03- O EGITO

A Era da Sabedoria
21 de setembro de 2018 Pamam

A cerca de 4.000 anos atrás, ao início da primeira Grande Era, A Era da Sabedoria, na qual foi estabelecida definitivamente a Saperologia ao seu término, brotaram no planeta Terra duas vastas torrentes de revelação, a primeira através de um instrumento do Astral Superior, a segunda através de um instrumento do astral inferior. A primeira, às margens do Nilo, na África Setentrional, mais especificamente no Egito, através do espírito de Hermes. E a segunda, às margens do Eufrates, na Ásia Meridional, mais especificamente em Ur, na Caldeia, através do espírito de Abraão. No entanto, o grande acontecimento que marcou o início desta Grande Era foi a encarnação de Hermes, o espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa e encarnou neste nosso mundo-escola pela primeira vez, dando início à sua luta em prol da nossa espiritualização, por revolucionar a cultura egípcia, encarnando nessa nação.

Como resultado dessa revolução cultural ocorrida no Egito, surge em 3.150 a.C. o espírito de Imhotep, na qualidade de médico e arquiteto, que por ser um cientista se tornou conselheiro do rei Zoser. Ele fez tanto pela Medicina que as gerações posteriores o veneraram como o deus da ciência, e ao que tudo indica foi o fundador da escola de arquitetura que iria proporcionar à dinastia seguinte os primeiros grandes construtores da história.

Foi no Egito que o corpo fluídico, ou perispírito, ficou sendo realmente conhecido, ao qual o seu povo denominava de Ka. Ele era concebido como sendo a própria imagem do corpo material, em virtude de ele tomar a mesma forma ao se afastar do corpo material, com ou sem a desencarnação. Então os egípcios julgavam que o Ka tinha que ser alimentado, ser vestido e ser servido após a desencarnação, por isso havia em alguns túmulos reais lavatórios para uso da alma, que como é sabido compreende o corpo fluídico mais o corpo de luz, mas que este último ainda se encontra obscurecido em quase todos os seres humanos. Um texto funerário exprime o receio de que por falta de alimento o Ka ingerisse os seus próprios excrementos. O meio de sossegar o Ka e lhe assegurar vida longa não consistia apenas no enterro do cadáver em sarcófago de pedra, eles também o mumificavam.

Os eruditos da época, entre os quais se encontravam os sacerdotes, lançaram as bases da ciência egípcia, a despeito das superstições sacerdotais. De acordo com a tradição, as ciências foram lançadas por Hermes, o deus da sabedoria, o que se comprova que ele deu início à Era da Sabedoria. Josefo, entretanto, afirma que Abraão havia trazido a aritmética da Caldeia para o Egito, sendo evidente que esta e outras parcelas do saber tivessem vindo de Ur.

É certo que os estudiosos, geralmente, começam a história da Saperologia com os gregos, porque ignoram totalmente quem foi, na realidade, o espírito de Hermes, no Egito. E como ignoram que ele também encarnou como Krishna, na Índia, e como Confúcio, na China, os hindus têm a pretensão de serem os precursores da Saperologia, enquanto que os chineses têm a pretensão de tê-la aperfeiçoado, por isso riem desse provincialismo. Mas o certo é que todos estão equivocados, porque a Saperologia, na realidade, surge no Egito com Hermes, sendo também lá que iremos encontrar os mais velhos fragmentos classificados como sendo saperológicos, por isso os gregos se confessavam crianças diante de tão antiga raça.

Mas o mais antigo fragmento de sabedoria que nos chegou é a Instrução de Ptah-hotep, antes mesmo da encarnação de Hermes, cerca de 2.880 a.C. Ptah-hotep foi governador de Mênfis e primeiro ministro do rei, na Quinta Dinastia, que ao se afastar do cargo resolveu deixar a um filho um manual de eterna sabedoria, que começa da seguinte maneira:

Ó Príncipe, meu senhor, o fim da vida está perto; a velhice desce sobre mim; a fraqueza sobrevém e a infantilidade se renova; o velho decai dia a dia. Os olhos diminuem, os ouvidos ensurdecem. Tudo descamba, o coração não tem repouso… Ordena, pois, ao teu servo que transfira ao seu filho a principesca autoridade. Permite-me lhe dizer as palavras daqueles que aconselhavam os homens nos tempos antigos, dos que as ouviram diretamente dos deuses. Rogo-te permitir seja isso feito”.

Vale aqui ressaltar que quando Ptah-hotep se refere aos deuses, está se referindo ao Astral Superior, uma vez que se trata de um espírito de luz. Então, a Sua Graciosa Majestade lhe deu a permissão, advertindo-o, porém, a que discorresse sem enfadar, conselho ainda muito útil aos seres humanos de hoje. E Ptah-hotep instrui ao filho da seguinte maneira:

Não te mostres orgulhoso pelo fato de seres instruído; trata tanto com sábios como com ignorantes. Porque não há limites para o aprender, nem nenhum artífice que possua toda a arte. Linguagem clara é algo raro como a esmeralda no meio do pedregulho… Vive, portanto, na casa da benevolência e os homens dar-se-ão a ti… Teme fazer inimigos com as tuas palavras… Não ofendas a verdade, nem repitas aquilo que qualquer homem, seja príncipe ou camponês, diz quando abre o coração: É aborrecível à alma…

Se queres ser homem de sabedoria, gera um filho para o agrado de Deus. Se ele leva vida perfeita, segundo o teu exemplo, se conduz os teus negócios na devida ordem, faze por ele tudo que for bom… Mas se é desatento e não segue as tuas regras de conduta, e é violento; se cada palavra que sai da sua boca é uma palavra vil, então poderás lhe bater — essa linguagem poderá ser a adequada… Muito preciosa para um homem é a virtude de seu filho; bom caráter é algo sempre recordado…

Para onde quer que vás, cuidado com o comércio feminino… se queres ser prudente, cuida da tua casa e ama a tua mulher…

O silêncio te valerá mais do que o falar muito. Considera como te comportas no conselho quando um perito discorre. É loucura querer falar de todas as coisas…

Se te tornares poderoso, faz-te honrado pela ciência e pela bondade… Evita responder sob o calor da exaltação; afasta isso de ti; controla-te.

Que nenhuma das palavras aqui postas se perca, mas que fiquem como modelos para os príncipes. Minhas palavras ensinarão aos homens como falar… Sim, eles se aperfeiçoarão no obedecer e se tornarão excelentes no falar. Bênçãos cairão sobre eles… Serão amados até ao fim dos seus dias; e sempre terão o contentamento no coração”.

Um dos efeitos da encarnação de Hermes, que no futuro encarnaria como Jesus, o Cristo, vale sempre repetir, já revolucionando o meio naquela época, proporcionou a que Ipuwer — outra grande mentalidade egípcia, ao que tudo indica um veritólogo, como que a prever a essa futura encarnação de Hermes —, sonhasse de antemão com a vinda do filósofo-rei que iria redimir a humanidade do caos e da injustiça, quando ele assim se expressa:

Ele arrefecerá a chama da conflagração social. Será considerado o pastor de todos os homens. Mal nenhum existirá em seu coração. Quando os seus rebanhos são poucos, ele passa o dia a reuni-los, pois estão de coração febril. Ele lhes discernirá o caráter na primeira geração. E destruirá o mal. Suprirá a semente da herança… Onde estará esse homem hoje? Dormindo, por acaso? Atenção, o seu poder é invisível”.

Eis aqui, pois, o espírito de Hermes já a revolucionar a nossa humanidade no Egito, pois tais palavras configuram realmente a voz de um verdadeiro profeta, mesmo com os estudiosos considerando essas palavras como sendo um exemplo de idealismo social, ao que podemos denominar de messianismo.

 

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