02.01- As obrigações naturais

A Adm. de Empresas
15 de junho de 2020 Pamam

As obrigações naturais são os encargos de todas as naturezas aos quais os seres humanos se encontram diretamente ligados, cujos compromissos em fazer ou não fazer independem do livre arbítrio, pois que as suas execuções dão origem aos recebimentos de contrapartidas correspondentes às naturezas desses encargos, os quais são estritamente necessários à vida, sendo esses encargos comuns a todos.

Podemos dizer que todas as obrigações são naturais, uma vez que todas elas são decorrentes de uma sequência lógica no processo da evolução.

São inúmeras as obrigações naturais existentes, tais como:

  1. As obrigações profissionais, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos são principalmente as remunerações pecuniárias, além da contribuição para o convívio social e a sobrevivência material;
  2. As obrigações de coleguismo, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas nas normas morais e éticas que regulam as relações de coleguismo;
  3. As obrigações domésticas, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos são as manutenções dos ambientes ideais dos lares para os convívios familiares;
  4. As obrigações paternas, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas nas normas que regulam os encargos filiais para com o pai;
  5. As obrigações maternas, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas nas normas que regulam os encargos filiais para com a mãe;
  6. As obrigações filiais, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas nas normas que regulam os encargos paternos e maternos;
  7. As obrigações de amizade espiritual, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas nas normas morais e éticas que regulam as relações da verdadeira amizade, que fazem emergir a solidariedade fraternal;
  8. As obrigações cívicas, concernentes às obrigações de um cidadão para com os semelhantes e para com a Pátria, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas nas normas morais e éticas que regulam as obrigações dos semelhantes e da Pátria para com o cidadão;
  9. As obrigações de amor espiritual, cujas contrapartidas correspondentes à natureza dos encargos estão contidas no âmago do espírito ao evoluir por intermédio da propriedade da Luz, após haver produzido a amizade espiritual e praticado a solidariedade fraternal;
  10. etc., etc.

Sabendo-se o que sejam as obrigações naturais, interessa-me ocupar aqui apenas das obrigações profissionais, uma vez que foi me valendo do exercício de uma delas na encarnação passada, a de advogado, que resolvi encarnar com uma espinhosa missão, já que falar sobre todas elas se torna muito extenso. Antes, porém, faz-se mister que se saiba que profissão é tudo aquilo que diz respeito ao ser humano que exerce uma atividade, um emprego, um ofício, um cargo, uma arte, como modo de vida e não como curiosidade ou passatempo.

Sendo este planeta em que vivemos um mundo-escola ainda muito atrasado, nele predomina em quase toda a sua totalidade a matéria bruta formada pelos seres atômicos, o chamado reino mineral, com as suas causas e os seus efeitos correspondentes gerados pelos seres que se encontram nesse estágio evolutivo, os quais obedecem às leis espaciais, aos princípios temporais e aos preceitos universais advindos das propriedades da Força e da Energia.

E para cá vêm seres de outros mundos bem diferentes, extremamente mais adiantados, principalmente dos mundos que formam a nossa massa humana, que são os Mundos de Luz, para, em contato direto com essa matéria e os atrativos que os seus efeitos proporcionam, poderem efetuar com mais rapidez as suas evoluções espirituais, além de também procederem a evolução dos outros seres e do próprio planeta, utilizando-se dos seus conhecimentos e das suas experiências, devidamente amparados pelo estudo, pelo sofrimento e pelo raciocínio, principalmente por este último.

Mas para que os seres humanos, vindos dos seus Mundos de Luz, possam se utilizar dos seus conhecimentos e das suas experiências, estando devidamente amparados pelo estudo, o sofrimento e o raciocínio, para que assim possam efetuar com mais rapidez as suas evoluções e também a evolução de outros seres e do próprio planeta, é necessário que este mundo proporcione algo que lhes possibilite tais ações pertinentes.

Luiz de Souza, esse notável veritólogo, que jamais me cansarei de exaltar, revela-nos claramente aquilo que este mundo pode nos proporcionar em termos de obrigações profissionais, quando diz que o mundo está organizado para oferecer esferas de ação numerosíssimas a todas as vocações. Estas são necessárias, não somente para quem as possui, como para aqueles que por elas são beneficiados. Assim, para exemplificar, o alfaiate artífice tanto colhe conhecimentos, experiências e proventos com a sua profissão, como os seus clientes se beneficiam de uma obra que não sabem executar. Como as peças de um relógio, cada ser humano tem de assumir o seu lugar na vida e procurar fazer, do melhor modo possível, a sua tarefa vocacional.

Isso quer dizer que o planeta Terra se encontra constituído por Deus, ou a Providência Divina, para que todos os seres humanos, que temporariamente o habitam, possam produzir e influenciar o meio por intermédio de uma enorme variedade de encargos, que se ligam diretamente, aos quais o autor denomina esferas de ação, que ora em diante denominarei de obrigações profissionais, que também são obrigações naturais, pois que estão sendo especificadas, por serem mais apropriadas, as quais vão se revelando não somente através da ocupação de atividades úteis e necessárias à sobrevivência material e à organização espiritual no planeta, como também através da evolução de cada um e do todo humano na Terra.

Assim, com a exceção das transformações de outras naturezas proporcionadas pelas interações universais entre os seres, em que atuam os agentes componentes das propriedades da Força e da Energia, somos nós, os seres humanos, os grandes responsáveis pelas principais transformações aqui ocorridas, desde as mais vulgares, nas ocasiões em que nos alimentamos, quando adquirimos materiais e os segregamos em resíduos, levando eles consigo as disposições e a vitalidade que adquiriram no organismo de onde se desprenderam; até as mais intrincadas, nas ocasiões em que captamos os conhecimentos necessários e criamos as experiências correspondentes para realizarmos a total transformação do planeta, inclusive a possibilidade até da destruição da vida em seu habitat, com base no desempenho das nossas obrigações profissionais. Isto implica em dizer que devemos responder por todas as nossas ações que aludam nessas transformações, pois que delas somos os seus principais mentores.

Todos os seres humanos que formam a nossa humanidade, encontram-se ligados uns aos outros de modo indissolúvel, com cada um devendo executar as suas respectivas obrigações profissionais em prol e em obediência a esse todo, para que assim, por intermédio do trabalho, possa se promover a organização espiritual no planeta. Todas essas obrigações profissionais têm os seus graus de complexidade relativos à posição em que cada um se encontra no seu respectivo estágio de evolução, como a lógica assim faz pensar, e assim determina.

E esse é o alicerce em que se esteia a obra básica da doutrina do Racionalismo Cristão, para dizer que assim como os satélites têm os seus movimentos combinados com os dos planetas, estes com os dos sóis de cada sistema solar e os dos sistemas solares com todos os movimentos dos outros sistemas de cada galáxia, os espíritos também agem e evoluem coordenados uns com os outros, em fiel observância a um regime regulador de todas as funções.

Desta maneira, como todos nós agimos e evoluímos coordenados uns com os outros, não pode deixar de ser verdadeira a afirmativa de que nos encontramos todos ligados mutuamente. Esse elo, de natureza mútua, tomando por base já a condição espiritual, para que eu não deva me estender no assunto, deve principiar algum dia em alguma manifestação de afeto entre os semelhantes, converter-se em amizade e culminar no amor, ambos de natureza espiritual.

Além disso, quando nos encontramos ligados a alguém por meio de qualquer relacionamento, sabendo-se que todos os relacionamentos são espirituais, e jamais materiais, quer de modo direto, quer de modo indireto, contraímos um compromisso de solidariedade fraterna para com esse alguém, sujeitando-nos a todos os sacrifícios e encargos em seu bem, já que a solidariedade fraterna implica em auxílio permutativo e responsabilidade recíproca. Em decorrência, vão se fazendo necessárias as qualidades morais e éticas, para que estando educados os seres humanos possam exercer os seus poderes e praticar as suas ações em prol dessa solidariedade de natureza fraternal. É por isso que o termo caridade não deve se aplicar àquele que resolve ajudar aos seus semelhantes.

Normalmente as nossas ações devem ser sempre dirigidas às nossas obrigações naturais, tanto as que implicam nas responsabilidades profissionais, como as que implicam em outras responsabilidades, sempre em prol da solidariedade fraterna que devemos assumir com quem nos encontramos diretamente ligados, assim como com quem nos encontramos indiretamente ligados. Por isso, diz-se que obrigação é responsabilidade, além de comprometimento, encargo, podendo até mesmo se estender no sentido de imposição, compromisso, benefício, tarefa, condição, e. até mesmo, favor, para que assim possamos também agradecer, demonstrando para os demais toda a nossa gratidão.

No entanto, as nossas obrigações profissionais não estão limitadas apenas às responsabilidades que implicam na ocupação de atividades úteis e necessárias à sobrevivência material, na organização espiritual do planeta, por intermédio do trabalho, e na evolução de cada um e do todo humano na Terra, mas sim, e, principalmente, de cada um para com o Todo, já que temos de retornar e fazer retornar todos ao Ser Total. Sendo esse o verdadeiro fundamento pelo qual as obrigações adquirem a sua justificativa última no Criador.

Embora não haja a mínima dúvida de que toda obrigação profissional seja de natureza útil e necessária ao ser humano, este fato não impede que exista uma escala ascendente em relação a elas; pelo contrário, antes a justifica, uma vez que tudo se subordina ao preceito da evolução.

Se recuarmos nos primórdios dos tempos, poderemos observar que as obrigações profissionais ainda não eram desempenhadas por ofício, já que não existiam os órgãos espirituais que caracterizam os seres humanos desenvolvidos para tanto, a saber: o criptoscópio, cuja função é perceber e cuja finalidade é captar; o intelecto, cuja função é compreender e cuja finalidade é criar; e a consciência, cuja função é de coordenação e cuja finalidade é coordenar o criptoscópio e o intelecto.

Assim, sem as obrigações profissionais, a sobrevivência e a organização espiritual no planeta obedeciam a uma tendência ingênita, já que não existia espiritualidade desenvolvida para algo mais além. A caça e a pesca eram instintivas, em face da sobrevivência. Não havia a instituição social do casamento, prevalecendo o instinto da procriação para a conservação da espécie, cuja procriação se processava por herança atávica ao proceder animal na irracionalidade. Da mesma forma se processava também a educação, com o aprendizado da prole estando voltado mais para a própria adaptação ao seu habitat. A amizade, que era proveniente de uma convivência grupal, originada da necessidade de proteção mútua e temor ao meio ambiente, era extremamente rude. O amor, que era proveniente dos laços carnais, encontrava-se restrito aos primeiros sentimentos da mãe racional, prevalecendo o instinto de proteção, não pela supremacia da natureza da mulher em relação a do homem, mas sim pela essência sublime em que se inspira tal produção do espírito quando encarnado.

Para quem ainda não observou, há de forma correlata uma relação direta entre as obrigações profissionais e a evolução espiritual.

Por isso, à medida que as encarnações humanas foram se sucedendo, de modo proporcional foram sendo destinadas à humanidade as primeiras obrigações profissionais, onde já podemos observar a manifestação do órgão da consciência coordenando rudemente o criptoscópio e o intelecto para o desempenho das atividades de pastoril, da agricultura, do escambo, etc. É fácil de se notar que as obrigações profissionais tanto iam se tornando cada vez mais numerosas, como cada vez mais complexas, surgindo daí a necessidade de especialização, com o seu envio pela Providência Divina obedecendo estritamente às necessidades requeridas pela evolução do espírito humano no planeta.

Transportando-se dos tempos primitivos diretamente para os dias de hoje, qualquer um pode constatar que é preciso o auxílio do processamento eletrônico de dados para que se possa agrupar e catalogar a todas as obrigações profissionais existentes, mesmo estando elas separadas em suas atividades intrínsecas — de relação com este planeta e essenciais ao espírito, no que diz respeito à sua sobrevivência e ao seu conforto —, sem que ninguém de bom senso se arrisque a mensurar o grau de complexidade que se encerra em cada uma delas.

É notável como assim se pode compreender com clareza todo o processo evolutivo da nossa humanidade para com a divisão do trabalho entre os seres humanos, e como no âmbito desta compreensão deixa a Providência Divina transparecer toda a sua ação provedora para com este mundo. Para tanto, basta apenas que alguém se resolva a ordenar a escala ascendente das obrigações profissionais existentes em determinados períodos da civilização humana. Nesta ordenação, ele irá constatar, com certeza, que elas partem de uma quantidade bastante reduzida para uma outra extremamente numerosa, das braçais para as mentais, das mais simples para as mais complexas, sempre com o objetivo voltado para que os seres humanos possam progredir por intermédio do trabalho, tanto individual como coletivamente, de forma ininterrupta, e, consequentemente, para que tanto o criptoscópio como o intelecto possam operar e influenciar cada vez mais sobre o meio em que vivem, coordenados pela consciência, sempre que possível, rumo à aproximação dos povos, em busca da harmonia total, no sentido da evolução.

E já que os espíritos podem progredir individual e coletivamente de forma ininterrupta, naturalmente que há aqueles que não são retrógrados, que não aceitam o progresso lento, que não admitem estacionar. Por isso, lançam mão de todo o seu potencial e aplicam um esforço incomum no sentido de apressar a sua evolução, uma vez que adquiriram a consciência de que são os próprios senhores das suas ações, já que possuem o livre arbítrio.

Esses espíritos, evoluindo bem mais que os seus semelhantes, à custa dos seus próprios esforços, são os que obtêm, logicamente, um maior progresso individual, são os que possuem um maior tirocínio, são, portanto, como não poderia deixar de ser, quem vão recebendo e se incumbindo das obrigações profissionais mais novas, portanto, mais complexas, com que a Providência Divina vai provendo a nossa humanidade, sendo eles os pioneiros da nossa humanidade. Em consequência, são eles também quem mais operam e influem sobre o meio, justamente por haverem adquirido a vocação para tanto.

A comprovação plena desse fato se encontra ora ocorrendo com a retirada da mescla que existia entre a Veritologia, o tratado da verdade, e a Saperologia, o tratado da sabedoria, fazendo surgir assim a Ratiologia, o tratado da razão, cujos fundamentos desses três tratados superiores estarão contidos mais detalhadamente na obra explanatória relativa ao sistema.

Do mesmo modo, a comprovação desse fato se encontra ocorrendo com a retirada da mescla que existia entre as religiões, que tratam dos conhecimentos metafísicos acerca das parcelas do Saber, e as ciências, que tratam das experiências físicas acerca das parcelas do Saber, fazendo surgir as religiociências, que coordenam cada uma das parcelas do Saber.

Deus age somente por intermédio dos executores da Sua vontade, que são os espíritos, pois que Ele se encontra contido em cada um dos seres, em conformidade com os estágios evolutivos em que eles se encontram, em decorrência, em maior proporção nos espíritos. Então são os espíritos que se encontram no Astral Superior que elaboram os planos para serem cumpridos neste mundo, por parte dos encarnados. Por isso, somente os seres humanos que cumprem com as suas obrigações naturais podem se encontrar em obediência ao plano que foi estabelecido pelos espíritos que integram a plêiade do Astral Superior.

Estando devidamente compreendido que o planeta Terra se encontra organizado por Deus para oferecer a todos as suas obrigações naturais, no caso as obrigações profissionais a todas as vocações, vamos agora adentrar no entendimento do que estas sejam.

 

Continue lendo sobre o assunto:

A Adm. de Empresas

02.03- Os talentos

Estando compreendido que as vocações se manifestam como o resultado das obrigações naturais exercidas no pretérito, apresentando-se como sendo uma disposição inata, uma aptidão para o seu exercício no...

Leia mais »
A Adm. de Empresas

03- A LIDERANÇA

Todos nós seres humanos somos espíritos, então tudo tem que ser explicado em conformidade com a espiritualidade e não em conformidade com a matéria, posto que esta não existe....

Leia mais »
Romae