06.11- Diga-me com quem andas e te direi quem és

A Cristologia
22 de outubro de 2018 Pamam

Somente quem já é esclarecido, somente quem já é espiritualizado, somente quem já é familiarizado com as lições salutares do Racionalismo Cristão, consegue compreender o real significado deste ensinamento transmitido pelo Nazareno, pois que é consciente daquilo que norteia a direção dos seus poderes e das suas ações, os quais devem ser dirigidos em inteira conformidade com a natureza dos seus sentimentos e dos seus pensamentos.

Os sentimentos superiores e os pensamentos positivos produzidos atraem os seus correspondentes afins, por isso aqueles que os produzem atraem também as mesmas companhias, tanto de encarnados como de desencarnados, com estes sendo os espíritos integrantes do Astral Superior, que são os seus iguais ou mesmo superiores, que assim atraídos vêm a este mundo-escola para intuir para o bem e estabelecer o progresso de todos os seres humanos e os demais seres infra-humanos que aqui também se encontram para procederem as suas evoluções.

Daí a razão pela qual esses seres humanos são compelidos a praticar as ações mais nobres e salutares possíveis, fundamentais para se estabelecer a amizade espiritual e fazer emergir a solidariedade fraternal entre todos os viventes, cujas ações são  também essenciais para se evitar os crimes e outros delitos da mesma natureza, pelos exemplos dignificadores seguidos pelos de boa vontade, e ainda incorporando os fluidos revitalizadores na atmosfera da Terra, que é a sua aura, limpando e tornando leve o ambiente terreno, o qual influi direta e positivamente nas ações de todos os seres humanos, induzindo-os ao acerto dessas ações com vistas à produção da amizade espiritual e o emergir da solidariedade fraternal, que são os prenúncios da produção do amor espiritual, que se dão por intermédio da propriedade da Luz.

Enquanto que os sentimentos inferiores e os pensamentos negativos produzidos atraem os seus correspondentes afins, por isso aqueles que os produzem atraem as mesmas companhias, tanto de encarnados como de desencarnados, com estes sendo os espíritos obsessores que se encontram quedados no astral inferior, que são os seus iguais ou inferiores, que assim materializados permanecem presos neste mundo-escola, após a desencarnação, para intuir para o mal e arquitetar os mais nocivos planos em consonância com os seus obsedados.

Daí a razão pela qual esses seres humanos são compelidos a praticar as ações mais repulsivas possíveis, geralmente às escondidas, ignorando completamente que todas as ações dos seres humanos são acompanhadas pela espiritualidade, além de ficarem gravadas em suas esteiras fluídicas por toda a eternidade, cometendo os mais diversos tipos de crimes e os mais graves delitos, e ainda impregnando de fluidos deletérios e pestilentos a atmosfera da Terra, sujando e tornando pesado o ambiente terreno, o qual influi direta e negativamente nas ações de todos os seres humanos, induzindo-os ao erro e a prática dos abusos em relação ao livre arbítrio, em que preponderam as produções das inimizades, dos conflitos e dos ódios entre os seres humanos, sem saberem que as nossas vidas são vividas totalmente coordenadas umas com as outras, em obediência ao determinismo, por isso devemos aquilo que conquistamos em termos de evolução espiritual aos nossos semelhantes, pois sem eles fatalmente não haveria o progresso espiritual até hoje por nós alcançado.

É por isso que Jesus, o Cristo, ensinou-nos com essas suas sábias palavras, pois de acordo com as companhias pelas quais nos sentimos atraídos e somos afins, seremos aquilo que realmente somos, bons ou maus, praticando o bem ou praticando o mal.

Os bons somente se acompanham de boas pessoas, em que prepondera mais ou menos a semelhança de identidades, para que assim possam palestrar livremente à vontade, em inteira conformidade com os seus sentimentos e pensamentos produzidos. Nessas palestras, eles narram com alegria e entusiasmo os seus cotidianos de vida, as suas conquistas pessoais e as dos seus familiares e amigos, às vezes revelando os seus problemas mais íntimos, em busca de soluções através das sugestões amigas para resolvê-los, tirando sempre a véu os seus planos para o futuro, para que assim os seus iguais possam ver estampadas nas faces dos seus interlocutores a alegria demonstrada pelos seus progressos na vida.

Quando assim não palestrando, procurando sugerir para os demais os rumos da economia do seu país, opinando sobre aquilo que os seus dirigentes estão fazendo ou deixaram de fazer em prol do seu povo, comentando acerca do seu progresso cultural, científico e artístico, elogiando ou criticando as ações políticas traçadas pelos seus governantes, demonstrando claramente as suas tristezas com as suas ineficácias, ou então as suas revoltas com os casos de corrupção dos políticos e servidores públicos traidores da pátria, que totalmente obsedados pelo astral inferior lançam mão dos recursos públicos através das mais sórdidas e condenáveis manobras, valendo-se dos cargos que ocupam, muitas vezes até extorquindo os empresários e o público em geral, para atender aquilo que em função do cargo são obrigados a atender, geralmente querendo viver uma vida folgada, sem o emprego do sacrifício pessoal, afeitos à mordomia indevida, pois que praticada com os recursos do erário público.

Assim, nas companhias uns dos outros, os bons demonstram claramente as suas indignações e revoltas com os crimes praticados por aqueles espíritos mais atrasados, os considerados maus, que mentem, assassinam, assaltam, latrocinam, roubam, furtam, traficam drogas ilícitas, enganam, praticam o estelionato, extorquem, praticam a corrupção, traem, enfim, praticam as mais abomináveis ações, estando de entremeio no meio dos bons, com estes considerando, equivocadamente, que tudo isso não tem um fim, sem saberem que os tempos são chegados, que estamos no limiar do Juízo Final, em que tudo deverá ser colocado nos seus devidos lugares, para o bem da evolução daqueles de boa vontade, assim como da dos demais.

E sendo demasiadamente ingênuos, por ainda não terem desenvolvido com mais profundidade os seus raciocínios, para deles se utilizarem a contento, passam a comentar entre si as doutrinas dos credos e das seitas que seguem, que para eles ainda são religiões, já que ignoram a verdadeira função que as religiões exercem no cenário da vida, por serem fundamentais para os conhecimentos metafísicos relativos a cada parcela do Saber, como sendo as fontes legítimas das ciências; geralmente considerando acertadamente a existência de Deus e da espiritualidade, mas totalmente alheios à realidade acerca da vida fora da matéria, por isso vivendo confusos e de modo atabalhoado, entregam-se de boa-fé ao instituto da fé credulária, maliciosa e ardilmente inoculada nas suas mentes pela famigerada classe sacerdotal.

Geralmente é isso o que os bons fazem nas companhias uns dos outros, que são ocasionados pela semelhança de identidade, ou em obediência à lei da afinidade e ao princípio da atração, integrando-se uns aos outros de tal maneira.

Mas os maus somente se acompanham dos maus, pela mesma semelhança de identidade e em obediência à mesma lei da afinidade e ao mesmo princípio da atração, integrando-se uns aos outros para as práticas das suas maldades. Por essa razão, passam a formar os bandos, as gangues, as quadrilhas, as maltas, as guerrilhas, as facções, ou outro nome que se possa dar ao ajuntamento de malfeitores, em que aqui se pode incluir até os partidos políticos, que assim unidos pela afinidade e pela atração que existem entre os seus componentes, estando todos sempre voltados para a prática do mal, revelada através dos mais diversos tipos de crimes que vemos por aí, não conseguem manter entre si, tais como os bons, uma simples palestra sobre os mais variados assuntos, considerados como sendo simples conversações demoradas sobre os assuntos diversos do cotidiano da vida, com muita ou pouca importância para os esclarecimentos gerais, ou, então, com pouca relevância, apenas para o desenfado e o passar do tempo, posto que os seus diálogos são sempre voltados para o planejamento e a arquitetura para a prática de ações malévolas e reprováveis, todas contrárias às leis e aos princípios estabelecidos pela legislação vigente e atuante do seu país.

Daí o fato deles serem considerados marginais, já que a palavra marginal designa aquilo que é relativo ou pertencente à margem, e como eles vivem à margem da lei, como também à margem da cultura em que se pratica a moral e a ética, sendo, portanto, adeptos da cultura imoral e aética, em que as duas culturas logicamente vivem em constantes conflitos, o nome passa a ser muito apropriado, ainda mais do que os nomes de bandidos, delinquentes, malfeitores, salafrários, vadios, pilantras ou outros com que se queiram adjetivar. Geralmente é isso o que os maus fazem na companhia uns dos outros.

Em sendo assim, aquelas companhias com quem costumeiramente andamos, com as quais nos sentimos afins e atraídos, irão certamente nos dizer aquilo que somos, consoante o dizer de Jesus, o Cristo, já que somos mais ou menos iguais àqueles com os quais nós nos acompanhamos habitualmente no cotidiano da vida, pois sempre estamos bem ou mal acompanhados, quer dizer, ou o ser humano é bom ou é mal, já que aqui não se aplica a tão famosa posição do meio, que foi tão bem idealizada por Aristóteles, onde se situa a virtude.

Para que o estimado leitor tenha uma ideia mais apropriada de quem realmente eu sou, com base neste ensinamento de Jesus, o Cristo, eu posso afirmar que a partir do momento em que me dediquei a explanar o Racionalismo Cristão, ao que tudo indica este seu ensinamento a mim deixa de ser aplicado, ou aplicado de um modo sui generis, uma vez que não costumo mais andar com quem quer que seja, já que não possuo mais afinidade e nem atração com nenhum amigo, embora continue a amá-los ainda mais do que antes, mas tendo deles me afastado pela absoluta incompatibilidade de mentalidades, não que eu tenha feito isso de caso pensado, tendo esse afastamento acontecido naturalmente, por força das circunstâncias. Assim, as minhas únicas raras companhias são os meus familiares: mulher, filhos e netos; e mais ninguém, dos quais eu procuro as companhias sempre que posso, já que todo o meu tempo é utilizado para explanar o Racionalismo Cristão.

Em sendo assim, caso alguém chegasse a me indagar:

— Diga-me com quem andas, Pamam, para que eu possa te dizer quem és?

Então, eu seria obrigado a responder da seguinte maneira:

— A minha grande companhia é a pena, meu querido amigo, seguida dos meus livros, pois que estou com os pensamentos sempre voltados para o Astral Superior, mas me esforço pela companhia agradável dos meus familiares. No entanto, aqui e acolá, eu ainda consigo um pouco da companhia dos amigos, de um modo raríssimo.

 

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