02.02.03.01.01- A criação

A Era da Verdade
27 de fevereiro de 2019 Pamam

Como vimos no tópico anterior, após a vinda de Jesus, o Cristo, a este mundo, aqueles que se julgavam cristãos partiam de uma posição completamente diferente da posição advinda do legado grego, pois assumiam a posição da niilidade do mundo, quer dizer, para eles o mundo era contingente, não necessário, não carregava consigo a sua própria razão de ser, pois que recebia a sua formação de outro ser, no caso Jeová, o deus bíblico, tal como se fosse o próprio Criador. Assim, por intermédio da salvação, com a pseudo ida de alguns para o céu e de outros para o inferno, o mundo perderia a sua razão de existência. Desta maneira, a criação aparece como sendo um grande problema a ser resolvido no período da Idade das Trevas, notadamente através da Escolástica, de que derivam, em suma, todos os demais problemas, notadamente os universais e a razão.

A criação assume um aspecto completamente diferente daquilo a que os gregos consideram como sendo gênesis ou mesmo geração, que pode ser considerada como sendo um modo de movimento, ou seja, o movimento substancial, o qual supõe uma aptidão, assim como um ser já existente que se move e passa de um princípio a um fim, como, por exemplo, o oleiro que fabrica uma vasilha a faz de barro, com o barro sendo o sujeito do movimento. Neste caso, o Oleiro é Deus. E isto pressupõe a evolução. Na realidade, considerando-se como se o ser passasse de um determinado estágio evolutivo para um outro estágio evolutivo ainda mais adiantado.

Na criação simplesmente não há sujeito, no caso o Oleiro, o verdadeiro Deus, pois Jeová, o deus bíblico, não fabrica ou faz o mundo com uma substância prévia, não a tirando de si mesmo, mas a cria de um modo como se fôra mágico, introduzindo-a na existência. Assim, a criação passa a ser uma criação a partir do nada, em conformidade com a expressão escolástica: creatio ex nihilo, em português, a criação a partir do nada. De um modo mais explícito: ex nihilo sui et subjecti, em português, seus súditos do nada. De qualquer maneira, de modo contraditório, um dos princípios da doutrina da Idade das Trevas é que ex nihilo nihil fit, em português, a partir do nada, nada foi feito, pois que do nada, nada se faz, com a concordância implícita de que o nada não existe. Então Jeová, o deus bíblico, não poderia jamais haver criado o mundo do nada. Entretanto, o sentido empregado pela Escolástica é de que do nada, nada se pode fazer sem a intervenção de Jeová, o deus bíblico.

Esse sentido empregado pela Escolástica leva a mentes mais fracas a acreditar em forças sobrenaturais, caracterizando o misticismo, em que na Bíblia o ser humano pode se comunicar com uma pseudo divindade para dela receber mensagens sobre a criação do mundo. Nesta criação bíblica, o ser seria uma coisa criada, sem as mesmas substâncias do seu criador, portanto, distinta do seu criador. Neste caso, ambos não poderiam ser seres, ou um ou outro poderia ser realmente um ser, pelo fato de ambos serem distintos, em função de todos os seres terem as suas naturezas intrínsecas, que são formadas das mesmas substâncias.

No entanto, as opiniões dos escolásticos estão divididas, não somente no que diz respeito à “verdade” dogmática de que a criação teve lugar no tempo, como se antes não houvesse a criação, pois que a verdadeira criação não teve início, sempre existiu, como veremos mais adiante, mas também acerca da possibilidade de demonstrá-la racionalmente. São Tomás de Aquino considera que a criação é demonstrável, mas não a sua temporalidade, que somente pode ser conhecida através da revelação, com a opinião de que uma criação a partir da eternidade não pode ser contraditória, pois o ser criado implica em dizer que o ser é recebido de Jeová, o deus bíblico, independentemente da relação com o tempo.

Todavia, surge uma nova questão, que é justamente a relação de Jeová, o deus bíblico, com o mundo já criado, pois o mundo assim criado não possui uma razão plausível para existir, uma vez que a sua existência é dependente de Jeová, o deus bíblico, a fim de não decair para o nada, pois que nada se pode fazer sem a sua intervenção. Assim, à parte da criação, torna-se necessária a conservação, com a ação de Jeová, o deus bíblico, com referência ao mundo sendo constante, tendo ele que agir a cada momento para que o mundo continue a existir, o que equivale a uma criação contínua, com o mundo necessitando sempre de Jeová, o deus bíblico, pois que é constitutivamente indigente e insuficiente.

Isso tudo é o que pensa a escolástica dos primeiros séculos, ao sentimentalizar que o fundamento ontológico do mundo se encontra em Jeová, o deus bíblico, não somente na sua origem, mas de um modo atual. Mas dentro do nominalismo — doutrina medieval que não admite a existência do universal, tal como se fosse um conceito abstrato, nem no mundo material e nem no mundo inteligível, sendo simples meios convencionais para a compreensão dos objetos singulares — dos séculos XIV e XV esse pensamento vacila. Pensa-se, então, que não é necessária a criação contínua, que o mundo não precisa ser conservado, pois que é um ser de outro ser, que mesmo não se bastando a si mesmo, recebeu a sua existência das mãos de Jeová, o deus bíblico, como se este espírito trevoso fosse realmente o Criador. Acredita-se, portanto, que este ser que Jeová, o deus bíblico, dá-lhe, ao criá-lo, basta-lhe para subsistir, com o mundo sendo um ente com capacidade para continuar a existir por si só.

Deste modo, a cooperação de Jeová, o deus bíblico, na existência do mundo, após o ato criador, consiste em não o aniquilar, a deixá-lo existir. Assim, o pensamento da criação contínua sucede a da relativa suficiência e autonomia do mundo como criatura. O mundo, uma vez sendo criado, pode existir por si mesmo, abandonado às suas próprias leis, sem a intervenção direta e constante de Jeová, o deus bíblico, tal como se fôra uma divindade.

Toda essa balela é afirmada por seres humanos que conseguiram auferir uma certa notoriedade entre aqueles que possuem as mentes mais fracas, que aceitam os dogmas e os misticismos advindos do sobrenatural, sem que deem trato ao raciocínio, indo de encontro aos interesses escusos do falso cristianismo, representado pelo catolicismo e as suas seitas.

A realidade da criação diz respeito diretamente ao verdadeiro Deus, e nunca, jamais, a Jeová, o deus bíblico, que não passa de um espírito obsessor quedado no astral inferior, que atuou sobre médiuns para dizer as suas baboseiras estúpidas acerca de uma pseudo criação, através de um livro mentiroso chamado de Bíblia, tido pelos incautos acretinados como sendo sagrado, cujas baboseiras estúpidas são consideradas pelos não raciocinadores como sendo autênticas.

Vejamos, pois, a verdadeira criação, sempre em obediência ao método da repetição.

É sabido que Deus é formado de Substâncias. As Substâncias se dividem em Essência e Propriedades. A Essência é o Ser Total. As propriedades são a Força Total, a Energia Total e a Luz Total. Temos aqui, pois, o Infinito, o Ilimitado e a Perfeição.

Mas acontece que Deus é o Todo, então Ele tem que ser também Finito, Limitado e Imperfeito, tudo ao mesmo tempo, pois caso não fosse assim Ele não poderia ser o Todo, pois lhe faltariam os atributos da finitude, da limitação e da imperfeição.

Em sendo assim, como realmente é assim, como jamais poderia ser diferente, da Essência vem as partículas individualizadas, que são os seres do Ser Total, as criaturas dos Criador, que nas suas formas mais simples passam a habitar o Universo, formando os mundos. Das Propriedades da Força e da Energia vêm as partículas individualizadas, dando origem às estrelas, que formam o Universo, fornecendo as suas coordenadas. Os mundos são formados por seres, que ficam sob as égides das estrelas, que como dito são formadas pelas Propriedades da Força e da Energia.

Ao formarem os mundos, os quais se encontram sob as égides das estrelas, os seres passam a evoluir por intermédio das propriedades da Força e da Energia, formadoras das estrelas, em formas de partículas, passando a formar os seus corpos fluídicos. Note-se que nos primeiros estágios evolutivos, os seres representam o finito, o limitado e a imperfeição, e como os seres fazem parte do Todo, que é Deus, então Ele também é Finito, Limitado e Imperfeito.

À medida que os seres vão evoluindo pelo Universo, os mundos por eles formados passam a ficar sob as égides de outras estrelas, situadas em coordenadas universais mais adiantadas, cujas coordenadas universais passam a ficar gravadas em seus corpos fluídicos. A partir de um determinado estágio evolutivo, os seres passam a evoluir também por intermédio da propriedade da Luz, quando então adquirem o raciocínio e o livre arbítrio, passando a desenvolver os seus corpos de luz, através dos quais penetram todo o Universo. A partir desse estágio evolutivo os seres recebem a denominação de espíritos.

Eis aqui como se forma a espiritualidade.

Estando postos na espiritualidade, os seres passam a ser constituídos de espírito e alma. O espírito é representado pela essência, pois que tem a sua origem no Ser Total, que é a Essência de Deus. A alma é representada pelo corpo fluídico, que tem a sua origem nas propriedades da Força e da Energia, e pelo corpo de luz, que tem a sua origem na propriedade da Luz.

Como todas as coordenadas universais pelas quais os seres passaram em suas trajetórias evolutivas, ficam gravadas em seus corpos fluídicos, uma vez que os mundos por eles formados vão passando de uma coordenada universal para uma outra mais evoluída, ou seja, passam a ficar sob as égides de estrelas mais adiantadas, torna-se óbvio que com os seus corpos de luz eles conseguem penetrar o Universo, até o ponto da última coordenada universal que se encontra gravada em seus corpos fluídicos, deve-se aqui repisar.

Quando os seres completam as suas evoluções universais, eles então retornam ao Seio do Criador, deixando o acervo de toda a sua trajetória evolutiva em Deus, assim por dizer, pois que eles nunca deixaram de pertencer ao Todo.

Temos assim, então, que os seres vieram da Infinitude, do Ilimitado e da Perfeição do Ser Total, passando a habitar o Universo, tornando-se finitos, limitados e imperfeitos em suas individualidades, evoluindo por intermédio das propriedades da Força, da Energia e da Luz, para que assim possam adquirir a esses acervos que irão se incorporar ao Todo.

E sempre foi assim, assim é e assim será, por toda a eternidade.

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