04.01- O método da dedução

Prolegômenos
30 de maio de 2018 Pamam

Todos os conhecimentos metafísicos acerca da verdade são captados do Espaço Superior, através da percepção oriunda do órgão mental denominado de criptoscópio, ou, então, obtidos por intermédio da intuição, com eles representando as causas racionais de tudo quanto existe no Universo. Sendo, pois, os representantes das causas racionais de tudo quanto existe no Universo, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade também representam o poder, mais propriamente o poder universal.

No entanto, embora muitos seres humanos espiritualmente já bastante evoluídos se refiram constantemente ao termo intuição, havendo inclusive uma saperologia denominada de intuicionismo, cujo expoente foi Bergson, que era um veritólogo e não um saperólogo, eles ignoram completamente a sua origem e o que a intuição representa para a nossa humanidade, em todos os sentidos, que englobam tanto o bem como o mal. Na realidade, a intuição representa um complemento da inteligência do ser humano, assim como também um tipo de mediunidade, que somente pode ser explanada no campo da Espiritologia, o que o farei em seus detalhes mais precisos quando tratar mais adiante da explanação acerca da inteligência.

Em sendo assim, eu posso afirmar com a devida racionalidade lógica universal que a dedução é um método por intermédio do qual os veritólogos e os religiosos adquirem a arte de deduzir, como se eles estivessem somando ou adicionando uma verdade a outra, mas que na realidade não estão, já que estão apenas se inspirando em um ou mais conhecimentos metafísicos acerca da verdade para que dele ou deles possam deduzir outro ou outros conhecimentos metafísicos acerca da verdade, uma vez que a verdade é una, absoluta, ontológica, imutável, representando assim um todo universal que se situa no Espaço Superior, em cada uma das coordenadas do Universo, sendo, portanto, incriável, por isso a dedução diz respeito diretamente a todos os espíritos, devendo todos considerá-la sob um único prisma, sem qualquer dispersão, portanto, de uma única maneira, o que implica em dizer que ela é comum a todos, com todos a percebendo de uma única maneira, sem qualquer diversidade ou entendimento contraditório.

Daí a razão pela qual os conhecimentos metafísicos acerca da verdade derivam, necessária e obrigatoriamente, uns dos outros, pois que por todo o Espaço Superior eles se associam uns aos outros em perfeita e completa harmonia, sem que haja qualquer divergência ou contradição em relação aos mesmos, desde que, além de serem percebidos e captados, eles sejam sempre deduzidos uns dos outros, em obediência a uma racionalidade lógica universal, por meio da concepção que traduz o âmbito da realidade universal.

Então foram os veritólogos os primeiros que se dispuseram a apreender a arte do método da dedução, pois que eles são os investigadores da verdade, os que tratam da verdade, apesar de ignorarem a própria natureza das suas inteligências, por isso ainda ignoram qual seja a finalidade a ser alcançada por intermédio da utilização deste método, que é específico para as suas próprias investigações, as quais dizem respeito diretamente aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

Os veritólogos se encontram ainda mesclados com os saperólogos, em virtude de tudo aquilo que transcende a este mundo ser sempre considerado por todos como se fosse Filosofia, cujo termo mais apropriado é Saperologia. E os religiosos estão ainda mesclados com os cientistas, em virtude de todo e qualquer conhecimento ou experiência ser considerado como se fosse ciência. O fato é que os veritólogos e os religiosos trabalham mais com os seus criptoscópios e menos com os seus intelectos, o que possibilita a que eles já possuam uma razoável noção do que seja a dedução, mas ainda não do que seja a intuição.

Descartes é um desses veritólogos. Embora ele venha a expor um raciocínio ainda um tanto quanto elementar, por ser silogístico, mas bem diferenciado dos demais raciocínios dos seres humanos em geral, como assim demonstra em sua obra Regras Para a Direção do Espírito, as páginas 33, 36, 37, 43, 49, 52, 55, 56, 63, 74, 78, 80, 81 e 82, quando assim vem nos transmitir o que entende por dedução e também se referindo diretamente à intuição, de modo ordenado, da maneira abaixo especificada:

Assim fazem ainda esses filósofos (leia-se veritólogos, digo eu) que desprezam as experiências e julgam que a verdade deve sair do seu próprio cérebro.

É preciso notar, em segundo lugar, que há apenas um restrito número de naturezas puras e simples que se podem ver por intuição primeiro e em si próprias, não em dependência de outras, mas nas próprias experiências ou graças a uma luz que nos é inata (não é luz, mas sim o órgão mental denominado de criptoscópio, digo eu). Dizemos que é preciso considerá-las cuidadosamente, pois são elas que em cada série chamamos as mais simples. Para todas as outras naturezas, não podem ser percebidas de outra forma senão as DEDUZINDO das primeiras (grifo e realce meus), e isso quer imediatamente, quer unicamente, por duas ou três ou várias conclusões diferentes, cujo número também deve ser notado, a fim de se reconhecer se mais ou menos graus as afastam da preposição que é a primeira e a mais simples.

… em terceiro lugar, que não se deve começar os estudos pela investigação aprofundada das coisas difíceis, mas que é necessário, antes de nos aprestarmos a enfrentar algumas questões determinadas, recolher espontaneamente sem a menor escolha AS VERDADES QUE SE NOS APRESENTAM, E VER EM SEGUIDA GRADUALMENTE SE DELAS SE PODEM DEDUZIR ALGUMAS OUTRAS, e assim em seguida (grifo e realce meus).

Mas se tirarmos uma só consequência de um grande número de coisas separadas, muitas vezes a capacidade do nosso entendimento não é suficiente para lhe permitir abarcá-las todas em uma só intuição… (é suficiente sim, por intermédio do raciocínio sinóptico, quando o ser humano alcança a razão, digo eu).

Se alguém se propuser como questão ao exame de todas as verdades para o conhecimento das quais a razão humana é suficiente — e me parece que isso deve ser feito uma vez na vida por todos que se esforçam seriamente por alcançar a sabedoria — achará com certeza, a partir das regras dadas, que nenhum conhecimento pode preceder o da inteligência, pois é dele que depende o conhecimento de todo o resto e não ao contrário.

E nada me parece mais inepto do que disputar audaciosamente sobre os segredos da natureza, a influência dos céus no nosso mundo interior, a predição do futuro e coisas semelhantes, como muitas pessoas fazem, sem nunca terem, no entanto, procurado saber SE ESTÁ NO PODER DA RAZÃO HUMANA fazer estas descobertas (grifo e realce meus).

Depois de termos exposto as duas operações da nossa inteligência, a intuição e a dedução, que são as únicas de que devemos nos servir para as ciências (leia-se Veritologia e religiões, digo eu).

Ora, é preciso notá-lo, os que são verdadeiramente sábios têm uma igual facilidade em discernir a verdade, quer a tirem de um assunto simples ou de um assunto obscuro.

A simples dedução de uma coisa a partir de uma outra se faz por intuição (mas primeiro através do raciocínio, digo eu).

… o conhecimento pode ser verdadeiro ou falso.

… tudo o que se demonstra referente à figura e aos números depende necessariamente do objeto de que o afirmamos. E não é apenas nas coisas sensíveis que se encontra esta necessidade, mas ainda em outros sítios, por exemplo: se Sócrates diz que duvida de tudo, segue-se necessariamente que compreende pelo menos que duvida; do mesmo modo, que sabe que pode haver qualquer coisa de verdadeiro ou de falso, etc., pois estas consequências estão necessariamente ligadas à natureza da dúvida.

… sou, portanto, Deus é; e do mesmo modo: compreendo, portanto, tenho uma inteligência distinta do corpo(grifo meu).

… sempre que, enfim, em consequência de uma lesão da imaginação (grifo meu), como acontece com os melancólicos, julgamos que as suas imagens desordenadas representam realidades (grifo meu). Mas nada haverá aí com que enganar a inteligência do sábio, PORQUE TUDO O QUE ELE RECEBER DA IMAGINAÇÃO SERÁ EVIDENTEMENTE POR ELE JULGADO COMO REALMENTE PINTADO NELA (grifo e realce meus); todavia nunca afirmará que isso mesmo passou completamente e sem nenhuma mudança das coisas externas aos sentidos e dos sentidos à imaginação, a menos que tenha antes o seu conhecimento por qualquer outro meio.

A conclusão é que só podemos ser enganados compondo nós próprios, de certo modo, as coisas em que acreditamos.

… não há vias abertas ao homem para conhecer com certeza a verdade fora da intuição evidente e da dedução necessária… (há sim, elevando-se ao Espaço Superior, digo eu)”.

Tanto os veritólogos como os saperólogos se referem constantemente acerca dos conhecimentos advindos da intuição, mas todos eles ignoram a sua origem e o que ela representa na realidade. Tratando acerca da dedução e da intuição, e se referindo a Descartes, assim como também a Spinoza, Farias Brito, em sua obra Finalidade do Mundo – 2º Volume, as páginas 138, 139, 179, 180 e 181, diz-nos o seguinte:

As ideias originárias são dadas por intuição; as noções derivadas são tiradas, por dedução, das ideias originárias (grifo meu). A intuição e a dedução — tais são os dois grandes elementos da lógica, segundo Descartes.

‘Eu entendo por intuição’, diz Descartes, ‘não a crença ou o testemunho variável dos sentidos ou os juízos ilusórios da imaginação (grifo meu), mas a concepção de um espírito são e atento, tão fácil e distinta que nenhuma dúvida possa restar sobre o que compreendemos; ou antes, e o que é a mesma coisa, A CONCEPÇÃO FIRME QUE NASCE DE UM ESPÍRITO SÃO E ATENTO, UNICAMENTE DAS LUZES DA RAZÃO(grifo e realce meus).

Por aqui, claramente se vê a distinção feita por Descartes entre o conhecimento sensível e o conhecimento racional: o primeiro é obscuro e incerto; só no segundo é que se poderá encontrar a distinção e a clareza que são o característico da evidência lógica. É a distinção radical entre o empirismo e o racionalismo.

A intuição fornece princípios (leia-se conhecimentos metafísicos acerca da verdade, digo eu) que são aceitos como incontestáveis pela razão, independentemente de qualquer prova. Estes princípios (leia-se conhecimentos metafísicos acerca da verdade, digo eu) são o ponto de vista da Filosofia (leia-se Veritologia, digo eu); O MAIS VEM POR DEDUÇÃO DE ANÁLISE (grifo e realce meus).

Toda a questão da verdade e do método consiste em saber perceber com distinção e clareza as ideias primeiras e saber encadear o raciocínio, sem fazer interrupção em nenhum dos termos da dedução (grifo meu).

Só há, pois, segundo Spinoza, um meio para chegar ao conhecimento da verdade, ou, como diria em linguagem moderna, para estabelecer sobre base positiva o conhecimento científico (leia-se veritológico e religioso, digo eu): é a dedução. Mas, para deduzir com segurança é necessário partir de uma verdade primeira, fundamental. Esta, como é intuitiva, não é derivada, mas originária; não vem por dedução, mas por percepção imediata (grifo meu); não é o resultado da especulação dialética, mas um produto espontâneo, direto, da intuição intelectual (leia-se criptoscopial, digo eu) pura.

Finalmente vem a percepção imediata da própria essência das coisas, e com esta, a posse da verdade (grifo meu), ou como se exprime o próprio Spinoza, a percepção adequada e infalível. E deste modo somente é que se pode fazer uso com segurança, pois só aí começa a esfera superior do conhecimento, o domínio da razão, LIVRE DAS FANTASMAGORIAS DA IMAGINAÇÃO E INCERTEZAS DOS SENTIDOS (grifo e realce meus)”.

Sendo um autor que busca de uma maneira direta e incessante as definições para tudo aquilo com que se depara em seus estudos, R. Jolivet, em sua obra Curso de Filosofia, as páginas 46 e 47, procura definir o que seja a dedução da seguinte maneira:

1. O raciocínio dedutivo. — o raciocínio dedutivo (decorrente do método da dedução, digo eu) é um movimento de pensamento (leia-se do raciocínio, digo eu) que vai de uma verdade universal a uma outra verdade menos universal (ou singular) (toda verdade é universal, pelo fato dela ter o seu repositório no Espaço Superior, digo eu)”.

Estando compreendido o que seja realmente o método da dedução, eu devo esclarecer que para que se possa realmente transmitir os conhecimentos metafísicos acerca da verdade com eficácia, tanto os veritólogos como os religiosos, principalmente aqueles, devem transmiti-los inserindo algumas experiências físicas acerca da sabedoria, para que assim eles possam ser apreendidos com mais facilidade pela compreensão dos saperólogos e dos cientistas, a fim de que estes possam proceder com as suas explanações, ou seja, proceder com as correspondentes experiências físicas acerca da sabedoria e das ciências, respectivamente.

Em sendo assim, necessária e obrigatoriamente assim, ignorando completamente o que seja o método da dedução, os estudiosos do assunto passam a imaginar que ele seja, essencialmente, como sendo apenas raciocínios dedutivos que se caracterizam por apresentar conclusões que devem, necessariamente, ser verdadeiras, caso todas as premissas sejam também verdadeiras, se o raciocínio respeitar a uma forma lógica válida. Desta maneira, ignorando completamente a natureza do método da dedução, eles passam a se referir diretamente apenas ao elementar raciocínio silogístico, como se estivessem partindo de princípios reconhecidos como sendo verdadeiros, ao que eles denominam de premissa maior, em que o pesquisador, que na realidade é o investigador, estabelece relações com uma segunda proposição, ao que eles denominam de premissa menor, para que assim, a partir do raciocínio lógico, possam chegar à verdade daquilo que estão propondo, ao que eles denominam de conclusão.

Daí, então, passam a confundir o método da dedução com a dialética, afirmando que ele é uma espécie de argumento, através do qual a forma lógica válida garante a verdade da conclusão, caso as premissas sejam verdadeiras, como se a verdade fosse argumentativa, fruto da criação imaginativa, ou, então, como afirma acertadamente Descartes, “pudesse sair dos seus próprios cérebros” por intermédio da dialética, devo então complementar. Assim, com base em Aristóteles, dão o seguinte exemplo:

  • Premissa 1: todos os homens são mortais;
  • Premissa 2: Sócrates é homem;

Ou então, aquilo que eles apresentam como sendo uma forma lógica:

  • Todo x é y;
  • z é x;
  • Conclusão: assim, como as duas premissas obedecem a uma forma lógica válida, se a conclusão for “logo, Sócrates é mortal”, temos que “logo, z é y”, então temos uma dedução, o que não corresponde à realidade, pois que se trata de um método indutivo, que trata das experiências físicas acerca da sabedoria, enquanto que o método dedutivo trata dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

Então o método da dedução passa a ser para os estudiosos não propriamente um método, mas sim um raciocínio dedutivo, que eles também denominam de lógica dedutiva, ou, até mesmo, de lógica top-down, como sendo um processo de raciocínio a partir de uma ou mais informações, que são as premissas, para que se possa chegar a uma certa conclusão lógica. Deste modo, o raciocínio dedutivo liga afirmações ou premissas com conclusões. Se todas as premissas são verdadeiras, com termos claros e não ambíguos, e as regras da lógica dedutiva são seguidas corretamente, então a conclusão passa a ser necessariamente verdadeira.

Assim, sem qualquer ideia dos que sejam os métodos dedutivo e indutivo, os estudiosos afirmam que o raciocínio dedutivo, ou a lógica top-down, contrasta com o raciocínio indutivo, que eles denominam de lógica de baixo para cima, ou botton-up, da seguinte maneira: no raciocínio dedutivo, a conclusão é obtida pela aplicação das regras gerais que mantêm sobre a totalidade de um domínio fechado de discurso, estreitando a faixa em consideração, até que reste apenas a conclusão; enquanto que no raciocínio indutivo a conclusão é atingida por generalização ou extrapolação a partir de informações iniciais, como resultado, o raciocínio indutivo pode ser usado até mesmo em um domínio aberto, aquele em que há incerteza. No entanto, eles ressaltam que o raciocínio indutivo mencionado desta maneira não é o mesmo que a indução utilizada em provas matemáticas, pois, para eles, a indução matemática, na verdade, é uma forma de raciocínio dedutivo.

E assim eles misturam alhos com bugalhos, serafim de algoz com ser afim de algo, como se diz popularmente. Mas como a dúvida e a mistura não devem prosperar na mente dos seres humanos, eu devo aqui proceder com as devidas explicações acerca de um e de outro, tal como logo acima eles se reportam ao assunto.

No método dedutivo, os veritólogos tratam dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade em sua amplitude universal, que é uma parte do Saber, por excelência, enquanto que os religiosos tratam deles em relação aos assuntos especializados, em conformidade com as parcelas do Saber com as quais se ocupam. Os conhecimentos metafísicos acerca da verdade se encontram no Espaço Superior formando um todo, pelo fato deles serem absolutos, ontológicos, imutáveis, por isso eles são também incriados, então eles se associam uns aos outros na formação desse todo.

Na forma mais elementar de raciocinar, que é o raciocínio silogístico, pode-se realmente partir de dois conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que assim se tornam duas premissas, e se chegar a um outro conhecimento metafísico acerca da verdade, que é a sua conclusão, uma vez que eles se encontram associados, então se pode deduzir uns dos demais. Mas assim, estando eles associados em um raciocínio sinóptico, de um conjunto de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, pode-se formar um outro conjunto de conhecimentos metafísicos acerca da verdade, pois que a meta é se atingir ao todo que eles associados estão formando, então se pode deduzir uns dos outros. O raciocínio sinóptico se encontra explanado no capítulo que diz respeito à inteligência.

É justamente por isso que Descartes mais acima afirma o seguinte: “Mas se tirarmos uma só consequência de um grande número de coisas separadas, muitas vezes a capacidade do nosso entendimento não é suficiente para lhe permitir abarcá-las todas em uma só intuição”; que, na realidade, não é propriamente intuição, mas sim a amplitude do raciocínio sinóptico do entendedor. Pode-se assim constatar perfeitamente que o método da dedução trata diretamente das causas.

No método indutivo os saperólogos tratam das experiências físicas acerca da sabedoria em sua amplitude universal, que é a outra parte do Saber, por excelência, enquanto que os cientistas tratam delas em relação aos assuntos especializados, em conformidade com as parcelas do Saber com as quais se ocupam. As experiências físicas acerca da sabedoria se encontram no Tempo Futuro e são correspondentes aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade que se encontram no Espaço Superior, em conformidade com as coordenadas universais em que o saperólogo se encontra, então elas não formam um todo, uma vez que a Sabedoria Total se encontra apenas em Deus, no Todo, na Inteligência Universal, em toda a sua perfeição. Em sendo assim, as experiências físicas acerca da sabedoria são relativas, empíricas, mutáveis, sendo todas elas criadas, por isso elas não se associam propriamente umas com as outras, pois que vão se aperfeiçoando cada vez mais à medida que o saperólogo vai se posicionando em pontos mais distantes do Tempo Futuro, pois que a meta é alcançar a perfeição.

Na forma mais elementar de raciocinar, que é o raciocínio silogístico, pode-se realmente partir de duas experiências físicas acerca da sabedoria, que assim se tornam duas premissas, e se chegar a uma outra experiência física acerca da sabedoria, que é a sua conclusão, mas como elas não se encontram associadas, então se pode induzir uma das demais, como se o saperólogo estivesse sendo instigado, levado ou persuadido a apreender aquela experiência física ou mesmo uma ação, pelo fato desta ser menos imperfeita, ou se situar mais perto do âmbito da perfeição, pois que, como já ressaltado, a tendência do processo da evolução é abandonar o âmbito da imperfeição e alcançar o âmbito da perfeição. Mas assim, mesmo não estando elas associadas, em um raciocínio sinóptico, de um conjunto de experiências físicas acerca da sabedoria, pode-se formar um outro conjunto de experiências físicas acerca da sabedoria, pois como a meta é se alcançar a perfeição, então se pode induzir umas das outras. Pode-se assim constatar perfeitamente que o método da indução trata dos efeitos.

Com relação a uma das parcelas do Saber denominada de Matemática, é óbvio e evidente que o processo é o mesmo, então a indução matemática não pode ser jamais uma forma de raciocínio dedutivo, como assim afirmam os estudiosos. Tratando-se de matemática pura, os seus conhecimentos metafísicos formam um todo, em que nesse todo eles se encontram associados, então os seus religiosos podem deduzir esses conhecimentos metafísicos uns dos outros. Tratando-se, porém, de matemática aplicada, mais propriamente a matemática experimental, as suas experiências físicas não formam um todo, não estando associadas, então os seus cientistas podem induzir essas experiências físicas umas das outras.

Por isso, é de fundamental importância que os religiosos assumam de vez as suas verdadeiras posições no contexto das parcelas do Saber, transmitindo os conhecimentos metafísicos acerca da verdade para que os cientistas possam proceder com as experiências físicas acerca da sabedoria correspondentes, cujos conjuntos formam as religiociências.

Como se pode facilmente constatar, não existe o raciocínio dedutivo e nem existe o raciocínio indutivo, pois tanto a dedução como a indução são métodos, e não formas de raciocinar, embora em todo o contexto humano o raciocínio seja sempre exigido e aplicado, sendo por isso que os métodos da dedução e da indução, obviamente, são utilizados por intermédio do raciocínio. As formas de raciocinar são o silogismo e a sinopse, que tanto servem para o método da dedução como para o método da indução. A diferença é que no método da dedução o ser humano raciocina tendo por base o seu órgão mental denominado de criptoscópio, o qual tem a função de perceber e a finalidade de captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, enquanto que no método da indução o ser humano raciocina tendo por base o seu órgão mental denominado de intelecto, o qual tem a função de compreender e a finalidade de criar as experiências físicas acerca da sabedoria.

Como a maioria dos estudiosos não considera a dedução e a indução como sendo métodos, mas sim como sendo formas de raciocínio, eles então imaginaram a lei do desapego, também conhecida como modus ponens, que para eles é a primeira forma de raciocínio dedutivo. A lei do silogismo, que leva duas premissas condicionais que formam uma conclusão. E a lei da contrapositiva, que em uma condicional, se a conclusão é falsa, então a hipótese deve ser também falsa. Mas como o raciocínio é uma das formas do ser humano evoluir, e como eu vou tratar da evolução no capítulo específico, então não devo abordar mais profundamente neste tópico o assunto relativo ao raciocínio.

Já no viver cotidiano, os conhecimentos são restritos aos universos pessoais dos seres humanos, pelo fato da nossa humanidade ainda se encontrar na fase da imaginação, que sendo geralmente repletos de atributos individuais inferiores e relacionais negativos, estes dão os comandos para que todos legislem sempre em favor das suas causas próprias, cujos efeitos nas ações os deixam revelar para este mundo o estado de miséria em que atualmente nos encontramos, preponderando sempre a vilania, o egoísmo, a avareza, a cobiça, a insinceridade, a desonestidade, a corrupção, a falta de solidariedade, a inveja, o medo, e tudo o mais que corrompe e degenera o caráter dos seres humanos, em que desta falta de caráter provém todos os tipos de crimes, estigmatizando toda a nossa humanidade como sendo mais afeita ao mal do que ao bem, quando isto não é um fato.

Daí a razão dos faltosos ignorantes haverem sido marcados com ferrete, a pena inflamante de Luiz de Mattos e dos seguidores da verdade, que vieram para este mundo com a missão de acabar de vez com a ignorância, a causa de tudo isso, e estabelecer a verdade, transmitindo-a através da doutrina do Racionalismo Cristão. Mas, felizmente, para o nosso bem, já existem muitos homens de valor, de caráter, bem mais afeitos ao bem, por serem impolutos, os quais se encontram à espera de estudos desta natureza para poderem se firmar em suas convicções espiritualistas, para que depois possam agir em nome de todos os homens de bem, pautando as suas ações em conformidade com a realidade da vida.

Por que é que os seres humanos que formam a nossa humanidade vivem em constantes conflitos, sempre em desentendimentos, sempre em desavenças, em guerras, em crimes, praticando crueldades com os seus próprios semelhantes, e tudo o mais que desgraça e embaraça a vida individualmente entre eles e coletivamente entre as comunidades e as nações que habitam o mundo? Tudo isso pode ser resumido em apenas três tópicos: ignorância, imaginação e falta de raciocínio.

A ignorância, considerada por Jesus, o Cristo, como sendo o grande mal da nossa humanidade em todos os tempos, está sendo agora devidamente abolida da face da Terra, por intermédio do Racionalismo Cristão, que teve o seu início como doutrina, apresentando as cores da verdade, e agora está tendo o complemento do seu final — no que se refere ao final dos tempos da ignorância — como método, sistema e finalidade, apresentando as cores da sabedoria, que unida, irmanada, congregada, com a verdade, deverão fazer resplandecer a luz da razão por todo o orbe terrestre, já que a razão coordena a verdade e a sabedoria.

A imaginação põe obrigatoriamente todos os seres humanos fora do âmbito da realidade, pois que a razão não pode ser imaginada, mas apenas concebida. Assim, quando eles se deparam com as coisas, os fatos e os fenômenos da natureza, passam de logo a imaginar que isso é assim, assim e assim outro, surgindo daí os preconceitos acerca de tudo, uma vez que os conceitos somente podem ser estabelecidos através das formulações de ideias, e estas se ligam diretamente à concepção para que possam ser formuladas no âmbito da realidade universal, e jamais à imaginação.

E a falta de raciocínio é decorrente da própria ignorância, pois os seres humanos necessitam de subsídios verdadeiros, de matéria-prima retirada da própria realidade da vida eterna e universal, com base na natureza, para que então possam reunir os elementos necessários que lhes permitam sair da fase da imaginação e adentrar na fase da concepção, em que a verdade e a sabedoria são coordenadas pela razão, que darão os suportes realísticos aos seus raciocínios, podendo assim formular ideias verdadeiras, e não representar imagens, que são todas ilusórias. Sendo supridos desses elementos, os seres humanos poderão deduzir raciocinando, ou seja, poderão adotar métodos de dedução com base nos seus raciocínios mais esclarecidos, portanto, mais afeitos à lógica, que é a arte de raciocinar com acerto, já que estarão cientes dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, que são as causas, e que lhes dão o poder universal, podendo, pois, deduzir a tudo de maneira racional, que é justamente conhecer raciocinando, tirar um conhecimento de outro por conclusão acertada, concluir com acerto, afirmar como consequência racionalmente lógica, em resumo: causar tendo por base os conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

A verdade tem as suas próprias cores. A sabedoria tem também as suas próprias cores.  A verdade está contida no espaço, mais propriamente no Espaço Superior. A sabedoria está contida no tempo, mais propriamente no Tempo Futuro. O espaço e o tempo formam o Universo, com as estrelas fornecendo as suas coordenadas, com cada uma das estrelas tendo o seu próprio padrão de cor, sendo por isso que a verdade e a sabedoria têm os seus próprios padrões de cores. Mas a razão não tem cor, pois que ela coordena a verdade e a sabedoria, por isso penetra em todas as coordenadas universais, sendo, pois, luz astral puríssima a iluminar os caminhos dos espíritos universais, em seus deslocamentos pelas coordenadas do Universo, estando eles em seus Mundos de Luz, ou mesmo estando encarnados neste mundo-escola, em que nesta última condição transcendem a este mundo. E tudo isso ora em diante se encontra à disposição de toda a nossa humanidade.

O que os seres humanos pretendem agora inferir da vida?

 

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