04.01- Descartes

A Era da Verdade
3 de outubro de 2019 Pamam

Descartes encarnou em Laye en Touraine, Reino da França, a cerca de 300 quilômetros de Paris, no ano de 1596, e desencarnou em Estocolmo, Império Sueco, no ano de 1650, tendo sido um veritólogo, físico e matemático francês, sendo também conhecido na Idade Moderna pelo seu nome latino Renatus Cartesius.

Jeanne Brochard, a sua genitora, desencarnou quando ele tinha apenas um ano de idade, deixando-o na orfandade, quando então, com oito anos de idade, ingressou no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand, em La Flèche, cujo curso durava cerca de três anos, mas Descartes permaneceu por cerca de nove anos, não tendo auferido a admiração dos escolares jesuítas, que o consideravam um filósofo deficiente. Prosseguiu nos seus estudos na Universidade de Poitiers, graduando-se em Direito, em 1616.

A mudança da cultura terrena provocada pela Renascença fez com que o veritólogo declarasse a sua aversão pela Escolástica, em função do sobrenaturalismo, misticismos e dogmas em seus conteúdos, pelo que ele considerava confusos, obscuros e nada práticos. Além do mais, os conimbricenses, nome que se dá a um conjunto de comentários a várias obras de Aristóteles, que compendiavam o conhecimento filosófico, editados em Coimbra e Lisboa entre 1592 e 1606 com o título Comentarii Collegii Conimbricencis Societatis Lesu, que se destinavam ao curso de Filosofia do Colégio das Artes de Coimbra, a cargo dos jesuítas desde 1555, foram criticados em uma carta a Mersenne, como sendo muito longos.

Mesmo tendo sido graduado em Direito, Descartes nunca exerceu a carreira advocatícia, tendo ido em 1618 para a Holanda, alistando-se no exército do príncipe Maurício, com a intenção de seguir a carreira militar, cuja carreira ele não tinha a menor vocação, quando então conheceu Isaac Beeckman, o qual exerceu grande influência em seu espírito, quando então ele compôs um pequeno tratado sobre música intitulado de Compêndio de Música.

Descartes era um espírito extremamente intuitivo, além de receber mensagens do Astral Superior em sonhos, o que explica a visão que teve sobre um novo sistema matemático e científico, quando então, em 1619, viajou para a Alemanha, em que de lá seguiu para a Dinamarca e a Polônia no mesmo ano, e em 1622 retornou para a França, passando os anos seguintes morando em Paris.

Em 1628, compôs a obra intitulada de Regras Para a Direção do Espírito e partiu para os Países Baixos, onde viveria até 1649. Em 1629, começou a redigir a obra intitulada de Tratado do Mundo, uma obra voltada para a Física, na qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo, mas em 1633, quando Galileu Galilei é condenado pela Inquisição, ele abandona os seus planos de publicá-lo.

Em 1637, publicou três pequenos tratados intitulados de A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria, mas o prefácio dessas obras é que faz o seu futuro reconhecimento, em que ele trata do Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia.

Em 1641, publica a sua obra filosófica e metafísica mais importante, intitulada de Meditações Sobre a Filosofia Primeira, com os primeiros seis conjuntos de Objeções e Respostas, em que o autor do primeiro conjunto é o teólogo holandês Johan de Kater, do segundo é Mersenne, do terceiro é Thomas Hobbes, do quarto é Arnauld, do quinto Gassendi e do sexto é Mersenne. Em 1642, a segunda edição incluía uma sétima objeção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin, seguida de uma Carta a Dinet.

Em 1643, o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht, quando então Descartes inicia a sua longa correspondência com a princesa Isabel, filha mais velha de Frederico V e de Isabel da Boêmia, cuja correspondência perdura durante sete anos, até a desencarnação do veritólogo em 1650. Ainda no ano de 1643, Descartes publica a sua obra intitulada de Os Princípios da Filosofia, resumindo os seus princípios que formariam a ciência.

Em 1644, ele faz uma visita rápida à França, onde encontrou Chanut, o embaixador francês junto à corte sueca, que o coloca em contato com a rainha Cristina da Suécia. É nessa ocasião que o veritólogo afirma que o Universo é totalmente preenchido pelo éter, denominação dada por muitos estudiosos para os fluidos que preenchem todo o Universo, os quais são provenientes das propriedades da Força e da Energia. Para ele, a rotação do Sol através do éter cria ondas ou redemoinhos, o que explica o movimento dos planetas, com o éter sendo também o meio pelo qual a luz se propaga, sendo atravessado pelo espaço desde o Sol até a Terra.

Na realidade, a propriedade da Força contém o magnetismo, a propriedade da Energia contém a eletricidade, e ambas combinadas contêm o eletromagnetismo, em que delas são provenientes os fluidos, então no macrocosmo o Sol, que é formado pelas propriedades da Força e da Energia, mantém os planetas girando ao seu redor através do magnetismo, da eletricidade e do eletromagnetismo contido nos fluidos; enquanto que no microcosmo os corpos fluídicos dos seres atômicos, que também possuem o magnetismo, a eletricidade e o eletromagnetismo, mantêm os elétrons girando dentro da suas auras.

Em 1647, Descartes foi premiado pelo rei da França com uma pensão, quando então começou a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. Em 1648, entrevista Frans Burman, em Egmond-Binnen, resultando na Conversa com Burman. Em 1649, a convite da rainha Cristina, foi à Suécia, com a sua obra intitulada de Tratado das Paixões sendo publicada, a qual ele dedicou à sua amiga Isabel da Boêmia.

Descartes desencarnou de pneumonia em 11 de fevereiro de 1650, em Estocolmo, depois de passar dez dias enfermo, enquanto trabalhava como professor a convite da rainha. Como católico em um país protestante, foi enterrado em um cemitério de crianças não batizadas na Adolf Fredrikskykan, em Estocolmo. Em 1667, os seus restos mortais foram repatriados para a França e enterrados na Abadia de Sainte-Geneviève de Paris, mas um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca. Ainda em 1667, a Igreja Católica coloca os seus livros na lista proibida. Em 1792, embora a Revolução Francesa tenha projetado a transferência do seu túmulo para o Panthéon, ao lado de outras grandes figuras da França, desde 1819 o seu túmulo está na Igreja de Saint-Germain-des-Prés, em Paris.

Embora sendo um veritólogo que trabalhava mais com o criptoscópio, o ambiente intelectual proporcionado pela Renascença fez com que Descartes lançasse mão também do seu intelecto, tornando-se um dos mais importantes veritólogos do período moderno, sob o ponto de vista do racionalismo, ao passo que Bacon o foi sob o ponto de vista do empirismo, sendo geralmente lembrado pela ênfase no raciocínio e na autoridade da razão em Filosofia e nas parcelas do Saber naturais, embora ignorasse que verdade + sabedoria = razão.

É por isso que Schopenhauer vem afirmar que o mérito particular de Descartes consiste principalmente nos dois resultados seguintes:

  • Em ter levado o homem a pensar por si mesmo, em tê-lo levado a se servir da sua própria cabeça em lugar da Bíblia e de Aristóteles, como se fazia anteriormente;
  • Em ter sido o primeiro que concebeu o problema de que tratam desde então os principais estudos dos filósofos, que é o problema do ideal e do real, ou seja, a questão de distinguir o que há de objetivo e o que há de subjetivo em nosso conhecimento, a parte que é preciso atribuir a alguma coisa que é diferente de nós e a parte que cabe a nós mesmos.

Descartes considerava que a Filosofia seria como uma árvore, na qual a metafísica forma a raiz, a Física o tronco e as demais ciências os galhos, e sendo um verdadeiro veritólogo, considerava que o mais alto grau de sabedoria estaria na moral, em que tudo isso pressupõe o conhecimento das diversas ciências, sendo as principais a ética, a mecânica e a Medicina.

Na realidade, Descartes apenas tateava em busca de um raciocínio que o levasse à razão. A árvore a que ele se refere é formada pela Veritologia, que contém os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, pela Saperologia, que contém as experiências físicas acerca da sabedoria, em que ambas são coordenadas pela Ratiologia, que une, irmana, congrega, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria.

Posta assim a árvore do Saber, temos então os seus galhos, que são formados pelas religiões, as quais contêm os conhecimentos metafísicos acerca da verdade específicos das parcelas do Saber, pelas ciências, que contêm as experiências físicas acerca da sabedoria específicas das parcelas do Saber, em que ambas são coordenadas pelas religiociências, que une, irmana, congrega, os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e as experiências físicas acerca da sabedoria específicos das parcelas do Saber.

O método utilizado por Descartes é relativamente simples, em que o critério da verdade se encontra na clareza e na distinção das ideias, consoante aquilo que a razão aceita e não pode deixar de aceitar como certo, com isso constituindo a verdade de que se deve partir para a investigação do desconhecido. Assim, o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia pode ser resumido nas quatro regras seguintes:

  • Nunca devo aceitar uma coisa como realmente verdadeira, sem antes conhecê-la como tal, isto é, devo cuidadosamente evitar pré-julgamentos e incluir nos meus julgamentos somente aquilo que se apresente para a minha mente, com tal claridade e precisão, que eu não tenha ocasião de pô-la em dúvida.
  • Dividir cada dificuldade examinada, em tantas partes quantas forem necessárias, para resolvê-la da melhor maneira possível.
  • Conduzir os pensamentos de uma maneira ordenada, começando dos objetos mais simples e os elevando, gradualmente, como por degraus, para o conhecimento das coisas mais complexas. E sempre supondo uma ordem entre as coisas, que mesmo não proceda naturalmente uma da outra.
  • Fazer enumerações completas e revisões tão gerais, que possa me certificar de que não omiti nada.

Foi o Discurso do Método e Meditações da 1ª Filosofia, elaborado por Descartes, o qual foi transmitido ao veritólogo através de sonho pelo Astral Superior, que eu utilizei para explanar o Racionalismo Cristão, conforme consta por inteiro no site pamam.com.br, mais especificamente na parte que se refere a O Método.

Para Descartes, as ideias originárias são dadas por intuição, vide o tópico 23.01- A mediunidade de intuição, em Prolegômenos, enquanto que as noções derivadas são tiradas por dedução das ideias originárias, vide o tópico 04.01- O método da dedução, em Prolegômenos. A intuição e a dedução, pois, são os dois grandes elementos da lógica, segundo o veritólogo.

Embora tivesse sido um veritólogo que tivesse se ocupado do espírito, nota-se que Descartes não procurou adentrar mais a fundo no âmbito da espiritualidade, pois em se considerando a sua obra em seu conjunto, pode-se constatar que a ideia fundamental do seu sentimento é a crença na existência de duas substâncias: 1) Uma substância pensante, o espírito, que se resume em Deus; 2) E uma substância extensa, a matéria, o mundo corpóreo. Pode-se assim constatar que a sua filosofia se caracteriza primordialmente pelo dualismo, embora refletindo por tal modo cada organismo individual, como em miniatura, uma imagem perfeita do organismo universal.

Na realidade, a matéria não existe, não passando de uma mera ilusão. Em relação à questão da substância, temos que Deus é formado de Substâncias, que se dividem em Essência e Propriedades. A Essência é o Ser Total, do qual todos os seres são partículas, e quando chegam a um determinado estágio evolutivo, com a aquisição do raciocínio e do livre arbítrio, são denominados de espíritos. As propriedades são a Força Total, a Energia Total, que formam o Universo, e a Luz Total, que penetra o Universo. Os seres evoluem pelo Universo adquirindo as propriedades da Força e da Energia, formando os seus perispíritos, em que as coordenadas universais por que passaram passam a ficar representadas nesses seus perispíritos, e quando alcançam a condição de espíritos, passam a evoluir também por intermédio da propriedade da Luz, formando os seus corpos de luz, com os quais penetram nas regiões do Universo por que passaram. O corpo fluídico, ou perispírito, mais o corpo de luz formam as almas dos seres.

Deste modo, em se reduzindo o sentimento de Descartes à crença fundamental na existência de duas substâncias, uma substância pensante, o espírito, e uma substância extensa, a matéria, a maior dificuldade desse seu sentimento consiste justamente no modo de compreender como é possível haver comunicação entre estas duas substâncias distintas, não se podendo supor como pode o espírito, que é simples, exercer ação sobre a matéria, que é composta, ou como pode a matéria, que é composta, sofrer ação do espírito, que é simples.

Assim, não é para se estranhar que a esse mecanismo cartesiano sucedesse por último a teoria da evolução, já que o espírito, sendo o ser mais evoluído que existe, exerce ação sobre os demais seres, a partir dos seres atômicos, em que os estudiosos penetram em seus corpos fluídicos os alterando, desconfigurando os prótons, os nêutrons e os elétrons que se encontram em suas auras, como já demonstrado em Prolegômenos.

Descartes rejeitava qualquer ideia da qual pudesse duvidar, para que então, em seguida, após uma profunda análise, pudesse restabelecer ou reconstruir essas ideias, de modo a criar uma base sólida para se obter o conhecimento, em que esse processo o levou à sua famosa conclusão “penso, logo existo”.

A explicação para essa sua conclusão consiste no fato de que aqueles que evoluem de modo preponderante por intermédio da propriedade da Força, trabalham mais com o criptoscópio, fazendo sobressair o sentimento, em que a manifestação que prepondera no ser é o poder; enquanto que aqueles que evoluem de modo preponderante por intermédio da propriedade da Energia, trabalham mais com o intelecto, fazendo sobressair o pensamento, em que a manifestação que prepondera no ser é a ação. Em sendo assim, quando ambos os órgãos mentais tendem a se equilibrar, a manifestação que prepondera no ser é a existência.

 

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