02.01.03.01- Santo Agostinho

A Era da Verdade
30 de novembro de 2018 Pamam

Santo Agostinho encarnou no ano 354, em Tagaste, na Numídia, atual Argélia, e desencarnou no ano 430, em Hipona, na Numídia, com a idade de setenta e seis anos. A sua mãe, Santa Mônica, era uma “cristã” muito fervorosa, por isso passara grande parte da sua vida com as preces e os cuidados que tinha para com o filho, formando o ambiente fluídico propício para que os espíritos obsessores quedados no astral inferior viessem a intuí-lo e levá-lo para as hostes do falso cristianismo, ou seja, para o catolicismo. Já o seu pai era um homem de poucos meios, e embora fosse detentor de bons princípios, não preservava a sua fidelidade ao casamento, mas que a esposa a aceitava com resignação, na esperança de que as suas infidelidades não durariam para sempre.

Nessa época, o donatismo — doutrina credulária fundada por Donato, bispo de Cartago — desafiava a ortodoxia, enquanto o maniqueísmo — dualismo credulário originado na Pérsia, cuja doutrina afirmava a existência de um conflito cósmico entre o bem e o mal — ameaçava tanto o donatismo como a ortodoxia, ao tempo em que a população era praticamente toda pagã.

Em meio a esses sentimentos credulários desencontrados, combinados com a moral praticamente inexistente, era muito pesado o ambiente fluídico africano, tanto que Salviano passou a considerar a África como sendo a cloaca do mundo e Cartago como sendo a cloaca da África, daí a razão pela qual Santa Mônica haver dado muitos conselhos ao filho quando dele se despediu, pois Santo Agostinho foi mandado aos doze anos para a escola em Madaura e aos dezessete para um curso superior em Cartago. Em relação ao fato, Santo Agostinho nos conta da seguinte maneira:

Ela me ordenou, e foi com muita veemência que me preveniu, que não fornicasse e sobretudo não desonrasse a mulher do próximo. Para mim, tal conselho me pareceu muito fútil, o qual teria vergonha de seguir… Fui tão cego na minha conduta que fiquei envergonhado, no meio dos meus companheiros, de me sentir menos impudente do que eles, eles que se orgulhavam das façanhas que praticavam; quanto mais se excediam em suas proezas, tanto mais se vangloriavam, e eu comecei a sentir prazer em fazer a mesma coisa, não pelo prazer do ato em si, mas para poder me vangloriar dele também… e quando não tinha oportunidade de praticar uma malvadez que me tornasse tão mais quanto eles, fingia que a havia praticado”.

Em seus estudos, Santo Agostinho provou ser bom aluno em latim e em retórica, sendo aplicado também em Matemática, Filosofia — assim considerada como estando representando a mescla entre a Veritologia e a Saperologia — e até em música. Entretanto, não era dado aos estudos da língua grega, por isso jamais pôde dominar ou aprender a sua literatura, o que não impossibilitou o seu fascínio por Platão, ao qual ele considerava como sendo um semideus, e mesmo quando se tornou efetivamente “cristão”, não deixou de ser platonista. Os seus estudos de lógica e dos sentimentos e pensamentos gregos o tornaram apto para se destacar como sendo o maior teólogo da Igreja.

Já aos dezesseis anos de idade afirmou que “havia muita dificuldade para me conseguir uma esposa”, pelo que preferiu ter uma concubina, cuja conveniência tinha a sanção da moral pagã e da lei romana. Sem ainda se voltar para as hostes ditas cristãs, por conseguinte, não sendo ainda batizado, Santo Agostinho fazia uso do seu livre arbítrio segundo as suas próprias conveniências, pouco ligando para os ditames da moral, mas ao que parece se mantendo fiel à sua concubina até o tempo em que dela se separou, em 385. Ainda em 382, quando era um rapaz de apenas dezoito anos de idade, viu-se pai de um garoto, ao qual às vezes chamava de “filho do meu pecado”, e mais comumente de Adeodato, com o significado de dádiva de Deus. Tinha uma grande afeição pelo rapaz, mantendo-o sempre perto de si.

Depois de formado, Santo Agostinho passou a lecionar gramática em Tagaste e mais tarde retórica em Cartago. Aos vinte e nove anos, deixou Cartago, pois alimentava a pretensão de ir para uma cidade maior, como Roma. A sua mãe, receando que ele morresse sem ser batizado, pediu-lhe que não fosse, mas como o filho insistiu, solicitou encarecidamente que a levasse consigo, pelo que ele apenas fingiu consentir, pois ao chegar às docas, deixou-a em uma capela e partiu decididamente sem ela.

Ao chegar em Roma, passou a lecionar retórica durante um ano, mas os seus alunos não lhe pagaram os honorários. Insatisfeito, ele resolveu se candidatar para o cargo de professor em Milão, tendo sido aprovado. Nesse ínterim, a sua mãe foi estar com ele e o persuadiu a ouvir com ela os sermões de Ambrósio. Santa Mônica o persuadiu também de que devia se casar, e, de fato, fê-lo ficar noivo de uma criança que pertencia a uma família abastada, quando então o padre da Igreja já contava com trinta e dois anos de idade.

E vejam só, Santo Agostinho concordou em esperar dois anos até que a criança completasse ao menos doze anos de idade, quando então resolveu mandar a amante de volta para a África, onde ela resolveu amenizar a sua dor em um convento. No entanto, as poucas semanas seguintes que passou privado da concubina o deixaram um tanto aflito, carente dos prazeres da carne, desta maneira, ao invés de se casar, arranjou uma outra concubina, quando então, orando a Jeová, o seu deus bíblico, pediu-lhe o seguinte:

Dai-me a castidade, porém não agora

Em meio aos seus prazeres sensuais, Santo Agostinho conseguiu encontrar tempo para estudar a Teologia, em função da fé credulária da sua mãe que o tinha influenciado desde criança, mas que por orgulho a abandonara ao entrar na escola.

Sabe-se que durante nove anos, de 374 a 383, Santo Agostinho aceitou o dualismo do maniqueísmo como sendo a explicação mais satisfatória de um mundo que oscilava entre o bem e o mal. Mas mesmo assim se sentiu atraído durante algum tempo pelo ceticismo. Em Roma, deparou-se com os ensinamentos de Plotino e Platão, tendo o Neoplatonismo se enraizado profundamente em seu corpo mental, dominando o modo da sua teologia dita cristã. Assim, ele ingressou de vez na Teologia, a qual iria caracterizar todo o seu sentimento em relação ao falso cristianismo, incentivado pelas palavras de Ambrósio, que lhe recomendou que lesse a Bíblia com base nos ensinamentos de São Paulo.

Santo Agostinho leu as epístolas de São Paulo e passou a considerá-lo como sendo um homem que, assim como ele, estivera também dominado pela dúvida. Por aqui se pode constatar claramente as intuições dos espíritos obsessores quedados no astral inferior no sentido de levá-lo para as hostes de Jeová, o deus bíblico. Assim, embora constatando que na fé credulária de São Paulo não se encontrava o Logos platônico, considerado por ele como sendo meramente abstrato, existia o Verbo Divino que havia se transformado em homem, que era Jesus, o Cristo.

A prova de que Santo Agostinho era intuído pelos espíritos obsessores quedados no astral inferior, é o fato de que ele também era um médium ouvinte, pois, certo dia, estando sentado em um jardim de Milão com o seu amigo Alípio, ouviu uma voz lhe repetir muitas vezes ao ouvido: “Lê, lê, lê!”. Em obediência à voz que ouvia dos espíritos obsessores, ele se pôs a ler um trecho de São Paulo, que assim dizia:

Não vos entregueis a orgias e libações, não sejais ambicioso e nem estroina, não sejais belicoso nem invejoso, entregai-vos a Nosso Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer aos desejos carnais”.

Esse trecho de São Paulo foi o suficiente para provocar uma grande mudança no sentimento de Santo Agostinho, pois que estando já dominado pelos espíritos obsessores, sentiu no âmago do seu espírito o ardor da fé credulária, que ele considerou como sendo ainda mais ardente e mais profunda do que toda a lógica que havia aprendido com as grandes mentalidades que o antecederam, tanto em relação aos veritólogos como em relação aos saperólogos, dos quais ele não tinha a mínima noção dos seus pendores inteligenciais.

Foi assim que o falso cristianismo surgiu em sua mente perturbada, quando então ele renunciou definitivamente ao ceticismo, encontrando em sua fé credulária um ideal para a sua vida, e até o seu amigo Alípio, também influenciado pelos espíritos obsessores, confessou-lhe que também se encontrava disposto a seguir o mesmo exemplo.

Levados pela fé credulária, no domingo de Páscoa de 387, Santo Agostinho, Alípio e Adeodato foram batizados por Ambrósio. Santa Mônica assistiu à cerimônia do batismo sem conter a sua imensa alegria por ver o filho convertido ao falso cristianismo. Após o batismo, todos os quatro resolveram partir para a África, para que lá pudessem viver uma vida monacal. Mônica desencarnou em Óstia, alimentando a vã esperança de que eles fossem se reunir a ela em um quimérico paraíso.

Ao chegar à África, Santo Agostinho vendeu todo o seu patrimônio, que era modesto, e distribuiu entre os pobres o dinheiro arrecadado. A seguir, juntamente com Alípio e alguns outros amigos, fundou uma comunidade credulária, passando a viver pobre e celibatário em Tagaste, entregando-se com entusiasmo aos estudos e às preces. E assim, em 388, formou-se a ordem de Santo Agostinho, considerada como sendo a mais antiga irmandade do Ocidente. Em 389, desencarna o seu filho Adeodato, com Santo Agostinho sentindo profundamente a sua desencarnação

Em 391, Valério, bispo da vizinha cidade de Hipona, solicitou a Santo Agostinho que o auxiliasse na administração da diocese, ordenando-o sacerdote para que ele pudesse cumprir com essa finalidade. Geralmente Valério lhe cedia o púlpito, quando então a eloquência de Santo Agostinho empolgava ao público, formando um ambiente fluídico tão pesado e trevoso, que até mesmo quando o santo da Igreja Católica não era compreendido, mesmo assim não deixava de empolgar ao público. Pode-se assim compreender claramente o quão perniciosos são os antros das igrejas, em que nelas os espíritos obsessores empolgam aos credulários e fazem fortalecer a fé credulária em um deus que não passa de um espírito obsessor, fazendo com que eles acreditem nos dogmas de natureza sobrenatural.

Nessa época, Hipona, que havia sido uma importante guarnição militar, era um porto marítimo com uma população de aproximadamente 40.000 habitantes, em que lá os católicos possuíam uma igreja, os donatistas outra e a parte restante da população seguia o maniqueísmo ou então o paganismo. Fortunato, o bispo que professava o maniqueísmo, havia se notabilizado em Hipona como sendo o expoente em Teologia, por isso os donatistas se juntaram aos católicos para pedirem a Santo Agostinho que o enfrentasse em um debate, pedido que ele atendeu. Em 392, os dois debatedores se enfrentaram durante dois dias, tendo Santo Agostinho saído vencedor, ocasião em que Fortunato deixou Hipona para sempre.

Em 396, alegando ser detentor de uma idade já avançada, Valério pediu à congregação que escolhesse um sucessor para ele, tendo Santo Agostinho sido escolhido por unanimidade, posição que ocupou durante os trinta e quatro anos restantes da sua vida como sendo o bispo de Hipona, tendo nomeado dois diáconos para o auxiliarem.

Como os sentimentos acerca do cristianismo, em sua falsidade, eram geralmente todos divergentes, tão logo assumiu o cargo de bispo, Santo Agostinho teve que travar praticamente uma guerra contra os donatistas, desafiando os seus líderes para travarem um debate público, mas poucos foram os que aceitaram o desafio. Como a intolerância se fazia valer entre os falsos cristãos, os adversários receberam o convite em silêncio, depois com insultos e violências, com vários bispos católicos do norte da África sendo atacados, e até o próprio Santo Agostinho sofreu um atentado contra a sua vida.

Em 412, o imperador Honório ordenou a realização de um concílio em Cartago, a fim de dar um paradeiro àquela contenda dos donatistas, os quais enviaram 279 bispos, enquanto os católicos enviaram 286. Após ouvir a ambas as partes, Marcelino, o emissário do imperador, decretou que os donatistas não mais deveriam fazer reuniões, tendo que entregar todas as suas igrejas aos católicos. Os donatistas responderam com violência, inclusive com o assassinato de Restítuto, um sacerdote de Hipona, e a mutilação de um outro membro do grupo de Santo Agostinho, o qual pediu ao governo que que se fizesse cumprir o decreto, retratando-se da sua opinião anterior, quando afirmava o seguinte:

Ninguém deve ser coagido a entrar para o cristianismo… que se deve lutar com argumentos e se servir apenas da força da razão”.

E vejam só a arrogância e a intolerância de Santo Agostinho, pois ele considerava que a Igreja era o pai espiritual de todos, com ela assumindo o direito pleno de pai para punir ao filho desobediente, e isso para o próprio bem dele. E mais: parecia-lhe preferível que uns poucos donatistas sofressem e que “vivessem todos condenados ao inferno por falta de coação”, pelo que assim solicitou aos funcionários do Estado que não aplicassem a pena de morte contra os considerados heréticos.

Santo Agostinho vivia sob a influência maléfica dos espíritos obsessores quedados no astral inferior, sendo por eles intuído para escrever cartas quase todos os dias, cujas cartas até hoje têm grande influência na teologia católica, enquanto os seus sermões encheram grandes volumes, que se revestem de um caráter místico e de uma fé credulária profunda, todos voltados para o âmbito do sobrenatural, esforçando-se em muitos tratados por conciliar as doutrinas ditas cristãs com a razão, estando completamente alheio de que a razão coordena a verdade e a sabedoria, e estas se encontravam totalmente ao largo do seu corpo mental.

No entanto, ele era ciente de que a Trindade não se encontrava ao alcance da compreensão de qualquer ser humano, razão pela qual trabalhou quinze anos em sua obra intitulada de Da Trindade, esforçando-se por encontrar analogias nas experiências humanas para as suas explicações acerca da Trindade, cujas experiências são alheias à sabedoria, pois não se pode conceber racionalmente três pessoas em um só deus, no caso Jeová, o deus bíblico.

Em seus devaneios sobrenaturais, Santo Agostinho se defrontou com o problema de harmonizar o livre arbítrio do ser humano com a presciência do seu deus, considerando que se Jeová, o deus bíblico, é onisciente, ele então pode ver o futuro em todos os seus detalhes, uma vez que é imutável. Esse quadro que ele tem dos acontecimentos vindouros coloca esses acontecimentos na necessidade de se efetivarem, pois haviam sido previstos por ele, sendo predestinados de maneira irrevogável. E assim passa a indagar: Como poderiam ser livres os homens? Não deveriam fazer o que deus já previu? Assim, se Jeová, o deus bíblico, previu todas as coisas, devia ter sabido desde a eternidade o destino final de todas as criaturas que criou. Ao que indaga novamente: Por que deveria ele criar as criaturas que estão predestinadas à condenação?

Em seus primeiros anos considerados como sendo cristãos, Santo Agostinho se ocupou acerca do livre arbítrio, através de um tratado intitulado de Do Livre Arbítrio, em que nele procurava fazer uma ligação da existência do mal com a benevolência de Jeová, o deus bíblico, explicando que o mal é o resultado da vontade livre, assim como se Jeová, o deus bíblico, não pudesse deixar o homem livre sem lhe dar a escolha de praticar o mal, assim como também o bem.

Posteriormente, sob a influência das epístolas de São Paulo e também do astral inferior, do qual era instrumento, passou a argumentar que o pecado de Adão havia deixado nos homens a mancha de uma tendência para o mal, cuja mancha não poderia ser apagada pelas boas ações, não podendo habilitar a alma a destruir essa tendência para o mal, apagando a essa mancha e conseguindo a salvação, somente através da graça concedida livremente por Jeová, o deus bíblico, que oferecia essa graça a todos os homens, mas que muitos a recusavam. Mas não foi Santo Agostinho quem inventou a essa doutrina esdrúxula do pecado original, pois São Paulo, Tertuliano, Cipriano e Ambrósio já a haviam ensinado.

Santo Agostinho não possuía a mínima noção acerca dos atributos individuais superiores e inferiores, assim como também dos atributos relacionais positivos e negativos, em razão disso não sabia explicar as más inclinações do livre arbítrio, a não ser, vejam só, como sendo o resultado do pecado de Eva e do amor de Adão, argumentando que se somos todos filhos de Adão e Eva, temos que compartilhar a sua culpa, uma vez que somos o fruto da sua culpa, pois que ela é oriunda da concupiscência do pecado original e ainda mancha todos os atos das gerações, em função da própria ligação do sexo com o nascimento, pelo que assim considera a nossa humanidade como sendo uma massa de perdição, em que a maioria de todos nós será condenada, enquanto alguns poucos serão salvos, porém somente pela graça do filho de Jeová, o deus bíblico, que no caso seria Jesus, o Cristo, e pela intercessão da mãe, que no caso seria Maria, que o concebeu sem pecado. Aqui, Santo Agostinho considera pecado as relações entre o homem e a mulher, não atentando para o fato de que essas relações são dádivas da natureza, quando afirma o seguinte:

Condenaram-nos à destruição por causa de uma mulher e foi por uma mulher que se restaurou para nós a salvação”.

Santo Agostinho defendia a tese de que Jeová, o deus bíblico, escolhia desde a eternidade, arbitrariamente, os eleitos aos quais ele iria conceder a graça da salvação, mas uma avalanche de críticas se formou para contestar a essa sua tese, tendo ele combatido a todos os críticos. Então veio da Inglaterra o mais forte dos seus críticos, um monge independente que se chamava de Pelágio, o qual defendeu com veemência a liberdade do homem, defendendo a tese de que todos podiam se salvar através da prática das boas ações, afirmando ainda que Jeová, o deus bíblico, auxilia-nos, dando-nos as suas leis e os seus mandamentos, assim como os exemplos dos santos, purificando-nos com a água do batismo e nos redimindo, vejam só, com o sangue de Jesus, o Cristo. Mas em 431, por ocasião do Concílio de Éfeso, foi condenada como heresia a tese de Pelágio de que o homem pode ser bom sem o auxílio da graça de Jeová, o deus bíblico.

A obsessão e o fanatismo de Santo Agostinho, calcada na fé credulária, fez com que ele colocasse a esta acima do templo valioso da compreensão, colocando também a autoridade das Escrituras acima de todos os esforços da inteligência humana, ao afirmar o seguinte:

Não procureis compreender aquilo em que possais crer, mas crede naquilo que possais compreender”.

A autoridade das Escrituras é maior do que todos os esforços da inteligência humana”.

Mas embora ele afirmasse a autoridade das Escrituras em relação à inteligência humana, afirmava de modo contraditório que não precisamos acreditar que o mundo foi criado em apenas seis dias, ao dizer que provavelmente Jeová, o deus bíblico, havia criado, no princípio, apenas uma matéria nebulosa, da qual todas as coisas haveriam de se desenvolver pelas causas naturais, embora não explicasse que causas naturais seriam essas.

É sabido que a Veritologia em todos os tempos foi mesclada com a Veritologia, sob a denominação imprópria de Filosofia, mas Santo Agostinho não demonstrou os pendores nem para a verdade e muito menos para a sabedoria, pois através dos seus 230 tratados manifestou apenas os seus sentimentos acerca da Teologia, tanto que buscou em São Paulo a tese da existência de uma comunidade de santos vivos e mortos, e no donatista Ticônio a doutrina de duas sociedades, sendo uma de Jeová, o deus bíblico, e outra de Satanás, estabelecendo a história de duas cidades: a cidade terrena dos homens que se entregam aos negócios e aos prazeres terrenos; e a cidade divina dos adoradores passados, presentes e futuros de um só deus, Jeová, o deus bíblico, que ele considerava como sendo o verdadeiro. E quando adentrou na seara considerada como sendo filosófica, foi buscar em Platão a concepção de um estado ideal que existia em algum lugar do céu, em seu devaneio,

Santo Agostinho considerava que a Igreja podia se identificar com a cidade de Jeová, o deus bíblico, fato esse que propiciou a que a Igreja mais tarde viesse aceitar a essa identificação como instrumento ideológico da sua política e deduzir do seu sentimento a doutrina de um Estado teocrático, no qual os poderes seculares, exercidos pelos homens, seriam subordinados ao poder espiritual mantido pela Igreja, por ser oriundo de Jeová, o deus bíblico. E aqui se pode constatar claramente como em todos os tempos da história desta nossa última e definitiva civilização, os sacerdotes sempre foram ávidos por poder e riqueza, lançando mão de todas as suas sagacidades e matreirices para alcançar aos fins desejados.

Quando os vândalos estavam avançando, muitos bispos e sacerdotes perguntaram a Santo Agostinho se deveriam se conservar em seus postos ou fugir, pelo que ele ordenou que ficassem, dando o próprio exemplo. E quando os vândalos sitiaram Hipona, ele sustentou a moral do povo faminto com preces e sermões, tendo desencarnado no terceiro mês do sítio, com a idade de setenta e seis anos, tendo escrito o seu próprio epitáfio:

O que aflige o coração de um cristão? É o fato de ele ser um peregrino que sente saudades da sua própria terra”.

Santo Agostinho conseguir emprestar ao Ocidente todo o arcabouço da teologia católica, tendo reivindicado para a Igreja a supremacia sobre os homens e os Estados, o que influenciou as grandes lutas dos papas contra os reis e os imperadores.

 

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