05.02.01- Tipos de sociedade segundo Max Weber

A Adm. de Empresas
7 de outubro de 2020 Pamam

Max Weber é considerado pelos estudiosos do assunto como sendo o primeiro teórico voltado para uma análise da estrutura organizacional, acreditando que a burocracia era a organização por excelência, preocupando-se com a racionalidade, que seria a adequação dos meios aos fins pretendidos, quando então uma organização seria racional e, por conseguinte, eficiente. Desta maneira, a burocracia seria a forma mais eficiente de uma organização. Ele descreveu um tipo de estrutura burocrática acreditando que fosse comum à maioria das organizações formais, mas não definiu um modelo padrão a ser aplicado, limitando-se apenas a descrever as principais características da burocracia existente. Segundo Maximiano, ao sistematizar o seu estudo da burocracia, Max Weber começa com a análise dos processos de dominação ou autoridade, em que a autoridade é a probabilidade de haver obediência dentro de um determinado grupo, distinguindo três tipos de sociedade e autoridade, que são os seguintes:

  1. Tradicional: também denominada de feudal ou patrimonial, em que a aceitação da autoridade se baseia na crença de que o que explica a legitimidade é a tradição e os costumes, quando então os subordinados aceitam como legítimas as ordens superiores que emanam dos costumes e hábitos tradicionais ou de fatos históricos imemoriais;
    • Na sociedade tradicional, composta de tribo, clã, família, predominam as características conservacionistas, patriarcais e patrimonialistas, em que a autoridade que a preside é dita tradicional, na qual a obediência é justificada pela tradição, pelo hábito ou pelo costume.
  2. Carismática: em que a aceitação da autoridade advém da lealdade e da confiança nas qualidades normais de quem governa, quando então a presença de um chefe ou de um líder personifica uma carisma invulgar ou excepcional, com qualquer subordinado aceitando a legitimidade da sua autoridade;
    • Na sociedade carismática, que são os partidos políticos, grupos revolucionários, nações em revolução, geralmente existem as características místicas, arbitrárias e personalísticas, em que a autoridade carismática que a preside é justificada pela influência de um líder detentor de qualidades que o destacam.
  3. Burocrática: também denominada de racional-legal, em que a aceitação da autoridade se baseia na crença, na legalidade das leis e regulamentos, com esta autoridade pressupondo um tipo de dominação legal que vai buscar a sua legitimidade no caráter prescritivo e normativo da lei.
    • As sociedades burocráticas, que são as grandes empresas, os Estados modernos, os exércitos, são caracterizadas pelo predomínio de normas impessoais racionalmente definidas, em que o tipo de autoridade burocrática é justificado pela técnica, pela justiça, pela lei e pela meritocracia, quando então a autoridade burocrática prevalece nas sociedades ocidentais, cujo modelo burocrático se caracteriza pelos seguintes elementos:
      • A lei representa o ponto de equilíbrio último, ao qual se devem reportar as regras e os regulamentos, constituindo aplicações concretas de normas gerais e abstratas;
      • Em qualquer organização, a burocracia é estabelecida seguindo o princípio da hierarquia, em que as relações hierárquicas entre superiores e subordinados são preenchidas por cargos de direção e chefia, com os cargos subalternos sendo claramente definidos, de modo que a supervisão, a ordem e a subordinação sejam plenamente assimiladas e realizadas;
      • A avaliação e a seleção dos funcionários são feitas em função da competência técnica, daí a exigência de exames, concursos e diplomas como instrumentos de base à admissão e promoção;
      • As relações informais não têm razão de existir, já que o funcionário burocrático é uma peça de uma máquina, esperando-se dele um comportamento formal e estandardizado, de forma a cumprir com exatidão as tarefas e funções que lhes são destinadas;
      • O funcionário recebe regularmente um salário, não determinado pelo trabalho realizado, mas segundo as funções que integram esse trabalho e o tempo de serviço;
      • O funcionário burocrata não é proprietário do seu posto de trabalho, as funções que executa e o cargo que ocupa são totalmente independentes e separados da posse privada dos meios de produção da organização que trabalha;
      • A profissão de funcionário do tipo burocrático supõe um emprego fixo e uma carreira regular;
      • O desempenho de cada cargo por parte dos funcionários burocráticos pressupõe uma grande especialização na execução das suas tarefas e trabalho.

Como se pode claramente constatar, a burocracia traz consigo diversas vantagens, dentre elas a sua racionalidade, o que implica em dizer que ela procura os meios mais eficientes para alcançar as metas estipuladas pela organização. A precisão com que cada cargo é definido proporciona o conhecimento exato de cada responsabilidade. Assim, como as tarefas a serem desempenhadas são organizadas em rotinas e realizadas metodicamente, consequentemente se tornam previsíveis, o que aumenta a sua confiabilidade e uma maior eficiência organizacional. A rapidez nas decisões é obtida pela tramitação de ordens e papéis e pela uniformidade das rotinas e regulamentos, que colaboram para a redução de erros e custos. A facilidade de substituição daquele que é afastado e os critérios de seleção apenas pela competência técnica garantem a continuidade do sistema burocrático, evitando o nepotismo. O trabalho é profissionalizado, e os funcionários são treinados e especializados, trazendo benefícios para as organizações.

Como as tarefas são organizadas em rotinas, há uma previsibilidade do seu funcionamento, contribuindo assim para a obtenção de uma maior eficiência organizacional, em cuja eficiência organizacional não se pode olvidar dos controles internos, que são essenciais para a eficiência organizacional.

Max Weber identifica três fatores principais que favorecem o desenvolvimento da burocracia moderna, quais sejam:

  1. O desenvolvimento de uma economia monetária, já que na burocracia a moeda assume o lugar da remuneração em espécie para os funcionários, permitindo a centralização da autoridade e o fortalecimento da administração burocrática;
  2. O crescimento quantitativo e qualitativo das tarefas administrativas do Estado moderno;
  3. A superioridade técnica, em termos de eficiência, do tipo burocrático de administração, servindo como sendo uma força autônoma para impor a sua prevalência.

O desenvolvimento tecnológico fez as tarefas administrativas tenderem ao aperfeiçoamento para acompanhá-lo. Assim, os sistemas sociais cresceram em demasia, com as grandes empresas passando a produzir em massa, sufocando as pequenas. Além disso, nas grandes empresas há uma necessidade crescente de se obter cada vez mais um controle acentuado e uma maior previsibilidade do seu funcionamento.

Segundo o conceito popular, a burocracia é geralmente considerada em uma organização como sendo uma espécie de papelório que se multiplica e se avoluma, impedindo as soluções rápidas e eficientes. O termo também é empregado com o sentido de apego dos funcionários aos regulamentos e rotinas, causando ineficiência à organização. Assim, o leigo passou a dar o nome de burocracia aos defeitos do sistema.

Mas para Max Weber a burocracia é exatamente o contrário, caracterizando-se como sendo a organização eficiente por excelência, entretanto para conseguir esta eficiência a burocracia precisa detalhar antecipadamente e nos mínimos detalhes como as coisas devem acontecer. Quando a burocracia é pesada, ela não representa uma organização totalmente racional e o formalismo não tem a profundidade descrita por Max Weber, levando ao excesso de formalismo, de documentação e de papelório, portanto, à baixa eficiência. Mas quando a burocracia é leve, ela apresenta uma organização racional e o formalismo tem a profundidade descrita por Max Weber, levando ao limite de formalismo, de documentação e de papelório, portanto, à alta eficiência.

A análise weberiana da burocracia foi posteriormente ampliada pelo sociólogo Arnold Gehlenite, em sua teoria das instituições, em que para ele a burocracia é apenas uma modalidade de instituição social, considerando que a nossa vida seria impossível sem a existência de tais dispositivos, uma vez que eles disponibilizam previamente aos indivíduos determinados protocolos de ação, ou seja, orientações para que as ações produzam resultados satisfatórios. Para o autor, então, a razão de ser mais profunda da existência das instituições é que elas nos proporcionam não apenas eficácia, mas também um tipo específico de alívio psicológico, pelo fato de não termos de decidir, a cada momento, e sempre novamente, como orientar as nossas decisões.

 

Continue lendo sobre o assunto:

Prolegômenos

01- AVISO

Se você realmente vai se dispor a ler o que aqui está escrito, recomendo a não se espantar e muito menos se admirar sobre tudo aquilo que aqui irá...

Leia mais »
Prolegômenos

02- INTRODUÇÃO

Eu vou desenvolver a esta explanação acerca de A Filosofia da Administração, utilizando-me logo de um método: o da repetição. Não se deve radicalizar severa e abruptamente contra a...

Leia mais »
Romae