05- A VERDADE SOBRE JESUS, O CRISTO

A Cristologia
13 de outubro de 2018 Pamam

Muitos seres humanos ainda duvidam da existência do Cristo, por isso fazem as seguintes indagações: Jesus, o Cristo, realmente existiu? Não será a sua história um produto da imaginação e da esperança humana por uma vida eterna? Não será ele um mito comparável às lendas de Krishna, Osíris, Átis, Adônis, Dionísio e Mitras?

No começo do século XVIII, os eruditos que formavam a roda de Bolingbroke discutiam na intimidade a hipótese da não existência de Jesus, o Cristo, chocando ao próprio Voltaire. Em 1791, Volney revelou a mesma dúvida nas Ruínas do Império. Em 1808, encontrando-se com o erudito Velando, Napoleão Bonaparte perguntou se ele realmente acreditava na historicidade acerca de Jesus, o Cristo. Mas todas essas dúvidas são provenientes da ignorância humana acerca da vida espiritual, por isso existe uma explicação lógica para elas, pois não existe nada, mas nada neste mundo, que não possa ser devidamente compreendido e explanado para que todos os seres humanos viventes possam ser cientes acerca da verdadeira vida, que é a vida fora da matéria, sendo a matéria apenas uma ilusão.

Todas essas dúvidas, um tanto quanto céticas, mas compreensíveis, em face da elevadíssima evolução espiritual desse espírito em relação à nossa humanidade, são provenientes principalmente das atividades desenvolvidas pelo espírito moderno, que nessas atividades procurou dar um pouco de trato ao raciocínio, em decorrência da própria evolução espiritual, cuja maior projeção foi a que os estudiosos denominam de Alta Crítica da Bíblia, que se retrata em um impetuoso ataque à autenticidade e a veracidade desse livro nocivo que semeia a ignorância em todos os recantos deste mundo, cujos resultados podem daqui por diante se mostrar totalmente revolucionários, atirando por terra a esse cristianismo credulário, em toda a sua falsidade, para que possa emergir com toda a pujança na mente dos seres humanos o Racionalismo Cristão, o embrião do verdadeiro cristianismo, que irá preparar toda a nossa humanidade para que no futuro ela possa seguir ao seu próprio Cristo.

Em 1796, Herder assinalou as irreconciliáveis diferenças entre o Cristo de Mateus, Marcos e Lucas e o Cristo do evangelho de João. Em 1828, Heinrich Paulus, resumindo a vida de Jesus, o Cristo, em mais de mil páginas, apesar de ignorar a inexistência dos milagres, propôs uma interpretação racionalista para os seus milagres, embora podendo aceitá-los como ocorridos, mas produzidos por causas e forças naturais, como que tentando estabelecer que tudo é regido por leis espaciais, princípios temporais e preceitos universais. Em 1835, David Strauss, em sua obra intitulada de Vida de Jesus, que fez época no pensamento germânico por uma geração, afirmou que os elementos sobrenaturais dos evangelhos devem ser classificados como mitos, e que a verdadeira vida de Jesus, o Cristo, tem que ser reconstruída sem recorrer de nenhuma forma a esses elementos. No mesmo ano, Ferdinand Christian Baur atacou as Epístolas de Paulo, rejeitando-as como falsas, com exceção das aos gálatas, coríntios e romanos. Em 1863, Ernest Renan, em sua obra intitulada de Vida de Jesus, chocou a cultura da época com o seu racionalismo e encantou a milhões com a sua prosa, ao reunir os resultados da crítica alemã e pondo o problema dos evangelhos diante dos olhos mais esclarecidos de todo o mundo raciocinante. A escola francesa atingiu ao seu clímax no fim do mesmo século, quando surge no meio da própria classe sacerdotal o padre Loisy, submetendo o Novo Testamento a uma análise tão rigorosa, que a Igreja Católica se sentiu compelida a excomungar tanto a ele como a outros modernistas, como se a baboseira da excomunhão servisse de freio a quem realmente raciocina. Nessa avalanche de críticas a esse livro dito sagrado, a escola holandesa de Pierson, Naber e Matthas levou o movimento às extremas, com a laboriosa negação da realidade histórica de Jesus, o Cristo, assim contada. Na Alemanha, Arthur Drews deu a esta negação a sua forma definitiva. E na Inglaterra W. B. Smith e J. M. Robertson concluíram por uma negação semelhante. O resultado desses dois séculos de discussão parecia ser a aniquilação de Jesus, o Cristo, mas apenas sob o prisma do sobrenaturalismo.

Com tudo o que foi explanado até agora, não precisamos mais de provas acerca da existência do Cristo em cada uma das humanidades que for se espiritualizando ou que se encontre em vias de ser espiritualizada, por conseguinte, de Jesus, o Cristo, que pertence à humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo, com o nosso Cristo já se encontrando em vias de formação, tendo já alcançado a condição do Antecristo, por intermédio do instituto do Racionalismo Cristão. Mas, mesmo assim, vamos buscar a mais remota referência sobre a sua vida, alheia ao cristianismo credulário, em Flávio Josefo, nas Antiguidades dos Judeus, relativa ao ano 93, quando ele diz o seguinte:

Nesse tempo viveu Jesus, um homem santo, se homem pode ser chamado, porque fez coisas admiráveis, e ensinou aos homens, e alegremente recebeu a verdade. Era seguido por muitos judeus e muitos gregos. Foi o Messias”.

Já na literatura pagã, vamos encontrar a mais remota menção do Cristo em Plínio, o Moço, no ano 110, na carta em que pede o parecer de Trajano sobre o tratamento a ser dado àqueles que se consideram cristãos. Cinco anos mais tarde, Tácito descreve a perseguição daqueles que se consideram cristãos em Roma, realizada por Nero, e os descreve como já numerosos desde o ano 64, em todo o Império Romano. Em 125, Suetônio se refere à mesma perseguição e narra o banimento dos judeus no tempo de Cláudio, que agitados por Jesus, o Cristo, estavam causando perturbações públicas.

É certo que essas referências provam mais a existência daqueles que se consideravam cristãos do que a do próprio Jesus, o Cristo, mas a não ser que admitamos a existência do Cristo, somos levados à conclusão de que ele foi criado em apenas uma geração. Além disso, temos necessariamente que concluir, que para merecer a atenção de um decreto imperial, a comunidade dita cristã em Roma tinha de já estar estabelecida alguns anos antes de 52. Para completar, lá pelo meio do século I, um pagão chamado de Thallus, em um fragmento preservado por Júlio Africano, afirma que a estranha obscuridade sobre a morte de Jesus, o Cristo, foi um fenômeno puramente natural e uma coincidência, cujo argumento de nenhum modo põe em dúvida a existência do Cristo.

As provas que dizem respeito àqueles que se consideram cristãos, em suas crenças, começam com as cartas atribuídas a Paulo. Algumas são de autoria incerta, enquanto outras são anteriores ao ano de 64, mas quase que universalmente aceitas como sendo genuínas na substância. Ninguém jamais duvidou da existência de Paulo e dos seus repetidos encontros com Pedro, Tiago e João, já que era com uma ponta de inveja que ele admitia terem aqueles homens conhecido pessoalmente a Jesus, o Cristo, em carne e osso. As epístolas aceitas se referem frequentemente à última ceia e a crucificação.

Com relação aos evangelhos a matéria não é assim tão simples e direta, pois ela não segue uma linha reta esclarecedora, já que exige um contorcionismo que obriga ao leitor independente a praticar um certo malabarismo para extrair aquilo que procede daquilo que não procede, pois os quatro que chegaram até nós são os sobreviventes de um número muito maior, que circularam entre os cristãos credulários dos dois primeiros séculos. As mais velhas cópias dos evangelhos que sobreviveram são do século III. As composições originais foram escritas entre os anos 60 e 120, ficando, portanto, sujeitas a dois séculos de erros nas transcrições e a possíveis alterações para adaptação à Teologia, ou mesmo sendo alvos das seitas dos copistas ou dos tempos. Os escritores considerados como sendo cristãos que foram anteriores ao ano 100, citam sempre o Velho, nunca o Novo Testamento. Assim, podemos resumir que certamente há muitas contradições entre um evangelho e outro, muitas afirmações históricas dúbias, e o pior de tudo, muitas semelhanças suspeitas com as lendas em curso dos deuses pagãos e muitos incidentes na mera aparência destinados a provar de qualquer maneira a realização das antigas profecias do Velho Testamento, o que implica em muitas passagens destinadas a estabelecer uma base histórica para a doutrina e os rituais da Igreja Católica Apostólica Romana. Em 1897 e 1903, Grenfell e Hunt descobriram nas ruínas de Oxirinco, no Egito, doze fragmentos de logia, estudo ou conhecimento, correspondentes a passagens dos evangelhos. Esses papiros são do século III, mas podem ser cópias de manuscritos mais velhos.

Um verdadeiro milagre, ainda mais incrível do que os milagres mentirosos citados na Bíblia, seria o fato que em apenas uma geração vários seres humanos simples e de mentes ainda muito atrasadas conseguissem inventar uma tão poderosa e sublime personalidade como a de Jesus, o Cristo, detentor de uma moral tão elevada e de uma tão inspiradora ideia da fraternidade humana, que seria impossível supor na mentalidade da época. E como não há milagres, vemos depois de dois séculos de Alta Crítica, conforme mencionado mais acima, as linhas gerais da vida, do caráter e dos ensinamentos do Cristo permanecerem razoavelmente claras e constituírem o acontecimento mais fascinante da história da nossa humanidade.

Como que não querendo revelar para os seres humanos o dia mais ou menos certo para o advento do Juízo Final, em que toda a nossa humanidade deverá obrigatoriamente se espiritualizar, cuja data está prevista para o ano 2000 anos, após o advento do Cristo, o Astral Superior não permitiu que ninguém soubesse a data rigorosamente exata da sua encarnação, apenas uma data aproximada.

No ano 200, Clemente de Alexandria cita várias opiniões a respeito, mas nenhuma condiz com a realidade. Vários cronistas põem diversas datas diferentes para o dia da sua encarnação, mas também nenhuma delas condiz com a realidade. O certo é que nenhum contemporâneo de Jesus, o Cristo, escreveu algumas coisa sobre a sua vida e sobre a sua obra, pois o que se sabe ao seu respeito vem da tradição oral, e nem mesmo Paulo, cognominado o Apóstolo dos Gentios, que nasceu de uma família de origem judaica, em Tarso, Sicília, no começo da era dita cristã, onde recebeu o nome de Saul, conheceu-o ou sequer ouviu falar nele, antes da sua desencarnação.

Mateus e Lucas aceitam a Jesus, o Cristo, como tendo encarnado em Belém, nove quilômetros ao sul de Jerusalém, quando de lá, dizem eles, a família se mudou para Nazaré, na Galileia. Mas Marcos não faz qualquer menção a Belém e chama ao Cristo de Jesus de Nazaré. Os evangelhos considerados como sendo de Mateus e Lucas sofrem dos críticos uma suspeita fundada de que eles escolheram Belém justamente para fortalecer a pretensão de que Jesus, o Cristo, era realmente o Messias e provinha da casa de Davi, como fôra profetizado pelos judeus, cuja família tinha morado em Belém. Como também da profecia contida em Miqueias 5:2, que diz o seguinte:

E tu Belém Efrata, pequena demais para chegar a estar entre os milhares de Judá, de ti me sairá aquele que há de tornar-se governante em Israel, cuja origem é desde os tempos primitivos, desde os dias do tempo indefinido”.

E tanto não procede tal profecia, que jamais Jesus, o Cristo, foi ou pretendeu ser governante de Israel. Assim, tal como a data, não se sabe ao certo o seu local de encarnação, mas o mais provável é que ele tenha nascido em Nazaré, como veremos em outro tópico.

As histórias que aparecem nos evangelhos apócrifos, ou não canônicos, sobre o nascimento de Jesus, o Cristo, em um estábulo, sobre a adoração dos pastores e dos reis magos, o massacre dos inocentes e a fuga para o Egito, não devem influenciar aqueles que já se encontram maduros para receber a espiritualidade, pois não passam de lendas criadas apenas para impressionar aos mais atrasados.

Já a invenção de que Jesus, o Cristo, foi concebido por obra e graça do Espírito Santo, a tão famosa “imaculada concepção”, não vem mencionada em Paulo ou João, enquanto Mateus e Lucas que dela falam, ligam Jesus, o Cristo, a Davi como sendo filho de José, por isso a crença no parto da virgem é anterior à crença da filiação à casa de Davi. Mas aqueles que se consideram cristãos querem por todos os meios confirmar as supostas profecias, por isso insistem nessa baboseira de virgindade para concretizar o dito do Antigo Testamento, mais precisamente em Isaías 7:14, que nem sequer se refere a Jesus, o Cristo, quando diz o seguinte:

Portanto, o próprio Jeová vos dará um sinal: Eis que a própria donzela ficará realmente grávida e dará à luz um filho, e ela há de chamá-lo pelo nome de Emanuel”.

Mas o fato é que Jesus, o Cristo, pertencia a uma família numerosa, porque os seus vizinhos, espantados com o vigor dos seus ensinamentos, indagavam: de onde vem essa sabedoria e o poder de operar maravilhas? Não é o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E não vivem entre nós as suas irmãs? Como se pode constatar, além de Jesus, Maria tinha outros filhos e, também, filhas, todos tidos carnalmente com José, como é óbvio.

Ora, desde a mais tenra idade que os seres humanos são cientes de que os espíritos encarnam com o sexo masculino ou então com o sexo feminino, desprezando aqui a aberração de natureza hermafrodítica, quando os espíritos repletos de dívidas contraídas pelo mau uso do seu livre arbítrio encarnam em tal condição, já que se sujeitam a tudo para apagar as suas manchas, quando neste caso os pais, principalmente a mãe, têm que envidar todos os esforços possíveis para amparar e educar a esses espíritos faltosos. Tais condições, masculina ou feminina, são absolutamente necessárias para a reprodução da espécie, que se dá através da relação sexual, o meio determinado pela Providência Divina não somente para a encarnação dos espíritos, mas também para a constituição da família, sempre a célula da humanidade. Então Maria sempre coabitou com José, desde o seu casamento, caso contrário não poderia ter sido a mãe de tantos filhos.

No entanto, a mente da classe sacerdotal, sendo extremamente suja e depravada, totalmente afeita aos prazeres mundanos da ilusória matéria, considera que a virtude e a pureza se encontram na carne, por isso a relação sexual estatuída pela Providência Divina entre marido e mulher para eles é capaz de causar uma mancha indelével àquela que foi escolhida para conceber a Jesus, o Cristo. Ignora esse classe desgraçada, semeadora da ignorância neste nosso mundo-escola, que a virtude e a pureza se encontram na alma dos espíritos, e que de nenhum modo a mãe do Nazareno poderia perder tais predicados simplesmente exercendo o seu papel de verdadeira esposa, para que assim pudesse conceber aos seus filhos pelos meios naturais, sendo além de esposa, mãe, cujo amor é considerado como sendo o mais sublime deste mundo, mas sendo ainda muito atrasado para o meu desgosto e pesar.

Além do mais, essa classe, por demais ignorante, tem que respeitar, obrigatoriamente, à minha própria mãe, que em obediência aos processos estabelecidos pela Providência Divina foi a esposa do meu pai, tendo a este como o seu único namorado, noivo e marido, portanto, o único homem da sua vida, tendo sete filhos como frutos desse casamento, incluindo este que ora se encontra a escrever mais uma obra esclarecedora acerca da vida espiritual, para o bem de toda a nossa humanidade.

E se algum integrante dessa classe exploradora do povo se atrever a abrir a sua boca estúpida para ao menos insinuar que por isso ela perdeu a sua virtude, ou que não é mais pura, vai sentir em seu lombo a força de uma mão verdadeiramente pesada e castigadora, caso fique apenas por aqui, já que a minha mão é muito diferente da mão desse seu deus bíblico, que é bélico, rancoroso, iracundo, vingativo e ciumento, como também metido a exterminador, que se realmente é metido a ser um deus, caso viesse como tal contra mim, eu o levantaria à força do trono em que se senta e lhe daria uma boas pancadas nas nádegas, castigando-o severa e merecidamente, para que os seus sacerdotes não mais ameacem aos fiéis arrebanhados dos seus castigos e da salvação eterna, como se um verdadeiro pai fosse realmente capaz de condenar aos seus queridos filhos ao fogo eterno ou à extinção. Saiba essa classe sacerdotal, exploradora do nosso povo, que Luiz de Mattos, o outro expoente da nossa humanidade, nada teme porque nada deve, mas este outro expoente nada teme, mesmo que se encontre em qualquer condição de dívida ou não, dada a minha natureza ser empírica e a dele ser ontológica, por isso muito cuidado com aquilo que vocifera.

Assim, tendo encarnado Jesus, o Cristo, não se sabendo em que data, mas que não nasceu em Belém, mas sim em Nazaré, como consequência também pouco se sabe sobre a sua juventude, inclusive os evangelistas pouco falam a respeito. Porém, sabe-se que Maria e José conviveram antes com os essênios, sendo José carpinteiro, e de acordo com as praxes o Nazareno teria seguido por algum tempo a essa profissão. Conhecia bem os artesãos da sua aldeia, os proprietários, os criados, os inquilinos e escravos das redondezas, já que a eles se refere com frequência. Era muito sensível à natureza, tal como se refletia na beleza natural do campo, na graça e nas cores das flores, na generosa frutificação das árvores, e tudo o mais que retratava a existência de Deus na natureza, tal como Luiz de Mattos descreve originalmente em sua obra intitulada de Vibrações da Inteligência Universal. Não teve uma instrução formal, causando admiração aos vizinhos pelo fato de saber ler e escrever corretamente. Frequentava a sinagoga e com evidente gosto ouvia ler as escrituras.

A leitura dos livros do Antigo Testamento deve ter lhe causado uma profunda e indelével impressão, inspirando-lhe o gosto, que, aliás, era geral, pelas interpretações alegóricas e a poesia dos Salmos. Os ditos profetas devem ter lhe exaltado o pensamento e foram inicialmente os seus mestres, mas preponderando os essênios. Os livros de Daniel e Enoque serviram de lastro inicial para lhe modelar ainda mais a percepção. Sendo por demais intelectual e um pouco menos criptoscopial, além de extremamente conceptivo e por demais crédulo, por não ser preconceituoso, absorveu-se na contemplação ideal dos quadros proféticos, os quais eram pintados pelas tintas da cólera e da glória de Jeová, e como era ainda infantil, desconhecedor das realidades políticas e sociais do mundo, embrenhou-se, de início, levemente pelas regiões do sobrenatural, mas, mesmo na infância, manifestou uma inteligência única destinada a ser o guia de cada humanidade, tal como o Cristo, por isso, ainda menino, discutia abertamente com os doutores na sinagoga.

Quando esse valoroso espírito, que pertence à humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo, após dela se deslocar e se integrar à nossa humanidade, encarnou várias vezes neste nosso mundo-escola, e, finalmente, encarnou como Jesus, o Cristo, ele então abandonou definitivamente a sua posição de saperólogo, que antes havia exercido como Hermes, no Egito, Krishna, na Índia, Confúcio, na China, e Platão, na Grécia, e passou a ser o primeiro ratiólogo de que se tem notícia em nossa humanidade. Por isso, ainda na infância, foi habitar com os essênios, com quem aprendeu e desenvolveu as suas poderosas faculdades mediúnicas, que eram absolutamente necessárias à sua vida de encarnado, em face do perturbado ambiente da atmosfera terrena, pois tudo ao seu redor revia excitação credulária, já que milhares e milhares de judeus aguardavam ansiosos a vinda do redentor de Israel, e não o da nossa humanidade, com as magias e feitiçarias, anjos e demônios, possessões e exorcismos, milagres e profecias, astrologia e adivinhação, tudo isso sendo considerado como coisas certas em toda parte, com a estória dos reis magos sendo um concessão necessária às crenças astrológicas da época, inclusive com taumaturgos, os operadores de maravilhas, andando de cidade em cidade. Assim, mesmo sendo o Cristo, esse ambiente com certeza devia influenciar a Jesus. Por isso, logo depois, mergulhando profundamente nos estudos, conseguiu apesar de tudo perceber a verdade e compreender a sabedoria em toda a sua plenitude, situando-se rigorosamente no âmbito da razão, divulgando-as em seguida junto às massas populares, com um alto poder de comunicação, tanto quanto essas massas podiam compreender.

Os essênios eram ascetas de uma antiga seita judaica, que viviam em pequenas comunidades localizadas no lado ocidental do Mar Morto e no Lago Maoris, no Egito, onde eram conhecidos como terapeutas. Em 1947, alguns mercadores beduínos descobriram rolos de manuscritos, dos quais o principal é o Manual da Disciplina. Esses documentos remontam, pelo menos, ao segundo século pré-cristão. Essas fontes apresentavam os essênios vivendo uma vida simples, meditativa e contemplativa. Eram frugais, vegetarianos, castos, contrários ao sacrifício de animais e à escravatura, e ainda mantinham os seus bens em comum. Foi uma seita sui generis que não teve analogia com qualquer outra em toda a história da nossa humanidade, baseada em conhecimentos e experiências da vida fora da matéria, que são diversos e equivocadamente interpretados como cabalistas, pitagóricos, orientais e maçônicos, além de judaicos. Ensinavam a doutrina da pré-existência da alma e da reencarnação. Os seus membros mais eruditos expunham as escrituras por meio de símbolos e parábolas. Estudavam a Torá, ou seja, os primeiros cinco livros da Bíblia, que contém a essência da lei mosaica. A filiação ao credo não dependia de raça, mas sim da livre escolha do pretendente, o que denota não terem tido qualquer ligação com as sinagogas dos fariseus.

Os fariseus formavam um grupo de judeus que eram devotos da Torá, os cinco livros da Bíblia conhecidos como Pentateuco, cujo grupo surgiu no século II a.C. Eles eram opositores dos saduceus, crendo em uma lei oral, em conjunto com a lei escrita, tendo sido os criadores da instituição da sinagoga. Com a destruição de Jerusalém em 70 a.C. e a queda do poder dos saduceus, a influência dos fariseus cresceu dentro da comunidade judaica, com eles se tornando os precursores do judaísmo rabínico. A oposição dos fariseus ao “cristianismo”, através dos tempos, rendeu-lhes a conotação de fanáticos e de hipócritas, que manipulam as leis em interesse próprio, tendo sido esse comportamento e modo de viver que deu origem ao termo fariseu.

Como não existe o acaso na natureza, muitos espíritos foram previamente designados a reencarnar formando a essa comunidade dos essênios, para que a sua cultura fosse cultivada e desenvolvida no meio das culturas avessas à missão do nosso Redentor, pois foi justamente entre eles que Jesus, o Cristo, conviveu durante vários anos da sua mocidade, para que assim pudesse ter sido influenciado diretamente pela sua cultura, e não pela cultura sobrenatural e mística que formava o ambiente da atmosfera terrena.

Como os essênios eram bastante espiritualizados, em suas reuniões eles conseguiam formar uma corrente poderosa com base nas vibrações magnéticas dos seus sentimentos, nas radiações elétricas dos seus pensamentos e nas radiovibrações eletromagnéticas de ambos combinados, para que então o Astral Superior pudesse se aproximar e os intuir para a prática do bem, esclarecendo-os ainda sobre determinados conhecimentos acerca da espiritualidade. Daí a razão deles terem sido fundamentais para a missão de Jesus, o Cristo, nessa sua encarnação primordial neste nosso mundo-escola.

Entre os anos de 1947 e 1956, mais pergaminhos foram descobertos em onze cavernas, nas vizinhanças do Mar Morto, onde hoje fica a Cisjordânia, perfazendo aproximadamente mil textos escritos em pele de carneiro. Ficaram sendo conhecidos como os Pergaminhos do Mar Morto. Esses pergaminhos registram fatos ocorridos entre os anos 250 a.C. e 68 d.C., abrangendo a época em que viveu Jesus, o Cristo. A partir de 1991, um acervo de aproximadamente oitocentos manuscritos foi liberado aos pesquisadores, em que duzentos e cinquenta, aproximadamente, estão em poder das autoridades israelenses e de estudiosos católicos. Os pesquisadores constataram que os pergaminhos escritos pelos essênios, pelo menos aqueles que foram liberados ao público, não mencionam, em uma primeira constatação, nenhum dos apóstolos, nem a figura de Jesus, o Cristo, conforme a descrita nos evangelhos. Em compensação, fornecem um quadro completo das crenças e do modo de vida de várias seitas judaicas que se confrontavam em sua época.

Assim, tendo desenvolvido com os essênios os diversos tipos de mediunidade, Jesus, o Cristo, comunicava-se com os espíritos do Astral Superior e deles recebia orientações para o cumprimento da sua missão no planeta Terra, pois, caso assim não fosse, seria praticamente impossível que um espírito sozinho levasse de vencida a tantos e tantos empecilhos contrários à sua missão. Entretanto, os espíritos do astral inferior, em algumas ocasiões, aproveitando-se da sua fraqueza física, em virtude de passar longos períodos sem se alimentar, tentavam desviá-lo do caminho que havia previamente traçado em plano Astral Superior. Mas como espírito grandemente esclarecido que era, conseguia identificar as armadilhas inferiores e com a sua firmeza de caráter e determinação os expulsava, fazendo com isso uma grande limpeza no ambiente fluídico em que se encontrava. Então, como as doenças são causadas pela presença dos espíritos do astral inferior, pelo menos em sua maior parte, ensejando que em alguns casos elas nem existam fisicamente, sendo apenas sintomas, com o simples afastamento desses elementos perniciosos os seres humanos que se encontravam à sua volta ficavam curados. Ele também fazia curas com a limpeza fluídica. Daí surgiu a ideia de que esse grande espírito era milagreiro.

As palavras que saíam da sua boca, deixando-lhe no rosto o aspecto de verdadeiramente iluminado, através da sua auréola, que produzia incessantemente raios de luz do verdadeiro amor espiritual, de paz, de sinceridade e de pureza, deslumbravam aos que o ouviam e cativavam aos que o fitavam, tais como as palavras seguintes:

Elevai o humilde, socorrei o necessitado, matando-lhe a fome do espírito e do corpo, estai sempre preparados para desculpar aos vossos inimigos e esclarecei-vos para poderes esclarecer”.

Como é que pode essa ignorante classe sacerdotal, que se diz seguidora do Cristo, matar a fome do espírito, em face da sua tremenda ignorância, voltada para o sobrenatural; matar a fome do corpo, em face das suas arrecadações e das vendas de sacramentos; estar preparada para desculpar, se matou milhares e milhares de pessoas que discordavam das suas crenças; e esclarecer a quem quer que seja sem que antes esteja esclarecida?

Os fariseus procuravam defender, diante do Cristo, várias cerimônias, inclusive o jejum, ao que, calma e comedidamente, mas de uma forma clara e serena, que fazia luz nas inteligências mais obscuras, ele respondia da seguinte maneira:

Acaso podeis lavar a vossa alma, ou purificar a vossa consciência, privando o corpo do alimento, quando ela está suja com as vossas ações?”.

Que tanto aqueles que pregam o jejum como aqueles que seguem tal orientação estapafúrdia sejam agora conscientes dos ensinamentos do Cristo, e que também primeiro tem que se esclarecer para somente depois então poder esclarecer.

Em determinados momentos da sua vida, Jesus, o Cristo, sentia-se um tanto quanto melancólico e algo apreensivo, pois começava a ver claramente os sólidos pilares a que se achava ligada a alta sociedade judaica, e, ao mesmo tempo, a extrema ignorância das baixas camadas. Estas não reuniam as condições necessárias para poder compreendê-lo, e aquela, de certo, não tinha a devida boa vontade para querer compreendê-lo. Assim, pressentia avançar sobre ele essa enorme montanha de dificuldades imponderáveis e impalpáveis que se antolha sempre no caminho dos homens superiores.

Nos tópicos seguintes que dizem respeito a este capítulo, nós veremos tudo aquilo que diz respeito à verdade sobre Jesus, o Cristo, um histórico sobre a sua vida, sem desfigurações, em conformidade com o Racionalismo Cristão, a começar pelo retrato da nossa humanidade que Jesus, o Cristo, encontrou em sua última encarnação neste nosso mundo-escola.

 

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