02.01- A Idade da Fé – período de 1 a 568

A Era da Verdade
10 de novembro de 2018 Pamam

A Idade da Fé foi originada pelo tremendo impacto causado com a encarnação de Jesus, o Cristo, que em virtude da sua elevadíssima evolução espiritual não conseguiu lograr ser compreendido pela nossa humanidade, e nem poderia ser, notadamente nesse período que se seguiu à sua encarnação, o que se estendeu até aos dias de hoje, somente agora sendo possível o pleno esclarecimento da sua condição do Cristo, do legítimo representante desse instituto, por intermédio da explanação do Racionalismo Cristão. Mas assim teria que ser, pois que era fundamental o estabelecimento do instituto do Cristo no seio da nossa humanidade, estando ele acima de tudo, logicamente que acompanhado do nosso esclarecimento acerca da verdade, por conseguinte, da nossa inteira espiritualização, com vistas ao nosso progresso evolutivo.

Assim surgiu o falso cristianismo, emanado das revelações apocalípticas do advento do reino de Jeová, o deus bíblico, advindo por intermédio da extrema superioridade evolutiva de Jesus, que por ser inconcebível para a inteligência da nossa humanidade a sua vinda a este mundo, com o objetivo de estender a corrente do Cristo para a humanidade seguinte à sua, ganhou força com a fé credulária em sua divindade, como sendo o filho único desse Jeová, o deus bíblico, com a invenção da sua esdrúxula ressurreição, totalmente contrária às leis e aos princípios da natureza, com a salvação e com a promessa da vida eterna, quando, na realidade, a vida é eterna e universal. Tudo isso recebeu uma forma doutrinal na teologia de Paulo de Tarso, cresceu com a absorção das fés credulárias e dos ritos pagãos, tornando-se a Igreja Católica vitoriosa com a herança da organização e do gênio de Roma.

Os apóstolos acreditavam em um breve retorno de Jesus, o Cristo, a fim de estabelecer definitivamente o reino dos céus aqui na Terra. É o que podemos comprovar na primeira epístola de Pedro, que diz que “o fim de todas as coisas está próximo”, e na primeira epístola de João, que diz que “esta é a última hora, ouvistes dizer que o Anticristo viria, e muitos anticristos”. Tendo sido já anunciado a vinda do Antecristo desde essa época, que os falsos cristãos confundiram com algum tipo de Anticristo, como Nero, Vespasiano e Domiciano, o certo é que ele veio apenas ao final desta Grande Era, A Era da Verdade, que agora está se encerrando 2.000 anos após a vinda do Cristo, logo após a verdade ser transmitida por intermédio do Racionalismo Cristão, para que assim este pudesse ser devidamente examinado pela ciência e pela Saperologia, com esta última fornecendo o seu parecer sobre a autenticidade dos seus conhecimentos metafísicos acerca da verdade, e sendo positivo o parecer saperológico, como realmente o foi, ele agora está sendo explanado para toda a humanidade, por intermédio da Ratiologia.

Assim, a fé credulária na missão salvadora de Jesus, o Cristo, na sua ressurreição corporal e na sua volta para estabelecer o reino dos céus iria ser o fundamento maior do falso cristianismo inicial, embora o novo credo não vedasse que os apóstolos continuassem a aceitar o judaísmo, pois conforme consta em Atos, “todos os dias eles regularmente se encaminhavam para o Templo”, e, ao mesmo tempo, seguiam o regime alimentar, obedeciam às leis cerimoniais judaicas e no começo pregavam unicamente para os judeus, com frequência nos pátios do Templo.

Os apóstolos acreditavam piamente que haviam recebido de Jesus, o Cristo, ou do seu espírito santo, os poderes milagrosos de inspiração e de terapia, aqueles que passavam a compartilhar da fé credulária punham todos os seus bens à disposição desses apóstolos, que resolveram ordenar sete diáconos para administrar os bens da comunidade, já que o número de prosélitos ia aumentando gradativamente.

Por algum tempo, as autoridades judaicas toleraram o novo credo, considerando-o muito pequeno e inofensivo. Mas em poucos anos os falsos cristãos se multiplicaram aos milhares, com os sacerdotes judaicos ficando alarmados, decidindo, então, deter e interpelar Pedro e outros pelo Sinédrio, com os saduceus querendo condená-los à morte, porém Gamaliel, que era um fariseu e provavelmente professor de Pedro, propôs a suspensão do julgamento, mas enquanto contemporizavam os presos foram flagelados e depois soltos. No ano 30, aproximadamente, Estêvão, que era um dos diáconos ordenados pelos apóstolos, foi obrigado a comparecer ao Sinédrio sob a acusação de haver utilizado linguagem ofensiva a respeito de Moisés e de Jeová, o deus bíblico, utilizando-se das seguintes palavras em sua defesa:

Homens teimosos, pagãos de alma e de ouvidos, vós sempre resistis ao espírito santo, justamente como vossos pais o fizeram! A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Eles mataram os homens que predisseram a vinda do Justo que vós traístes e matastes — vós que recebestes a Lei das mãos dos anjos e não a seguis!”.

Como se pode facilmente constatar, o próprio Estêvão era ciente de que Jesus, o Cristo, havia sido crucificado por intermédio dos judeus, já que estava os acusando da sua morte, o que comprova sem sombras de dúvidas que não existe essa balela de que ele morreu na cruz para nos salvar. Como os judeus eram também cientes de que realmente foram eles os responsáveis pela crucificação de Jesus, o Cristo, pois ante aquela acusação sincera e inesperada por parte de Estêvão, eles ficaram furiosos, terminando por arrastá-lo para fora da cidade, onde desencarnou apedrejado. Por aqui já se pode ver o quanto os credos e as suas seitas são nocivos aos seres humanos, pois além dos judeus haverem assassinado a Jesus, o Cristo, e também a Estêvão, no apedrejamento deste último vamos encontrar a figura de Saulo, que cooperou intensamente nessa cruel violência, e que por isso talvez possa ser considerado como o primeiro assassino do catolicismo, embora depois tenha sido canonizado pela Igreja Católica, sendo hoje conhecido como São Paulo.

Nesse ambiente fluídico trevoso em que preponderava a fé credulária, o qual estava sujeito a outros ambientes fluídicos formados por antigas tradições, houve um sincretismo de todas as crenças, desenvolvendo-se uma variação dos credos e das suas seitas e os costumes. E em particular estava o falso cristianismo grego, destinado a promover as heresias, em virtude do espírito dos gregos ainda se conservar crítico. No entanto, o falso cristianismo somente pôde ser mais bem assimilado à luz dessas heresias, justamente porque na ânsia de suprimi-las iria tomando a sua doutrina a cor e a forma que iria prevalecer por muitos séculos.

E assim a mesma fé credulária ia unindo as congregações esparsas, cuja união era proveniente da crença de que Jesus, o Cristo, seria o filho único de Jeová, o deus bíblico, e que voltaria à Terra para estabelecer o reino dos céus, com todos aqueles que professassem dessa fé credulária sendo recompensados com a bem-aventurança eterna. Por volta do ano 108, a Igreja Católica já havia conquistado os espíritos mais destacados em defesa da sua fé credulária, como Inácio, o bispo de Antioquia, o qual deu começo à poderosa dinastia dos Padres post-apostólicos que contribuíram para a formação da sua doutrina, vencendo aos seus adversários à força dos seus argumentos, tendo sido ele condenado às feras por não abjurar da sua fé credulária nas crenças do falso cristianismo. E era tão grande a fé credulária em suas crenças, que ele assim se pronunciou:

A todos os homens advirto que vou morrer voluntariamente por amor de Deus, se não mo impedirem. Rogo-vos que não tenhais por mim uma inoportuna benevolência. Deixai que eu seja comido pelas feras e desse modo alcance a Deus. Antes tentar as feras para que se tornem o meu túmulo e não deixem traços do meu corpo, porque assim depois que cair no meu sono não incomodarei a ninguém. Anseio pelas feras que foram preparadas para mim. Que venham sobre mim o fogo e a cruz, lutas com animais ferozes, despedaçamento das carnes, tritura dos ossos, mutilação dos membros, esmagamento do meu corpo inteiro, todos os cruéis suplícios do diabo, se desse modo eu alcanço a Jesus Cristo”.

Por aqui já se pode constatar o tanto que a fé credulária pode embrutecer a alma humana, como se uma desencarnação cruel pudesse levar alguém ao verdadeiro Deus, mas pode sim levar a Jeová, o deus bíblico, com esse fanatismo levando o ser humano optar por desencarnar desta maneira, a abjurar da sua fé credulária, como se assim ele pudesse alcançar a glória. Pode-se sim, alcançar a glória com a desencarnação, mas nunca desta maneira. Ela pode ser alcançada em defesa da pátria amada, em defesa da honra, em defesa da própria vida, em defesa da vida de terceiros, em defesa das convicções acerca da verdade, da sabedoria e da razão, em defesa das religiões e ciências, e em defesa de outras situações em prol do progresso da nossa humanidade. Mas em defesa de uma fé credulária no sobrenatural, somente os insensatos ignorantes podem ser capazes de tais ações, em face dos seus estúpidos e grosseiros fanatismos, sempre à espera de recompensas celestiais por essas suas ações tresloucadas, cujas recompensas celestiais, obviamente, jamais virão.

Entretanto, há um anseio natural dos seres humanos, provenientes das suas almas, pela espiritualidade. Esse anseio cala fundo no âmago dos espíritos mais ansiosos. Em função disso, eles tentam de todas as maneiras a busca desse anseio de natureza espiritual, seja de que maneira for, atrelando-se a tudo aquilo que possa preencher a esse anseio contido no âmago dos seus espíritos. E estando acossados pela pobreza e cansados de tantas lutas na vida, que hoje em dia os sacerdotes das seitas protestantes tanto exploram a essas fraquezas, e ainda apavorados com o mistério da morte, a fé credulária se lhes tornava como se fosse o mais precioso de todos os bens, pelos quais eles davam as suas próprias vidas. E foi justamente se assentando nessa base de esperança humana que se erigiu a Igreja Católica, levando a milhões de almas a fé credulária e a esperança na salvação e na vida eterna, diminuindo-lhes o temor da morte, ao mesmo tempo a conformação da própria vida.

A fé credulária exacerbada provocou nesse período de A Idade da Fé um acentuado declínio na Saperologia, nas religiões, as verdadeiras, que são diferentes dos credos e das suas seitas, nas ciências, nas artes e na literatura, provocando com isso o posterior advento da Idade das Trevas. No entanto, era preciso a intensificação dessa cultura de fé credulária, pois se fazia preciso a busca incessante da espiritualidade, mesmo que fosse através dos credos e das suas seitas, cujas doutrinas iriam ser mais aprofundadas com o decorrer do tempo, pois que somente assim elas poderiam fornecer as bases para que os veritólogos pudessem investigar de maneira racional a vida fora da matéria, sem caírem na esparrela do sobrenatural.

O Império Romano havia elevado tudo isso praticamente às suas antigas culminâncias, além do poder e da prosperidade a quase todos os povos. A decadência do Império Romano no Ocidente, a decadência da prosperidade, com o consequente acentuamento da pobreza, a continuidade da violência e outros fatores decisivos, exigiam que se dessem aos seres humanos novas esperanças de vida, a fim de confortá-los das dores dos sofrimentos e lhes dar um novo ânimo para as labutas do dia a dia. Assim, uma idade focada na força e no Direito cedeu o seu lugar ao que se denomina de A Idade da Fé.

Os seres humanos podem agora compreender as razões pelas quais os nossos antepassados, no barbarismo dos primeiros séculos do falso cristianismo, afastaram-se dos progressos proporcionados pelos gregos e romanos, refugiando-se nas sombras da fé credulária, que ainda hoje, praticamente após dois mil anos, por mais incrível que pareça, ainda é o refúgio de bilhões de seres humanos, que sem dar trato ao raciocínio, ainda são crentes no sobrenaturalismo, nos misticismos e nos dogmas inventados pela classe sacerdotal, seguindo a esta classe nociva e peçonhenta tais como se fossem mansos carneirinhos prontos para serem tosquiados.

 

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