04.03- Malebranche

A Era da Verdade
15 de outubro de 2019 Pamam

Malebranche encarnou em Paris no ano de 1638 e desencarnou também em Paris no ano de 1715, tendo sido um padre francês que buscou a filosofia racionalista, procurando sintetizar em suas obras o sentimento de Agostinho de Hipona e Descartes, a fim de demonstrar o papel ativo do deus bíblico em todos os aspectos do mundo, sendo mais conhecido pelas suas doutrinas de visão no deus bíblico, pelo ocasionalismo e pelo ontologismo.

No ocasionalismo, Malebranche defende a teoria das causas ocasionais a qual todas as atividades da alma que parecem causar efeitos sobre o corpo e todas as ações do corpo sobre a alma são causas ocasionais da vontade do deus bíblico, que seria, portanto, a única causa verdadeira eficiente do acordo entre os movimentos do corpo e as ideias da alma.

Já o ontologismo é uma doutrina teológica de alguns eruditos do século XIX que tem por base a evidência da existência de Deus — mas que infelizmente se refere a Jeová, o deus bíblico —, cuja existência é de tal modo visível e perceptível que não se pode negar. Entretanto, caso essa doutrina viesse a se referir ao verdadeiro Deus, e não a Jeová, o deus bíblico, estaria absolutamente correta em afirmar que todo estudo filosófico deve começar em Deus, e não no homem, que é proveniente de Deus, assim como todas as coisas, já que Deus é a Coisa Total, a Inteligência Universal, o Todo. De qualquer maneira, a partir dessa afirmação, a tese central do ontologismo é a de que o homem possui uma ideia imediata e direta de Deus, no que se encontra correta essa afirmação, conforme consta no capítulo 11- A REALIDADE DE DEUS DE ACORDO COM A RAZÃO, contido em Prolegômenos.

Em 1660, Malebranche entrou para a Congregação do Oratório, hoje Confederação do Oratório, também conhecida como Oratorianos ou Ordem de São Filipe Néri, uma sociedade de vida apostólica fundada em 1565, em Roma, para clérigos seculares, sem votos de pobreza e obediência, que se dedica à educação do falso cristianismo da juventude e a obras de caridade. Em 1664 foi ordenado sacerdote, quando então a leitura de Descartes o deixou tão entusiasmado que resolveu se dedicar ao estudo da Filosofia, embora alguns comentaristas venham a afirmar que esse interesse pela Filosofia tenha sido derivado dos seus estudos sobre a filosofia dominante na Congregação do Oratório, que era a de Santo Agostinho.

A obra principal de Malebranche é intitulada de A Busca da Verdade, em que nela trata da natureza do espírito humano e daquilo que o homem deve fazer para evitar os erros nas ciências, tendo essa obra sido publicada em três volumes, o primeiro em 1674 e os outros dois em 1675.

A sua formação mental, impregnada de sobrenaturalismo, misticismos e dogmas, ensejou a que ele viesse criticar os veritólogos que estudavam as relações da alma com o corpo, sem considerar a sua união com o deus bíblico, que em seu delírio credulário vem afirmar que o enfraquecimento das relações da alma com o deus bíblico foi consequência do pecado original, que fortaleceu a relação da alma com o corpo, assim como se o homem houvesse se materializado em virtude do pecado original.

Nessa sua obra intitulada de A Busca da Verdade, ocorreria a dissolução dos erros provocados pela forte interação da alma com o corpo. Malebranche considerava que o erro é a causa da miséria dos homens, pois, de fato, devemos acrescentar, caso os homens não cometessem erros não haveria miséria, mas isto se situa atualmente no campo da utopia. De qualquer maneira, o veritólogo afirmava ser necessário denunciar os erros e as suas causas através de uma análise das percepções da alma, que se realizariam por três modos distintos: os sentidos, a imaginação e a compreensão; pregando o exame dos erros devidos a cada uma dessa formas de percepção, em que mediante tal exame seria possível um critério geral para a descoberta da verdade.

Neste ponto, há que se esclarecer que os sentidos representam um conjunto de órgãos receptores externos de estímulos sensoriais, através dos quais nós interagimos com este mundo, transformando os estímulos — luz, som, calor, pressão, pressão, sabor — em impulsos nervosos, que percorrem as células nervosas até o centro nervoso, o cérebro, que é o receptor interno. O cérebro é ligado ao corpo fluídico por um cordão fluídico, quando então o espírito traduz, interpreta e transforma os impulsos nervosos em sensações que a alma comunica ao cérebro. Então não se pode chegar à verdade através dos sentidos, algo que as ciência até hoje ainda teimam nesse aspecto.

A imaginação é o repositório de todas as imagens acerca das coisas, dos fatos e dos fenômenos deste mundo, que se encontram representados nos corpos mentais dos seres humanos, de onde são retiradas ou criadas as novas imagens que irão definir a natureza benéfica ou maléfica de tudo aquilo que eles realizam em suas vidas. Imaginar, portanto, é apenas supor, presumir, conjecturar, imputando ao pensamento equivocado que as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza foram sempre assim, são agora assim, mas que também podem ser assim, ou poderão ser de outro jeito, representando na imaginação todas essas imagens, sendo impossível destas maneiras formar uma concepção acerca da realidade universal que sirva de fonte para as formulações de ideias com base na razão.

E a compreensão é o meio através do qual o órgão mental denominado de intelecto cria as experiências físicas acerca da sabedoria, enquanto que a percepção é o meio através do qual o órgão mental denominado de criptoscópio capta os conhecimentos metafísicos acerca da verdade. É assim que o órgão mental denominado de consciência coordena o criptoscópio e o intelecto, unindo-os, irmanando-os, congregando-os, para que assim, e somente assim, possa ser alcançada a razão, já que verdade + sabedoria = razão.

Embora sofresse a influência de Descartes, no que diz respeito ao problema da relação entre o corpo, considerado como sendo a extensão, e a alma, considerada como sendo o pensamento, Malebranche adota uma posição que admite uma separação radical entre ambos, ao que se denomina de dualismo, não aceitando a solução proposta por Descartes, no que se refere à relação entre essas duas realidades, sobretudo a glândula pineal, em que Descartes acreditava ser a principal sede da alma.

Para Descartes, a alma age sobre o corpo e possui uma faculdade passiva de sentir as suas paixões, mas Malebranche afirma que a alma não tem qualquer tipo de relação com o corpo, e vice-versa, olvidando assim do princípio da causalidade. Para ele, tudo o que é pode ser concebido isoladamente, ou então não pode ser concebido de maneira alguma, uma vez que a substância — a extensão — é um ser que subsiste em si mesmo, enquanto que a ideia de uma substância não contém necessariamente a ideia de um outro ser, em decorrência, a extensão, que é uma substância, não se relaciona com o pensamento, que é outra substância.

Assim, se a alma não pode agir sobre o corpo e nem o corpo sobre a alma, há uma outra causa que produz de maneira eficiente essa mudança e que ao mesmo tempo pode ser a causa da vontade e do movimento, que é Deus, no caso o deus bíblico, considerado como sendo o único poder ativo capaz de gerar mudanças. Em sendo assim, a vontade de se realizar um movimento é apenas uma ocasião através da qual o deus bíblico age, sendo ele a causa eficiente, em que a vontade é apenas a causa ocasional do movimento realizado, daí o ocasionalismo, que o veritólogo expressa da seguinte maneira:

Os teus desejos ou os teus esforços de modo algum são as causas verdadeiras que produzem mediante a sua eficácia o movimento dos teus membros… Trata-se, portanto, de meras causas ocasionais que Deus estabeleceu para determinar a sua eficácia das leis da união entre alma e corpo, pelas quais tens a potência de mover os membros do teu corpo”.

Os estudiosos consideram que a obra intitulada de Diálogos Sobre a Metafísica e a Religião é o texto que melhor representa o sentimento de Malebranche, em que no primeiro diálogo trata da alma e da sua distinção em relação ao corpo, questionando Descartes acerca da possibilidade da relação entre o corpo e a alma, uma vez que o corpo é a extensão e a alma o pensamento, quando se referindo à expressão cartesiana “Penso, logo existo”, indaga: Mas o que sou eu, eu que penso, no momento em que penso? Seria eu um corpo, um espírito, um homem? Então confessa que ainda nada sabe sobre isso, mas afirma que sabe ser alguma coisa que pensa, no momento em que pensa. Desta maneira volta a indagar: Poderia um corpo pensar? Poderia uma extensão em comprimento, largura e profundidade refletir, desejar, sentir? Ele mesmo responde que não, afirmando que todas as maneiras de ser de uma tal extensão não são mais que relações de distâncias, sendo evidente que essas relações não são percepções, raciocínios, prazeres, desejos ou sentimentos, ou seja, não são pensamentos, portanto esse eu que pensa, que é a minha própria substância, não é um corpo, dado que as minhas percepções, que seguramente me pertencem, não são relações de distância.

Há aqui que se esclarecer que o espírito, ao evoluir por intermédio da propriedade da Força, produz sentimentos, que se ligam diretamente à percepção; ao evoluir por intermédio da propriedade da Energia, produz pensamentos, que se ligam diretamente à compreensão. O corpo fluídico se liga diretamente ao corpo físico, através dos cordões fluídicos, mais precisamente ao coração e ao cérebro, em que neste último ocorrem as produções mentais, então, na realidade, não é o corpo que produz sentimentos e pensamentos, mas sim o espírito.

Mas o tópico central da obra de Malebranche é o de que a consciência da alma e a consciência da extensão são duas modalidades de consciências radicalmente distintas e incomensuráveis, tanto que afirma “eu não sou luz para mim mesmo, porque a minha substância e as minhas modalidades nada mais são do que trevas”; assim como se o corpo, que é a extensão, tivesse a consciência obscurecida, apenas a alma tendo a consciência iluminada.

Na realidade, devemos esclarecer, o espírito possui o seu corpo mental, que é formado pelo criptoscópio, o órgão mental da percepção e da captação de conhecimentos, que se desenvolve por intermédio da propriedade da Força; pelo intelecto, o órgão mental da compreensão e da criação de experiências, que se desenvolve por intermédio da propriedade da Energia; e pela consciência, o órgão mental que coordena o criptoscópio e o intelecto, que se desenvolve por intermédio do propriedade da Luz.

Malebranche discorda da teoria mecanicista para explicar o movimento, uma vez que nega a ação mecânica do choque entre as coisas. Para os mecanicistas, todos os fenômenos se explicam por causas mecânicas, de maneira que todo movimento tem uma causa em outro movimento. Entretanto, para não haver redução ao absurdo — um tipo de argumento lógico pelo qual alguém assume uma ou mais hipóteses e, a partir delas, deriva para uma consequência absurda, concluindo que a suposição original deve estar errada —, pressupõem a existência de um ser não mecânico, que seja a causa primeira dos movimentos, em que o primeiro motor é o deus bíblico. Para Malebranche, tal qual é demonstrado no paradoxo de Zenão, na qual o espaço é infinito em ato, contendo infinitas etapas entre o início de um movimento e o seu final, não é possível ao próprio corpo ultrapassá-las todas. Assim, ao contrário do mecanicismo, Malebranche entende que para haver movimento é necessária uma mudança nas partes que compõem o corpo, sendo essa mudança possível apenas através da ação do deus bíblico, que cria e conserva sucessivamente os corpos.

Para reforçar o abismo que existe entre o corpo e a alma, entre movimento e saber, Malebranche compara um camponês e um anatomista no que se refere a realizar um movimento, em que o camponês não sabe que há músculos, nem que existam os espíritos animais — pequenas partículas responsáveis pela vida e pelo movimento, o que chamaríamos hoje de terminais nervosos —, nem mesmo o que é preciso fazer para movimentar o braço, no entanto ele realiza o movimento tão sabiamente quanto o mais hábil anatomista. Então indaga: pode se fazer, pode inclusive se querer aquilo que de modo algum se sabe fazer? Desta maneira, ele argumenta que não é o saber o responsável direto pelo movimento.

Malebranche considera que a alma não tem relação com o corpo, então seria necessária uma força infinita para realizar qualquer mudança, que não pode ser realizada pelo homem, uma vez que ele não pode vencer a ação do deus bíblico. Para ele, os espíritos animais são corpos, e a sua força motriz é a ação do deus bíblico, que os cria e os conserva sucessivamente em diferentes lugares. A causa eficaz da mudança, portanto, é a ação do deus bíblico, enquanto que o homem, através dos seus desejos e esforços, é simplesmente uma causa ocasional, que segue a eficácia das leis de união entre a alma e o corpo estabelecidas pelo deus bíblico.

Para Malebranche, não só a alma não tem relação com o corpo, mas também não há nenhuma relação entre um corpo e um outro corpo, nem entre um espírito e um outro espírito. Assim, as nossas vontade, atenção, memória, imaginação, também não são causas verdadeiras dos conteúdos da nossa consciência, mas, da mesma forma, apenas causas ocasionais.

Dessa maneira, por não admitir que a alma ou o corpo possam criar ações, mas apenas ocasiões nas quais o deus bíblico se manifesta, o sentimento de Malebranche recebe a denominação de ocasionalismo, em que o homem não pode fazer o menor dos movimentos sem que nele intervenha a ação do deus bíblico. Eis abaixo as suas palavras:

Vós não podeis por vós, mesmo mover o braço… nem realizar a menor mudança no Universo… Ai de vós se Deus não viesse em vossa ajuda, vós só faríeis esforços em vão… Eis vós mortos e sem movimento se Deus não fizer coincidir o seu desejo com o vosso, o seu querer sempre eficaz com o vosso querer sempre impotente”.

Ainda que cotado entre os cartesianos, para Malebranche o pensamento não pode produzir em si as representações dos objetos, que se encontram fora do pensamento que corresponde com a realidade dos objetos, porque para ele todas as ideias que a razão humana imagina não são nela produzidas, pois que têm a sua origem no deus bíblico, em que essas ideias são geradas no deus bíblico e afetam o pensamento humano. Desta maneira, o pensamento humano funciona como sendo um anteparo que capta a luz daquilo que ele denomina de razão universal, que no caso é o deus bíblico, e que é transmitida para a razão particular do homem.

Ao que tudo indica, Malebranche era um espírito extremamente intuitivo, que assim recebia as intuições do astral inferior para embaralhar a sua mente, já por demais embaraçada pelo sobrenaturalismo, pelos misiticismos e pelos dogmas, provenientes do falso cristianismo, daí a razão pela qual ele vem afirmar que tudo nos vem de fora, mais especificamente do deus bíblico. Daí a razão dele vir afirmar:

Talvez haja um sol para os espíritos, como vês um para os corpos. Talvez haja uma luz e uma sabedoria Eterna, uma Razão universal, imutável, necessária, que ilumina todos os homens e os torna todos racionais. Se fosse uma tal luz que te iluminasse, se aquele que encerra as ideias de todos os seres te amasse ao ponto de querer realmente se comunicar a ti na proporção de teus desejos , não serias muito miserável por retirares da sua bondade razões da tua ingratidão? Não seria muito irracional em julgar que teus anseios são a causa verdadeira das tuas luzes, em virtude da fidelidade e da exatidão com que essa soberana Razão te daria aquilo que tu desejas, no momento em que desejas? “.

Ocorre uma forte oposição entre o “Penso, logo existo” de Descartes e a noção de pensamento em Malebranche. Em Descartes, o pensamento funciona como se fosse um complemento do seu sentimento, sendo individual, autônomo, livre para imaginar e conceber, sendo livre até mesmo dos caprichos de um gênio maligno, que podemos considerar como sendo o astral inferior, que não o poderia enganar quanto ao fato dele estar pensando. Para Malebranche, o pensamento também é individual, mas depende do deus bíblico, que gera as imagens e concepções que são alcançadas pela razão humana mediante um esforço em representá-las, mas que é acompanhado de um sentimento de impotência, que marca e faz merecer os dons divinos, que não tem nada de divino, sendo apenas intuições do astral inferior, daí a razão pela qual muitas vezes ele considera o esforço ineficaz.

Malebranche evidencia também o problema da ação, referindo-se à ação que ocorre quando estamos de olhos abertos, quando então questiona a representação do intelecto, afirmando que a observação dos fatos externos em si não é um ato, não configurando uma ação, porque quem vê algo não faz nada, em que a imagem que vemos, como, por exemplo, a de um quadrado, é uma ação que é representada em nosso espírito e não dele oriunda, com isto se dando também porque as figuras dos objetos, se realmente estas existem, não são inteligíveis, quer dizer, não poderiam ser representadas no espírito. O exemplo desse problema evidenciado pelo veritólogo, consiste no fato de as projeções dos objetos se fazerem diferentes de acordo com as situações que os encontramos, tais como distância, ângulo, espessura, formato, etc. Essas projeções não são semelhantes porque quando se vê figuras com formato de elipse, elas são representadas como círculos e formas ideais intelectuais. Em razão disso, Malebranche questiona o fato de ser atribuído ao próprio pensamento a produção de ideias, segundo uma falsa e enganosa potência — grandeza que determina a quantidade de energia concedida por uma fonte a cada unidade de tempo — que não se sabe exatamente qual é e que na verdade não se tem.

Em relação à limitação do espírito no que tange às descobertas humanas, Malebranche indaga se é possível um ser tão limitado ter a ideia da multiplicidade de todos os seres, se um ser imperfeito e desregrado pode gerar a ideia de perfeição e ordem, se é possível um ser mutável conceber a ideia de verdades necessárias. Ele segue argumentando a respeito das descobertas humanas, como o movimento dos astros, a qualidade dos metais, a Astronomia, que são de tal imensidão que não poderiam ser geradas por algo menor que estas ocorrências, introduzindo a ideia da modificação como sendo um impedimento para o espírito representar essas coisas, alegando que o ser do homem não pode sofrer modificações que representem o infinito e que a extensão não é tão grande para conter a ideia de todas as coisas. Assim, ele faz uma breve concessão para depois destruí-la, aceitando o argumento de que o ser humano possa receber infinitas modificações, mas ainda assim não seria o espírito humano capaz de pensar espaços imensos, porque os espaços não são compostos somente de modificações infinitas, mas também de substâncias infinitas que não provam de si.

Para Malebranche a modificação do espírito não é uma saída para o problema de representação mental, porque não há uma semelhança entre a ideia que é representada na mente, tais como corpos, números e relações, etc., e as modificações do espírito, tais como alegria, dor, paixão, etc., em que as representações na mente são diferentes das modificações do espírito. Além disso, a ideia que é representada na mente se apresentam de maneira clara e distina, enquanto que as modificações do espírito não se sabe como ocorrem. O veritólogo sustenta o seu argumento afirmando que nas representações da mente se sabe claramente que seis é o dobro de três, podendo efetuar sempre essa mesma análise quando quiser, mas a mesma situação não ocorre com as modificações do espírito, porque elas são mais imperfeitas e não podem ser reproduzidas quando o espírito deseja.

É por essas razões que Malebranche sustenta que é o deus bíblico quem intermedia essa relação de figura de representações da mente, E quanto ao espírito, ele não pode ser a sua própria luz iluminante, porque na verdade ele é luz que é iluminada. Daí a razão pela qual ele chama o homem de trevas que não pode se conhecer claramente, reafirmando que as ideias não podem ser fruto das modificações da substância humana, já que estas lhe são claras e as modificações do espírito imensamente confusas e imperfeitas.

Para Malebranche somente nos é representada a ideia pelo esforço em olhar para elas, que se encontram na mente do deus bíblico, e pela extensão inteligível, que é um atributo que o deus bíblico utiliza para tocar o nosso espírito e transmitir as sensações da nossa extensão corporal.

 

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