02.02.03- A Escolástica

A Era da Verdade
2 de fevereiro de 2019 Pamam

Após a vinda de Jesus, o Cristo, a este nosso mundo-escola, passou a reinar na cultura humana a fé credulária, tendo por base o sobrenaturalismo e o misticismo. Nesse período da Idade da Fé encarnaram alguns espíritos de escol, com vistas a modificar a essa cultura sobrenatural e mística, em que esses espíritos de escol eram veritólogos, os quais deram origem ao Neoplatonismo, passando a impor uma nova mentalidade na cultura da nossa humanidade. Mas, infelizmente, essa nova mentalidade foi empanada pelas especulações dos padres da Igreja, ainda na Idade da Fé, em que o propósito desses seres humanos era simplesmente especular acerca do sobrenatural, como se a verdade pudesse ser alcançada através desses seus devaneios sobrenaturalísticos, ao que os estudiosos do assunto denominam de Patrística.

A partir do ano 578, deu-se início à Idade das Trevas, que se estendeu até ao ano de 1299, em que nesse período ocorre uma lacuna no que diz respeito às encarnações de grandes espíritos, pois não constam nos registros históricos qualquer mentalidade relevante com pendores veritológicos ou saperológicos.

O mundo sofreu uma grande alteração cultural quando em 476, Odoacro, o líder dos hérulos, comandou a invasão e o saque de Roma, destronando a Rômulo Augusto, o último imperador romano. Odoacro enviou as insígnias imperiais para Constantinopla, a capital do Império Romano do Oriente, decretando o final do Império Romano do Ocidente.

Assim, à grande unidade política da antiguidade passa a suceder o seu completo fracionamento, quando uma onda de povos bárbaros se precipita na Europa, povoando-a quase que totalmente, constituindo reinos bárbaros em diferentes regiões do antigo Império, quando então a cultura clássica passa a submergir.

As comunidades que formavam a cultura do Império Romano cedem o seu lugar ao separatismo dos Estados bárbaros, ensejando o surgimento de novas culturas, com os visigodos, suevos, ostrogodos e francos formando diversas comunidades políticas desconexas entre si, que levarão um bom tempo para adquirir vínculos em comum. Desta maneira, enquanto alguns ainda acreditavam no regresso do Império Romano do Ocidente, os povos bárbaros passaram a formar algo de novo no continente: a Europa. Os elementos que constituíam a cultura antiga ficaram praticamente perdidos e, sobretudo, dispersos.

Entretanto, tudo aquilo que nos foi transmitido pelas grandes mentalidades da Antiguidade teria que ser necessariamente resgatado, pois que na Idade das Trevas nada de proveitoso em termos veritológicos e saperológicos nos foi transmitido. Assim, alguns espíritos abnegados encarnaram para cumprir com essa missão, tendo o trabalho de recolher com cuidado tudo aquilo que se sabia a respeito da Antiguidade, reunindo tudo em livros enciclopédicos, obviamente que não originais, apenas repositórios do saber greco-latino. Foram esses espíritos abnegados que possibilitaram a continuidade da história Ocidental, laborando com paciência nesse vazio proporcionado pela Idade das Trevas, para que então pudesse surgir posteriormente uma nova comunidade europeia.

Os historiadores realizam os seus registros históricos, fazem os seus comentários acerca dos fatos históricos, mas não chegam a atentar para a existência da espiritualidade, principalmente em relação ao plano elaborado para a espiritualização da nossa humanidade, em que nele se encontra inserida a formação de todas as nações, e sem este conhecimento, eles jamais chegarão a compreender a contento a todo esse processo desencadeado.

Foi nesse ambiente cultural proporcionado pela Idade das Trevas que a partir do século IX surgiu a Escolástica, cuja palavra é derivada do termo grego scholastikós, que tem o significado de pertencer à escola, ou mesmo de instruído ou sábio, cuja doutrina é considerada pelos estudiosos como sendo um método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem com origem nas escolas monásticas ditas cristãs, que procura conciliar a fé credulária com o pensamento grego, tendo por base tanto a razão platônica como a aristotélica, como se essa conciliação carregada de devaneio tivesse algo de racional.

A Escolástica passou a ser dominante no ensino das universidades medievais, em que o domínio da fé credulária e a tentativa da sua conciliação com a razão propiciou a que ela viesse a se estender até ao século XVI, caracterizando-se como sendo um trabalho de cooperação relacionado diretamente com a organização eclesiástica, proporcionando desta maneira um corpo unitário de doutrina como se fosse dirigida ao bem comum, com a colaboração convergente dos sentimentos individuais, em que essa colaboração chega a suprimir um tanto a personalidade individual.

Mas isso não implica em dizer que a Escolástica venha a ser uma escola totalmente homogênea, ou mesmo que lhe tenham faltado algumas personalidades eminentes, pois mesmo com a colaboração convergente, nós nos deparamos com algumas mentalidades que se sobressaem em relação as demais, em razão de utilizarem o recurso da dialética para a ampliação da doutrina, proporcionando assim um volume de conhecimentos incongruentes, pois tudo aquilo que se liga diretamente à fé credulária carece de congruência, notadamente estando ligado ao sobrenatural.

Como os gêneros literários escolásticos se relacionam diretamente com as escolas e depois com as universidades, eles passam a conservar uma estreita relação com a vida docente, uma vez que o seu ensino se realiza em primeiro lugar com os textos que são lidos e comentados, por esta razão é adotado o termo latino lectiones, que possui o significado de leitura, cujos textos geralmente dizem respeito aos Evangelhos, sendo mais frequentes os textos elaborados pelos padres da Igreja, ligados à Teologia, ou mesmo de veritólogos e saperólogos, tanto os antigos como os medievais.

Pode-se assim compreender a natureza dos gêneros literários escolásticos, em que as formas principais em que se converte o sentimento dos escolásticos podem ser divididas da seguinte maneira:

  1. Commentaria: que diz respeito aos comentários relativos aos diferentes livros estudados, entendendo-se por commentaria os assuntos que se situam dentro de uma área geral de interpretação — a exegese — dos textos ditos sagrados;
  2. Quaestiones: que eram os grandes reportórios das questões discutidas, os quais eram baseados em uma prática de ensino nas universidades medievais, cuja prática de ensino possui a seguinte estrutura básica:
    1. A questão;
    2. Os argumentos em forma lógica, ou pseudamente lógica, ressalte-se, os quais dizem respeito aos prós e os contras;
    3. A decomposição da questão, ressaltando-se os argumentos da contraposição como sendo inválidos ou falácias.
  3. As grandes sínteses doutrinais: em que nelas se resume o conteúdo geral da Escolástica, sobretudo as de S. Tomás de Aquino, especialmente a Summa Theologiae.  

Mas, afinal, qual é o contexto em que se situa a Escolástica? Ela possui em seu contexto alguma conotação de Veritologia? De Saperologia? Ou é simplesmente Teologia?

Para os estudiosos essas questões não se tornam razoavelmente claras, principalmente porque todos eles ignoram completamente as existências tanto da Veritologia como da Saperologia, já que desde a Antiguidade os seus estudos vêm sendo mesclados, em que as obras dos veritólogos e dos saperólogos vêm sendo consideradas como sendo simplesmente Filosofia.

A compreensão satisfatória acerca da Escolástica somente poderá ser alcançada através da extinção da mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, que sob a denominação imprópria de Filosofia passa a confundir as mentes dos estudiosos, embaralhando-as, por isso eles ainda não conseguiram distinguir os três tratados superiores, em decorrência ainda não conseguiram formar uma ideia precisa acerca da verdade, da sabedoria e da razão.

A Veritologia é o tratado da verdade, por isso ela se ocupa, sobremaneira, dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ensejando a que os veritólogos venham a tratar das causas que dizem respeito às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais. A Saperologia é o tratado da sabedoria, por isso ela se ocupa, sobremaneira, das experiências físicas acerca da sabedoria, ensejando a que os saperólogos venham a tratar dos efeitos que dizem respeito às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais. E a Ratiologia é o tratado da razão, por isso ela se ocupa tanto dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, como das experiências físicas acerca da sabedoria, ensejando a que os ratiólogos venham a tratar tanto das causas como dos efeitos que dizem respeito às coisas, aos fatos e aos fenômenos universais, pois que a sua função é de coordenação, e a sua finalidade é coordenar a verdade e a sabedoria, uma vez que ambas tendem a se unir, a se congregar, a se irmanar.

Quando os veritólogos transmitem alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade, essa transmissão tem que realizada por intermédio da inserção de algumas experiências físicas acerca da sabedoria, ou as suas hipóteses, para que assim eles possam ser apreendidos pelo intelecto dos saperólogos, uma vez que o repositório da verdade é o Espaço Superior, onde lá os seus conhecimentos têm que ser percebidos e captados, por intermédio do criptoscópio, que tem a função de perceber e a finalidade de captar, através das vibrações magnéticas, sendo necessária a utilização da moral para que o veritólogo possa se elevar ao Espaço Superior. Assim, quando os veritólogos transmitem os seus conhecimentos com a inserção de experiências, ou das suas hipóteses, diz-se que eles elaboraram uma saperologia, que não deve ser confundida com a própria Saperologia, que antes era denominada de uma filosofia.

E quando os saperólogos transmitem algumas experiências físicas acerca da sabedoria, essa transmissão tem que ser realizada por intermédio da inserção de alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ou as suas especulações, para que assim elas possam ser apreendidas pelo criptoscópio dos veritólogos, uma vez que o campo da sabedoria é o Tempo Futuro, onde lá as suas experiências têm que ser compreendidas e criadas, por intermédio do intelecto, que tem a função de compreender e a finalidade de criar, através das radiações elétricas, sendo necessária a utilização da ética para que o saperólogo possa se transportar ao Tempo Futuro. Assim, quando os saperólogos transmitem as suas experiências com a inserção de conhecimentos, ou das suas especulações, diz-se que eles elaboraram uma veritologia, que não deve ser confundida com a própria Veritologia, nunca antes identificada.

Agora se pode compreender perfeitamente que a Escolástica, desde o princípio, sempre foi voltada para a Teologia, não havendo qualquer dúvida em relação ao fato. Mas acontece que a Teologia é o estudo que trata acerca da natureza de Jeová, o deus bíblico, em que os seus estudiosos ignoram se tratar de um espírito tremendamente obsessor quedado no astral inferior, por isso, em sentido estrito, limita-se ao falso cristianismo, cujos estudos se realizam por intermédio principalmente da Bíblia, um livro mentiroso e até perigoso, assim como dos dogmas imaginados, e, em sentido amplo, pode ser aplicado a quaisquer credos ou seitas. Assim, desde o período pós Cristo, notadamente na Idade das Trevas, através da Escolástica, a Teologia é ensinada como sendo uma disciplina acadêmica, tipicamente em universidades, seminários e escolas teológicas.

Em sendo assim, os sentimentos dos escolásticos são de que a Teologia pode coexistir com a Saperologia, de tal maneira como se a Veritologia fosse a própria Teologia, como se esta última pudesse conter os conhecimentos metafísicos acerca da verdade e assim pudesse se unir, irmanar-se, congregar-se com a sabedoria.

Mas mesmo assim procedendo, surge um grave problema da relação entre a Teologia e a Saperologia, que os escolásticos tentam resolver por intermédio da subordinação, vejam só, tal como se a Saperologia fosse uma disciplina auxiliar, subordinada, da qual poderia se servir a Teologia para as suas finalidades incongruentes, portanto, inconclusivas, alheias à racionalidade.

Esse sentimento por parte dos escolásticos é notadamente simplista, sendo aparentemente satisfatório para quem não é esclarecido, mas só na aparência, uma vez que a Saperologia é um dos três tratados superiores, pondo-se em pé de igualdade com os outros dois, que são a Veritologia e a Ratiologia, sem qualquer subordinação. Então a Saperologia jamais poderia ser subordinada à Teologia, que medra nas agruras do sobrenatural, fora do contexto da realidade universal.

Os problemas da Escolástica, assim como anteriormente os problemas da Patrística, são todos relacionados diretamente ao contexto teológico, no que se inclui naturalmente o contexto dogmático, em que neste último surgem as formulações e as interpretações dos dogmas, sem que possa ocorrer qualquer explicação racional, portanto, qualquer demonstração, fazendo-se necessário lançar mão da fé credulária como sendo um instrumento para substituir a insubstituível compreensão.

Desses problemas teológicos e dogmáticos vão sendo suscitadas novas questões, quando então os escolásticos buscam as explicações para essas questões no contexto saperológico. Tomemos como exemplo o dogma da Eucaristia, que é o sacramento central da Igreja, em que através das palavras pronunciadas pelo sacerdote o pão e o vinho se transubstanciam no corpo e no sangue de Jesus, o Cristo, respectivamente, que se trata de algo eminentemente credulário, sem qualquer fundamento, e que por isso nada tem a ver com a Veritologia e nem tampouco com a Saperologia, mas os escolásticos procuram a explicação para esse dogma de alguma maneira, recorrendo ao conceito da transubstanciação, que é a transformação de uma substância em outra, ou, em outras palavras, a presença sacramental de Jesus, o Cristo, na Eucaristia, termo escolástico utilizado pela Igreja para explicar a conversão do pão e do vinho no corpo e no sangue do Cristo.

Assim, ignorando completamente a Veritologia e a Saperologia, os estudiosos passam a considerar o termo transubstanciação como se fosse filosófico, pois que tudo aquilo que é transcendente eles consideram como se fosse Filosofia, uma vez que a substância é considerada, equivocadamente, como sendo um conceito metafísico que designa aquilo que há de permanente nas coisas que mudam, e, portanto, o fundamento de todo acidente.

Na realidade, Deus é formado de Substâncias, que se dividem em Essência e Propriedades. A Essência é a Substância principal, que pode ser designada como sendo o Ser Total. As Propriedades são as Substâncias secundárias, que podem ser designadas como sendo a Força Total, a Energia Total e a Luz Total.

Nós também somos formados de substâncias, já que somos coisas, e todas as coisas são provenientes de Deus, que é a Coisa Total. Em sendo assim, como realmente é assim, e como jamais poderia ser diferente, nós somos essências, pois que somos partículas do Ser Total, ou os seres do Ser Total, ou, ainda, as criaturas dos Criador. E que evoluímos adquirindo as Propriedades de Deus, evoluindo primeiramente através das propriedades da Força e da Energia, e depois, aos adquirirmos o raciocínio e o livre arbítrio, tornando-nos espíritos, evoluindo através da propriedade da Luz.

O entendimento de substância teve várias interpretações ao longo da história da Filosofia, com ela ainda representando a mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, em que o termo substância, proveniente do latim sustantia, possui o significado de o que está por baixo de, assim tal como se todas as coisas estivessem abaixo de Deus, o que não tem procedência, pois que não estamos abaixo de Deus, uma vez que Ele é o Todo, e nós fazemos parte integrante do Todo.

Então os estudiosos passam a considerar que toda a realidade possui algo de inalterável, que é justamente a essência das coisas, e uma série de elementos acidentais que podem variar em algum sentido, que é justamente a evolução das coisas através das propriedades da Força, da Energia e da Luz. É por isso que, de qualquer maneira, a ideia de substância faz parte da metafísica como disciplina da até então denominada Filosofia, cuja denominação mais apropriada é Saperologia.

Aristóteles era um pensador, por excelência, por isso ele trabalhava mais com o seu intelecto do que com o seu criptoscópio, mas para transmitir as experiências físicas acerca da sabedoria, ele tinha que inserir alguns conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ou as suas especulações, para que assim pudesse formar uma veritologia, por isso, para ele, “O ser se diz de várias maneiras…”, e, com esta frase, ele lança uma nova maneira especulativa, através da dialética, de se alcançar a verdade sobre as coisas, diferentemente dos diálogos de Platão, mas não através do sentimento, e sim a partir do pensamento.

Assim, para Aristóteles, a substância não se refere à essência e às propriedades, sendo, pois, o suporte, ou substrato, pelo qual a matéria se constitui em alguma coisa, seguindo sempre uma forma, com o saperólogo dividindo a substância em duas.

A substância primeira se refere aos seres particulares, individuais, onde se pode ter sensações, e nelas as referências imediatas, em que nessa substância primeira estão contidas tanto a essência como os acidentes. A essência é aquela que guarda uma identidade consigo mesma, uma unidade interna, sem a qual não há determinação, e tudo é misturado, tornando-se indistinguível, sendo, pois, as características próprias dos seres, como, por exemplo, a essência do homem é ser animal, racional, mamífero, bípede, etc. Já o acidente é aquilo que não é necessário em um ser, sem o qual o ser não deixa de ser o que é na realidade, seja pela ausência, seja pela presença, como, por exemplo, homem negro, branco, alto, baixo, gordo, magro, rico, pobre, etc., sendo atribuições que se referem ao indivíduo, mas não o definem. No entanto, para se atribuir algo a um sujeito, é preciso que haja predicados, ou categorias, que dizem sobre o ser de vários modos, em que Aristóteles considera a existência de nove categorias com as quais se diz sobre o ser, que são as seguintes:

  1. Qualidade;
  2. Quantidade;
  3. Relação;
  4. Lugar;
  5. Posição;
  6. Tempo;
  7. Posse;
  8. Ação;
  9. Paixão.

As categorias são termos de proposições que declaramos sobre as coisas. Elas indicam que algo é, faz, ou, ainda, está; sendo apreendidas diretamente, sem a necessidade de demonstração, não sendo conhecimentos, já que os conhecimentos derivam de um conjunto de proposições declarativas do qual é extraída uma conclusão, sendo, pois, o famoso silogismo. As categorias possuem as seguintes propriedades:

  1. Extensão: conjunto de coisas determinadas por uma categoria;
  2. Compreensão: conjunto de características que uma categoria designa.

Temos que quanto maior for a extensão de uma categoria, ou termo, tanto menor será a sua compreensão e vice-versa, tal como: Sócrates é apenas um indivíduo, o que vem caracterizar uma menor extensão e uma maior compreensão; já o termo homem é um conjunto, o que vem caracterizar uma maior extensão e uma menor compreensão.

Essa distinção permite classificar as categorias da seguinte maneira:

  1. Gênero: extensão maior, compreensão menor. Ex.: animal.
  2. Espécie: extensão média e compreensão média. Ex.: homem.
  3. Indivíduo: extensão menor e compreensão maior. Ex.: Sócrates.

Desse modo, Aristóteles pôde construir a sua lógica como instrumento do correto pensar através de silogismos.

Já a substância segunda se refere aos universais abstraídos dos indivíduos, por isso são referências mediadas pelo pensamento, pelo raciocínio. A sua existência depende dos indivíduos, que são classificados em gêneros e espécies. A substância é sempre o sujeito, ou seja, aquilo do que se fala, do que se atribui.

Tomás de Aquino, então, que foi um teólogo e o expoente da Escolástica, mas completamente desprovido dos pendores veritológicos e saperológicos, tentou conciliar o pensamento de Aristóteles com a doutrina pseudamente cristã, tendo para esse seu intento mantido a mesma visão de Aristóteles acerca da substância, mas entendendo que existem substâncias sem matéria ou forma, que são os anjos de Jeová, o deus bíblico, que são anjos negros, diga-se de passagem. Assim, na visão de Tomás de Aquino, existem substâncias materiais e outras de tipo espiritual, em que esta distinção é conhecida pelos estudiosos como sendo substâncias separadas.

Essa mescla que sempre existiu entre a Veritologia e a Saperologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, com os veritólogos e os saperólogos sendo todos denominados de filósofos, proporcionou que houvesse vários entendimentos acerca da substância. Senão vejamos:

Para Descartes, que era um veritólogo, há três tipos de substâncias: a res cogitans, ou o ser pensante, que diz respeito à mente ou a alma humana; a res extensa, ou o ser que ocupa o espaço, que diz respeito ao mundo material; e, por fim, a res divina, que diz respeito diretamente a Deus.

Spinoza, que também era um veritólogo, critica a visão de Descartes, ao afirmar que existe apenas uma Substância, que é Deus, no que se encontra absolutamente correto, faltando apenas colocá-La no plural e dividi-La em Essência e Propriedades, afirmando também que a ideia de Deus equivale à ideia da natureza. Pode-se assim compreender, através deste veritólogo, que Deus é formado de Substâncias e que da Sua Essência, que é o Ser Total, vem todos os seres, os quais evoluem pelo Universo adquirindo as Suas Propriedades, que são a Força, a Energia e a Luz. E assim nós podemos também compreender toda a realidade universal, que se espelha no esplendor da natureza.

Já David Hume, que era mais um veritólogo, criticou a ideia de substância dos veritólogos anteriores, questionando a validade desta ideia, ao argumentar que é inválida, porque não corresponde a nenhuma impressão particular, ou seja, uma ideia é verdadeira apenas quando se tem uma relação direta com uma impressão objetiva, pelo que assim podemos considerar que um conhecimento metafísico pode ser considerado como sendo verdadeiro quando tem uma relação direta com uma experiência física, algo que David Hume pressentiu, mas não soube explicar. Por isso, os estudiosos entendem que para David Hume a noção de substância provém exclusivamente da imaginação e não da realidade.

Assim como tomamos o exemplo do dogma da Eucaristia, podemos também tomar o exemplo do dogma da criação, que nos força a pôr o problema da origem dos seres, em que temos de partir em busca dos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, tendo por base a racionalidade, portanto, a natureza, o que nos leva fatalmente a concluir que o criacionismo bíblico não passa de uma grande falácia. O mesmo se sucede com os dogmas e os casos restantes.

A Escolástica, pois, trata de problemas que surgem por ocasião de questões credulárias e teológicas postas no âmbito do sobrenatural, que os seus adeptos tentam resolver por meio da imaginação, lançando mão do pensamento grego, sem que haja qualquer compatibilidade com a sua doutrina.

Ora, o sentimento medieval é completamente distinto do sentimento e do pensamento gregos, antes e após Sócrates, antes de mais nada porque as suas questões são distintas e postas a partir de pressupostos diferentes. O exemplo deste fato é o próprio problema da criação, que transforma de um modo sobrenaturalístico a grande questão relativa aos conhecimentos metafísicos acerca da verdade, ensejando a que a doutrina dita cristã venha a formar uma nova etapa em relação ao que foi posto pelo mundo antigo, cuja etapa é toda revestida da Teologia.

É por isso que os estudiosos do assunto encaram a Escolástica como sendo um binômio Teologia-Filosofia, considerado sempre como sendo uma unidade peculiar a qual corresponderá com a atitude vital do homem considerado como sendo cristão e teórico, e como esse cristianismo é completamente falso, dele emerge a especulação, tendo por base o sobrenatural que se fundamenta na Teologia.

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