05.01.08- O fordismo

A Adm. de Empresas
4 de setembro de 2020 Pamam

Antes de tudo, vale aqui salientar que Henry Ford seguiu à risca os princípios de padronização e simplificação dos tempos e movimentos propostos por Frederick Taylor, embora tenha desenvolvido outras técnicas avançadas para a época, mas sempre tomando por base a Administração Científica, através do estudo dos tempos e movimentos, daí a razão pela qual eu incluo o fordismo dentro do âmbito da Administração Científica.

O fordismo é um termo criado por Henry Ford, em 1914, para se referir aos sistemas de produção em massa e gestão idealizados em 1913 por esse empresário estadunidense, fundador da Ford Motor Company, em Highland Park, autor do livro Minha Filosofia e Indústria, quando ele tratou de racionalizar a produção automobilística baseado em inovações técnicas e organizacionais, tendo em vista a produção e o consumo em massa, quando então esse modelo de produção revolucionou a indústria automobilística a partir de janeiro de 1914, ao ser inaugurada a primeira linha de montagem automatizada, quando então as suas fábricas passaram a ser totalmente verticalizadas, já que ele possuía desde a fábrica de vidros, a plantação se seringueiras, até a siderúrgica, criando então o mercado de massa para os automóveis, uma vez que o seu objetivo era tornar o automóvel tão barato que qualquer um poderia comprá-lo.

A principal característica do fordismo foi o aperfeiçoamento da linha de montagem, com os veículos sendo montados em esteiras rolantes, que se movimentavam enquanto os operários ficavam praticamente parados, realizando a montagem no próprio local em que se encontravam, o que possibilitava a eliminação dos movimentos inúteis, em que assim os objetos dos trabalhos eram entregues aos operários, ao invés deles irem buscá-los. Desta maneira, cada operário realizava apenas uma operação simples, colaborando para uma das etapas da produção, o que não requeria necessariamente uma maior qualificação por parte dos trabalhadores.

Para aperfeiçoar a sua linha de montagem, o método de produção fordista exigiu vultosos investimentos em máquinas e instalações, mas possibilitou que a Ford produzisse mais de dois milhões de carros por ano, durante a década de 1920, em que o veículo pioneiro produzido, segundo o sistema fordista, foi o mítico Ford Modelo T, que ficou mais conhecido no Brasil como Ford Bigode.

Juntamente com o sucesso das vendas do Ford Modelo T e do fordismo, criou-se o chamado ciclo da prosperidade, que mudaria a economia dos Estados Unidos e a vida de muitos americanos da época, pois muitos outros setores da economia como o têxtil, o siderúrgico, o energético, que lidava com combustível, e muitos outros, foram afetados direta ou indiretamente pelo desenvolvimento da indústria automobilística, tendo um crescimento substancial, com mais rodovias sendo construídas, proporcionando uma maior facilidade de locomoção da população em geral e dando lugar ao surgimento de novos polos comerciais ao longo da sua extensão.

O ápice do fordismo ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, no período de 1945 a 1968, que ficou conhecido na história do capitalismo como os anos dourados. Ficou famosa a frase de Ford, que dizia que poderiam ser produzidos automóveis de qualquer cor, desde que fossem pretos, o que se explica em razão da tinta preta secar mais rapidamente, com os automóveis podendo ser montados em menos tempo.

Entretanto, a rigidez desse modelo de gestão industrial, com a fabricação de um único modelo em uma única cor, foi a causa do seu declínio, com o fordismo entrando em declínio, a partir da década de 1970, uma fez que a General Motors flexibilizou o seu modelo de gestão, lançando diversos modelos de veículos em várias cores, adotando um sistema de gestão profissionalizado, baseado em colegiados, quando então ultrapassa a Ford como sendo a maior montadora do mundo. Ainda na década de 1970, após os choques do petróleo e a entrada de competidores japoneses no mercado automobilístico, o fordismo e a produção em massa entram em declínio e gradativamente começam a ser substituídos pela produção enxuta, modelo de produção baseado no Sistema Toyota de Produção, ou toyotismo, que veremos ao longo desta categoria deste site. Em 2007, a Toyota se torna a maior montadora de veículos do mundo, determinando de vez a extinção do fordismo e desbancando a General Motors.

 

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