05.01- A humanidade que Jesus, o Cristo, encontrou em sua encarnação

A Cristologia
13 de outubro de 2018 Pamam

PARTE I

Reinava em Roma Tibério, que reinou no período de 14 a.C. a 37 d.C., um espírito sanguinário, que se regozijava com carnificinas e vivia cercado de espiões. O seu antecessor havia sido Otávio Augusto, que reinou no período de 27 a 14 a.C., e os seus sucessores foram Calígula, Cláudio e Nero. Se Roma resplandeceu como sendo um grande centro de cultura, também se denegriu com a corrupção e o vandalismo. E se maior não foi o caos moral dessa época, deve-se isso ao Estoicismo, que alentou para a virtude pregada por esse sentimento veritológico.

Quando Nero, ainda jovem, subiu ao poder, tendo reinado no período de 54 a 68, todos esperavam que viesse a ser um bom imperador, um romano sábio e justo, por estar rodeado de homens que detinham grandes mentalidades. Mas estando obsedado pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, não tardou em fornecer demonstrações da loucura que lhe dominava o espírito. Por influência do meio, tornou-se ainda mais cruel do que os seus antecessores, e em um requinte de perversidade, assassinou a mãe, a mulher e a amante.

Tibério ainda sabia ocultar certo barbarismo e monstruosidades praticados nos rochedos de Capri, em que nessa ilha mandou construir doze casas, mas nada detinha o perverso Nero, cujo sadismo era alimentado com as torturas das suas vítimas. Entre estas vítimas se encontravam Sêneca, o seu velho mestre e tutor, alguns senadores e amigos, que mandou friamente assassinar, não sem antes submeter as esposas destes a atos obscenos e fazer com que lhe cortassem os seios e as esquartejassem ou apunhalassem.

O delírio obsessivo de Nero por novas sensações o levou a incendiar Roma, com a mesma frieza e insensibilidade com que antes mandara atirar seres humanos às feras esfomeadas, dando um “hurra” a cada gemido das vítimas, enquanto mastigava, gulosamente, pedaços de vitela assada, lambuzada de gordura, e se deliciava com os mais caros e aromatizados vinhos. Nesse momento, por bajulação e pela mesma insensibilidade, o senado e o povo aplaudiam ao desalmado facínora e as suas façanhas de louco! O pavor reinava em Roma, com os homens sensatos perguntando por que essa sujeição a um tirano, a um monstro, a um demente, pois não viviam em boas graças os povos de Roma, Grécia, Gália e Germânia?

Os homens mais cultos e eruditos sentiam saudades do passado, das academias, passando a relembrar as lições que haviam sido transmitidas pelas suas grandes mentalidades, tanto pelos veritólogos como pelos saperólogos. Mas tais como os seres vulgares, conservavam-se impassíveis, quedos, temendo a decapitação das suas cabeças a qualquer momento.

Nesses míseros tempos, predominava em Roma a Escola Estoica, em cuja mentalidade predominava obviamente o Estoicismo, mentalidade essa que fazia com que enquanto o amo batia no escravo veritólogo, este se limitava apenas a dizer: “Prestai mais atenção que estais a me partir os ossos”.

Mas não faltavam os adivinhos, os oráculos e os astrólogos, que os ricos visitavam para lhes fazerem perguntas. As mulheres e os homens não acreditavam nos deuses, mas, se eles tinham os seus oráculos, elas possuíam os seus oratórios secretos, com o sol etíope simbolizado pelo gavião, divindades fenícias, metade mulheres, metade peixes, e pedras druidas. Não se prestava culto à Providência, mas sim à fatalidade. Se o futuro lhes surgia com cores incertas, o caminho a ser seguido era o suicídio.

Era grande a corrupção, e embora não acreditassem nos deuses, os homens e as mulheres corriam a consultar os adivinhos, terminando por se submeter a verdadeiros absurdos, como ainda hoje fazem aqueles que vão às macumbas, às sessões de terreiro, ouvir o “pai de santo”, o babalaô. A estupidez desse tempo levava os seres humanos ao absurdo de sacrificarem até crianças, por ordem dos oráculos, que eram médiuns ao serviço dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, para conseguir as graças desejadas.

Como tinham a consciência pesada, sentiam-se carecer de purificação, e para a expiação das suas culpas, para se lavarem das faltas cometidas, faziam-se batizar com sangue humano nas cerimônias de Mitra, indo depois passar pelo gelo do rio Tibre, ou atravessar, de joelhos, o campo de Marte. Dominava, então, nessa época de antes, durante e após o Cristo, a mais profunda ignorância e corrupção, não havendo freio para as paixões, quer de reis, em seus tronos, quer de mulheres, em seus lares.

Passando-se em revista o que hoje vai pelo mundo, não será exagero se dizer que os espíritos desse tempo surgiram, de uma só vez, no mundo atual! Não estamos vendo a família periclitar? E o que têm feito os apregoados moralistas? Nada, a não ser se colocarem ao lado das mulheres para que elas sejam iguais aos homens, abandonando aos seus lares e ganhando o mundo, a fim de se realizarem profissionalmente, praticando livremente o sexo, como se assim elas se tornassem realmente independentes, quando, na realidade, tornam-se cativas do ambiente fluídico pesado em que se encontram, fora dos seus lares.

Há que se tirar proveito desta passagem para se lançar um brado de alerta contra a depravação, contra a degeneração, contra a devassidão, contra a licenciosidade, contra o desrespeito, em apelação às mulheres prendadas, aos homens dignos e honrados, os que são detentores do verdadeiro caráter, a fim de que eles cerrem fileiras em torno da família, defendendo-a e a colocando dentro do respeito e das mais sublimes produções de amor familiar.

Afirma-se que a história se repete, mas diante destes fatos quem poderá duvidar de tal asserção?

Constantemente surgem notícias de que fulano, sicrano ou beltrano se divorciou pela segunda, terceira,  quarta, ou tantas vezes venham a ser, e são de todos os dias as trocas constantes de esposas e maridos, com filhos de várias uniões. Com tamanha falta de moral e a decadência da família, em uma época bem parecida com os nazismos e os fascismos do século XX, os propagadores da raça forte e pura, os massacradores de mais de seis milhões de judeus espoliados dos seus haveres, esses corruptos nazistas que, à semelhança de Nero, incendiaram o mundo, obedientes à moral emanante dos chefes que, antes de partir para a guerra, recebiam a permissão para terem relações sexuais com mulheres da raça ariana, donzelas ou não, a fim de darem à pátria um ariano puro para substituir aquele que iria morrer, não em prol da Alemanha, mas sim pelo Führer, em um quadro de decadência espiritual idêntico ao que a História nos apresenta, quando do nascimento de Jesus, o Cristo, durante e logo após.

Esse quadro de decadência espiritual pode ser considerado como sendo cíclico, quando em relação ao final de cada Grande Era. Luiz de Souza, em sua obra intitulada de Ao Encontro de uma Nova Grande Era, as páginas 17 e 18, retrata a essa mudança de uma Grande Era para outra, da seguinte maneira:

A mudança de uma era para outra tem sido assinalada com a reconhecida degradação de uma civilização por atos de corrupção e sórdida vilania, para o surgimento de outra, com bases em uma maior elevação moral.

Observando-se a caótica posição moral do mundo, nos dias que correm, e, por outro lado, o aparecimento de um movimento espiritual que se firma com a mais decidida disposição, nota-se uma real analogia com as transformações verificadas na contextura morfológica da Terra, em consonância com a interpretação de reveladores hieróglifos que remontam à era imediatamente posterior ao desaparecimento da Atlântida.

Os ciclos se fecham em rigorosa obediência a leis da Suprema Sabedoria, e não haverá dúvida de que o que envolve o panorama atual da vida terrena, está com os seus dias contados”.

Essa extrema corrupção e sórdida vilania ocorreu na primeira encarnação do espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, quando neste nosso mundo-escola encarnou como Hermes, no Egito, estabelecendo o início de uma nova Grande Era, A Era da Sabedoria. Ocorreu quando da sua encarnação como Jesus, o Cristo, em que ele veio decretar o final de A Era da Sabedoria e estabelecer o início de uma nova Grande Era, A Era da Verdade. E está ocorrendo quando da vinda do nosso Antecristo, que veio decretar o final de A Era da Verdade e estabelecer o início de uma nova Grande Era, A Era da Razão.

A elevadíssima evolução espiritual de Jesus, o Cristo, manteve-o sempre à distância dos gozadores e devassos da sua época, jamais permitindo qualquer confusão em relação a eles. Registremos, pois, o seu aparecimento como deve fazer verdadeiramente a História, uma vez que agora já temos a maneira correta de contemplá-lo como sendo o Cristo, mas o Cristo da humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo, que se deslocou da sua humanidade quando ainda na condição do Antecristo e se integrou à nossa, e em nosso meio alcançou a condição do Cristo, para dar continuidade a esse instituto espiritualizador instituído por Deus.

 

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