04.01.02- Henry Murray: as necessidades e os motivos

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7 de julho de 2020 Pamam

É sabido que todos os espíritos quando encarnam assumem em plano astral o compromisso de cumprir com as suas obrigações, com os seus deveres e, por vezes, com as suas missões neste nosso mundo-escola. A motivação, pois, diz respeito a esses compromissos assumidos em plano astral, quando então os espíritos demonstram as suas responsabilidades em cumprir com tudo aquilo que lhes afetam diretamente, ou que lhes dizem respeito.

No decorrer de todo o processo da evolução, os espíritos passam a identificar as suas necessidades mais prementes, para que assim possam desenvolver os seus órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência, assim como também os atributos individuais, que formam a sua moral, e os atributos relacionais, que formam a sua ética, sabendo-se que os atributos comandam os órgãos mentais.

Quando, por exemplo, em uma determinada encarnação, um espírito veio com as faculdades intelectuais mais desenvolvidas e utilizou mal a essas faculdades, ele pode reencarnar como sendo um trabalhador braçal, pois que ele sente a necessidade de sopitar determinados atributos e desenvolver a outros que o impediam de exercer as faculdades intelectuais.

As necessidades primordiais, portanto, são de natureza espiritual, uma vez que a necessidade principal diz respeito diretamente à evolução do espírito, em que a partir dela vão surgindo as necessidades secundárias, em conformidade com aquilo que o espírito necessita para promover a sua evolução, uma vez que a estrada a ser percorrida é muito extensa, por isso requer um cuidado extremo do espírito em relação àquilo de que necessita para o seu progresso. Então as necessidades vão surgindo, à medida em que o espírito vai evoluindo.

A tudo isso nós podemos denominar de necessidades imateriais, pois que dizem respeito diretamente à espiritualidade. Mas existem também as necessidades materiais, que dizem respeito diretamente ao corpo material, digamos assim, embora a matéria não exista, mas que se pode utilizar os termos matéria e materialidade para se referir às coisas que se ligam diretamente a este mundo.

Mas acontece que os estudiosos não conseguem adentrar no âmbito da espiritualidade, tanto que em Psicologia a necessidade designa um estado interno de insatisfação causado pela falta de algum bem necessário ao bem-estar.

Henry Murray, um dos primeiros a pesquisar sobre o assunto, descreveu dois tipos de necessidades, quais sejam:

  • Necessidades primárias ou viscerogênicas: são consideradas as necessidades de natureza biológica, tais como a fome, a sede, o sono, etc.;
  • Necessidades secundárias ou psicogênicas: são consideradas as necessidades que derivam de uma necessidade primária ou são inerentes à estrutura psíquica humana. Como o ser humano procura diminuir o estado interno de déficit, uma necessidade funciona como um impulso para determinados comportamentos. A intensidade de uma necessidade determina a intensidade do comportamento a que ela se encontra ligada, assim quanto mais intensa for a necessidade, mais intensa será a ação. Essa necessidade pode ser expressada de diferentes formas, pelo vigor, pelo entusiasmo, pela perseverança, ou mesmo pela prioridade que se dá ao comportamento em detrimento de outros. Dessa forma, uma necessidade assume um caráter diretivo com relação ao comportamento, determinando por um lado o objeto ou evento necessários para a sua saciação e, por outro, determinando se essa satisfação ocorre através de um movimento para perto desse objeto ou para longe dele, como, por exemplo, a sede e o medo de nadar, ambos têm por objeto a água, mas a direção é diferente. Assim, toda necessidade é direcional.

Os estudiosos do assunto consideram que as necessidades variam o tempo todo, por isso certas pessoas têm uma determinada tendência a ter necessidades mais frequentemente, ou mais intensamente do que outras, mas quando uma determinada necessidade tem para uma pessoa uma certa estabilidade, ela se torna uma parte de sua personalidade, que seriam as necessidades disposicionais.

Henry Murray desenvolveu uma longa lista de necessidades, ou motivos, principalmente as secundárias ou psicogênicas, que ele supunha serem comuns a todas as pessoas, em que para ele as pessoas se diferenciam na proporção em que para elas cada uma dessas necessidades é mais ou menos marcante, tais como:

  • Necessidades ligadas à ambição
    • Desempenho
    • Reconhecimento
    • Exibição
  • Necessidades relacionadas a objetos inanimados
    • Aquisição
    • Ordem
    • Retenção
    • Construção
  • Necessidades ligadas a defesa do próprio status
    • Evitação de mostrar as próprias fraquezas
    • Defesa
    • Reação a ameaças
  • Necessidades ligadas ao poder humano
    • Dominância
    • Deferência
    • Autonomia
    • Contrariedade a outras opiniões
    • Agressão
    • Submissão
    • Evitação de vergonha
  • Necessidades ligadas a afeição entre pessoas
    • Afiliação
    • Rejeição
    • Cuidar
    • Ser cuidado
    • Brincar
  • Necessidades ligadas a troca de informações
    • Conhecimento
    • Explicação

Segundo Henry Murray, as necessidades não se manifestam de modo isolado, mas se relacionam entre si, quando então muitas vezes duas ou mais necessidades se fundem, refletindo-se em um só e mesmo comportamento, como, por exemplo, conhecer novas pessoas pode se encontrar ligado tanto com a necessidade de afiliação como com a de reconhecimento. Outras vezes, uma necessidade está a serviço de outra, como, por exemplo, quando a necessidade de ordem se encontra a serviço da necessidade de desempenho. Duas ou mais necessidades podem estar também em conflito umas com as outras, como, por exemplo, a necessidade de intimidade pode estar em conflito com a necessidade de autonomia. Esses três tipos de relações possíveis entre as necessidades são também possíveis entre as necessidades e as pressões externas.

Para medir o perfil de necessidades de uma pessoa, Henry Murray desenvolveu com outros colegas o teste de apercepção temática, um teste projetivo desenvolvido em 1935 para medir determinadas características da personalidade, como os motivos, tendo sido muito utilizado no estudo da motivação, assim como um teste projetivo composto de uma série de figuras, um tipo de teste psicológico que se baseia na denominada hipótese projetiva, em que de acordo com ela a pessoa a ser testada, ao procurar organizar uma informação ambígua, ou seja, sem um significado claro, projeta aspectos de sua própria personalidade, em que o intérprete, no caso o psicólogo que aplica o teste, teria assim a possibilidade de trabalhar de trás para frente, reconstruindo os aspectos da personalidade que levaram às respostas fornecidas. A pessoa sendo testada tinha a tarefa de contar uma história, explicando a cena dos quadros, em que a intenção por trás do teste é que, ao contar uma história, a pessoa projetaria as suas necessidades na história, e com base nisso o pesquisador poderia medir as necessidades mais marcantes inerentes a uma pessoa.

O modelo de Henry Murray exerceu muita influência e foi o início de uma grande tradição científica no âmbito da Psicologia, mas, segundo os estudiosos do assunto, a diferença entre necessidade e motivo em seus estudos nem sempre é muito clara, uma vez que a sua lista de necessidades é a mesma lista de motivos.

 

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