05.02- Thomas Hobbes

A Era da Verdade
13 de novembro de 2019 Pamam

Thomas Hobbes encarnou na aldeia de Westport, próximo a Malmesbury, no condado de Wiltshire, na inglaterra, no ano de 1588, e desencarnou em Hardwick Hall, na Inglaterra, no ano de 1679, tendo sido um veritólogo, matemático e teórico político. Considerando-se que no Empirismo o conhecimento se funda na experiência, Thomas Hobbes pode ser considerado um empirista, já que o seu interesse é a instrução do homem para a prática.

Tendo encarnado na inglaterra dos Tudores — a Casa de Tudor foi uma casa real inglesa de origem galesa, descendentes dos Tudores de Penmynydd, em que os monarcas Tudores governaram o Reino da Inglaterra e os seus reinos, incluindo o seu País de Gales ancestral e o senhorio da Irlanda, mais tarde o Reino da Irlanda, de 1485 a 1603, tendo cinco monarcas nesse período —, Thomas Hobbes foi influenciado pela Reforma Anglicana, que ocorrera cinco décadas antes. A cisão com a Igreja Católica fez com que a Espanha interviesse nos assuntos ingleses, enviando a Invencível Armada, fato que mais tarde seria relatado pelo veritólogo em sua autobiografia e que teria uma grande influência em sua obra.

Na Europa continental, o século XVII é o marco do absolutismo monárquico, representado na Inglaterra pela Reforma Inglesa, tendo sido o seu expoente máximo Luiz XIV, da França, que ficou famoso pela frase: “O Estado sou eu”; já a filosofia do barroco se baseava no dualismo existente entre o hedonismo — doutrina que afirma que o prazer é o bem supremo da vida — e o medo do pecado, caracterizado pelo fervor credulário, enquanto que a busca pelo humanismo já havia começado no Renascimento, mas havia o receio dos dogmas sobrenaturais, que poderia punir aquilo que fosse terreno e transitório.

Quando Thomas Hobbes havia completado trinta anos de idade, tendo já visitado a Europa continental pela primeira vez, uma revolta na Boêmia daria início à Guerra dos Trinta Anos, fato que iria reforçar no veritólogo a sua visão pessimista acerca da destrutiva natureza humana. Após doze anos do início da guerra no continente europeu, disputas políticas entre o Parlamento e o rei inglês dão início a uma guerra civil na Inglaterra, que perduraria por dez anos.

Thomas Hobbes afirmou em sua autobiografia que em seu parto a sua mãe tinha dado a luz a gêmeos: ele e o medo; já que ela havia entrado em trabalho de parto prematuro, com medo da Armada Espanhola que estava prestes a atacar a Inglaterra, por isso os temas do medo e do seu poder apareceram mais tarde em suas obras.

O seu pai era o vigário de Charlton e Westport, cidades que ficavam próximas de Malmesbury, mas uma disputa com outro vigário o levou a se mudar para Londres, ensejando a que o veritólogo ficasse sob a tutela do seu tio, quando tinha apenas sete anos de idade. Foi em Malmesbury que Thomas Hobbes fez os seus primeiros estudos, onde lá demonstrou os seus dotes criptoscopiais em estudos clássicos. Em 1603, aos quatorze anos de idade, o seu tio financiou os seus estudos, possibilitando assim que ele entrasse na Magdalen Hall, onde predominava o ensino da Escolástica, pelo qual o veritólogo não demonstrou interesse.

Em 1610, empreendeu viagem pela Europa acompanhando William Cavendish, indo para a França, a Itália e a Alemanha, quando então pôde observar o declínio da Escolástica. A sua vocação para os estudos fez com que ele retornasse para a Inglaterra, a fim de que pudesse aprofundar os seus conhecimentos nos clássicos. Na Inglaterra, as suas relações com Francis Bacon proporcionaram a que ele viesse a reforçar a linha do seu sentimento, pondo-se fora do aristotelismo e da Escolástica.

Em 1631, a família dos nobres ingleses Cavendish pede novamente os seus serviços como guardião do terceiro duque de Devonshire, cargo que o veritólogo iria ocupar até 1642. Durante esse período, ele faz uma nova viagem ao continente europeu, permanecendo lá pelo período de 1634 a 1637. Na França, entra em contato com o círculo criptoscopial do padre Mersenne, o mentor de Descartes. Em 1636, teve a oportunidade de conhecer Galileu Galilei durante uma viagem a Itália, seis anos antes deste desencarnar, sob cuja influência Thomas Hobbes desenvolveu a sua filosofia social, baseando-se no princípios da geometria e das ciências naturais.

Em 1646, estando em Paris, torna-se professor de Matemática do Príncipe de Gales, o futuro Carlos II, que igualmente se encontrava exilado em Paris, em virtude da Guerra Civil Inglesa. Em 1651, dois anos após a decapitação do rei Carlos I, Thomas Hobbes decide voltar para a Inglaterra com o final da guerra civil e o começo da ditadura de Cromwell, em que neste ano publica Leviatã, que provoca o início da sua disputa com John Bramhall, bispo de Derry, o principal acusador do veritólogo como sendo um materialista ateu.

Em 1665, a publicação da obra intitulada De Corpore iria resultar em uma polêmica com os principais membros da Royal Society, que criticaram as suas contribuições para a Matemática, bem como as posições ateístas defendidas pelo veritólogo. Em 1666, o antihobbismo alcançou o seu pico na Inglaterra, tendo os seus livros sido queimados em Oxford.

Thomas Hobbes se manteve um escritor extremamente produtivo na velhice, mesmo sendo prejudicado pela oposição generalizada ao seu trabalho, tendo vivido até aos noventa e um anos de idade, durante uma época em que a expectativa média de vida pouco ultrapassava os quarenta anos. Aos oitenta anos de idade, produziu novas traduções para o inglês da Ilíada e da Odisseia, e em 1672 escreveu uma autobiografia em latim. Apesar da polêmica que causou, ele foi considerado como sendo uma espécie de símbolo na Inglaterra até o final da sua vida, tendo sido sepultado na igreja de São João Batista, em Ault Hucknall, em Derbyshire, na Inglaterra.

Temos que no aristotelismo a metafísica é caracterizada pela investigação das realidades que transcendem a experiência sensível, capaz de fornecer um fundamento a todas as ciências particulares, mas, de qualquer maneira, a metafísica não transcende a experiência, pois que se caracteriza como sendo a sua fonte, já que se liga aos conhecimentos, então podemos considerar que Thomas Hobbes não se utiliza da metafísica, já que procura a explicação causal eliminando as causas, querendo assim explicar os fenômenos de um modo mecânico, por meio de movimentos.

É certo que Descartes admitia também o mecanicismo, mas contrapunha o mundo imaterial do pensamento, enquanto Thomas Hobbes supõe que os processos psíquicos e mentais têm um fundamento corporal e material, em que a alma não pode ser imaterial, o que implica em dizer que o veritólogo é materialista, embora reconheça a existência da alma, além do mais nega que a vontade seja livre, embora não venha a negar a naturalidade do livre arbítrio.

Thomas Hobbes parte do princípio de que todos os homens sejam iguais, embora isto não proceda, uma vez que não existem duas coisas iguais no Universo, além do mais os diferentes estágios de evolução enseja a que uns tenham mais valor do que outros, apesar de todos os seres terem o mesmo grau de importância, daí a razão pela qual ele vem afirmar que todos aspiram a mesma coisa, e quando não a consegue, sobrevém a inimizade e o ódio, por isso aquele que não consegue o que deseja, desconfia do outro e o ataca para se precaver.

Daí a concepção pessimista que há em Thomas Hobbes, pois afirma que o homem é o lobo do homem. Os homens só têm um interesse direto pela companhia dos seus semelhantes quando os podem submeter. Ele considera que os três motores da discórdia entre os homens são os seguintes:

  1. A competência: que provoca as agressões pela ganância;
  2. A desconfiança: que faz com que os homens se ataquem para alcançar a segurança;
  3. A vanglória: que torna os homens inimigos uns dos outros pela rivalidade de reputação.

Sendo pessimista em relação a evolução humana, se bem que não tenha atentado para a evolução espiritual, Thomas Hobbes se mostra um pessimista quando define um estado de perpétua guerra de todos contra todos, uma disposição permanente em que não há segurança para o contrário, já que o ser humano é dotado de um poder do qual dispõe o seu arbítrio, tendo certas paixões e desejos que o levam a procurar coisas e a querer tirá-las dos demais, e como todos conhecem a essas atitudes, desconfiam uns dos outros, quando então o estado natural é o ataque, com o ser humano se dando conta de que esta situação de insegurança é insustentável. Nesse estado de luta contínua o ser humano passa a viver miseravelmente, vendo-se obrigado a procurar a paz para conseguir a segurança.

Para conseguir a segurança, o ser humano tenta substituir o estado da natureza por um estado político, mediante um convênio em que cada um transfere o seu direito para o Estado, que em rigor não se trata de um convênio com a pessoa ou as pessoas encarregadas de regê-lo, mas de cada um com cada um, quando então o soberano passa a representar essa força constituída pelo convênio, com os demais seres humanos sendo os seus súditos. Desta maneira, o Estado assim constituído passa a ser absoluto, com o seu poder não tendo restrições, em que o único limite desse poder é a potência.

Quando se retira dos seres humanos o poder que estes detêm, esse poder é assumido pelo Estado, que detém o poder de mando sem limites, constituindo-se em uma máquina poderosa, um monstro que devora os indivíduos e para o qual não há nenhuma instância. Thomas Hobbes não encontra outro nome melhor do que o do grande monstro marinho mencionado na Bíblia para mensurar o Estado: Leviatã; superior a todas as coisas, como se fosse um deus imortal.

 

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