04.01- Os falsos Messias

A Cristologia
12 de outubro de 2018 Pamam

Como o ambiente terreno ficou saturado dos sentimentos e pensamentos produzidos pela humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo, o que se explica pela descida dos fluidos largados em nossa direção pelo mundo-escola em que ela habita, sendo essa humanidade a única responsável pela evolução desse mundo-escola, além de tudo o mais que foi explanado anteriormente, as consequências se retratam nas mais fantasiosas e mirabolantes interpretações a esse respeito, que devem ser compreendidas e devidamente explanadas para o esclarecimento da nossa humanidade, que por sua vez é a única responsável pela evolução deste nosso mundo-escola, até torná-lo um Mundo de Luz.

O nosso ambiente terreno, então, ficou propício para as ações dos espíritos obsessores quedados na atmosfera terrena, que fazem parte integrante do astral inferior. Nessas suas ações nefastas, eles passaram a obsedar aqueles seres humanos que eram mais vaidosos e místicos em relação à vinda do Messias, com eles sendo geralmente médiuns videntes, ouvintes e ou de incorporação, já que todos nós somos médiuns intuitivos. Daí, foi apenas um curto passo para que esses seres humanos obsedados declarassem aos quatro cantos do mundo que eram o próprio Messias, e como a mentalidade humana era muito atrasada na época, não a deixando ainda de ser atualmente, apesar de um pouco mais evoluída, eles conseguiram arrebanhar muitos seguidores que acreditavam piamente em suas baboseiras e lorotas, uma vez que não davam o mínimo trato ao raciocínio e não conseguiam raciocinar com base na lógica. É justamente por isso que houve tanta repercussão no surgimento desses falsos Messias.

Assim, no conceito do judaísmo, o Messias, transladado do hebraico como Mashiach, o Consagrado, cuja forma asquenaze, relativa aos judeus naturais da Europa central ou do leste, de fala iídiche, e dos seus descendentes asquenazitas, é Moshiach, e a forma aramaica é Meshichalmes Hiacha, refere-se principalmente à profecia da vinda de um ser humano descendente do rei David, que irá reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo desta forma a paz ao mundo, como se a volta ao passado mais distante e um reino mais atrasado de uma única nação fosse o suficiente para promover a paz mundial, sem que todas as nações estivessem engajadas com o mesmo propósito, e também sem a mínima noção de que a paz mundial é apenas o ponto de partida para a formação de um Estado Mundial, o qual é idealizado previamente pelo Antecristo, com a firmação da amizade espiritual, fazendo emergir a solidariedade fraternal, e o estabelecimento dos seus ideais no seio da nossa humanidade, para que assim todos os seres humanos estejam devidamente espiritualizados, cujo ambiente é propício para as ações do Cristo, a cuja condição ele ascenderá ao se deslocar para a humanidade que nos segue na esteira evolutiva do Universo, em que essas ações serão desencadeadas quando do seu retorno dessa humanidade.

Aqueles que se denominam de cristãos, cuja denominação obviamente é equivocada, com algumas raras exceções, consideram que Jesus, o Cristo, é o nosso Messias, no que estão absolutamente corretos, com a grande diferença de que ele não é o Cristo da nossa humanidade, mas sim da outra humanidade que seguimos na esteira evolutiva do Universo, uma vez que o nosso Cristo tem que surgir da nossa própria humanidade, e não de outra, de acordo com as determinações do Instituidor, que é Deus. Em complemento, quase que também considerando que o Cristo é uma instituição que provém diretamente do Instituidor, passam ainda a considerar que Jesus, o Cristo, é o filho único de Deus, o seu filho unigênito, enviado do céu para nos salvar, simplesmente sendo crucificado, ignorando completamente que todos os seres humanos são filhos de Deus, inclusive os seres infra-humanos, criando como consequência a Trindade, doutrina que foi confirmada terminologicamente, a título dogmático, no Concílio de Niceia, em 325, em que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três pessoas distintas em uma só: Deus. Mas o certo é que Jesus, o Cristo, coloca-se como o filho de Deus, em virtude de haver reunido as condições evolutivas necessárias para contemplá-lo em si mesmo, na condição de filho, pois que possui as mesmas substâncias do Pai, o que os outros filhos ainda não conseguem contemplar, em razão dos seus estágios evolutivos ainda não serem desenvolvidos o suficiente para tanto.

No Antigo Testamento, a palavra Messias aparece especificamente apenas duas vezes em todo o seu teor. Em Daniel 9:25-26, que diz o seguinte:

E deves saber e ter a perspicácia de que desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder, haverá sete semanas, também sessenta e duas semanas. Ela tornará a ser e será realmente reconstruída, com praça pública e fosso, mas no aperto dos tempos.

E depois das sessenta e duas semanas o Messias será decepado, sem ter nada para si mesmo. E a cidade e o lugar santo serão arruinados pelo povo de um líder que há de vir. E o fim disso será pela inundação. E até o fim haverá guerra; o que foi determinado são desolações”.

Isso foi dito a Daniel pelo anjo Gabriel. Ora, já é sabido por todos aqueles que realmente raciocinam, que os anjos são espíritos obsessores quedados no astral inferior, sendo, portanto, anjos negros, que pertencem às falanges de Jeová, o deus bíblico, ou então às falanges de Alá, o deus alcorânico, que são reverenciados pelos seres humanos mais atrasados. Esses dizeres bíblicos, além de estúpidos, são totalmente equivocados, uma vez que são provenientes de um espírito do astral inferior afeito à cultura bélica da época, que captando do ambiente que forma a atmosfera da Terra os anseios pela espera do Messias, apareceu a Daniel e lhe disse todas essas bobagens, em virtude dele ser um médium vidente e ouvinte e afim aos sentimentos e pensamentos desse espírito obsessor. Além do mais, como é que os bíblicos acreditam em tais bobagens se o próprio Messias, que eles também acreditam, é o grande responsável pela nossa redenção, por conseguinte, pela espiritualização da nossa humanidade?

No Novo Testamento, a palavra Messias está registrada também apenas duas vezes. Primeiro, em João 1:41, que diz o seguinte:

Este, primeiro, achou seu próprio irmão, Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias”.

Isto quando André contou ao seu irmão Pedro que acabara de encontrar o Messias.

E, segundo, em João 4:25, que diz o seguinte:

A mulher disse-lhe: eu sei que vem o Messias, que é chamado Cristo. Quando este chegar, ele nos declarará abertamente todas as coisas”.

Neste trecho, quando uma mulher samaritana comenta com Jesus que sabia que o Messias, o qual se chamava o Cristo, estava vindo, e que quando viesse, anunciaria-nos tudo, ao que Jesus prontamente lhe respondeu:

— Eu o sou, eu que falo contigo.

Assim, o Novo Testamento contradiz totalmente o Antigo Testamento, mas confirma a vinda de Jesus, o Cristo, como sendo o nosso Messias.

Além do mais, o significado bíblico da palavra Messias no Antigo Testamento se aplicava a várias pessoas, pois a palavra ungido se referia aos reis de Israel, aos juízes e ao sumo sacerdote, tidos como próximos ao termo Messias, aqueles a quem o espírito do seu deus se apoderava — constata-se aqui a mediunidade de incorporação —, fazendo com que o eleito realizasse maravilhas, demonstrando ao povo que a sua autoridade sobre a nação de Israel procedia do seu deus. Os próprios patriarcas eram também considerados ungidos, no sentido mais amplo da palavra. Mas até ao último século a.C., a palavra Messias era aplicada apenas às profecias que se referiam à vinda do libertador de Israel, e não ao redentor da nossa humanidade. Como se pode constatar, quase tudo na Bíblia ou é mentira ou é equivocado.

Houveram outros judeus que se autoproclamaram ou foram tidos como Messias, tal como o relato do Rabi Matityahuh Ben Abraham acerca do Messias no primeiro século.

Outrossim, pensava-se que Flávio Josephus, o homem que Roma mandou para averiguar sobre o Cristo, tivesse declarado que Jesus, o Cristo, era de fato o verdadeiro Messias. Não existem versões originais dos escritos de Flávio Josephus. No entanto, as comparações de várias traduções levaram os analistas dos textos a concluir que esta declaração, bem como outras, foram na verdade alterações inseridas ao texto séculos depois dos fatos, não tendo sido escritas realmente por Flávio Josephus. Mas também dos seus textos há o relato de que no primeiro século antes da destruição do Templo, alguns falsos Messias haviam surgido, prometendo o alívio da opressão humana, tendo encontrado seguidores. Ele relatou o seguinte:

Outro corpo de homens malvados também se levantou, mais limpos nas suas mãos, mas mais malvados nas suas intenções, que destruíram a paz da cidade, não menos do que o fizeram estes assassinos, os Sicarii. Porque eles eram impostores e enganadores do povo, e, sob a pretensa iluminação divina, eram pela inovação e por mudanças, e conseguiram convencer a multidão a agir como loucos, e caminharam em frente deles pelo descampado, afirmando que Deus lhes iria mostrar sinais de liberdade”.

Outro falso Messias, segundo o relato de Flávio Josephus, prometeu ao povo a libertação das suas misérias se todos o seguissem até ao descampado, tendo esse líder e os seus seguidores sido desencarnados pelas tropas de Festus, o procurador romano. Ele também relata que mesmo quando Jerusalém estava sendo destruída pelos romanos, um profeta subornado pelos defensores da cidade para evitar as pessoas de desertarem, anunciou que Deus os comandavam para virem ao Templo, onde receberiam sinais milagrosos da sua libertação, tendo todos ido ao encontro da desencarnação nas chamas.

Por volta do ano 44, apareceu um homem chamado de Teudas, que clamava ser um profeta, encorajando as pessoas a segui-lo, trazendo os seus haveres até ao rio Jordão, que dividiria com os seguidores. De acordo com Atos 5:36, que parece se referir a uma data diferente, conseguiu convencer 400 pessoas, quando a passagem diz o seguinte:

Por exemplo, antes destes dias, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém, e certo número de homens, cerca de quatrocentos, juntaram-se ao seu partido. Mas ele foi eliminado, e todos os que lhe obedeciam foram dispersos e redundaram em nada”.

Cuspius Fadus enviou alguns homens a cavalo em sua perseguição e do seu bando. Muitos deles foram desencarnados e outros tomados como cativos, juntamente com o seu líder, que foi decapitado.

Outro homem citado pelo judeu Gamaliel é chamado de Judas, o Galileu, que se encontra em Atos 5:37, que diz o seguinte:

Depois dele levantou-se Judas, o Galileu, nos dias de registro, e arrastou muitos após si. Contudo esse homem pereceu, e todos os que lhe obedeciam foram espalhados”.

Houve também um messias egípcio, que supostamente teria conseguido agregar 30.000 seguidores, prometendo que sob o seu comando as muralhas de Jerusalém iriam ser desmoranadas. Quanta gente ignorante!

Diferentemente dos falsos Messias que esperavam conseguir a libertação do seu povo através da intervenção divina, Menahem ben Judah, o filho de Judas da Galileia, e neto de Hezequiel, o líder dos zelotes, os quais tinham irritado o rei Herodes, era um falso Messias guerreiro. Quando começou a guerra, ele atacou Masada com o seu grupo, armou os seus seguidores com as armas ali armazenadas e partiu para Jerusalém, onde capturou a fortaleza Antônia, derrotando as tropas de Agripa II. Encorajado por este sucesso, ele se comportou como rei e clamou a liderança de todas as tropas, provocando por isso a oposição de Eleazar, outro líder zelota, que alguns historiadores acreditam ser seu irmão, tendo sido assassinado como resultado de uma conspiração. Ele é a mesma pessoa mencionada como Menahem ben Hezekiah, no Talmude, e ali chamado de provisor de conforto que deverá aliviar.

O professor Israel Knohl afirma que os Pergaminhos do Mar Morto mostram que já tinha existido um falso Messias antes mesmo de Jesus, o Cristo, chamado de Menahem, o essênio, que desencarnou em circunstâncias semelhantes às do nosso Redentor, o qual teve conhecimento desta história, sabendo-se que os essênios formavam um povo em cujo meio Jesus, o Cristo, viveu por um bom tempo.

No ano 70, com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém, a aparição dos falsos Messias parou por algum tempo. Sessenta anos mais tarde, surgiu um movimento político-messiânico de grandes proporções, tendo Shimeon Bar Kochba como líder. Este líder da revolta contra Roma foi saudado como sendo o rei-messias pelo Rabi Aquiva, que se referiu a ele da seguinte maneira:

Uma quarta estrela de Jacob virá e o cetro irá se erguer fora de Israel, e irá golpear pelos cantos do reino de Moab”.

E em Haggai ii. 21-22 da seguinte maneira:

Eu irei sacudir os céus e a terra e destronar reinados...”.

É certo que mesmo na época muitos duvidaram que Shimeon Bar Kochba fosse o Messias, mas parece que ele conseguiu o apoio generalizado da nação. Após causar uma guerra que pôs frente ao poder de Roma, no período de 133 a 135, ele foi desencarnado perto das muralhas de Bethar, com o seu movimento messiânico acabando em derrota e na miséria dos sobreviventes, sendo esmagada pelo imperador romano Adriano. Centenas de milhares de judeus foram massacrados, com os sobreviventes se dispersando pela Diáspora ou sendo feitos escravos. O imperador Adriano decretou a expulsão de todos os judeus de Jerusalém, autorizando os seus retornos apenas por uma dia ao ano, em Tisha Be’av, para demonstrar luto pela destruição do Templo. Após essa tremenda derrota dos judeus, a cidade de Jerusalém seria reconstruída pelos próprios romanos, tendo o imperador Adriano ordenado a mudança do nome de Jerusalém para Élia Capitolina, e o nome da província da Judeia para Síria Palestina, para evitar qualquer associação judaica e com a terra de Israel. O ocorrido marcou também uma nova etapa do anticristianismo, pois, até então, os falsos cristãos eram sobretudo judeus, e a partir de então foram obrigados a se dispersarem para outras zonas. Se até então a cultura dos líderes “cristãos” tinha uma perspectiva judaica, depois do ano 135 a maioria dos “cristãos” seria formada por gentios, não judeus, e adquiriram uma perspectiva diferente, de pessoas que viviam na Grécia ou que eram romanos, e que mais facilmente adotariam posições antijudaicas.

A derrota da revolta de Shimeon Bar Kochba foi tão desastrosa, que afetou negativamente o surgimento dos falsos Messias nos séculos seguintes. No entanto, o ambiente terreno ainda se encontrava influenciado pelo acontecimento, por essa razão a esperança permaneceu, principalmente porque de acordo com um cálculo baseado no Talmude, o Messias seria esperado em 440. Esta expectativa, em conjunto com os distúrbios no Império Romano, em face das invasões, proporcionaram o surgimento de outro falso Messias, que apareceu em Creta, o qual angariou o apoio da população judaica para o seu movimento. Esse falso Messias se autodenominou de Moisés e prometeu liderar o seu povo, tal como o antigo Moisés do Velho Testamento, levando-o de volta à Palestina, atravessando o mar. Os seus seguidores, convencidos por ele, deixaram as suas possessões e esperaram pelo dia prometido. Chegado esse dia, sob o seu comando muitos se lançaram ao mar, com alguns perecendo afogados, enquanto outros puderam ser salvos. Mas esse Moisés, vivaldino e sagaz como são quase todos os sacerdotes que teimam em liderar aos incautos rumo ao sobrenaturalismo, desapareceu misteriosamente sem deixar qualquer rastro ou vestígio.

Daí por diante, os falsos messias que se seguiram surgiram todos do Oriente e eram por vezes reformadores credulários cujos trabalhos influenciariam o Caraísmo, a seita dos caraítas, que eram os judeus que, respeitando somente os antigos livros canônicos, rejeitavam o Talmude.

No final do século VII, surgiu na Pérsia um indivíduo chamado de Ishak ben Ya’kub Obadiah abu ‘Isa al-Isfahani de Ispahan, que viveu no reino do Califa Omíada Abd al-Malik ibn Marwan, no período de 684 a 705. Esse indivíduo afirmou ser o último dos cinco precursores do Messias e ter sido nomeado por Deus para libertar Israel. Mesmo assim, para alguns ele era o próprio Messias. Tendo reunido um número considerável de seguidores, ele se revoltou contra o califa, mas foi derrotado e desencarnado em Rai. Os seus seguidores disseram que ele fôra inspirado por Deus e mostraram como prova o fato de ter escrito livros, apesar de ser analfabeto, o que comprova a sua mediunidade de incorporação e de psicografia. Esse falso Messias foi o responsável pela fundação da primeira seita a ter surgido do judaísmo, após a destruição do Templo.

O seu discípulo Yudghan, chamado de Al-Ra’i, que significa o pastor do rebanho do seu povo, que viveu na metade do século VIII, declarou ser um profeta e foi visto pelos seus arrebanhados como sendo um Messias. Ele era de Hamadã e ensinava uma doutrina que afirmava ter recebido o dom através de uma profecia. De acordo com Shahristani, ele se opôs à crença do antropomorfismo, ensinando a doutrina da vontade livre e sustentando que a Torá tinha um sentido alegórico em adição ao sentido literal. Ele preconizava que os seus seguidores levassem uma vida ascética, abstivessem-se de carne e de vinho, e que rezassem e jejuassem frequentemente, seguindo nisto o seu mestre Abu ‘Isa. Afirmava que a observância do Shabat e de festividades eram meramente uma questão de memorial. Após a sua desencarnação, os seus seguidores formaram uma seita, os iudghanitas, com todos acreditando que o seu Messias não teria morrido, mas sim que iria regressar.

Entre 720 e 723, um sírio chamado de Serene, cujo nome aparece em várias fontes como Shereni, Sheria, Serenus, Zonoria e Saüra, apareceu como sendo um falso Messias. O fato relevante para a sua aparição foi a restrição das liberdades dos judeus pelo Califa Omar II, no período de 717 a 720, e os seus esforços de proselitismo. Esse falso Messias prometia a expulsão dos muçulmanos e a restauração dos judeus na Terra Santa. Tal como Abu ‘Isa, Serene foi também um reformador credulário, sendo também hostil ao judaísmo rabínico. Os seus seguidores não observavam as leis da alimentação, as preces instituídas pelos rabinos e a proibição contra o “vinho da libação”. Eles trabalhavam no segundo dia das festividades, não escreviam documentos para registrar os casamentos e os divórcios, tal como as prescrições do Talmude, e não aceitavam as proibições deste livro quanto ao casamento com parentes próximos. Serene foi preso. Levaram-no perante o Califa Yazid, a quem declarou ter agido apenas por brincadeira, querendo fazer piada, pelo que foi entregue aos judeus para castigo. Em virtude disso, os seus seguidores foram recebidos de volta ao grupo credulário original, após terem renunciado à heresia.

Sob a influência das Cruzadas realizadas pela Igreja Católica Apostólica Romana, que teve o seu início sob a influência perniciosa do papa Urbano II, o número dos falsos Messias aumentou consideravelmente, sendo que o século XII conheceu vários deles. Um apareceu na França, em 1087, sendo desencarnado pelos franceses. Outro apareceu na província de Córdova, em 1117. E outro ainda em Fez, em 1127. Desses três falsos Messias nada se conhece, apenas as menções de Maimônides.

O próximo movimento messiânico importante apareceu outra vez na Pérsia. David Alroy ou Alrui, nascido no Curdistão, por volta do ano 1160, declarou-se como sendo o Messias. Demonstrando muita sagacidade, tirou partido da sua popularidade pessoal, das fraquezas do califado e do descontentamento dos judeus, a quem foram impostas pesadas taxas, montando um forte esquema político, afirmando ter sido enviado por Deus para libertar os judeus da opressão dos muçulmanos e liderá-los de volta para Jerusalém. Com estes objetivos propagados, intimou aos guerreiros judeus do distrito vizinho do Adherbaijan e aos seus correligionários em Mosul e Bagdá, para virem apoiar a captura de Amadia. A partir daí, a sua vida de falso Messias se encontra cercada de lendas. No entanto, o seu movimento fracassou e se diz que teria sido assassinado pelo seu próprio sogro enquanto dormia. Após essa revolta, foi imposta aos judeus uma pesada taxa. Mas mesmo assim, após a sua desencarnação, David Alroy teve muitos seguidores em Khof, Salmas, Tauris e Maragha, com eles formando uma seita denominada de menahemista, com origem no nome messiânico Menahem, assumido pelo seu fundador.

Em 1172, pouco tempo depois de David Alroy, apareceu no Iêmen mais um ser humano anunciando ser o Messias, em uma época que os muçulmanos estavam tentando a todo o custo converter os judeus que ali viviam. Ele declarou que as desgraças desse tempo eram um prognóstico da vinda do reino messiânico, ao mesmo tempo que ordenava aos judeus que dividissem as suas propriedades com os pobres. Esse falso Messias foi tematizado pelo Iggeret Teman, de Maimônides. Ele continuou a sua atividade por mais um ano, tendo depois sido preso pelas autoridades muçulmanas e decapitado, após a sua própria sugestão, de forma a poder provar a verdade da sua missão ao retornar à vida. Por aqui se pode ver como as ações do astral inferior são nefastas e capazes de convencer àqueles que se deixam obsedar.

Em 1240, encarnou em Saragoça, na Espanha, e desencarnou em Comino, em Malta, um ser humano chamado de Abraão ben Samuel Abulafia, mais um falso Messias, cujas atividades são profundamente influenciadas pelas especulações cabalistas. Como resultado dos seus estudos místicos começa a acreditar que era um profeta, como consequência, em uma obra publicada em Urbino, no ano 1279, ele declarou que Deus lhe tinha falado, demonstrando assim que era um médium ouvinte e possivelmente vidente, à disposição do astral inferior. Em Messina, na ilha da Sicília, onde foi bem recebido e conquistou adeptos, declarou ser o Messias e anunciou o ano de 1290 como sendo o início da era messiânica. Solomon ben Adret, a quem apelaram para julgar quanto às afirmações de Abraão ben Samuel Abulafia, decidiu condená-lo, ainda com algumas congregações se declarando contrárias a ele. Assim, perseguido na Sicília, foi para a ilha de Comino, próximo de Malta, em 1288, afirmando ainda nos seus escritos a sua missão messiânica. Sendo bastante influenciados pelo falsos Messias, também José Gikatilla e Samuel, ambos de Medinaceli, declararam mais tarde serem profetas e milagreiros, com este último profetizando em linguagem mística em Ayllon, na Segóvia, o advento do Messias.

Alguém que se julgava um profeta, não propriamente um falso Messias, foi Nissim ben Abraham, que foi muito ativo em Ávila. Os seus seguidores afirmavam que apesar de analfabeto, havia sido favorecido subitamente por um anjo, sabendo-se que os anjos são todos espíritos obsessores quedados no astral inferior, adquirindo o poder de escrever um livro místico intitulado de A Maravilha da Sabedoria. Novamente apelaram a Solomon ben Adret, que duvidou da sua pretensão profética e aconselhou uma investigação minuciosa. No entanto, o dito profeta continuou a sua atividade e fixou até ao último dia do quarto mês Tammuz, 1295, como a data da vinda do Messias. Os crentes se prepararam para o evento, jejuando e fazendo caridade, tendo todos se reunido no dia designado. Mas ao invés de encontrarem a esse falso Messias, viram apenas pequenas cruzes presas aos seus vestimentos, ao que parece colocadas por descrentes para ridicularizar o movimento. Bastante decepcionados, alguns dos seus seguidores se converteram ao falso cristianismo, na figura perniciosa do catolicismo. Não se sabe o que aconteceu depois ao dito profeta.

Um século depois, outro falso Messias surgiu no cenário deste nosso mundo-escola, cujo ambiente ainda é muito perturbado pelos sentimentos inferiores e pelos pensamentos negativos que os seres humanos produzem e vão para a sua atmosfera, tornando muito pesada a sua aura. Moses Botarel of Cisneros é esse outro pretendente a ser mais um falso Messias. Um dos seus seguidores foi Hasdai Crescas. A sua inclusão no rol dos falsos Messias é referida por Jerônimo de Santa Fé, por ocasião do seu discurso na disputação de Tortosa, em 1413.

Em 1502, surge mais um se dizendo profeta, não sendo propriamente um falso Messias, chamado de Asher Lemmlein, um alemão proclamando ser o anunciador do Messias, tendo aparecido em Ístria, perto de Veneza, tendo também nesse anúncio revelado que se os judeus fossem penitentes e praticassem a caridade, dentro de seis meses viria o Messias, e um pilar de nuvens e de fumo, vejam só, de fumo, iria preceder aos judeus nos seus regressos para Jerusalém. Ele teve seguidores na Itália e na Alemanha, mesmo entre os falsos cristãos. Em obediência às suas preces, as pessoas jejuaram, rezaram e deram esmolas para preparar a vinda do Messias, e o ano ficou sendo conhecido como sendo o ano da penitência. Mas para o desgosto de todos, o falso Messias teria desencarnado ou desaparecido de algum modo.

No rol dos falsos Messias há que se incluir David Reuveni, embora ele tenha negado expressamente ser um Messias ou mesmo um profeta, dizendo que era apenas um guerreiro. Ele afirmou ser o embaixador e o irmão do rei de Khaibar, uma cidade e antigo distrito da Arábia, onde os descendentes das tribos perdidas de Rubem e Gad supostamente viviam. A confusão messiânica em relação à sua conduta começa com o seu pedido ao papa e a potências europeias que lhe fornecessem canhões e armas de fogo para a guerra contra os muçulmanos, afirmando que eles impediam a união dos judeus que viviam nos dois lados do Mar Vermelho. Em 1524, foi bem recebido pelo papa. Em 1525, foi recebido em audiência nas cortes portuguesas a convite do rei D. João III, onde a promessa de ajuda e a pausa temporária na perseguição aos marranos — expressão que se refere aos judeus convertidos ao “cristianismo” à força, mas que continuavam a praticar clandestinamente os seus costumes judaicos —, fez crer aos judeus portugueses e espanhóis que ele era um precursor do Messias. Selaya, inquiridor de Badajoz, referindo-se a David Reuveni, queixou-se ao rei de Portugal que um judeu vindo do Oriente tinha suscitado aos marranos espanhóis a esperança de que o Messias chegaria e iria liderar Israel de todas as suas terras de volta à Palestina, e que nesse sentido tinha encorajado atos públicos. Então um ambiente de expectativa se formou durante a estadia de David Reuveni em Portugal. Influenciada pelo ambiente formado, uma mulher marrana da região de Herara, em Puebla de Alcocer, declarou ser uma profetiza que tinha visões, eis aqui um verdadeiro exemplo de uma médium, prometendo liderar os seus seguidores para a Terra Santa. Foi queimada viva, juntamente com aqueles que nela acreditavam.

Isaac ben Solomon Ashkenazi foi um seguidor judeu da Cabala, um misticismo esotérico, que reivindicou ser o Messias. Mais tarde, o seu discípulo Hayyim Vital Calabrese foi tido como sendo o próprio Messias por alguns judeus da Palestina. Ambos afirmaram ser o Messias Efraítico, anunciadores do Messias Davídico. Isaac ben Solomon Ashkenazi, que encarnou no ano 1534, em Jerusalém, e desencarnou no ano 1572, em Safed, Israel, ensinava na sua doutrina mística a transmigração e a superfetação das almas, acreditando ele próprio possuir a alma do Messias da casa de José, e ter como missão apressar a vinda do Messias da linha de David, através do melhoramento místico das almas. Tendo desenvolvido a sua doutrina mística no Egito, mas sem conseguir ali muitos seguidores, mudou-se para Safed, por volta do ano 1569, onde lá conheceu Hayyim Vital Calabrese, a quem revelou os seus segredos e através de quem assegurou muitos seguidores, ensinando secretamente o seu messianismo. Ele acreditava que a era messiânica iria ter início no princípio da segunda metade do segundo dia do ano 1000, após a destruição do templo de Jerusalém, ou seja, em 1568. Com a sua desencarnação, Hayyim Vital Calabrese reivindicou ser o Messias Efraíta e pregou o breve advento da era messiânica. Em 1574, Abraão Shalom, um pretendente a Messias Davídico, comunicou a Hayyim Vital Calabrese que ele, Abraão Shalom, era o Messias Davídico, enquanto que Hayyim Vital Calabrese era o Messias da casa de José, solicitando a que este fosse a Jerusalém e que ali ficasse pelo menos por dois anos, com o que o espírito divino iria lhe chegar, e não receasse a morte, que era o destino do Messias Efraíta, pois que ele iria tentar salvá-lo dessa perdição.

O movimento messiânico mais considerável de todos, cuja influência atingiu todo o mundo judaico, tendo perdurado em vários locais por mais de um século, foi o movimento de Sabbatai Zevi, encarnado em 1626 e desencarnado em 1676. Sendo profundamente obsedado pelo astral inferior, ele sofria de crises de tristeza, seguidas de períodos de grande alegria e atividades constantes, que os psiquiatras ignorantes acerca da vida espiritual, por isso inoperantes e às cegas no exercício da profissão que exercem, diagnosticariam que ele seria um doente bipolar, ou um maníaco depressivo. Quanta incompetência profissional! Certo dia, Sabbatai Zevi foi ao encontro de Nathan de Gaza, uma espécie de adivinho e curandeiro, na esperança de encontrar a solução para os seus males. Nathan de Gaza o reconhece como sendo o Messias e lhe incute na mente tal ideia, sendo o grande responsável pela elaboração da teologia desse movimento messiânico, uma vez que Sabbatai Zevi nada escreveu e não apresentou nenhuma mensagem considerada como sendo original. Em setembro de 1665, na cidade de Esmirna, diante de uma multidão em delírio, Sabbatai Zevi se declara ser o Messias de Israel. Seis meses depois, dirige-se para Constantinopla com o objetivo de converter os muçulmanos. Em fevereiro de 1666 é preso por ordem de Mustafá Paxá, que lhe apresentou duas alternativas para ele decidir por uma delas: a conversão ao islamismo, ou então a pena de morte. Para escapar da alternativa da pena de morte, o falso Messias renunciou ao judaísmo e se converteu ao credo muçulmano. Nathan de Gaza e os outros seguidores interpretaram a sua apostasia como a prova de que ele era realmente o Messias, pois em muitos casos os atos da redenção são aqueles que causam os maiores escândalos.

Após a desencarnação de Sabbatai Zevi, seguiu-se uma linha de Messias putativos, mas sem que os mesmos deixassem de ser falsos Messias. Jacob Querido, filho de Joseph Filosof e irmão da quarta mulher de Sabbatai Zevi, tornou-se o líder dos shabbethanos em Salônica, sendo considerado como a encarnação de Sabbatai Zevi, mas afirmando ser filho deste, por isso adotou o nome de Jacob Tzvi. Por volta do ano 1687, converteu-se ao islamismo, juntamente com quatrocentos seguidores, fundando uma seita denominada de donmeh. Em 1690, ele mesmo chegou a peregrinar a Meca. Após a sua desencarnação, o seu filho Berechiah ou Berokia lhe sucedeu nessa sua “missão”.

Vários seguidores de Sabbatai Zevi se declararam eles próprios Messias. Miguel Abraham Cardoso, encarnado em 1630 e desencarnado em 1706, nascido de pais marranos, foi iniciado no movimento shabbethaniano por Moisés Pinheiro, em Livorno. Ele se tornou um profeta do falso Messias, e quando o último se converteu ao islamismo, ele o chamou de traidor, dizendo que é necessário que o Messias se encontre entre os pecadores de forma a expiar a idolatria de Israel. Aplicando a passagem de Isaías 53 a Sabbatai Zevi, enviou epístolas que provariam que ele era o Messias, chegando mesmo a sofrer perseguição por defender a sua causa inútil. Mais tarde, considerou-se um Messias Efraíta, argumentando com alegadas marcas em seu corpo que o provariam. Pregou e escreveu sobre a vinda em breve do Messias, marcando datas diferentes, até que acabou por desencarnar.

Outro seguidor de Sabbatai Zevi que lhe permaneceu fiel foi Mordecai Mokia, ou Mordekay Mokiah, o Admoestador, de Eisenstadt, o qual também pretendeu ser o Messias. O seu período de atividade foi de 1678 a 1683. Defendeu inicialmente que Sabbatai Zevi era o verdadeiro Messias e que a sua conversão tinha sido necessária por motivos místicos. Pregava que este não morrera, mas que se iria revelar dentro de três anos após a sua suposta morte, e apontou para as perseguições de judeus em Oran, na Espanha, na Áustria e na França, e a pestilência na Alemanha como presságios da sua vinda. Encontrou seguidores entre os judeus da Hungria, da Morávia e da Boêmia, o que fez com que ele desse um passo mais ousado, declarando ser o Messias Davídico, com Sabbatai Zevi passando a ser apenas o Messias Efraíta, pois como tinha sido rico, isto significava que este não poderia executar a redenção de Israel. Mas que ele, Mordecai Mokia, sendo pobre, era o Messias verdadeiro e, ao mesmo tempo, a encarnação da alma do Messias Efraíta. Judeus italianos, ouvindo falar sobre ele, convidaram-no para ir até a Itália. Em 1680 viajou para a Itália, tendo sido bem recebido em Reggio e em Modena, onde lá falou das pregações messiânicas que teria de fazer em Roma, dando a entender que talvez adotasse o falso cristianismo, mas apenas exteriormente. Denunciado pelos sacerdotes da Inquisição, ele regressou para a Boêmia, onde o astral inferior o dominou de vez, com ele ficando totalmente perturbado, tornando-se um demente. A partir desse tempo, uma seita começou ali a tomar forma, persistindo até à era mendelssoniana.

Outro pretendente a messias shabbethaniano foi Lobele Prossnitz, que ensinou que Deus tinha dado o domínio do mundo ao pio, quer dizer, àquele que entrara nas profundezas da Cabala, cuja representação de Deus tinha sido Sabbatai Zevi, e cuja alma tinha passado para outros homens pios, tais como Jonathan Eybeschutz e ele próprio.

E, por fim, o último pretendente dessa leva de falsos Messias surge na figura de Isaías Hasid, um cunhado do shabbethaniano Judah Hasid, que vivia em Mannheim, o qual afirmou secretamente ser o Messias ressuscitado, apesar de haver publicamente abjurado de quaisquer crenças shabbethanianas.

O penúltimo falso messias foi Jacob Frank, encarnado em 1726 e desencarnado em 1791, que foi o fundador dos franquistas, o qual também afirmou ser o Messias. Na sua juventude tinha tido contato com a seita donmeh. Ele pregava que era uma reencarnação do rei David, tendo por isso assegurado alguns seguidores entre os judeus da Turquia e de Valáquia, na atual Romênia. Em 1755, ele foi até Podólia, onde os shabbethanos necessitavam de um líder, revelando-se lá como sendo a reencarnação da alma de Berechiah e enfatizando a ideia do “rei sagrado” que seria ao mesmo tempo Messias, tendo se denominado apropriadamente aos seus objetivos de “santo senhor”. Os seus seguidores afirmam que ele realizou vários milagres, chegando a rezarem em seu nome, assim como os falsos cristãos afirmam a mesma coisa dos milagres de Jesus, o Cristo, e igualmente rezando em seu nome. Mas, na realidade, o seu objetivo e o da sua seita era o de arrancar pela raiz o judaísmo rabínico, por isso foi forçado a deixar Podólia e os seus seguidores foram perseguidos. Regressando em 1759, aconselhou aos seus seguidores a se converterem ao falso cristianismo, com cerca de mil deles realmente se convertendo, tornando-se polacos gentios com origens judaicas. No mesmo ano, ele próprio se converteu ao falso cristianismo, em Varsóvia. No entanto, a sua insinceridade foi mais tarde exposta a todos que habitavam o local, ensejando a que ele fosse aprisionado por heresia, mas permanecendo o líder da sua seita mesmo estando encarcerado.

O último dos falsos messias foi Menachem Mendel Schneerson. Entre a linha Chabad Lubavitch do judaísmo chassídico houve um crescente fervor messiânico nos finais da década de 1980 e princípios da década de 1990, devido à crença que o seu líder, Menachem Mendel Schneerson, estaria prestes a se revelar como o Messias. Em 1994, com o advento da sua desencarnação, o ânimo em relação a essa crença foi profundamente abalado, apesar de muitos dos seus seguidores ainda acreditarem que ele é o Messias e que irá regressar no devido tempo.

 

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