02.01.02.05- Proclo

A Era da Verdade
25 de novembro de 2018 Pamam

Proclo encarnou em Constantinopla, no ano 412, e desencarnou no ano 485, em Atenas, na Grécia, aos 73 anos de idade. Foi um veritólogo neoplatônico que teve o mérito de desenvolver a corrente de sentimentos que foi influenciada pelos pensamentos de Platão, que foi iniciada por Amônio Sacas, consolidada por Plotino e depois expandida por Porfírio e Jâmblico, tornando-se célebre pela sua capacidade em ordenar as questões levantadas e as encaminhar para as suas devidas soluções.

Ele era filho de uma família abastada que vivia na cidade de Xanto, na Lícia. Patrício, o seu pai, era um advogado que se encontrava militando em Constantinopla, na época do seu nascimento, mas depois retornou para Xanto, onde Proclo recebeu a sua educação básica. De Xanto, ele se mudou para Alexandria, dando continuidade aos seus estudos por intermédio do retórico Leonas, que o recebeu com afeto e o tratou como se fôra um filho.

Impressionado com a capacidade de aprendizado do seu aluno, Leonas o apresentou aos mais destacados mestres de Alexandria, que também ficaram impressionados com a sua capacidade de aprendizagem, assim como com o seu caráter impoluto, marca registrada dos veritólogos, que são mais afeitos à moral, enquanto que os saperólogos são mais afeitos à ética, embora ambos possuam tanto a moral como a ética, pois que se destacam como sendo espíritos altamente educados. Dando continuidade aos seus estudos, Proclo passou a estudar gramática com Órion, em seguida passou a aprender o latim, a fim de que pudesse estudar a doutrina do Direito e a jurisprudência, como se pretendesse seguir a profissão do pai.

A grande afeição de Leonas pelo seu aluno, fez com que ele o levasse para uma viagem que precisou fazer para Bizâncio, onde lá Proclo prosseguiu nos seus estudos, vislumbrando novos horizontes em sua mente privilegiada. Assim, ao voltar para Alexandria, resolveu abandonar a retórica e o Direito para se dedicar exclusivamente à Filosofia, mais propriamente à Veritologia, tendo como instrutor Olimpiodoro, o Velho, tendo também aprendido Matemática com Heron.

É sabido que aqueles que demonstram os seus pendores para a verdade trabalham mais com os seus criptoscópios do que com os seus intelectos, fazendo valer as suas percepções, para que assim possam captar os conhecimentos. Enquanto que aqueles que demonstram os seus pendores para a sabedoria trabalham mais com os seus intelectos do que com os seus criptoscópios, fazendo valer as suas compreensões, para que assim possam criar as experiências. Nós temos, pois, as inteligências distintas uma da outra, em que uma parte da nossa humanidade é mais perceptiva, enquanto que a outra é mais compreensiva.

Essa é a verdadeira razão pela qual Olimpiodoro, o Velho, era raramente compreendido pelos seus alunos, pois que fazia valer mais o seu criptoscópio em detrimento do seu intelecto, pois que tinha os seus pendores voltados para a verdade, ao que os estudiosos confusos consideram ser pela confusão das suas doutrinas ou mesmo pela indistinção do seu modo de ensiná-las. Mas como Proclo tinha também os seus pendores voltados para a verdade, e sendo detentor de um poderoso criptoscópio, conseguia perceber tudo aquilo que o mestre estava ensinando. Assim, sendo também detentor de uma excepcional memória, tornou-se capaz de repetir todas as aulas aos demais alunos ao final de cada uma delas, e, de acordo com Marino de Neápolis, quase que palavra por palavra. E fazendo valer a sua excepcional memória, sabia de cor a todos os tratados saperológicos de Aristóteles, o que impressionou profundamente a Olimpiodoro, o Velho, fazendo com que este concedesse a ele a mão da sua própria filha.

Os estudiosos do assunto dividem a obra de Proclo em duas partes:

Na primeira parte se encontram os comentários sobre os pensamentos de Platão, que é intitulada de Memoranda, cujos comentários se iniciaram quando Proclo tinha apenas 28 anos de idade, os quais dizem respeito aos diálogos platônicos: A República, Timeu, Alcibíades, Parmênides e Crátilo. Nesses seus escritos, Proclo analisa e reafirma o pensamento de Platão, comprovando assim que a verdade tende a se unir com a sabedoria, ou que a Veritologia tende a se unir com a Saperologia, pois que as causas tendem a se unir com os seus respectivos efeitos.

A segunda parte diz respeito ao conteúdo veritológico, que os estudiosos consideram como sendo teológico, em que se destacam os seis livros que constituem a metafísica platônica. É certo que na Grécia Antiga os seus credos diziam respeito diretamente aos deuses, que eram os espíritos obsessores quedados no astral inferior, por isso os credulários dessa época eram politeístas, mas haviam os deuses considerados pelos veritólogos e saperólogos, que eram os espíritos de luz integrantes do Astral Superior, como é prova as suas comunicações através de médiuns, as pítias, principalmente no templo de Delfos. Daí a razão pela qual Proclo se ocupou do simbolismo dos mitos gregos e os analisou com acuidade e sabedoria.

Proclo pode ser considerado como sendo um erudito, pois que além dos seus pendores veritológicos, era também fascinado pelas religiões, as que são as verdadeiras fontes das ciências, que são diferentes dos credos e das suas seitas, particularmente pela Astronomia, que revela por intermédio da sua obra intitulada de Hypotyposis, uma introdução às teorias astronômicas transmitidas por Hiparco e Ptolomeu, através da qual descreve a teoria matemática dos planetas baseada nos epiciclos e nos excêntricos. Ele escreveu também um comentário sobre o primeiro livro dos Elementos de Euclides, que se tornou uma fonte de pesquisa sobre a história da matemática grega.

Plotino teve como mestre Amônio Sacas, de cujo instrutor recebeu os fundamentos acerca do Neoplatonismo, sendo o seu principal consolidador, cuja obra teve a sua continuidade até o final do século V, por intermédio de Porfírio, Jâmblico e Proclo, em que esses veritólogos procuraram uma ligação direta com o Astral Superior, mas que os estudiosos consideram como sendo práticas rituais ligadas à magia, no que se encontram redondamente enganados, e seguindo o pensamento espiritualista de Platão, concordaram com o preceito da reencarnação.

Essa ligação direta com o Astral Superior deveria ocorrer através do êxtase, assim como sendo a elevação ao Espaço Superior, que une a criatura ao Criador, que no fundo é a mesma ideia transmitida por Plotino acerca da união da alma com o Uno.

 

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