04.02- O método da indução

Prolegômenos
30 de maio de 2018 Pamam

O método da indução pode ser considerado como que se encontrando ao lado do método da dedução, mas como que estando virado, como se fosse o outro lado da moeda, ou como se fosse reverso ao método da dedução, bastando apenas raciocinar por outro prisma para que se possa explaná-lo, distinguindo-o por completo do método da dedução. Assim, o método da indução pode ser considerado como sendo aquele que se encontra na outra parte em que aquele que observa o Universo o está contemplando do Espaço Superior, da mesma maneira que o método da dedução pode ser considerado como sendo aquele que se encontra na outra parte em que aquele que observa o Universo o está contemplando do Tempo Futuro, já que o espaço e o tempo formam o Universo.

Para uma melhor compreensão acerca do assunto, lancemos mão da parcela do Saber denominada de Matemática, mais especificamente da geometria, e raciocinemos da seguinte maneira: digamos que um ser humano pretenda seguir pelo caminho reto da razão, entendendo-se o caminho reto da razão como sendo hipoteticamente um ângulo reto, que possui 90°. Podemos determinar o ângulo como sendo a região do plano limitada por duas semirretas da mesma origem, que recebem a denominação de lados do ângulo e a origem recebe a denominação de vértice. A figura abaixo mostra um ângulo reto.

É sabido que verdade + sabedoria = razão. Se a razão representa hipoteticamente um ângulo reto, que possui 90°, para que possamos ser consistentes na hipótese, a verdade e a sabedoria devem representar também hipoteticamente dois ângulos. À razão nós demos a denominação de ângulo reto, então para a verdade e a sabedoria nós vamos dar a denominação de ângulos complementares, mesmo sabendo que elas diferem completamente uma da outra. Ângulos complementares são dois ângulos que somados totalizam 90°, uma vez que um é o complemento do outro, assim como a verdade complementa a sabedoria, e vice-versa, para que por intermédio de ambas se possa alcançar a razão.

Neste raciocínio hipotético, tanto a verdade pode se encontrar em maior proporção do que a sabedoria, como a sabedoria pode se encontrar em maior proporção do que a verdade, pouco importa, o importante é que ambas se encontrem devidamente coordenadas, pois que somente através das suas coordenações é que se pode alcançar a razão. A figura abaixo mostra claramente as duas situações em ângulos complementares.

Um dos ângulos complementares representa o método da dedução, através do qual se pode obter ainda mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade. E o outro ângulo complementar representa o método da indução, através do qual se pode obter ainda mais experiências físicas acerca da sabedoria. Ora, os ângulos complementares são aqueles que se devem somar um ao outro para se obter um ângulo reto, que no caso em questão é a razão. Assim, de maneira análoga, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade devem ser somados às experiências físicas acerca da sabedoria para se obter a razão, mais propriamente coordenados por esta, por conseguinte, o Saber, por excelência, que deve dar origem a todas as parcelas do Saber.

Note-se que nas duas figuras acima a verdade e a sabedoria não se encontram proporcionais uma com a outra. Assim, na primeira figura, a proporção dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade é bem superior às experiências físicas acerca da sabedoria, caracterizando as teorias “a priori”, mais propriamente uma doutrina, mas, mesmo assim, com ambos se alcança a razão. Enquanto que na segunda figura a proporção das experiências físicas acerca da sabedoria é bem superior aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, caracterizando as teorias “a posteriori”, mais propriamente um sistema, no entanto, mesmo assim, com ambos se alcança igualmente a razão.

Deste modo, estando a verdade e a sabedoria desproporcionais uma com a outra, fica mais difícil para o ser humano compreender o verdadeiro significado da razão, já que no caso das teorias “a priori”, ou seja, da doutrina, o ser humano tem que fazer valer acima de tudo o seu criptoscópio, mas mesmo assim ele tende a contemplar mais a verdade; enquanto que no caso das teorias “a posteriori”, ou seja, do sistema, ele tem que fazer valer acima de tudo o seu intelecto, mas mesmo assim ele tende a contemplar mais a sabedoria. Em ambos os casos o ângulo reto da razão tende a ficar oculto aos olhos de ambos os contempladores. Daí o fato da existência da mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, assim como também da mescla que sempre existiu entre as religiões e as ciências, sob a denominação imprópria de ciências, mas que agora o Racionalismo Cristão está estabelecendo a segregação entre todas elas, além de estabelecer também as suas coordenações.

O ideal é que haja uma mesma proporção entre as teorias “a priori”, cujo conjunto forma um corpo de doutrina, que trata da verdade, e as teorias “a posteriori”, cujo conjunto forma um corpo de sistema, que trata da sabedoria, com cada um deles formando um ângulo de 45°. Neste caso, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria, estando ambos na mesma proporção, passam a caracterizar as verdadeiras teorias, que coordenam as teorias “a priori” e as teorias “a posteriori”, para que assim a doutrina e o sistema possam formar uma concepção geral acerca do Universo, possibilitando a formulação de uma ideia lógica e racional acerca da razão. A figura abaixo mostra com mais clareza essa contemplação em relação à razão.

Todas as experiências físicas acerca da sabedoria são criadas no Tempo Futuro, através da compreensão oriunda do órgão mental denominado de intelecto, ou então obtidas por intermédio da intuição, com elas representando os efeitos racionais de tudo quanto existe no Universo. Sendo, pois, as representantes dos efeitos racionais de tudo quanto existe no Universo, as experiências físicas acerca da sabedoria também representam a ação, mais propriamente as ações universais.

Em sendo assim, eu posso afirmar com a devida racionalidade lógica universal que a indução é um método por intermédio do qual os saperólogos e os cientistas adquirem a arte de induzir, como se eles estivessem somando ou adicionando uma sabedoria a outra, mas que na realidade não estão, já que estão apenas se inspirando em uma ou mais experiências físicas acerca da sabedoria para que dela ou delas possam induzir outra ou outras experiências físicas acerca da sabedoria, uma vez que a sabedoria é diversa, relativa, empírica, mutável, representando assim uma criação que deve corresponder aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade e que se situa no Tempo Futuro, em cada uma das coordenadas do Universo, sendo, portanto, criável, por isso ela geralmente não é comum a todos os espíritos, mas partindo das coordenadas mais distante do Universo todos devem se esforçar por considerá-la sob este prisma, sem maiores dispersões, portanto, desta única maneira, o que implica em dizer que assim posta ela deve ser comum a todos, com todos se esforçando por compreendê-la de uma única maneira, com o mínimo de diversidade ou contradição.

Daí a razão pela qual as experiências físicas acerca da sabedoria derivam, necessária e obrigatoriamente, umas das outras, pois que por todo o Tempo Futuro elas vão se aperfeiçoando cada vez mais, à medida que vão sendo criadas nas coordenadas universais mais distantes, havendo, de qualquer maneira, uma certa harmonia entre elas, sem que ocorram muitas divergências ou contradições em relação às mesmas, desde que sejam sempre induzidas umas das outras, em obediência a uma racionalidade lógica, por meio da concepção que traduz o âmbito da realidade universal.

Então, assim como os veritólogos e os religiosos foram os primeiros que se dispuseram a apreender a arte do método da dedução, foram também os saperólogos e os cientistas os primeiros que se dispuseram a apreender a arte do método da indução, pois que eles são os pesquisadores da sabedoria, os que tratam da sabedoria, apesar de ignorarem a própria natureza das suas inteligências, por isso ainda ignoram qual seja a finalidade a ser alcançada por intermédio da utilização deste método, que é específico para as suas próprias pesquisas, as quais dizem respeito diretamente às experiências físicas acerca da sabedoria.

Estão ainda os saperólogos mesclados com os veritólogos, em virtude de tudo aquilo que transcende a este mundo ser sempre considerado por todos como se fosse Filosofia, ou melhor, Saperologia. E estão ainda os cientistas mesclados com os religiosos, em virtude de toda e qualquer experiência física ou todo e qualquer conhecimento metafísico serem considerados como se fossem ciências. O fato é que os saperólogos e os cientistas trabalham mais com os seus intelectos, e menos com os seus criptoscópios, o que possibilita a que eles já possuam uma boa noção do que seja a indução, mas ainda não do que seja a intuição.

É por isso que a palavra grega epagogé é traduzida geralmente por indução, que foi utilizada pela primeira vez por Aristóteles, que era um saperólogo autêntico, mas como os estudiosos ainda não sabem o que seja a indução, e nem tampouco a dedução, confundindo ambos os métodos com formas de raciocínio, o sentido em que a palavra foi utilizada por Aristóteles não corresponde com o sentido empregado hoje em dia, considerado como sendo moderno. E para comprovar de vez que o método da indução se refere às experiências físicas acerca da sabedoria, o próprio Aristóteles afirma em sua Metafísica que Sócrates, o qual assim como ele era também um autêntico saperólogo, foi o primeiro a utilizar o método da indução para que através dele pudesse fornecer definições.

De qualquer maneira, existem alguns estudiosos que conseguem diferenciar duas classes fundamentais de argumentos: os dedutivos e os indutivos. Para eles, os argumentos dedutivos são aqueles em que as premissas fornecem um fundamento definitivo da conclusão, enquanto que nos argumentos indutivos as premissas proporcionam somente alguma fundamentação da conclusão, mas não uma fundamentação conclusiva, identificando desta maneira os conceitos de dedução e do raciocínio válido. Uma outra maneira de expressar essa diferença posta pelos estudiosos é dizer que em uma dedução é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa, mas no raciocínio indutivo no sentido forte isto é possível, mas pouco provável. É óbvio que todos esses estudiosos raciocinam apenas de maneira silogística, pois que ainda ignoram a existência do raciocínio sinóptico, em sendo assim, eu vou proceder com as devidas explicações a respeito dessa diferenciação por parte deles, que além disso ainda confundem os métodos da dedução e da indução com os seus respectivos raciocínios.

Eles estão absolutamente corretos quando afirmam que no método da dedução as premissas fornecem um fundamento definitivo da conclusão, e que é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa, pois que este método é específico para os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e como estes são absolutos, ontológicos, imutáveis e incriáveis, existindo desde sempre no Espaço Superior, por isso formando um todo, torna-se óbvio que a tendência é que as partes desse todo tendam a se completar.

Então, se através de um raciocínio silogístico alguém partir de dois conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ele certamente irá deduzir um terceiro conhecimento metafísico acerca da verdade, desde que se utilize desse raciocínio com lógica. Por outro lado, se através de um raciocínio sinóptico alguém partir de um conjunto de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ele certamente irá deduzir um outro conjunto de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, pois que sempre o raciocínio sinóptico é revestido da mais pura lógica, em virtude desse tipo de raciocínio somente poder ser utilizado no âmbito da razão.

E estão também absolutamente corretos quando afirmam que no método da indução as premissas proporcionam somente alguma fundamentação da conclusão, mas não uma fundamentação conclusiva, por isso não identificam os conceitos que são aplicados na dedução, mas identificam sim o raciocínio válido, por isso é possível que a fundamentação não venha a ser conclusiva, mas é pouco provável que isto aconteça, pois que este método é específico para as experiências físicas acerca da sabedoria, e como estas são relativas, empíricas, mutáveis e criáveis, não existindo desde sempre no Tempo Futuro, por isso não formando um todo, torna-se óbvio que a tendência é que essas criações tendam a se aperfeiçoar cada vez mais.

Então, se através de um raciocínio silogístico alguém partir de duas experiências físicas acerca da sabedoria, ele certamente irá induzir uma terceira experiência física acerca da sabedoria, desde que se utilize desse seu raciocínio com lógica, mas pode ser que alguém de um ponto mais distante do Tempo Futuro venha a fornecer uma conclusão ainda mais perfeita, ou menos imperfeita, então aquela conclusão não deve de fato ser conclusiva. Por outro lado, se através de um raciocínio sinóptico alguém partir de um conjunto de experiências físicas acerca da sabedoria, ele certamente irá induzir um outro conjunto de experiências físicas acerca da sabedoria, que fatalmente deverá ser conclusivo, pelo menos durante certo tempo, até que surja um outro conjunto menos imperfeito, ou que tenda para a perfeição mais do que ele, pois que sempre o raciocínio sinóptico é revestido da mais pura lógica, pelo fato dele ser utilizado apenas no âmbito da razão, situado fora do contexto da imaginação.

É por isso que aqueles que são considerados como sendo indutivistas, que são aqueles que se dedicam aos estudos saperológicos e ou científicos, diferentemente dos dedutivistas, que são aqueles que se dedicam aos estudos veritológicos e ou religiosos, acreditam que as explicações para os fatos e os fenômenos da vida advêm unicamente das suas observações, pois que eles se apoiam basicamente nas suas experiências vivenciadas ou observadas.

E, por fim, vêm esses estudiosos afirmar que o princípio da indução não pode ser uma verdade lógica pura, tal como uma tautologia, ou um enunciado analítico, pois se houvesse um princípio puramente lógico de indução, simplesmente não haveria problema de indução, uma vez que, neste caso, todas as inferências indutivas teriam de ser tomadas como transformações lógicas ou tautológicas, exatamente como as inferências no campo da lógica dedutiva. Com relação à inferência, esta será explanada no tópico seguinte.

No caso em questão exposto pelos estudiosos, a tautologia está sendo empregada como sendo um vício de linguagem, que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa, assim como podemos observar em João Ribeiro, através da sua obra Cartas Devolvidas, a página 45, quando o autor assim se expressa:

A gramática usual é uma série de círculos viciosos, uma tautologia infinita”.

No entanto, no campo saperológico, a tautologia pode ser considerada como sendo uma proposição que tem por sujeito e predicado um mesmo conceito, ou uma mesma definição, que podem ser expressas ou não pelo mesmo termo, em virtude dos idiomas atualmente falados pelo mundo estarem com os seus estudos filológicos comprometidos, pois que não existem duas palavras iguais, assim como não existem duas coisas iguais no Universo, por isso este comprometimento filológico somente poderá ser sanado com a utilização do Esperanto como sendo o idioma mundial. É por isso que alguns estudiosos vêm afirmar o termo tautologia também no campo saperológico, como se fosse um erro lógico que consiste em aparentemente demonstrar uma tese repetida com palavras diferentes.

O método da indução, obviamente, deve ser tratado como sendo uma lógica da sabedoria pura, enquanto que o método da dedução deve ser tratado como sendo uma lógica da verdade pura, sendo por isso que esta estando coordenada com aquela se pode alcançar a razão. Assim, quando os estudiosos dizem que se houvesse um princípio puramente lógico de indução, todas as inferências indutivas teriam de ser tomadas como transformações lógicas ou tautológicas, temos, pois, a verdade como sendo este princípio anunciado por esses estudiosos, já que a sabedoria, representando os efeitos, teria como causa a verdade para todos esses seus efeitos.

No entanto, a sabedoria pura pouco ou quase nada consegue efeituar, pois que ela necessita da verdade para que possa demonstrar as causas dos seus efeitos. Mas como todos ignoram o que seja a verdade, todos confundem os fatos cotidianos da vida com a própria verdade, daí a razão da existência do termo truísmo, que é uma palavra derivada do inglês truism, de true, que significa verdade ou verdadeiro, em que através dele a verdade é banalizada por ser confundida com o cotidiano da vida imaginativa, considerada como se fosse trivial, por conseguinte, tão evidente que não é necessário ser enunciada, como podemos observar claramente em Mário de Alencar, através da sua obra Contos e Impressões, a página 179, quando ele diz assim:

É já um truísmo se dizer que a vida tem um ritmo próprio”.

Esses estudiosos afirmam também que no raciocínio dedutivo a informação da conclusão já está contida nas premissas, de modo que se todas as informações das premissas são verdadeiras, a informação da conclusão também deverá ser verdadeira. Mas que em um raciocínio indutivo a conclusão contém algumas informações que não estão contidas nas premissas, ficando em aberto a possibilidade de que “essa informação a mais” cause a falsidade da conclusão, apesar das premissas serem verdadeiras.

Em termos gerais, tudo isso se encontra absolutamente correto, faltando apenas as devidas explicações para os fatos, o que somente se consegue através da repetição, daí a grande importância que ela assume no contexto de toda e qualquer explanação, ou mesmo nos demais textos que expressem alguma realidade, pois sempre alguns assuntos têm que ser repetidos para que outros possam ser compreendidos, de onde se origina toda a pujança da sua força, fonte da fixação da realidade nos corpos mentais dos seres humanos.

Ora, já é sabido que os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são absolutos, ontológicos, imutáveis, incriáveis, e que o Espaço Superior é o seu repositório, por isso eles formam um todo, e por isso devem ser percebidos e captados pelo órgão mental denominado de criptoscópio. Assim, no método dedutivo se parte geralmente de dois ou mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade para se deduzir um ou mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade, pois que eles se associam indissoluvelmente, em que nesta associação deve ser composto o seu todo, daí a razão pela qual sendo as premissas verdadeiras a conclusão também deverá ser verdadeira, desde que o raciocínio seja lógico.

É também sabido que as experiências físicas acerca da sabedoria são relativas, empíricas, mutáveis, criáveis, e que o Tempo Futuro é o seu local de criação, por isso elas não formam um todo, uma vez que a Sabedoria Total somente se encontra em Deus, na Sua Perfeição, justamente por isso os espíritos a vão adquirindo aos poucos, tendo por escopo a verdade, que é a sua fonte, sendo por isso que a meta é abandonar o âmbito da imperfeição e adentrar no âmbito da perfeição, em retorno para o Criador, já que Dele somos provenientes.

Assim, no método da indução se parte geralmente de duas ou mais experiências físicas acerca da sabedoria para se induzir uma ou mais experiências físicas acerca da sabedoria, pois que elas não se associam umas com as outras para compor um todo, já que elas vão se aperfeiçoando cada vez mais na proporção em que o sábio vai alcançando os pontos mais distantes do Tempo Futuro, daí a razão pela qual no método indutivo a conclusão contém alguma informação que não está contida nas premissas, ficando em aberto a possibilidade de que “essa informação a mais” cause a falsidade da conclusão, apesar das premissas serem verdadeiras. Mas isto somente pode ocorrer se o sábio lançar mão de duas premissas criadas em determinados pontos do Tempo Futuro e se situar em um ponto inferior para chegar a uma conclusão, o que é muito raro, pois sempre o sábio se esforça, sobremaneira, por se tornar cada vez mais perfeito, tendo o discernimento lógico para induzir um grau de perfeição de outros menos perfeitos, pois não pode ter sido à toa que um espírito evoluído conseguiu alcançar a condição de sábio.

Já no viver cotidiano, as experiências são restritas aos universos pessoais dos seres humanos, pelo fato da nossa humanidade ainda se encontrar na fase da imaginação, que sendo geralmente repletos de atributos individuais inferiores e relacionais negativos, estes dão os comandos para que todos eles legislem sempre em favor das suas causas próprias, cujos efeitos nas ações revelam para este mundo o estado de miséria em que atualmente nos encontramos, preponderando sempre a vilania, o egoísmo, a avareza, a cobiça, a insinceridade, a desonestidade, a corrupção, a falta de solidariedade, a inveja, o medo, e tudo o mais que corrompe e degenera o caráter dos homens, em que desta falta de caráter provém todos os tipos de crimes, estigmatizando toda a nossa humanidade como sendo mais afeita ao mal do que ao bem, quando isto não é um fato.

Daí a razão dos faltosos ignorantes também estarem sendo marcados com ferrete, a minha pena inflamante, sempre inspirada no Direito, já que vim para este mundo com a missão de explanar o Racionalismo Cristão, unindo, irmanando, congregando, a verdade e a sabedoria, e com elas alcançando a razão, para acabar de vez com a ignorância, a causa de tudo isso. Mas, felizmente, para o nosso bem, já existem muitos homens de valor, de caráter, bem mais afeitos ao bem, por serem probos e impolutos, os quais se encontram à espera de estudos desta natureza para poderem se firmar em suas convicções espiritualistas, para que depois possam agir em nome de todos os homens de bem.

Assim como indaguei na explanação do método da dedução, torno a indagar agora na explanação do método da indução: por que é que os seres humanos que formam a nossa humanidade vivem em constantes conflitos, sempre em desentendimentos, sempre em desavenças, em guerras, em crimes, praticando crueldades com os seus próprios semelhantes, e tudo o mais que desgraça e embaraça a vida individualmente entre eles e coletivamente entre as comunidades e as nações que habitam o mundo? Tudo isso pode ser resumido em apenas três tópicos: ignorância, imaginação e falta de raciocínio.

A ignorância, considerada por Jesus, o Cristo, como sendo o grande mal da nossa humanidade, está sendo agora devidamente abolida da face da Terra, por intermédio do Racionalismo Cristão, que teve o seu início como doutrina, apresentando as cores da verdade, e agora está tendo o seu final — no que se refere ao final dos tempos da ignorância — como método, sistema e finalidade, apresentando as cores da sabedoria, que unida, irmanada, congregada, com a verdade, fazem resplandecer a luz da razão, que as coordena.

A imaginação põe todos os seres humanos fora do âmbito da realidade, pois que a razão não pode ser imaginada, mas apenas concebida. Assim, quando eles se deparam com as coisas, os fatos e os fenômenos da vida, passam de logo a imaginar que isso é assim, assim e assim outro, surgindo daí os preconceitos acerca de tudo, uma vez que os conceitos somente podem ser estabelecidos através das formulações das ideias, e estas se ligam diretamente à concepção, e jamais à imaginação.

E a falta de raciocínio é decorrente da própria ignorância, pois os seres humanos necessitam de subsídios verdadeiros, de matéria-prima retirada da própria realidade da vida, com base na natureza, para que então possam reunir os elementos necessários para dar suporte aos seus raciocínios. Sendo supridos desses elementos, os seres humanos poderão induzir raciocinando, ou seja, poderão adotar métodos de indução com base nos seus raciocínios mais esclarecidos, portanto, mais afeitos à lógica, que é arte de raciocinar com acerto, já que estarão cientes das experiências físicas acerca da sabedoria, que são os efeitos, e que lhes darão as ações universais, podendo, pois, induzir a tudo de maneira racional, que é justamente experimentar raciocinando, tirar uma experiência de outra por conclusão acertada, concluir com acerto, afirmar como consequência racionalmente lógica, em resumo: efeituar tendo por base as experiências físicas acerca da sabedoria, tendo como fontes os conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

A verdade tem as suas próprias cores. A sabedoria tem também as suas próprias cores.  A verdade está contida no espaço, mais propriamente no Espaço Superior. A sabedoria está contida no tempo, mais propriamente no Tempo Futuro. O espaço e o tempo formam o Universo, com as estrelas fornecendo as suas coordenadas, com cada uma das estrelas tendo o seu próprio padrão de cor, sendo por isso que a verdade e a sabedoria têm os seus próprios padrões de cores. Mas a razão não tem cor, pois que ela coordena a verdade e a sabedoria, por isso penetra em todas as coordenadas universais, sendo, pois, luz astral puríssima a iluminar os caminhos dos espíritos universais, em seus deslocamentos pelas coordenadas do Universo, estando eles em seus Mundos de Luz, ou mesmo estando encarnados neste mundo-escola, em que nesta última condição transcendem a este mundo. E tudo isso ora em diante se encontra à disposição de toda a nossa humanidade.

O que os seres humanos pretendem agora inferir da vida?

 

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