06.04- Conhece-te a ti mesmo

A Cristologia
19 de outubro de 2018 Pamam

Geralmente quando os seres humanos se deparam com este ensinamento, eles pensam, equivocadamente, que se conhecer a si mesmo se refere a uma análise introspectiva das suas mentes, ou a separação dos seus psiquismos em seus elementos componentes, como os seus atributos individuais superiores e inferiores, e os seus atributos relacionais positivos e negativos, que compõem as suas virtudes e defeitos, respectivamente, evidenciando as suas qualidades, as quais são as reveladoras dos seus caracteres e das suas personalidades, tal como se estivessem fazendo as suas próprias psicanálises.

Mas acontece que a psicanálise é o método psicoterápico criado pelo psiquiatra Sigmund Freud, que viveu no período de 1856 a 1939, segundo o qual as desordens nervosas nascem de complexos reprimidos, nos quais a energia da libido insatisfeita emerge do subconsciente de forma dissimulada, cujo tratamento consiste em tornar consciente o complexo, a fim de poder superá-lo, daí a razão de também ser denominada de ciência do inconsciente. Tanta repercussão teve esse método freudiano, que virou linguagem comum em todos os recantos do mundo a seguinte expressão: “Freud explica”; como se esse médico ignorante, assim como todos os seus colegas psiquiatras, tivessem a condição de explicar alguma coisa, sendo todos eles completamente ignorantes acerca da vida fora da matéria, já que deveriam saber que primeiro devem se esclarecer a si mesmos para somente então depois poderem esclarecer, conforme Jesus, o Cristo, assim também ensinou, e aqui nada tem de matéria e nem de sobrenaturalismo.

Ora, o subconsciente nada mais é do que o nosso corpo fluídico, ou perispírito, o qual se revela de inúmeras maneiras, consoante as tendências para as quais os seres humanos se inclinam, segundo o estágio evolutivo em que se encontram, em que se revelam os instintos irracionais, em razão do atavismo psíquico, e não com a energia da libido insatisfeita dele emergindo de forma dissimulada, como assim apregoa o médico. E mais: quem emerge neste caso são o poder e a ação, que representam a vida, que identificam o comportamento humano, e não a energia, que todos os psiquiatras ignoram do que realmente se trata.

Na verdade, as desordens nervosas são provocadas pelos espíritos obsessores quedados na atmosfera da Terra, os quais são integrantes do astral inferior, que vendo nas auras dos seres humanos as tendências para as quais se inclinam, passam a intuí-los e a agravar as suas desordens nervosas, que são as obsessões, as quais os médicos psiquiatras denominam de nevroses, que se revelam através de dúvidas, percepções incompletas relativas aos sentimentos, compreensões ilógicas relativas aos pensamentos, ausências de atenção, fraquezas de força de vontade, e outras ditas nevroses, ocasionando as disfunções psíquicas.

A psiquiatria denomina a tudo isso de psicastenia, que é uma psicose caracterizada pela queda do nível da tensão psicológica, fazendo o paciente ter depressões, obsessões, compulsões, perda do sentido da realidade, embora a nossa humanidade ainda viva na mais completa irrealidade, e perda gradual da personalidade. Caracteriza-se também pelo esgotamento nervoso, com traços de fadiga mental, impotência diante do esforço empregado, cefaleias, distúrbios gastrointestinais, inquietude e tristeza. A tudo isso, sem que até hoje a psiquiatria tenha atentado para as suas causas, que é de natureza espiritual, e não material, como se fosse oriunda do próprio cérebro.

E são tão desatentos os médicos psiquiatras, em seus estudos relativos à área em que atuam profissionalmente, que ainda não conseguiram compreender a contento que a psique é a alma do ser humano, posto que a palavra é proveniente do grego psykhé, que significa justamente a alma, então é precisamente ela quem deve ser o objeto do estudo, pois que a psiquialgia, que compreende as suas dores, provenientes dos seus desequilíbrios, traduz as suas amarguras ingênitas, por isso estas devem ser tratadas à luz da espiritualidade.

Deveriam saber os psiquiatras, que a nossa mente se revela através dos seus órgãos mentais: o criptoscópio, o intelecto e a consciência; cuja denominação mais apropriada deve ser corpo mental, pelo fato dele conter cada um desses órgãos mentais, os quais se manifestam por intermédio do nosso cérebro, deixando revelar tanto os nossos atributos individuais superiores e inferiores como os nossos atributos relacionais positivos e negativos, os quais comandam o corpo mental. Ignorando a tudo isso, é de se indagar: como é que os médicos psiquiatras querem promover a cura dos seus pacientes, se ainda não conhecem os órgãos que compõem os seus corpos mentais e nem os atributos que os comandam, perscrutando as suas almas, ignorando completamente a tudo isso em seus tratamentos? Como é que os médicos psiquiatras querem promover a cura dos seus pacientes, se ainda ignoram completamente a existência do astral inferior e as suas influências nos corpos mentais dos seus pacientes?

Na realidade, Jesus, o Cristo, não estava se referindo a esse tipo de conhecimento quando proferiu as palavras relativas a este ensinamento, e também não estava se referindo ao nosso corpo carnal, que é apenas um mero invólucro temporário de nós mesmos, para que com ele possamos habitar neste mundo por um período relativo a uma encarnação. Estava sim, referindo-se diretamente à nossa composição astral, aquela que nos torna aquilo que realmente somos, por toda a eternidade, até nos reintegrarmos a Deus, pois que os acervos continuam no Todo, sem que haja qualquer adição ou subtração nesta composição, apenas o seu aprimoramento, com o incremento de acervos, que se dá por intermédio da evolução.

Assim, para que alguém possa se conhecer a si mesmo, faz-se necessário que ele consiga reconhecer a sua composição astral in totum, mesmo estando encarnado, assumindo a sua condição espiritual, para que assim possa estabelecer a sua identidade de criatura com o Criador, a sua identidade do ser com o ser Total, a sua identidade de inteligência com a Inteligência Universal, identificando-se como sendo da mesma natureza de Deus, pois que possui as Suas mesmas Substâncias

A substância, de um modo geral, pode ser definida como sendo tudo aquilo que compõe uma coisa e faz com que esta subsista por si mesma, independentemente de todo e qualquer acidente determinado. Podemos então afirmar, por extensão, que o Ser Total, a Força Total, a Energia Total e a Luz Total são as Substâncias de Deus. O fato de uma coisa subsistir por si mesma, tem a sua origem no próprio fato das suas substâncias também subsistirem por si mesmas, que é a sua condição sine qua non. Assim, nós podemos afirmar que as substâncias compreendem toda a realidade de uma coisa. E se elas compreendem toda a realidade de uma coisa, é óbvio que compreendem tanto a sua substância principal, que necessariamente é apenas uma, como as suas substâncias secundárias, que podem ser várias. À substância principal nós denominamos de essência, e às substâncias secundárias nós denominamos de propriedades.

É por isso que o advérbio substancialmente, ou a locução adverbial em substância, devem ser empregados no sentido de modo geral, sem entrar nos pormenores, quer dizer, sem quaisquer referências diretas à essência ou as propriedades, mas sim ao conjunto da coisa.

O certo é que em relação a Deus nós devemos omitir tudo aquilo que na proposição se diz do sujeito, uma vez que não podemos limitá-Lo com predicados. Mas pelo fato de O considerarmos, por um aspecto, como sendo a Coisa Total, podemos afirmar que Ele é formado de Substâncias. A substância principal que representa a Sua essência é Ele, o próprio Ser Total; e as Substâncias secundárias que representam as Suas Propriedades são a Força Total e a Energia Total, que Nele se encontram harmonizadas em um grau indescritível na composição do Espaço e do Tempo, por conseguinte do Universo, daí a razão pela qual muitos afirmam que Ele é a Luz Total, que penetra todo o Universo.

No entanto, se a Coisa Total é formada de Substâncias, é óbvio que todas as coisas também o são, pois que Dela são originárias. Em toda e qualquer coisa, a substância principal que representa a sua essência é um simples ser, partícula individualizada do Ser Total; e as substâncias secundárias que representam as suas propriedades são a Força e a Energia, que nela vão aos poucos se alojando, por isso se encontram em porções parceladas, consoante o grau de evolução em que ela se encontra, até que também passe a adquirir a propriedade da Luz, alcançando a condição de espírito. Daí a razão pela qual os seres humanos tanto se esforçam por adquirir cada vez mais as propriedades da Força e da Energia, por conseguinte, harmonizá-las cada vez mais, coordenando-as no mais alto grau possível, a fim de que assim possam adquirir cada vez mais luz.

As estrelas são partículas combinadas das propriedades da Força e da Energia, que formam todo o Universo, que é todo fluídico, fornecendo as suas coordenadas. E os seres são os seus habitantes, que formam os mundos, os quais se encontram sob as égides das estrelas. Daí se poder dizer que navegamos em um imenso oceano fluídico e de luz. Em suas atuações conjuntas, estando sempre em plena em harmonia, as propriedades da Força e da Energia formam os fluidos, que muitos denominam de éter, em cujo oceano os seres navegam em busca do retorno para o Criador.

Assim posto, pode-se compreender perfeitamente a razão pela qual os seguidores da verdade, quando se referem a Deus, sem que tenham a pretensão de adentrá-lo em busca do conjunto das suas substâncias, utilizam-se, normalmente, de apenas uma delas para expressá-Lo, a da propriedade da Força, a qual contém os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, fazendo com que a mesma assuma todo o significado da existência do Criador.

No entanto, caso eles tivessem a pretensão de adentrar ao conjunto das Suas substâncias, seriam necessariamente obrigados a discorrer sobre esse conjunto em inteira conformidade com aquilo que cada uma delas representa para Deus, tendo que separar aquela que representa a Sua essência e as demais que representam as Suas propriedades.

Vejamos agora o que é essência e propriedade, considerando que do átomo ao ser humano tudo é coisa, inclusive Deus, que é a Coisa Total:

A essência, de um modo geral, pode ser definida como sendo a substância principal do conjunto que forma a natureza própria das coisas, aquela cuja função é considerada como sendo a finalidade da sua existência, o que a torna a mais pura, a mais bela e a de maior valor em relação a todas as demais substâncias componentes do conjunto, sendo, pois, a particularmente escolhida, por ser a única apta para o uso principal da criação, uma vez que ela, e somente ela, pode representar o seu conjunto com maior exatidão, já que possui a faculdade de exprimir, de revelar, de evidenciar, por si, todo o propósito do poder e da ação, portanto, da vida, que se traduz na existência eterna e universal.

É a essência que faz os seres humanos perceberem e compreenderem que as coisas — os seres e as suas propriedades adquiridas — são provenientes de Deus, uma vez que ela, exprimindo, revelando e evidenciando os seus propósitos de poder e de ação, é a substância indispensável para que elas existam tal qual existem.

Em sendo assim, a essência também pode ser considerada como sendo a razão primordial da existência das coisas, além da sua natureza íntima, o seu modo diferente de existir, a sua intenção, a sua significação especial, de acordo com o estágio em que se encontra em relação aos conhecimentos metafísicos, às experiências físicas e ao Saber, por excelência, relativos às propriedades que adquiriu. Em virtude desses caracteres distintivos que possui em relação às outras substâncias, a essência representa a ideia primeira das coisas, enquanto que as demais substâncias representam as ideias secundárias.

Por ignorarem a esta realidade, tanto os seguidores da verdade como todos os demais seres humanos, geralmente confundem a ideia principal de uma coisa, que é representada apenas pela sua essência, com as suas ideias secundárias, que são representadas apenas pelas suas propriedades.

Além disso, os seres humanos não conseguem apreender a ideia geral de uma coisa, que é representada pela sua essência e pelas suas propriedades, com estas últimas compondo o restante do conjunto que forma a sua natureza própria.

O Ser Total, portanto, é a essência de Deus, e nós, os seres, somos partículas da Essência de Deus, quer dizer, partículas do Ser Total, que quando encarnamos como seres humanos somos considerados como espíritos, uma vez que somos provenientes do puro Espírito de Deus.

Como ainda nos encontramos em um mundo ainda extremamente materializado, tendemos, de imediato, a supor que pelo fato de sermos partículas da essência de Deus, somos como que partes dessa Essência que se parte ao infinito, gerando infinitos seres. Assim, torna-se difícil a compreensão de como Deus pode ser o Todo e, ao mesmo tempo, infinitos seres, que não são infinitos. Acontece que, na espiritualidade, a compreensão não pode se limitar às palavras terrenas. Quando mais adiante os seres humanos estiverem mais espiritualizados, e estiverem todos falando e escrevendo o Esperanto, pode ser que novas palavras deem uma compreensão satisfatória em relação a esta realidade. Mas, de qualquer maneira, neste site de A Filosofia da Administração, na categoria relativa aos Prolegômenos, no capítulo intitulado de A Realidade de Deus de Acordo com a Razão, tudo isso é devidamente explicado.

Já a propriedade, de um modo geral, pode ser definida como sendo toda e qualquer substância secundária do conjunto que forma a natureza própria das coisas. São aquelas cujas funções proporcionam as condições absolutamente necessárias para a finalidade da existência da sua essência, quer dizer, do ser, mas sem que sejam consideradas como sendo a substância principal, o que as tornam as menos puras, as menos belas e as de menor valor em relação à substância principal, sendo, pois, as ordinariamente escolhidas, por serem aptas apenas para uso em função da essência, uma vez que elas não podem representar a Divindade com exatidão, já que não possuem a faculdade de exprimir, de revelar, de evidenciar o seu propósito de poder e de ação por si, portanto, da vida, que traduz a existência eterna e universal.

Pode-se também explanar o significado de uma substância que está a representar o papel de uma propriedade, por intermédio da própria linguagem forense, quando esta trata do direito de propriedade, que, adaptada ao assunto em pauta, pode ser considerada como sendo a faculdade que a substância essencial tem de aplicar à conservação da sua existência e ao melhoramento das suas condições de existência, todas as demais substâncias que para esse fim legitimamente adquiriu e de que pode dispor livremente.

Eis aqui a principal razão da evolução!

Ora, se como seres nós somos as partículas do Ser Total, portanto, a substância essencial, à medida que vamos evoluindo, ou seja, adquirindo cada vez mais parcelas das propriedades da Força, da Energia e da Luz, é que vamos aplicando à conservação da nossa existência e ao melhoramento das nossas condições de vida todas as demais substâncias que para esse fim legitimamente adquirimos e de que podemos dispor livremente.

Fácil é agora compreender que a evolução do ser humano, como essência, consiste justamente em adquirir as propriedades da Força, da Energia e da Luz, para que com elas possa formar um conjunto próprio de interseção ascendente com o conjunto do Ser Total, que possui a Força Total, a Energia Total e a Luz Total, assemelhando-se assim, progressivamente, ao Criador. Como se pode constatar, nós não somos, jamais, partículas das propriedades da Força, ou da Energia ou da Luz, somos sim, partículas da Essência, portanto, do Ser Total.

À medida que os seres vão adquirindo as propriedades de Deus, é evidente que eles também vão entrando na posse das mesmas, não cabendo aqui nenhum tipo de renúncia, uma vez que elas se tornam próprias deles. E tudo aquilo que passa a ser próprio dos seres passa a fazer parte integrante da sua natureza, uma vez que foi adquirido com legitimidade. Assim, e somente assim, faz-se valer a utilização dos pronomes possessivos meu, teu, seu, dele, nosso, vosso ou deles, que antes são adjetivos, porque sempre se lhes pode juntar o nome. Desta maneira, pode-se compreender, então, que a renúncia sobre algo cabe apenas aos bens materiais, próprios deste mundo, pois quem renuncia aos bens materiais renuncia a coisas alheias, mas renunciar aos bens próprios, como as propriedades adquiridas, é impossível.

Infelizmente, quando tentam de todas as maneiras tornar próprios os bens materiais, esquecendo-se de que próprios deles são os bens de outra natureza, os seres humanos passam a inverter a ordem natural das coisas. Nessa ânsia incontida pela conquista dos bens materiais, eles terminam por renunciar aos próprios valores morais e éticos, por conseguinte, educacionais, sem saberem que a conquista maior deve ser em prol da amizade espiritual, da solidariedade fraternal, da magnanimidade, da liberalidade e de outros valores superiores mais, e não em prol do egoísmo, da avareza, da ganância e outros valores inferiores mais. Para que se possa inverter de todo a esse processo deturpador da natureza espiritual, por demais perverso e danoso à evolução do espírito, basta apenas que os seres humanos adquiram a consciência de que os bens materiais são todos alheios, e que por isso jamais poderão lhes pertencer definitivamente.

No entanto, apesar de serem alheios todos os bens materiais, eles podem ser temporariamente emprestados pela Providência Divina, pelo tempo equivalente ao de uma encarnação, com a condição de que o seu uso seja compartilhado por todos, na proporção de quem melhor uso deles fizer. Caso contrário, serão chamados para a devida prestação de contas perante a Consciência Universal aqueles que fizeram o uso inadequado do alheio que tomaram por empréstimo, levando-se em consideração tanto a maneira pela qual tomaram a esse empréstimo como também a sua quantidade e o seu uso.

Na realidade, os únicos bens que devem interessar aos seres humanos são as propriedades que eles podem adquirir com legitimidade, e com legitimidade somente Deus as pode ofertar, pois Ele, somente Ele, e mais ninguém, as possui natural e legitimamente in totum. A Essência é o nosso ser. A Força, a Energia e a Luz são as únicas propriedades que devemos e podemos adquirir com legitimidade, para incorporá-las ao nosso ser. Eis, pois, o nosso espírito e a nossa alma, a qual é formada pelo corpo fluídico e pelo corpo de luz!

Assim, e unicamente assim, jamais de outra maneira, nós podemos nos conhecer a nós mesmos.

 

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