02.01.02- O Neoplatonismo

A Era da Verdade
13 de novembro de 2018 Pamam

É certo que Jesus, o Cristo, não logrou ser compreendido em sua época, assim como na época atual, em razão do seu elevadíssimo estágio evolutivo, pois todos ignoram que ele veio estabelecer o instituto do Cristo no seio da nossa humanidade e elaborar um plano para a nossa espiritualização, agindo intensamente na concretização desse seu plano espiritualizador, além de ministrar alguns ensinamentos somente acessíveis àquele que conseguiu alcançar a condição do Antecristo da nossa humanidade, por isso passou a ser realmente compreendido somente por intermédio da explanação do Racionalismo Cristão.

Essa incompreensão em relação ao nosso Redentor deu origem ao falso cristianismo, fazendo surgir uma variedade de centros ditos cristãos que eram relativamente autônomos e que estavam sujeitos a diferentes tradições, pois que para os seres humanos é difícil romper com as tradições, já que eles não são muito afeitos às mudanças, notadamente na seara espiritual, ensejando a que se formassem os ambientes propícios para o surgimento e o desenvolvimento dos mais variados tipos de credos e seitas, modificando por completo os costumes dos povos, mas com eles conservando as suas tradições, sempre sobrenaturais.

Nesse mosaico de credos e seitas que surgiram, nós podemos encontrar o falso cristianismo grego, destinado a povoar de heresias o ambiente fluídico da época, em razão dos gregos ainda conservarem um tanto o seu espírito crítico. Assim, o falso cristianismo somente pôde ser mais bem compreendido em face dessas heresias, porque mesmo com elas sendo suprimidas, passava a adquirir algo da sua cor e forma.

Entretanto, uma mesma fé credulária passou a unir as crenças que se encontravam esparsas entre os povos, pois todos criam que Jesus, o Cristo, considerado como sendo o filho único de Deus, voltaria à Terra para aqui estabelecer o seu reino, por isso todos os crentes acreditavam que seriam recompensados no Juízo Final com a bem-aventurança eterna.

Quando ao final do século II o caos estabelecido passou a ameaçar o Império Romano, Tertuliano, que viveu no período de 160 a 220, tendo sido um prolífico autor das primeiras fases do falso cristianismo e um polemista contra as heresias, seguido de outros falsos cristãos, alimentaram o pensamento de que havia chegado o fim do mundo, sendo tão intensa essa crença infundada, que um bispo sírio levou os seus arrebanhados para o deserto, a fim de receber a Jesus, o Cristo, no meio do caminho, enquanto um outro bispo do Ponto passou a desorganizar a vida da comunidade com o anúncio da volta de Jesus, o Cristo, no período de um ano.

Mas como todos os sinais evidentemente falhassem, obviamente com Jesus, o Cristo, não aparecendo, os falsos cristãos que detinham um maior tirocínio procuraram amenizar o desapontamento do povo, através de uma nova interpretação da data da vinda do nosso Redentor. Foi essa fé credulária no segundo advento de Jesus, o Cristo, que estabeleceu o falso cristianismo, enquanto que a esperança da salvação o preservou.

Foi nesse ambiente fluídico formado pelo falso cristianismo, em que reinava a fé credulária, tendo por base o sobrenaturalismo, que encarnaram alguns espíritos de escol, com vistas a modificar a esse ambiente fluídico místico e sobrenatural, dando origem ao Neoplatonismo, cuja denominação representa a doutrina que foi inspirada em Platão, pois até o século II, o Velho Testamento era o livro dito sagrado que fazia ressaltar o criacionismo, com Jeová, o deus bíblico, sendo considerado pelos falsos cristãos como se fosse realmente Deus, quando, na realidade, não passa de um espírito obsessor quedado no astral inferior, e Jesus, o Cristo, como se fosse realmente o seu filho unigênito. Essa doutrina de inspiração platônica, completamente alheia ao falso cristianismo, desenvolveu-se no século III, mais precisamente com a fundação da escola alexandrina por Amônio Sacas, em 232, e se estendeu até o século VI, com o fechamento da escola de Atenas por intermédio do edito de Justiniano, de 529.

O Neoplatonismo passa a impor uma nova mentalidade entre os povos dos primeiros séculos após a vinda de Jesus, o Cristo, livre das fantasmagorias reveladas pelos falsos cristãos, em que essa nova mentalidade procura desvendar os segredos da vida e os enigmas do Universo, que os estudiosos do assunto consideram como se fosse uma postura panteísta, quando, na realidade, não é panteísta, pois mesmo que em sua doutrina não ocorra uma distinção entre Deus e o mundo, salienta-se que este último procede do Uno, não por criação, mas por emanação, ou seja, é o próprio ser proveniente do Uno que se difunde e se manifesta, tornando-se explícito no mundo inteiro, a partir do Nous, que pode ser considerado como sendo a Inteligência Universal.

O pensamento neoplatônico é eminentemente espiritualista, pois que procura desvendar a origem da alma, como ela se desprendeu da sua fonte original, que podemos considerar como sendo o Ser Total, ao mesmo tempo apontando o caminho pelo qual a alma pode proceder o seu retorno à sua fonte de origem, ao eterno Ser Supremo, ou seja, ao Ser Total. Para o neoplatonismo o mundo invisível deve ser transcendental, de onde emanam as essências, que são os seres, que por sua vez produzem a alma do mundo.

Assim, a única realidade existente se encontra em Deus, que é a realidade suprema e o princípio de todas as realidades, pois que tudo é emanação de Deus, tanto no mundo visível como no mundo invisível, onde se encontra a verdadeira felicidade, embora os neoplatônicos considerassem a felicidade como sendo difícil de ser alcançada, sob o argumento de que o ser humano jamais pode chegar ao completo conhecimento de Deus.

No entanto, os neoplatônicos não conseguiram conceber que somos as inteligências da Inteligência Universal, e que evoluímos céleres em Sua direção, em retorno para o Ser Total, por isso eles passaram a considerar que para nós podermos chegar até Deus, precisamos de auxílio, que somente de Deus pode vir esse auxílio, através do êxtase, considerado como sendo a mais alta forma de conhecimento.

Neste caso, a palavra êxtase, sendo derivada do grego ékstasis, pelo latim tardio ecstase, exstase, assume o significado literal de se elevar, de se desprender, como resultado da meditação. E aqui surge uma tentativa por parte dos veritólogos neoplatônicos de se elevarem ao Espaço Superior, a fim de poderem perceber e captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade.

A hipóstase é um termo utilizado para os veritólogos e saperólogos da Antiguidade, que os estudiosos consideram como sendo todos pensadores, por excelência, que representa a realidade permanente, concreta e fundamental, e que por ser um termo grego, assume o significado da natureza de uma coisa. Ora, a natureza de uma coisa diz respeito diretamente às suas substâncias, as quais já sabemos serem compostas de essência e propriedades, em que as coisas, como essências, são partículas do Ser Total, e como propriedades, evoluem adquirindo parcelas da Força, da Energia e da Luz, esta última quando na condição de espíritos. Então nós vemos no Neoplatonismo três hipóstases, quais sejam:

O UNO

O Uno é considerado como sendo o Todo, em sua Perfeição e Eternidade, em que assim é considerado como sendo Imutável, que deste modo podemos considerar como sendo o Ser Total, sendo a origem e a causa da existência de tudo quanto existe.

Em relação à Imutabilidade, cabe aqui esclarecer que em sua Perfeição, Infinitude e Ilimitação o Ser Total é realmente Imutável. Mas acontece que Ele recebe o acervo da imperfeição, da finitude e da limitação das suas partículas, em que nestes aspectos Ele também é Mutável, à medida que vai recebendo os acervos das suas partículas. Como se pode claramente constatar, somente assim Ele pode ser o Todo.

O NOUS

O Nous é considerado como sendo Inteligência, portanto, a Inteligência Universal. Mas como os nossos órgãos mentais são o criptoscópio, que tem a função de perceber e a finalidade de captar os conhecimentos metafísicos acerca da verdade, o intelecto, que tem a função de compreender e criar as experiências físicas acerca da sabedoria, e a consciência, que tem a função de coordenação e a finalidade de coordenar o criptoscópio e o intelecto, cujos órgãos mentais são comandados pelos nossos atributos individuais superiores que formam a moral, e pelos nossos atributos relacionais positivos que formam a moral, o Nous pode ser considerado como sendo tudo aquilo que diz respeito ao criptoscópio.

A ALMA

A alma é proveniente do Nous, por ser inteligência, portanto, inteligência da Inteligência Universal, sendo encarregada de exercer duas atividades: a primeira é considerada como sendo contemplativa, para que através da contemplação possa perceber o Nous; a segunda é a que os estudiosos denominam de plástica, que formam todas as coisas que existem no Universo, notadamente através das ideias adquiridas para que se possa contemplar ao Nous.

Os neoplatônicos rejeitavam o pensamento da salvação proposto pelos falsos cristãos, já que eles acreditavam que os seres humanos podiam alcançar a perfeição, o que realmente se pode alcançar no decorrer do processo da evolução. Acreditavam também que a felicidade era difícil de ser alcançada, mas que podia sim ser alcançada ainda neste mundo, sem que fosse preciso esperar por uma outra vida após a morte, o que realmente também se pode alcançar, pois que a felicidade é decorrente do cumprimento das obrigações e dos deveres neste mundo. E os neoplatônicos tanto evoluíam espiritualmente como cumpriam com os seus deveres e obrigações neste mundo.

Em relação ao bem e o mal, os neoplatônicos não acreditavam na existência do mal de um modo que fosse exclusivo, ou independente, comparando-o com a escuridão que não existe em si, sendo ela apenas a ausência de luz, assim como o mal é a ausência do bem. Na realidade, como Jesus, o Cristo, afirmou que a ignorância é o grande mal da nossa humanidade, nós podemos comparar o mal como sendo a escuridão da ignorância, e o bem como sendo a luz do esclarecimento espiritual.

Um dos principais fundamentos contidos na doutrina neoplatônica, que por sinal se encontra absolutamente correto, em que aqui o Neoplatonismo descarta por inteiro a esse esdrúxulo instituto da salvação pregado pelo falso cristianismo, é que todas as almas retornam para a sua Fonte de origem, para o Absoluto, para o Uno, ou seja, para Deus, que é de onde todas as coisas são provenientes, e se Dele são provenientes, obviamente que a Ele retornam. Assim, os neoplatônicos acreditam que todos os seres retornarão para a sua Fonte de origem na condição de uma tabula rasa, tal como se eles depositassem todos os seus acervos no Criador.

Os principais neoplatônicos foram os seguintes:

  • Amônio Sacas;
  • Plotino;
  • Porfírio;
  • Jâmblico;
  • Proclo.

 

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