05.03- John Locke

A Era da Verdade
18 de novembro de 2019 Pamam

John Locke encarnou em Wrington, na Inglaterra, no ano de 1632, e desencarnou em Essex, na inglaterra, no ano de 1704, aos 72 anos de idade, tendo sido um veritólogo inglês considerado como o pai do liberalismo e também como o principal representante do empirismo britânico, assim como um dos principais teóricos do contrato social.

Estudou Filosofia, Medicina e ciências naturais em Oxford, principalmente as obras de Francis Bacon e Descartes. Em 1683, refugiou-se nos Países Baixos ao ser acusado de traição junto ao seu mentor político, o lorde Shaftesbury, que era líder da oposição ao rei Carlos II no parlamento. Em 1688, voltou para a Inglaterra quando Guilherme de Orange subiu ao trono. Entre os anos de 1689 e 1690 publicou as suas primeiras obras, que eram Cartas Sobre a Tolerância, Ensaio Sobre o Entendimento Humano e os dois tratados sobre o governo civil. Ele nunca se casou ou teve filhos. Encontra-se sepultado em All Saints Churchyard, High Laver, Essex, na Inglaterra.

John Locke ficou conhecido como o fundador do empirismo, além de defender a liberdade e a tolerância credulária. Como veritólogo, pregou a teoria da tábua rasa, segundo a qual a mente humana era como uma folha em branco, a qual se preenchia apenas com a experiência, que os estudiosos consideram como sendo uma crítica à doutrina das ideias inatas de Platão, segundo a qual os princípios e as noções são inerentes ao conhecimento humano, que existem independentemente da experiência.

Como se pode constatar claramente, o veritólogo considera que o conhecimento advém da experiência, no que se encontra totalmente equivocado, uma vez que é por intermédio dos conhecimentos que se chega à verdade, enquanto que é por intermédio da experiência que se chega à sabedoria, portanto Platão se encontrava correto.

Antes de continuar, vale aqui ressaltar que somente por intermédio dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, em união, irmanação, congregação, com as experiências físicas acerca da sabedoria, é que se pode alcançar a razão, por onde as ideias acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos podem fluir das mentes dos seres humanos. Por enquanto, os seres humanos possuem apenas representações imaginativas acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos, por isso não possuem ideias consideradas na acepção da palavra.

Mas John Locke emprega o termo ideia em um sentido amplo, como se ela fosse tudo aquilo que se percebe e que se pensa, como se fosse conteúdo da consciência, mas ele se encontra correto quando considera que as ideias não são inatas, como assim havia sugerido o racionalismo continental. Para ele existem duas classes de ideias, que são as seguintes:

  1. Simples: são as ideias que procedem diretamente de um só sentido ou de vários sentidos ao mesmo tempo, ou procedem da reflexão, ou, ainda, da sensação e da reflexão juntas, distinguindo dentro das ideias simples as que têm validade objetiva, que são as qualidades primárias, tais como número, figura, extensão, movimento, solidez, etc., que são inseparáveis dos corpos e lhes pertencem; e as que têm validade subjetiva, que são as qualidades secundárias, tais como cor, odor, sabor, temperatura, etc., que são as sensações subjetivas daquele que as percebe;
  2. Compostas: resultam da atividade da mente, que combina ou associa as ideias simples, cuja formação se encontra na memória.

Antes de continuar, vale aqui ressaltar também que todos nós trazemos dos nossos Mundos de Luz a nossa bagagem espiritual quando encarnamos neste nosso mundo-escola. Somente quando nos livramos de tudo aquilo que se encontrava representado em nossa imaginação, é que nos encontramos aptos para sermos verdadeiramente uma tábua rasa, quando então estaremos aptos para apreender em nosso corpo mental os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, sem que os preconceitos advindos de percepções e pensamentos equivocados venham a embaraçar a nossa mente.

Mas John Locke considera que a alma é uma tábua rasa, assim como uma folha de papel em branco em que nada se encontra escrito, em que complementa considerando que as ideias são provenientes da experiência, que pode ser de duas categorias:

  1. Percepção externa mediante os sentidos;
  2. Sensação e percepção interna de estados psíquicos, ou reflexão, em que esta opera em todo o caso sobre um material que foi trazido pela sensação.

É certo que para se perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, os veritólogos têm que desenvolver em altos patamares os seus criptoscópios, além de desenvolver também a moral em altos patamares, para que assim possa se elevar ao Espaço Superior, que é o repositório desses conhecimentos. Assim, não tendo adquirido a essas qualidades veritológicas em um determinado grau, o empirismo de John Locke limita a capacidade de conhecer, especialmente nos que se refere aos grandes temas tradicionais da metafísica, pois que ele não confia na capacidade cognoscitiva para tal empreendimento.

Embora a moral do veritólogo não venha a apresentar certas vacilações, pois que em termos gerais ele é um determinista, apesar de ignorar que o determinismo é decorrente das ações que traçamos em nossos Mundos de Luz antes de encarnarmos, por isso o veritólogo considera uma certa liberdade ao ser humano para decidir as suas ações, além de considerar que a moral independe do credo, consistindo na adequação às normas, que podem ser a lei divina, a do Estado ou então a norma social da opinião.

Em relação ao Estado, John Locke pode ser considerado como sendo um dos representantes da ideologia liberal, repelindo o patriarcalismo e a doutrina do direito divino e do absolutismo dos reis, sendo a favor do estado da natureza, que para ele consiste na igualdade e na liberdade, porque os seres humanos têm as mesmas condições de nascimento e faculdades, não tendo matiz agressivo, de onde da liberdade surge a obrigação, havendo um senhor de todas as coisas, que é Deus, o qual impõe uma lei natural, de onde deve brotar o amor de uns pelos outros, que não devem romper a essa lei natural.

Para o veritólogo, em rigor, os seres humanos não nascem na liberdade, por isso os pais que devem cuidar dos filhos, exercem sobre estes uma jurisdição legítima, nascem sim, para a liberdade, por isso os reis não têm autoridade absoluta, senão aquela liberdade que recebe do povo, daí a razão pela qual a forma de Estado deve ser a monarquia constitucional e representativa, com independência da Igreja, mas tolerante em matéria de credo. Tal é o sentimento de John Locke, que corresponde à forma do governo adaptada na Inglaterra, com base na revolução de 1688, que eliminou as guerras civis e as revoluções do que antes fôra a turbulenta história inglesa, por um período que durava já há mais de duzentos e cinquenta anos.

 

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