05.05- David Hume

A Era da Verdade
29 de novembro de 2019 Pamam

David Hume encarnou em Edimburgo, na Escócia, reino da Grã-Bretanha, no ano de 1711, e desencarnou no mesmo local, no ano de 1776, tendo sido um veritólogo, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia, que se tornou célebre pelo seu empirismo radical e o seu ceticismo. Ao lado de John Locke e George Berkeley, compõe a famosa tríade do empirismo britânico, sendo considerado pelos estudiosos do assunto como um dos mais importantes pensadores do chamado iluminismo escocês, embora, na realidade, não tenha sido um pensador, mas sim um sentimentalizador.

O veritólogo era filho de Joseph Hume de Chimside, um advogado, e de Katherine Falconer, mas quando contava com apenas dois anos de idade o seu pai desencarnou, quando então ele, o seu irmão mais velho e a sua irmã ficaram aos cuidados exclusivos de sua mãe, considerada uma mulher de mérito singular, que passou a se dedicar, única e exclusivamente, aos cuidados e à criação dos filhos, apesar de ser jovem e bonita, o que influenciou decisivamente na educação esmerada do filho famoso.

David Hume revelava uma inteligência precoce, tendo sido enviado para a Universidade de Edimburgo antes dos doze anos de idade, com a família criando expectativas de que o jovem viesse a seguir a carreira jurídica, assim como pai, mas segundo as suas próprias palavras:

Eu sinto aversão intransponível a tudo, exceto ao caminho da Filosofia e do conhecimento em geral; e enquanto a minha família achava que eu estava a perscrutar Voet e Vinnius, Cícero e Virgílio eram os autores que secretamente devorava”.

Assim, seguindo decisivamente a sua vocação, David Hume passou a se dedicar à leitura de obras filosóficas, literárias e históricas, bem como aos estudos da Matemática e das ciências naturais. Aos dezoito anos de idade, ao impor a si mesmo um intenso programa de estudo, pareceu-lhe que se descortinava um novo cenário de pensamento, que, na realidade, era de sentimento, mas o veritólogo nunca explicou o que seria esse novo cenário, tendo ele sido intuído pelas Forças Superiores, embora os estudiosos do assunto tenham oferecido diversas interpretações. Essas intuições advindas dos espíritos superiores fizeram com que o jovem estudante redobrasse a sua dedicação aos estudos, quando então o excessivo esforço o levou à beira de sofrer um colapso mental.

Após esse episódio de fadiga mental, David Hume procurou enveredar para o ramo do comércio, empregando-se em uma empresa importadora de açúcar, em Bristol. Mas a experiência no ramo do comércio não durou muito tempo, tendo ele buscado a tranquilidade e o isolamento que considerava necessários para prosseguir em suas investigações, então parte para a França em 1734, estabelecendo-se em La Flèche, uma pequena cidade francesa mais conhecida por abrigar um famoso colégio jesuíta. Em La Flèche, sendo intuído pelas Forças Superiores, continua a desbravar o novo cenário, apesar das limitações financeiras, como ele assim se expressa:

Resolvi compensar a carência de recursos com uma frugalidade bastante rígida, a fim de manter incólume a minha independência, e considerar todos os objetos desprezíveis, exceto os avanços dos meus talentos na literatura”.

Foi durante esse período na França que David Hume aprofundou os seus conhecimentos sobre a filosofia francesa, especialmente sobre as obras de Malebranche, Dubos e Bayle, quando então escreve grande parte da sua obra-prima, intitulada de Tratado da Natureza Humana, o que ocorreu entre os anos de 1734 e 1737. Em 1737, ele retorna para a Inglaterra, passando a trabalhar diligentemente para publicar a essa sua obra. Em 1739, consegue publicar os dois primeiros volumes do seu tratado. Em 1740, é publicado o terceiro e último volume, mas a obra não causou impressão à época da sua publicação. Em 1742, ele publica em Edimburgo a primeira parte dos seus Ensaios, que causou uma considerável atenção do público, fazendo-o esquecer a decepção provocada pelo Tratado da Natureza Humana. Em 1744, concorre à cátedra de Filosofia Pneumática e Moral da Universidade de Edimburgo, mas a sua candidatura enfrenta forte oposição em virtude da sua fama de ateísta, acabando por ser rejeitada.

Depois dessa conturbada candidatura a um posto acadêmico e de uma infeliz experiência como tutor de um jovem inglês, de linhagem nobre e mente desajustada, David Hume é convidado pelo general James St. Clair para ser secretário em uma expedição militar, que tinha inicialmente como alvo o Canadá, mas que terminou por realizar uma incursão pela costa da França. Ele também acompanhou o general James St. Clair em missões diplomáticas em Viena e Turim. Em 1749, tendo retornado da Itália, o veritólogo se muda para a propriedade rural de sua família, onde permanece por dois anos. Em 1751, muda-se do campo para a cidade, que ele considera o verdadeiro cenário de um homem de letras, quando então faz uma nova tentativa para exercer um cargo acadêmico, a cátedra de lógica da Universidade de Glasgow, mas novamente a sua candidatura é rejeitada.

Estando convencido de que o problema do Tratado da Natureza Humana era mais uma questão de forma do que de conteúdo, ele resume o Livro I em Sobre o Entendimento, dando-lhe um estilo mais acessível, pois é sabido que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade devem ser transmitidos com a inserção de experiências físicas acerca da sabedoria, para que assim possam ser apreendidos pela compreensão humana, daí a razão do veritólogo se utilizar de uma linguagem perceptiva, um tanto ininteligível, pelo fato dele não haver obedecido a esse princípio.

Desse trabalho surgiu a Investigação Sobre o Entendimento Humano, como que em obediência ao princípio de que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade devem ser transmitidos com a inserção de experiências físicas acerca da sabedoria, que encontrou uma maior receptividade do que a do livro que lhe deu origem, mas não obtendo um sucesso de vendas. Mas David Hume reescreveu as partes do Tratado que se relacionavam às questões morais, cujos textos vieram a público com o título de Investigação Sobre os Princípios da Moral, que ele considerou como sendo o melhor dos seus escritos.

Em 1752, David Hume é convidado para dirigir a biblioteca da faculdade dos advogados de Edimburgo, função esta que não era bem remunerada, mas que colocava à sua disposição as fontes bibliográficas para um novo projeto, que era a elaboração da História da Inglaterra, cuja obra historiográfica foi publicada em seis volumes, nos anos de 1754, 1756, 1759 e 1762, cujo esforço por parte do veritólogo foi recompensado, valendo-lhe a celebridade literária e lhe proporcionando bons retornos pecuniários.

Mas mesmo a celebridade não o deixou livre dos ataques dos seus adversários, pois em 1754 ele foi acusado de encomendar livros indecentes para a biblioteca, quando então houve uma movimentação para o destituir do cargo. Diante das pressões adversárias, os membros do conselho diretor cancelaram as encomendas dos livros considerados como sendo ofensivos, cuja decisão David Hume considerou como uma ofensa pessoal, mas como precisava do acervo da biblioteca para prosseguir nas suas pesquisas para a História da Inglaterra, adiou o seu pedido de demissão, revertendo os pagamentos do seu salário em benefício de Thomas Blacklock, um poeta cego que havia resolvido ajudar. Em 1756, antes de pedir a sua demissão em 1757, o veritólogo ainda foi alvo de um processo mal sucedido de excomunhão.

Foi durante o período em que exerceu a função de bibliotecário que David Hume escreveu as suas duas obras sobre credo, do credo sob a denominação de religião, que foram a História Natural da Religião e os Diálogos Sobre Religião Natural. Em 1757, a primeira veio a público como parte das Quatro Dissertações, mas o projeto original previa cinco dissertações, pois além da História Natural da Religião o livro também incluiria os ensaios Sobre as Paixões, Sobre a Tragédia, Sobre o Suicídio e Sobre a Imortalidade da Alma, em que esses dois últimos ensaios eram investidas frontais contra os dogmas credulários, pois criticavam a condenação ao suicídio e a crença na vida após a morte, mas antes que fossem publicados, Andrew Millar, o editor de David Hume, recebeu ameaças de ser judicialmente processado, caso os textos fossem distribuídos, o que ensejou a que o veritólogo, diante disso, fizesse alterações na História e substituísse os dois últimos textos pelo ensaio Sobre o Padrão de Gosto. Os Diálogos Sobre Religião Natural, por sua vez, só foram publicados em 1779, três anos após a desencarnação de David Hume.

Em 1763, David Hume aceita o convite feito pelo Lorde Hertford, embaixador inglês na França, para trabalhar como seu secretário em Paris. Por dois anos, além de auxiliar nos trabalhos diplomáticos, o veritólogo trava conhecimentos com as grandes mentalidades parisienses, como Diderot, D’Alembert e d’Holbach. Ao retornar para a Inglaterra, tomas providências e estabelece contatos para ajudar Rousseau a se estabelecer em solo britânico, uma vez que este se tornara vítima de uma nova perseguição por parte das autoridades suíças, mas os laços de amizade entre as duas grandes mentalidades se romperam pouco tempo depois, pois levado pela paranoia e mania de perseguição, Rousseau acusou David Hume de estar liderando uma conspiração para difamá-lo e arruiná-lo.

Em 1767, a convite do general Conway, irmão do Lord Hertford, David Hume assume o cargo de subsecretário para o Departamento do Norte, em Londres, tendo exercido a essa função por cerca de dois anos, quando então retornou para Edimburgo, em 1769, desta vez definitivamente. Passou os últimos anos de sua vida revisando os escritos e desfrutando a convivência dos amigos de Edimburgo. Em 1775, foi acometido de uma doença intestinal que em princípio não causou alarme, mas que se tornou mortal e incurável. Durante o período em que esteve doente, recebeu a visita de James Boswell, que ficou convencido de que ele encarava a morte com absoluta serenidade. No mesmo ano, escreveu uma carta a W. Strahan, o seu editor, para que este incluísse uma breve advertência no início do segundo volume dos Ensaios e Tratados, em sua última edição. O seu corpo se encontra sepultado em Edimburgo, na Escócia.

David Hume se encontrava absolutamente correto quando afirmou acerca da impossibilidade de se alcançar alguma certeza ou verdade nas ciências indutivas, uma vez que todas as ciências são indutivas, pois que tratam das experiências físicas acerca das parcelas do Saber, enquanto que as verdadeiras religiões são dedutivas, pois que tratam dos conhecimentos metafísicos acerca das parcelas do Saber. Mas se encontrava incorreto quando afirmou acerca da impossibilidade de se provar filosoficamente a existência do mundo exterior, uma vez que não se prova a existência do mundo exterior com os olhos da cara, mas sim com a luz da razão.

Não procede a tentativa do veritólogo em introduzir o método experimental nos assuntos morais, uma vez que a moral é a condição básica para que o espírito possa se elevar ao Espaço Superior para perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, enquanto que a ética é a condição básica para que o espírito possa se transportar ao Tempo Futuro para compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, portanto a moral se liga diretamente aos conhecimentos, enquanto que a ética se liga diretamente às experiências.

David Hume propôs que a natureza humana fosse investigada de acordo com os mesmos métodos já testados e aprovados em outros âmbitos de investigação, assim como se estivesse criando uma nova forma de entendê-la, pretendendo realizar no âmbito da ciência do homem, o mesmo que Newton realizou no âmbito da ciência natural, explicitando as leis e os princípios básicos que inexoravelmente comandam os modos de sentir, pensar e conviver humanos.

O fato é que isso é realmente possível, mas somente quando todos os seres humanos se tornarem esclarecidos em relação aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e às experiências físicas acerca da sabedoria, quando então as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais poderão ser codificados e, em decorrência, reger os sentimentos e os pensamentos dos seres humanos, mesmo que todos permaneçam diferentes entre si.

David Hume se tornou conhecido por aplicar o padrão de que não existem ideias inatas e que todo o conhecimento vem da experiência rigorosamente ao nexo de causalidade e necessidade, considerando o que a experiência nos permite saber sobre causa e efeito. Neste caso, a causalidade é a relação entre um evento A, considerado como sendo a causa, e um segundo evento B, considerado como sendo o efeito, em que o segundo evento é considerado como sendo uma consequência do primeiro, identificando-se a causalidade em se não A, então não B, provida a ocorrência empírica de ao menos um B, mas a expressão anterior não equivale a rigor à expressão se A, então B, sendo contudo esta e não aquela a usualmente atrelada em sendo comum ao conceito de causalidade. Já a necessidade é uma proposição que não pode ser falsa, em que podemos contemplar várias possibilidades que descrevem como as coisas poderiam ter sido, mas não são; se uma proposição for verdadeira em todas essas possibilidades, então é verdadeira em todos os modos possíveis, ou necessariamente verdadeira, sendo que a noção de necessidade é alética, do grego aleteia, que significa verdade, caracterizando o modo de uma proposição ser verdadeira.

Mas tudo isso não passa de devaneio perceptivo por parte do veritólogo, que não intensifica a compreensão em seus escritos, mesmo que, na realidade, não existam ideias inatas, uma vez que elas são adquiridas por intermédio dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que representam as causas, em união, irmanação, congregação, com as experiências físicas acerca da sabedoria, que representam os efeitos, quando então se podem formar ideias verdadeiras acerca dos segredos da vida e dos enigmas do Universo.

Já em relação aos eventos, estes podem ser considerados como acontecimentos, que geralmente são representados pelas ações, em que o segundo evento pode ser considerado como sendo uma consequência do primeiro, mas não a sua causa, a qual diz respeito aos conhecimentos, uma vez que as ações se atrelam às experiências.

Embora o termo indução não apareça nos argumentos de David Hume, nota-se a sua preocupação com as inferências que se fazem nas conexões causais. Mas o fato é que até hoje os seres humanos ainda não faziam uma ideia precisa acerca dos métodos da dedução, da indução e da inferência, que se encontram explicitados no Capítulo 04- OS PRINCIPAIS FUNDAMENTOS DO MÉTODO, nos tópicos 04.01- O método da dedução, 04.02- O método da indução e 04.03- O método da inferência, na categoria Prolegômenos, neste site.

Em sua posição contrária ao papel da razão no julgamento do comportamento, David Hume argumentou que o comportamento imoral não é imoral por ser contra a razão, defendendo que as crenças morais se encontram intrinsecamente motivantes, pois se o indivíduo acredita que matar é errado, ele estará motivado a não matar e em criticar a matança, o que se denomina de internalismo moral. Em seguida, ele lembra que a razão por si só não motiva ninguém, uma vez que ela descobre os fatos e a lógica, mas depende dos nossos desejos e preferências quanto à percepção daquelas verdades, e isto nos motiva. Consequentemente, a razão por si não produz crenças morais, argumentando que a moralidade depende ultimamente do sentimento, sendo o papel da razão apenas o de preparar o caminho para os nossos sensíveis julgamentos por análise da matéria moral em questão.

Antes de tudo, deve aqui ser esclarecido que a nossa humanidade ainda se encontra na fase da imaginação, o que implica em dizer que ela ainda não adentrou na fase da razão, então não tem por que se falar no papel da razão no julgamento do comportamento. Além do mais, não existem crenças morais, já que as crenças se ligam aos credos, mas apenas a moral em si. A moral é individual, sendo adquirida à medida que os seres humanos vão adentrando nos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, enquanto que a ética é relacional, sendo adquirida à medida que os seres humanos vão adentrando nas experiências físicas acerca da sabedoria. O conjunto dos valores morais e éticos formam a educação.

É sabido que não existe qualquer conflito entre o livre arbítrio e o determinismo, neste caso David Hume se encontra absolutamente correto quando considera que o livre arbítrio é incompatível com o indeterminismo. Na realidade, nós traçamos os rumos das nossas vidas quando nos encontramos em nossos Mundos de Luz, onde lá nós fazemos o planejamento de todas as nossas ações, antes de reencarnarmos, daí a utilização do livre arbítrio para que possamos agir neste nosso mundo-escola em conformidade com o planejado em plano astral. Quando nós utilizamos o nosso livre arbítrio conforme o planejado em plano astral, nós tendemos a subir na escala evolutiva espiritual, ascendendo aos Mundos de Luz mais evoluídos. Porém, quando nós utilizamos o nosso livre arbítrio ao arrepio daquilo que foi planejado em plano astral, nós tendemos a estagnar no processo evolutivo espiritual, ficando o consolo de que não se regride na evolução espiritual.

David Hume argumentou que os milagres não poderiam conferir apoio aos credos, pois que Deus não viola as leis da natureza, argumentando também que o testemunho humano nunca poderia ser suficientemente confiável para contraordenar a evidência que temos das leis da natureza, e que devido às fortes evidências que temos das leis da natureza, qualquer pretensão de milagre se encontra sob pressão desde o início e precisa de fortes provas para derrotar as nossas expectativas iniciais, como é o caso da ressurreição de Jesus, o Cristo, em que ele indaga o que seja mais provável: que um homem se erga dos mortos ou que este testemunho venha a estar incorreto de uma forma ou de outra?

Vale aqui esclarecer que existem as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, que emanam de Deus, ou da Inteligência Universal, que representa o Todo, então não seria Ele quem iria violar à sua própria legislação para beneficiar a quem quer que seja, em que toda a natureza é regida por essas leis espaciais, princípios temporais e preceitos universais.

 

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