02.01.05.04- A formação da Espanha – Período de 456 a 711

A Era da Verdade
4 de dezembro de 2018 Pamam

Em 420, os visigodos da Gália retomaram a Espanha dos vândalos e a entregaram novamente a Roma. Porém, como Roma não conseguiu defendê-la, dezoito anos mais tarde os suevos desceram das suas montanhas do noroeste e invadiram a península. Em 456, sob o reinado de Teodorico II, e em 466, sob o reinado de Eurico, os visigodos atravessaram novamente os Pireneus, reconquistaram a maior parte da Espanha e, desta vez, conservaram o país como verdadeiramente seu. Uma dinastia de visigodos dominou a Espanha desse tempo em diante até a chegada dos mouros.

A nova monarquia construiu em Toledo uma progressiva capital e lá organizou uma luxuosa corte. Atanagildo, período de 564 a 567, e Leovigildo, período de 568 a 586, foram os poderosos governantes que derrotaram os invasores francos ao norte e os exércitos bizantinos ao sul, sendo que foi esse mesmo Atanagildo que deu as suas filhas para serem esposas dos francos e, posteriormente, serem assassinadas como sendo as suas rainhas.

Em 589, o rei Recaredo mudou de credo, passando de ariano para “cristão” ortodoxo, o que se deu também com a maioria dos visigodos na Espanha, tornando-se a bisparada o principal baluarte da monarquia e a força dominante no Estado. E assim, com o domínio de toda a nobreza, a bisparada fez com que esta classe participasse dos concílios de Toledo. Embora a autoridade do rei fosse quase absoluta, já que era ele quem escolhia a bisparada, eram esses concílios que o elegiam, por isso exigiam dele, antecipadamente, as garantias quanto à sua forma de governo.

Em 634, sob a direção do clero, promulgou-se um sistema de leis, que em relação aos códigos dos bárbaros foi o mais eficiente, aperfeiçoando o processo de julgamento levando mais em consideração as provas testemunhais do que os atestados de conduta dados pelos amigos do réu, aplicando também as mesmas leis aos romanos e visigodos indistintamente e estabelecendo o princípio da igualdade perante a lei. No entanto, a bisparada sendo intolerante e desejando o poder e a riqueza para si, rejeitou a liberdade de credo, exigindo que todos os habitantes fossem ortodoxos em relação ao falso cristianismo. E mais: sancionou a longa e cruel perseguição que faziam aos judeus espanhóis.

Em virtude da grande influência da Igreja, a qual conservara o latim em seus sermões e liturgia, no decorrer de um século, após haverem conquistado a Espanha, os visigodos esqueceram o seu idioma germânico e corromperam o latim da península, transformando-o na língua espanhola.

Segundo os historiadores árabes, os conquistadores semitas encontraram nos palácios e catedrais de Toledo vinte e cinco coroas de ouro cravejadas de brilhantes, um saltério escrito em folhas de ouro com tinta de rubis que haviam sido reduzidos a pó, tecidos bordados a ouro, armaduras, espadas e punhais cravejados de diamantes, vasos cheios de joias e uma mesa toda trabalhada em ouro e prata, que era um dos muitos presentes caríssimos que os visigodos ricos deram à Igreja que os protegia.

Sob o domínio dos visigodos, os espertalhões e os mais fortes, materialmente falando, continuaram a explorar aos simples e aos mal afortunados da vida, assim como sempre se fez sob qualquer outra forma de governo, inclusive nos dias de hoje, devendo ser decretada a extinção dessa falta de solidariedade fraternal por todo o sempre. Os príncipes e prelados se uniam em majestosas cerimônias credulárias ou mesmo de caráter secular, recorrendo também aos tabus e ao terror para dominar as paixões da população e lhes apaziguar os espíritos. As propriedades estavam concentradas e divididas nas mãos de uns poucos, havendo um grande abismo entre ricos e pobres, entre falsos cristãos e judeus, dividindo assim a nação em três Estados. Por isso, quando os árabes lá chegaram, os pobres entraram em conluio com os judeus para derrubar a monarquia e a Igreja, as quais viviam na suntuosidade da riqueza, completamente esquecidas das suas misérias e oprimindo a sua fé credulária.

Em 708, com a desencarnação do fraco rei Witiza, a aristocracia se recusou a ceder o trono aos seus filhos, dando-o para Rodrigo, com os filhos de Witiza fugindo para a África a fim de pedirem auxílio aos chefes mouros, os quais fizeram algumas incursões na costa espanhola, encontrando a Espanha dividida e praticamente indefesa. Em 711, com um exército reforçado, voltaram novamente a atacar, travando batalhas com os exércitos de Rodrigo e Tarik nas praias do lago Janda, na província de Cadiz. Como Rodrigo desapareceu, uma boa parte dos visigodos passou para o exército dos mouros, que estando assim vitoriosos avançaram em direção de Sevilha, Córdova e Toledo, com várias cidades ainda abrindo as suas portas para os invasores. Em 713, o general árabe Musa se instalou na capital e anunciou que, dali por diante, a Espanha pertencia ao profeta Maomé e ao califa de Damasco.

 

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