04.01.01- A teoria de campo de Kurt Lewin

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1 de julho de 2020 Pamam

Tomando por base o que diz o site A Mente é Maravilhosa, a psicologia social é um ramo da Psicologia que estuda como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outras, tendo surgido no século XX como sendo uma área de atuação da própria Psicologia para estabelecer uma ligação entre ela e as ciências sociais, tais como a Sociologia, a Antropologia, a Geografia, a História e a Ciência Política.

Mas antes mesmo que esse ramo da Psicologia viesse a existir, os comportamentos eram considerados como sendo simples reações, com o behaviorismo sendo a teoria da qual os estudiosos se valiam dos seus conceitos para tentar explicar a natureza do comportamento, sabendo-se que o behaviorismo compreende a teoria e o método de investigação psicológica que procura examinar de modo mais objetivo tanto o comportamento humano como o dos demais animais, dando ênfase aos fatos objetivos, mais propriamente os estímulos e as reações, sem considerar a introspecção, como, por exemplo, quando alguém nos golpeia, reagimos nos protegendo para desviar o ataque ou para evitar outro, deste modo, sob o domínio dos estímulos e das reações eram moldadas as condutas.

Mas os fatos objetivos que compreendiam os estímulos e as reações eram considerados incompletos, já que o behaviorismo não levava em consideração a percepção, por onde se captam os conhecimentos, e a compreensão, por onde se criam as experiências, por conseguinte, as naturezas dos sentimentos e dos pensamentos. Desta maneira, o behaviorismo também não levava em consideração que os comportamentos são os resultados de uma interação entre as pessoas e o meio ambiente, quando então Kurt Lewin conseguiu perceber a essa falha e estabeleceu a teoria de campo, focando a sua atenção nas interações das pessoas com o meio ambiente, por isso passou a ser considerado como um dos pais da psicologia social.

Em Física, um campo é uma grandeza física que possui um valor associado em todos os pontos do espaço, como gravidade, temperatura, forças, etc.; daí a razão pela qual Kurt Lewin utilizou o conceito físico de campo de forças em sua teoria de campo para que então pudesse explicar os fatores existentes no meio ambiente que viessem a influenciar o comportamento humano, quando então estabeleceu duas premissas básicas para a sua teoria de campo, quais sejam:

  1. O comportamento deve ser deduzido de fatos que se relacionam entre si;
  2. Esses fatos que se relacionam entre si assumem a conotação de um campo dinâmico, em que o estado de cada uma das suas partes depende diretamente das outras partes.

Os fatos que se encontram interligados constituem um campo de forças dinâmico, que os estudiosos denominam de campo psicológico ou espaço vital, que viria a ser exatamente o meio ambiente que abrange as pessoas e os seus entendimentos da realidade, o que implica em dizer que se trata de um espaço subjetivo, inerente aos seres humanos que se encontram interagindo com o meio ambiente, que reflete a forma de como eles interagem com o mundo, em que se revela tudo aquilo que é inerente aos seres humanos, como os conhecimentos, as experiências, os atributos individuais superiores e inferiores, os atributos relacionais positivos e negativos, as expectativas, etc. Neste caso, segundo Kurt Lewin, o comportamento passa a não depender nem do passado e nem do futuro, o que é um erro grave, mas sim dos fatos e acontecimentos atuais e de como as pessoas interagem com eles.

Assim, para Kurt Lewin o campo psicológico ou espaço vital exerce tal influência sobre o comportamento das pessoas que chega a determiná-lo, pois caso não venham a existir mudanças no campo, não existem mudanças de comportamento, como se o estudo do comportamento fosse realizado sob uma perspectiva total, sem o estudo das partes separadas.

Tirando da Física a noção do campo de forças, todos os seus componentes se afetam entre si, levando em consideração todas as variáveis que intervêm em tempo real, para que então possamos compreender o nosso comportamento, tanto o individual como o grupal. Kurt Lewin considerou três variáveis como sendo fundamentais, que são as seguintes:

  1. A força: que é a causa das ações, da motivação. Quando existe uma necessidade, produz-se uma força ou um campo de forças, o que leva à produção de uma atividade, que tem uma valência que pode ser positiva ou negativa, em que, neste caso, a valência é a tendência de combinação dos elementos que expressam a sua capacidade de ligação com os demais elementos. A valência das atividades dirige forças a favor das próprias atividades, quando são positivas, ou contra elas, quando são negativas. O comportamento resultante corresponde à mistura psicológica de diferentes forças;
  2. A tensão: a tensão é a diferença entre as metas propostas e o estado atual da pessoa. A tensão é interna e nos empurra para finalizar a intenção;
  3. A necessidade: é aquilo que inicia as tensões motivadoras. Quando existe uma necessidade física ou psicológica no indivíduo, desperta-se um estado interior de tensão. Este estado de tensão faz com que o sistema, neste caso a pessoa, altere-se para tentar restabelecer o estado inicial e satisfazer a necessidade.

Kurt Lewin afirma que a teoria do campo determina quais são os comportamentos possíveis e quais os impossíveis de cada sujeito, em que o conhecimento do espaço vital nos permite predizer razoavelmente o que a pessoa fará. Deste modo, todo o comportamento, ou, pelo menos, todo comportamento intencional, é motivado, em que: tensões o impulsionam, forças o movem, valências o dirigem e apresenta metas.

Ele também afirma que as nossas ações podem ser explicadas a partir do seguinte fato: percebemos caminhos e meios particulares para descarregar determinadas tensões. Atraem-nos aquelas atividades que vemos como meios para liberar a tensão, em que alguns tipos de atividades teriam uma valência positiva, o que nos levaria a experimentar uma força que nos impulsiona a realizá-las, enquanto que outras atividades teriam o efeito oposto, aumentando a tensão, por isso teriam um efeito repulsivo.

Para entender melhor, vamos falar de uma necessidade que todos nós aparentemente temos, que é a necessidade de reconhecimento. Quando essa necessidade surge, vai despertar uma motivação para conseguir reconhecimento em algum âmbito que nos interesse. Tal motivação teria uma valência positiva que nos levaria a agir com a finalidade de conseguir o reconhecimento, despertando uma tensão entre a situação atual e a necessidade de conseguir o reconhecimento, com tudo isso vindo nos fazer pensar nas possíveis ações para conseguir o reconhecimento, e, dependendo de qual campo queiramos ser reconhecidos, seguiremos com a ação que consideremos trazer possibilidades de conseguir tal reconhecimento.

Na realidade, tudo isso não passa de especulação, pois nós possuímos os nossos órgãos mentais, que são o criptoscópio, que tem a função de perceber e a finalidade de captar conhecimentos, o intelecto, que tem a função de compreender e a finalidade de criar experiências, e a consciência, que tem a função de coordenação e a finalidade de coordenar o criptoscópio e o intelecto. Os nossos órgãos mentais são comandados pelos nossos atributos individuais superiores e inferiores e pelos nossos atributos relacionais positivos e negativos.

Os nossos poderes e as nossas ações, que se referem diretamente aos nossos órgãos mentais e aos nossos atributos, determinam as naturezas dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos, que ficam gravados no corpo fluídico ou perispírito, o qual grava, retém e conserva o caráter e as aptidões de uma vida anterior próxima ou remota. É o que podemos denominar de subconsciente, portanto, a máquina na qual trabalhamos, que vai estabelecer a programação dos nossos sentimentos e pensamentos.

A evolução espiritual vai se processando aos poucos, sem saltos, com os nossos órgãos mentais e os nossos atributos realizando a programação dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos, cuja programação fica armazenada no corpo fluídico ou perispírito, que passa a ditar tudo aquilo que conseguimos realizar.

É certo que nós interagimos com o meio ambiente, em que as vibrações dos sentimentos e as radiações dos pensamentos das mais diversas naturezas se cruzam em todas as direções, sem esquecer as ações nefastas do astral inferior, em que tudo isso mais se assemelha à teoria de campo de Kurt Lewin, mas se soubermos fazer uso da nossa força de vontade, nós não iremos pautar as nossas ações em conformidade com o meio ambiente em que vivemos, notadamente porque as nossas ações já se encontram programadas no corpo fluídico ou perispírito.

De qualquer maneira, a nossa meta consiste em transcendermos a este mundo, para que então possamos nos elevar ao Espaço Superior, onde se encontra o repositório dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e nos transportar ao Tempo Futuro, onde se encontra o campo das experiências físicas acerca da sabedoria.

Em sendo assim, como realmente é assim, e como não poderia ser diferente, a teoria de campo de Kurt Lewin não enseja a que todos os seres humanos venham a agir de uma determinada maneira em face do meio ambiente. É certo que alguns irão pautar as suas ações de maneira idêntica, enquanto outros irão pautar as suas ações de maneira diversa. Mas o certo é que alguns não irão sofrer qualquer influência do meio ambiente, pelo fato de haverem transcendido a este mundo, passando a agir em conformidade com a espiritualidade.

 

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