02.02- As vocações

A Adm. de Empresas
15 de junho de 2020 Pamam

Sabendo-se que Deus, a Providência Divina, vai provendo todas as humanidades de novas obrigações naturais, antes nunca exercidas, ou poucas vezes exercidas, na medida exata em que a elas os espíritos aqui encarnados vão fazendo jus, ou na mesma proporção em que vão necessitando, por força da evolução. Sabendo-se também que essas novas obrigações naturais são de natureza mais complexa do que as anteriores, e que, por serem de natureza mais complexa do que as anteriores, são primeiramente destinadas aos espíritos que mais evoluíram em relação aos seus semelhantes, como a lógica assim determina, cabe aqui agora a seguinte indagação:

Quais são os fatores que qualificam a esses espíritos mais adiantados ou o que os fazem merecedores dessas novas obrigações naturais de natureza mais complexa, antes nunca exercidas, ou poucas vezes exercidas?

A resposta é relativamente simples. Se fizermos analogia com o nosso currículo escolar, iremos constatar que se um aluno concluiu com grande brilhantismo o curso do primeiro grau, ele cumpriu apenas uma etapa da incumbência relativa a esse currículo, sem que fique isento do restante do aprendizado obrigatório que tal currículo requer, no entanto é um dos mais qualificados para exercer com louvor o curso do segundo grau; assim como aquele que concluiu com grande brilhantismo o curso do segundo grau é também um dos mais qualificados para exercer com louvor o curso universitário; uma vez que, ambos, por intermédio do próprio esforço, adquiriram com brilhantismo os pré-requisitos necessários para tanto.

Da mesma forma, se um espírito concluiu com grande brilhantismo o curso relativo a uma parcela das obrigações naturais, ele apenas cumpriu com uma parte da incumbência referente a esse currículo universal, sem que fique isento do restante do aprendizado obrigatório que esse currículo divino requer, no entanto é um dos mais qualificados para exercer com louvor o curso da próxima parcela; assim como aquele que já concluiu com grande brilhantismo o curso desta próxima parcela é também um dos mais qualificados para exercer com louvor o curso da parcela seguinte; já que, ambos, por sua vez, através do próprio esforço, como os alunos do currículo escolar, também adquiriram com brilhantismo os pré-requisitos necessários para tanto.

Desta maneira, fica bastante claro que são os pré-requisitos, ou seja, os conhecimentos e as experiências adquiridos, os quais por sua vez geram as qualidades morais e éticas, respectivamente, portanto a educação, os fatores que qualificam os espíritos a exercerem parcelas seguintes das obrigações naturais.

Tal como a Providência Divina, de maneira similar, os seres humanos quando pretendem colocar aos seus serviços os seus semelhantes, exigem dos mesmos as provas relativas aos seus conhecimentos e às suas experiências para os fins a que se destinam, analisam as suas qualidades para se certificarem dos seus atributos morais e éticos, o que normalmente se faz por intermédio de currículos, informações de terceiros, entrevistas, provas orais e escritas, testes teóricos e práticos, redações, e documentos diversos, como diplomas, títulos, trabalhos, comprovantes de cursos científicos e literários, inclusive testes de psicologia, etc.

Quando os espíritos mais evoluídos adquirem os pré-requisitos necessários para poderem exercer as parcelas seguintes das obrigações naturais mais complexas do que as já existentes, e antes nunca exercidas por nenhum integrante da massa humana, para as quais, em obediência à lei da evolução, e por pioneirismo, eles se sentem atraídos, surgem daí as vocações de 1ª Grandeza, cuja natureza é a mais elevada, pois que encerra em si, ideais sublimes de essência maior, em função do estágio evolutivo em que se encontram.

Posteriormente, após darem cumprimento a essas incumbências, esses mesmos espíritos se encontram qualificados para desempenhar o magistério dessas parcelas de obrigações naturais por eles já exercidas, cujos conhecimentos e experiências foram dura e pioneiramente por eles adquiridos, e para as quais os espíritos que os seguem na esteira evolutiva, por sua vez, por haverem adquirido os pré-requisitos necessários para tanto, sentem-se atraídos, surgindo daí as vocações de 2.ª Grandeza. E digo que estas são vocações de 2.ª Grandeza, simplesmente porque nelas os espíritos se sentem atraídos em seguir os caminhos pelas estradas já antes percorridas por outros mais adiantados, que se deram ao esforço e ao trabalho de registrar as devidas instruções de percurso, tornando os seus perigos já conhecidos, desde que observados os sinais de alerta contra os inimigos naturais que foram vencidos, que são os obstáculos da vida.

Pode-se claramente observar que nas vocações de 1.ª Grandeza os espíritos se sentem atraídos em seguir o caminho através de regiões ainda não conhecidas, antes nunca exploradas, tendo como escudo contra os inimigos naturais apenas os pré-requisitos conquistados, sendo, pois, os pioneiros do progresso, daí tais vocações encerrarem ideais sublimes de essência maior.

Enquanto que nas vocações de 2.ª Grandeza, os espíritos se sentem atraídos em seguir o caminho por regiões já conhecidas apenas pelos pioneiros, tendo como escudo contra os inimigos naturais não somente os pré-requisitos conquistados, como também o magistério desses mais adiantados, daí a razão de tais vocações, embora encerrando ideais igualmente sublimes, não possuírem a mesma essência. No entanto, são esses espíritos que pavimentam o caminho para a vinda de outros valorosos espíritos.

Existem ainda as vocações de 3.ª Grandeza. Nestas, a conquista dos pré-requisitos necessários deve estar devidamente alicerçada na repetição das lições que, em si, as obrigações naturais correspondentes encerram, para que, desta maneira, os seus conhecimentos e as suas experiências possam ser adquiridos em sua plenitude, de forma correta, incontestável, com o seu somatório transformado em reais qualidades por intermédio do saber assim conquistado, na luta constante do espírito em busca de uma perfeição cada vez maior.

Nas vocações de 3.ª Grandeza, os espíritos se sentem atraídos em aperfeiçoar, sobremaneira, os caminhos das estradas em que eles mesmos estão a percorrer, com eles mesmos se dando ao trabalho de registrar as suas instruções de percurso, conhecendo pessoalmente os seus perigos e lutando frente a frente contra os próprios inimigos naturais; atentando, contudo, tanto para o magistério de outros espíritos mais adiantados, que já tenham percorrido a essas estradas, como para os registros dos seus próprios aprendizados e do seu próprio saber. E isso acontece, justamente porque tais espíritos ainda são detentores de determinadas restrições no exercício das obrigações naturais que estão a exercer, não tendo por isso conseguido aportar em seus portos de destino, mesmo que à distância os tenham contemplado.

Nas vocações dessa natureza, por ocasião dos seus desempenhos, as inclinações manifestadas pelos espíritos são as mais visíveis aos olhos deste mundo, notadamente em relação àquelas que dizem respeito diretamente às atividades de relação com este planeta, pois através delas é que se podem observar mais claramente as tendências dos espíritos para as investigações religiosas e as pesquisas científicas, as artes, as ciências, as letras, o comércio, a indústria, o serviço, a agricultura, etc.

Há ainda a necessidade de se fazer o esclarecimento de mais um importante fundamento. Quer o espírito esteja no exercício de obrigações naturais mais complexas, menos complexas ou de natureza repetitiva, o basilar é que, estando no exercício de qualquer uma delas, algo é certo: ele estará sempre adquirindo novos atributos, renovando aqueles já conquistados e se aperfeiçoando cada vez mais em cada um deles. Assim, ele pode dar um impulso significativo em sua evolução espiritual, podendo se destacar de todos os demais que estejam no mesmo exercício dessas obrigações naturais e de outras.

Em sendo assim, podemos afirmar que a vocação deve ser compreendida como sendo apenas uma disposição ou uma aptidão inata para o exercício das obrigações naturais. Desta maneira, ela fica circunscrita apenas ao âmbito da tendência, da propensão ou da inclinação para a própria obrigação natural. Sem a existência da vocação muitos espíritos deixariam de exercer as suas obrigações naturais.

É por isso que o planeta se encontra organizado pela Providência Divina para oferecer as obrigações naturais a todas as vocações, uma vez que a cada instante que passa mais e mais espíritos estão a obter novos pré-requisitos que os qualificam a exercer parcelas seguintes de obrigações naturais, surgindo daí as diferentes vocações, diversa em sua natureza, quais sejam:

  1. 1ª Grandeza: as vocações relativas às obrigações naturais de natureza extremamente complexa, por não haverem antes ainda sido exercidas;
  2. 2ª Grandeza: as vocações relativas às obrigações naturais de natureza complexa, por haverem sido antes exercidas por alguns poucos;
  3. 3ª Grandeza: as vocações relativas às obrigações naturais de natureza repetitiva, pelo fato dos espíritos ainda serem detentores de determinadas restrições no seu exercício, mas que podem contribuir com um saber muito mais profundo em relação a elas, destacando-se a olhos vistos de todos, uma vez que a evolução se processa em qualquer setor da vida.

A Providência Divina ficaria impossibilitada de prover este mundo de obrigações naturais, se os espíritos que temporariamente o habitam não fossem detentores dos pré-requisitos necessários para o seu exercício, pois assim não existiriam as disposições, as aptidões, ou seja, as vocações para elas. Não se pode conceber tal fato. Como da mesma forma um espírito ficaria impossibilitado de prover de trabalho o meio em que vive, se todos aqueles que o rodeassem não tivessem a vocação para o labor, quer dizer, fossem todos malandros, assim como são os sacerdotes, eu devo isto sempre repetir, para que deste modo possa ficar bem fixado na mente do leitor as suas atividades parasitárias. Assim, tanto no caso da Providência Divina como no caso do espírito provedor de trabalho, fica bem evidenciada a imprescindibilidade da existência das vocações para o exercício pleno das atividades por parte dos espíritos.

Já foi dito reiteradas vezes que para este planeta vêm espíritos de outros mundos incomparavelmente mais adiantados, para que, em contato direto com a matéria e os atrativos que os seus efeitos proporcionam, poderem efetuar com mais rapidez as suas evoluções espirituais, utilizando-se do estudo, do sofrimento e do raciocínio, além de também procederem a evolução de outros seres infra-humanos e também a do próprio planeta em que estão a habitar. Foi dito também que esses espíritos operam e influenciam por intermédio de uma enorme variedade de incumbências, que se revelam através da ocupação de atividades úteis e necessárias ao espírito, no exercício de um ofício ou de uma profissão, denominadas, ambas, de obrigações naturais, mais especificamente de obrigações profissionais. E foi dito, ainda, que as vocações são necessárias para que os espíritos venham a exercer as suas obrigações naturais.

Em resumo: foi dito que os espíritos aqui vêm para procederem as suas evoluções espirituais, a evolução de outros seres e a evolução do próprio planeta, operando e influenciando por intermédio das obrigações naturais, que somente podem ser exercidas com a presença das imprescindíveis vocações.

Somando-se o que acima foi dito, em resumo, com o fato de que todos nós somos cientes de que o homem é um ser essencialmente social — já que ninguém desconhece a existência da Sociologia, a ciência que estuda o comportamento e o desenvolvimento das sociedades humanas, que em seus compêndios denomina de interação social a influência que os seres humanos exercem reciprocamente entre si —, fica claramente a amostra que toda e qualquer influência recíproca exercida pelos espíritos, só pode ser operada por intermédio das obrigações naturais, pelos deveres e pelas missões, e que todas elas só podem ser desempenhadas com a presença das imprescindíveis vocações.

Eis, pois, a evidência de que as vocações são necessárias para o desempenho das obrigações naturais, para que assim os seres humanos, nos seus exercícios, auxiliando-se mutuamente através da influência recíproca, não somente possam evoluir individualmente e em grupo, como também possam promover a evolução de outros seres e do próprio mundo em que temporariamente habitam.

Eu agora vou me adiantar um pouco mais para frente, em busca de mais elementos que me permitam dotar o leitor estudioso e curioso de um conhecimento e de uma experiência mais adiantados do que seja a vocação, para que assim ele não fique apenas a flutuar, boiando em águas rasas, quando, juntos, navegarmos em águas serenas para o nosso porto de chegada.

O notável veritólogo Luiz de Souza, afirma que a vocação, de um modo geral, manifesta-se como resultado da atividade exercida pelo espírito nas encarnações mais recentes. Que o espírito que tenha sido cientista manifesta vocação para a ciência, como o artista para a arte, o eletricista para a eletricidade, e assim por diante. E que em cada existência, mais conhecimentos e experiências ele vai adquirindo e, pois, mais se aperfeiçoa na atividade a que vem se entregando.

Analisando pelo todo o que o autor afirma acima, o ser humano comum é levado a crer, de imediato, que ele está a se referir apenas àquelas vocações relativas às obrigações naturais de natureza repetitiva, pelo fato de tais espíritos ainda serem detentores de determinadas restrições no seu exercício. Mas não é bem assim. Não se deve esquecer o fato de que, embora não haja a mínima dúvida de que toda obrigação natural seja de natureza útil e necessária ao espírito, isto não impede que exista uma escala ascendente em relação a elas; pelo contrário, como já dito, antes a justifica, uma vez que tudo se subordina ao preceito da evolução.

Dessa forma, se em todas as suas encarnações os espíritos tendem sempre em adquirir e aperfeiçoar cada vez mais os seus atributos para se qualificarem para as novas obrigações naturais, é lógico que nas encarnações mais recentes não só os atributos adquiridos serão de natureza superior aos já conquistados, como estes serão ainda mais aperfeiçoados, tendendo ambos para uma imperfeição cada vez menor. Lembrando aqui que são os atributos que comandam os nossos órgãos mentais, que são o criptoscópio, o intelecto e a consciência.

Em decorrência, tais atributos, estando mais numerosos e ainda menos imperfeitos, juntos com os conhecimentos e as experiências adquiridos, serão invariavelmente os elementos que formarão os pré-requisitos requeridos para que eles possam seguir as suas diversas vocações, sabidamente necessárias para o exercício das suas obrigações naturais, podendo estar ou não situadas em níveis mais elevados da escala à qual eles vêm ascendendo, pois tudo isso se realiza de acordo com o livre arbítrio, em conformidade com um plano estabelecido pelo Astral Superior.

E tudo isso se realizando de acordo com o livre arbítrio, é evidente que são os próprios espíritos quem irão decidir se os seus atributos preenchem ou não os pré-requisitos necessários para seguir as suas vocações: tanto as antigas, cujos atributos irão aperfeiçoar, e para as quais tendem em maior proporção, em virtude da menor dificuldade em seu desempenho, face aos conhecimentos e experiências já adquiridos em relação a elas; como as novas, cujos atributos irão conquistar, e para as quais tendem em menor proporção, em virtude da maior dificuldade em seu desempenho, face aos conhecimentos e experiências pouco adquiridos em relação a elas. Sendo esse, pois, o real motivo do autor afirmar que a vocação, de um modo geral, manifesta-se como resultado da atividade exercida pelo espírito nas encarnações mais recentes.

Luiz de Souza diz também que se encontram pessoas que possuem várias vocações, o que se lhes permitem escolher uma ou mais delas para o exercício das suas profissões. E que as vocações são as qualidades do espírito oriundas do seu próprio merecimento, conquistadas pelo seu esforço na imensa cadeia das suas reencarnações, que se revelam por intermédio do que se denomina de esteira fluídica.

E já que o autor vem se referindo apenas às vocações necessárias para o exercício das obrigações naturais de relação com este planeta e com os semelhantes, ou seja, as profissões, sem mencionar aquelas que são necessárias para o exercício das obrigações naturais essenciais ao espírito, faz-se necessário que se esclareça o seguinte: os espíritos, no exercício das suas obrigações naturais, tendem a realizar as suas tarefas se limitando apenas a executar ações antes já vivenciadas, já inseridas no rol dos seus conhecimentos, oriundas de experiências passadas, em obediência a uma acomodação que amolda tais ações às situações com que eles já se depararam, comumente denominada de “lei do menor esforço”.

Esse torpor, essa preguiça mental, essa indolência, que também pode ser denominado de inércia, tem na vida cotidiana exatamente o mesmo significado que tem na Física, que a define como sendo a propriedade que têm os corpos de persistirem no estado de repouso ou de movimento em que se encontram, enquanto não intervém uma força que altere a esse estado. Só que, em relação à Física, a força interveniente que altera o estado de repouso ou movimento dos elementos corpóreos é puramente material, podendo ser proveniente de uma causa física qualquer, inclusive da ação do pensamento. Enquanto que em relação às obrigações naturais, a força interveniente que altera o estado de torpor, de preguiça mental, de indolência, dos organismos corpóreos — seres humanos — é puramente espiritual, sendo, pois, como não poderia deixar de ser, proveniente unicamente do próprio espírito, o que se dá por intermédio da vontade, que deve se encontrar aliada ao esforço.

A vontade, então, estando aliada ao esforço, representa a mola propulsora da ação do espírito em se contrapor à inércia, quer dizer, ela nasce ou se fortalece ainda mais a partir do instante em que o espírito emprega ainda mais luta contra essa tal “lei do menor esforço”, quando posta assim neste sentido.

O notável médico, Dr. Pinheiro Guedes, em relação ao assunto, diz que a vontade é a energia, a potência, a atividade da força inteligenciada, em ação, agindo, operando; a capacidade de reagir e de se opor, não só ao mundo externo, repelindo, anulando a sua influência, os seus efeitos, pela produção de outros em contraposição àqueles; mas também, e principalmente, às solicitações íntimas, quer às que nascem dos instintos e apetites, quer às que provêm das necessidades corporais. Assim, a vontade se opõe ao desejo.

Tomando por base o exposto acima, analisemos a seguir um fato qualquer que tenha relação direta com as profissões:

Acontece, por vezes, face às limitações do meio, o fato das profissões se restringirem apenas em exigir dos espíritos a prática de ações já amplamente conhecidas e experimentadas. Eles então, na maioria das vezes, delas se desincumbem com uma destreza impressionante, quase com perfeição, embora o façam de modo quase autômato, em virtude dos seus aprendizados haverem sido auferidos apenas pelo consciente, que vai aos poucos lançando as suas impressões no inconsciente, ao qual devemos chamar de perispírito, corpo fluídico ou duplo etéreo, que os grava e executa. No entanto, quase todos, infelizmente, ignorando por completo o modo como se processa a sua evolução, ficam embevecidos quando a opinião pública admira e aplaude as suas ações profissionais, considerando que são os privilegiados da natureza, sem saberem que não existem privilégios, ou considerando que são o máximo, os gênios em pessoa, aqueles poucos escolhidos que foram muito bem dotados por Deus, em detrimento dos demais, quando tudo na realidade é revestido de mérito próprio.

Mas a realidade é bem outra. Aliás, a realidade é muito diferente. A realidade, pois, é que eles, ignorando de igual forma a existência da escala ascendente que existe nas obrigações naturais, nivelam por cima aquelas que estão a executar, sem saberem que, nelas, não poderão permanecer indefinidamente, uma vez que as leis espaciais, os princípios temporais e os preceitos universais, que regem a evolução de todos os seres, no caso os seres humanos, obrigar-lhes-ão a ascender para um novo estágio mais elevado. O exemplo prático de tal situação, nós podemos observar constantemente nas publicações periódicas das artes, por intermédio da narração da vida daqueles espíritos que se aprofundaram e se destacaram no conhecimento e na experiência da música e da poesia. A opinião pública, invariavelmente, é sempre unânime em qualificá-los como fenômenos, ignorando o que tal termo significa na realidade, como gênios da humanidade, quando, na realidade, eles apenas cumpriam simples estágios na escala ascendente das obrigações naturais.

E quem confirma claramente isso é justamente a grande educadora Olga B. C. de Almeida, quando diz, muito acertadamente, que tanto a música como a poesia são apenas dois estágios importantes no caminho do progresso intelectual.

É preciso, portanto, que se observe que, se no exercício das profissões, ou seja, das obrigações naturais que dizem respeito diretamente às atividades de relação dos espíritos com este planeta e com os semelhantes, não estão sendo exigidos maiores esforços de suas partes, é porque no exercício das obrigações naturais que dizem respeito diretamente às suas atividades essenciais, nos aperfeiçoamentos dos atributos, tais esforços têm que ser dobrados, para que assim eles não venham a medrar na acomodação.

Qualquer um sabe, pois é de domínio público, que toda e qualquer saliência adquirida, principalmente nas profissões, leva os espíritos ao encontro da vaidade. Consciente disso, Luiz de Mattos afirma, com inteira razão, que dos venenos sociais, o mais terrível para nós é aquele que insufla a vaidade dos seres, fonte de todos os vícios, de todas as misérias, de todos os papéis ridículos, mas do qual cada ser humano contém em si uma pontinha, que precisa abafar, dominar por completo, para o bem da sua alma, que não poderá voltar ao Grande Foco, ao Todo, enquanto em si contiver manchas venenosas como essa.

Por conseguinte, para aqueles que acham que são os privilegiados, que são o máximo, ou que são os gênios em pessoa, é bom que além de tomarem consciência disso, também tomem conhecimento do que diz Nílton Figueiredo de Almeida, com base nas comunicações de Luiz de Mattos, ao alertar que a vaidade leva muitos seres humanos a supor que são uns grandes espíritos, umas grandes inteligências, quando é certo que o espírito verdadeiramente evoluído e inteligente não é vaidoso, não tem pretensões tolas e até pouco valor dá àquilo que produz, considerando sempre que deveria produzir mais e melhor. E que a evolução do espírito se traduz na simplicidade, na singeleza, na maneira como o ser vive neste mundo, agindo sempre com inteligência, com sagacidade, mas sem estar dando importância à sua pessoa, que chega a não se aperceber do seu real valor.

E Luiz de Souza faz também o seu alerta, quando diz que a vaidade é uma das últimas falhas que abandonam o ser humano. Que ela é terrivelmente enraizada no gênero humano. Que há quem ostente a simplicidade apenas pela vaidade de ser simples. Que a vaidade se esconde, traiçoeiramente, nos recônditos da alma, e os seus tentáculos aprofundam-se de forma desconhecida. Que por isso nada deve ser feito ou dito que alimente a esse inimigo poderoso, quando não se sabe se está inteiramente morto. E que na medida do esclarecimento, o ser humano toma ciência do que vale, conhece-se a si mesmo e se acanha de ser elogiado, de passar pelo que não é, de ver alguém lhe atribuir virtudes que talvez não possua e privilégios que lhe pareçam estar acima dos seus merecimentos.

No caso que vimos analisando, que tem relação direta com as profissões citadas, não resta a menor dúvida de que, realmente, tem que ser aplicado um esforço dobrado no sentido de se adquirir ou aperfeiçoar atributos que sejam essenciais ao espírito, justamente para que, no exercício dessas profissões, consiga-se conviver em harmonia, lado a lado, com a saliência social, combatendo sempre a vaidade.

E digo que o esforço tem que ser dobrado, pelo seguinte: se por um lado tem que se lutar para dar combate mortal aos ataques da vaidade, essa perigosa e poderosa inimiga, que ataca feito doença grave, dissimulada de permeio por entre o colorido ilusório da saliência social, para não ser reconhecida, causando perturbações no raciocínio e desarranjos nas funções mentais; por outro lado, tem que se lutar mais ainda por adquirir ou aperfeiçoar, em nível adequado, os atributos da humildade, da simplicidade, da singeleza, que de todos aqueles essenciais ao espírito, situam-se na mais elevada escala, pois que exige, sobremaneira, um enorme cabedal de sabedoria para que os seus exercícios venham a ser efetuados sem maiores restrições, mas nunca chegando ao exagero, para que assim não venham a encobrir com os seus mantos o atributo da sinceridade, que deve se revelar em todas as ocasiões, na medida do possível.

Assim, aqueles que permanecem adeptos à “lei do menor esforço”, que por isso não se esforçam por adquirir os atributos essenciais ao espírito, os quais preenchem os pré-requisitos necessários para o desempenho das suas vocações profissionais, combatendo ao mesmo tempo aqueles que sejam inferiores e negativos, fatalmente sucumbirão ou farão papel ridículo no exercício das suas profissões.

Em outras palavras: os atributos adquiridos no exercício das obrigações naturais que dizem respeito diretamente às atividades essenciais ao espírito, são imprescindíveis para o exercício das obrigações naturais que dizem respeito às atividades de relação com este planeta e com os semelhantes.

E não poderia deixar de assim ser, porquanto é lógica por si mesma essa concepção, pois ninguém de bom senso iria se dignar em aceitar com resignação o fato de alguns espíritos poderem operar e influir sobre o meio de uma forma direta e intensa, interferindo com relevância na sobrevivência material e na organização da vida no planeta, sem que para tanto tivessem adquirido o devido preparo espiritual.

E é justamente na busca desse equilíbrio, na tentativa de igualar os atributos que dizem respeito às atividades essenciais do espírito com os conhecimentos e as experiências que dizem respeito diretamente às atividades de relação do espírito com este planeta e com os semelhantes, que a maioria dos espíritos tende a reencarnar repetindo as suas profissões, advindo daí a afirmativa do autor mais acima citado de que “o espírito que tenha sido cientista, manifesta vocação para a ciência, como o artista para a arte, o eletricista para a eletricidade, e assim por diante”; pois enquanto ele não adquirir e aperfeiçoar a todos os atributos espirituais que sejam necessários para o exercício da profissão a que vem se entregando, que para a qual manifesta cada vez mais vocação, irá sempre repetir as lições contidas na mesma, até que a exerça sem maiores restrições. Em decorrência, à medida que as lições vão sendo repetidas, como não poderia ser diferente, “em cada existência, mais conhecimento e experiência ele adquire e, pois, mais se aperfeiçoa na atividade a que vem se entregando”, conforme o autor conclui.

 

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