02.02.02- O início da formação da Rússia – Período de 578 A 1054

A Era da Verdade
13 de dezembro de 2018 Pamam

O plano de espiritualização elaborado pelo espírito que se deslocou da sua humanidade para a nossa, que na sua última encarnação alcançou a condição do Cristo, foi sendo executado passo a passo, por intermédio das formações das nações, pois que a meta era fixar cada uma das nações em seus respectivos territórios, quando então elas estariam prontas para serem finalmente espiritualizadas, para que através das suas espiritualizações elas pudessem formar uma única nação na Terra, estabelecendo assim um Estado Mundial.

No território destinado à nação russa, nas suas costas menos inóspitas às bordas do Ocidente e do norte do mar Negro, já no século VII a.C., os gregos haviam fundado várias cidades, como Ólbia, Tanais, Teodósia e Panticapeum, a Kerch, e haviam se dedicado ao comércio e à guerra com os citas do interior, tendo estes nativos de origem persa adquirido algo da cultura grega. E os eslavos constituíam o último dos muitos povos que habitavam no solo rico, nas estepes espaçosas e em muitos rios navegáveis da Rússia, embora evitassem os pantanais, as florestas e a ausência das barreiras naturais à invasão hostil.

Durante o século II a.C., os samatas, outra tribo persa, venceram e afastaram os citas, com as colônias gregas decaindo em face desse tumulto. No século II após o Cristo, os godos entraram do Ocidente e estabeleceram o reino ostrogótico, tendo sido este reino derrubado pelos hunos, por volta de 375. Desde então, durante séculos, as planícies meridionais da Rússia foram privadas de qualquer povo tido como sendo civilizado, apenas uma sucessão de hordas nômades, como os búlgaros, os ávaros, os eslavos, os khazares, os magiares, os patzinaks, os cumans e os mongóis.

Os khazares eram de origem turca, tendo no século VII se expandido através do Cáucaso para o sul da Rússia, estabelecendo o seu domínio do Dnieper ao mar Cáspio e construindo uma capital na embocadura do Volga, denominada de Itil. Os seus reis e as altas classes adotaram o credo judaico, segundo os historiadores em virtude de se encontrarem entre um império dito cristão e outro muçulmano, na tentativa de permanecerem neutros em relação a ambos, considerando perigosa a guerra contra qualquer um dos lados. Por aqui se pode constatar claramente o quão são perigosos os credos, pois além de medrarem os seres humanos na escuridão da fé credulária, toldando os seus raciocínios e semeando a ignorância, ainda provocam as guerras.

Mas como os khazares davam plena liberdade de crença, sete cortes administravam a justiça, sendo duas destinadas aos muçulmanos, duas para os falsos cristãos, duas para os judeus e uma para os pagãos. Tudo nesse período era baseado na fé credulária, por isso vários mercadores de várias fés se reuniram na cidade de Khazar, ensejando a que um ativo comércio se desenvolvesse ali entre os mares Báltico e Cáspio. No século VIII, Itil, a capital, era uma das grandes cidades comerciais do mundo. Porém, no século seguinte, os khazares foram subjugados pelos nômades turcos, tendo desaparecido após mais um século.

Mas antes, a partir do século VI, uma migração de tribos eslavas das montanhas Carpáticas, tribos essas que colonizaram os vales do Dnieper e do Don, alcançando o lago Ilmen no Norte, acrescentou-se a essa variedade da Rússia meridional e central. Durante séculos essas tribos se multiplicaram, abrindo florestas, drenando pântanos e eliminando animais selvagens, criando a Ucrânia, advindo daí a razão étnica da mais antiga luta separatista dessa região, travada neste século XXI entre os rebeldes separatistas pró Rússia e os demais ucranianos. Mas tal luta é inglória e carente de razões, pois essas tribos se espalharam pelas planícies em um movimento o qual a reprodução humana se fez valer, por isso através de toda a sua história conhecida, elas estiveram em marcha para o Cáucaso e o Tuquestão e para os Urais e a Sibéria, com esse mar de eslavos entrando todos os anos em novas enseadas étnicas nessa região.

No início do século IX, um ataque considerado sem muita importância veio do Noroeste contra os eslavos, por intermédio dos vinquingues escandinavos, que reuniam as condições para dispensar os seus homens das suas incursões pela Escócia, Irlanda, Inglaterra, Alemanha, França e Espanha e enviar bandos de poucas centenas de homens ao norte da Rússia para saquear e voltar carregados de bens. Para que pudessem proteger os seus saques com organização e ordem, eles estabeleceram postos fortificados nas suas rotas, e assim foram gradualmente se estabelecendo como uma minoria escandinava dominante de mercadores armados entre os camponeses subjugados. Nessa situação, algumas cidades os empregavam como guardas da ordem e da segurança sociais, mas eles conseguiram converter os seus salários em tributos e assim se tornaram os senhores dos seus próprios empregadores.

Já nos meados do século IX, eles governavam Novgorod e haviam estendido o seu domínio até Kiev. As rotas e as colônias por eles controladas estavam relativamente unidas em um império político comercial denominado por um termo de variação muito discutida, se Ros ou Rus. Os grandes rios que atravessavam a região ligavam os mares Báltico e Negro por meio de canais e pequenas rotas terrestres, ensejando a que o seu poderio e o seu comércio pudessem se expandir para o sul. E logo eles estavam vendendo as suas mercadorias na própria Constantinopla. Por outro lado, à medida que o comércio ia se tornando mais regular no Dnieper, no Volkhov e na Dvina ocidental, os mercadores muçulmanos iam de Bagdá e Bizâncio e trocavam com eles especiarias, vinhos, sedas, peles, âmbar, mel, cera e escravos. Por essa razão, havia um grande número de moedas islamíticas e bizantinas encontradas ao longo desses grandes rios e mesmo na Escandinávia.

Como o controle muçulmano do Mediterrâneo oriental bloqueasse o fluxo de produtos europeus através da França e da Itália para os portos levantinos, que eram os povos da costa ocidental da Ásia banhada pelo Mediterrâneo, Marselha, Gênova e Pisa decaíram nos séculos IX e X, enquanto na Rússia as cidades como Novgorod, Smolensk, Chernigov, Kiev e Rostov floresciam em virtude do comércio escandinavo, eslavo, muçulmano e bizantino.

No século XII, a Antiga Crônica da Rússia personificou esta infiltração escandinava com o seu conto dos três príncipes, com a população finesa e eslávica de Novgorod e as suas vizinhanças, tendo expulsado os seus senhores varangianos, entraram em uma luta tal entre si, que animou os varangianos a enviarem um general, em 862. Segundo a tradição, vieram três irmãos, Rurik, Sineus e Truvor, que estabeleceram o Estado russo. A tradição ainda relata que Rurik enviou dois ajudantes, Askold e Dir, para tomarem Constantinopla e que estes vinquingues se desviaram da rota para conquistar Kiev, declarando-se independentes de Rurik e dos khazares. Em 860, Kiev era suficientemente forte para enviar uma esquadra de 200 navios com o objetivo de atacar Constantinopla. O ataque falhou, mas Kiev permaneceu o centro comercial e político da Rússia, mantendo sob seu controle uma extensa hinterlândia, com Askold, Oleg e Igor podendo ser considerados com justiça os fundadores da nação russa, bem mais do que Rurik, em Novgorod.

No período de 962 a 972, Oleg, Igor e a princesa Olga, viúva de Igor, ampliaram o reino kievano até colocar sob o seu domínio quase todas as tribos eslavas e as cidades de Polotsk, Smolensk, Chernigov e Rostov. Entre 860 e 1043, o jovem principado fez seis tentativas para tomar Constantinopla, tão antigo é o movimento russo para o Bósforo, o desejo russo por um caminho seguro para o Mediterrâneo.

No período de 972 a 1015, com Vladimir, o quinto Grande Duque de Kiev, a Rus, como se chamava a si o novo principado, tornou-se pseudamente cristã, mais precisamente em 989. Vladimir desposou a irmã do imperador Basílio II e daí em diante, até 1917, a Rússia foi uma extensão de Bizâncio em termos de credo, alfabeto, cunhagem e arte. Sempre apegados ao poder e à riqueza, os sacerdotes gregos transmitiram para Vladimir a origem e o direito divinos dos reis e a utilidade desta doutrina para promover a ordem social e a estabilidade monárquica, com eles sempre intrometidos no meio, evidentemente.

Mais adiante, no período de 1036 a 1054, durante o reinado de Yaroslav, o filho de Vladimir, o Estado de Kiev alcançou o seu zênite, com ele recebendo impostos desde o lago Ládoga e o Báltico ao Cáspio, ao Cáucaso e ao mar Negro. Os invasores escandinavos foram absorvidos, com o sangue e a língua eslavos prevalecendo. A organização social era visivelmente aristocrática, com o príncipe confiando a administração e a defesa a uma alta nobreza de boyars, ou boiardos, e a uma nobreza menor de dietski, ou otroki, que eram os pajens ou servidores, vindo abaixo deles os mercadores, as pessoas da cidade, os camponeses quase servis e os escravos.

Um código de leis denominado de Russkaya Pravda, ou Direito Russo, regulava a conduta da população, estabelecendo o julgamento por um júri de doze cidadãos, no entanto, sancionava a vingança pessoal, o duelo judicial e o juramento compurgativo. Vladimir fundou uma escola para meninos em Kiev e Yaroslav uma outra em Novgorod. Kiev, que era o ponto de reunião dos barcos procedentes de Volkhov, do Dvina e do baixo Dnieper, cobrava taxas de todas as mercadorias que por lá passavam, tornando-se rica o suficiente para construir 400 igrejas e uma grande catedral, como se fosse outra Santa Sofia, no estilo bizantino. Artistas gregos foram contratados para decorar estes edifícios com mosaicos, afrescos e outros ornamentos bizantinos, e a música grega se incorporou para preparar os triunfos do canto coral russo. E assim, a Rússia foi lentamente se elevando como Estado, construindo palácios para os seus príncipes, erigindo cúpulas acima das choças de lama e pelo esforço do seu povo formou uma nação civilizada em uma região considerada ainda bárbara.

Somente um tolo, ou então alguém muito obtuso, não reúne as condições intelectivas necessárias para constatar com facilidade a formação das nações que se encontram inseridas no plano de espiritualização da nossa humanidade, e, por conseguinte, a real existência da reencarnação, em complemento ao seu entendimento em relação ao plano espiritualizador.

 

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