06.21- Quem se humilha será exaltado, quem se exalça será humilhado

A Cristologia
29 de outubro de 2018 Pamam

Há que se ressaltar aqui que o sentido de quem se humilha assume a conotação de haver se tornado humilde, e não de se haver rebaixado perante a outrem, deixando-se diminuir, abrindo mão dos seus próprios valores adquiridos no decorrer do processo da evolução.

Todos os espíritos quando se encontram encarnados possuem as suas próprias limitações, o que é natural, pois que o corpo carnal não permite que os espíritos venham a manifestar por inteiro apenas aos seus atributos superiores e positivos adquiridos no decorrer do processo da evolução, uma vez que ele pode ser considerado como sendo um invólucro que serve como revestimento para que possamos estar neste nosso mundo-escola.

É justamente esse invólucro representado pelo corpo carnal que possibilita a que os espíritos tenham inclinações por aquilo por que sentem afinidade e atração, pelo qual a matéria organizada que ele representa clama por satisfação, em que o termo matéria organizada é apenas força de expressão, já que a matéria não existe, para assim exprimir a materialidade dos seres humanos. É assim que os atributos inferiores e negativos podem ser revelados cá neste mundo, para que sendo totalmente revelados possam ser combatidos com tenacidade, com denodo, até que venham a ser sopitados de vez. Caso não fosse assim, eles não poderiam se revelar in totum, então não poderiam ser devidamente combatidos.

Nos Mundos de Luz os espíritos têm a consciência plena de todos os seus atributos, tanto os superiores e positivos, como os inferiores e negativos, mas estes últimos não se manifestam como se manifestam neste mundo, pois que lá reina sempre a harmonia, por isso eles são sopitados aos poucos, de modo lento e gradativo, por essa razão a evolução se processa de modo bem mais vagaroso. Enquanto que aqui eles se manifestam por inteiro, sendo ainda bem mais estimulados pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, cabendo aos espíritos portadores desses atributos inferiores e negativos combatê-los em todas as linhas, sendo auxiliados por outros espíritos encarnados, que apontam os seus defeitos e também os combatem em todas as linhas, ou como amigos, ou então com os rigores da lei, suprimindo assim as suas manifestações nefastas.

Pode-se assim compreender que somente os espíritos que possuem um grau de evolução mais adiantado conseguem incorporar em seu acervo espiritual o atributo da humildade, pois que estando encarnados eles adquirem a consciência das suas próprias limitações neste mundo, das suas próprias fraquezas, e assim passam a agir em conformidade com essa consciência adquirida. E sendo conscientes das suas próprias limitações, das suas próprias fraquezas, eles não tentam se projetar indevidamente sobre os demais seres humanos, e nem procuram se mostrar superior a eles, quando não cabe essa superioridade, pois que faz valer o seu bom senso em relação aos seus semelhantes, tratando a todos com respeito, com cordialidade e, principalmente, com simplicidade.

A vaidade é um atributo que retrata a irrealidade da vida, pois que ela é fruto exclusivo da imaginação, sendo um atributo daquilo que é vão, ilusório, por isso é instável e pouco duradoura a sua projeção no meio social, pois que todos podem observar o desejo imoderado do vaidoso em atrair para si a admiração, por conseguinte a homenagem, simplesmente por presumir que dela é merecedor, sem que atente para a realidade de que homenagens antes não tê-las e merecê-las, do que tê-las e não merecê-las. Sendo um ser humano simples e humilde, Luiz de Mattos reluta com veemência em ser comparado aos vaidosos, quando em sua obra intitulada de Cartas ao Chefe do Protestantismo no Brasil, a página 38, expressa-se da seguinte maneira:

“… mas causa-nos profundo mal-estar, quando nos dispensam honrarias, quando embora em boa intenção e por hábito social nos nivelam aos vaidosos, aos egoístas, aos gozadores, à gente CHIC, aos que só de matéria e para ela vivem.

Dos venenos sociais, o mais terrível para nós, querido amigo, é aquele que insufla a vaidade dos seres, fonte de todos os vícios, de todas as misérias, de todos os papéis ridículos, mas da qual cada ser humano contém em si uma pontinha, que precisa abafar, dominar por completo, para bem da sua alma, que não poderá voltar ao Grande Foco, ao Grande Todo, enfim, enquanto em si contiver manchas venenosas, como essa”.

Encontrando-se ainda na fase da imaginação, os seres humanos criam um universo para si, quando então tudo gira ao redor desse universo criado, com eles raciocinando estritamente no âmbito desse universo criado, sem que consigam extrapolar a esse universo criado. E como geralmente os vaidosos são também egocêntricos, eles passam a considerar que tudo aquilo que emana de si mesmos tem mais valor do que aquilo que emana dos seus semelhantes, quando evidentemente isto não procede. Eles ignoram que a humildade e a simplicidade são intrínsecas ao espírito, por isso se revelam naturalmente, e não extrínsecas, revelando-se artificialmente, assim por intermédio da vaidade, para que vaidosamente possam ser admirados como sendo humildes e simples. Em sua obra Ao Encontro de Uma Nova Era, falando em nome do Racionalismo Cristão, Luiz de Souza se manifesta acerca da vaidade, da seguinte maneira:

No Racionalismo Cristão evitam-se os louvores. A vaidade é uma das últimas falhas que abandonam a criatura. Ela é terrivelmente enraizada no gênero humano. Há quem ostente a simplicidade pela vaidade de ser simples. A vaidade esconde-se, traiçoeiramente, nos recônditos da alma, e os seus tentáculos se aprofundam de forma desconhecida. Por isso nada deve ser feito ou dito que alimente esse inimigo poderoso, quando não se sabe se está por inteiro morto.

Na medida do esclarecimento, o indivíduo toma ciência do que vale, conhece-se a si mesmo e se acanha de ser elogiado, de passar pelo que não é, de ver alguém atribuir-lhe virtudes que talvez não possua e privilégios que lhe pareçam estar acima dos seus merecimentos”.

Ao que tudo indica, tudo parece levar o ser humano de roldão para as bandas da vaidade. Se o aluno é um dos primeiros da classe, torna-se vaidoso. Se alguém é detentor de alguma beleza física, torna-se vaidoso. Se o profissional se destaca em sua profissão, torna-se vaidoso. Se o atleta se destaca em seu esporte, torna-se vaidoso. Se o cientista se destaca na parcela do Saber em que atua, torna-se vaidoso. E assim por diante. É bastante interessante o caso de um artista, cantor e compositor, que reconheceu em público ser detentor de uma imensa vaidade, ao declará-la, apesar de ser anão, não que o fato de ser anão venha a depreciar o seu talento, mas acontece que estamos em um mundo extremamente preconceituoso, e geralmente aqueles que são portadores de alguma deficiência física, no caso a do crescimento, são sempre alvos de bullyng, criando em si algum tipo de complexo, que se contrapõe à vaidade.

Geralmente quando se encontram no exercício de alguma atividade, os seres humanos se julgam detentores de grandes inteligências, quando sequer sabem o que seja a inteligência, e assim sempre ressaltando as suas qualidades, quando sequer sabem acerca dos meandros a transpor para se adquirir as qualidades virtuosas. Através da obra Clássicos do Racionalismo Cristão, que trata das comunicações de Luiz de Mattos, cujo idealizador é Nilton Figueiredo de Almeida, nós podemos enriquecer um pouco mais a nossa cultura espiritualista, com vistas à nossa evolução espiritual, quando as páginas 261 e 262 nos é transmitido o seguinte:

A vaidade leva muitas criaturas a supor que são uns grandes espíritos, umas grandes inteligências, quando é certo que o espírito verdadeiramente evoluído e inteligente não é vaidoso, não tem pretensões tolas e até dá pouco valor àquilo que produz, considerando sempre que deveria produzir mais e melhor.

A evolução do espírito se traduz na simplicidade, na maneira como o ser vive neste mundo, agindo sempre com inteligência, com sagacidade, mas sem estar dando importância à sua pessoa, que chega a não se aperceber do seu real valor”.

Mais à frente, as páginas 279 e 280, é também nos transmitido o seguinte:

Educar o espírito para ter personalidade é um dever que assiste a todos. Todo espírito deve ter personalidade, porque se não a tiver, não pode ter caráter. Mas não devem as criaturas confundir personalidade com vaidade.

Personalidade é um sentimento de independência espiritual que se adquire desde a tenra idade e que se cultiva com as experiências, na luta pela vida. A criança, ainda em tenra idade, demonstra a sua personalidade, mas se torna mais acentuada quando adquire a maioridade.

Cultivar a personalidade, não deixando envaidecer o espírito, é um dever dos pais, porque a vaidade impede o progresso, causa a ruína espiritual e até material de muita gente, pois o vaidoso nunca enxerga os seus defeitos, julga-se perfeito, julga-se uma perfeição, só vê defeitos nos outros e não admite que lhe apontem os erros.

A vaidade prejudica a muitos espíritos!

Todos podem errar, mas teimar no erro é persistência vaidosa e nada mais. Combatam, portanto, a vaidade, os sentimentos com que a encobrem muitas vezes, para não se tornarem criaturas antipáticas, orgulhosas e até indesejáveis.

A ignorância só desaparecerá quando se convencerem de que estão neste mundo para aprender, para se esclarecer e para se depurar”.

Há aqui que se estabelecer a diferença entre a vaidade e o orgulho.

O orgulho demonstra um sentimento de dignidade pessoal, de brio, de altivez, desde que seja cultivado com moderação, demonstrado com bom senso, para que assim possa traduzir um conceito elevado de si mesmo, mas sem qualquer exagero, demonstrando um amor-próprio, uma autoestima que todos devem nutrir por si mesmos. Vejamos o exemplo do aluno que é o primeiro da classe, ele se esforçou ao máximo para tanto, por isso conquistou a esse patamar, então é justo que ele tenha orgulho da posição que ocupa perante os seus colegas, pois que essa posição é fruto do seu labor, então é justo o orgulho dessa conquista, assim como de outras, e isto o leva a nunca se descurar do seu labor, por respeito a si mesmo. Mas nunca vá pensar que seja superior a quem quer que seja, pois que a verdadeira superioridade é de natureza espiritual, e a espiritualidade tem os seus próprios traçados, somente acessíveis aos espíritos superiores. Vejamos o que nos diz sobre o assunto os autores Nilton Figueiredo de Almeida, Célia Caccavo F. de Almeida e José Carlos Pereira Alves, quando em sua obra conjunta intitulada de O Último Minuto, as páginas 141 a 143, afirmam o seguinte:

A Vaidade é presunção mau fundada de si, a superavaliação do próprio mérito, é o desejo imoderado de qualquer forma fazer-se destacar, é coisa vã, sem sentido, é uma futilidade.

O orgulho podendo muitas vezes assemelhar-se à vaidade, quando moderado pode representar um sentimento nobre que afasta o homem de praticar ações vergonhosas ou humilhantes.

O homem que se orgulha do seu procedimento e do que representa como exemplo positivo para a coletividade em que vive, não pode ser considerado ou confundido com o vaidoso, aquele que se julga o ‘Salvador da Pátria’, mas que não passa na realidade de um incapaz de sentir as suas próprias limitações, insistindo em vender uma imagem que está longe de ser a real.

Muitas pessoas gostam de rotular as outras pelo seu trajar ou pelas aparências exteriores. Qualificar ou substanciar alguém, é tarefa que só deverá ser feita após meticuloso exame e conhecimento das ações e conduta daquele a quem se deseja classificar, fora daí é pura leviandade.

É preciso cautela quando tentarmos identificar alguém como vaidoso, poderemos confundir com alguém que tenha o direito de orgulhar-se pelas ações praticadas”.

Já o termo exalçar é uma variação de exaltar, em que aqueles que são destituídos da humildade procuram o seu engrandecimento neste mundo, o que geralmente ocorre por intermédio do poder e ou da riqueza adquiridos neste mundo, quando não, por intermédio do exagero das suas qualidades perante os seus semelhantes, fazendo excitar a imaginação, quando então a vaidade aflora por todos os poros.

Podemos então afirmar convictamente que a humildade é própria do ser humano que detém em si os atributos superiores e positivos, enquanto que a exalçação é própria do ser humano que detém em si os atributos inferiores e negativos. Estes assumem a pretensão descabida de se exalçarem perante os seus semelhantes, tentando se sobrepor no meio social em que vive. Aqueles não assumem qualquer pretensão de se exalçarem perante os seus semelhantes, reconhecendo as suas limitações e fraquezas.

O verdadeiro valor do ser humano diz respeito ao estágio evolutivo em que ele se encontra, cujo valor é demonstrado apenas no âmbito da espiritualidade. E como estamos adentrando em uma nova Grande Era, A Era da Razão, em que toda a nossa humanidade deverá ser espiritualizada, a conclusão a que se chega é que aquele que preserva a sua humildade terá o seu valor demonstrado no âmbito da espiritualidade, quando então deverá ser exalçado, enquanto que aquele que faz ressaltar a sua vaidade, com a pretensão descabida de se exalçar perante o meio social em que vive, será humilhado, no sentido de que deverá ser tornado humilde, pois que deverá ser colocado no seu devido lugar.

 

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