06.18- O reino de Deus está dentro de vós

A Cristologia
26 de outubro de 2018 Pamam

Nós devemos iniciar este tópico com a seguinte indagação: quem ou o que é Deus? Ao respondermos a esta indagação, nós poderemos então compreender perfeitamente que realmente o reino de Deus está dentro de nós, conforme Jesus, o Cristo, assim nos ensinou.

Mas se fizermos esta pergunta àqueles que bem leem, que possuem uma certa erudição, eles geralmente não respondem por si, porque nada sabem acerca da Sua existência, limitando-se simplesmente apenas a discorrer sobre aquilo que os credos e as suas seitas doutrinam a respeito, quando então afirmam que se trata do conceito de um Ser Supremo presente em diversas crenças monoteístas, henoteístas — o henoteísmo é o culto de um único deus com a aceitação explícita de outros deuses, cujo termo foi empregado por Friedrich Schelling, tendo Friedrich Welcker o utilizado para descrever o “monoteísmo” entre os antigos gregos — ou politeístas, sendo geralmente definido como sendo o espírito infinito e eterno, sem uma noção precisa acerca da infinitude e da eternidade, embora os bíblicos afirmem haver criado o homem à sua imagem e semelhança, criador e preservador do Universo, como se a criação partisse de um determinado tempo e o Universo tivesse que ser preservado, em que os teólogos incluem os atributos da onipotência, com o poder ilimitado, da onipresença, com a presença em todos os lugares, e da onisciência, com todo o conhecimento.

Como se pode claramente constatar, tudo isso é apenas aquilo que a classe sacerdotal prega a respeito daquilo que ela julga seja Deus, tendo por base a imaginação e o arrebanhamento e a manutenção de credulários, que exige o instituto da fé credulária para se crer em um deus imaginado, sendo tudo isso carregado de antropomorfismo e de sobrenaturalismo.

Se fizermos esta pergunta a um ateu, ele simplesmente se limita a negar a existência de Deus, porque sendo destituído da fé credulária, não aceita a definição de um deus imaginado pela classe sacerdotal, e como a sua percepção e a sua compreensão são extremamente limitadas, não consegue conceber a existência de uma Inteligência Universal, que rege a todo o Universo.

Então se torna absolutamente necessário que adentremos nas Substâncias de Deus, para que assim possamos organizá-Lo perante toda a nossa humanidade, pois esta é a única maneira encontrada para que possamos reunir as condições necessárias para que possamos compreender a este ensinamento de Jesus, o Cristo, pois que realmente o reino de Deus se encontra dentro de nós mesmos, como diferente não poderia ser. A tabela abaixo mostra Deus em Si, para que assim não incidamos no erro do pampsiquismo.

Em conformidade com a tabela posta logo acima, ficam identificadas claramente todas as Substâncias de Deus, em que se pode deduzir facilmente que em todas as Substâncias se encontram a Perfeição, a Infinitude e a Ilimitação, então podemos afirmar que através da Propriedade da Força se encontra a Onipotência, que através da Propriedade da Energia se encontra a Onipresença, e que através da Propriedade da Luz se encontra a Onisciência.

Mas acontece que Deus é o Todo, então Nele tem que se encontrar também a Imperfeição, a Finitude e a Limitação, pois caso não fosse assim Ele não poderia ser o Todo. Então do Ser Total saltam as suas partículas para o Universo, individualizadas, na busca de se realizarem como espíritos, sendo, portanto, os seres do Ser Total, as criaturas do Criador, as inteligências da Inteligência Universal. Os seres, portanto, possibilitam a que Deus seja o Todo, pois que sendo imperfeitos, finitos e limitados, tornam a Deus Completo. Mas Completo por assim dizer, pois que Deus também é Completo e Incompleto. Completo na Sua Perfeição, Infinitude e Ilimitação, e Incompleto na Sua Imperfeição, Finitude e Limitação.

Assim, essas partículas do Ser Total passam a evoluir inicialmente por intermédio das propriedades da Força e da Energia, passando a formar os seus corpos fluídicos, que são as suas almas, no que passam bilhões de anos assim evoluindo através dessa duas propriedades. Até que alcançam o âmbito da espiritualidade, quando então passam a evoluir também por intermédio da propriedade da Luz.

As propriedades da Força e da Energia combinadas dão origens às estrelas, que formam o Universo e fornecem as suas coordenadas, de onde emanam os fluidos. Então o Universo é todo fluídico, pois que é através dos fluidos que ocorrem as comunicações e as interações entre todos os seres, assim como também ocorrem os fatos e os fenômenos universais. Alguns estudiosos afirmam que sem os fluidos, que eles denominam de éter, o Universo estaria morto, e eles têm razão no que afirmam, pois que o poder se encontra na propriedade da Força, enquanto que a ação se encontra na propriedade da Energia, e o poder e a ação representam a vida.

A propriedade da Força contém o espaço, o magnetismo e o local onde se encontram os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, para serem percebidos e captados, por onde os seres desenvolvem os seus criptoscópios e adquirem os seus atributos individuais, que lhes dão o poder, em que os atributos individuais superiores formam a moral.

A propriedade da Energia contém o tempo, a eletricidade e o campo que se destina às experiências físicas acerca da sabedoria, para serem compreendidas e criadas, por onde os seres desenvolvem os seus intelectos e adquirem os seus atributos relacionais, que lhes dão a ação, em que os atributos relacionais positivos formam a ética.

As combinações das propriedades da Força e da Energia contêm o eletromagnetismo, que atua por intermédio dos fluidos.

Ao evoluírem por intermédio das propriedades da Força e da Energia formando os seus corpos fluídicos, que lhes dão o poder e a ação, portanto, a vida, torna-se claro e evidente que os seres passam por muitas coordenadas universais, as quais ficam devidamente gravadas em seus corpos fluídicos. Assim, todas as coordenadas universais por que os seres passaram em suas trajetórias evolutivas, passam a formar o seus universos.

Note-se que o Universo está contido em Deus, enquanto que os seres têm os seus próprios universos, que são representados pelas coordenadas universais por que passaram, as quais se encontram gravadas em seus corpos fluídicos. Pode-se assim concluir, desde logo, que existe uma proporção da existência de Deus em cada um dos seres, em relação ao Universo.

É por intermédio da propriedade da Luz que os seres, tais como espíritos, passam a formar os seus corpos de luz, que juntamente com o corpo fluídico formam a alma, e assim passam a desenvolver ao seu órgão mental da consciência, que coordena aos outros dois órgãos mentais, o criptoscópio e o intelecto. E se a consciência coordena aos dois outros órgãos mentais, torna-se claro e evidente que ela também coordena os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, por onde se alcança o Saber, por excelência, assim como também coordena os atributos individuais superiores, por onde se alcança a moral, e os atributos relacionais positivos, por onde se alcança a ética, tornando os espíritos verdadeiramente educados. É através do corpo de luz, ou da luz astral, que os espíritos penetram em todas as coordenadas universais por que passaram.

Note-se que o Universo está contido em Deus, e que Ele o penetra com a Sua Luz Total. Enquanto os espíritos têm os seus próprios universos, que são representados pelas coordenadas universais por que passaram, as quais se encontram gravadas em seus corpos fluídicos, que eles penetram com os seus corpos de luz, ou com as suas luzes astrais. Pode-se assim concluir, também, que existe uma proporção da existência de Deus em cada um dos espíritos, em relação ao Universo.

Apenas a título de adendo, deve aqui ser lembrado que é por intermédio da propriedade da Força que os espíritos produzem as sensibilidades, depois os sentimentos. Que é por intermédio da propriedade da Energia que os espíritos produzem os sentidos, depois os pensamentos. E que é por intermédio da propriedade da Luz que os espíritos produzem a amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal, em que a prática do bem extingue a existência do mal, depois o amor espiritual, que se situa acima do bem e do mal.

Ressaltando-se aqui que cabe ao nosso Antecristo o estabelecimento da amizade espiritual no seio da nossa humanidade, fazendo emergir a solidariedade fraternal, com todos os seres humanos agindo no sentido de estabelecê-las neste nosso mundo-escola, até que consigam formar uma única nação neste mundo, com a formação de um Estado Mundial. Somente após a conclusão desses ideais, é que a nossa humanidade poderá ter o seu próprio Cristo em seu seio, quando então poderá produzir o amor espiritual.

Quanto mais evoluído for o espírito, tanto mais Deus nele se encontrará contido, pois que a essência de Deus é comum a todos, já que todos eles são partículas do Ser Total, daí a razão pela qual todos têm a mesma importância na existência eterna e universal, sendo, pois, insubstituíveis, não podendo jamais ocorrer qualquer desfalque, pois que assim Deus deixaria de ser o Todo, além do mais não tem como ocorrer qualquer desfalque. Entretanto, as maiores parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz dizem respeito apenas aos espíritos mais evoluídos, aos que mais se esforçaram no decorrer do processo da evolução, por isso é justo e merecido que eles tenham adquirido uma maior proporção de Deus em si mesmos.

É por isso que quando essas parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz alcançam determinados patamares no decorrer do processo da evolução, os espíritos conseguem tirar de si mesmos tudo aquilo que sabem a respeito de Deus, como é exemplo maior o caso de Jesus, o Cristo, pois que são cientes de que Deus se encontra em si mesmos. E se Deus se encontra nos espíritos mais evoluídos, torna-se racionalmente lógico que Ele se encontra também nos espíritos menos evoluídos, com a diferença de que estes últimos ainda não conseguiram compreender a esta realidade. E, por extensão, Deus se encontra também nos seres infra-humanos, bastando apenas saber contemplar o Todo que Deus representa, sem jamais suprimir a Sua identidade, para não incidir no erro do pampsiquismo, deve-se repetir.

Devemos então concluir este tópico, afirmando que o Ser Total, incontestavelmente, é Onipotente, Onipresente e Onisciente. Em sendo assim, todos os seres retornam para o seio do Ser Total, pois que ao evoluírem por intermédio da propriedade da Força, eles buscam a onipotência, ao evoluírem por intermédio da propriedade da Energia, eles buscam a onipresença, e ao evoluírem por intermédio da propriedade da Luz, eles buscam a onisciência. Deste modo, ao final da evolução, eles se reintegram ao Ser Total, ou ao Criador.

Nessa reintegração, ao que tudo indica, o reino de Deus não mais se encontra contido de modo proporcional, mas sim in totum.

 

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