06.03- Esclarecei-vos primeiro, para somente depois poderdes esclarecer

A Cristologia
19 de outubro de 2018 Pamam

É lógico que um ser humano não pode lecionar uma matéria da qual não tenha o domínio adequado sobre ela, então não pode ser o seu professor. Mas se ele estudar com afinco os conhecimentos que ela encerra e se dedicar com esforço e ardor a realizar as suas experiências correspondentes, aprofundando-se no assunto, com certeza irá ascender a essa condição de docente. E quanto mais ele se aprofundar nesse labor, tanto mais ainda irá tendo o domínio mais amplo dessa matéria, tornando-se por assim dizer um mestre. Até que praticamente se esgotem as lições a serem recebidas neste mundo, quando então passa à condição de investigador e de pesquisador, captando novos conhecimentos e realizando novas experiências correspondentes, respectivamente, quando então a nossa cultura humana o designa de doutor.

Mas raramente isso acontece, uma vez que sempre desenvolvemos mais o criptoscópio, que é o órgão mental responsável por perceber e captar os conhecimentos, ou então o intelecto, que é o órgão mental responsável por compreender e criar as experiências. A estes devemos denominar de cientistas, e a aqueles devemos denominar de religiosos. Os conhecimentos são as fontes das experiências, ou seja, as religiões são as fontes das ciências. Assim, enquanto um é investigador o outro é pesquisador, cada qual em busca daquilo para o qual desenvolveram os seus órgãos mentais.

O Saber é um só, uma vez que ele se refere diretamente à natureza como um todo. E esta é una, já que forma um conglomerado incomensurável de seres que evoluem nos mais diversos estágios, pelo que estão incessantemente em busca dos seus retornos para o Criador, com muitos evoluindo apenas como força e energia, enquanto outros, tendo já alcançado a espiritualidade, evoluem também como luz. Assim, a natureza compreende tudo aquilo que seja considerado como natural, já que não existe o sobrenatural, pelo fato de ser uma criação da imaginação humana, e não de Deus, como o é a natureza.

Mas a nossa inteligência ainda não reúne as condições necessárias para adentrar ao âmbito do Saber como um todo. Então ele é criteriosamente dividido em parcelas, para que assim a nossa inteligência possa perceber e captar os seus respectivos conhecimentos e compreender e criar as experiências correspondentes. Essas parcelas do Saber são divididas em dois grandes grupos: as Positivas, também denominadas de Naturais, e as Humanas, também denominadas de Sociais. Pelo fato dos estudiosos ignorarem a existência das religiões, em virtude de elas haverem sido indevidamente apropriadas pela classe sacerdotal, que ao invés de haver adotado a denominação de credo para as suas crenças, adotou ardilosamente a denominação de religião, esses estudiosos adotaram as denominações de Ciências Positivas, ou Ciências Naturais, e de Ciências Humanas, ou Ciências Sociais, para esses dois grandes grupos de estudos.

Assim, as parcelas do Saber tidas como Ciências Positivas são a Matemática, a Física, a Química, a Biologia, a Farmácia, a Engenharia e outras, com todas lidando com a parte mais elementar da natureza. No entanto, como elas revelam maravilhosamente o progresso material, independentemente de alguma noção acerca da espiritualidade, os seus religiosos e cientistas são considerados como sendo o suprassumo da inteligência humana, por apresentarem diariamente aos seus semelhantes os resultados das suas investigações e pesquisas, quando, evidentemente, não o são.

Com isso, eles se arvoram de serem os grandes responsáveis por sancionar a existência da vida fora da matéria, apesar de todos eles ainda não saberem se identificar como sendo religiosos ou cientistas, e nem ao menos terem a mínima noção de como se forma e se desenvolve a nossa inteligência. Então eles emitem as mais esdrúxulas opiniões para poderem negar a existência da espiritualidade, como se alguma dessas parcelas do Saber reunisse em si as condições necessárias exigidas para tanto. Porém, os seus ceticismos foram bastante úteis em relação ao contexto humano, pelo fato deles negarem veementemente a existência do sobrenaturalismo irracional, próprio da imaginação humana, ainda infantil em seu crescimento evolutivo, surgindo daí a incompatibilidade entre as religiões e as ciências, quando, na realidade, deveria ser a incompatibilidade entre os credos e as suas seitas, de um lado, e as religiões e as ciências, de outro, por serem definitivamente irreconciliáveis, portanto, consideradas como sendo eternas inimigas, pelo menos até que os credos e as suas seitas sejam extintos e banidos de vez da face deste nosso planeta denominado de Terra.

Já as parcelas do Saber tidas como Ciências Humanas são a História, o Direito, a Economia, a Administração de Empresas, a Sociologia, a Antropologia e outras, com todas lidando com a parte mais complexa da natureza, pois que lidam com o comportamento humano, que é todo espiritual. No entanto, como elas pouco revelam o progresso espiritual da nossa humanidade, mas apenas algum progresso no âmbito material, já que consideram o ser humano como sendo apenas de carne e osso, embora não desconsiderem o seu lado humanístico, eles não são considerados como sendo o suprassumo da inteligência humana, a não ser quando as suas pesquisas estão diretamente ligadas à matéria. A prova cabal disso, ocorre quando os economistas se utilizam da Matemática para demonstrar as suas especulações ou hipóteses, ou quando os administradores de empresas conseguem uma maior produtividade, uma estratégia de mercado, inovar através do lançamento de novos produtos, ou algo similar, sendo tudo isso estendido às demais parcelas do Saber deste grupo.

Mas o certo é que com o avento da espiritualidade, as parcelas do Saber consideradas tanto Positivas como Humanas, terão que mudar radicalmente as suas bases, para que assim os seus estudiosos e pesquisadores possam formular novas teorias “a priori” e novas teorias “a posteriori” a respeito, sendo convictos de que estão lidando com seres infra-humanos em inúmeros estágios evolutivos, que são a Essência de Deus, os quais evoluem através das Suas propriedades da Força e da Energia, e com seres humanos, quando passam a evoluir através da Sua propriedade da Luz, sendo todas elas, tanto a Essência como as Propriedades, as Substâncias do Criador, embora individualizadas nas suas criaturas.

No entanto, mesmo estando restritos às suas respectivas parcelas do Saber, sejam elas pertencentes ao grupo das Positivas ou das Humanas, todos os seus respectivos estudiosos, investigadores e pesquisadores, podem ser considerados como sendo esclarecidos para poderem esclarecer, pois, caso contrário, não haveria o progresso na aquisição do Saber, mesmo sem adentrar ao âmbito da espiritualidade, pois todos os conhecimentos e experiências são úteis para a nossa evolução espiritual, desde que sejam naturais, ou seja, próprios da natureza.

Evoluindo e evoluindo sempre, os seres humanos adentram aos tratados mais elevados da evolução humana, quando então passam a raciocinar no âmbito da Veritologia ou no âmbito da Saperologia, desprezando aqui que ambas são as grandes responsáveis pelas especializações, ou seja, pelo surgimentos de praticamente todas as parcelas do Saber, já que algumas podem surgir naturalmente, como consequência do próprio progresso humano, que aos poucos vai requerendo cada vez mais especializações, já que as áreas de estudo são vastíssimas.

Aqui, o campo dos tratados superiores é bem mais complexo, já que exige de todos os seus responsáveis uma fiel observância aos ditames da mais extrema lógica, que é a arte de raciocinar com acerto, em que este acerto se principia por considerar apenas o âmbito da própria natureza, em suas meditações, investigações e pesquisas, diferentemente das religiões e ciências, que também não podem se sobrepor a ela, a natureza, por força e imposição dos próprios assuntos com que se ocupam. Então os veritólogos e os saperólogos não podem jamais se deixar escorregar no lodo oleoso criado pelo sobrenaturalismo, dando asas à imaginação ilógica e irreal, fonte de todas as mentiras e ignorâncias que vemos por esse mundo afora.

Estamos agora adentrados aos âmbitos da verdade e da sabedoria, únicas vias pelas quais se chega à razão. Isto implica em dizer que, antes de 1910, com o advento do Racionalismo Cristão, não havíamos ainda alcançado a verdade. Ora, como a verdade é a fonte da sabedoria, que deve se respaldar em seus conhecimentos metafísicos para poder nortear sabiamente as ações humanas, evidentemente que todas as manifestações da própria sabedoria não foram suficientemente eficazes para dirigir os destinos da nossa humanidade, embora todas elas tivessem a sua real procedência, uma vez que as mudanças comportamentais dos seres humanos são difíceis de serem realizadas mais profundamente, com vistas ao progresso, pois que todos são apegados fortemente aos seus velhos hábitos, aos costumes já bastante enraizados em seus perispíritos, e como sempre houve uma verdadeira mescla entre a Veritologia e a Saperologia, esta, sob a denominação imprópria de Filosofia, passou a ser ironizada e até ridicularizada pelos menos raciocinadores, sendo considerada inútil por esses espíritos ainda atrasados, enquanto que aquela era simplesmente ignorada.

Mas agora ambos os tratados superiores estão bem definidos, devidamente segregados, sem a existência de qualquer mescla, evidenciando por inteiro como se forma e se desenvolve a nossa inteligência, estando a verdade transmitida pelo Racionalismo Cristão agora completada em todo o seu teor lógico, com a sua devida explanação realizada pela sabedoria, tendo então conseguido a nossa humanidade chegar à razão através de ambas. Assim, todos os seres humanos de boa vontade poderão agora ser espiritualizados, por intermédio da seguinte equação universal: verdade + sabedoria = razão; quando poderão estar devidamente esclarecidos acerca da vida fora da matéria, sendo esta apenas uma ilusão, portanto, aptos para também poderem esclarecer, conforme Jesus, o Cristo, assim nos ensinou.

Mas não para por aqui a explanação acerca deste tópico, porque neste ensinamento se encontra muito bem inserida uma crítica velada, que parece estar coberta pelo véu da sabedoria de Jesus, o Cristo, por isso oculta aos olhos daqueles que ainda não sabem interpretar com fidedignidade os textos que lhes vêm aos olhos, uma vez que estes devem calar diretamente no corpo mental, e não nos órgãos da visão, que apenas servem para enxergar as coisas ditas materiais, portanto, as simples aparências, e nunca aquilo que elas podem revelar por trás dessas aparências expostas a esses órgãos da visão.

Essa crítica velada se refere diretamente àqueles que ousam tentar esclarecer aos seus semelhantes sem estarem devidamente esclarecidos para tanto, mais especificamente aos sacerdotes e aos seus principais seguidores, que desprezando todo o Saber existente na natureza, danam-se a imaginar as mais estapafúrdias mentiras, sempre no âmbito do sobrenaturalismo, pois aqui, neste deserto considerado como sendo malvado e insano pelos lógicos e raciocinadores, pode-se inventar qualquer mentira ou lorota que seja razoável para a mente daqueles que creem em tudo que lhes chega à mente, e que por isso não têm qualquer noção do que seja a lógica e muito menos o que seja um raciocínio profundo, já que esses metidos a esclarecedores se amparam, matreira e astuciosamente, no frágil instituto da fé credulária, que é capaz de entorpecer e enegrecer a mente de qualquer ser humano que se arvore de possuí-la.

Assim, sem estarem esclarecidos para poderem esclarecer, não alcançaram ainda a evolução espiritual exigida para serem os guias das massas humanas. Em consequência, as suas almas não são detentoras dos atributos espirituais necessários para o desempenho dessa elevada função, pois que são os atributos que comandam a nossa inteligência, tanto os individuais como os relacionais. Daí, basta apenas um passo para que as inferioridades das suas almas sejam reveladas e, por conseguinte, manifestem-se plenamente neste mundo, quando então podemos observar claramente esses sacerdotes e os seus principais seguidores se julgando vaidosamente os pastores do rebanho humano, sempre amparados pelos livros ditos sagrados e pela já dita fé credulária, a qual inculcam nas mentes atrasadas dos seus arrebanhados, manipulando o sobrenaturalismo a torto e a direito, conforme as suas malévolas intenções, consequentemente, também ao deus sobrenatural inventado que dizem adorar e venerar, julgando que por ele tem amor, quando, na realidade, não possuem a mínima ideia do verdadeiro Deus, que é plenamente revelado por intermédio de nós mesmos e da própria natureza, e muito menos do que seja o verdadeiro amor, que é de natureza puramente espiritual, já que ainda não estão espiritualizados. Além do mais, como eles podem produzir amor por aquilo que dizem ser misterioso e que não compreendem? Qualquer um sabe que não se pode amar ao que se desconhece. Então é amor é inventado, portanto, mentiroso!

E sendo as suas almas ainda restritas ao âmbito da inferioridade, passam vaidosamente a se julgar poderosos e influentes perante o povo, mais propriamente perante os seus arrebanhados, extorquindo-os e praticando o estelionato em nome desses seus deuses, principalmente Jeová, o deus bíblico, e Alá, o deus alcorânico, os quais não passam de marionetes repletos de cordões manipulados pela matreirice e pela astúcia da classe sacerdotal, que também é por eles manipulada, em um vai e vem nocivo e repelente.

Assim, quando se manipula um desses cordões, do lado sacerdotal, esses deuses se danam a obrar milagres a torto e a direito. Quando se manipula outro, esses deuses se danam a ajudar aos seus infelizes adoradores, inclusive pseudamente os provendo de riquezas e outros bens materiais. Quando se manipula mais um, esses deuses irão promover a salvação dos seus adoradores. Quando se manipula o próximo, esses deuses querem ser adorados e venerados por todos. Quando se manipula mais outro, esses deuses têm que ser temidos. Quando se manipula o principal, esses deuses têm que ser ajudados com recursos financeiros, que logicamente vão para os bolsos dos sacerdotes, que por isso, em suas ignorâncias e malandragens, julgam-se extremamente sabidos, quando não passam todos de estúpidos e idiotas. E assim por diante. Na realidade, como se pode constatar, cada um desses cordões é manipulado segundo os interesses e os objetivos escusos dos seus manipuladores, em que todo o conjunto é manipulado pelos espíritos obsessores.

Enquanto isso, ficam todos esses sacerdotes repletos de riquezas, com alguns até exercendo o poder de Estado, com as panças demasiadamente cheias, o que faz provocar cada vez mais os seus arrotos, os quais saem pelas suas bocas em forma de mentiras, falsidades, insinceridades e tudo o mais que a lábia sacerdotal possa ser capaz de criar para enganar, para ludibriar, para estelionatar, com tudo isso assumindo a terrível e horripilante forma que a imaginação possa formar acerca da ignorância, que é o grande mal da nossa humanidade, tal como se fosse o próprio Satanás em pessoa, caso esse ser imaginário realmente existisse.

Mas ignoram esses perversos que eles mesmos estão semeando os campos que irão produzir os alimentos com que vão se alimentar no futuro. Sim, esses malfeitores da humanidade, por propagarem a ignorância, que é o nosso grande mal, terão que pagar muito caro pelos seus erros propositais, sendo obrigados a resgatar a todos eles. Se insistem claramente em não querer dar trato ao raciocínio, estudando a vida fora da matéria tal como o Racionalismo Cristão está ensinando a toda a nossa humanidade, só resta então um meio para que se regenerem: o sofrimento. Será, pois, o sofrimento repleto de dores que deverá sacudir as suas almas sebosas para que delas sejam retirados os seixos gordurosos que impregnam as suas almas de mazelas e outros danos artificiais, para que assim elas se voltem para a verdadeira espiritualidade, e então possam contemplar toda a grandeza e beleza reveladas pela sublime natureza, para que a partir daí possam ir resgatando paulatinamente os males que praticaram, segundo os esforços empregados.

Assim, consoante o sábio ensinamento de Jesus, o Cristo, torna-se óbvio que o ser humano primeiro tem que se esclarecer acerca da espiritualidade, sendo detentor dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e das experiências físicas da sabedoria, pois que assim, tendo alcançado efetivamente a razão, ele pode sim, realmente esclarecer aos seus semelhantes, em função dos diferentes estágios evolutivos que existem.

 

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