06.08- Quem mal faz, para si o faz

A Cristologia
20 de outubro de 2018 Pamam

Este ensinamento de Jesus, o Cristo, refere-se diretamente ao que denominam de lei do retorno, que já se encontra disseminada no seio da nossa humanidade, sendo até um tanto quanto famosa, inclusive entre aqueles que se encontram arrebanhados pelos milhares e milhares de credos e seitas que semeiam a ignorância em nosso meio, neste mundo.

Muitos seres humanos, por serem produtores de sentimentos inferiores e de pensamentos negativos, detêm em suas almas muitos atributos considerados como sendo da mais baixa categoria, tais como o egoísmo, a inveja, o ciúme, o rancor, o ódio, a vingança, a ingratidão, o preconceito, e tantos outros que tornam obscuras as suas almas. Esses atributos da mais baixa categoria tornam subalternos os pensamentos produzidos por esses seres humanos, tornando-os profundamente negativos, cujas negatividades são detectadas até pelos simples literatas, que os consideram nocivos à nossa humanidade, como é o exemplo Latino Coelho, que os retrata da seguinte maneira:

Quando a vida das nações é, pela negação do pensamento, um parasitismo na humanidade”.

Assim, quando esses seres humanos dirigem os seus olhares em direção aos seus semelhantes, logo o egoísmo, a inveja, o ciúme, o rancor, o ódio, a vingança, a ingratidão, o preconceito e outros atributos afins emergem com toda a força de dentro das suas almas, então eles passam a desejar tudo aquilo que concorre para o dano ou a ruína dos alvos dos seus olhares, desviando-se do caminho do bem, em que preponderam a moral e a ética, portanto, a educação; enchafurdando-se na lama do mal, por desejarem para os seus semelhantes os achaques, as doenças, as enfermidades, as dores, as moléstias, as calamidades, os infortúnios, as desgraças, os danos, os prejuízos, as desonras, enfim, as complicações de toda natureza, para que através da infelicidade alheia possam satisfazer aos seus desejos intemperados.

O olho é o órgão da visão situado em órbita própria, de forma mais ou menos globular, ordinariamente em número de dois, que ficam colocados na parte anterior da cabeça dos seres humanos e de quase todos os animais irracionais, dos quais eles naturalmente provêm, em obediência ao preceito da evolução. Esses órgãos da visão são considerados como sendo os indícios das qualidades superiores ou inferiores, positivas ou negativas, dos espíritos, uma vez que são reveladores do caráter, da personalidade, sendo por isso que tanto o bem como o mal se refletem através dos olhos, por isso eles são considerados os agentes que distinguem, que percebem, que compreendem, tais como se fossem os esclarecedores da alma, por onde se pode observar a luz, cujo clarão ilustra o observador mais atento. É por isso que se diz que os olhos são os espelhos da alma, posto que eles conseguem refletir as nossas almas, tal como se pode observar em Rebelo da Silva, quando diz o seguinte:

Vendo pelos olhos do espírito a desonra e o desprezo, e ouvindo a desesperação gritar”.

No entanto, quando os bem intencionados mantêm os olhos fixos nas suas obrigações e nos seus deveres, o que deveria ser a constante de todos os seres humanos, pode-se observar claramente as atenções e os esforços das almas dedicados aos seus objetos de interesses, que se refletem nas atentas vigilâncias e nos extremos cuidados aplicados em suas condutas de vida.

Dada a grande importância dos órgãos da visão, devemos discorrer um pouco também sobre o olhar, que além de nos permitir ver, mirar, fitar, permite-nos também contemplar. É contemplando o esplendor da natureza que nós ponderamos, consideramos as causas e os efeitos de tudo aquilo que ela nos revela, para podermos atender às suas injunções, cuidando e velando por tudo o que ela nos apresenta, reparando os males que praticamos e que a afetam direta ou indiretamente, para que assim possamos reunir as condições para sondá-la, investigá-la, pesquisá-la, observá-la, examiná-la, estudá-la, enfim, contemplá-la.

Em analogia, devemos olhar para os nossos semelhantes com bons olhos, para que ao final os nossos olhares consigam refletir de início a amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal. Caso assim não consigam esse sublime reflexo de início, que tentem ao menos olhar as crianças com os olhos dos pais ou das mães, ou, então, com os olhos dos avôs ou das avós; que tentem olhar os idosos com os olhos dos filhos, ou, então, com os olhos dos netos; que tentem olhar as suas esposas e maridos com os olhos do companheirismo, que deve perdurar por toda a vida, a qual deve ser vivida em comum; que tentem olhar aos casados com os olhos do respeito, o qual deve preponderar principalmente quando em suas presenças, controlando qualquer desejo carnal indevido e sem manifestar qualquer intenção relativa ao assédio; que tentem olhar para os jovens com os olhos da esperança na paz mundial, pois eles serão os promotores da harmonia entre as nações, e que no futuro deverão agir no sentido de estabelecer o Estado Mundial neste planeta; que tentem os jovens, entre si, olhar para os demais com os olhos do irmão, e quando de sexos diferentes, como os olhos da sua futura companheira ou companheiro, que o são em potencial, ensaiando os flertes através dos olhares de agrados e admirações, até que consigam identificar os seus eleitos, as suas almas gêmeas, e com eles iniciarem os romances que sejam realmente românticos, sem apelar, única e exclusivamente, para o sexo, cujo apego descomedido e desenfreado é um dos nossos grandes males, já que quase todos sucumbem aos apelos carnais, ignorando que o sexo existe para ser praticado no seio da família, e não de maneira avulsa e desordenada.

Os assuntos relativos aos olhos e ao olhar dariam para ser discorridos com muita profundidade, dariam até para compor uma obra bastante volumosa, que talvez nem conseguisse ainda esgotar os assuntos, os quais são inúmeros. Mas aqui, a alusão aos assuntos se destina apenas para ressaltar a existência daquilo que o povo denomina de olho gordo, olho de agouro, ou outra denominação que se queira dar ao mau olhado, o qual é bastante temido por muitos seres humanos, que acreditam que ele traz azar e outros malefícios, colocando-os para trás em relação àquilo que almejam para as suas existências, que para eles significa progresso de vida.

No entanto, o mau olhado não faz mal a ninguém, não prejudica a ninguém, não coloca ninguém para trás, e muito menos traz azar, pois este não existe, assim como também não existe a sorte, pois considerar a existência de ambos é o mesmo que também considerar a existência do acaso, e este, como já vimos por diversas vezes, nunca existiu. O mau olhado apenas reflete aquilo que se encontra nos pensamentos dos seres humanos mais atrasados, os quais devem ser realmente preocupantes.

É por isso que quando esses seres humanos mais atrasados dirigem os seus olhares em direção aos seus semelhantes, os seus pensamentos são afins aos atributos da baixa natureza que se encontram em suas almas, quando então eles revelam toda a maldade que nelas existem. Mas como esses seres humanos são covardes e pusilânimes, não ousam se dirigir diretamente para aqueles que são os objetos dos males que desejam, expressando-os abertamente, a não ser para os seus parceiros mais chegados, que lhes são afins. Então as suas tremendas ignorâncias os fazem remoer as suas malévolas intenções através dos próprios pensamentos que produzem, os quais passam a destilar todo o tipo de maldade, pois eles consideram, equivocadamente, que estão em absoluto sigilo, quando, na realidade, não estão, por hipótese alguma.

Neste caso, a maldade faz com que os seres humanos produzam pensamentos mal intencionados, pois eles têm a propensão para praticar ações danificadoras, que visam prejudicar a outrem, cujas ações danificadoras, caso fossem praticadas, seriam todas injustas, cruéis, monstruosas, por isso, quase desumanas, em função das suas iniquidades, das suas perversidades, pois que é abominável até o intuito de prejudicar ou mesmo de ofender a quem quer que seja.

Então esses pensamentos negativos produzidos cortam o ambiente terreno em todas as direções, em busca de outros pensamentos afins. Quando todos esses pensamentos se encontram no ambiente terreno, eles formam uma corrente, e então retornam reforçados, implacavelmente, por meio dessa corrente para os seres humanos que os produziram, influindo negativamente em suas vidas. Assim, todas as maldades desejadas e lançadas em direção aos semelhantes, retornam para eles com muito mais intensidade, sendo por isso que dizem que elas vêm em dobro. Mas não é propriamente assim, pois de acordo com os outros pensamentos produzidos afins, quer dizer, de acordo com as suas quantidades, as maldades desejadas e lançadas no ambiente podem retornar até triplicadas, quadruplicadas ou mais.

Assim, fica devidamente explanada a realidade deste ensinamento de Jesus, o Cristo, pois os pensamentos mal produzidos, os quais retratam os males desejados a outrem, pelo caminho vem, e vem com muito mais intensidade, em conformidade com a quantidade de outros pensamentos afins, os quais formam uma corrente poderosa, que retorna para os seres humanos que os produziram.

No entanto, é preciso que se faça mais um esclarecimento, o qual diz respeito aos seres humanos que são os objetos desses pensamentos mal produzidos. Quando eles produzem pensamentos positivos, todos os pensamentos negativos produzidos e lançados em suas direções são de nulo efeito, pelo simples fato de não haver qualquer semelhança entre eles, ou seja, em razão deles não serem afins, por isso não se cruzam no ambiente, com cada um deles seguindo a sua própria direção, em busca da sua afinidade e da sua atração. Por outro lado, caso esses seres humanos também produzam pensamentos negativos, que sejam afins aos produzidos por quem lhes deseja o mal, haverá um encontro desses pensamentos produzidos no ambiente, formando uma corrente, a qual retornará com mais intensidade para os seus respectivos produtores, que inevitavelmente sofrerão os seus efeitos.

 

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