ilusória matéria, sendo dela escravas, e assim procuram ignorante e inconscientemente se conservarem a ela apegadas, para que possam satisfazer aos seus desejos totalmente insanos e apetites puramente bestiais. Mas todas vocês deveriam disso se envergonhar, conscientizarem-se das existências da honra, da honestidade e do recato femininos, e passarem a conservar o pudor em suas almas, que nelas deve estar escondido em algum lugar recôndito, encoberto, sem poder se manifestar neste mundo.

Deveriam vocês terem a noção de que o hímen serve para provar a pureza das almas femininas por intermédio do corpo carnal, que serve de veículo neste mundo, já que a relação sexual fora do casamento as tornam sujas, impuras, manchadas, impregnadas de manchas e nódoas, por isso ele só deve ser rompido após o enlace matrimonial, quando a mulher se torna esposa, apta para ser mãe, e assim produzir o mais sublime dos amores familiares. Ele é útil para provar ao marido que a sua querida esposa se preservou para ele, somente para ele, que ela realmente tem pudor, que será a sua fiel companheira por toda a vida, conforme prometido e estabelecido em plano astral.

Mas, infelizmente, muitos homens de hoje não ligam mais para a virgindade, considerando que ela é coisa do passado, que os tempos modernos exigem da mulher independência, que todas devem ser praticantes assíduas do sexo, que assim, banalizado, depravado e degenerado, torna inútil um dos componentes do corpo da mulher, o qual pertence à natureza, por ter sido por ela criado, posto que foi concebido pela Sabedoria Universal.

Há ainda os casos das mulheres que praticam o ato diverso da conjunção carnal, sem constrangimento, para que assim possam preservar o hímen, apresentando-se falsamente aos seus eleitos tais como se fossem virgens, ou mesmo por puro prazer. Nesses casos, mil vezes perder a virgindade e se apresentarem desvirginada, já bastante experientes no sexo, ou, como se diz vulgarmente, bastante rodadas, ou, ainda como se diz, vulgar e maliciosamente, “com mais horas de cama do que urubu de voo”, do que faltar com a verdade, preservando-se falsas, mentirosas e insinceras, devendo serem, com toda a certeza, umas péssimas esposas e umas terríveis educadoras.

Infeliz do homem que aceita passivamente que a sua futura mulher tenha passado pela cama de inúmeros homens, pois a mulher sexualmente experiente no avulso não é recomendada para ser a esposa de quem quer que seja, a não ser a do homem pouco evoluído e idiotizado, ignorante da decência e do pudor, que pouco ou nenhum valor tem para nós, que somos os espíritos superiores. É lógico que existem as exceções, como as das viúvas, as das que se separam pela absoluta falta de condições para poderem continuar com os seus maridos, as das que por amor se entregam confiantemente aos seus namorados ou noivos, antes do casamento, desde que não repetidas vezes, e outras a serem analisadas caso a caso, pois as duas primeiras não acarretam manchas em suas almas, já que elas estavam de acordo com a natureza, já a terceira ocasiona certa mancha, mas que pode ser relevada, pois todos merecem uma nova chance na vida.

As relações sexuais são decorrentes da natureza dos pensamentos das mulheres, por isso quando estão em conformidade com a natureza, sendo praticadas no seio da família, são salutares e engrandecedoras, mas quando praticadas em desconformidade com a natureza, sendo praticadas de maneira avulsa e indiscriminada, são nocivas e prejudiciais à alma. Em razão disso, devem ser as mulheres as grandes reguladoras das atividades sexuais neste mundo, pois caso elas se eduquem neste sentido, os homens tenderão também a se educar, obrigados pela força das circunstâncias, ou seja, sendo educado pelas mulheres.

Recomendamos que os homens de verdade tentem procurar as mulheres verdadeiras, as que guardam as suas castidades, as que sejam puras, cândidas, para que então possam ser as suas esposas, as suas verdadeiras companheiras, e assim, sendo pudorosas, honestas e decentes, reúnam as condições necessárias para lhes trazer a paz, a alegria e a felicidade, as quais com certeza deverão ser complementadas através dos seus próprios filhos, que crescerão sendo assistidos por grandes mães, que os educarão em conformidade com a espiritualidade, possibilitando o advento de uma Nova Era para a nossa humanidade, cheia de paz e de esperanças para um novo viver humano.

A esses homens de verdade que andam à procura na Terra de mulheres que guardem o pudor, por intermédio das suas castidades, sendo por isso puras, cândidas, recatadas, para que sejam as suas esposas, as suas companheiras, que também façam a sua parte, abolindo as bebericagens alcoólicas em bares e botequins, as chamadas baladas, as farras, os locais destinados aos encontros próprios para as noitadas tidas de embalo, os vícios do cigarro e das drogas, e outros hábitos que tragam malefícios aos espíritos que encarnam com o sexo masculino, bem mais acentuadamente esses malefícios para aqueles que encarnam com o sexo feminino, trazendo grandes infortúnios para as suas almas, que no futuro ocasionarão grandes dores. Os homens deverão procurar os tipos de lazeres próprios às suas naturezas masculinas. Com relação às mulheres, devem ser incentivadas as práticas dos afazeres domésticos, visando ao seu papel de futura dona de casa, da fidelidade, do companheirismo, do estudo e de uma profissão condizente com a natureza própria feminina, caso haja a necessidade dela trabalhar, sendo importante as amizades com ambos os sexos e o comparecimento às festas que sejam decentes, para que nelas possam encontrar os seus futuros companheiros, o que pode ocorrer também nos colégios e nas universidade, ou mesmo em outros locais que sejam apropriados aos romances que sejam realmente românticos, e não voltados diretamente para o sexo.

Com relação ao assunto, devemos repetir o que dizemos anteriormente em outro capítulo, e repetir quantas vezes mais se fizerem necessárias. Das civilizações extintas temos como herança atávica muito pouco da moral e da ética, uma vez que elas, amplamente entregues à materialidade, desvirtuaram totalmente o controle animal da reprodução da espécie, pois enquanto os animais irracionais somente se unem para a fecundação em épocas próprias, herdamos dessas civilizações extintas, por atavismo psíquico, os seus desregramentos e bacanais, com reflexos profundos nos dias atuais, por isso sofremos, até hoje, os efeitos da estimulação orgânica, que nos leva à desvirtuação do sexo e aos mais condenáveis hábitos de depravação, com os seres humanos se degenerando, quando já se sabe que o prazer sexual é uma retribuição da Providência Divina para o tremendo encargo que os homens e as mulheres assumem ao constituírem uma família. Além do mais, em função desse prazer proporcionado, serve também para incentivar a procriação, facilitando a encarnação de muitos e muitos espíritos. Por isso, aqueles espíritos mais evoluídos que se esforçam para vencer ou dominar a ação perniciosa desse hábito hereditário e vicioso da constante solicitação recíproca do sexo fora do casamento, ou fora da união estável, ambas previstas em lei, combatendo a esse ato de puro materialismo, concorrem para renovar o princípio espiritual da superiorização dos costumes e da elevação moral das práticas humanas.

Não existe uma explicação racional para a prática indiscriminada do sexo, nem em relação ao homem e nem em relação a mulher, já que ela é proveniente da depravação, da degeneração e da libertinagem, que são ocasionadas pela falta da moral e da ética, portanto, da educação, com o desejo carnal sucumbindo à prática da vontade que deveria ser posta em ação. Se os seres humanos fossem esclarecidos acerca da espiritualidade, poderiam saber que a atração que o homem tem pela mulher, e vice-versa, provém normalmente da natureza do sexo. No entanto, essa atração é muito mais acentuada, tornando-se muito mais intensa, quando ela se refere ao homem e à mulher que estão destinados a serem companheiros neste mundo, uma vez que ambos programaram tal união em plano astral, por conseguinte, em sentirem uma atração bem superior em relação à companheira ou ao companheiro do que em relação aos demais seres humanos do outro sexo. Todos conhecem o ditado popular que diz que “Aquele que ama o feio, bonito lhe parece”. Esse ditado popular nada mais é do que o reflexo desse compromisso assumido em plano astral em relação ao cônjuge, pois que foi programado previamente o casamento e a imensa atração que um deve sentir pelo outro. E não somente isso, pois está programada também a constituição da prole.

As más línguas proclamam ao mundo que fazer sexo é fazer amor. Desde que essa proclamação venha a se referir ao sexo no seio familiar, tem a minha plena e total concordância, pois que o sexo praticado no seio da família é resultado do amor familiar que o homem e a mulher sentem um pelo outro, estreitando ainda mais os laços amorosos que os prendem um ao outro, por conseguinte, o companheirismo. Mas desde que venha a e referir ao sexo avulso, tem a minha plena e total discordância, pois que considero isso apenas depravação, caracterizando-se como sendo uma degeneração dos valores morais e éticos, portanto, uma má educação.

Logo em seguida, podendo até anteceder à espécie do amor familiar anterior, se for o caso, vem o amor dos avós pelos seus netinhos, tal como se fosse a reaparição dos amores materno e paterno em um só, mas sem as ligações diretas carnais, por ser um pouco mais distante a descendência, apenas um degrau além, porém permanecendo latente esse amor nas gerações, em virtude das heranças ancestrais ou reversivas. É óbvio que os avós não têm as responsabilidades diretas de educar e prover aos seus netinhos, que são das competências dos pais, por essa razão eles são livres para se dedicarem totalmente a apenas produzir o seu amor avoengo, quando são realmente bons avós, e quando não se deixam levar pela impaciência e pela intolerância, em face do cansaço advindo da própria velhice, portando-se frente àqueles seres humanos gerados pelos seus próprios filhos, principalmente quando pequeninos, tais como se estivessem perdido o prazo de validade para este mundo, ou as condições paternas pertinentes, dizendo “bobagens” ou praticando as ações mais divertidas, em outras palavras, caducando com os seus netinhos. Mas tanto pelos seus filhos como pelos seus netinhos, eles são capazes de tudo em prol das suas felicidades.

A seguir vem o amor dos filhos em relação aos pais, o qual vem se desenvolvendo desde a infância e que vai se intensificando cada vez mais, até em retribuição, em virtude deles sentirem em seus espíritos o imenso amor que estes produzem em relação a si mesmos, assim como também os esforços que empregam em seu favor, sempre com afeto, zelo e sacrifício nos seus cuidados, nas suas proteções e nas suas educações, entregando-se quase que por inteiro aos labores dessas tarefas, sempre dedicados no intuito de consagrá-los perante este mundo, para que eles vençam e se tornem cidadãos dignos, honestos, decentes e honrados, cumpridores das suas obrigações e dos seus deveres, sentindo-se imensamente orgulhosos e gratificados quando alcançam a esses desideratos.

Tudo isso é representativo dos direitos dos filhos e das obrigações dos pais. Por isso, quando eles se tornam adultos, vão cumprir com os seus filhos as mesmas obrigações que aprenderam com os seus pais, os quais cumpriram igualmente com eles, para que assim a sua prole tenha também os mesmos direitos que eles tiveram quando crianças e adolescentes. Essas obrigações exigem dedicação e tempo quase exclusivos, o que os forçam a colocar os pais em segundo plano, e quando se tornam avós, os netinhos assumem a esse segundo plano, com os pais passando para o terceiro, ocasionando a existência de uma espécie de hierarquia dos amores de família. Mas, na realidade, não existe hierarquia alguma, mas sim as manifestações das mais diversas espécies dos amores proporcionados pela família. O que vale aqui novamente repetir a uma indagação: é ou não é a família a célula da humanidade?

Como que tentando arremedar o amor filial, ou, em analogia a esse amor, a sabedoria popular denomina a qualquer ser humano em relação ao local onde nasceu de filho, para que dele sendo natural, oriundo, possa amar a esse local tal como ama aos seus pais. É por isso que os seres humanos amam aos bairros onde nasceram, e, por extensão, as cidades, os Estados e os países, em que estes formam as nações, advindo daí o imenso amor que dedicam à pátria querida.

No entanto, o amor à pátria não advém da sabedoria popular, mas sim do plano astral, onde lá são previamente traçados os planos para a reencarnação de todos os espíritos integrantes da nossa humanidade, para que assim sejam formados os vários ajuntamentos humanos, retratados por intermédio das diversas nações, com cada uma tendo uma função a desempenhar no contexto da nossa humanidade. Por isso, aquele que trai a sua pátria, seja na guerra, seja com a prática danosa da corrupção, ou de outra maneira qualquer relativa à traição, demonstra a grande inferioridade da sua alma, cuja lama escorre pútrida pelo esgoto do seu corpo fluídico, em direção aos mais baixos níveis das ações humanas, por também haver traído tudo aquilo que se comprometeu a honrar em plano astral. Quão triste é a traição!

Aliás, todas as espécies de amores produzidos aqui neste mundo são integralmente provenientes da Sabedoria Universal, pois todos os laços familiares, patrióticos e outros, relativos a este mundo, foram previamente traçados em plano astral. Com isso, aqueles que foram inimigos em uma encarnação podem vir como pais, filhos, irmãos ou ligados a outros laços parentescos na próxima encarnação, ou mesmo como companheiros que lutam em prol de algum ideal que seja nobre, para que assim possam proceder as suas aproximações com vistas a se desfazerem os antigos laços que os prendiam ao ódio, ao rancor, aos desejos de vingança e outros, libertando-os e possibilitando as suas evoluções mais a contento.

Com relação a essas tentativas de arremedar o amor filial, a sabedoria popular também instituiu esse título aos seres humanos em relação à casa onde receberam ensinos, ou também às pessoas que lhos ministraram, ou, ainda, ao fundador da ordem ou ao convento em que tomaram hábito, como é exemplo os filhos de S. Vicente de Paulo. Há também outras instituições, como os filhos de santo, pessoas voltadas ao culto de um santo ou orixá, no culto fetichista afro-brasileiro; filhos do Sol e netos da Lua, pessoas que se consideram descendentes de estirpes muito ilustres; filhos de Marte, os que seguem a profissão das armas; e outros.

E não param por aqui as inúmeras arremedações das filiações, pois existem os seres humanos que são moralmente tão apegados, tão unidos, tão ligados a alguma coisa, que anseiam ardentemente pela companhia dessa coisa, razão pela qual a sabedoria popular os denominam de filhos dessa coisa, como são exemplos os filhos da fortuna, em relação àqueles que adoram a riqueza, os filhos da Candinha, em relação aos maldizentes, os filhos da noite, em relação aos gatunos, e outros. Por outro lado, como que em compensação, existe também a amorosa expressão de carinho com que os seres humanos se dirigem às pessoas queridas, ou mesmo aos conhecidos, e, às vezes, até aos desconhecidos, quando dizem: “meu filho, …”; mas aqui tal expressão se refere diretamente aos sugestivos amores da mãe ou do pai, e não propriamente ao amor filial.

Logo depois, vem o amor do irmão para outro irmão, cujo nome exprime o parentesco de um ser humano do sexo masculino em relação a outros de qualquer sexo que hajam nascido do mesmo pai e da mesma mãe, os chamados irmãos germanos, carnais ou bilaterais. Ou só do mesmo pai e de mãe diversa, os chamados irmãos de pai, ou irmãos consanguíneos. Ou só da mesma mãe e de outro pai, os chamados irmãos de mãe, ou irmãos uterinos. Com estes dois últimos sendo chamados de meio-irmãos. Como o amor dos irmãos é diferente dos amores dos pais, e estes do amor dos avós, ele se posiciona um pouco equidistante em relação à sublimidade destes dois últimos, embora jamais perca a sua característica de amor familiar, obviamente, em virtude de ser prática dos seres humanos considerarem mais aos filhos, aos netos e aos pais do que aos próprios irmãos, por força das suas devidas obrigações assumidas. Então tendem a proceder como se estivessem descido algum degrau do amor, apesar da parecença e da semelhança provenientes da ancestralidade, passando a ser mais considerado como se fosse uma imensa afeição, uma belíssima amizade, daí o fato dos irmãos terem as suas obrigações em relação aos outros, por isso não devem jamais abandoná-los, quando verdadeiramente são irmãos, cumpridores daquilo a que se comprometeram em plano astral, quando mais conscientes, quando mais lúcidos, quando mais racionais.

E aqui se explica a formação das inúmeras irmandades, quando os seres humanos se associam, unem-se, ajuntam-se e se igualam, com o fim de tratar geralmente de cultos credulários, ou de outras espécies, formando o companheirismo nas confrarias ou sociedades, quando adotam quase os mesmos hábitos de vida, por comungarem das mesmas ideias, em que consideram as suas afeições e amizades um arremedo do amor de irmão, tal é o exemplo a confraria de S. Martinho, cuja irmandade ou confraria bebe vinho excessivamente, tendo por hábito se embriagar, e tantas outras que se formam, com o efeito de irmandecer.

Há que se destacar mais duas espécies de amores familiares, as quais, de início, não se prendem diretamente aos laços consanguíneos, mas que são tão importantes que devem se situar ao nível dos anteriormente citados, que são os amores produzidos pelos sogros em relação aos seus genros e noras, tais como se fossem uma extensão do amor produzido em relação aos seus próprios filhos, e os amores produzidos pelos genros e noras em relação aos sogros, tais como se fossem uma extensão do amor em relação aos próprios pais. De fato, quando os nossos filhos se casam, devemos receber os novos integrantes da família de uma maneira tal que o amor produzido em relação a eles se prolongue naturalmente aos seus cônjuges, os quais não serão somente os seus eternos companheiros, como também os pais dos nossos netinhos, quando finalmente se prendem diretamente os laços consanguíneos.

Temos, por fim, os amores familiares que são um pouco mais afastados, em virtude dos laços consanguíneos que os prendem serem mais distantes, mas que nem por isso devem ser relevados, pois todos eles são de suma importância para arremedar o amor espiritual, desde que haja um pouco de evolução nos espíritos daqueles que por eles se encontram entrelaçados. Tais como os amores produzidos pelos tios em relação aos sobrinhos, e vice-versa, o amor entre os primos, seja de que grau for, e outros.

Apenas um adendo para encerrar de vez as espécies dos amores familiares, que é a menção do amor produzido pelos bisavós em relação aos seus bisnetinhos, mas que ainda é tão raro de acontecer, que geralmente quando acontece os mesmos já estão tão velhinhos que perdem a capacidade de agir igualmente quando eram avós, tornando-se mais passivos em relação às suas ações neste sentido. E já que estamos nos referindo aos bisavós, devemos nos referir também aos bisnetos, cujo amor produzido em relação aos bisavós geralmente se limita à fase infantil, quando muito à fase adolescente, e raramente à fase adulta, por isso carece de uma maior consciência em sua produção.

Todos esses amores familiares variam segundo as suas espécies e segundo o grau de evolução de cada ser humano. Mas embora eles sejam diferentes em suas produções, todos devem ser devidamente incentivados nas almas dos seres humanos, para que eles vivam acalentados aos sons maravilhosos desses prodigiosos amores familiares.

Muito citado pelos seres humanos em geral é o amor platônico, considerado ordinariamente como sendo o amor que duas pessoas de sexos diferentes têm uma pela outra, quando esse amor é isento de qualquer desejo sensual. Devemos aqui considerar que o amor platônico é um prenúncio do amor cristão, uma vez que Platão foi a encarnação imediatamente anterior à encarnação de Jesus, o Cristo.

Agora nós podemos adentrar ao amor espiritual, que é o amor puro, verdadeiro, autêntico, o qual no futuro deverá ser praticado por todos os seres humanos, para a glória eterna da nossa humanidade. O amor espiritual indica uma afeição profunda que o ser humano deve dedicar ao próximo quando alcança um determinado grau na escala evolutiva, uma vez que somos todos iguais em essência, quer dizer, em espírito, e todos evoluímos adquirindo as propriedades de Deus, que são a Força, a Energia e a Luz, para que assim possamos alcançar por inteiro a essa produção máxima do espírito, cuja tendência nos inclina para nos unirmos fraternalmente, para que possamos nos tratar com ternura, carinho, brandura, cuidado, zelo, pautando as nossas ações com base nessa produção máxima do espírito, que deve ser o amor a ser realmente considerado no futuro.

Muitas vezes o complemento para o amor pode consistir também em um substantivo precedido de uma preposição, como o amor de Deus, que é incomensurável e inconcebível por qualquer ser humano, por mais evoluído que seja, uma vez que a Inteligência Universal não pode ainda ser compreendida neste mundo. Como o amor do próximo, que muitas vezes, naqueles espíritos mais evoluídos, sobrepujam a produção da amizade espiritual e se tornam a produção do verdadeiro amor espiritual. O amor da pátria, que desperta nos verdadeiros patriotas um amor incondicional pela nação, pelo agrupamento humano do qual fazem parte integrante e que sempre é acompanhado da devida lealdade, cujo valor esses verdadeiros patriotas consideram superior à própria vida. E como o amor do Cristo, que é o exemplo maior do amor entre a nossa humanidade, e que por isso se expressou da seguinte maneira: “Amai ao próximo como a ti mesmo”; cuja verdadeira conotação deste ensinamento veremos mais à frente.

Para aqueles que ainda encontram dificuldades em seus pensamentos com tudo aquilo que acima foi posto, devem fazer as indagações seguintes: como é que eu posso amar ao próximo ainda mais do que eu amo aos meus filhos? Como é que eu posso amar ao próximo ainda mais do que eu amo ao meu marido ou à minha esposa? Como é que eu posso amar ao próximo ainda mais do que eu amo aos meus pais? Como é que eu posso amar ao próximo ainda mais do que eu amo aos meus parentes e amigos? Todas essas indagações são naturais e devem ser refletidas, pois sem que se apercebam estão sendo induzidos a refletir sobre o amor, em todas as suas nuances, comparando os seus arremedos ao verdadeiro amor. Mas não devem se esquecer que, antes, devem produzir a amizade, a amizade espiritual, que é de natureza fraternal, e que por isso faz emergir a solidariedade, para somente depois, então, poderem produzir o amor espiritual. Então que se contentem com os amores familiares e passem a cultivar primeiramente a amizade espiritual, que depois o amor espiritual será devidamente produzido no futuro, em tempo certo, pois esta é a nossa meta maior.

No entanto, apenas com o intuito de clarear um pouco mais as mentes desses seres humanos que estão a refletir sobre o amor, que atentem para as comparações seguintes: os amores familiares estão ligados pelos laços feitos com a ilusão da matéria, que são consanguíneos, enquanto que o amor espiritual está ligado com os laços feitos com a realidade da essência, provenientes do Ser Total, portanto, de Deus; os amores familiares tendem a se extinguir com as desencarnações dos familiares e de si mesmos, enquanto que o amor espiritual é eterno e universal; os amores familiares são discriminativos, pois que dedicados a um pequeno número de seres humanos, enquanto que o amor espiritual não discrimina, pois que é dedicado a todos os seres humanos, assim como também aos demais seres infra-humanos; os amores familiares são diferentes entre si, enquanto que o amor espiritual é único; os amores familiares priorizam aos seres humanos em favor de quem eles são produzidos, distinguindo uns dos outros, enquanto que o amor espiritual é comum a todos os seres humanos, igualando uns aos outros; os amores familiares são relativos, enquanto que o amor espiritual é absoluto.

É sabido de todos que o amor de Deus é Infinito, inconcebível para qualquer ser humano, por isso, quando em situação desesperadora, a frase mais utilizada quando se pede alguma coisa instantemente, é a seguinte: “Pelo amor de Deus!”. Isso indica, além do desespero, que o amor de Deus é o que existe de mais importante e valioso em nossas existências. Em sendo assim, por que nós, seres humanos, mas que somos essência de Deus, portanto, espíritos, também não procuramos despertar em nossos íntimos a sublimidade desse verdadeiro amor, pelo menos uma fagulha em todo o seu clarão universal?

O ser humano amado é sempre aquele que é objeto de especial amor, por isso muito querido, dileto por demais. Dizem os compêndios que S. João Evangelista era o discípulo amado de Jesus, embora todos o fossem, mas que Cristo tinha um carinho todo especial por ele, o que se pode pôr em dúvida, pois o amor cristão é idêntico e incondicional a todos os semelhantes, em consequência, prescinde de favoritos. Muitos seres humanos confundem favoritismo com afinidade e atração, ou mesmo com intimidade na convivência, mas todos são completamente distintos uns dos outros.

Sabemos apenas que Deus é Essência, é Força Total, é Energia Total, é Luz Total, mas nada mais sabemos a respeito do Criador, uma vez que a sua grandeza é Infinita, Perfeita e Ilimitada. Que evoluímos espiritualmente como essência, para adquirirmos as Suas propriedades, as quais vão se alojando parceladamente em nós e fazendo parte integrante do nosso ser, cada vez mais, à medida que vamos progredindo na escala evolutiva universal, sempre adquirindo mais Força, mais Energia e mais Luz, que formam as nossas almas.

Se em nosso atual estágio evolutivo não reunimos ainda nem as condições adequadas para podermos produzir a verdadeira amizade em relação aos nossos semelhantes, que é de natureza espiritual, e muito menos amar ao próximo como deveríamos amar, do modo como Cristo nos ensinou, espiritualmente, como podemos reunir, atualmente, as condições adequadas para amar a Deus, em toda a sua incomensurabilidade, se a nossa compreensão é insuficiente para tal alcance? Como podemos amar a uma Entidade que ainda desconhecemos? Como podemos amar a uma Entidade quando ignoramos a Sua natureza, em sua Infinitude, Perfeição e Ilimitação?  Como podemos amar a uma Entidade que não possui forma, imagem ou limites, com os quais estamos acostumados e que faz parte integrante do nosso dia a dia? Qualquer ser humano de média intelectualidade há de concordar que isso é impossível atualmente, que ainda não reunimos as condições adequadas para amar ao Criador, face ao nosso grande atraso na escala evolutiva universal.

No entanto, os arrebanhados da classe sacerdotal, principalmente esta, juram por todos os fictícios santos que amam ao seu deus sobre todas as coisas, geralmente o deus bíblico, que incrivelmente possui a imagem e a semelhança humana, de carne e osso, mas com a diferença de ser hermafrodita, já que criou o homem macho e fêmea, tal como ele, sendo por demais iracundo, ciumento, vingativo, rancoroso e metido a ser genocida para ser considerado pelos espíritos mais evoluídos, exatamente assim como eram aqueles que acreditaram em suas baboseiras ditas através dos médiuns.

Que é chefe de exércitos, como os reis de antigamente igualmente o eram, que com os seus exércitos travará uma batalha final com Satanás, outra das ficções da ignorância humana, pois os anjos não passam de espíritos obsessores que integram as falanges de Jeová, em que os anjos que se revoltaram jogam por terra a onisciência desse espírito obsessor metido a ser o verdadeiro Deus.

E que exterminará a maioria dos seus filhos pecadores, denotando ser um genocida, além de um péssimo pai, pois todo pai que se preza, quando é verdadeiramente pai, emprega todos os esforços possíveis e imaginários na recuperação do filho desviado, e nunca a decretação da sua extinção, ou de arder eternamente no fogo do inferno, outra ficção da ignorância humana, posto que no Universo não existe tal antro da invencionice humana, pois o que muito se assemelha a tal antro são os templos e as igrejas em que a classe sacerdotal pratica as suas mentiras, as suas patifarias, os seus estelionatos, os seus engodos, dando vazão às suas ignorâncias, explorando e sugando as economias dos incautos arrebanhados, já que todos esses templos e igrejas são povoados por espíritos já desencarnados, por demais atrasados, que fazem parte integrante do astral inferior, que ajudam aos sacerdotes no arrebanhamento dos seus seguidores, e os intuem fortemente para a explanação das suas doutrinas incongruentes, em que os seus deuses, sejam eles bíblico, alcorânico, ou outros, são manipulados a torto e a direito, como se diz comumente, sempre na promessa da ajuda financeira aos seus adeptos, de realizar milagres de toda qualidade, curas espetaculares, sempre contrárias às leis e aos princípios da natureza, e a distribuir bênçãos abundantemente, como se as bênçãos fossem de alguma utilidade espiritual. Para tanto rezam e oram fanaticamente, sempre com o objetivo do peditório, pois são pidonhos inveterados, sem atentarem para o fato de que temos tudo o que precisamos para podermos evoluir, pois a Providência Divina é pródiga para todos em sua natureza.

Como se pode facilmente constatar, até com sobras, esse amor jurado por todos os fictícios santos ao deus descrito pela classe sacerdotal é todo balela, é todo mentira, por ser falso, por ser fruto da ignorância do verdadeiro Deus; uma vez que é proveniente do temor infundado que se deve ter ao deus de carne e osso, pois para isso foram pelos sacerdotes muito bem doutrinados; do medo terrível da salvação, já que foram ensinados a conviver com as investidas do tal Satanás inventado e a temer o fogo do seu inferno, quando aqui neste mundo ele é produzido em abundância; da humilhante genuflexão, ação que consiste em dobrar o joelho ou os joelhos, rebaixando-se vergonhosamente perante um ser julgado superior, algo que um espírito altamente evoluído como Jesus, o Cristo, jamais suportaria que alguém realizasse tal ato em relação a ele, imagine-se o próprio Criador; e, finalmente, da ajuda que esperam desse deus em todos os sentidos, da cura ao enriquecimento, para isso enriquecem aos sacerdotes na esperança de que esse deus os retribuam generosamente. Por que esse deus não enriquece diretamente aos sacerdotes, afinal, ele não é o deus das causas impossíveis?

Isso tudo contribui para que os seres humanos mintam descaradamente e afirmem amar sobre todas as coisas a um deus feito à sua imagem e semelhança, quando, na verdade, o que eles fazem é cumprir um ritual de adoração, submissos que são, em todos os sentidos, ao comparecerem a um culto dito sagrado, em que se rende homenagem a uma certa divindade, manipulada habilmente pelos sacerdotes e apelidada de deus vivo, prostrando-se diante de um altar qual um vassalo que se prostra diante do seu rei, solicitando bênçãos reais e sacerdotais, implorando por misericórdia, sempre na esperança do perdão para as suas faltas, ignorando que todo o mal praticado deve ser rigorosamente resgatado, para que assim os seus débitos sejam compensados com os créditos conquistados.

Ignorando totalmente que existe um amor verdadeiro entre marido e mulher, uma vez que o sexo não passa de uma consequência dessa união, de uma retribuição da Providência Divina pelo tremendo encargo que ambos assumem na constituição de uma família, tendo que cuidar da prole e educá-la, às vezes sendo bem numerosa, vem a Igreja Católica focar o amor conjugal exclusivamente no sexo, como mal ensina a Teologia do Corpo, através do papa João Paulo II, afirmando que o amor é uma virtude teologal, aplicado nas relações conjugais humanas, em que esta comunhão do homem e da mulher é um ícone da vida do seu próprio deus, que leva não apenas à satisfação, mas à santidade, que a relação sexual conjugal é considerada como sendo a grande expressão humana e totalmente humanizada do amor idealizado pela Igreja, onde o homem e a mulher se unem e se complementam reciprocamente. Por isso, na tentativa estúpida e grosseira de justificar o sexo avulso, querendo até exaltá-lo, os seres humanos denominam a relação sexual de “fazer amor”, ignorando completamente que o amor não se faz por intermédio da carne, produz-se com o espírito. Por que, então, essa Teologia do Corpo não estende essa concepção que leva à santidade a Maria, a mãe de Jesus, o Cristo, ao afirmar contrária e preconceituosamente que ela era virgem?

A Igreja Católica, assim como as suas seitas, têm em suas doutrinas mal formuladas o coração como sendo a fonte do amor, tanto que as imagens e os retratos produzidos de Maria, a mãe carnal de Jesus, o Cristo, apenas um espírito altamente evoluído que deu à luz Jesus, que cumpria com as suas obrigações de esposa, por isso era mulher, e não a virgem mãe de um Cristo que pseudamente seria um deus, como os bíblicos querem a todo o custo impor aos que lhes são fiéis, aparecem com o coração exposto, tal como se esse órgão fosse sagrado, como se fosse o símbolo do amor. Quanta materialidade! Ora, o coração não passa de um órgão oco e musculoso de forma cônica, o qual é o centro da circulação do sangue, que daí parte a se distribuir por todo o corpo, por isso nada tem a ver com o amor. Portanto, quando aqueles assim se expressam: “Um beijo no seu coração”; querem dizer que querem molhar as suas bocas de sangue, pois o coração não é lugar apropriado para se beijar, visto não possuir nenhuma relação com a produção maior e mais perfeita do espírito, que é o amor.

O verdadeiro amor, que é de natureza puramente espiritual, deve ser produzido pelos próprios seres humanos em suas relações entre si, pois devemos primeiro amar ao próximo como a nós mesmos, como Jesus, o Cristo, assim nos ensinou, para só mais tarde então podermos reunir as condições evolutivas para pensarmos em Deus, para amarmos a Deus, quando estivermos convictos de que o amor espiritual se fez valer em nossos espíritos, ou seja, quando os raios fulgurosos de luz nos banharem por completo ao produzirmos o verdadeiro amor. Pra tanto, torna-se absolutamente necessário que antes venhamos a produzir a amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal.

Deve ser maravilhoso, belo de se presenciar, um verdadeiro espetáculo da natureza, fruto da evolução espiritual, uma plêiade de espíritos altamente evoluídos, habitantes de Mundos de Luz, cujas luzes são puríssimas, reunidos em cordões de luz que cintilam abundantemente, produzindo o verdadeiro amor, todos ligados por uma luz resplandecente, diferente e infinitamente mais clara e esplendorosa do que a luz do Sol, em suas marchas triunfantes rumo ao Criador. Compartilhar dessa plêiade e se alçar aos Mundos de Luz mais elevados é um dos objetivos deste rabiscador, mas que deveria ser o objetivo maior de todos os demais seres humanos. Para tanto, devem primeiro se esclarecer espiritualmente.

O amor verdadeiro somente é produzido quando se alcança a um determinado estágio evolutivo, por intermédio da propriedade da Luz. Em inteira conformidade com essa assertiva, Platão, que foi a encarnação imediatamente anterior de Jesus, o Cristo, vem nos dizer com clareza que o amor somente pode ser produzido conforme a razão, por isso é também sábio e bem temperado de beleza e honestidade.

Luiz de Mattos diz que o amor verdadeiro produzido por um ser humano que também produz bons sentimentos e pensamentos, portanto, um ser humano de virtude, em horas boas, quando parte de uma vontade bem educada, é permanente, não se altera, por maior que seja, por vezes, o sofrimento porque o faça passar a pessoa a quem se dedica. Por isso, ele é diferente dos amores familiares, que às vezes perdem a sua natureza de permanente, alterando-se, quando os familiares provocam sofrimentos nos demais, então vemos os pais se desentenderem com os filhos, estes com os pais, o marido com a mulher, e vice-versa, o irmão com o irmão, e outros, quando então praticamente se extinguem os amores familiares, e são substituídos pelo ódio, pelo rancor, pela ingratidão, com as mágoas aflorando, passando todos a agir tais como se os laços familiares tivessem sido completamente desfeitos, rompendo uns com os outros. Que todos fiquem cientes e precavidos em relação a estes fatos, pois sempre é o astral inferior quem se encontra por trás desses desatinos, atuando oculto para semear o mal no seio familiar, e mesmo até entre os amigos, quanto mais em relação aos estranhos.

Ao doutrinar um representante do credo espírita — sendo que este só lida com espíritos que fazem parte integrante do astral inferior, pelo fato dele ser bíblico, portanto, adorador de um falso deus, e de ignorar a existência do Astral Superior, mas que os espíritos quedados na atmosfera da Terra, quando por eles invocados, dizem-se ser espíritos de luz, ao se manifestarem, os quais apreciam muito a palavra caridade —, Luiz de Mattos diz também que esta palavra caridade, ressalte-se, segundo os dicionaristas, quer dizer:

  • Amor ao próximo;
  • Uma das três denominadas virtudes teologais, que representa a benevolência, a bondade e a esmola.

Que como se pode ver, a caridade é uma palavra cujo significado só muito tardiamente poderá ser conhecido, sentido e aplicado pela nossa humanidade, tal é o triste estado de atraso espiritual em que ela se encontra. E que se a caridade, como diz o dicionarista, significa o amor ao próximo, torna-se impraticável, por ser o amor a maior, a mais perfeita das produções do espírito, que só pode, portanto, produzir e emitir as suas centelhas de luz quem for completamente virtuoso.

Mas Luiz de Mattos se esqueceu de também dizer que todos nós, espíritos humanos, por amor ao próximo, devemos ser solidários uns com os outros, obrigatoriamente, como requer a fraternidade universal, por isso o termo caridade não deve vingar em nosso meio, mas sim a solidariedade e a obrigação recíprocas que devemos ter uns para com os outros, uma vez que ninguém deve ser considerado melhor do que os outros para ser denominado de caridoso, cuja palavra designa notadamente a ajuda material, que desta maneira deve ser substituída pela magnanimidade e pela liberalidade, que são atributos espirituais, uma vez que os caridosos de hoje podem ser os que necessitarão da caridade no futuro, então a regra deve ser a solidariedade fraternal, que deve ser comum a todos.

Luiz de Mattos diz ainda que não se sabe, até agora, como tratar de qualquer coisa sem base sólida, sem alicerces bem fundados e argamassados. Que também está fartamente sabido que não se pode amar verdadeiramente o que verdadeiramente não se estuda e, portanto, não se conhece. Esse dizer de Luiz de Mattos reforça a tese de que ainda não reunimos as condições de amar a Deus, posto que não O conhecemos como deveríamos conhecer. Como também não reunimos as condições de amar sequer ao próximo, posto que também não nos conhecemos como deveríamos nos conhecer. Isto implica em dizer que devemos nos conhecer a nós mesmos, em primeiro lugar, como Jesus, o Cristo, assim nos ensinou.

Luiz de Souza diz que o verdadeiro amor é desinteressado, eterno e espiritual. É desinteressado porque se alia ao sacrifício, pois nada pede, nada reclama, nada exige e tudo oferece, desprendidamente; nesse estado o espírito se sente feliz de poder ser útil, de notar válidos os seus préstimos, de se reconhecer como sendo uma parcela integrante do Todo, que é todo amor. É eterno porque, uma vez revelado, nunca mais se perde, não diminui, não acaba e acompanha o espírito na rota para a eternidade. É espiritual porque é atributo do espírito, a sua produção, nada influindo nele a matéria, como influi nas espécies de amores familiares.

Luiz de Souza diz também que Jesus, o Cristo, quando insinuou que se deveria amar até aos próprios inimigos, mostrou como são dilatados os horizontes do seu racionalismo, e quanto será preciso percorrer ao ponto de se amar, sem esforço, espontaneamente, aos desafetos gratuitos, que, por ignorância, agridem-nos.

Procedendo a uma leve brincadeira com um conhecido meu, o qual é arrebanhado pelo credo denominado de Testemunhas de Jeová, a ele me dirigi com as seguintes palavras:

— Edmar Cardeal, você é “obrigado” a me amar, pois Jesus, o Cristo, disse que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, então você “tem” que me amar, quer queira, quer não, então não estará de acordo com a Bíblia.

Ele me olhou com uma expressão sorridente e até de satisfação, crente que realmente amava ao próximo, apesar de ignorar totalmente a natureza do amor espiritual, aludindo a Jesus, o Cristo, em simples repetição, sem ter a mínima noção daquilo que realmente dizia, exclamando o seguinte:

— Nós devemos amar até aos nossos inimigos!

Ora, o ser humano considerado por todos como sendo o nosso inimigo é aquele que nos é hostil na vida, adverso às nossas pretensões, contrário às nossas ações, que por isso nos aborrece, fazendo com que o detestemos e tenhamos indisposições em relação a ele, ocasionando a que às vezes se instale em nossas almas o abominável ódio. Daí a expressão cores inimigas, as que se não podem unir sem ofender a vista, como o azul e o vermelhão, cujo conjunto produz tons duros e desagradáveis. Mas, mais comumente denominado de inimigo é o inventado Satanás, que os sacerdotes adoram a assim chamá-lo, e até alguns autores, que deveriam ser mais esclarecidos, como Brito Camacho, que em sua obra intitulada de Gente Rústica, a página 204, assim se expressa:

O Inimigo só tem poder nas criaturas que estão fora da graça de Deus”.

Mas, na realidade, não existem inimigos, pois tudo na vida é proveniente do determinismo, por isso aqueles que nos parecem hostis, que são adversos às nossas pretensões, contrários às nossas ações, estão apenas servindo de instrumentos para provocarem em nossas almas os aborrecimentos e tenhamos indisposições em relação a eles, para que assim possa emergir o ódio, e, ao senti-lo, possa ele ser devidamente avaliado e mensurado, para que então possamos reagir, enfrentá-lo e derrotá-lo, fazendo emergir o amor com toda a sua pujança.

Então, na verdade, o inimigo a ser combatido é o ódio, e não o ser humano que o fez despertar, que está agindo como o nosso amigo, como o nosso aliado, mesmo que ambos ignorem a este fato. Ora, o exemplo clássico que faz despertar o ódio e os rancores são os partidos ou as facções opostas, cujos militantes consideram os seus opositores como inimigos, como se fossem tropas inimigas. E por falar em tropas inimigas, temos que tomar como exemplos os grandes generais, que em guerra contra as nações inimigas, não odiavam aos seus adversários, muito pelo contrário, até os admiravam e amavam, como é grande exemplo o caso de Cipião Africano, o general romano, em relação a Aníbal, o general cartaginês, durante a 2ª Guerra Púnica, entre Roma e Cartago.

É por isso que Heráclito está coberto de razão quando escreve uma das mais belas páginas da história da nossa humanidade, que deve ser devidamente analisada e refletida por todos os seres humanos, quando, ao mostrar a sua iluminada alma, condena aqueles que almejam pôr termo à luta no mundo, em relação aos contrários, ao assim se expressar:

Sem essa tensão dos opostos não haveria a afinação, ou a harmonia, a teia da vida deixaria de oscilar e cessaria o desenvolvimento. A harmonia não é o fim do conflito, mas uma tensão na qual nenhum dos elementos jamais chega a vencer definitivamente, já que ambos funcionam indispensavelmente. A luta pela existência é necessária para que o melhor possa ser separado do pior, e assim possa ser gerado o mais elevado. A luta é o pai e o rei de tudo, pois escolheu alguns para deuses e outros para seres humanos, a alguns transformou em escravos, a outros deu a liberdade. Por fim, a luta é a justiça, a concorrência de indivíduos, grupos, espécies, instituições e impérios, constitui a suprema corte da natureza, contra cujo veredito não há qualquer tipo de apelação”.

Maria Cottas diz que nada no mundo resulta bem feito, se não se faz com amor; desde o ladrilho que fabrica o torneiro, ao verso que escreve o poeta, ou à estátua que modela o escultor. Que quando em alguma obra falta o amor, percebe-se logo a desarmonia em sua feitura.

Isabelle Riviére diz que todos os sofrimentos do mundo são carências de amor. Que desde o menininho que chora, soluçando, porque apanhou da mãe irritada sem razão, até o velho avô que os netos se esquecem de beijar; desde a moça feia, sozinha, em um canto, até a mulher abandonada que se atira no rio; desde o amigo que espera, em vão, ao outro, no encontro marcado, até o rapaz de vinte anos, morrendo, sozinho, no leito do hospital, enquanto a enfermeira toma café na cozinha; desde o garoto entregue ao asilo, até o homem condenado à morte, todos sofrem por carência de amor. Que cada um deles tinha o direito a um pedaço de vida e amor de alguém, que falhou.

Nilton Figueiredo de Almeida e Célia Caccavo F. de Almeida dizem que quem entender que os sentimentos devem vibrar superiormente para o bem, começará a se capacitar para identificar a amizade. Amizade que, quando pura e sincera, prenuncia a produção sublime do amor. Que a amizade, esta sim, é direcional, tem direção e exige reciprocidade. Mas que o amor, sendo total e abrangente, não exige a reciprocidade, pois quem tudo tem e tudo dá não precisa receber. Que sendo o planeta Terra uma unidade-escola onde existem variadas categorias de espíritos cumprindo currículos diferentes, torna-se quase impossível alguém sublimar uma ou outra produção do espírito, imagine-se sublimar todo o conjunto, capacitando-o a emitir raios de luz com a intensidade necessária e capaz de igualar às emissões daquele Homem-Padrão. Que o amor é a suprema emissão de raios de luz que só poderá ser sentida em planos de vida superior, onde não haja nenhuma possibilidade de existirem vibrações magnéticas inferiores, radiações elétricas negativas e as suas combinações. Que só se pode sentir os raios de luz do amor quem é capaz de ouvir e de entender as estrelas. Onde a amizade é difícil, o amor é impossível!

Jesus, o Cristo, referiu-se a Deus como Pai. Em sendo assim, nós podemos facilmente concluir que todos os seres são filhos de Deus, já que tudo o que existe como vida no Universo se resume em Essência, em que os seres são as partículas individualizadas, sendo, portanto, também essências, e em Propriedades, que são a Força, a Energia e a Luz, através das quais os seres evoluem inicialmente por intermédio das propriedades da Força e da Energia, passando a evoluir por intermédio da Luz quando alcançam a condição de espíritos. Então a conclusão óbvia é que nós somos todos irmãos, mas em essência, e não em carne e osso.

Daí deve surgir a verdadeira fraternidade, que é própria de irmãos, que pertence a irmãos, mas circunscrita ao âmbito da espiritualidade, e não ao âmbito material, por isso o amor espiritual deve ser fraternal, próprio dos irmãos eternos e universais, e não dos irmãos efêmeros, que é restrito a apenas uma encarnação, cuja solidariedade, cordialidade, afetuosidade, e tudo o mais que seja inerente ao amor fraternal, possa permitir promover o afeto e o carinho de irmãos para irmãos, para que assim possa surgir a união entre todos, fazendo emergir em primeiro lugar a produção da amizade espiritual, própria daqueles que vivem juntos, por habitarem a este mesmo mundo, em seguida, a produção do amor espiritual, o qual deverá unir de vez a todos os integrantes da nossa humanidade, estreitando as suas relações recíprocas, em virtude da sua universalidade permitir que se estabeleça a plena harmonia aos habitantes deste planeta.

O amor espiritual é tão universal, que deve se estender a todos os seres, sejam eles humanos ou não, dos mais evoluídos aos menos adiantados. Em razão disso, devemos amar a todos os espíritos indistintamente, inclusive àqueles mais atrasados, que são renitentes e ainda teimam em praticar o mal, uma vez que o preceito da evolução é obrigatório para todos, e um dia, no futuro, todos serão praticantes do bem, embora antes nós tenhamos que produzir a amizade espiritual, em que a solidariedade fraternal determina a prática do bem, pois que o amor espiritual se coloca acima do bem e do mal. Daí a grande importância de todos os seres humanos serem amados no presente, independentemente de serem bons ou maus, pois, no futuro, os maus de agora terão tanta luz como os mais iluminados de hoje. Por isso, o mérito tem que ser alcançado agora, ou, pelo menos, o mais breve possível, pois quando os maus forem também iluminados, serão cientes de que foram realmente amados em todas as circunstâncias das suas trajetórias evolutivas. E se alegrarão por isso.

Ao ultrapassarem os cabos tormentórios da vida, levando de vencida a tensão dos opostos, os espíritos de grande evolução passam a produzir um imenso amor pela sua humanidade, chegando até a ultrapassar o limite por ela imposto, estendendo-se a outras humanidades, como é o exemplo de todos o Cristo. E ao produzirem o amor em relação à sua própria humanidade, eles também passam a produzi-lo em relação aos seus próprios semelhantes. E aqui vem o ponto fundamental deste ensinamento a nós fornecido por Jesus, o Cristo, pois ao produzir o amor espiritual em relação aos seus semelhantes, os espíritos de grande evolução tendem a se esquecer de si mesmos, doando-se ao máximo ao próximo, tal como se eles mesmos não mais existissem, ou tivessem pouca ou menos importância no contexto da nossa humanidade, sendo realmente importantes apenas os seus semelhantes, aos quais eles se dedicam totalmente. Então eles tendem a incorrer nesse erro, no que vem Jesus, o Cristo, ensinar-nos a repará-lo, pois somos todos essência de Deus, portanto, filhos de um Pai único, conforme Jesus, o Cristo, afirmou. Então, da mesma maneira como devemos amar ao próximo, devemos igualmente amar a nós mesmos, uma vez que somos dignos de nos amar a nós próprios. Foi justamente por essa razão, que Jesus, Cristo, ensinou-nos:

Amai ao próximo como a ti mesmo”.

Mas não devemos confundir o real sentido deste ensinamento com o seu modo inverso, tal como se amássemos a nós mesmos, em primeiro lugar, para somente depois então podermos amar ao próximo. Quem assim interpreta a este ensinamento, está confundindo egoísmo e egocentrismo com amor, quando os seres humanos geralmente procuram ser os mais merecidos e se colocarem sempre em primeiro lugar, em detrimento dos demais, por ignorarem a existência do altruísmo, para logo a seguir resolverem colocar o próximo no mesmo patamar, como se o estivesse realmente amando.

Somente com o advento da verdade é que pode surgir a verdadeira espiritualização da nossa humanidade, com o estudo profundo acerca da Espiritologia. Mas acontece que o credo espírita, o qual lida somente com espíritos do astral inferior, mas que os seus adeptos consideram espíritos de luz, apropriou-se do termo espiritismo, sendo este empregado para se referir a esse credo. Por isso, quando alguém se refere ao espiritismo, logo os seres humanos associam ao credo espírita. Na tentativa de desassociar, alguns preferem utilizar o termo Ciência Espírita, como foi o caso do Dr. Pinheiro Guedes, mas mesmo assim continua associado, pois os credulários espíritas afirmam por todos os meios que o credo que praticam é ciência, sem saberem o que este termo, na realidade, significa. Assim, quem quiser proceder ao estudo da vida espiritual, ora em diante, deve utilizar o termo Espiritologia, que é o tratado do espírito, por ser o mais adequado.

Por isso, no que diz respeito à verdade, alguns esclarecimentos devem ser postos em relação a ela, mais propriamente em relação à sua apreensão pelo ser humano, para que de posse dela possa se certificar de que ela não deve ser confundida, jamais, com o credo espírita, e nem tampouco ser seguida, pois que todos devem seguir a sabedoria, que a tem como sendo a sua autêntica fonte. Vejamos, pois, o que Luiz de Souz nos diz sobre o assunto, em sua obra intitulada de Ao Encontro de Uma Nova Era, as páginas 40 a 44, quando ele afirma o seguinte:

Quando se fala em espiritualização, alguns pensam que se trata de invocação de espíritos, por associarem a palavra espírito à espiritualização. Ignoram esses, lastimavelmente, que são, como os demais, apenas espíritos, e que a aparência física passageira não pertence à estrutura espiritual.

Espiritualização é um estado da alma cada vez mais propenso a reconhecer, segundo o progressivo desenvolvimento, o seu ‘eu’ espiritual, a natureza real do ser. Espiritualizar-se é procurar encontrar a verdade por trás de todas as ilusões.

Ninguém pode conhecer toda a verdade, por envolver ela o Saber Total, em qualquer sentido, mas cada um pode conhecer parcelas importantes dela, na medida do seu entendimento, do seu saber, da sua capacidade espiritual de absorção.

O conhecimento da verdade não é negado a ninguém que o procure, porque ela é o mais profundo manancial da vida (fonte). Na marcha evolutiva todos vão ganhando, dia a dia, maior conhecimento da verdade, na proporção do progresso espiritual que for manifestando.

Neste mundo de vaidosos, presunçosos, atrevidos, déspotas, fanáticos, mal-educados, perseguidores e perturbados, não se pode dizer sempre tudo o que interessa à verdade com a alma aberta, porque pela falta de compreensão, ilustração espiritual e entendimento, o ódio aflora em almas aparentemente dóceis, e faz delas joguetes do astral inferior.

A verdade, pois, tem sido a causa de espantosas deflagrações do espírito humano, quando fortemente escudados nas suas convicções interesseiras, estribadas em nulos conhecimentos espirituais.

Nessas circunstâncias, a criatura costuma fazer um esforço desesperado para manter a capa que abriga o seu ponto de vista, e apela para todos os processos, inclusive os indecorosos, a fim de se resguardar na posição que lhe agrade.

Ninguém pode conhecer a verdade somente por ouvir dizer onde ela está. A verdade se revela por si mesma, a cada um, de acordo com o anseio purificante da alma, e o esforço que fizer para alcançá-la. Há, para isso, que ser sincero, leal, verdadeiro consigo mesmo, e de manter o desejo de encontrá-la, para cultivar a sua espiritualização.

No Racionalismo Cristão se apela para o emprego do raciocínio como meio de encontrar o caminho certo, à luz da verdade. Os ensinamentos ali divulgados são submetidos, fraternalmente, à razão cristeriosa, com o objetivo de fazer com que cada um veja, com os olhos da alma, a realidade dos fatos.

A verdade se sente, interiormente, com o poder da lógica, e se reflete na vida por estar em toda parte, inclusive nas leis da relatividade, pois que ela própria e a manifestação dessa e das demais leis.

Quando, com novas demonstrações científicas, uma parcela maior da verdade for publicamente revelada, de forma insofismável, os incrédulos de hoje se verão obrigados a recuar da sua pirrônica resistência, idêntica à do apóstolo Tomé, e a aceitar a vida, no seu verdadeiro aspecto.

Estão nesses casos também os credulários que se dizem cristãos e que, apegados a textos vetustos, de origem duvidosa, recusam-se a participar dos novos surtos de espiritualidade”.

Mais adiante, também na mesma obra, a página 70, confirmando que ninguém deve seguir a verdade, mas sim à sabedoria, Luiz de Souza diz também o seguinte:

A Inteligência Universal está presente em toda parte, e cada ser se move no seu oceano de Sabedoria, com uma trajetória definida. Se o mau uso do livre arbítrio não opuser dificuldades a que o espírito prossiga, serenamente, na sua jornada, pode se considerar vitoriosa a encarnação consumada, e novos horizontes serão descortinados na vida espiritual”.

E, por fim, para comprovar por inteiro que esses precursores do Racionalismo Cristão prepararam a minha vinda a este mundo, para comprovar por inteiro que a verdade é a fonte da sabedoria, e que somente o intelecto desenvolvido por determinar os rumos da nossa humanidade, vejamos o que o mesmo autor, ainda na mesma obra, as páginas 78 e 79, previu com relação às minhas explanações sobre o amor, quando ele diz o seguinte:

A verdade sendo, como ela é, uma só, não pode ser entendida de várias maneiras, nem haver discordância no seu conhecimento. Todos hão de chegar a um ponto da evolução em que não há de haver duas modalidades distintas e separadas de aceitar um conceito.

As conclusões serão positivas e convergentes, e, assim, bem se entenderão os indivíduos e os povos na marcha unida, cada  vez mais para cima. Será quando não só o intelecto demonstrará a razão e a lógica dos fatos, com união de vistas, mas, mais ainda, o amor, com a sua contribuição inseparável (grifo meu)”.

Há que se levar ainda em consideração uma ponderação fundamental em relação ao amor espiritual, partindo-se do princípio de que Deus é Essência, tal como sendo o Ser Total, e de que nós somos essências dessa Essência, tais como sendo os seres do Ser Total. Então, logicamente, o Ser Total, sendo Deus, ama aos seres que Dele são provenientes. Deus é o Todo. Ora, em sendo Deus o Todo, Ele então ama a Si mesmo. E mais: Deus está contido em cada um de nós, consoante o estágio evolutivo em que nos encontramos, o que implica em dizer que nós devemos amar ao próximo como a nós mesmos, para que assim, e somente assim, nós possamos ser consistentes com o Amor do Todo.

 

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