02.01.03- A Patrística

A Era da Verdade
27 de novembro de 2018 Pamam

Dá-se a denominação de Patrística às especulações dos padres da Igreja nos primeiros séculos do falso cristianismo, e como dessa época aos dias de hoje ninguém conseguiu compreender a contento a natureza do instituto do Cristo, somente revelado por intermédio do Racionalismo Cristão, através deste seu explanador, torna-se óbvio que o propósito desses seres humanos era simplesmente especular acerca do sobrenatural, como se a verdade pudesse ser alcançada por intermédio dos devaneios sobrenaturalísticos.

E tanto isso procede que São Paulo, em seus escritos, não logrou entrar nos meandros da Veritologia e nem da Saperologia, ocupando-se apenas do sobrenatural, o que não implica em dizer que não tenhamos que nos ocupar das doutrinas sobrenaturalísticas relativas ao falso cristianismo, para que assim possamos lançar por terra todas as suas especulações voltadas para o âmbito do sobrenatural, se é que essas doutrinas esdrúxulas já não tenham sido lançadas nos escritos anteriores contidos neste site de A Filosofia da Administração, pelo fato delas representarem um simples devaneio por parte dos seus autores. Sobretudo pelo fato desse sobrenaturalismo exacerbado conter basicamente dois estímulos de índole polêmica: as heresias e as reações pagãs.

Os credos e as suas seitas transmitem as suas “verdades” sobrenaturais por intermédio de dogmas, em razão disso os primeiros séculos desta Grande Era por que estamos passando, denominada de A Era da Verdade, foram constituídos com base na dogmática dita cristã. E como esses sentimentos são todos conflitantes, por serem todos voltados para o devaneio do sobrenatural, ao lado das interpretações ortodoxas surge naturalmente um número considerável de heresias, que obrigam aos ortodoxos da Igreja a uma conceituação mais encorpada para discutir os pontos divergentes, repelir as doutrinas heterodoxas e convencer aos fiéis de que a verdade se encontra na ortodoxia. Assim a dogmática vai se constituindo e fortalecendo no decorrer das lutas estéreis contra os numerosos movimentos heréticos.

Nesse desencontro cultural, em seus devaneios, os pagãos prestavam uma certa atenção aos credos e seitas que eram baseados na vinda de Jesus, o Cristo, que em princípio lhes pareciam um tanto estranhos e absurdos, já que eles eram acostumados a adorar aos deuses, ignorando que eram espíritos obsessores quedados no astral inferior, por isso não conseguiam distinguir esses credos e seitas ditos cristãos do judaísmo, os quais eram formados por seres humanos considerados como se fossem praticamente dementes, que adoravam a um deus morto, em suplício, de quem se contavam as histórias mais mirabolantes.

Quando São Paulo falava do Areópago — conselho que funcionava a céu aberto no outeiro de Marte, antiga Atenas, que desempenhava um papel importante em política e assuntos credulários — aos atenienses do século I, que só se interessavam em dizer ou ouvir algo que fosse novidade, era escutado com atenção e cortesia, até mesmo quando lhe falava de Jeová, o deus bíblico, em que ele ali vinha lhe anunciar a sua existência, que realmente existia, não como sendo Deus, mas sim como sendo um espírito obsessor quedado no astral inferior. Mas quando se referia à ressurreição dos mortos, uns riam e outros comentavam que deixariam para ouvi-lo sobre tal assunto em outra ocasião. Assim o povo o abandonava, pois mesmo nessa época ainda muito atrasada, o povo detinha uma certa consciência, ciente de que a ressurreição é totalmente contrária às leis e aos princípios da natureza.

No entanto, de tanto insistirem na repetição da doutrina dita cristã, tendo por base a fé credulária, o falso cristianismo passou a exercer cada vez mais a sua influência sobre o povo em geral, alcançando até as classes mais elevadas, quando então o paganismo começou a dele realmente se ocupar, formando-se então um ambiente fluídico deveras confuso.

E assim começaram os ataques dos pagãos aos falsos cristãos, a cujos ataques o novo credo teria que responder no mesmo nível, caso não quisesse soçobrar nesse oceano de devaneios, e para tanto teria que lançar mão das grandes mentalidades que se encontravam ao seu alcance, que eram justamente os veritólogos e os saperólogos gregos. Por esta via, o falso cristianismo decide incorporar os sentimentos e os pensamentos gregos para que deles pudessem se servir, na defesa contra os ataques que lhe eram dirigidos, embora muitos dos seus mentores espirituais houvessem mostrado uma hostilidade contra o templo da razão, como é exemplo Tertuliano, período de 160 a 220, que foi um dos doutrinadores da primeira fase do falso cristianismo, um dos seus apologistas, que se notabilizou como sendo um polemista contra as heresias.

O falso cristianismo, então, vê-se obrigado, de antemão, a uma formulação doutrinária dos seus dogmas, tendo por base a fé credulária, e, a seguir, a promover uma discussão geral contra os seus inimigos heréticos ou pagãos. Esta é a origem da especulação doutrinária da Patrística, cujo propósito não é veritológico e nem saperológico, por isso os estudiosos do assunto consideram com muitas restrições como sendo uma filosofia, pois que para eles qualquer assunto que se enquadre no âmbito transcendental é considerado como sendo Filosofia, já que ignoram completamente a Veritologia e a Saperologia, que sempre foram mescladas.

Dessa maneira, os padres da Igreja não conseguem uma definição precisa e rigorosa sobre aquilo que almejam alcançar, e tanto isto procede que eles tomam do pensamento e do sentimento gregos os elementos de que necessitam em cada caso abordado, e, além disso, os seus conhecimentos a respeito das grandes mentalidades gregas eram deficientes, e como se não bastasse essas deficiências, eram também parciais. E como os sacerdotes sempre foram sagazes e espertalhões em todos os tempos, os padres da Igreja escolhiam de todas as escolas pagãs os assuntos que lhes pareciam mais adequados para os seus fins.

Além do mais, os conhecimentos dos padres da Igreja a respeito das grandes mentalidades gregas eram deficientes, porque a fonte principal de que eles se nutrem é o Neoplatonismo, que influenciou tanto a Idade da Fé como a Idade das Trevas, sobretudo até o século XIII, quando então a sua importância vai arrefecer ante o prestígio de Aristóteles. Assim, é através de Plotino, Porfírio, Jâmblico e Proclo que os padres da Igreja passam a conhecer Platão, obviamente que de um modo pouco preciso, quando então passam a se esforçar por descobrir analogias com o falso cristianismo. É também através das grandes mentalidades latinas, como Sêneca e Cícero, por serem os mais conhecidos, que eles encontram um repositório de ideias procedentes de todos os sentimentos e pensamentos gregos.

Os assuntos controversos com que se deparam os padres da Igreja se tornam mais relevantes do que o próprio problema que os dogmas impõem. Assim, os problemas considerados como sendo filosóficos passam a ser impostos quase sempre por meio de uma “verdade” credulária revelada no âmbito do sobrenatural, que exige uma interpretação posta no âmbito racional, quando então a razão passa a servir, supostamente, para esclarecer e para formular os dogmas, ou mesmo para defendê-los.

Nesse contexto, o criacionismo, a relação do deus bíblico com o mundo, o bem e mal, os destinos da existência humana, o sentido da redenção — que diz respeito à reabilitação e a libertação dos pecados — e a fé credulária, passam a se constituir nos problemas da Patrística. E, ao lado desses problemas com que se defrontavam os padres da Igreja, haviam as questões de âmbito teológico, como as que se referem à essência do deus bíblico, à trindade de entidades divinas, dos anjos, etc. Por fim, surgem os moralistas ditos cristãos, que obviamente se utilizam da moral utilitária, pois que não possuem a mínima noção acerca da verdadeira moral, os quais passam a estabelecer as bases de uma nova moral, utilizando-se dos conceitos moralistas dos gregos, mas contraditoriamente se estribando no instituto do pecado, na graça e nas relações do ser humano com o seu suposto criador, no caso Jeová, o deus bíblico, de onde surge o esdrúxulo instituto da salvação, que é completamente alheio aos ensinamentos gregos.

Todos esses problemas passam a ser manejados pelos padres da Igreja, que eram seres humanos portadores de mentes credulárias, voltadas para o sobrenatural, que militavam nessas suas incongruências, por isso nem sempre conseguiam manter uma linha ortodoxa, geralmente caindo nas heresias. No capítulo 14 da categoria Prolegômenos, contida neste site de A Filosofia da Administração, que trata acerca do catolicismo de Jeová, o deus bíblico, encontram-se as principais heresias e outros assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento da Igreja.

No século IV a Patrística alcança toda a sua plenitude, pois é chegado o momento em que as heresias alcançam também a sua plenitude, ameaçando perigosamente a Igreja. Mas a vitória sobre as heresias já estava decretada, pois a doutrina do falso cristianismo já se encontrava encorpada nas mentes dos seus credulários, alcançando assim uma maior vigência social no Império Romano, com o mundo antigo se encontrando na sua fase final. Os bárbaros desde algum tempo que já ameaçavam as fronteiras do Império Romano, como veremos em tópico mais adiante, com o paganismo deixando de existir. A cultura romana, que se nutria dos ensinamentos gregos, torna-se esgotada, tornando-se incapaz de ser renovada, quando então surge o espírito de Santo Agostinho, com a Patrística alcançando o seu apogeu.

Os estudiosos do assunto não são unânimes em relação aos períodos de divisão da Patrística, sendo ela dividida geralmente em três períodos:

  1. Até o ano 200: dedicada à defesa do dito cristianismo contra os seus adversários, considerados como sendo padres apologistas, como São Justino Mártir;
  2. De 200 a 450: período em que surgem os grandes sistemas, que, na realidade, são doutrinas, dos sentimentos ditos cristãos, através de Santo Agostinho, Clemente de Alexandria e outros;
  3. De 450 até o século VIII: são reelaboradas as doutrinas já formuladas, consideradas como sendo de cunho original, através de Boécio e outros.

Entretanto, essa divisão da literatura da Patrística em três períodos feita pelos estudiosos do assunto, em termos mais didáticos, é realizada da seguinte maneira:

  1. Período anteniceno: corresponde ao período anterior ao Concílio Ecumênico de Niceia, ocorrido em 324, que geralmente compreende os escritos surgidos entre o século I e início do século IV, sabendo-se que os estudiosos do assunto também dividem a história do falso cristianismo em dois períodos: antes e depois do Concílio de Niceia;
  2. Período niceno: compreende geralmente os escritos surgidos imediatamente após o Concílio de Niceia, até ao final do século IV;
  3. Período pós-niceno: corresponde ao período compreendido entre os séculos V e VIII.

 

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