05.02.07- Max Weber

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2 de dezembro de 2020 Pamam

Maximilian Karl Emil Weber, ou, simplesmente, Max Weber, encarnou em Erfurt, na Alemanha, no ano de 1864 e desencarnou em Munique, na Alemanha, no ano de 1920, tendo sido um jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da moderna Sociologia. É considerado um dos clássicos da Sociologia por ter fundado um método de análise sociológica de extrema importância para o desenvolvimento da Sociologia enquanto ciência autônoma e bem fundamentada.

Foi o primeiro dos sete filhos de Max Weber, advogado e político, membro do Partido Nacional Liberal, e de Helene Fallenstein, uma descendente de imigrantes huguenotes franceses, tendo os pais estimulado os filhos aos estudos desde a mais tenra idade, tanto que o seu irmão Alfred Weber, quatro anos mais jovem, também se tornaria um sociólogo, mas, sobretudo, um economista, que igualmente desenvolveu uma importante sociologia da cultura.

Em 1882, Max Weber se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade de Heidelberg, onde o seu pai havia estudado, frequentando também cursos de Economia, Política, História e Teologia. Em 1884, voltou para a casa paterna e se transferiu para a Universidade de Berlim. Em 1889, obteve o doutorado em Direito. Em 1891, a tese de habilitação. Ambos com escritos da história do Direito e da Economia.

Depois de completar os estudos jurídicos, econômicos e históricos em várias universidades, distingue-se precocemente em algumas pesquisas econômico-sociais com a Verein für Sozialpolitik, uma associação fundada em 1872 pelos economistas associados à escola historicista alemã de economia, à qual já tinha aderido em 1888. Em 1893, casou-se com Marianne Schnitger, que mais tarde se tornou uma feminista e estudiosa, posicionando-se como curadora póstuma das obras do seu marido.

Foi nomeado professor de Economia nas universidades de Freiburg, em 1894, e de Heidelberg, em 1896. Entre 1897, ano em que o seu pai desencarnou, e 1901, sofreu uma aguda depressão, provocada por espíritos obsessores, o que ocasionou que do final de 1898 ao final de 1902 não viesse a realizar atividades regulares científicas ou de ensino, tendo, nesse período, estado em alguns sanatórios, fazendo diversas viagens pela Europa, ficando vários meses na cidade de Roma, onde conseguiu recuperar as forças.

Em 1903, exercendo a força de vontade para se recuperar da obsessão, renunciou ao cargo de professor e aceitou uma posição como diretor-associado do recém-nascido Arquivo de Ciências Sociais e Política Social, tendo Edgar Jaffé e Werner Sombart como colegas, quando nessa revista publicaram em duas partes, em 1904 e 1905, o artigo-chave intitulado de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, tendo nesse período visitado os Estados Unidos. Em 1907, graças a uma elevada renda privada derivada de uma herança, ainda conseguiu se dedicar livremente e em tempo integral aos seus estudos, passando da Economia ao Direito, da Filosofia à história comparada e à Sociologia, sem ser forçado a retomar à docência. A sua pesquisa abordou questões teórico-metodológicas cruciais e tratou complexos estudos histórico-sociológicos sobre a origem da civilização ocidental e o seu lugar na história universal.

Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu como diretor de hospitais militares de Heidelberg e, ao término do conflito, voltou ao ensino da disciplina de Economia, primeiro em Viena, e, em 1919, em Munique, onde dirigiu o primeiro instituto universitário de Sociologia na Alemanha. Antes, em 1918, estava entre os delegados da Alemanha em Versalhes para a assinatura do tratado de paz, tendo sido conselheiro para os redatores da Constituição da República de Weimar, designação histórica pela qual é conhecida a república estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, em 1919, e que durou até ao início do regime nazista, em 1933, tendo como sistema de governo uma democracia representativa semipresidencial, com o nome oficial do país ainda sendo Império Alemão, tendo permanecido inalterado desde 1871, com o presidente da república nomeando um chanceler que era responsável pelo poder executivo, enquanto o poder legislativo era constituído pelo parlamento federal do Reichstag e pelos parlamentos estaduais do Landtag, em que este período tem o nome de Weimar, pois foi nesta cidade da Turíngia que reuniu desde 6 de fevereiro até 11 de agosto de 1919, data da aprovação da nova Constituição, a assembleia nacional constituinte da república.

Max Weber pretendia escrever volumes adicionais sobre o cristianismo e o islamismo, mas contraiu a gripe espanhola e desencarnou em Munique, em 14 de junho de 1920. O seu manuscrito de Economia e Sociedade foi deixado inacabado, tendo sido editado postumamente por sua esposa, publicado em 1922. Encontra-se sepultado no Cemitério de Bergfriedhof de Heidelberg, em Baden-Württemberg, na Alemanha.

Considerado um dos fundadores do estudo moderno da Sociologia, a sua influência também pode ser sentida na Economia, no Direito na Ciência Política e na Administração, começou a sua carreira acadêmica na Universidade Humboldt de Berlim, tendo posteriormente trabalhado na Universidade de Freiburg, na Universidade de Heidelberg, na Universidade de Viena e na Universidade de Munique. Foi um personagem influente na política alemã da época, tendo sido consultor dos negociadores alemães no Tratado de Versalhes, em 1919, e da comissão encarregada de redigir a Constituição de Weimar.

Mas grande parte do seu trabalho foi reservado para o estudo do capitalismo e do chamado processo de racionalização,  em que na Sociologia a racionalização se refere a um processo no qual um número crescente de ações sociais se baseia em considerações de eficiência teleológica ou de cálculo, ao invés de motivações derivadas da moral, da emoção, do costume ou da tradição, além do desencantamento do mundo, expressão utilizada em suas obras, em que através dela ele designa um processo histórico ocorrido na civilização ocidental, com tal processo implicando na desmagificação da realidade, que ocorre através do desencantamento credulário, que ele considera religioso, a magia vai sendo eliminada no interior dos credos, sendo substituída por uma prática credulária fundada na ética, que deveria ser na moral, mas que mesmo assim os credos carecem de moral, sendo por isso que Max Weber afirma que através do desencantamento credulário o mundo deixa de ser concebido como permeado por forças ocultas que podem ser manipuladas magicamente para ser controlado apenas através da ciência e da tecnologia. Mas os seus estudos também deram contribuição importante para a Economia.

Para Max Weber, as ideias, as crenças e os valores eram os principais catalizadores das mudanças sociais. Ele acreditava que os indivíduos dispunham de liberdade para agir e modificar a sua realidade. A ação social seria, portanto, qualquer ação que possuísse um sentido e uma finalidade determinados por seu autor. Acreditava que a função do sociólogo seria compreender o sentido das chamadas ações sociais e explicar as suas lógicas causais. Assim, as suas contribuições foram em direção à análise multicausal dos fenômenos sociais. Em seus estudos, ele destaca fatores culturais e materiais no surgimento das instituições modernas.

Na Sociologia, o Método Compreensivo foi desenvolvido por Max Weber e traz a seguinte ideia: a de que é possível conversar com outros campos de diferentes ciências, com o objetivo de se obter uma análise social. Na sua visão, a função do sociólogo é compreender o sentido das ações sociais, e fazê-lo é encontrar os nexos causais que as determinam. Assim, o objeto da Sociologia é uma realidade infinita e para analisá-la é preciso construir tipos ideais, que não existem de fato, mas que norteiam a referida análise.

Para Max Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros. Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações com os demais.

Ele enfoca o tema da educação valorizando a abordagem do sociólogo, que a concebe como um amplo processo de socialização não restrito a instituição escolar. São explicitados os princípios de sua teoria sociológica assim como e efetuada uma apreciação da utilização destes em estudos sobre educação.

Max Weber analisa o trabalho a partir da ótica credulária, que ele considera religiosa, estabelecendo divisões e diferenças entre o trabalho dos católicos e protestantes. Na obra weberiana, a divisão do trabalho é determinada a partir das crenças credulárias que diferem protestantes e católicos.

O pensamento de Max Weber é considerado modelo de compreensão do conflito como interação por propor ser um domínio da Sociologia o estudo da ação social, das relações e formas de interação dos agentes, carregadas de intencionalidade.

AS OBRAS DE MAX WEBER

Na elaboração de suas obras, Max Weber foi influenciado pelos veritólogos Immanuel Kant e Friedrich Nietzsche, com quem manteve diálogos, assim como também dialogou com alguns dos principais sociólogos do seu tempo, como Ferdinand Tönnies, Georg Simmel e Werner Sombart, entre outros. Dentre as principais obras do autor, organizadas postumamente pela sua esposa, constam os seguintes títulos:

1889: A História das Companhias Comerciais na Idade Média

1891: O Direito Agrário Romano e a Sua Significação Para o Direito Público e Privado

1895: O Estado Nacional e a Política Econômica

1904: A Objetividade do Conhecimento na Ciência Política e na Ciência Social

1904: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

1905: A Situação da Democracia Burguesa na Rússia

1905: A Transição da Rússia a um Regime Pseudoconstitucional

1906: As Seitas Protestantes e o Espírito do Capitalismo

1913: Sobre Algumas Categorias da Sociologia Compreensiva

1917/1920: Ensaios Reunidos de Sociologia da Religião

1917: Parlamento e Governo na Alemanha Reordenada

1917: A Ciência como Vocação

1918: O Sentido da Neutralidade Axiológica nas Ciências Políticas e Sociais

1918: Conferência Sobre o Socialismo

1910/1922: Economia e Sociedade

A OBRA ECONOMIA E SOCIEDADE

Em 1913, Max Weber publicou um escrito intitulado Sobre Algumas Categorias da Sociologia Compreensiva, que foi o primeiro esboço do seu método sociológico. Ele continuou a trabalhar a sua visão acerca da Sociologia durante os próximos anos, em escrito encomendado para uma ampla coleção de textos econômicos, que por essa razão recebeu o título de Economia e Sociedade, tendo trabalhado nesse volume até o final da sua vida, mas ele somente foi publicado postumamente pela sua esposa, em que a versão mais conhecida deste volume póstumo é a quarta edição, organizada por Johannes Winckelmann, em 1956.

No primeiro capítulo dessa sua obra, aparece como conceito fundamental da teoria sociológica a categoria ação, considerado por ele como sendo o objeto da Sociologia. Por essa razão, a sua teoria inaugura o denominado individualismo metodológico, postura que entende que as formas coletivas de vida, ou mesmo a sociedade como totalidade social, deve ser explicada a partir de suas bases individuais, opondo-se assim ao holismo metodológico, que segundo Malcolm Rutherford é uma abordagem associada mais frequentemente à Sociologia e a Antropologia do que propriamente à Economia, mas muitos escritores têm utilizado o termo para descrever a sua própria posição.

Nesse contexto, a ação é um comportamento humano ao qual os indivíduos vinculam um significado subjetivo, e a ação é social quando está relacionada com outro indivíduo. A análise da teoria weberiana como ciência tem como ponto de partida a distinção entre quatro tipos de ação social, quais sejam:

  1. A ação instrumental com relação a um objetivo é determinada por expectativas no comportamento tanto de objetos do mundo exterior como de outros indivíduos e utiliza essas expectativas como condições ou meios para alcance de fins próprios racionalmente avaliados e perseguidos. É uma ação concreta que tem um fim específico, como, por exemplo, o engenheiro que constrói uma ponte.
  2. A ação racional com relação a um valor é aquela definida pela crença consciente no valor, que é interpretável como ético, estético, credulário, tido como sendo religioso, ou qualquer outra forma absoluta de uma determinada conduta. O indivíduo age racionalmente aceitando todos os riscos, não para obter um resultado exterior, mas para permanecer fiel à sua honra, qual seja, à sua crença consciente no valor, como, por exemplo, um capitão que afunda o seu próprio navio.
  3. A ação efetiva é aquela ditada pelo estado de consciência ou humor do sujeito, sendo definida por uma reação emocional do indivíduo em determinadas circunstâncias e não em relação a um objetivo ou a um sistema de valor, como, por exemplo, a mãe quando bate em seu filho por se comportar mal.
  4. A ação tradicional é aquela ditada pelos hábitos, costumes e crenças, transformadas em uma segunda natureza, para agir conforme a tradição o indivíduo não precisa conceber um objeto ou um valor e nem ser impelido por uma emoção, obedecendo a reflexos adquiridos pela prática.

Na ótica weberiana, a Sociologia é essencialmente hermenêutica, ou seja, ela está em busca do significado e dos motivos últimos que os próprios indivíduos atribuem as suas ações, sendo neste sentido que a Sociologia é sempre compreensiva. O principal objetivo de Max Weber é compreender o sentido que cada pessoa dá à sua conduta e perceber assim a sua estrutura inteligível e não a análise das instituições sociais como propunha Durkheim. A análise weberiana propõe que se deve compreender, interpretar e explicar respectivamente, o significado, a organização e o sentido, bem como evidenciar a regularidade das condutas. Cabe à Sociologia entender como acontecem e se estabilizam as relações sociais, os grupos organizados e as estruturas coletivas da vida social.

Com este pensamento, não possuía a ideia de negar a existência ou a importância dos fenômenos sociais globais, dando importância à necessidade de entender as intenções e motivações dos indivíduos que vivenciam essas situações sociais, ou seja, a sua ideia é que a sociedade como totalidade social é o resultado das formas de relação entre os seus sujeitos constituintes. Tomando como ponto de partida da compreensão da vida social o papel do sujeito, a teoria de Max Weber é denominada de individualismo metodológico.

a) Sociologia Econômica

Durante a maior parte de sua vida acadêmica, Max Weber foi docente de disciplinas da área econômica. Aliás, o seu último livro, um conjunto de notas de aula publicado por seus alunos, intitula-se justamente História Geral da Economia. Desta forma, não é surpresa que ele elabore uma sofisticada abordagem sociológica da vida econômica. Por esta razão, há até teóricos que defendem que, em última instância, toda a sua obra não passa de uma teoria econômica, qual seja, uma visão sócio-histórica da vida aquisitiva.

Na sua primeira fase, seguindo a tradição marxista, Max Weber tendia a ver o capitalismo como um fenômeno especificamente moderno. Já em sua Ética Protestante, de 1904, apesar de colocar em relevo os fatores culturais da gênese da conduta capitalista, era esta visão que predominava. Mas, nas décadas seguintes, ele romperia com estas noções. Em primeiro lugar, ele insere o capitalismo, na sua fase moderna, em um amplo processo de racionalização da cultura e da sociedade, ou seja, enquanto fenômeno social, o capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da modernidade ocidental e é similar, em sua forma racional, ao campo da política, do direito, da ciência, etc. Outra mudança importante é que Max Weber rompe com a definição marxista de que o capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna, daí a expressão capitalismo moderno. Para Max Weber, o capitalismo é um fenômeno que atravessa a história, pois a busca do lucro já pode ser localizada nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes civilizações e mesmo nas sociedades não ocidentais. O núcleo estruturante da atividade capitalista é a empresa, pois a separação da esfera individual da esfera impessoal da produção permite a racionalização da organização do trabalho e mesmo das atividades de gestão destas organizações. Com base nestas premissas, Max Weber construiu diferentes tipos ideais de capitalismo, como o capitalismo aventureiro, o capitalismo de Estado, capitalismo mercantil, capitalismo comercial, etc.

As principais análises de Max Weber sobre o campo econômico podem ser encontradas no segundo capítulo de Economia e Sociedade, tópico em que ele discute a ordem social econômica. Ali ele destaca que o processo de racionalização da atividade econômica também envolve a passagem de uma racionalidade material, na qual a vida econômica está submetida a valores de ordem ética ou política, para uma racionalidade formal, ou seja, na qual a lógica impessoal das atividades econômicas e lucrativas se torna predominante.

Por estas razões, Max Weber é considerado, atualmente, um dos precursores da sociologia econômica, conjunto de autores que se recusa a entender a vida econômica como relacionada apenas com o mercado, concebido de forma abstrata, separado de suas condições históricas, culturais e sociais.

b) Sociologia Política

Max Weber desenvolveu um importante trabalho de sociologia política através da sua teoria dos tipos de dominação, em que a dominação é a possibilidade de um determinado grupo se submeter a um determinado mandato. Trata-se, portanto, de um tipo de relação social fundada na autoridade de um indivíduo sobre outros. Isso pode acontecer por motivos diversos, como as leis, admiração, costumes e tradição. Ele define três tipos de dominação que se distinguem pelo seu caráter, que tanto pode ser pessoal como impessoal, e, principalmente, pela diferença nos fundamentos da legitimidade, que são as seguintes:

  1. Dominação legal: a obediência está fundamentada na vigência e aceitação da validade intrínseca das normas e o seu quadro administrativo é mais bem representado pela burocracia. A ideia principal da dominação legal é que deve existir um estatuto que pode criar ou modificar normas, desde que esse processo seja legal e de forma previamente estabelecido. Nessa forma de dominação, o dominado obedece à regra e não a pessoa em si, independente do pessoal, ele obedece ao dominante que possui tal autoridade devido a uma regra que lhe deu legitimidade para ocupar este posto, ou seja, ele só pode exercer a dominação dentro dos limites preestabelecidos. Assim o poder é totalmente impessoal, onde se obedece à regra estatuída e não à administração pessoal. Como exemplo do uso da dominação legal podemos citar o Estado Moderno, o município, uma empresa capitalista privada e qualquer outra organização em que haja uma hierarquia organizada e regulamentada. A forma mais pura de dominação legal é a burocracia.
  2. Dominação tradicional: dá-se pela crença na santidade de quem dá a ordem e de suas ordenações, a sua ordem mais pura se dá pela autoridade patriarcal onde o senhor ordena e os súditos obedecem e na forma administrativa isso se dá pela forma dos servidores. O ordenamento é fixado pela tradição e a sua violação seria um afronto à legitimidade da autoridade. Os servidores são totalmente dependentes do senhor e ganham os seus cargos seja por privilégios ou concessões feitas pelo senhor, não há um estatuto e o senhor pode agir com livre arbítrio.
  3. Dominação carismática: nesta forma de dominação os dominados obedecem a um senhor em virtude do seu carisma, ou seja, das qualidades excepcionais que lhe conferem especial poder de mando. A palavra carisma é de inspiração credulária e, no contexto cristão, lembra os dons conferidos pelo Espírito Santo aos cristãos. A palavra foi reinterpretada em sentido sociológico como dons e carismas do próprio indivíduo e foi nesta forma que Max Weber a adotou. Ele considerou o carisma uma força revolucionária na história, pois tinha o poder de romper as formas normais de exercício do poder. Por outro lado, a confiança dos dominados no carisma do líder é volúvel e esta forma de dominação tende para a via tradicional ou legal.

A tipologia weberiana das formas de poder político difere claramente da tradição clássica, orientada pela discussão da teoria das formas de governo, oriunda do mundo antigo, por Platão e Aristóteles. Filiado à tradição realista de pensamento, Max Weber também rejeita os pressupostos normativos e éticos da teoria do poder e procura descrevê-lo em suas formas efetivas de exercício. Ao demonstrar que o exercício do poder envolve a necessidade de legitimação da ordem política e, ao mesmo tempo, sua institucionalização por meio de um quadro administrativo, o autor apresentou os fundamentos básicos da sociologia política da era contemporânea.

Além de uma rigorosa e sistemática sociologia política, alicerçada em seus tipos de dominação, Max Weber foi um dos mais argutos analistas da política alemã, que analisou durante o Segundo Império Alemão e durante os anos iniciais da República de Weimar. Crítico da política de Bismark, líder que, ao monopolizar o poder, deixou a nação sem qualquer nível de sofisticação política, Max Weber sempre apontou a necessidade de reconstrução da liderança política. No escrito O Estado Nacional e a Política Econômica, de 1895, já mostrava como as diferentes classes sociais não se mostravam aptas a dirigir a nação, seja pela sua decadência social, caso dos Junkers, como assim eram denominados os membros da nobreza constituída por grandes proprietários de terras e militares da elite nos Estados alemães anteriores e durante o 2º. Reich, período de 1871 a 1918, seja pela sua imaturidade política, caso da burguesia e do proletariado.

c) Sociologia da Estratificação Social

Estratificação social é a área da Sociologia que se ocupa da pesquisa sobre a posição dos indivíduos na sociedade e explicitação dos mecanismos que geram as distinções sociais entre os indivíduos. Ao contrário de Marx, que explicava estas diferenças apenas com base em fatores econômicos, Max Weber mostrou que as hierarquias e distinções sociais obedecem a lógicas diferentes na esfera econômica, social e política. Sob o aspecto econômico, as classes sociais são diferenciadas conforme as chances de oportunidades de vida, escalonando os indivíduos em grupos positiva ou negativamente privilegiados. Do ponto de vista social, indivíduos e agrupamentos sociais são valorizados conforme atributos de valor, dando origens a diversos tipos de grupos de status. Diferente também é a lógica do poder, em que os indivíduos se agregam em diferentes partidos políticos. A análise weberiana demonstra que existem diferentes mecanismos sociais de distribuição dos bens sociais, como a riqueza, por classe, a honra ou prestígio social, por grupos de status, e o poder, por partidos, e que cada um deles cria diferentes tipos de ordenamento, hierarquização e diferenciação social.

d) Sociologia do Direito

Jurista por formação, a análise da esfera jurídica não ficou de fora das preocupações de Max Weber. Ele dedicou um amplo capítulo de Economia e Sociedade a este tema. O pano de fundo de toda sua reflexão sobre a esfera das normas jurídicas é a tese da racionalização da vida social, da qual o próprio Direito é uma das expressões. Ao compreender historicamente a evolução do Direito, Max Weber destaca o crescente processo de racionalização que lhe é inerente.

A racionalização do Direito pode ser compreendida a partir de duas variáveis: o seu caráter material ou formal ou seu caráter racional e irracional. São racionais todas as formas de legislação que seguem padrões fixos, ao contrário do caráter aleatório dos métodos irracionais. Por outro lado, o conteúdo do Direito pode ser determinado por valores concretos, especialmente de caráter ético, ou obedecer a critérios de ordem interna, ligados a sistemática e ao processo jurídico em si mesmo, ou seja, a sua forma.

A apreciação weberiana do setor jurídico da vida social não se dedica apenas a entender esta esfera de forma isolada. O Direito possui uma ligação direta tanto com a ordem política quanto com a ordem econômica. A evolução do direito formal é um aspecto essencial do progressivo processo de burocratização do Estado, bem como a estabilidade das normas jurídicas foi fundamental para a consolidação de uma economia de mercado, pois esta requer uma ordem de obrigações previsível. Direito, Economia e política são ordens sociais de vida que estão conectados e entrelaçados de forma direta.

Como teórico da evolução sócio-histórica do Direito, Max Weber é um dos precursores do chamado direito positivista, pois ele concebia o direito formal como a forma mais avançada historicamente do sistema jurídico. Desta forma, Max Weber está na raiz de importantes teóricos como o próprio Hans Kelsen, por exemplo, considerado o maior teórico do positivismo jurídico.

 

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